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<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Educação]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Avaliação em teatro: Reflexões a partir das vozes dos alunos]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Federal do Paraná  ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This study, linked to the research group "Language and Education", Federal University of Parana, aimed at understanding the discourse of senior students of a college of theater on the assessment process in the theatrical assembly in a university in Santa Catarina, southern Brazil. We analyzed the memorials of training in theater, written in the last half of the course, of the years 2007 and 2008. The analysis was performed by the prospect of studies of the Bakhtin Circle and pointed to different directions for the teacher assessment, including the relationship between process and product in education, focus of this article.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[Este estudio, vinculado al grupo de investigación "Lengua y Educación", de la Universidad Federal de Paraná, ha tenido el objetivo de comprender los discursos de los estudiantes de lo último año de un curso superior de teatro sobre el proceso de evaluación en la producción de teatro universitario en una universidad de Santa Catarina, en el sur Brasil. Se analizaron los memoriales de la formación en el teatro, escritos en el final del curso, de los años 2007 y 2008. El análisis se realizó por la perspectiva de los estudios del Círculo de Bakhtin y se refirió a diferentes instrucciones de la evaluación docente, incluyendo la relación entre el proceso y producto, enfoque de este artículo.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Avalia&ccedil;&atilde;o em teatro: Reflex&otilde;es a partir das vozes dos alunos</b></p>     <p><b>Assessment in theater: Reflections from the voices of the students</b></p>     <p><b>Evaluaci&oacute;n en teatro: Reflexiones desde las voces de los estudiantes</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Jean Carlos Gon&ccedil;alves<sup>i</sup></b></p>     <p>Universidade Federal do Paran&aacute;, Brasil</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este estudo, vinculado ao grupo de pesquisa "Linguagem e Educa&ccedil;&atilde;o", da Universidade Federal do Paran&aacute;, teve como objetivo compreender os discursos de alunos formandos de um curso superior de teatro sobre a avalia&ccedil;&atilde;o em processos de montagem teatral em uma universidade catarinense, sul do Brasil. Foram analisados os memoriais de forma&ccedil;&atilde;o em teatro, escritos no &uacute;ltimo semestre do curso, dos anos de 2007 e 2008. A an&aacute;lise foi realizada pela perspectiva dos estudos de Bakhtin e o C&iacute;rculo e apontou para diferentes sentidos de avalia&ccedil;&atilde;o docente, entre eles a rela&ccedil;&atilde;o entre processo e produto, foco deste artigo.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Avalia&ccedil;&atilde;o em teatro; Linguagem e educa&ccedil;&atilde;o; C&iacute;rculo de Bakhtin</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This study, linked to the research group "Language and Education", Federal University of Parana, aimed at understanding the discourse of senior students of a college of theater on the assessment process in the theatrical assembly in a university in Santa Catarina, southern Brazil. We analyzed the memorials of training in theater, written in the last half of the course, of the years 2007 and 2008. The analysis was performed by the prospect of studies of the Bakhtin Circle and pointed to different directions for the teacher assessment, including the relationship between process and product in education, focus of this article.</p>     <p><b>Keywords: </b>Assessment in theater; Language and education; Bakhtin Circle</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMEN</b></p>     <p>Este estudio, vinculado al grupo de investigaci&oacute;n "Lengua y Educaci&oacute;n", de la Universidad Federal de Paran&aacute;, ha tenido el objetivo de comprender los discursos de los estudiantes de lo &uacute;ltimo a&ntilde;o de un curso superior de teatro sobre el proceso de evaluaci&oacute;n en la producci&oacute;n de teatro universitario en una universidad de Santa Catarina, en el sur Brasil. Se analizaron los memoriales de la formaci&oacute;n en el teatro, escritos en el final del curso, de los a&ntilde;os 2007 y 2008. El an&aacute;lisis se realiz&oacute; por la perspectiva de los estudios del C&iacute;rculo de Bakhtin y se refiri&oacute; a diferentes instrucciones de la evaluaci&oacute;n docente, incluyendo la relaci&oacute;n entre el proceso y producto, enfoque de este art&iacute;culo.</p>     <p><b>Palabras-clave: </b>Evaluaci&oacute;n en teatro; Lengua y educaci&oacute;n; C&iacute;rculo de Bakhtin</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Esse texto prov&eacute;m de uma investiga&ccedil;&atilde;o no &acirc;mbito de um doutorado, na qual discuti a rela&ccedil;&atilde;o entre as vozes do teatro na educa&ccedil;&atilde;o e as vozes da educa&ccedil;&atilde;o no teatro, na perspectiva dos estudos enunciativos do C&iacute;rculo de Bakhtin. Uma das quest&otilde;es levantadas na pesquisa foi a complexidade da avalia&ccedil;&atilde;o de processos art&iacute;sticos, especificamente os teatrais.</p>     <p>Compreendo que educa&ccedil;&atilde;o, linguagem e teatro est&atilde;o imbricados, pois as tr&ecirc;s &aacute;reas t&ecirc;m umas a contribuir com as outras em diferentes sentidos. No caso dessa pesquisa, a linguagem contribui para reflex&otilde;es sobre a educa&ccedil;&atilde;o em teatro. &Eacute; a linguagem, neste trabalho, que possibilita a reflex&atilde;o sobre a avalia&ccedil;&atilde;o docente</p>     <p>Analisei, na ocasi&atilde;o, memoriais de forma&ccedil;&atilde;o em teatro, escritos no &uacute;ltimo semestre do curso de Bacharelado em Teatro-Interpreta&ccedil;&atilde;o, da Universidade Regional de Blumenau, em Santa Catarina, sul do Brasil. Os memoriais de forma&ccedil;&atilde;o em teatro s&atilde;o escritos pelos formandos do curso, se constituindo em documentos oficiais, nos quais acad&ecirc;micos falam de suas experi&ecirc;ncias com a montagem do espet&aacute;culo teatral de formatura, realizado como requisito para a diploma&ccedil;&atilde;o. Os memoriais s&atilde;o escritos com a orienta&ccedil;&atilde;o de um professor e apresentados para uma banca de defesa composta por pelo menos tr&ecirc;s docentes do curso.Escolhi para an&aacute;lise os memoriais dos anos de 2007 e 2008, pois estes foram os anos em que eu n&atilde;o estive nesta universidade, nem como aluno, nem como professor. Debrucei-me sobre os enunciados dos sujeitos, de forma a discutir diferentes sentidos para a educa&ccedil;&atilde;o em teatro no ensino superior, a partir de sua escrita.</p>     <p>Nesse artigo, a avalia&ccedil;&atilde;o &eacute; o foco da discuss&atilde;o e o <i>corpus</i> de an&aacute;lise &eacute; composto por dois dos memoriais analisados, um de cada ano, escrito sob condi&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o diferentes, pois cada uma das montagens teatrais foi dirigida por um professor diferente, o que deu aos espet&aacute;culos caracter&iacute;sticas est&eacute;ticas e linguagens de trabalho distintas.Para tanto, o objetivo desse artigo &eacute; compreender a avalia&ccedil;&atilde;o na esfera do ensino superior em teatro a partir dos enunciados presentes nos memoriais de forma&ccedil;&atilde;o escritos pelos acad&ecirc;micos discentes. Como objetivo espec&iacute;fico, busco aproxima&ccedil;&otilde;es entre educa&ccedil;&atilde;o, linguagem e teatro e suas implica&ccedil;&otilde;es para discuss&otilde;es sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre processo e produto na educa&ccedil;&atilde;o superior em artes.</p>     <p>O texto est&aacute; organizado em duas partes centrais: a primeira dedicada a algumas reflex&otilde;es sobre o pensamento bakhtiniano, teoria escolhida para a an&aacute;lise, e a segunda a olhar para os dados dialogando com a quest&atilde;o espec&iacute;fica da avalia&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. O pensamento bakhtiniano</b></p>     <p>As reflex&otilde;es oriundas dos estudos do C&iacute;rculo de Bakhtin v&ecirc;m adentrando cada vez mais o campo de conhecimento em educa&ccedil;&atilde;o. J&aacute; n&atilde;o se pensa mais a perspectiva de Bakhtin e seus pares como preciosidade da literatura ou da linguagem apenas. O principal interesse do C&iacute;rculo est&aacute; nas rela&ccedil;&otilde;es dial&oacute;gicas, e elas est&atilde;o em todos os movimentos de intera&ccedil;&atilde;o. A diversidade de vozes que constituem os enunciados dos sujeitos, sua heterogeneidade, a multiplicidade de sentidos e a pr&oacute;pria intera&ccedil;&atilde;o social s&atilde;o abordadas, na perspectiva bakhtiniana, como intr&iacute;nsecas ao ato de viver. Vive-se, logo, dialoga-se.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para Bakhtin/Voloshinov (2010), a palavra orienta-se em fun&ccedil;&atilde;o do interlocutor, e por esse motivo n&atilde;o pertence totalmente ao falante, pois sua materializa&ccedil;&atilde;o &eacute; dirigida a algu&eacute;m. Os sujeitos da enuncia&ccedil;&atilde;o est&atilde;o inseridos em um ambiente de inter-rela&ccedil;&atilde;o social dentro de um determinado contexto, e &eacute; esse contexto que vai definir a situa&ccedil;&atilde;o enunciativa. No caso dessa pesquisa, a materialidade analisada &eacute; constitu&iacute;da pelo produto da interlocu&ccedil;&atilde;o presente nos memoriais de forma&ccedil;&atilde;o em teatro, pois a partir do jogo de vozes que comp&otilde;em os memoriais dos alunos &eacute; poss&iacute;vel investigar in&uacute;meros sentidos do fazer c&ecirc;nico na universidade.</p>     <p>A palavra sempre procede de algu&eacute;m e se dirige a algu&eacute;m, e por isso serve de express&atilde;o para relacionar os sujeitos entre si. Atrav&eacute;s da palavra, defino-me em rela&ccedil;&atilde;o ao outro, isto &eacute;, em &uacute;ltima an&aacute;lise, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; coletividade. Bakhtin/Voloshinov (2010) defende que a palavra &eacute; uma esp&eacute;cie de ponte lan&ccedil;ada entre mim e os outros.</p>     <p>Em um processo de cria&ccedil;&atilde;o como o teatro, o definir-se em rela&ccedil;&atilde;o ao outro est&aacute; associado &agrave; pr&oacute;pria pr&aacute;tica art&iacute;stica desenvolvida em conjunto para que um espet&aacute;culo atinja objetivos, que v&atilde;o desde a qualidade t&eacute;cnica dos atores at&eacute; a aprecia&ccedil;&atilde;o da obra por parte do p&uacute;blico. A <i>coletividade</i>, no sentido amplo do termo, implica, necessariamente, intera&ccedil;&atilde;o e interlocu&ccedil;&atilde;o entre sujeitos, com um fim de produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica. Na universidade (e tamb&eacute;m em outros meios) esse movimento acontece em uma esfera que possui um car&aacute;ter educativo, carregando consigo as marcas de heterogeneidade enunciativa peculiar dessa esfera – caso dos enunciados que pretendem rememorar as pr&aacute;ticas teatrais que se encontram nos memoriais de forma&ccedil;&atilde;o em teatro.</p>     <p>Segundo Bakhtin/Voloshinov (2010), a linguagem &eacute; concebida a partir de um ponto de vista hist&oacute;rico, social e cultural, incluindo a comunica&ccedil;&atilde;o entre os sujeitos produtores da enuncia&ccedil;&atilde;o. Os sujeitos, socialmente organizados, interagem atrav&eacute;s de seus dizeres e produzem sentidos por meio deles. E, ao falar desse processo, enunciam tamb&eacute;m de um lugar de autoria que acaba sendo um ato de afirma&ccedil;&atilde;o de uma ou outra voz que os constituem. H&aacute; momentos em que o sujeito sinaliza essas vozes, as revela, e em outros n&atilde;o as cita, mas nem por isso livra-se do fato de seu enunciado ser produto da intera&ccedil;&atilde;o e do jogo de vozes enunciativas.</p>     <p>Esse texto tem como foco os enunciados que falam da forma como o professor participa dos processos de cria&ccedil;&atilde;o teatral. Seu olhar, sua voz, sua postura, sua presen&ccedil;a e suas opini&otilde;es n&atilde;o passam imunes nos enunciados dos acad&ecirc;micos. Embora os enunciados n&atilde;o se refiram &agrave; tem&aacute;tica da avalia&ccedil;&atilde;o docente diretamente, eles apontam para as trocas com o professor a partir do sentido de avalia&ccedil;&atilde;o da pr&aacute;tica teatral.</p>     <p>Para Brait (2009), os sujeitos da enuncia&ccedil;&atilde;o deixam marcas do lugar hist&oacute;rico e social de onde enunciam, de sua posi&ccedil;&atilde;o enunciativa; assim, d&atilde;o pistas ao seu interlocutor, e este vai produzindo tamb&eacute;m os sentidos que ser&atilde;o respons&aacute;veis pela constru&ccedil;&atilde;o de outros enunciados. Esse &eacute; o exerc&iacute;cio de an&aacute;lise proposto nesse trabalho.</p>     <p>Castro e Pican&ccedil;o (2008), ao escreverem sobre a contribui&ccedil;&atilde;o do C&iacute;rculo de Bakhtin para os estudos da linguagem na educa&ccedil;&atilde;o, principalmente no que se refere &agrave; quest&atilde;o da forma&ccedil;&atilde;o da subjetividade, sintetizam que, na perspectiva de Bakhtin e o C&iacute;rculo, "a nossa consci&ecirc;ncia &eacute; multivocal por excel&ecirc;ncia, pois desde o momento em que nascemos estamos o tempo todo absorvendo o discurso dos outros; isto &eacute;, a palavra do outro, o pensamento dos outros, seus costumes e valores" (p. 58). Assim, as vozes dos outros s&atilde;o respons&aacute;veis por formar na consci&ecirc;ncia do sujeito um emaranhado de valores axiol&oacute;gicos e experi&ecirc;ncias que s&atilde;o acionadas o tempo todo, durante as intera&ccedil;&otilde;es, mesmo que em muitos momentos j&aacute; n&atilde;o se reconhe&ccedil;a a origem primeira dos enunciados. Os autores apontam ainda para a subjetividade como uma <i>fonte de refer&ecirc;ncia</i> dos lugares pelos quais o sujeito passou, do tempo em que viveu, das suas possibilidades econ&ocirc;micas e do contato intelectual que vivenciou. Esse processo est&aacute; relacionado com a realidade desta pesquisa por propiciar a integra&ccedil;&atilde;o da linguagem com o teatro e a educa&ccedil;&atilde;o; e tamb&eacute;m sintonizado com a tem&aacute;tica proposta nesse artigo, por possibilitar a an&aacute;lise da rela&ccedil;&atilde;o <i>professor x aluno</i> em processos avaliativos como uma rela&ccedil;&atilde;o de valores, axiol&oacute;gica. A rela&ccedil;&atilde;o avaliativa &eacute;, desse modo tamb&eacute;m, uma rela&ccedil;&atilde;o dial&oacute;gica. Rela&ccedil;&atilde;o permeada por jogos de for&ccedil;a e pelas vozes de autoridade que se encontram em meio &agrave; multivocalidade da sala de aula de teatro. Espa&ccedil;o este que abarca desde os pressupostos do campo educacional at&eacute; aos art&iacute;sticos, e no qual os sujeitos interagem como sujeitos de educa&ccedil;&atilde;o e sujeitos do fazer teatral.</p>     <p>Essa pesquisa pretende, desse modo, contribuir para o campo da educa&ccedil;&atilde;o por meio de reflex&otilde;es sobre a avalia&ccedil;&atilde;o em processos art&iacute;sticos. Embora as an&aacute;lises sejam oriundas de condi&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o teatrais, as discuss&otilde;es podem ser tamb&eacute;m ampliadas para a &aacute;rea de artes, na qual a rela&ccedil;&atilde;o entre processo e produto &eacute; sempre um fio de tens&atilde;o a ser considerado, permeando a intera&ccedil;&atilde;o entre professor e aluno.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. Avalia&ccedil;&atilde;o em cena</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Como a esfera de produ&ccedil;&atilde;o enunciativa &eacute; a universit&aacute;ria, um acordo necess&aacute;rio com o leitor &eacute; o fato de que as vozes tanto da educa&ccedil;&atilde;o como do pr&oacute;prio teatro encontram-se misturadas nos dizeres dos sujeitos. A esses sujeitos nomino de alunos-atores, pois enunciam de um lugar que &eacute; escolar e tamb&eacute;m art&iacute;stico, ora como alunos ora como atores de teatro. Vale ressaltar que o Projeto Pedag&oacute;gico do Curso de Bacharelado em Teatro-Interpreta&ccedil;&atilde;o desta universidade catarinense prev&ecirc;, na ementa da disciplina Pr&aacute;tica de Montagem (na qual os memoriais s&atilde;o escritos), que a mesma implica a montagem de um espet&aacute;culo teatral, sob a supervis&atilde;o de um professor. Da mesma forma, o professor tamb&eacute;m n&atilde;o escapa de uma dualidade de fun&ccedil;&otilde;es, a de professor e tamb&eacute;m a de diretor teatral, pois ele est&aacute; &agrave; frente de um processo c&ecirc;nico. O primeiro enunciado a ser analisado j&aacute; cont&eacute;m alguns desses sentidos para a avalia&ccedil;&atilde;o:</p>     <p>    <blockquote>Utilizando o contexto do espet&aacute;culo "A Vida &eacute; Sonho", a din&acirc;mica da minha personagem e o olhar externo do professor, criei, com a seq&uuml;&ecirc;ncia que relatei anteriormente, a primeira cena do rei na pe&ccedil;a, que &eacute; sua entrada no espa&ccedil;o do or&aacute;culo (Memorial 1, p. 27).</blockquote></p>     <p>Esse enunciado sinaliza para considera&ccedil;&otilde;es sobre a intera&ccedil;&atilde;o, no sentido da import&acirc;ncia da participa&ccedil;&atilde;o do professor como observador da a&ccedil;&atilde;o, como olhar quase que cl&iacute;nico sobre a cria&ccedil;&atilde;o c&ecirc;nica. O acad&ecirc;mico est&aacute; a falar de um momento do processo criativo, portanto, do processo de trabalho c&ecirc;nico. Quando ele fala do professor como algu&eacute;m que olha de fora, que est&aacute; em um lugar externo e n&atilde;o dentro da a&ccedil;&atilde;o como co-participante do que est&aacute; sendo criado, h&aacute; tamb&eacute;m o sentido de uma voz apta a avaliar, a julgar os processos. &Eacute; recorrente na pr&aacute;tica teatral a presen&ccedil;a de um diretor de cena, isto &eacute;, a fun&ccedil;&atilde;o do professor &eacute; a de dire&ccedil;&atilde;o, mas ele n&atilde;o sai do lugar de professor para assumir o lugar de dire&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o dois lugares, duas posi&ccedil;&otilde;es, assumidos pelo mesmo sujeito.</p>     <p>O aluno fala, num primeiro momento, que a partir desse <i>olhar externo do professor</i> ele consegue criar a primeira cena de sua personagem, mas atribui a sua cria&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m ao <i>contexto do espet&aacute;culo</i> e &agrave; pr&oacute;pria <i>din&acirc;mica da personagem</i>. Bakhtin atribuiria a esse olhar mais um jogo de vozes. O aluno silencia quais s&atilde;o as opini&otilde;es e as sugest&otilde;es do professor, resumindo a participa&ccedil;&atilde;o docente ao seu <i>olhar externo</i>. A constitui&ccedil;&atilde;o vocal, que nesse caso &eacute; a cria&ccedil;&atilde;o de uma cena, acontece em uma <i>atmosfera heterog&ecirc;nea</i>, que Faraco (2009) aponta como um espa&ccedil;o em que "se pode observar a din&acirc;mica do processo de intera&ccedil;&atilde;o das vozes sociais" (p. 61). H&aacute; possibilidades de discuss&atilde;o, inclusive sobre a autoria da cena. Quem &eacute; o criador do trabalho? Quem tem m&eacute;ritos quanto ao material criativo que vai para a cena? Em Bakhtin (2006), a autoria &uacute;nica &eacute;, na verdade, imposs&iacute;vel, pois somos constitu&iacute;dos por diferentes vozes, num emaranhado de valores, axiologias, opini&otilde;es, sugest&otilde;es, julgamentos, que juntos formam uma arena conflituosa – arena que, nesta pesquisa, &eacute; o pr&oacute;prio ato da cria&ccedil;&atilde;o c&ecirc;nica. Pelo enunciado do sujeito, tal cria&ccedil;&atilde;o acontece sob os olhos atentos do professor, sob sua condu&ccedil;&atilde;o, &eacute; pelo filtro da capacidade de julgamento pedag&oacute;gico do professor e sob sua aprova&ccedil;&atilde;o que a personagem acontece, aparece, &eacute; criada. A autoria c&ecirc;nica &eacute;, ent&atilde;o, compartilhada. O professor de teatro, ao avaliar, auxilia o aluno a criar sua personagem. Surge a&iacute; um sentido para a avalia&ccedil;&atilde;o no processo teatral: o compartilhar da autoria.</p>     <p>Bakhtin, ao falar sobre o funcionamento da cadeia enunciativa, nos leva a refletir que existem algumas formas evidentes, a partir das quais podemos compreender uma situa&ccedil;&atilde;o dial&oacute;gica. O <i>dialogismo</i> consiste na intera&ccedil;&atilde;o com o outro e nas vozes que constituem essa intera&ccedil;&atilde;o. Muitas vezes essas vozes podem ser sutis, e outras vezes elas aparecem de forma evidente, como em discuss&otilde;es e pol&ecirc;micas. Para o autor, o dialogismo implica "A confian&ccedil;a na palavra do outro, a aceita&ccedil;&atilde;o reverente (a palavra autorit&aacute;ria), o aprendizado, as buscas e a obriga&ccedil;&atilde;o do sentido abissal, a <i>concord&acirc;ncia</i>, suas eternas fronteiras e matizes (mas n&atilde;o limita&ccedil;&otilde;es l&oacute;gicas nem ressalvas meramente objetais), sobreposi&ccedil;&otilde;es do sentido sobre o sentido, da voz sobre a voz, intensifica&ccedil;&atilde;o pela fus&atilde;o (mas n&atilde;o identifica&ccedil;&atilde;o), combina&ccedil;&atilde;o de muitas vozes (um corredor de vozes), a compreens&atilde;o que completa, a sa&iacute;da para al&eacute;m dos limites do compreens&iacute;vel, etc." (Bakhtin, 2006, p. 327). Essas rela&ccedil;&otilde;es n&atilde;o podem ser reduzidas nem a rela&ccedil;&otilde;es l&oacute;gicas nem a rela&ccedil;&otilde;es objetais. Aqui se encontram posi&ccedil;&otilde;es <i>integrais</i>, pessoas inteiras, e, portanto, vozes. Por isso, ao analisar enunciados de um sujeito sobre processos educacionais, &eacute; preciso considerar que esse jogo de vozes est&aacute; presente na intera&ccedil;&atilde;o entre professor e aluno. No caso do enunciado analisado, mesmo que o sujeito escreva que o professor n&atilde;o participa efetivamente da a&ccedil;&atilde;o, a n&atilde;o ser com sua observa&ccedil;&atilde;o, seu olhar, sua dire&ccedil;&atilde;o, a  rela&ccedil;&atilde;o com o pr&oacute;prio sentido do ato criativo j&aacute; &eacute; dial&oacute;gica, pois presume que h&aacute; algu&eacute;m respons&aacute;vel pela cena: o professor.</p>     <p>Para Desgranges (2006), "Costuma-se dizer que quando o coordenador do processo [teatral] entra no jogo, perde o olhar exterior, mas se todos os membros do grupo jogam, por que n&atilde;o ele?" (p. 98). Essa pergunta permite a sugest&atilde;o de que um professor observador, que se posiciona como plat&eacute;ia e observa seus alunos em trabalho, pode estabelecer uma rela&ccedil;&atilde;o dial&oacute;gica de autoridade, n&atilde;o por uma voz aud&iacute;vel, mas por uma postura enunciativa sutil, associada &agrave; palavra interiormente persuasiva, da qual fala Bakhtin. Autoridade que lhe &eacute; atribu&iacute;da pelo pr&oacute;prio contexto universit&aacute;rio, e tamb&eacute;m por sua posi&ccedil;&atilde;o no processo teatral. Desgranges (2006) ainda contribui para essa reflex&atilde;o, trazendo a seguinte afirma&ccedil;&atilde;o: "O respeito &agrave;s cria&ccedil;&otilde;es do grupo, contudo, n&atilde;o significa que o coordenador n&atilde;o possa intervir e sugerir outro rumo quando achar necess&aacute;rio" (p. 98). Compreender tal rela&ccedil;&atilde;o &eacute; fundamental para a educa&ccedil;&atilde;o em teatro. A pr&aacute;tica teatral implica processos criativos, possibilidade do surgimento de novas autorias, est&eacute;ticas e maneiras de conceber a cena. A interfer&ecirc;ncia cr&iacute;tica do professor, seja em palavras ou apenas na maneira de olhar e de analisar o que o aluno est&aacute; realizando em cena, precisa estar aliada a um modelo participativo de exerc&iacute;cio pedag&oacute;gico, no qual o professor seja mais um participante do todo, mais um integrante da cria&ccedil;&atilde;o c&ecirc;nica.</p>     <p>Viola Spolin (2006), ao discutir a autoridade docente e a aprova&ccedil;&atilde;o/desaprova&ccedil;&atilde;o que passa pela rela&ccedil;&atilde;o aluno x professor no teatro, chama a aten&ccedil;&atilde;o para que pensemos a pedagogia da cena com certas particularidades: "A expectativa de julgamento impede um relacionamento livre nos trabalhos de atua&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, o professor n&atilde;o pode julgar o bom ou o mau pois que n&atilde;o existe uma maneira absolutamente certa ou errada para solucionar um problema" (p. 7). A autora, ao discutir os processos de avalia&ccedil;&atilde;o, aponta para uma importante quest&atilde;o que se aplica a todas as artes, que deve ser considerada pelo professor-artista:</p>     <p>    <blockquote>o professor, com um passado rico em experi&ecirc;ncias, pode conhecer uma centena de maneiras diferentes para solucionar um determinado problema, e o aluno pode aparecer com a forma cento e um que o professor at&eacute; ent&atilde;o n&atilde;o tinha pensado. Isto &eacute; particularmente v&aacute;lido nas artes. (Spolin, 2006, p. 7)</blockquote></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Como o processo art&iacute;stico est&aacute; tamb&eacute;m relacionado &agrave; autoria e, portanto, ao novo como parte das cria&ccedil;&otilde;es, cabe ao professor estar atento ao que ele mesmo pode descobrir durante o trabalho com seus alunos-artistas.</p>     <p>Para prosseguir nesta discuss&atilde;o, retomo um enunciado a partir do qual &eacute; poss&iacute;vel ampli&aacute;-la: "As aulas de Treinamento se deram de forma din&acirc;mica, agrad&aacute;vel, um lugar onde n&atilde;o h&aacute; o certo e errado (Memorial 2, p. 41)".</p>     <p>Sou sujeito da escola, sujeito que aprende que &eacute; preciso ter notas boas, ser bem avaliado, ser bom no que se faz (Spolin, 2006). &Eacute; na escola que eu, sujeito, aprendo que &eacute; o professor quem julga, estabelece conceitos, atribui notas, e por isso o certo e o errado permeiam a vida escolar. Como se explica, ent&atilde;o, que no enunciado acima a aula seja enunciada como um lugar onde n&atilde;o h&aacute; o certo e o errado? Explica-se, pois estas s&atilde;o vozes da educa&ccedil;&atilde;o que circulam socialmente no campo teatral, principalmente no que diz respeito &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o. Vozes do teatro e da educa&ccedil;&atilde;o que se misturam, pois mesmo esta montagem est&aacute; sendo realizada em um contexto educacional, uma universidade.</p>     <p>O que &eacute; o certo e o errado numa cena teatral? Como avaliar sem que tal ato passe por escolhas est&eacute;ticas do pr&oacute;prio professor, ou por direcionamentos pessoais com rela&ccedil;&atilde;o a diferentes linhas de trabalho c&ecirc;nico? O que est&aacute; em jogo quando h&aacute; que se avaliar um processo de cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica que, mesmo objetivando um fim, assume-se sempre como inacabado, inclusive ap&oacute;s v&aacute;rias apresenta&ccedil;&otilde;es diante do p&uacute;blico? Cabral (2002), ao discutir a avalia&ccedil;&atilde;o no ensino de teatro, fala que a autonomia do aluno acaba por redefinir os procedimentos tradicionais de avalia&ccedil;&atilde;o. A autora aborda que a avalia&ccedil;&atilde;o do desempenho do aluno em teatro est&aacute; na pr&oacute;pria dimens&atilde;o art&iacute;stica do teatro. A experi&ecirc;ncia teatral torna-se relevante educacionalmente por propiciar linguagens, gestos e possibilidades de engajamento tanto pessoal quanto emocional e que tem no encontro com o outro seu fundamento. Assim, o professor acaba valorizando o processo em detrimento do resultado final, ou produto.</p>     <p>Acontece que a avalia&ccedil;&atilde;o do processo depende do material criativo que foi atingido at&eacute; ent&atilde;o. Como avaliar sem olhar para o material art&iacute;stico criado? O pr&oacute;prio processo &eacute; c&ecirc;nico e, portanto, feito de cenas que v&atilde;o sendo criadas. H&aacute; uma mostra de processo, n&atilde;o finalizada. Mas h&aacute; como dizer que um espet&aacute;culo pronto esteja realmente pronto quando se fala de teatro? O teatro tem uma peculiaridade com rela&ccedil;&atilde;o a outras artes: sua efemeridade, seu ato que &eacute; sempre irrepet&iacute;vel. Cada vez que a cena &eacute; apresentada, j&aacute; &eacute; outro momento, o que marca sua instabilidade e, portanto, sua possibilidade de alteridade (Bakhtin, 2006). Neste ponto, alguns outros enunciados dos sujeitos dialogam com esta quest&atilde;o:</p>     <p>    <blockquote>Al&eacute;m dos apontamentos individuais [a professora] sugeriu que trabalh&aacute;ssemos a evolu&ccedil;&atilde;o das cenas, os momentos de passagem de uma para outra. Que todo o elenco fa&ccedil;a os sons iniciais, tanto das cenas do pr&oacute;logo quanto da entrada de Rosaura. Observa que o espet&aacute;culo est&aacute; totalmente sem ritmo e frio, possui momentos bonitos, mas que podem melhorar muito (Memorial 1, p. 32).</p>     <p>Como j&aacute; hav&iacute;amos pesquisado os sons do grupo Barbatuque, criamos a partir deles os sons do pr&oacute;logo. Mostramos ao professor que nos fez novas proposi&ccedil;&otilde;es (Memorial 1, p. 34).</p>     <p>Em uma das aulas de Interpreta&ccedil;&atilde;o, quando mostramos a cena 2 (Rosaura e Clarin caminhando antes de chegar &agrave; torre de Segismundo) para a professora, ela nos prop&ocirc;s a cria&ccedil;&atilde;o de sons vocais para estabelecer o clima de procura instaurado pelas personagens desta cena (Memorial 1, p. 35).</blockquote></p>     <p>No primeiro enunciado h&aacute; uma sugest&atilde;o da professora com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; cena a ser criada. E logo em seguida ela "observa que o espet&aacute;culo est&aacute; totalmente sem ritmo e frio, possui momentos bonitos, mas que podem melhorar muito". A dimens&atilde;o aqui &eacute; avaliativa, mesmo que n&atilde;o se fale de atribui&ccedil;&atilde;o de notas ou de pareceres formais. H&aacute; uma avalia&ccedil;&atilde;o ligada &agrave; voz docente, &agrave; maneira como a professora faz suas observa&ccedil;&otilde;es. S&atilde;o observa&ccedil;&otilde;es sobre etapas do processo. Etapas de um espet&aacute;culo em constru&ccedil;&atilde;o. Por&eacute;m, mesmo que n&atilde;o haja o compromisso de acertar ou errar, &eacute; necess&aacute;rio montar o espet&aacute;culo e coloc&aacute;-lo diante do p&uacute;blico, e para que isso aconte&ccedil;a as cenas precisam "melhorar muito". Poder&iacute;amos dizer que h&aacute;, ent&atilde;o, o certo e o errado no tocante &agrave; encena&ccedil;&atilde;o pronta? Se &eacute; preciso melhorar, at&eacute; onde se deve chegar?</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Cabral (2002), ao discutir a dicotomia <i>processo x produto</i>, fala que a avalia&ccedil;&atilde;o de produtos parciais destoa da corrente contextualista no ensino de arte e, ao mesmo tempo, acaba impossibilitando uma avalia&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio teatro:</p>     <p>    <blockquote>(...) ao fazer teatro, a aprendizagem &eacute; em teatro – o tema ou o assunto n&atilde;o seria o mesmo se a forma art&iacute;stica fosse outra. Sem o conhecimento das formas e conven&ccedil;&otilde;es teatrais &eacute; improv&aacute;vel que os alunos possam se beneficiar deste processo de aprendizagem (p. 214).</blockquote></p>     <p>&Eacute; a forma art&iacute;stica que viabiliza a express&atilde;o e a comunica&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos em teatro. Para a autora,</p>     <p>    <blockquote>quanto melhor o aluno conhecer a forma art&iacute;stica, melhor ser&aacute; sua aproxima&ccedil;&atilde;o ao assunto em foco (...). Assim, se a expectativa &eacute; que os alunos aprendam ao fazer teatro, o objeto de avalia&ccedil;&atilde;o deve ser teatro. Ao formular objetivos expressivos, o professor est&aacute; abrindo espa&ccedil;o para a <i>performance</i> pessoal e original do aluno, que ser&aacute; a base da avalia&ccedil;&atilde;o (Cabral, 2002, p. 214).</blockquote></p>     <p>Pelos outros recortes enunciativos, essa reflex&atilde;o pode ser ampliada. Em "Mostramos ao professor que nos fez novas proposi&ccedil;&otilde;es" e em "(...) quando mostramos a cena 2 para a professora, ela nos prop&ocirc;s a cria&ccedil;&atilde;o de sons vocais", o ato de mostrar as cenas aos professores parece natural dentro do processo teatral. Parece uma pr&aacute;tica recorrente no percurso da montagem do espet&aacute;culo. Existe outra forma de di&aacute;logo entre a cena que est&aacute; sendo criada e o professor que n&atilde;o a sua apresenta&ccedil;&atilde;o? Existe possibilidade de dialogar com a cena por outra via que n&atilde;o a pr&oacute;pria cena?</p>     <p>Chamo a aten&ccedil;&atilde;o para a presen&ccedil;a da responsividade, discutida por Bakhtin (2006). Ela acontece no ato de mostrar a cena ao professor. Sempre que o sujeito enuncia que o material criativo foi mostrado aos professores, h&aacute; como resposta outra proposta desses professores, uma contrapartida para que o trabalho continue. A atitude responsiva acontece de forma a que possibilite o di&aacute;logo entre a cena e o professor. Entretanto, mesmo que o sujeito enuncie que as interfer&ecirc;ncias docentes acontecem em meio a proposi&ccedil;&otilde;es e sugest&otilde;es, h&aacute; vozes de avalia&ccedil;&atilde;o, pois os encaminhamentos se d&atilde;o no intuito de que o trabalho melhore.</p>     <p>Mesmo que, nesse artigo, o foco seja a avalia&ccedil;&atilde;o docente em teatro, h&aacute; como p&ocirc;r em discuss&atilde;o que, se o espet&aacute;culo vai a p&uacute;blico, o professor tamb&eacute;m est&aacute; sendo avaliado por seu trabalho, o que difere a avalia&ccedil;&atilde;o em teatro de outros campos educacionais. H&aacute; um interesse comum de que o espet&aacute;culo seja apreciado de forma positiva por parte dos espectadores. E esta avalia&ccedil;&atilde;o &eacute; imediata, tendo como resultado o aplauso. Uma outra avalia&ccedil;&atilde;o, que fica nesse artigo apenas como provoca&ccedil;&atilde;o a se pensar a complexidade da tem&aacute;tica para a educa&ccedil;&atilde;o em teatro.</p>     <p>Em pesquisa sobre a avalia&ccedil;&atilde;o em teatro, Meneghel e Delagnolo (2010) consideram que "Os instrumentos de avalia&ccedil;&atilde;o mais utilizados s&atilde;o: <i>provas pr&aacute;ticas</i>, atentando para performance (compreendida como capacidade de um desempenho determinado, em disciplinas como interpreta&ccedil;&atilde;o e improvisa&ccedil;&atilde;o teatral) e <i>provas te&oacute;ricas</i> (quest&otilde;es dissertativas e objetivas)" (p. 110). O car&aacute;ter pr&aacute;tico da avalia&ccedil;&atilde;o em teatro tamb&eacute;m deve ser considerado. O desafio, ent&atilde;o, consiste em discutir como avaliar uma pr&aacute;tica teatral sem que ela seja efetivamente realizada, ou seja, sem que ela se transforme, necessariamente, em produto. A rela&ccedil;&atilde;o entre processo e produto parece, aqui, imbricada, o que faz com que a educa&ccedil;&atilde;o em arte seja colocada em um cruzamento de valores axiol&oacute;gicos, que s&oacute; pode ser resolvido de forma dial&oacute;gica, na rela&ccedil;&atilde;o professor x aluno. As autoras ainda ponderam o fato de que</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>    <blockquote>Uma das peculiaridades da avalia&ccedil;&atilde;o em Teatro existe no fato das provas pr&aacute;ticas, em geral, serem feitas em grupo, o que lhes confere alto grau de complexidade como instrumento avaliativo, por permitirem apontar n&atilde;o s&oacute; desempenho individual, mas tamb&eacute;m a capacidade de contribuir/interagir com o grupo, nas mais variadas situa&ccedil;&otilde;es (Meneghel &amp; Delagnolo, 2010, p. 110).</blockquote></p>     <p>A pr&aacute;tica teatral que est&aacute; em jogo na montagem de um espet&aacute;culo n&atilde;o &eacute; individual e, por sua vez, a avalia&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m n&atilde;o, dando espa&ccedil;o &agrave; complexidade sinalizada na cita&ccedil;&atilde;o acima. Cabe ao professor, ent&atilde;o, n&atilde;o somente a orienta&ccedil;&atilde;o dos processos, mas a atribui&ccedil;&atilde;o de notas; cabe ao professor aprovar ou reprovar os alunos inclusive nas disciplinas pr&aacute;ticas, como &eacute; o caso da Pr&aacute;tica de Montagem. As vozes da educa&ccedil;&atilde;o est&atilde;o, portanto, impregnadas na pr&aacute;tica teatral universit&aacute;ria, o que faz com que os sujeitos, ao enunciarem sobre seus processos de cria&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o desvinculem seus dizeres do fato de estarem sendo avaliados num contexto que &eacute;, antes de teatral, educacional.</p>     <p>A avalia&ccedil;&atilde;o em teatro tamb&eacute;m precisa lidar, assim, com outro aspecto a ser considerado: a avalia&ccedil;&atilde;o em grupo. Claro que o fato de os trabalhos serem realizados em grupo em primeira inst&acirc;ncia pode ser relacionado ao pr&oacute;prio conceito de equipe na comunidade escolar. Tarefas realizadas em equipe fazem parte de diferentes contextos de escolariza&ccedil;&atilde;o, mas o caso do teatro tem seu diferencial, pois praticamente tudo no fazer teatral &eacute; compartilhado. A no&ccedil;&atilde;o de grupo dialoga, assim, com o pr&oacute;prio conceito de Teatro de Grupo, que, embora se movimente por diferentes deslocamentos enunciativos, est&aacute; quase sempre aliado &agrave; divis&atilde;o de responsabilidades. Avaliar um grupo de teatro, ou uma cena realizada por um grupo, torna-se, ent&atilde;o, uma dif&iacute;cil tarefa para o professor, pois, al&eacute;m de toda a subjetividade intr&iacute;nseca aos processos c&ecirc;nicos, &eacute; necess&aacute;rio olhar o grupo e, ao mesmo tempo, as individualidades dos sujeitos que o integram. Avaliar o processo em detrimento do produto est&aacute;, j&aacute;, em uma aloca&ccedil;&atilde;o t&atilde;o subjetiva quanto movedi&ccedil;a e, ainda assim, h&aacute; que se considerar o trabalho do sujeito com rela&ccedil;&atilde;o ao seu grupo e, mais ainda, a rela&ccedil;&atilde;o do que est&aacute; sendo criado cenicamente com a expectativa do julgamento do p&uacute;blico.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&otilde;es</b></p>     <p>Esse artigo visa contribuir para os estudos de educa&ccedil;&atilde;o em teatro de forma a que as quest&otilde;es apresentadas aqui possibilitem reflex&otilde;es sobre a avalia&ccedil;&atilde;o em tal contexto. Uma avalia&ccedil;&atilde;o da qual o pr&oacute;prio contexto n&atilde;o escapa por ser uma esfera educacional. Embora a avalia&ccedil;&atilde;o tenha m&eacute;ritos de co-autoria do material c&ecirc;nico criado, sua concretiza&ccedil;&atilde;o torna-se quase inating&iacute;vel sob o ponto de vista de conceitos e notas "justas".</p>     <p>Em teatro, a melhor forma de avalia&ccedil;&atilde;o acontece em meio ao di&aacute;logo. E &eacute; a&iacute; que sugiro uma avalia&ccedil;&atilde;o bakhtiniana. N&atilde;o na perspectiva de uma avalia&ccedil;&atilde;o em concord&acirc;ncia e amabilidade entre os sujeitos apenas, mas uma avalia&ccedil;&atilde;o dial&oacute;gica que acontece tamb&eacute;m entre conflitos, embates vocais, dissens&otilde;es e dificuldades de relacionamento, tanto entre o grupo e seu professor, quanto entre os pr&oacute;prios alunos-atores.</p>     <p>Embora os sujeitos enunciem que mostram os processos de cria&ccedil;&atilde;o aos professores, suas cenas inacabadas, insisto em defender o fato de que a avalia&ccedil;&atilde;o em teatro &eacute; sempre inacabada, pela pr&oacute;pria peculiaridade viva da cena, que, mesmo depois de "pronta", sofre altera&ccedil;&otilde;es e &eacute; avaliada de outras formas.</p>     <p>Outra reflex&atilde;o apontada por esse estudo, e que pode vir a ser explorada, &eacute; a avalia&ccedil;&atilde;o &agrave; qual o professor tamb&eacute;m &eacute; submetido. A cena que ele ajuda a criar, que ele dirige, ao ser apresentada passa por outros tipos de avalia&ccedil;&atilde;o: do p&uacute;blico, da pr&oacute;pria institui&ccedil;&atilde;o, de outros alunos do mesmo curso, de outras universidades... A alteridade do professor, ao avaliar e ao ser avaliado, implica diferentes posi&ccedil;&otilde;es a serem ocupadas de forma alternada na sua rela&ccedil;&atilde;o com a cena, rela&ccedil;&atilde;o esta que acontece, j&aacute;, a partir da ocupa&ccedil;&atilde;o de, no m&iacute;nimo, duas posi&ccedil;&otilde;es diferentes: a de professor e a de diretor c&ecirc;nico.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A avalia&ccedil;&atilde;o em grupo possui tamb&eacute;m seu car&aacute;ter subjetivo pois n&atilde;o se trata somente de verificar o conhecimento do grupo, mas o crescimento e evolu&ccedil;&atilde;o individual de cada sujeito participante do ato criativo.</p>     <p>Tais quest&otilde;es n&atilde;o t&ecirc;m resposta "certa" ou "errada" nesse artigo, mas ficam como provoca&ccedil;&otilde;es para al&eacute;m do universo educacional do teatro, j&aacute; que a complexidade da avalia&ccedil;&atilde;o tem sido alvo de reflex&atilde;o em diferentes contextos educacionais e em diferentes &aacute;reas de conhecimento. Sendo assim, esse texto assume-se como processo, e n&atilde;o como produto, pois as quest&otilde;es levantadas aqui estar&atilde;o, no encontro com o leitor, novamente em di&aacute;logo e, como di&aacute;logo, t&ecirc;m o inacabamento como premissa fundamental.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Bakhtin, M. (2006). <i>Est&eacute;tica da cria&ccedil;&atilde;o verbal</i> (4&ordf; ed.). S&atilde;o Paulo: Ed Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000087&pid=S0871-9187201400010000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bakhtin, M. (Voloshinov,V.N.) (2010). <i>Marxismo e filosofia da linguagem: Problemas fundamentais do m&eacute;todo sociol&oacute;gico na ci&ecirc;ncia da linguagem</i> (14&ordf; ed.). S&atilde;o Paulo: Hucitec.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000089&pid=S0871-9187201400010000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Brait, B. (2009). <i>Bakhtin: Dialogismo e polifonia</i>. S&atilde;o Paulo: Editora Contexto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000091&pid=S0871-9187201400010000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Cabral, B. (2002). Avalia&ccedil;&atilde;o em teatro: Implica&ccedil;&otilde;es, problemas e possibilidades. <i>Sala Preta, 2</i>, 213-220.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000093&pid=S0871-9187201400010000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Castro, G., &amp; Pican&ccedil;o, D. (2008). Dos parcos resultados da educa&ccedil;&atilde;o lingu&iacute;stica no Brasil e da import&acirc;ncia das rela&ccedil;&otilde;es entre sujeito e linguagem. In M. Schmidt et al., <i>Di&aacute;logos e perspectivas de investiga&ccedil;&atilde;o</i>. Iju&iacute;: UNIJU&Iacute;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000095&pid=S0871-9187201400010000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</p>     <!-- ref --><p>Desgranges, F. (2006). <i>Pedagogia do teatro: Provoca&ccedil;&atilde;o e dialogismo</i>. S&atilde;o Paulo: Hucitec.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000097&pid=S0871-9187201400010000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Faraco, C. A. (2009). <i>Linguagem e di&aacute;logo: As id&eacute;ias lingu&iacute;sticas do C&iacute;rculo de Bakhtin</i>. S&atilde;o Paulo: Par&aacute;bola Editorial.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000099&pid=S0871-9187201400010000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Meneghel, S., &amp; Delagnolo, D. (2010). Avalia&ccedil;&atilde;o de cursos superiores de m&uacute;sica e teatro-interpreta&ccedil;&atilde;o: Desafios para uma pr&aacute;tica emancipat&oacute;ria. <i>Dynamis - Revista T&eacute;cnico-Cient&iacute;fica, 13</i>(1), 101-112.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000101&pid=S0871-9187201400010000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Spolin, V. (2006). <i>Improvisa&ccedil;&atilde;o para o teatro</i>. S&atilde;o Paulo: Perspectiva.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000103&pid=S0871-9187201400010000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Recebido em junho/2012</i></p>     <p><i>Aceite para publica&ccedil;&atilde;o em outubro/2013</i></p>      ]]></body><back>
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