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</front><body><![CDATA[ <p><b>SANTOS REGO, Miguel; LORENZO MOLEDO, Mar (Eds.) (2012). Estudios de pedagog&iacute;a intercultural. Campinas, Barcelona: Octaedro (188 p&aacute;ginas)</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Manuel Barbosa</b></p>     <p>Instituto de Educa&ccedil;&atilde;o, Universidade do Minho</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Sob a responsabilidade editorial de dois conhecidos investigadores e professores da Faculdade de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade de Santiago de Compostela, a presente obra investe competentemente o campo da pedagogia intercultural ao longo de seis cap&iacute;tulos, reapresentando estudos j&aacute; realizados e adiantando novos conte&uacute;dos e novos desenvolvimentos, visando em conjunto o refor&ccedil;o e a consolida&ccedil;&atilde;o dessa importante &aacute;rea dos estudos pedag&oacute;gicos, precisamente numa altura em que a sua necessidade &eacute; por todos reconhecida tendo em conta a diversifica&ccedil;&atilde;o galopante dos cen&aacute;rios sociais atuais e os desafios da&iacute; resultantes em termos de educa&ccedil;&atilde;o com crit&eacute;rios de igualdade e justi&ccedil;a.</p>     <p>Dado o interesse do livro para a fundamenta&ccedil;&atilde;o de iniciativas pedag&oacute;gicas com p&uacute;blicos escolares multiculturais, e atendendo a que &eacute; potencialmente inspirador de novas investiga&ccedil;&otilde;es nesse campo, conv&eacute;m apresentar, com algum pormenor, os cap&iacute;tulos que d&atilde;o corpo e espessura &agrave; densa narrativa de estudos e conceptualiza&ccedil;&otilde;es da obra em an&aacute;lise.</p>     <p>O primeiro cap&iacute;tulo, intitulado: <i>Teor&iacute;a de la educaci&oacute;n, ciudadan&iacute;a y pedagog&iacute;a intercultural en la sociedad del aprendizaje</i>, da autoria de Santos Rego &amp; Lorenzo Moledo, passa em revista e discute perspetivas normativas sobre a educa&ccedil;&atilde;o intercultural enquanto "recurso estrat&eacute;gico de uma educa&ccedil;&atilde;o para a democracia" (p. 47), nomeadamente no contexto de sociedades de aprendizagem que sofrem os efeitos da globaliza&ccedil;&atilde;o e da imigra&ccedil;&atilde;o sem retorno.</p>     <p>As perspetivas em discuss&atilde;o, abrangendo a pr&oacute;pria reconstru&ccedil;&atilde;o dos meios e dos fins da teoria da educa&ccedil;&atilde;o (pp. 38-39), assentam na constata&ccedil;&atilde;o de que &eacute; imperioso ter em conta, nas nossas sociedades e nas institui&ccedil;&otilde;es educativas, a nova fenomenologia das rela&ccedil;&otilde;es humanas, doravante pautadas pela diversidade de culturas, religi&otilde;es, costumes, ideologias e etnias da mais diversa natureza e origem (p. 20). Esta diversidade &eacute;tnico-cultural emergente, somada &agrave; diferencia&ccedil;&atilde;o e &agrave; segmenta&ccedil;&atilde;o no seio da cultura maiorit&aacute;ria, coloca duas exig&ecirc;ncias incontorn&aacute;veis nas democracias multiculturais atuais: por um lado, a considera&ccedil;&atilde;o e o respeito pela diversidade cultural que "n&atilde;o oprime ou anula a autonomia do sujeito" e, por outro, a a&ccedil;&atilde;o que visa, para todos e todas, uma verdadeira igualdade de oportunidades, seja na escola, seja fora dela. A educa&ccedil;&atilde;o intercultural, uma vez liberta das conce&ccedil;&otilde;es monol&iacute;ticas de cultura, tem por ambi&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o propriamente o "conhecimento dos elementos culturais de cada tradi&ccedil;&atilde;o" (p. 32), mas a aceita&ccedil;&atilde;o e o reconhecimento do "indiv&iacute;duo concreto que vive numa cultura concreta e exige ser reconhecido como tal" (p. 33). Ou seja, e talvez de forma mais ampla, "o eixo de interesse da educa&ccedil;&atilde;o intercultural deve centrar-se em promover as condi&ccedil;&otilde;es educativas desej&aacute;veis para que pessoas de diversas culturas se encontrem, convivam e estabele&ccedil;am entre elas la&ccedil;os de verdadeira comunica&ccedil;&atilde;o" (p. 36). Assim, o objeto da educa&ccedil;&atilde;o intercultural n&atilde;o &eacute; mais a diferen&ccedil;a cultural, mas o indiv&iacute;duo com uma configura&ccedil;&atilde;o identit&aacute;ria especial em termos &eacute;tnicos e culturais. A esta luz, a educa&ccedil;&atilde;o intercultural, e a teoria que a deve suportar, ou seja, a pedagogia intercultural, precisa de evitar o excessivo cognitivismo das perspetivas mais comuns, assentes na compreens&atilde;o e no conhecimento das culturas, ignorando que o essencial se joga nos registos da comunica&ccedil;&atilde;o e dos afetos entre alteridades culturais diferentes (p. 38). Da mesma forma, h&aacute; que ir al&eacute;m da escola e dos ambientes formais de aprendizagem, revalorizando as atividades interculturais de tipo extraescolar ou informal no seio das organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil. O que importa, verdadeiramente, &eacute; promover as compet&ecirc;ncias interculturais que s&atilde;o necess&aacute;rias &agrave; rela&ccedil;&atilde;o com os diferentes culturais, entendendo essas compet&ecirc;ncias n&atilde;o como "destrezas puras e duras", mas como capacidades de "participa&ccedil;&atilde;o ativa e cr&iacute;tica em cen&aacute;rios sociais caraterizados pela diversidade cultural e a pluralidade identit&aacute;ria dos indiv&iacute;duos", e abarcando, no mesmo arco, tanto o cognitivo como o afetivo e o comunicativo (p. 43).</p>     <p>O segundo cap&iacute;tulo, de Santos Rego, e subordinado ao t&iacute;tulo <i>Sostenibilidad y educaci&oacute;n intercultural: el cambio de perspectiva</i>, n&atilde;o se limitando a uma "conota&ccedil;&atilde;o exclusivamente ecol&oacute;gica e ambiental" (p. 56) do desenvolvimento sustent&aacute;vel, articula este com a educa&ccedil;&atilde;o intercultural no sentido de defender que a "educa&ccedil;&atilde;o intercultural &eacute; um adequado recurso estrat&eacute;gico em prol da sustentabilidade, da equidade, da paz e da coes&atilde;o social" (p. 57), especialmente nas &aacute;reas de maior conflu&ecirc;ncia de diversidade &eacute;tnico-cultural, resultante dos fluxos migrat&oacute;rios propulsados pelo diverso e complexo fen&oacute;meno da globaliza&ccedil;&atilde;o (p. 60).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ao longo do cap&iacute;tulo v&aacute;rias refer&ecirc;ncias se convocam para defender essa tese, nomeadamente a que reporta o pensamento elaborado na cimeira das Na&ccedil;&otilde;es Unidas de Joanesburgo em 2002. Segundo Santos Rego, foi nessa cimeira "onde abertamente se reconheceu que &eacute; na educa&ccedil;&atilde;o que reside o potencial realizador de uma vis&atilde;o da sustentabilidade com possibilidades de articular bem-estar, diversidade cultural e recursos existentes no planeta" (p. 67). A sustentabilidade, como n&atilde;o se cansa de reiterar, n&atilde;o &eacute; uma abstra&ccedil;&atilde;o &agrave; margem das pessoas e das suas vidas. O centro das preocupa&ccedil;&otilde;es relacionadas com o desenvolvimento sustent&aacute;vel &eacute; o ser humano situado e contextualizado, com as suas idiossincrasias, a sua cultura, l&iacute;ngua, costumes, tradi&ccedil;&otilde;es e religi&otilde;es. Da&iacute; a import&acirc;ncia da "converg&ecirc;ncia entre educa&ccedil;&atilde;o intercultural e sustentabilidade" (p. 78), no meio escolar e fora dele, por forma a salvaguardar a conviv&ecirc;ncia, a coes&atilde;o e a paz social.</p>     <p>Assim, e recuperando duas ideias finais do cap&iacute;tulo em an&aacute;lise, importa sublinhar, por um lado, a uni&atilde;o indissol&uacute;vel entre sustentabilidade e interculturalidade e, por outro, a conveni&ecirc;ncia de articular, na interven&ccedil;&atilde;o sociocomunit&aacute;ria e no curr&iacute;culo escolar, projetos de educa&ccedil;&atilde;o intercultural com projetos de sustentabilidade.</p>     <p>O terceiro cap&iacute;tulo, de Santos Rego, Lorenzo Moledo e Priegue Caama&ntilde;o (<i>Aprendizaje cooperativo, formaci&oacute;n del profesorado y buenas pr&aacute;cticas en pedagog&iacute;a intercultural</i>), dentro da economia narrativa da obra, assume como objetivo "analisar de que modo &eacute; que a introdu&ccedil;&atilde;o da aprendizagem cooperativa na pr&aacute;tica pedag&oacute;gica dos professores contribui para o seu desenvolvimento pessoal e profissional" (p. 92) em contextos letivos &eacute;tnica e culturalmente diversos, tendo por base uma experi&ecirc;ncia pedag&oacute;gica de forma&ccedil;&atilde;o, aplica&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o da t&eacute;cnica <i>Jigsaw</i> de Aronson num total de seis professores e de 123 alunos de escolas galegas de <i>Educaci&oacute;n Secundaria Obligatoria</i> (alunos entre os 12 e os 16 anos). A experi&ecirc;ncia mostra que a t&eacute;cnica n&atilde;o &eacute; apenas pertinente na forma&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua dos professores que t&ecirc;m de lidar com p&uacute;blicos escolares muito diversos do ponto de vista &eacute;tnico-cultural (p. 107). Se &eacute; verdade que a aplica&ccedil;&atilde;o dessa t&eacute;cnica em contexto de sala de aula favorece uma interven&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica de car&aacute;ter intercultural (p. 108) e refor&ccedil;a a autoconfian&ccedil;a dos professores envolvidos na experi&ecirc;ncia, tamb&eacute;m &eacute; certo que &eacute; ben&eacute;fica para os alunos: "s&atilde;o os pr&oacute;prios alunos que comandam o seu processo de aprendizagem"; "aumenta de forma not&oacute;ria a motiva&ccedil;&atilde;o de aprendizagem nos alunos"; e "sup&otilde;e um maior grau de ativa&ccedil;&atilde;o discente no seu processo de aprendizagem" (p. 107). O que o cap&iacute;tulo quer demonstrar, em termos pedag&oacute;gicos, &eacute; que as t&eacute;cnicas de aprendizagem cooperativa (como a t&eacute;cnica do Puzzle de Aronson) n&atilde;o s&atilde;o de subestimar em termos de educa&ccedil;&atilde;o intercultural na sala de aula e que s&atilde;o bastante interessantes para a forma&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua dos professores. As boas pr&aacute;ticas em pedagogia intercultural, segundo o cap&iacute;tulo analisado, passam necessariamente pela implementa&ccedil;&atilde;o dessas t&eacute;cnicas com alunos de origens culturais e lingu&iacute;sticas diferentes que acederam, justamente, &agrave;s escolas.</p>     <p>O objetivo fundamental do quarto cap&iacute;tulo (<i>Familias inmigrantes y desarrollo educativo intercultural desde la escuela</i>) de Santos Rego e Lorenzo Moledo, depois de lan&ccedil;ar um olhar cr&iacute;tico &agrave; participa&ccedil;&atilde;o das fam&iacute;lias imigrantes no sistema escolar do pa&iacute;s vizinho, consiste em "defender que o desenvolvimento educativo intercultural das fam&iacute;lias em geral, e das fam&iacute;lias imigrantes em particular, deve associar-se, antes de mais, ao princ&iacute;pio de participa&ccedil;&atilde;o na esfera p&uacute;blica da sociedade civil e, mais concretamente, na escola" (p. 116).</p>     <p>Como a participa&ccedil;&atilde;o das fam&iacute;lias imigrantes nos centros educativos escolares &eacute; notoriamente baixa (p. 121), e porque essa participa&ccedil;&atilde;o se revela essencial &agrave; integra&ccedil;&atilde;o social, quer dos adultos, quer das crian&ccedil;as dessas fam&iacute;lias, os autores informam, neste cap&iacute;tulo, que desenharam, implementaram e avaliaram "um programa socioeducativo em contexto escolar visando a melhoria da rela&ccedil;&atilde;o escola-fam&iacute;lia" (p. 122) da popula&ccedil;&atilde;o imigrante que hoje d&aacute; colorido ao sistema escolar espanhol. O objetivo principal do programa passava por melhorar o conhecimento que essas fam&iacute;lias t&ecirc;m da cultura e da sociedade do pa&iacute;s de acolhimento, assim como do seu sistema educativo, com a inten&ccedil;&atilde;o, pragm&aacute;tica, de aumentar os seus n&iacute;veis de participa&ccedil;&atilde;o nas escolas frequentadas pelos seus filhos e filhas (p. 125). O programa, intitulado "Programa Socioeducativo para Fam&iacute;lias Imigrantes", desenvolveu-se em cinco centros escolares e abrangeu cerca de 120 pessoas, sendo 65 de um grupo experimental e 54 do grupo de controlo. Al&eacute;m disso, contou com a colabora&ccedil;&atilde;o da sociedade civil, nomeadamente associa&ccedil;&otilde;es que trabalham com e para os imigrantes.</p>     <p>&Agrave; luz da investiga&ccedil;&atilde;o realizada, admitem os autores que "um programa com essas carater&iacute;sticas pode servir como instrumento optimizador das pr&aacute;ticas que procuram melhorar a rela&ccedil;&atilde;o fam&iacute;lia-escola j&aacute; que favorece a implica&ccedil;&atilde;o de pais e m&atilde;es na educa&ccedil;&atilde;o escolar dos seus filhos e filhas" (p. 131) e que &eacute; "primordial conseguir a implica&ccedil;&atilde;o e a colabora&ccedil;&atilde;o de outros agentes da comunidade educativa e da sociedade civil em geral" (p. 133), uma vez que a rela&ccedil;&atilde;o das fam&iacute;lias e das crian&ccedil;as imigrantes com as escolas e as comunidades em geral se v&ecirc; influenciada ou condicionada pela vida local.</p>     <p>O quinto cap&iacute;tulo, de Santos Rego, Lorenzo Moledo e Priegue Caama&ntilde;o (<i>La infancia de la inmigraci&oacute;n: qu&eacute; relevancia se otorga a la educaci&oacute;n?</i>), fruto de um trabalho anterior dos autores, estuda a import&acirc;ncia que as fam&iacute;lias imigrantes em Espanha atribuem &agrave; educa&ccedil;&atilde;o escolar dos seus filhos e procura averiguar, atrav&eacute;s de uma investiga&ccedil;&atilde;o quase-experimental junto de imigrantes africanos e latino-americanos, se a origem &eacute;tnico-cultural &eacute; uma vari&aacute;vel com peso significativo nos resultados desse estudo (p. 140).</p>     <p>Os dados fornecidos pela investiga&ccedil;&atilde;o, comprovando "a import&acirc;ncia que as fam&iacute;lias imigrantes outorgam &agrave; educa&ccedil;&atilde;o dos seus descendentes" (p. 158), mostram contudo que a atribui&ccedil;&atilde;o desse valor n&atilde;o se correlaciona com a origem ou proced&ecirc;ncia &eacute;tnico-cultural dos imigrantes. O que se torna manifesto, isso sim, &eacute; que essa vari&aacute;vel pesa nas expectativas que docentes e opini&atilde;o p&uacute;blica possuem sobre as rela&ccedil;&otilde;es de certos grupos de imigrantes com a institui&ccedil;&atilde;o escolar (p. 158) e, assim, sobre a sua eventual participa&ccedil;&atilde;o nos assuntos escolares dos filhos. Ora, se &eacute; verdade que a escola &eacute; um importante "vetor de integra&ccedil;&atilde;o social e cultural dos filhos do imigrantes e das suas fam&iacute;lias" (p. 140), como sublinham mais uma vez os editores do livro, torna-se necess&aacute;rio levar em linha de conta o peso da origem &eacute;tnico-cultural dos imigrantes nas expectativas dos professores e p&uacute;blico em geral, quanto mais n&atilde;o seja para desfazer falsas representa&ccedil;&otilde;es e assim facilitar a implica&ccedil;&atilde;o das fam&iacute;lias imigrantes nos percursos escolares dos filhos – a qual se revela altamente significativa em termos de aproveitamento acad&eacute;mico.</p>     <p>O prop&oacute;sito do sexto e &uacute;ltimo cap&iacute;tulo, indexado a Santos Rego, Lorenzo Moledo, G&oacute;das Otero e Crespo Comesa&ntilde;a (<i>Inmigraci&oacute;n y segregaci&oacute;n en un contexto escolar. La pedagogia intercultural en su encrucijada</i>), partindo da constata&ccedil;&atilde;o de que os imigrantes se tornam cada vez mais residentes permanentes no pa&iacute;s vizinho, procura analisar, para fins pol&iacute;tico-educativos, "se se est&aacute; a produzir uma distribui&ccedil;&atilde;o equilibrada dos alunos de origem imigrante pelos centros educativos" (p. 163), nomeadamente da rede de institui&ccedil;&otilde;es escolares p&uacute;blicas da Comunidade Aut&oacute;noma da Galiza. Os dados emp&iacute;ricos, diferentemente do que acontece em outras Comunidades do Estado espanhol, n&atilde;o confirmam &iacute;ndices significativos de segrega&ccedil;&atilde;o escolar dos alunos origin&aacute;rios da imigra&ccedil;&atilde;o: "&Eacute; poss&iacute;vel afirmar, dizem os autores deste cap&iacute;tulo, que a segrega&ccedil;&atilde;o entre os centros p&uacute;blicos da Comunidade, na altura de escolarizar os alunos imigrantes, ou &eacute; m&iacute;nima, ou brilha pela aus&ecirc;ncia" (p. 181). Uma das raz&otilde;es pode ter que ver com a menor "press&atilde;o" de imigrantes sobre o sistema educativo da Galiza, por&eacute;m, outras "poderiam dever-se ao facto de que boa parte da popula&ccedil;&atilde;o estrangeira est&aacute; escolarizada em Centros de pequenas e m&eacute;dias popula&ccedil;&otilde;es (t&atilde;o abundantes na Galiza), cuja oferta de escolariza&ccedil;&atilde;o &eacute; quase totalmente p&uacute;blica" (p. 181). Seja como for, entendem os autores que &eacute; preciso mobilizar recursos e dar forma&ccedil;&atilde;o adequada aos professores para combater quaisquer sinais de segrega&ccedil;&atilde;o escolar, dado p&ocirc;r em causa uma educa&ccedil;&atilde;o pluralista e colocar, a prazo, s&eacute;rios problemas de coes&atilde;o e justi&ccedil;a social.</p>     <p>A obra que se desenvolve ao longo destes cap&iacute;tulos n&atilde;o &eacute; o "&uacute;ltimo grito" em pedagogia intercultural e nem sequer tem a pretens&atilde;o de a delimitar de uma vez por todas. Os seus autores est&atilde;o conscientes que essa pedagogia &eacute; um projeto em constru&ccedil;&atilde;o e que dificilmente teremos nos pr&oacute;ximos anos um c&acirc;none te&oacute;rico-metodol&oacute;gico definitivo, pronto a ser usado em todo o lado, seja nas escolas, seja na interven&ccedil;&atilde;o sociocomunit&aacute;ria. Ainda assim, e n&atilde;o obstante conceder, talvez em excesso, demasiado protagonismo &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es escolares no processo de integra&ccedil;&atilde;o social e cultural dos imigrantes e seus descendentes nas sociedades para onde convergem os novos fluxos migrat&oacute;rios, estamos convictos que a obra abre horizontes &agrave; implementa&ccedil;&atilde;o da pedagogia intercultural em cen&aacute;rios sociais multiculturais e que &eacute; inspiradora de investiga&ccedil;&otilde;es necessariamente obrigat&oacute;rias a quem envereda por esse caminho, nomeadamente quando est&aacute; em causa a equa&ccedil;&atilde;o "imigra&ccedil;&atilde;o-educa&ccedil;&atilde;o-inclus&atilde;o". De real&ccedil;ar, pela sua novidade e pelo seu sentido de oportunidade, a revaloriza&ccedil;&atilde;o do contributo educativo da sociedade civil e a sua importante articula&ccedil;&atilde;o com as iniciativas pedag&oacute;gicas das escolas quando se trata de facilitar o processo de integra&ccedil;&atilde;o social e cultural das fam&iacute;lias imigrantes nas sociedades onde se instalam como residentes permanentes. Este &eacute; um ponto forte dos v&aacute;rios estudos reunidos na obra editada por Santos Rego e Lorenzo Moledo e &eacute; prov&aacute;vel que se venha a tornar, nos pr&oacute;ximos anos, uma refer&ecirc;ncia obrigat&oacute;ria no campo das conceptualiza&ccedil;&otilde;es e das operacionaliza&ccedil;&otilde;es da pedagogia com pretens&otilde;es interculturais.</p>     ]]></body>
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