<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0871-9187</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Educação]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Rev. Port. de Educação]]></abbrev-journal-title>
<issn>0871-9187</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Centro de Investigação em Educação. Instituto de Educação da Universidade do Minho]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0871-91872013000200001</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Editorial]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Dionísio]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maria de Lourdes]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2013</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2013</year>
</pub-date>
<volume>26</volume>
<numero>2</numero>
<fpage>3</fpage>
<lpage>6</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0871-91872013000200001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0871-91872013000200001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0871-91872013000200001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p><b>Editorial</b> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Maria de Lourdes Dion&iacute;sio</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Fruto do modo como temos respondido e antecipado os desafios criados pelas novas condi&ccedil;&otilde;es da edi&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, nos &uacute;ltimos anos tem-se tornado quase uma rotina anunciar nestes editoriais a inclus&atilde;o da RPE em mais uma base de dados. Neste n&uacute;mero o prazer &eacute; redobrado j&aacute; que anunciamos a integra&ccedil;&atilde;o da Revista na <i>Web of Knowledge </i>via<i> SciELO Citation Index</i> da Thomson Reuters, e a ado&ccedil;&atilde;o do formato digital no sistema OJS, ap&oacute;s o sucesso do concurso para alojamento de Revistas Cient&iacute;ficas no Reposit&oacute;rio Cient&iacute;fico de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP). Em qualquer dos casos trata-se do resultado de esfor&ccedil;os v&aacute;rios que importa aqui destacar. Desde logo, os da equipa SciELO de Portugal, que sempre reconheceu que apenas medidas assumidas coletivamente poderiam colocar as revistas nacionais nestas plataformas pouco abertas &agrave; diversidade lingu&iacute;stica. Depois, os de todos os que, de diversas formas, est&atilde;o envolvidos na produ&ccedil;&atilde;o da Revista, desde o Comit&eacute; Editorial que l&ecirc; e encaminha os textos para a avalia&ccedil;&atilde;o, ao nosso cada vez mais numeroso grupo de avaliadores, passando pelos t&eacute;cnicos sobre quem recaem muito as exig&ecirc;ncias dos patamares que vamos alcan&ccedil;ando. Naturalmente tamb&eacute;m aos autores que nos escolhem como base de dissemina&ccedil;&atilde;o dos seus resultados cient&iacute;ficos e que generosamente compreendem os tempos e modos da edi&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica.</p>     <p>Estamos cientes que a presen&ccedil;a na <i>Web of knowledge</i> e a ades&atilde;o &agrave; plataforma de gest&atilde;o online v&ecirc;m tornar ainda maior a procura da Revista, complexificando e exigindo mais rigor a todo o processo editorial. Mas, apesar de crit&eacute;rios de aceita&ccedil;&atilde;o mais seletivos, o cada vez maior volume de textos propostos tem obrigado a RPE a aumentar o n&uacute;mero de artigos dos seus volumes. Este segundo n&uacute;mero de 2013 &eacute; disso mais um exemplo. Para al&eacute;m de um n&uacute;cleo tem&aacute;tico constitu&iacute;do, na segunda parte da revista, por seis textos que t&ecirc;m origem em algumas das confer&ecirc;ncias organizadas pelo N&uacute;cleo de Educa&ccedil;&atilde;o para os Direitos Humanos do Instituto de Educa&ccedil;&atilde;o, da Universidade do Minho, incluem-se ainda cinco outros artigos do fluxo de submiss&atilde;o cont&iacute;nuo.</p>     <p>O primeiro texto, da autoria de uma equipa de investigadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e do Instituto Polit&eacute;cnico do Porto, procede a uma an&aacute;lise comparativa das pol&iacute;ticas de descentraliza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o no Brasil e em Portugal a partir dos anos 90. Apesar das semelhan&ccedil;as encontradas, nomeadamente quanto ao facto de "entre avan&ccedil;os e recuos", as tentativas no &acirc;mbito destes processos n&atilde;o serem mais do que "movimentos de alguma desconcentra&ccedil;&atilde;o de poderes, ainda marcados pela mesma l&oacute;gica centralizadora", concluem os autores que, ainda assim, o Brasil goza de maior autonomia na constitui&ccedil;&atilde;o dos seus sistemas de educa&ccedil;&atilde;o enquanto que no caso portugu&ecirc;s, "a tend&ecirc;ncia de refor&ccedil;o das compet&ecirc;ncias das entidades locais encontra-se mais direcionada &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es escolares do que &agrave; esfera aut&aacute;rquica".</p>     <p>O segundo artigo, de Paula Guimar&atilde;es, toma como objeto as transforma&ccedil;&otilde;es ocorridas nas organiza&ccedil;&otilde;es do terceiro setor com interven&ccedil;&atilde;o na educa&ccedil;&atilde;o de adultos. Estudando o caso de uma associa&ccedil;&atilde;o de desenvolvimento local, os dados ilustram como uma destas organiza&ccedil;&otilde;es, com forte v&iacute;nculo &agrave; comunidade local, e por causa de parcerias estabelecidas com o Estado e com a Uni&atilde;o Europeia, passou a partilhar algumas caracter&iacute;sticas de empresas, pondo em causa, segundo a autora, "a sua autonomia e a sua capacidade de desenvolver projetos educativos de car&aacute;cter cr&iacute;tico e emancipat&oacute;rio".</p>     <p>Quanto ao terceiro texto, o seu objetivo &eacute; discutir o eventual esvaziamento do campo te&oacute;rico-cient&iacute;fico da ci&ecirc;ncia did&aacute;tica. Para tal, a autora analisa o "estado da pesquisa e da produ&ccedil;&atilde;o did&aacute;tica, no per&iacute;odo de 2004 a 2010, em tr&ecirc;s Programas de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o pertencentes &agrave; regi&atilde;o Sul do Brasil, tomados como estudos de caso". Da an&aacute;lise verifica-se que, apesar de se investigar e produzir conhecimento na dimens&atilde;o dos fundamentos did&aacute;ticos, n&atilde;o s&atilde;o objeto de interesse "as quest&otilde;es sobre ensino de did&aacute;tica enquanto disciplina acad&ecirc;mica, bem como as formas e maneiras de se efetivar, do ponto de vista metodol&oacute;gico, o processo de ensino-aprendizagem".</p>     <p>O texto de Ant&oacute;nio Gomes Ferreira e Lu&iacute;s Mota parte de um esp&oacute;lio documental muito diversificado, onde se destacam as fontes de arquivo da Escola Normal Superior de Coimbra, para discutir o modelo de forma&ccedil;&atilde;o de professores das Escolas Normais Superiores, inspiradas na <i>&Eacute;cole Normale</i> <i>Sup&eacute;rieur</i> de Paris, segundo os autores, "marcadas pela pedagogia do movimento da Escola Nova e portadoras de um car&aacute;ter inovador". A an&aacute;lise mostra como a forma&ccedil;&atilde;o de professores do ensino liceal estava alinhada "com as leis cient&iacute;ficas que deveriam governar a educa&ccedil;&atilde;o" e "reconhecendo a import&acirc;ncia do conhecimento cient&iacute;fico da crian&ccedil;a para o ato educativo".</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O quinto texto, sobre a avalia&ccedil;&atilde;o da compet&ecirc;ncia comunicativa oral no Ensino B&aacute;sico, defende que o uso sistem&aacute;tico de uma grelha de observa&ccedil;&atilde;o em sala de aula &eacute; &uacute;til para promover a forma&ccedil;&atilde;o de leitores fluentes e competentes. O estudo consiste na constru&ccedil;&atilde;o e valida&ccedil;&atilde;o de um instrumento capaz de traduzir "com rigor o n&iacute;vel de desempenho dos alunos".</p>     <p>O sexto artigo, da autoria de Maria Jos&eacute; Casa-Nova, consiste no texto introdut&oacute;rio do n&uacute;cleo tem&aacute;tico, problematizando, por um lado, em v&aacute;rias dimens&otilde;es, a Declara&ccedil;&atilde;o Universal dos Direitos Humanos, e, por outro lado, apresentando propostas capazes de participar na humaniza&ccedil;&atilde;o das sociedades. O texto desenvolve-se nas linhas de argumenta&ccedil;&atilde;o que constituem o fio condutor dos cinco artigos do n&uacute;cleo que a Autora apresenta.</p>     <p>O texto de C&acirc;ndido Alberto Gomes e Adriana Lira problematiza a possibilidade de os Direitos Humanos serem uma utopia num mundo dist&oacute;pico, organizando-se &agrave; volta de quest&otilde;es como o poss&iacute;vel desvanecimento dos direitos humanos, as perspectivas das novas gera&ccedil;&otilde;es, a viabilidade da educa&ccedil;&atilde;o para os direitos humanos e, numa resposta afirmativa, as suas principais caracter&iacute;sticas.</p>     <p>Carlos Est&ecirc;v&atilde;o reflete sobre a complexidade da rela&ccedil;&atilde;o entre "novo humanismo" e "conceitos de democracia, direitos humanos e justi&ccedil;a". Na medida em que est&aacute; ao servi&ccedil;o de l&oacute;gicas de mercado, "o discurso humanista atual esconde", segundo o autor, "pontos cegos" que importa tornar vis&iacute;veis. A fim de "reverter criticamente a situa&ccedil;&atilde;o" e "dignificar a democracia, os direitos e a justi&ccedil;a", o autor conclui com uma proposta de um outro humanismo.</p>     <p>O texto de Mariano Fern&aacute;ndez Enguita sustenta que os educadores t&ecirc;m que traduzir na escola valores sociais onde se combinem igualdade e equidade, ao mesmo tempo que t&ecirc;m de compatibilizar crit&eacute;rios que, apesar de estarem em cont&iacute;nua tens&atilde;o, comp&otilde;em a justi&ccedil;a escolar: respondendo "a duas possibilidades extremas mas n&atilde;o raras: por um lado, a de quem, desfavorecido pela natureza ou pela hist&oacute;ria, se v&ecirc; condenado a uma posi&ccedil;&atilde;o de desvantagem por um tratamento formalmente igual, requerendo um esfor&ccedil;o compensat&oacute;rio, de solidariedade; por outro, a de quem possui capacidades extraordin&aacute;rias, que tamb&eacute;m tem direito a desenvolver ao m&aacute;ximo, o que requer uma pol&iacute;tica de cultivo da excel&ecirc;ncia"</p>     <p>O pen&uacute;ltimo texto de &Aacute;lvaro Laborinho L&uacute;cio defende a necessidade de se educar para os direitos, o que, segundo ao Autor, significa "educar para os direitos do outro", exigindo tamb&eacute;m que nas pr&aacute;ticas do quotidiano da escola se tenha efetivamente inscrito uma cultura "que estimule a solidariedade, que desenvolva o sentido de cada um na sua proje&ccedil;&atilde;o no outro e que permita, assim, logo no interior da escola, uma efetiva aprendizagem da inclus&atilde;o, contra a exclus&atilde;o".</p>     <p>Ana Maria Eyng apresenta um estudo sobre as percep&ccedil;&otilde;es de gestores escolares, professores, pais e conselheiros tutelares sobre a rede de prote&ccedil;&atilde;o na garantia de direitos de crian&ccedil;as e adolescentes. Com os resultados do diagn&oacute;stico &eacute; poss&iacute;vel, segundo a Autora, "esbo&ccedil;ar a&ccedil;&otilde;es estrat&eacute;gicas, no fortalecimento dos sujeitos para as m&uacute;ltiplas configura&ccedil;&otilde;es que o trabalho de prote&ccedil;&atilde;o e garantia de direitos demanda a partir da escola".</p>     <p>Resta-nos esperar que estes textos que agora s&atilde;o dados ao di&aacute;logo cient&iacute;fico sejam de grande impacto para todos, sobretudo para a compreens&atilde;o dos fen&oacute;menos educativos e, concretizando algumas das suas propostas, contribuam para uma escola mais justa e solid&aacute;ria.</p>      ]]></body>
</article>
