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<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Educação]]></journal-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This text discusses Educational praxis, conceived in the articulation of time, thought and society concepts. This essay is developed in the light of conceptual research guidelines. It advocates the concern about the education of real men and women, not the ones ideally conceived. We analyze the capitalist and socialist societal models facing the challenge of creating a societal model and an existential style based on justice and freedom values, ultimate arguments for teachers mobilize the knowledge they hold in actual teaching and learning situations.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[El tema de este trabajo es la praxis educativa, concebida por la articulación de los conceptos de tiempo, pensamiento y sociedad. Se llevó a cabo a la luz de las directivas de la investigación conceptual. Defiende la preocupación con la educación del presente para el hombre y de la mujer en realidad, no idealmente diseñados. El trabajo analiza los modelos corporativos capitalistas y socialistas y preconiza enfrentar al reto de crear un modelo corporativo y un estilo existencial basados en los valores de la justicia y de la libertad, qué son las justificaciones últimas para que el maestro e la maestra puedan movilizar los conocimientos que poseen en situaciones reales de enseñanza y aprendizaje.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b><i>Pr&aacute;xis</i></b><b> educativa: tempo, pensamento e sociedade</b></p>     <p><b>Educational practice: time, thought and society</b></p>     <p><b>Praxis educativa: tiempo, pensamiento y sociedad</b> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Wilson Correia<sup>1</sup> &amp; Iolanda Carvalho<sup>1</sup></b></p>     <p><sup>1</sup> Universidade Federal do Rec&ocirc;ncavo da Bahia, Brasil  </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>O tema deste artigo &eacute; a <i>pr&aacute;xis</i> educativa, pensada mediante a articula&ccedil;&atilde;o dos conceitos de tempo, pensamento e sociedade. Foi realizado &agrave; luz das diretrizes da pesquisa conceitual. Defende a preocupa&ccedil;&atilde;o com a educa&ccedil;&atilde;o do presente para o homem e a mulher concretos, n&atilde;o idealmente concebidos. Analisa os modelos societ&aacute;rios capitalista e socialista e preconiza o enfrentamento do desafio de criarmos um modelo societ&aacute;rio e um estilo existencial que se baseiem nos valores da justi&ccedil;a e da liberdade, justificativas &uacute;ltimas para que o professor e a professora possam mobilizar os saberes de que s&atilde;o portadores em situa&ccedil;&otilde;es reais de ensino e aprendizagem. </p>     <p><b>Palavras-chave</b>: <i>Pr&aacute;xis</i> educativa; Tempo; Pensamento; Sociedade</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This text discusses Educational praxis, conceived in the articulation of time, thought and society concepts. This essay is developed in the light of conceptual research guidelines. It advocates the concern about the education of real men and women, not the ones ideally conceived. We analyze the capitalist and socialist societal models facing the challenge of creating a societal model and an existential style based on justice and freedom values, ultimate arguments for teachers mobilize the knowledge they hold in actual teaching and learning situations.</p>     <p><b>Keywords</b>: Educational praxis; Time; Thought; Society</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMEN</b></p>     <p>El tema de este trabajo es la praxis educativa, concebida por la articulaci&oacute;n de los conceptos de tiempo, pensamiento y sociedad. Se llev&oacute; a cabo a la luz de las directivas de la investigaci&oacute;n conceptual. Defiende la preocupaci&oacute;n con la  educaci&oacute;n del presente para el hombre y de la mujer en realidad, no idealmente dise&ntilde;ados. El trabajo analiza los modelos corporativos capitalistas y socialistas y preconiza enfrentar al reto de crear un modelo corporativo y un estilo existencial basados en los valores de la justicia y de la libertad, qu&eacute; son las justificaciones &uacute;ltimas para que el maestro e la maestra puedan movilizar los conocimientos que poseen en situaciones reales de ense&ntilde;anza y aprendizaje.</p>     <p><b>Palabras-clave</b>: Praxis educativa; Tiempo; Pensamiento; Sociedad; </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>    <p>N&atilde;o serei o poeta de um mundo caduco.</p>     <p>Tamb&eacute;m n&atilde;o cantarei o mundo futuro.</p>     <p>Estou preso &agrave; vida e olho meus companheiros.</p>     <p>Est&atilde;o taciturnos, mas nutrem grandes esperan&ccedil;as.</p>     <p>Entre eles, considero a enorme realidade.</p>     <p>O presente &eacute; t&atilde;o grande, n&atilde;o nos afastemos.</p>     <p>N&atilde;o nos afastemos muito, vamos de m&atilde;os dadas.</p>     <p>(Andrade, 1983, p. 132).</blockquote></p>     <p>Este trabalho tem por objetivo analisar a tem&aacute;tica "<i>Pr&aacute;xis</i> Educativa: Tempo, Pensamento e Sociedade". Busca analisar o <i>quefazer</i> docente enfocando-o no presente, em fun&ccedil;&atilde;o do qual preconiza que a problematiza&ccedil;&atilde;o provocadora do pensar alie sujeitos e sociedade. As fontes deste trabalho s&atilde;o extra&iacute;das da literatura especializada na quest&atilde;o educacional, com recorte naquelas que oferecem material conceitual cr&iacute;tico para a investiga&ccedil;&atilde;o da pr&aacute;tica do magist&eacute;rio. Este, pois, &eacute; um trabalho que cuida da educa&ccedil;&atilde;o praticada atualmente, destinado ao debate nos anos iniciais dos cursos de licenciatura, &agrave; qual preconiza desafios em termos de finalidade que, parece-nos, merecem ser enfrentados cotidianamente pelo professor e pela professora. Trata-se de uma pesquisa que se debru&ccedil;a sobre os conceitos de sociedade, pensamento, tempo e saberes docentes, pugnando em favor do emprego da economia epist&ecirc;mica da magistralidade voltado para as a&ccedil;&otilde;es transformadoras, cr&iacute;ticas e intencionadas da realidade, conceito germinalmente aqui trazido e que, para al&eacute;m do debate em sala de aula, poder&aacute; ensejar desdobramentos em outros estudos e investiga&ccedil;&otilde;es.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Primeiramente, este ensaio cuida do conceito de sociedade. Para exemplificar como os humanos criam modelos societ&aacute;rios, assinalam-se o capitalismo e o socialismo como exemplos, os quais, historicamente, mostraram-se centralizadores dos valores do individualismo possessivista (Macpherson, 1979) e do coletivismo autorit&aacute;rio (Rocker, 1946), respectivamente. A solu&ccedil;&atilde;o para a sa&iacute;da desses extremos por meio de uma <i>pr&aacute;xis</i> educativa que n&atilde;o se prenda a extremos seria apresentar &agrave; educa&ccedil;&atilde;o a tarefa de assumir a incipiente defesa de modelos societ&aacute;rios e de estilos existenciais fundados na justi&ccedil;a e na liberdade, de maneira geral e complexa, mas complementar, considerando-se que nosso prop&oacute;sito n&atilde;o &eacute; o de oferecermos uma receita sobre como o professor e a professora poder&atilde;o implementar novos modelos de sociedade, mas provocar o debate e o pensamento a respeito dessa mat&eacute;ria.</p>     <p>Em um segundo momento, este trabalho dedica-se ao estudo sobre o ato de pensar. Nessa se&ccedil;&atilde;o, destacam-se as atividades cognitivas necess&aacute;rias &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de modos de ver o mundo com base <i>na</i> e <i>como</i> produto da atividade que privilegie os atos de analisar, antecipar, classificar, comparar, comprovar, concluir, criticar, prever, provar e sintetizar. Ora, esses s&atilde;o atos aqui propostos como poss&iacute;veis ao professor e &agrave; professora, sobretudo &agrave;queles que vislumbram a possibilidade de desenvolverem a <i>pr&aacute;xis</i> educativa na qual esses atos se tornem mecanismos para se pensar o fazer docente. Assim, parece-nos, o ato educativo pode ser a realiza&ccedil;&atilde;o f&aacute;tica do pensado, em processo cont&iacute;nuo de problematiza&ccedil;&atilde;o, reflex&atilde;o e compreens&atilde;o voltados para atividades transformadoras da realidade vivida.</p>     <p>Em seguida, este trabalho empreende o resgate do conceito de tempo. Nesse t&oacute;pico, tem em vista a possibilidade de a <i>pr&aacute;xis</i> educativa livrar-se de modelos atemporais, extempor&acirc;neos ou anacr&ocirc;nicos. Por conta disso, este texto sugere que o trabalho docente se abstenha dos idealismos negadores do presente. Prop&otilde;e, como consequ&ecirc;ncia desse entendimento, a centralidade &agrave; compreens&atilde;o de que nosso desafio &eacute; o que nos indica a concep&ccedil;&atilde;o e a pr&aacute;tica de uma educa&ccedil;&atilde;o do agora para o homem e a mulher de nossos dias, preferentemente cr&iacute;tica e transformadora, para melhor, visando a fazer frente &agrave;s pr&oacute;prias exig&ecirc;ncias do processo de educabilidade, exclusivo dos seres humanos, os quais s&atilde;o aquilo no que se fazem pela educa&ccedil;&atilde;o e que nascem e morrem prematuros (Savater, 1998).</p>     <p>Mas como essa <i>pr&aacute;xis</i>, sintonizada com a vida presente, pode ser realizada? Para responder a essa pergunta, este artigo registra a compreens&atilde;o de que o professor e a professora s&atilde;o os profissionais especializados na "economia epist&ecirc;mica", inextric&aacute;vel do processo de educabilidade, epistemicidade essa compreendida como aquele conjunto de saberes pesquisados por v&aacute;rios autores da literatura especializada e aqui esquematizados com a finalidade indicativa dos caminhos a serem seguidos nesse campo. Isso faz com que os professores, mais intensa e diretamente, possam lidar com os saberes produzidos pela humanidade e com aqueles de que s&atilde;o portadores na condi&ccedil;&atilde;o docente, sem o qual a <i>pr&aacute;xis</i> educativa se esvazia de sentido e significado.</p>     <p>A&iacute;, ent&atilde;o, n&atilde;o se trata de conceber o professor e a professora como aqueles profissionais detentores de uma vis&atilde;o especialiscista que, na condi&ccedil;&atilde;o docente, dedicam-se ao tecnicismo aplicacionista ou ao ativismo pragmatista meramente reprodutores. Antes disso, a tese aqui aventada &eacute; a de que os professores s&atilde;o construtores e mobilizadores de saberes v&aacute;rios. Por isso, esses profissionais podem empreg&aacute;-los visando &agrave; humaniza&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es pedag&oacute;gicas em situa&ccedil;&otilde;es reais de ensino e aprendizagem, informando concep&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas voltadas para o exerc&iacute;cio da inconformidade diante de nossos modelos societ&aacute;rios e de nossos estilos existenciais.</p>     <p>Ora, os saberes dessa <i>economia epist&ecirc;mica</i>, anteriormente referida, podem ser empregados para se concretizar a <i>pr&aacute;xis</i> educativa que privilegie modelos de sociedade e estilos existenciais baseados na justi&ccedil;a e na liberdade. E isso &eacute; um desafio colocado para quem faz e sofre a educa&ccedil;&atilde;o, entendidos como aqueles sujeitos capazes de impulsionar as contribui&ccedil;&otilde;es educativas aos processos de transforma&ccedil;&atilde;o, para melhor, das nossas reais e atuais condi&ccedil;&otilde;es de vida no mundo e na sociedade. &Eacute; nesse contexto que a especificidade da a&ccedil;&atilde;o <i>pr&aacute;xica</i> docente e o que ela pode oferecer em proveito desse desejo pode se tornar uma qualidade da magistralidade poss&iacute;vel &agrave; professora e ao professor.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Sociedade</b></p>     <p>Antes de pensarmos em como podemos abordar a <i>pr&aacute;xis</i> educativa, temos que indagar: O que &eacute; isto, a sociedade? Pela raiz etimol&oacute;gica do termo, <i>sociedade</i> vem do latim <i>societas</i>. Decorre de <i>socius</i>, voc&aacute;bulo que nomeia o <i>companheiro</i>. E <i>companheiro</i> tamb&eacute;m deriva do termo latim <i>cumpanere</i>, designando aquele com quem se come do mesmo p&atilde;o. Companheiro, pois, &eacute; ser social. &Eacute; pol&iacute;tico. &Eacute; relacional. Estabelece v&iacute;nculos. Valora suas rela&ccedil;&otilde;es, dando-lhe sentido &eacute;tico e intencionalidade, algo que &eacute; pr&oacute;prio do humano, o &uacute;nico ser portador do privil&eacute;gio de vivenciar o processo de educabilidade, pois nasce cem por cento dependente, desenvolve-se gradativamente e, gra&ccedil;as &agrave; educa&ccedil;&atilde;o, alcan&ccedil;a a relativa autonomia caracter&iacute;stica dos seres racionais, fazendo esse percurso ontoexistencial incrustado no contexto cultural simb&oacute;lico, apreendendo, na vida e na escola, o modo humano de ser no mundo e no papel de homem ou de mulher.</p>     <p>Assim, para efeito do exerc&iacute;cio de pensamento deste trabalho, ‘sociedade’ &eacute; a reuni&atilde;o de seres humanos, sociais e pol&iacute;ticos, os quais compartilham costumes, finalidades, gostos, interesses, metas e objetivos. S&atilde;o seres que vivem um estilo existencial e um modo de ser, estar e agir na sociedade e no mundo, mediante maneiras vivenciais mais ou menos criadas, aceitas e socialmente legitimadas, como: "l&ordm; campo de rela&ccedil;&otilde;es intersubjetivas, ou seja, das rela&ccedil;&otilde;es humanas de comunica&ccedil;&atilde;o, portanto tamb&eacute;m: 2&deg; a totalidade dos indiv&iacute;duos entre os quais ocorrem essas rela&ccedil;&otilde;es; 3&ordm; um grupo de indiv&iacute;duos entre os quais essas rela&ccedil;&otilde;es ocorrem em alguma forma condicionada ou determinada" (Abbagnano, 1998, p. 912).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Um dos caminhos poss&iacute;veis para entendermos mais concretamente o conceito de sociedade &eacute; aquele que nos leva a visitar, mesmo que esquematicamente, pelo menos dois modelos societ&aacute;rios e os respectivos estilos existenciais que produziram ao longo da hist&oacute;ria da humanidade: o capitalismo e o socialismo.</p>     <p>O capitalismo pode ser compreendido como modo de produ&ccedil;&atilde;o e sistema social ancorado nos valores da liberdade individual e da propriedade privada, na livre iniciativa e no mercado. Trata-se de uma forma de organiza&ccedil;&atilde;o social, ideologicamente justificada pela mundivid&ecirc;ncia liberal. Teve in&iacute;cio no s&eacute;culo XVI, na Europa Ocidental. Passou pelas fases <i>industrial</i> e <i>mercantil</i> ou <i>comercial</i>, por meio das quais revolucionou a produ&ccedil;&atilde;o material de riquezas, gra&ccedil;as ao emprego do tecnocienticismo. Para Karl Marx, o capitalismo &eacute; o modo de produ&ccedil;&atilde;o material da vida baseado "no monop&oacute;lio dos meios de produ&ccedil;&atilde;o e no trabalho assalariado" (Giacoia J&uacute;nior, 2009, p. 37), a servi&ccedil;o da mais-valia, do lucro e da acumula&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>    <blockquote>A produ&ccedil;&atilde;o capitalista n&atilde;o &eacute; apenas produ&ccedil;&atilde;o de mercadoria, &eacute; essencialmente produ&ccedil;&atilde;o de mais-valia. O trabalhador produz n&atilde;o para si, mas para o capital. N&atilde;o basta, portanto, que produza em geral. Ele tem de produzir mais-valia. Apenas &eacute; produtivo o trabalhador que produz mais-valia para o capitalista ou serve &agrave; autovaloriza&ccedil;&atilde;o do capital (Marx, 1982, p. 105).</blockquote></p>     <p>O capitalismo &eacute; um modo de produ&ccedil;&atilde;o material da vida coletiva que tem nas rela&ccedil;&otilde;es assalariadas um de seus elementos principais, o que &eacute; possibilitado pela vincula&ccedil;&atilde;o da propriedade a nomes individuais. Mas, atualmente, al&eacute;m disso, uma caracter&iacute;stica fundamental do capitalismo &eacute; o controle individual do capital, em que</p>     <p>    <blockquote>(...) produ&ccedil;&atilde;o de mercadorias; universaliza&ccedil;&atilde;o das trocas e, portanto, estabelecimento das rela&ccedil;&otilde;es sociais <i>atrav&eacute;s</i> da media&ccedil;&atilde;o do dinheiro; for&ccedil;a de trabalho ("m&atilde;o-de-obra") assalariada; aus&ecirc;ncia de controle dos trabalhadores sobre o processo de trabalho. Veja que "lucro" n&atilde;o &eacute; uma caracter&iacute;stica definidora desse sistema. A defini&ccedil;&atilde;o mais sucinta &eacute; possivelmente esta: o capitalismo &eacute; um regime onde a produ&ccedil;&atilde;o &eacute; coletiva e a apropria&ccedil;&atilde;o (do que &eacute; produzido), privada (Figueiredo, 2007, p. 230).</blockquote></p>     <p>Contrariamente a esses imperativos de natureza econ&ocirc;mico-reguladora que potencializam o "individualismo possessivo" (Macpherson, 1979), o socialismo, segundo Giacoia J&uacute;nior (2009), nomeia aquele modelo societ&aacute;rio inspirado nas ideias de Karl Marx e Friedrich Engels, os quais defendem a propriedade p&uacute;blica dos meios de produ&ccedil;&atilde;o, a justa distribui&ccedil;&atilde;o de bens materiais, a preval&ecirc;ncia dos interesses coletivos sobre os individuais e a planifica&ccedil;&atilde;o da atividade econ&ocirc;mica. No socialismo n&atilde;o haveria classes sociais, nem propriedade privada. A sociedade controlaria os meios de produ&ccedil;&atilde;o. Riquezas socialmente produzidas n&atilde;o se vinculariam a nomes individuais. Para tanto, Marx e Engels procuraram fundamentar cientificamente suas concep&ccedil;&otilde;es, defendendo a economia como o motor da hist&oacute;ria e a luta de classes como o seu combust&iacute;vel primordial. Parece ser essa tese registrada naquilo que veio a se chamar de <i>materialismo hist&oacute;rico-dial&eacute;tico</i>, no qual o humano produz a pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia e segundo o qual a realidade capitalista deveria ser transformada rumo ao modelo societ&aacute;rio socialista (Durozoi &amp; Roussel, 1993, p. 317).</p>     <p>Nesse modelo, n&atilde;o seriam a ideia, a mente, a cultura e o esp&iacute;rito que produziriam a realidade, mas, ao contr&aacute;rio, seria a realidade material concreta a fonte das ideias, do conte&uacute;do mental, da cultura e da forma&ccedil;&atilde;o do esp&iacute;rito humano, cuja verdade se realizaria no &acirc;mbito da <i>pr&aacute;xis</i>. Segundo Marx,</p>     <p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>II – O problema de se ao pensamento humano corresponde uma verdade objetiva n&atilde;o &eacute; um problema da teoria, e sim um problema pr&aacute;tico. &Eacute; na pr&aacute;tica que o homem tem que demonstrar a verdade, isto &eacute;, a realidade, e a for&ccedil;a, o car&aacute;ter terreno de seu pensamento.</p>     <p>O debate sobre a realidade ou a irrealidade de um pensamento isolado da pr&aacute;tica &eacute; um problema puramente escol&aacute;stico.</p>     <p>III – A doutrina materialista de que os seres humanos s&atilde;o produtos das circunst&acirc;ncias e da educa&ccedil;&atilde;o, [de que] seres humanos transformados s&atilde;o, portanto, produtos de outras circunst&acirc;ncias e de uma educa&ccedil;&atilde;o mudada, esquece que as circunst&acirc;ncias s&atilde;o transformadas precisamente pelos seres humanos e que o educador tem ele pr&oacute;prio de ser educado. Ela acaba, por isso, necessariamente, por separar a sociedade em duas partes, uma das quais fica elevada acima da sociedade (por exemplo, em Robert Owen).</p>     <p>XI – Os fil&oacute;sofos t&ecirc;m apenas interpretado o mundo de maneiras diferentes; a quest&atilde;o, por&eacute;m, &eacute; transform&aacute;-lo (Marx, 1845, pp. 4, 5 e 8).</blockquote></p>     <p>A leitura das palavras marxianas indica o horizonte <i>pr&aacute;xico</i> como o <i>locus</i> da educa&ccedil;&atilde;o, na qual n&atilde;o apenas o educando &eacute; o ser que se educa, mas em meio &agrave; qual o ensinante tamb&eacute;m teria de se educar. Essa educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o seria a do esp&iacute;rito ou do corpo, tomados como inst&acirc;ncias estanques e isoladas no homem e na mulher, mas, sim, uma educa&ccedil;&atilde;o do homem e da mulher em suas integralidades, totalizados como corpo-e-mente, mat&eacute;ria-e-esp&iacute;rito, resultado, entre outros, da dial&eacute;tica entre natureza e cultura, humano e mundo.</p>     <p>A&iacute; est&atilde;o, sucintamente, e a t&iacute;tulo de exemplo do que chamamos modelos societ&aacute;rios, o capitalismo e o socialismo. Entretanto, cabe perguntar: Se, em nome da liberdade individual e da propriedade privada dos meios de produ&ccedil;&atilde;o, o capitalismo termina por sufocar as organiza&ccedil;&otilde;es grupais, cooperativas, coletivas e p&uacute;blicas da vida humana concreta, porque o socialismo, em nome da justi&ccedil;a e da propriedade coletiva dos meios de produ&ccedil;&atilde;o, acaba por asfixiar as liberdades individuais?</p>     <p>Ora, ao pensar sobre essa indaga&ccedil;&atilde;o, entendemos que a morte da dimens&atilde;o p&uacute;blica da vida tem sido o pre&ccedil;o que estamos a pagar para mantermos a liberdade individual descomedida. Essa que &eacute; preconizada pela ideologia liberal justificadora do modo de produ&ccedil;&atilde;o capitalista, na qual o estilo existencial reservado ao ser humano &eacute; aquele que se configura como o do empreendedor. Por outro lado, a morte das liberdades individuais seria o pre&ccedil;o a ser pago para termos a justi&ccedil;a e a propriedade coletiva dos meios de produ&ccedil;&atilde;o, em cujo modelo o estilo existencial proposto &agrave; <i>pr&aacute;xis</i> educativa seria a do sujeito que se resigna diante da onipresen&ccedil;a estatal. Por isso, analisando um modelo societ&aacute;rio e outro, podemos afirmar que a humanidade ainda n&atilde;o foi capaz de conceber um modelo societ&aacute;rio consequente e integrador dos dois valores m&aacute;ximos centrados por esses modelos societ&aacute;rios, a saber: justi&ccedil;a e liberdade. Por&eacute;m, criar, propor e defender uma sociedade que conjugue justi&ccedil;a social e liberdade humana parece ser um desafio para a nossa gera&ccedil;&atilde;o, a ser precipuamente enfrentado por quem se fez profissional da educa&ccedil;&atilde;o, sobretudo ao n&iacute;vel compreensivo requerido pela pr&aacute;tica docente.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. Pensamento</b></p>     <p>Pode haver <i>pr&aacute;xis</i> sem a atividade de pensamento? Por entender que n&atilde;o, indagamos: O que &eacute; pensar? Os dicionaristas asseguram-nos: o pensamento designa o "Conjunto da atividade mental; representa&ccedil;&atilde;o intuitiva, sens&iacute;vel ou conceitual; ideia" (Giacoia J&uacute;nior, 2009, p. 139). Ora, as atividades mentais compreendem, entre outras, as de: perceber, memorizar, praticar uma linguagem, conscientizar-se, associar, avaliar, comparar, compreender, escolher, decidir, interpretar, julgar, refletir e verificar. Por meio desses atos cognitivos, representamos o real de maneira sens&iacute;vel, racional e intuitivamente, tornando presente o ausente, e vamos, num movimento cont&iacute;nuo de supera&ccedil;&atilde;o de ignor&acirc;ncias, <i>pari passu</i> ao surgimento de outras em n&oacute;s, produzindo conhecimento, criando cultura, realizando a <i>pr&aacute;xis</i> educativa.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para tanto, esse conjunto de a&ccedil;&otilde;es mentais resulta em ideias ou formas de ver o existente, conceitual e compreensivamente, o que ganha a forma de mentalidade individual e coletiva. Da&iacute; falarmos em cosmovis&atilde;o, mundivid&ecirc;ncia ou vis&atilde;o de mundo. Pensar, pois, &eacute; fundamental ao ato de produzir informa&ccedil;&otilde;es e conhecimentos com vistas para a sabedoria mediadora da rela&ccedil;&atilde;o entre homem e mundo, indiv&iacute;duo e sociedade. Decisivo ao ato de produzir sentido existencial. Parece ser esse o modo pelo qual o pensamento humano associa-se aos fen&ocirc;menos mentais, na linha do pensamento cartesiano: "O que &eacute; uma coisa que pensa? &Eacute; uma coisa que duvida, que entende, que concebe, que afirma, que quer, que n&atilde;o quer, que imagina tamb&eacute;m e que sente" (Descartes, 1997, pp. 1,32). E, ainda:</p>     <p>    <blockquote>Pela palavra pensamento entendo tudo aquilo que se faz em n&oacute;s de tal modo que nos apercebamos imediatamente por n&oacute;s pr&oacute;prios. &Eacute; por isso que n&atilde;o somente entender, querer, imaginar, mas tamb&eacute;m sentir &eacute; aqui a mesma coisa que pensar (Descartes, 1997, pp. 1,9).</blockquote></p>     <p>Ora, parece v&aacute;lido entender essas atividades cognitivas de pensamento como imprescind&iacute;veis &agrave; compreens&atilde;o de n&oacute;s pr&oacute;prios, do outro, do real, no qual "o sujeito &eacute; um int&eacute;rprete que participa do processo ou da realidade cuja estrutura e sentido ele procura apreender, descrever e explicar" (Giacoia J&uacute;nior, 2009, p. 46). Por isso, torna-se crucial saber pensar, nomeadamente no &acirc;mbito educacional. Sem se dar a esse processo, o que fazer das informa&ccedil;&otilde;es, dos conhecimentos e saberes acessados no percurso da educabilidade? Ora, n&atilde;o &eacute; sem motivos que a filosofia, mais especializada na arte de saber pensar, sempre esteve presente em nossos cursos universit&aacute;rios, e, agora, tamb&eacute;m na Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica brasileira. A fun&ccedil;&atilde;o da filosofia tem sido a de problematizar e motivar ao pensamento sobre os outros conhecimentos e a respeito dos modos de ser, estar e agir que eles ensejam.</p>     <p>Isso &eacute; crucial porque, segundo Buzzi (2003), com os materiais simb&oacute;licos da informa&ccedil;&atilde;o, do conhecimento e do saber, imbuindo-se de prop&oacute;sito e determina&ccedil;&atilde;o, quem pensa pode analisar. E analisar &eacute; a capacidade de identificar, descrever e conceituar as partes de um todo, estabelecendo as rela&ccedil;&otilde;es mantidas entre elas, sejam relacionadas a um todo aperceptivo e te&oacute;rico ou a um todo material e pr&aacute;tico. Nesse processo, entremeando a an&aacute;lise, surge a atividade cognitiva denominada <i>compara&ccedil;&atilde;o</i>. Sem comparar, como estabelecer as semelhan&ccedil;as e diferen&ccedil;as entre as partes de um todo, e mesmo entre fen&ocirc;menos, coisas, seres e rela&ccedil;&otilde;es? Segue-se da&iacute; que quem analisa comparando tem facilitada a tarefa de identificar e determinar as classes a que pertencem os objetos explorados. E classificar s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel a quem se dedica a criticar, no sentido de separar, julgando e examinando com acuidade cognitiva "o que" pertence "a que" em face dos fen&ocirc;menos, suas causas e seus efeitos, suas implica&ccedil;&otilde;es e suas rela&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Todo esse percurso faz sentido quando sabemos que a atividade de pensamento &eacute; a que nos garante na tarefa de <i>deduzir</i>: tirar conclus&otilde;es refletidas e reflexivas sobre os conceitos, ideias, opini&otilde;es, objetos, fen&ocirc;menos, rela&ccedil;&otilde;es, seres e entes pensados, o que se torna poss&iacute;vel mediante o entendimento das rela&ccedil;&otilde;es existentes entre partes de um todo e entre coisas, seres e fen&ocirc;menos aos quais aplicamos nosso esp&iacute;rito. A chegada a conclus&otilde;es seguras sobre os objetos investigados torna-se o fato que nos possibilita prever e antecipar conseq&uuml;&ecirc;ncias, facilitando-nos a escolha, a decis&atilde;o e a nossa a&ccedil;&atilde;o humana no mundo.</p>     <p>Ao abordamos o ato de pensar relacionado com nossa vida, ent&atilde;o ocorre de nos parecer plaus&iacute;vel a ideia de que toda essa trajet&oacute;ria compreendida nas atividades cognitivas contribui para o ato de <i>sintetizar</i>. A s&iacute;ntese identifica-se com a reconstru&ccedil;&atilde;o das partes de um todo, de maneira a n&atilde;o nos perdemos no particular, mas articuladas com o geral, assim como o singular deve conjugar-se com o universal, e o uno com o diverso. Isso implica o todo referente ao objeto pensado.</p>     <p>Por fim, essa s&iacute;ntese pode funcionar como <i>prova</i> e <i>comprova&ccedil;&atilde;o</i> da verdade sobre o objeto de estudo, pesquisa ou investiga&ccedil;&atilde;o. A&iacute; valem os dados, as informa&ccedil;&otilde;es e os aspectos logicamente encadeados que sustentam a compreens&atilde;o que deve subsidiar nossa decis&atilde;o, nossa valora&ccedil;&atilde;o e nosso ser, estar e agir na sociedade e no mundo. E tudo isso, transversalmente, n&atilde;o linearmente compreendido, torna-se imprescind&iacute;vel ao &acirc;mbito da educa&ccedil;&atilde;o entendida como atividade <i>pr&aacute;xica</i> e como a&ccedil;&atilde;o social em cujo processo, nas palavras de Paulo Freire, "A pr&aacute;tica de pensar a pr&aacute;tica &eacute; a melhor maneira de pensar certo", uma vez que "O pensamento que ilumina a pr&aacute;tica &eacute; por ela iluminado tal como a pr&aacute;tica que ilumina o pensamento &eacute; por ele iluminada" (Freire, 1987, p. 65), em uma <i>pr&aacute;xis</i> educativa que, evitando, de um lado, a mera contempla&ccedil;&atilde;o, e, de outro, o puro ativismo pedag&oacute;gico, intente superar a "consci&ecirc;ncia m&aacute;gica", suplantar a "consci&ecirc;ncia ing&ecirc;nua", evitar a "consci&ecirc;ncia fanatizada" e, por fim, chegar &agrave; "consci&ecirc;ncia cr&iacute;tica" (Freire, 1978; Oliveira, 1996). Sem esse processo, como se dar &agrave; <i>pr&aacute;xis</i> educativa, pela qual educando e educador possam se voltar para o trabalho de emancipa&ccedil;&atilde;o antropol&oacute;gica concreta, longe do abstracionismo idealista ou do pragmatismo desprovido de vis&atilde;o?</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. Tempo </b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A <i>pr&aacute;xis</i> educativa aqui pensada n&atilde;o &eacute; a que se esgota em um passado que nunca passa, nem em um futuro que nunca chega. Estamos pensando em uma <i>pr&aacute;xis</i> educativa coet&acirc;nea, hodierna, para o presente, o que nos motiva a perguntar: Como temos compreendido o tempo, nomeadamente no &acirc;mbito da filosofia? O que podemos extrair de proveitoso para esta nossa experi&ecirc;ncia de pensamento daqueles conte&uacute;dos fundamentais oferecidos pelos estudos sobre o tempo?</p>     <p>Para respondermos a essas perguntas, voltemos um pouco aos gregos antigos. Ora, sabemos que, na cultura grega cl&aacute;ssica, Cronos designa a divindade m&aacute;xima, pertencente &agrave; segunda gera&ccedil;&atilde;o dos seres divinos na mitologia, equivalente ao que Saturno representava para os romanos. Cronos &eacute; associado ao <i>tempo</i> pelo fato de tamb&eacute;m ele devorar os seres e interferir sobre coisas, entes, fen&ocirc;menos e rela&ccedil;&otilde;es. Ele nasceu de Urano (C&eacute;u) e Gaia (Terra). Surgiu como o mais jovem Tit&atilde;, o qual, para atender a uma solicita&ccedil;&atilde;o materna, obteve o senhorio das regi&otilde;es celestes e veio a castrar o pr&oacute;prio pai, casando-se com a irm&atilde; R&eacute;ia, com quem teve seis filhos, os Cr&oacute;nidas, dos quais exterminou cinco. No governo, Cronos foi um rei que conduziu a humanidade a uma era de ouro, mas sempre alimentou o medo de ser destronado e perder o poder, o que o fazia engolir os pr&oacute;prios filhos, j&aacute; no leito de nascimento. Apenas um, Zeus, n&atilde;o teve tal fim, o qual, crescido entre a terceira gera&ccedil;&atilde;o de deuses, vingou-se de Cronos ao tomar o lugar do pai e alcan&ccedil;ar poderio sobre as regi&otilde;es celestes e de todos os deuses, o que lhe permitiu banir os Tit&atilde;s para T&aacute;rtaro, regi&atilde;o correspondente ao inferno para o cristianismo (Brand&atilde;o, 2004).</p>     <p>Pesquisado o material documental e hist&oacute;rico que a tradi&ccedil;&atilde;o nos legou, deparamos com duas abordagens para o <i>tempo</i>: a primeira, iniciada por Arist&oacute;teles, compreende o <i>tempo</i> como "n&uacute;mero do movimento"; a segunda, ancorada em uma perspectiva subjetiva, fundamenta-se em Agostinho Val&eacute;rio, da Patr&iacute;stica medieval, o qual entendeu o <i>tempo</i> como presente absoluto e que pode ser ampliado pela alma para ganhar a forma trina de <i>passado</i>, <i>presente</i> e <i>futuro</i>. Agostinho indaga: "Qual &eacute; o assunto mais familiar e mais batido nas nossas conversas do que o tempo? Quando dele falamos, compreendemos o que dizemos. Compreendemos tamb&eacute;m o que nos dizem quando dele nos falam" (Agostinho, 1986: XI, 14,17). E esse &eacute; um tempo sempre no presente.</p>     <p>    <blockquote>O que agora transparece &eacute; que n&atilde;o h&aacute; tempos futuros nem pret&eacute;ritos. &Eacute; impr&oacute;prio afirmar: ‘os tempos s&atilde;o tr&ecirc;s: pret&eacute;rito, presente e futuro’. Mas, talvez fosse pr&oacute;prio dizer: os tempos s&atilde;o tr&ecirc;s: presente das coisas passadas, presente dos presentes, presente dos futuros. Existem, pois, esses tr&ecirc;s tempos na minha mente, que n&atilde;o vejo em outra parte: lembran&ccedil;a presente das coisas passadas, vis&atilde;o presente das coisas presentes e esperan&ccedil;a presente das coisas futuras. Se me &eacute; l&iacute;cito empregar tais express&otilde;es, vejo ent&atilde;o tr&ecirc;s tempos e confesso que s&atilde;o tr&ecirc;s (Agostinho, 1986: XI, 20, 26).</blockquote></p>     <p>Para Kant, j&aacute; na Modernidade, o tempo, ao lado do espa&ccedil;o, consiste em uma categoria formal <i>a priori </i>da sensibilidade. Ela &eacute; pura por n&atilde;o ser proveniente da experi&ecirc;ncia. Por conta disso, Kant afirma:</p>     <p>    <blockquote>Chamo puras (no sentido transcendental) todas as representa&ccedil;&otilde;es em que nada se encontra que perten&ccedil;a &agrave; sensa&ccedil;&atilde;o. Por conseq&uuml;&ecirc;ncia, dever&aacute; encontrar-se absolutamente a priori no esp&iacute;rito a forma pura das intui&ccedil;&otilde;es sens&iacute;veis em geral, na qual todo o diverso dos fen&ocirc;menos se intui em determinadas condi&ccedil;&otilde;es. Essa forma pura da sensibilidade chamar-se-&aacute; tamb&eacute;m intui&ccedil;&atilde;o pura (...). Nesta investiga&ccedil;&atilde;o se apurar&aacute; que h&aacute; duas formas puras da intui&ccedil;&atilde;o sens&iacute;vel, como princ&iacute;pios do conhecimento a priori, a saber, o espa&ccedil;o e o tempo (...). S&oacute; no tempo, ou seja, sucessivamente, &eacute; que ambas as determina&ccedil;&otilde;es, contraditoriamente opostas, se podem encontrar numa coisa. Eis porque o nosso conceito de tempo explica a possibilidade de tantos conhecimentos sint&eacute;ticos a priori quantos os da teoria geral do movimento, teoria que n&atilde;o &eacute; pouco fecunda (Kant, 1985, pp. 62, 63 e 72).</blockquote></p>     <p>Henri B&eacute;rgson, por sua vez, estudou os m&eacute;todos cient&iacute;ficos de investiga&ccedil;&atilde;o da intensidade dos estados de consci&ecirc;ncia. Ele concluiu que s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel atribuir alguma grandeza ao intenso sob a condi&ccedil;&atilde;o de o associarmos ao espa&ccedil;o. Nesse processo, normalmente confundimos <i>intensidade</i> com <i>extensidade</i>. O extenso, que &eacute; o espa&ccedil;o, penetra outros conceitos, tais como o conceito de tempo. A&iacute; o tempo ganha o <i>status</i> de categoria <i>na</i> categoria, tamb&eacute;m quantific&aacute;vel, raz&atilde;o pela qual deixa em segundo plano o tempo qualitativo. Um exemplo de Bergson ilustra essa sua abordagem:</p>     <p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>Se eu quiser preparar um copo de &aacute;gua com a&ccedil;&uacute;car n&atilde;o tenho outro rem&eacute;dio sen&atilde;o esperar que o a&ccedil;&uacute;car se dissolva. Este fato insignificante tem muito para nos ensinar. Porque o tempo que &eacute; necess&aacute;rio esperar j&aacute; n&atilde;o &eacute; o tempo matem&aacute;tico que se aplicaria na mesma ao longo da hist&oacute;ria inteira do mundo material, caso ela se achasse exposta duma vez s&oacute; no espa&ccedil;o. &Eacute; um tempo que coincide com a minha impaci&ecirc;ncia, isto &eacute;, com uma certa por&ccedil;&atilde;o da minha pr&oacute;pria dura&ccedil;&atilde;o, a qual n&atilde;o pode ser esticada nem encolhida a nosso bel-prazer. N&atilde;o se trata j&aacute; do pensado, mas do vivido. N&atilde;o &eacute; uma rela&ccedil;&atilde;o, &eacute; o absoluto (Bergson, 1964, pp. 48-49).</blockquote></p>     <p>Edmundo Husserl estuda a estrutura da consci&ecirc;ncia do tempo identificado com o "absoluto &uacute;ltimo e verdadeiro", o fundamento universal da constitui&ccedil;&atilde;o e da totalidade do aparecer fenomenol&oacute;gico. Segundo Husserl, o tempo</p>     <p>    <blockquote>(...) &eacute; uma designa&ccedil;&atilde;o para uma <i>esfera</i> totalmente <i>fechada de problemas</i>, e de excepcional dificuldade. Ser&aacute; mostrado que nossa exposi&ccedil;&atilde;o de certo modo guardou at&eacute; agora sil&ecirc;ncio sobre toda uma dimens&atilde;o, e teve necessariamente de guard&aacute;-lo, para evitar que se fizesse confus&atilde;o entre aquilo que s&oacute; &eacute; primeiramente vis&iacute;vel na orienta&ccedil;&atilde;o fenomenol&oacute;gica e aquilo que, sem levar em conta a nova dimens&atilde;o, constitui um dom&iacute;nio fechado de investiga&ccedil;&otilde;es. O ‘absoluto’ transcendental, que nos preparamos por meio das redu&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o &eacute;, na verdade, o termo &uacute;ltimo, ele &eacute; algo que se constitui a si mesmo, em certo sentido profundo e inteiramente pr&oacute;prio, e que tem suas fontes originais num absoluto &uacute;ltimo e verdadeiro (Husserl, 2006, p. 185).</blockquote></p>     <p>Outro autor que tenta conciliar as posi&ccedil;&otilde;es aristot&eacute;lica e agostiniana sobre o tempo &eacute; Martin Heidegger, para quem &eacute; preciso inverter a ordem em que a tradi&ccedil;&atilde;o filos&oacute;fica ocidental sempre tratou o tempo (na perspectiva ontol&oacute;gica): em vez de considerar o tempo como presen&ccedil;a adjunta &agrave; experi&ecirc;ncia, n&atilde;o mais pens&aacute;-lo na perspectiva do ser, mas, sim, de pensar o ser na perspectiva do tempo, "dando o car&aacute;ter essencialmente temporal do <i>Dasei</i>", o ser-a&iacute;, "e de sua compreens&atilde;o" (Giacoia J&uacute;nior, 2009, p. 166).</p>     <p>    <blockquote>Daqui fica patente que a antiga interpreta&ccedil;&atilde;o do ser do ente orientou-se pelo ‘mundo’ ou ‘natureza’ em sentido amplo, e que ela de fato conquistou a compreens&atilde;o do ser a partir do ‘tempo’. O documento exterior do que afirmamos – ainda que certamente <i>apenas</i> exterior – &eacute; a determina&ccedil;&atilde;o do sentido do ser (...) que, do ponto de vista ontol&oacute;gico-temporal, significa ‘presen&ccedil;a’. O ente &eacute; apreendido em seu ser como ‘presen&ccedil;a’, isto &eacute;, ele &eacute; compreendido por refer&ecirc;ncia a um determinado modo do tempo – o ‘<i>presente</i>’ (Heidegger, 2001, p. 25).</blockquote></p>     <p>Talvez o tempo realmente merecedor de nossa ocupa&ccedil;&atilde;o seja esse que me permite enxergar a vida concreta &agrave; minha volta, ao lado, pessoal e socialmente vivida, a me oferecer a mat&eacute;ria do pensamento e do sentimento, em vista da minha subjetividade e da minha identidade pessoal, profissional e em sociedade. Nesse sentido, a recusa a toda caduquice, que de vez em quando nos ataca, nos faz lembrar Carlos Drummond: "O tempo &eacute; a minha mat&eacute;ria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente" (Andrade, 1983, p. 132).</p>     <p>O que estamos querendo dizer com essa cita&ccedil;&atilde;o, uma certeza que transcende a poesia para nos revelar uma posi&ccedil;&atilde;o sobre o tempo? Que talvez uma educa&ccedil;&atilde;o que se alimente do passado n&atilde;o valha a pena; assim como n&atilde;o vale a pena uma proposta educativa delirante e alimentadora de um futuro que resulta de um romantismo ing&ecirc;nuo, m&aacute;gico ou fanatizado (Oliveira, 1996). A educa&ccedil;&atilde;o na qual acreditamos &eacute; uma educa&ccedil;&atilde;o que pode ser solid&aacute;ria no agora, no melhor dos sentidos atribu&iacute;dos ao termo. Solidariedade vem do latim <i>solidus</i>, a qual significa <i>maci&ccedil;o</i>, implicando a ideia de <i>relacionalidade</i> e <i>vinculidade</i> para qualificar a vida humana, particular e individual, mas tamb&eacute;m pol&iacute;tica, coletiva e social. Por que os valores da solidariedade, resultantes do casamento entre justi&ccedil;a e liberdade, n&atilde;o podem consubstanciar nossas pr&aacute;ticas educativas atuais?</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>4. <i>Pr&aacute;xis</i> educativa</b></p>     <p>Uma educa&ccedil;&atilde;o do aqui e do agora. Uma educa&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o dissolva o humano no remoto que foi, nem no presum&iacute;vel futuro que ser&aacute;. Educa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o para uma fun&ccedil;&atilde;o, para um fazer. Educa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o para uma entrega doutrinal ou ideol&oacute;gica cristalizada. Mas educa&ccedil;&atilde;o do humano para o humano. Uma educa&ccedil;&atilde;o <i>pr&aacute;xica</i>, realmente educativa, cr&iacute;tica e legitimadora daquilo que pode e deve ser legitimado, tanto quanto traidora daquilo que merece indiferen&ccedil;a e trai&ccedil;&atilde;o, contrariamente aos discursos de nossos dias, os quais nos pedem uma educa&ccedil;&atilde;o para a viv&ecirc;ncia dos valores estritos da tradi&ccedil;&atilde;o, do ontem, sem liga&ccedil;&atilde;o com a vida vivida, ou, ent&atilde;o, uma educa&ccedil;&atilde;o para a cidadania, para o trabalho, para o mercado, por exemplos. Mas com qu&ecirc;? Quando? Como? Por quem? Para quem?</p>     <p>Um dos caminhos para respondermos a essas indaga&ccedil;&otilde;es &eacute; tomarmos o sentido do conceito de <i>pr&aacute;xis</i> para o &acirc;mbito da educa&ccedil;&atilde;o. No entanto, temos que indagar: o que &eacute; isto, a <i>pr&aacute;xis</i>? Trata-se de um termo implicado no fazer humano. N&atilde;o qualquer fazer, mas aquele orientado por valores, subentendendo uma concep&ccedil;&atilde;o &eacute;tica. Diz respeito, tamb&eacute;m, a conhecimentos filos&oacute;ficos e cient&iacute;ficos mobilizados ao n&iacute;vel da pr&aacute;tica concreta. <i>Pr&aacute;xis</i> compreende princ&iacute;pios e regras posturais e de conduta pessoal e social, entrela&ccedil;ando teoria e pr&aacute;tica, vis&atilde;o e a&ccedil;&atilde;o. "No marxismo, a <i>pr&aacute;xis</i> tem car&aacute;ter eminentemente social e n&atilde;o se op&otilde;e &agrave; teoria, mas &eacute; justamente o fundamento dela; no pragmatismo, a <i>pr&aacute;xis</i> &eacute; o solo da interatividade entre homem e mundo" (Giacoia J&uacute;nior, 2009, p. 146).</p>     <p>Desse modo, <i>pr&aacute;xis</i> &eacute; um conceito prof&iacute;cuo &agrave; economia epist&ecirc;mica da atividade docente (detalhada ao final deste estudo), uma vez que, contrariamente ao que fazem certas concep&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas, a <i>pr&aacute;xis</i> n&atilde;o promove a dicotomia entre consci&ecirc;ncia e mat&eacute;ria, teoria e pr&aacute;tica, sujeito e objeto, mas os posiciona em contextos relacionais, interativos, interdependentes. E essa perspectiva &eacute; interessante, pois ela rompe com idealismos garantidores do entendimento de que a informa&ccedil;&atilde;o, o conhecimento e o saber s&atilde;o criados apenas pela consci&ecirc;ncia (Hessen, 1980), segundo o qual a educa&ccedil;&atilde;o teria de educar para uma realidade atemporal e fora da vida di&aacute;ria. Ela se distancia, ainda, dos materialismos metaf&iacute;sicos, sustentadores da tese de que o conhecimento &eacute; um mero reflexo do mundo exterior &agrave; mente humana, indo ao ponto de articular natureza e cultura, o fazer e o pensar (Hessen, 1980), cuja justificativa para a pr&aacute;tica educativa assentaria na necessidade de educar seres humanos revolucion&aacute;rios.</p>     <p>Longe de um e de outro extremos, a <i>pr&aacute;xis</i> permite compreender a produ&ccedil;&atilde;o epist&ecirc;mica e o ato de educar como pr&aacute;ticas sociais, realizadas conforme as condi&ccedil;&otilde;es objetivas e subjetivas que homens e mulheres encontram no decorrer da hist&oacute;ria que protagonizam. Nessa perspectiva, a pr&aacute;tica, antes de ser divorciada da teoria, "n&atilde;o s&oacute; proporciona o objeto do conhecimento como tamb&eacute;m o crit&eacute;rio de sua verdade" (V&aacute;zquez, 1977, p. 55). Nesse processo, conta o que &eacute; vida real e o que homem e mulher s&atilde;o concretamente, como seres ativos e produtivos que n&atilde;o se relacionam com a natureza e com seus objetos de maneira mec&acirc;nica, mas dial&eacute;tica. &Eacute; por isso que "toda pr&aacute;xis &eacute; atividade, mas nem toda atividade &eacute; <i>pr&aacute;xis</i>" (V&aacute;zquez, 1977, p. 185), uma vez que <i>pr&aacute;xis</i> &eacute; a pr&aacute;tica pensada e conscientemente orientada. &Eacute; a&iacute; que se pode visualizar a import&acirc;ncia da <i>pr&aacute;xis</i> no processo de produzir conhecimento por meio da pesquisa, tanto quanto mobilizar o saber produzido nos processos de investiga&ccedil;&atilde;o epist&ecirc;mica no ensino e nas a&ccedil;&otilde;es concretas em meio &agrave; sociedade, &agrave; realidade, incessantemente investigadas pelos profissionais da educa&ccedil;&atilde;o. Nesse processo, segundo Marx,</p>     <p>    <blockquote>&Eacute; mister, sem d&uacute;vida, distinguir, formalmente, o m&eacute;todo de exposi&ccedil;&atilde;o e o m&eacute;todo de pesquisa. A investiga&ccedil;&atilde;o tem de apoderar-se da mat&eacute;ria em seus pormenores, de analisar suas diferentes formas de desenvolvimento, e de perquirir a conex&atilde;o &iacute;ntima que h&aacute; entre elas. S&oacute; depois de conclu&iacute;do esse trabalho &eacute; que se pode descrever, adequadamente, o movimento real. Se isto se consegue, ficar&aacute; espelhada, no plano ideal, a vida da realidade pesquisada, o que pode dar a impress&atilde;o de uma constru&ccedil;&atilde;o a priori (Marx, 1982, p. 16).</blockquote></p>     <p>O que Marx prop&otilde;e &eacute; o m&eacute;todo dial&eacute;tico no trabalho de produzir e fazer circular o conhecimento. Isso requer que o conhecimento da realidade n&atilde;o ocorra de maneira m&aacute;gica, ing&ecirc;nua ou espont&acirc;nea (Oliveira, 1996), mas de modo cr&iacute;tico e interacional entre sujeito e objeto, em que particular e universal, teoria e pr&aacute;tica se imbriquem de maneira inextric&aacute;vel, no movimento cont&iacute;nuo de afirma&ccedil;&atilde;o, nega&ccedil;&atilde;o e s&iacute;ntese reconstrutiva. &Eacute; nesse sentido que podemos compreender o trabalho docente na perspectiva <i>pr&aacute;xica</i>.</p>     <p>    <blockquote>Pr&aacute;xis &eacute; a atividade concreta pela qual os sujeitos se afirmam no mundo, modificando a realidade objetiva e, para poderem alter&aacute;-la, transformando-se em si mesmos. &Eacute; a a&ccedil;&atilde;o que, para se aprofundar de maneira mais conseq&uuml;ente, precisa de reflex&atilde;o, do auto-questionamento, da teoria; e &eacute; a teoria que remete &agrave; a&ccedil;&atilde;o, que enfrenta o desafio de verificar seus acertos e desacertos, cotejando-os com a pr&aacute;tica (Konder, 1993, p. 115).</blockquote></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Note que o exposto at&eacute; aqui nos indica que o trabalho docente implica um saber entrela&ccedil;ado a um <i>fazer</i>, cuja associa&ccedil;&atilde;o torna-se o <i>locus</i> da g&ecirc;nese do c&acirc;none da magistralidade particular do professor e da professora. Diversos autores, empregando variadas teorias (Forquin, 1992, 1993; Freire, 1997; Garrido, 1999; Lib&acirc;neo, 2002; Lib&acirc;neo, Oliveira, &amp; Toshi, 2004; Monteiro, 2001; N&oacute;voa, 1991, 2005; Perrenoud, 2000; Romanovski, 2007; Saviani, 2003; Tardif &amp; Raymond, 2000), dedicam-se a estudar a quest&atilde;o do <i>saber</i> e do <i>fazer</i> docentes, tendo em comum a concord&acirc;ncia sobre a exist&ecirc;ncia do <i>saber</i> e do <i>fazer</i> como caracter&iacute;sticas marcantes da profiss&atilde;o de professor.</p>     <p>O saber aqui entendido n&atilde;o &eacute; o que idealmente se poderia imaginar desligado da a&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica. Ao contr&aacute;rio, ele qualifica o agir docente. Por isso, ele &eacute; <i>pr&aacute;xico</i>, &agrave; medida que oferece conte&uacute;do, intencionalidade, objetivos e metas &agrave;s atividades daqueles que lidam com o planejamento, a execu&ccedil;&atilde;o e a avalia&ccedil;&atilde;o do ato educativo. Esse saber aqui arrolado faz-se ponte, media&ccedil;&atilde;o e condi&ccedil;&atilde;o de possibilidade do <i>quefazer</i> professoral, qualificando os v&iacute;nculos humanos e as rela&ccedil;&otilde;es com o mundo natural e da cultura que os e as ensinantes experienciam na condi&ccedil;&atilde;o de sujeitos produtores de bens simb&oacute;lico-culturais.</p>     <p>&Eacute; exatamente a constru&ccedil;&atilde;o desse saber que requer a atribui&ccedil;&atilde;o de sentidos ao tempo e ao pensar, tendo em vista a forma&ccedil;&atilde;o de seres humanos para a viv&ecirc;ncia de estilos existenciais no seio da sociedade. Perguntas como "Que ser humano educar?" e "Que modelo societ&aacute;rio preconizar?" implicam problemas que, consciente ou inconscientemente, a <i>pr&aacute;xis</i> <i>educativa</i> responde, bem ou mal, ao menos em n&iacute;vel compreensivo, mas que tamb&eacute;m pode qualificar a vida concreta dos sujeitos sociais envolvidos com seus processos. Nisso, o trabalho do ensinante guarda compartilhamento de sentido com o de educar exercido por pais, l&iacute;deres religiosos, autoridades p&uacute;blicas e demais adultos que, de algum modo, contribuem para a inser&ccedil;&atilde;o do novato humano no processo da educabilidade e ascens&atilde;o &agrave; cultura, ao modo humano de existir.</p>     <p>Desse modo, tendo em vista as contribui&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas cr&iacute;ticas aqui registradas, compreendemos que o professor e a professora podem ser concebidos como aqueles profissionais que portam um conjunto de saberes, os quais n&oacute;s, autores deste artigo, podemos denominar de: Saber Antropol&oacute;gico, Saber Cultural, Saber Econ&ocirc;mico, Saber Epist&ecirc;mico, Saber &Eacute;tico, Saber Ideol&oacute;gico, Saber Pol&iacute;tico, Saber Profissional, Saber Social e Saber Vivencial, constituintes da economia epist&ecirc;mica professoral com potencialidade de informar uma doc&ecirc;ncia <i>pr&aacute;xica</i> e consequente ao n&iacute;vel t&eacute;cnico, metodol&oacute;gico e pol&iacute;tico, articulando tempo, pensamento e vida social.</p>     <p>O <i>Saber Antropol&oacute;gico</i> &eacute; proveniente da antropologia. Esse campo geral do saber investiga a condi&ccedil;&atilde;o humana no mundo, inserida na natureza e na cultura, com destaque para seus aspectos f&iacute;sicos e simb&oacute;licos, implicando a pesquisa e a cria&ccedil;&atilde;o de sentidos para cren&ccedil;as, crit&eacute;rios de a&ccedil;&atilde;o, linguagens, psiquismo, rela&ccedil;&otilde;es humanas e valores, dentre outros. O professor e a professora podem se apropriar desse saber em sua educabilidade global, que se estende do nascimento &agrave; morte e que lhe d&aacute; um estilo existencial a ser vivido em meio a um modelo societ&aacute;rio determinado (cf. Laplantine, 1989).</p>     <p>O <i>Saber Cultural</i> resulta do processo de produzir cultura e de lhe atribuir sentido. Nisso, vale a ideia de que o humano &eacute; um ser de a&ccedil;&atilde;o. Ao agir, como nos ensina o pensamento marxiano, ele produz o pr&oacute;prio modo de ser no mundo, constituindo um patrim&ocirc;nio cultural e simb&oacute;llico indicador daquilo que ele &eacute;, como ser que se diferencia da realidade natural bruta e intocada por qualquer outro ser. A apropria&ccedil;&atilde;o desse conhecimento cultural pelo professor e pela professora pode ser dar por meio da inser&ccedil;&atilde;o desses sujeitos nos processos da educabilidade informal oral e informal letrada, os quais oferecem subs&iacute;dios sobre ser-estar <i>no</i> e sobre o interagir <i>com</i> o mundo (cf. Jameson, 1995).</p>     <p>O <i>Saber Econ&ocirc;mico</i> tem sua fonte nas viv&ecirc;ncias humanas relacionais que s&atilde;o mediatizadas pela teoria do agir econ&ocirc;mico e pela praxiologia da &eacute;tica econ&ocirc;mica. Aqui s&atilde;o criados os materiais compreensivos sobre valor de uso e uso do valor, tanto quanto a respeito do que sejam dinheiro, produtividade, rela&ccedil;&otilde;es de troca, rela&ccedil;&otilde;es produtivas e riquezas. Ter ou n&atilde;o ter dinheiro e ganhar um sal&aacute;rio bom ou ruim, por exemplo, s&atilde;o aspectos da vida pr&aacute;tica que se situa no &acirc;mbito dessa tem&aacute;tica. Os professores se voltam &agrave; apropria&ccedil;&atilde;o desse saber mediante as rela&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas mantidas com outros seres humanos, na vida, no ambiente de trabalho e assemelhados (cf. Schumpeter, 1982).</p>     <p>O <i>Saber Epist&ecirc;mico</i> espec&iacute;fico refere-se &agrave;s diferentes modalidades de saber produzido pelo homem e pela mulher, no plano te&oacute;rico e no plano pr&aacute;tico. Historicamente, essa constru&ccedil;&atilde;o passa pelas modalidades de saber que os homens produzem, incluindo artes, ci&ecirc;ncia, filosofia, mito, saber da vida, tecnologia e teologia, bem como dos recursos t&eacute;cnicos criados pelo homem e pela mulher para realizarem a intera&ccedil;&atilde;o com o mundo (cf. Hegenberg, 1976). Professores e professoras podem adquirir esse saber ao longo da exist&ecirc;ncia mesma, percorrendo as trilhas naturais da vida em sociedade.</p>     <p>O <i>Saber &Eacute;tico</i> relaciona-se ao modo como o homem e a mulher criam seus estilos existenciais baseados em valores e crit&eacute;rios de a&ccedil;&atilde;o. Ele responde a indaga&ccedil;&otilde;es sobre como se deve agir. Especificamente, sua problematiza&ccedil;&atilde;o envolve as seguintes indaga&ccedil;&otilde;es: "O que devo fazer?" (Kant, 1985), "O que posso fazer?", "O que nos obriga a sermos bons?" (Cabanas, 1996). O professor e a professora adquirem esse saber mediante experi&ecirc;ncias valorativas nas quais se inserem ao longo da vida e da a&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-valora&ccedil;&atilde;o, julgamento, decis&atilde;o e a&ccedil;&atilde;o nos diversos &acirc;mbitos da vida concreta (cf. V&aacute;zquez, 1977).</p>     <p>O <i>Saber Ideol&oacute;gico</i> &eacute; aquele que deriva da experimenta&ccedil;&atilde;o de materiais simb&oacute;licos e compreensivos voltados para a justificativa de modelos societ&aacute;rios e estilos existenciais que legitimam conceitos e modos de ser, conforme se entende o que sejam pap&eacute;is sociais, de ra&ccedil;a e de sexonormatividade, entre outros, constitutivos disso que podemos denominar de mentalidade particular e socialmente compartilhada. Nesse sentido, trata-se de conte&uacute;dos mentais que formam a mundivid&ecirc;ncia, qualificada por valores, os quais oferecem as diretrizes do ser, estar e agir na sociedade e no mundo. Torna-se plaus&iacute;vel a aquisi&ccedil;&atilde;o desse saber pelos professores &agrave; medida que vivem como seres sociais o dia a dia da exist&ecirc;ncia em meio aos semelhantes (cf. Althusser, 1983; Chau&iacute;, 2003; Gramsci, 1981; Marx &amp; Engels, 1987).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O <i>Saber Pol&iacute;tico</i> deriva das experi&ecirc;ncias com o modo como criamos, instauramos e legitimamos pr&aacute;ticas de poder em meio &agrave; sociedade. Relaciona-se com a forma como estabelecemos modos de vida entre os diferentes, uma vez que os humanos s&atilde;o m&uacute;ltiplos e plurais, mas se organizam em cidades que s&atilde;o governadas conforme se entende o que seja poder pol&iacute;tico. Os professores apreendem esse saber na vida e na escola, em suas mais variadas formas e graus (cf. Janotti, Prado, &amp; Oliveira, 2006).</p>     <p>O <i>Saber Profissional</i>, no caso dos profissionais do magist&eacute;rio, tem na pr&aacute;tica docente a sua fonte principal. Se for certo que ningu&eacute;m nasce professor ou professora, mas vai se fazendo professor em variadas situa&ccedil;&otilde;es e experi&ecirc;ncias, tamb&eacute;m parece ser correto afirmar que "ser professor" s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel mediante o envolvimento com os <i>quefazeres</i> docentes. M&uacute;ltiplos s&atilde;o esses saberes, mas eles podem ser vistos nas perspectivas te&oacute;rica, metodol&oacute;gica, t&eacute;cnica, pol&iacute;tica e pr&aacute;tica, por exemplos. Aprende-se a ser professor mediante a viv&ecirc;ncia no meio profissional do magist&eacute;rio, bem como por meio da pr&aacute;tica concreta de planejamento, execu&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es de ensino (cf. Ranci&egrave;re, 2002).</p>     <p>O <i>Saber Social</i> refere-se ao conjunto de informa&ccedil;&otilde;es e conhecimentos te&oacute;ricos e pr&aacute;ticos que incluem atitudes, exerc&iacute;cios de poder, habilidades, posturas, rela&ccedil;&otilde;es humanas diversificadas, valores e v&iacute;nculos que homens e mulheres vivenciam ao longo da exist&ecirc;ncia. S&atilde;o aprendidos pelos professores na medida em que vivenciam, nas inst&acirc;ncias institucionais e fora delas, aquelas intera&ccedil;&otilde;es que os humanos estabelecem na fam&iacute;lia, na escola, no trabalho, na universidade e na sociedade, entre outras (cf. Charlot, 2000).</p>     <p>O <i>Saber Vivencial </i>tem sua fonte na admira&ccedil;&atilde;o e no espanto do ser humano diante da vida, os quais lhe pregam a problematiza&ccedil;&atilde;o que pode ser formulada pelas chamadas "perguntas perenes": <i>Quem sou? De onde vim? Para onde vou? A vida merece ser vivida?</i> Esse saber tamb&eacute;m brota da vida mesma, apreendido pelo professor e pela professora enquanto vivem naturalmente a exist&ecirc;ncia, na espontaneidade implicada no processo de educabilidade por meio do qual cada um se faz homem, mulher, e, por conseguinte, professor ou professora (cf. Savater, 2001).</p>     <p>&Eacute; desse amplo conjunto de informa&ccedil;&otilde;es, conhecimentos e saberes que os professores e as professoras podem extrair o sentido e significado para tempo, pensamento e sociedade, essa em meio &agrave; qual s&atilde;o chamados a desenvolver a <i>pr&aacute;xis</i> educativa intencionada, preferentemente cr&iacute;tica e transformadora da realidade para um melhor, no sentido da humaniza&ccedil;&atilde;o da vida particular e social.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>Pensar sobre a <i>pr&aacute;xis</i> educativa considerando o tempo, o pensamento e a sociedade &eacute; uma tarefa que requer de n&oacute;s esse esfor&ccedil;o para encararmos a educa&ccedil;&atilde;o do tempo presente como aquela por meio da qual os sujeitos dessa pr&aacute;tica podem problematizar: O modelo societ&aacute;rio no qual nos vemos inseridos satisfaz as exig&ecirc;ncias de uma sociedade baseada nos valores da justi&ccedil;a e da liberdade? Como, na condi&ccedil;&atilde;o de educadores, podemos atuar com vistas para o questionamento dos modelos societ&aacute;rios produzidos at&eacute; hoje e que nos desafiam para a sua necess&aacute;ria supera&ccedil;&atilde;o? O estilo existencial que reservamos ao ser humano, a t&iacute;tulo de finalidade da educa&ccedil;&atilde;o, atende aos princ&iacute;pios de uma convivialidade social fundada na solidariedade poss&iacute;vel ao homem e &agrave; mulher concretos, com os quais convivemos?</p>     <p>A postura cr&iacute;tica aqui preconizada nos leva a colocar em quest&atilde;o o centralismo do coletivismo de certas concep&ccedil;&otilde;es socialistas e o individualismo isolacionista da ideologia liberal capitalista, defensores de pr&aacute;ticas sociais nas quais o humano emerge instrumentalizado no "para isso" e "para aquilo", jamais para ele pr&oacute;prio. Para tanto, todo o conte&uacute;do exposto anteriormente sugere-nos a considera&ccedil;&atilde;o da <i>pr&aacute;xis</i> educativa como aquela sustentada por uma epistemicidade preferencialmente aberta (doc&ecirc;ncia <i>pr&aacute;xica</i> que envolve Saber Antropol&oacute;gico, Saber Cultural, Saber Econ&ocirc;mico, Saber Epist&ecirc;mico, Saber &Eacute;tico, Saber Ideol&oacute;gico, Saber Pol&iacute;tico, Saber Profissional, Saber Social e Saber Vivencial, como foi dito) e que fa&ccedil;a frente &agrave;s atuais necessidades humanas, liberta de p&oacute;los extremos e de reducionismos m&iacute;opes. Nesse processo, parecem superadas as posturas que isolam e centralizam o aluno, tanto quanto aquelas que d&atilde;o centralidade apenas &agrave; figura do professor, dando lugar ao fortalecimento de uma <i>pr&aacute;xis</i> educativa centrada na rela&ccedil;&atilde;o entre professor-aluno-alunos.</p>     <p>Uma abordagem da <i>pr&aacute;xis</i> educativa coerente com os desafios que nos batem &agrave; porta requer que pensemos em termos de uma concep&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica e pr&aacute;tica docente que valorize uma pedagogia relacional, interacional e vinculadora de seres humanos. Ora, "rela&ccedil;&atilde;o" implica mobiliza&ccedil;&atilde;o de cotas de poder particulares, grupais ou coletivas. E o poder compreendido n&atilde;o como uma coisa, ou concentrado em alguma inst&acirc;ncia institucional da sociedade, mas destitu&iacute;do de ess&ecirc;ncia universal, como algo constitu&iacute;do de formas d&iacute;spares, heterog&ecirc;neas e em constante transforma&ccedil;&atilde;o (cf. Foucault, 1979, 1987).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>E, a&iacute;, nessa <i>pr&aacute;xis</i> educativa, vale a indigna&ccedil;&atilde;o diante das formas que centralizam o poder para melhor controlar, disciplinar e modelar os seres humanos em um sentido que nega o car&aacute;ter din&acirc;mico e transformador da pr&oacute;pria vida. Em seguida, o entendimento sobre o professor e a professora que podem lidar com os bens epist&ecirc;micos da cultura sistematizada s&atilde;o aqueles capazes de problematizar o real vivido, colocando de lado as pressuposi&ccedil;&otilde;es estagnantes em um passado que j&aacute; n&atilde;o nos satisfaz, bem como aqueles entendimentos de que a vida se resolveria na extra&ccedil;&atilde;o de presum&iacute;veis valores plantados num futuro remoto, p&oacute;s-terrenidade ou existencialidade.</p>     <p>Pensar, ent&atilde;o, &eacute; enfrentar os estados de coisas que s&atilde;o mantidos visando &agrave; cristaliza&ccedil;&atilde;o de ideologias que justificam pr&aacute;ticas educativas meramente reprodutoras. O professor e a professora, nesse contexto, portadores de saberes v&aacute;rios, s&atilde;o aqueles sujeitos sociais que olham o mundo e a sociedade e, cient&iacute;fica e filosoficamente, podem afirmar como eles s&atilde;o, tanto quanto aqueles sujeitos que mant&ecirc;m a disposi&ccedil;&atilde;o de afirmar como o mundo e a sociedade n&atilde;o deveriam ser. E de, entre um movimento e outro, cunhar a <i>pr&aacute;xis</i> educativa voltada para o alcance de um modo humano de ser no mundo lastreado na justi&ccedil;a e na liberdade. Isso, ao que parece, pode nos colocar na viv&ecirc;ncia de um processo que articule, coerentemente, o tempo, o pensamento e a sociedade por meio de uma <i>pr&aacute;xis</i> educativa alimentada pela inconformidade.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Abbagnano, N. (1998). <i>Dicion&aacute;rio de Filosofia</i>. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000127&pid=S0871-9187201200020000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Agostinho, A. (1986). <i>Confiss&otilde;es</i>. S&atilde;o Paulo: Nova Cultural.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S0871-9187201200020000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Althusser, L. (1983). <i>Aparelhos ideol&oacute;gicos de Estado</i>. Rio de Janeiro: Graal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S0871-9187201200020000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Andrade, C. D. (1983). <i>Poesia e prosa</i>. Rio de Janeiro: Nova Aguilar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S0871-9187201200020000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bergson, H. (1964). <i>A evolu&ccedil;&atilde;o criadora</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S0871-9187201200020000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Brand&atilde;o, J. S. (2004). <i>Mitologia grega</i>. Petr&oacute;polis: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S0871-9187201200020000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Buzzi, A. R. (2003). <i>Introdu&ccedil;&atilde;o ao pensar: O ser, o conhecimento, a linguagem </i>(33&ordf; ed.). Petr&oacute;polis: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S0871-9187201200020000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Cabanas, J. M. Q. (1996). Educaci&oacute;n moral y valores. <i>Revista de Ciencias de la Educaci&oacute;n</i>, 166.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000141&pid=S0871-9187201200020000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Charlot, B. (2000). <i>Da rela&ccedil;&atilde;o com o saber: Elementos para uma teoria</i>. Porto Alegre: Artmed.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S0871-9187201200020000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Chau&iacute;, M. (2003). <i>O que &eacute; ideologia</i> (2&ordf; ed.). S&atilde;o Paulo: Brasiliense.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S0871-9187201200020000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Descartes, R. (1997). <i>Princ&iacute;pios de Filosofia</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000147&pid=S0871-9187201200020000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Durozoi, G., &amp; Roussel, A. (1993). <i>Dicion&aacute;rio de Filosofia</i>. Campinas: Papirus.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000149&pid=S0871-9187201200020000400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Figueiredo, V. (2007). <i>Fil&oacute;sofos na sala de aula</i>. S&atilde;o Paulo: Berlendis &amp; Vertecchia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000151&pid=S0871-9187201200020000400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Forquin, J. C. (1992). <i>Saberes escolares, imperativos did&aacute;ticos e din&acirc;micas sociais</i>. Porto Alegre: Teoria &amp; Educa&ccedil;&atilde;o.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000153&pid=S0871-9187201200020000400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Forquin, J. C. (1993). <i>Escola e cultura: As bases sociais e epistemol&oacute;gicas do conhecimento escolar</i>. Porto Alegre: Artes M&eacute;dicas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000155&pid=S0871-9187201200020000400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Foucault, M. (1979). <i>Microf&iacute;sica do poder</i> (11&ordf; ed.). Rio de Janeiro: Graal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000157&pid=S0871-9187201200020000400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Foucault, M. (1987). <i>Vigiar e punir: Nascimento da pris&atilde;o</i>. Petr&oacute;polis: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000159&pid=S0871-9187201200020000400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Freire, P. (1978). <i>Pedagogia do oprimido</i> (3&ordf; ed.). Rio de Janeiro: Paz e Terra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000161&pid=S0871-9187201200020000400018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Freire, P. (1987). <i>Educa&ccedil;&atilde;o e mudan&ccedil;a</i>. Rio de Janeiro: Paz e Terra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000163&pid=S0871-9187201200020000400019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Freire, P. (1997). <i>Pedagogia da autonomia: Saberes necess&aacute;rios &agrave; pr&aacute;tica educativa</i>. S&atilde;o Paulo: Paz e Terra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000165&pid=S0871-9187201200020000400020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Garrido, S. (Org.). (1999). <i>Saberes pedag&oacute;gicos e atividade docente</i>. S&atilde;o Paulo: Cortez.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000167&pid=S0871-9187201200020000400021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Giacoia J&uacute;nior, O. (2009). <i>Pequeno dicion&aacute;rio de Filosofia contempor&acirc;nea</i>. S&atilde;o Paulo: Publifolha.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000169&pid=S0871-9187201200020000400022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Gramsci, A. (1981). <i>Os intelectuais e a organiza&ccedil;&atilde;o da cultura</i>. Rio de Janeiro: Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000171&pid=S0871-9187201200020000400023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Hegenberg, L. (1976). <i>Explica&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas: Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; filosofia da ci&ecirc;ncia</i> (2&ordf; ed.). S&atilde;o Paulo: EPU/EDUSP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000173&pid=S0871-9187201200020000400024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Heidegger, M. (2001). <i>Ser e tempo</i> (8&ordf; ed.). Petr&oacute;polis: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000175&pid=S0871-9187201200020000400025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Hessen, J. (1980). <i>Teoria do conhecimento</i> (7&ordf; ed.). Coimbra: Arm&eacute;nio Amado.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000177&pid=S0871-9187201200020000400026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Husserl, E. (2006). <i>Id&eacute;ias para uma fenomenologia pura e para uma filosofia fenomenol&oacute;gica</i>. Aparecida: Id&eacute;ias &amp; Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000179&pid=S0871-9187201200020000400027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Jameson, F. (1995). <i>As marcas do vis&iacute;vel</i>. Rio de Janeiro: Graal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000181&pid=S0871-9187201200020000400028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Janotti, M. L. M., Prado, M. L. C., &amp; Oliveira, C. H. de S. (Orgs.). (2006). <i>A hist&oacute;ria na pol&iacute;tica, a pol&iacute;tica na hist&oacute;ria</i>. S&atilde;o Paulo: Alameda.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000183&pid=S0871-9187201200020000400029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Kant, I. (1985). <i>Cr&iacute;tica da raz&atilde;o pura</i>. Lisboa: Calouste Gulbenkian.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000185&pid=S0871-9187201200020000400030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Konder, L. (1993). <i>O futuro da filosofia da pr&aacute;xis</i>. Rio de Janeiro: Paz e Terra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000187&pid=S0871-9187201200020000400031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Laplantine, F. (1989). <i>Aprender antropologia</i>. S&atilde;o Paulo: Brasiliense.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000189&pid=S0871-9187201200020000400032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Lib&acirc;neo, J. C. (2002). <i>Did&aacute;tica</i>. S&atilde;o Paulo: Contexto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000191&pid=S0871-9187201200020000400033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Lib&acirc;neo, J. C., Oliveira, J. F., &amp; Toshi, M. S. (2004). <i>Educa&ccedil;&atilde;o escolar: Pol&iacute;ticas, estrutura e organiza&ccedil;&atilde;o</i>. S&atilde;o Paulo: Cortez.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000193&pid=S0871-9187201200020000400034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Macpherson, C. B. (1979). <i>A teoria pol&iacute;tica do individualismo possessivo (de Hobbes a Locke)</i>. Rio de Janeiro: Paz e Terra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000195&pid=S0871-9187201200020000400035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Marx, K. (1845). <i>Teses sobre Feuerbach</i>. Ridendo Castigat Mores: eBooks Brasil. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.adelinotorres.com/historia/Karl%20Marx-Teses%20sobre%20Feuerbach.pdf" target="_blank">http://www.adelinotorres.com/historia/Karl%20Marx-Teses%20sobre%20Feuerbach.pdf</a> (acesso em 10 de mar&ccedil;o de 2011).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000197&pid=S0871-9187201200020000400036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Marx, K. (1982). <i>O capital: Cr&iacute;tica da economia pol&iacute;tica</i> (7&ordf; ed.). S&atilde;o Paulo: Difel.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000199&pid=S0871-9187201200020000400037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Marx, K., &amp; Engels, F. (1987). <i>A ideologia alem&atilde;</i>. S&atilde;o Paulo: Hucitec.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000201&pid=S0871-9187201200020000400038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Monteiro, A. M. C. (2001). Professores: Entre saberes e pr&aacute;ticas. <i>Educa&ccedil;&atilde;o e Sociedade, 22</i>(74), 121-142.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000203&pid=S0871-9187201200020000400039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>N&oacute;voa, A. (2005). Dilemas dos professores: A comunidade, a autonomia, o conhecimento. In D. S. Ara&uacute;jo, M. D. Braga &amp; Y. C. Capuzzo (Orgs.), <i>Perspectivas para a forma&ccedil;&atilde;o de professores: Contribui&ccedil;&otilde;es do IV Semin&aacute;rio das Licenciaturas (Anais)</i> (pp. 11-28). Goi&acirc;nia: Editora da UCG.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000205&pid=S0871-9187201200020000400040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>N&oacute;voa, A. (Org.). (1991). <i>Profiss&atilde;o professor</i>. Porto: Porto Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000207&pid=S0871-9187201200020000400041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Oliveira, A. S. (1996). Est&aacute;gios da consci&ecirc;ncia segundo Paulo Freire.<i> In Educa&ccedil;&atilde;o: Redes que capturam caminhos que se abrem</i> (pp. 35-48). Vit&oacute;ria: EDUFES.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000209&pid=S0871-9187201200020000400042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Perrenoud, P. (2000). <i>Dez novas compet&ecirc;ncias para ensinar</i>. Porto Alegre: Artmed.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000211&pid=S0871-9187201200020000400043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Ranci&egrave;re, J. (2002). <i>O mestre ignorante: Cinco li&ccedil;&otilde;es sobre emancipa&ccedil;&atilde;o intelectual</i>. Belo Horizonte: Aut&ecirc;ntica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000213&pid=S0871-9187201200020000400044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Rocker, R. (1946). <i>As id&eacute;ias absolutistas no socialismo</i>. S&atilde;o Paulo: Sagit&aacute;rio.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000215&pid=S0871-9187201200020000400045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Romanovski, J. P. (2007). <i>Forma&ccedil;&atilde;o e profissionaliza&ccedil;&atilde;o docente</i> (3&ordf; ed.). Curitiba: IBPEX.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000217&pid=S0871-9187201200020000400046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Savater, F. (1998). <i>O valor de educar</i>. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000219&pid=S0871-9187201200020000400047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Savater, F. (2001). <i>As perguntas da vida</i>. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000221&pid=S0871-9187201200020000400048&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Saviani, N. (2003). <i>Saber escolar, curr&iacute;culo e did&aacute;tica</i>. S&atilde;o Paulo: Autores Associados.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000223&pid=S0871-9187201200020000400049&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Schumpeter, J. (1982). <i>Teoria do desenvolvimento econ&ocirc;mico: Uma investiga&ccedil;&atilde;o sobre lucros, capital, cr&eacute;dito, juro e o ciclo econ&ocirc;mico</i>. S&atilde;o Paulo: Abril Cultural.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000225&pid=S0871-9187201200020000400050&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Tardif, M., &amp; Raimond, D. (2000). Saberes, tempo e aprendizagem do trabalho no magist&eacute;rio. <i>Educa&ccedil;&atilde;o &amp; Sociedade</i>, 21(73), 209-244. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.scielo.br/pdf/es/v21n73/4214.pdf" target="_blank">http://www.scielo.br/pdf/es/v21n73/4214.pdf</a>  (acesso em 15 de setembro de 2009).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000227&pid=S0871-9187201200020000400051&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>V&aacute;zquez, A. S. (1977). <i>Filosofia da pr&aacute;xis</i>. Rio de Janeiro: Paz e Terra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000229&pid=S0871-9187201200020000400052&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido em Junho/2011</p>     ]]></body>
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