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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>EDITORIAL</b></p>     <p><b>Editorial</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Maria Alfredo Moreira e Maria José Casa-Nova</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>O primeiro n&uacute;mero de 2015 da Revista Portuguesa de Educa&ccedil;&atilde;o continua a acolher uma variedade de estudos no campo das ci&ecirc;ncias da educa&ccedil;&atilde;o e que v&atilde;o desde textos na educa&ccedil;&atilde;o em ci&ecirc;ncias, na educa&ccedil;&atilde;o matem&aacute;tica e na educa&ccedil;&atilde;o de inf&acirc;ncia, aos usos e potencialidades das tecnologias educativas, quer no apoio a alunos com Necessidades Educativas Especiais, quer na perspetiva das crian&ccedil;as utilizadoras ou ainda na cria&ccedil;&atilde;o de uma outra cultura digital. Acolhe ainda textos na &aacute;rea da forma&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua de professores e no &acirc;mbito do ensino superior.</p>     <p>O n&uacute;mero inicia com as tecnologias educativas e o seu papel na escola e na sociedade digital, apresentando-nos tr&ecirc;s textos sobre esta tem&aacute;tica. O primeiro texto, de M&oacute;nica Mar&iacute;a L&oacute;pez Gil e F&eacute;lix Angulo Rasco, intitulado &ldquo;Sonorona o el rizoma de la cultura digital: un estudio de caso&rdquo;, prop&otilde;e-nos uma reflex&atilde;o e reconceptualiza&ccedil;&atilde;o do conceito de cultura digital, com base num estudo do caso de uma <i>blogger</i> e <i>YouTuber</i> popular entre a juventude espanhola. A cultura digital e tecnol&oacute;gica actual n&atilde;o muda apenas o modo como adquirimos a informa&ccedil;&atilde;o e conhecimento e como nos relacionamos uns com os outros; ela confere novos matizes &agrave; identidade pessoal e social dos sujeitos, o que leva a autora e o autor a propor a no&ccedil;&atilde;o de rizoma (a partir da concetualiza&ccedil;&atilde;o de Gilles Deleuze e F&eacute;lix Guattari), aplicada &agrave; carateriza&ccedil;&atilde;o da atual cultura digital dos jovens. A cultura digital n&atilde;o rompe com outras culturas audiovisuais, escritas, ou orais, mas antes as amplia e potencia, introduzindo outras matizes a processos complexos como a constru&ccedil;&atilde;o da identidade, comunica&ccedil;&atilde;o e constru&ccedil;&otilde;es cognitivas, o que faz com que o autor e a autora afirmem que a cultura digital &eacute; <i>uma outra forma</i> <i>de viver </i>que apelidam de rizom&aacute;tica. Ela permite-nos estar constantemente a estabelecer novas rela&ccedil;&otilde;es sociais, verticais e horizontais, a criar novos ramos e ra&iacute;zes, sem um centro ou um tronco comum, algo que confira estabilidade e imutabilidade. Este conceito, de cultura digital rizom&aacute;tica, desafia modos tradicionais de pensar a identidade dos sujeitos, na medida em que, e baseando-se no caso de uma jovem de 22 anos (Mar&iacute;a), ela permite a pessoas como Mar&iacute;a tornar-se Sonorona, sem deixar de ser Mar&iacute;a, ou seja, transmutar-se <i>numa outra forma de vida</i> que encerra m&uacute;ltiplas e cambiantes identidades, e que se consegue relacionar com os outros de um modo tamb&eacute;m diferente do que faria na vida &ldquo;real&rdquo;. Este potencial das tecnologias digitais faz com que o virtual seja, frequentemente, mais real do que imaginamos e o real mais virtual do que estamos habituados a pensar.</p>     <p>Esta indefini&ccedil;&atilde;o das fronteiras entre o real e o virtual, trazida pelas tecnologias digitais, continua a ser objeto de reflex&atilde;o no artigo de Ana Francisca Monteiro e Ant&oacute;nio Jos&eacute; Os&oacute;rio, intitulado &ldquo;Novas tecnologias, riscos e oportunidades na perspetiva das crian&ccedil;as&rdquo;, que aborda o modo como as crian&ccedil;as perspetivam os riscos e potencialidades das tecnologias digitais. Atrav&eacute;s da observa&ccedil;&atilde;o participante e do di&aacute;logo com 22 crian&ccedil;as, a autora e o autor procuram descortinar o modo como as crian&ccedil;as desenvolvem as suas pr&oacute;prias culturas e sentidos de perten&ccedil;a e identidade atrav&eacute;s do uso de novas tecnologias. As amizades, reputa&ccedil;&atilde;o, estatuto e autoimagem constroem-se de outros modos, preferencialmente atrav&eacute;s de jogos e de conversas e coment&aacute;rios em redes sociais, que seguem regras que n&atilde;o s&atilde;o necessariamente as mesmas das dos adultos. As novas tecnologias permitem &agrave;s crian&ccedil;as a expans&atilde;o e consolida&ccedil;&atilde;o das suas redes sociais, ao incluir as rela&ccedil;&otilde;es de proximidade e de conhecimento pessoal, permitindo aceder a outras pessoas e rela&ccedil;&otilde;es, de outro modo invi&aacute;veis pelo seu afastamento geogr&aacute;fico. Assim se diluem os espa&ccedil;os &ldquo;reais&rdquo; e &ldquo;virtuais&rdquo;, que passam a integrar a cultura digital e a identidade da crian&ccedil;a, de um modo natural e integrado, o que faz com que determinados conceitos, associados aos usos das novas tecnologias pelos adultos, como &ldquo;oportunidade&rdquo;, &ldquo;v&iacute;cio&rdquo; ou &ldquo;risco&rdquo;, sejam problematizados e concetualizados de modo distinto pelas crian&ccedil;as. Assim se evidencia a desadequa&ccedil;&atilde;o de medidas destinadas a beneficiar ou proteger as crian&ccedil;as <i>online</i> que se distanciam das suas pr&oacute;prias culturas, tornando-se demasiado prescritivas e estigmatizantes, pois incompreens&iacute;veis, ou mesmo incompat&iacute;veis, com as culturas e contextos socioculturais em que as suas experi&ecirc;ncias digitais ocorrem e ganham sentido.</p>     <p>O estudo de Simone da Fonte Ferreira e Ana Margarida Almeida, intitulado &ldquo;Estrat&eacute;gias e modelos de avalia&ccedil;&atilde;o utilizados pelos Centros de Recursos TIC no aconselhamento de produtos de apoio para alunos com Necessidades Educativas Especiais&rdquo;, pretende conhecer e compreender as pr&aacute;ticas desenvolvidas nos 25 Centros de Recursos TIC para a Educa&ccedil;&atilde;o Especial criados pelo Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o portugu&ecirc;s em 2007, principalmente no que diz respeito &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o dos alunos &ldquo;com Necessidades Educativas Especiais (NEE)&rdquo;. Estes Centros foram criados com o objetivo de implementar os designados &ldquo;produtos de apoio (PA)&rdquo; &agrave; pr&aacute;tica educativa junto dos alunos com NEE. A partir da an&aacute;lise dos dados recolhidos, atrav&eacute;s de inqu&eacute;rito por question&aacute;rio e an&aacute;lise documental, as autoras elaboraram uma proposta de uma plataforma de apoio designada por &ldquo;Rede NEE&rdquo;, que pretende ajudar os Centros acima referidos a monitorizar a implementa&ccedil;&atilde;o dos produtos de apoio atribu&iacute;dos aos alunos. Tendo em aten&ccedil;&atilde;o a import&acirc;ncia das novas tecnologias na diminui&ccedil;&atilde;o das dificuldades (educativas e outras) sentidas por esta popula&ccedil;&atilde;o e, consequentemente, na melhoria da sua qualidade de vida, a proposta de cria&ccedil;&atilde;o desta rede vem possibilitar, n&atilde;o s&oacute; o desenvolvimento de um trabalho em rede, de partilha de experi&ecirc;ncias e de conhecimentos, bem como uma sistematiza&ccedil;&atilde;o do trabalho realizado e uma maior rentabiliza&ccedil;&atilde;o de recursos, permitindo respostas mais atempadas aos diversos pedidos de apoio.</p>     <p>O artigo de L&iacute;via Carvalho de Assis, Andr&eacute; Silva Mello, Wagner dos Santos, Amar&iacute;lio Ferreira Neto e Omar Schneider, intitulado &ldquo;Jogo e protagonismo da crian&ccedil;a na educa&ccedil;&atilde;o infantil&rdquo;, analisa as apropria&ccedil;&otilde;es que crian&ccedil;as de cinco e seis anos fazem do jogo num contexto de observa&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fico (um Centro de Educa&ccedil;&atilde;o Infantil). Durante quatro meses de observa&ccedil;&atilde;o participante, a autora e os autores procuraram compreender como as crian&ccedil;as viviam os jogos em momentos espont&acirc;neos (recreio) e em situa&ccedil;&atilde;o de aula, tendo conclu&iacute;do que nos momentos espont&acirc;neos predominavam os jogos simb&oacute;licos, enquanto que em situa&ccedil;&atilde;o de aula as crian&ccedil;as se apropriavam dos jogos propostos pelo professor de educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica, alterando-os em fun&ccedil;&atilde;o dos seus interesses e interpreta&ccedil;&otilde;es. Este resultado vai de encontro ao conceito de &ldquo;consumo produtivo&rdquo; proposto por Certeau, segundo o qual os indiv&iacute;duos n&atilde;o consomem passivamente os produtos que lhe s&atilde;o oferecidos. Desta evid&ecirc;ncia emerge a crian&ccedil;a como actor, produtor do seu quotidiano, interpretando-o a partir do seu universo cultural, ao contr&aacute;rio da crian&ccedil;a passiva, consumidora de produtos pr&eacute;-existentes. A autora e os autores consideram importante que as estrat&eacute;gias pedag&oacute;gicas dos professores integrem este protagonismo das crian&ccedil;as, perspectivando-as como seres dotados de vontade pr&oacute;pria e de autonomia. Seria assim importante a exist&ecirc;ncia de cria&ccedil;&atilde;o de um &ldquo;lugar de autoria&rdquo; para que os novos produtos criados pelas crian&ccedil;as (reinven&ccedil;&atilde;o de jogos pela sua interpreta&ccedil;&atilde;o) n&atilde;o se percam, criando uma mem&oacute;ria escrita dos mesmos que possa ser utilizada pelo/a professor/a na reinven&ccedil;&atilde;o das suas estrat&eacute;gias pedag&oacute;gicas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O artigo de Maria Bet&acirc;nia Evangelista e Gilda Lisb&ocirc;a Guimar&atilde;es, intitulado &ldquo;Escalas representadas em gr&aacute;ficos: um estudo de interven&ccedil;&atilde;o com alunos do 5&ordm; ano&rdquo;, incide num estudo junto de 69 alunos do ensino fundamental, sobre escalas representadas em gr&aacute;ficos e em barras. Partindo da constata&ccedil;&atilde;o de que os alunos brasileiros nestes n&iacute;veis de ensino demonstram grandes dificuldades na compreens&atilde;o e utiliza&ccedil;&atilde;o de conceitos estat&iacute;sticos, conceitos fundamentais a uma educa&ccedil;&atilde;o para a cidadania, as autoras defendem um maior trabalho pedag&oacute;gico da escola no campo da an&aacute;lise, compara&ccedil;&atilde;o e constru&ccedil;&atilde;o de escalas em educa&ccedil;&atilde;o matem&aacute;tica. No estudo que levaram a cabo, junto de 3 turmas de alunos de 5&ordm; ano do ensino fundamental, as autoras desenvolveram uma interven&ccedil;&atilde;o de ensino com 2 sess&otilde;es, centradas na aprendizagem do conceito de escala em atividades de livros de texto, que envolviam a sua leitura e interpreta&ccedil;&atilde;o em situa&ccedil;&otilde;es de aplica&ccedil;&atilde;o a medidas de comprimento, retas num&eacute;ricas e mapas. Os resultados do pr&eacute;-teste e p&oacute;s-teste, aplicados aos 3 grupos de alunos, indicam uma melhoria significativa do desempenho dos alunos em atividades sobre escalas representadas em gr&aacute;ficos de barras e de linha simples, independentemente do tipo de contexto apresentado (medida de comprimento, reta num&eacute;rica e mapas). Deste modo, concluem que a interven&ccedil;&atilde;o de ensino promoveu a aprendizagem sobre escalas e a compreens&atilde;o das mesmas representadas em gr&aacute;ficos de linha e barras, o que evidencia o potencial de aprendizagem a partir das atividades do livro de texto, associadas a um trabalho sistem&aacute;tico de reflex&atilde;o sobre as aprendizagens.</p>     <p>O texto de Maria P. Lobo Antunes e Cec&iacute;lia Galv&atilde;o, intitulado &ldquo;Manuais escolares de Ci&ecirc;ncias Naturais de 8&ordm;ano em Portugal e estrutura conceptual do PISA 2006&rdquo;, procura responder &agrave; seguinte pergunta de investiga&ccedil;&atilde;o: &ldquo;De que forma as atividades de aprendizagem e a avalia&ccedil;&atilde;o formativa propostas na unidade de ensino Gest&atilde;o Sustent&aacute;vel dos Recursos, seguem, em manuais escolares do 8&ordm; ano de Ci&ecirc;ncias Naturais, o enquadramento conceptual em literacia cient&iacute;fica do PISA 2006?&rdquo;. De modo a responder a esta quest&atilde;o, as autoras partem da an&aacute;lise dos conceitos de literacia cient&iacute;fica e de desenvolvimento e avalia&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias, que serviram de base &agrave; elabora&ccedil;&atilde;o dos manuais escolares em Portugal e dos testes PISA 2006, para verificar a sua presen&ccedil;a em 2 manuais escolares de Ci&ecirc;ncias Naturais do 8&ordm; ano de escolaridade. A an&aacute;lise dos manuais escolares &eacute; justificada pelo facto destes atenderem ao curr&iacute;culo e &agrave;s orienta&ccedil;&otilde;es curriculares para os n&iacute;veis de ensino aos quais se destinam, possu&iacute;rem valor did&aacute;tico para alunos, professores e encarregados de educa&ccedil;&atilde;o e proporem orienta&ccedil;&otilde;es did&aacute;ticas que guiam a pr&aacute;tica do professor. Os resultados obtidos permitem concluir que &ldquo;existe sintonia nos princ&iacute;pios que regem as estruturas conceptuais do curr&iacute;culo portugu&ecirc;s das Ci&ecirc;ncias F&iacute;sicas e Naturais do ensino b&aacute;sico e o enquadramento conceptual do PISA 2006, mas que esta sintonia n&atilde;o se traduz nos manuais que serviram de objeto a esta investiga&ccedil;&atilde;o&rdquo;. As atividades de aprendizagem e a avalia&ccedil;&atilde;o formativa dos manuais escolares seguem de forma incompleta a estrutura conceptual do PISA 2006, ao n&iacute;vel da associa&ccedil;&atilde;o do tipo de conhecimento com o tipo de compet&ecirc;ncia e desta com o tipo de quest&atilde;o.</p>     <p>O artigo de Jesu&iacute;na Fonseca, Carolina Carvalho, Joseph Conboy, Helena Salema, Maria Odete Valente, Ana Paula Gama e Edite Fi&uacute;za, intitulado &ldquo;Feedback na pr&aacute;tica letiva: uma oficina de forma&ccedil;&atilde;o de professores&rdquo;, apresenta-nos um estudo incidente na implementa&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o de um programa de forma&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua que contou com a participa&ccedil;&atilde;o de 12 professore/as e 8 sess&otilde;es de forma&ccedil;&atilde;o. A oficina procurou promover o desenvolvimento profissional deste/as no uso de estrat&eacute;gias de <i>feedback</i> adequadas e eficientes. Sendo essencial &agrave; aprendizagem autorregulada, &agrave; melhoria do desempenho acad&eacute;mico do aluno, &agrave; qualidade da rela&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica e motiva&ccedil;&atilde;o do aluno, nem sempre o <i>feedback</i> dado em sala de aula pelo professor &eacute; bem usado; da&iacute; a necessidade de forma&ccedil;&atilde;o dos professores. De modo a ser eficaz, o <i>feedback</i> de sala de aula deve ter caracter&iacute;sticas identific&aacute;veis que est&atilde;o, em grande parte, sob o controlo parcial do professor. O <i>feedback</i> eficaz &eacute; apresentado o mais rapidamente poss&iacute;vel ap&oacute;s o facto, &eacute; seletivo e descritivo, e visa a melhoria de desempenho e a promo&ccedil;&atilde;o da auto-estima. A avalia&ccedil;&atilde;o do trabalho desenvolvido no &acirc;mbito da oficina, presencial e aut&oacute;nomo, foi feita com recurso a um relat&oacute;rio final escrito, relatos e reflex&otilde;es do/as professore/as participantes sobre a experi&ecirc;ncia desenvolvida em sala de aula e, ainda, a resposta a 2 question&aacute;rios. A avalia&ccedil;&atilde;o que o autor e as autoras fazem do programa de desenvolvimento profissional implementado indica que o/as professore/as participantes desenvolveram, n&atilde;o apenas compet&ecirc;ncias associadas ao uso do <i>feedback</i> em sala de aula, mas tamb&eacute;m perce&ccedil;&otilde;es mais positivas sobre as suas potencialidades na promo&ccedil;&atilde;o da auto-estima, motiva&ccedil;&atilde;o, envolvimento e compet&ecirc;ncias de autorregula&ccedil;&atilde;o dos alunos.</p>     <p>Finalmente, o artigo de Alexandra Ara&uacute;jo, Alexandra Costa, Sonia Alfonso, &Aacute;ngeles Conde, Manuel Dea&ntilde;o e Leandro Almeida, intitulado &ldquo;Vari&aacute;veis pessoais e socioculturais de diferencia&ccedil;&atilde;o das expectativas acad&eacute;micas: Estudo com alunos do Ensino Superior do Norte de Portugal e Galiza&rdquo;, traz-nos os resultados de uma investiga&ccedil;&atilde;o sobre diferencia&ccedil;&atilde;o de expectativas acad&eacute;micas de alunos e alunas a frequentar o primeiro ano do Ensino Superior em Portugal e em Espanha, tendo em aten&ccedil;&atilde;o as vari&aacute;veis pa&iacute;s de origem, g&eacute;nero e perten&ccedil;a de classe. Tem como objetivos perceber em que medida aquelas expectativas condicionam os n&iacute;veis de envolvimento dos estudantes na vida acad&eacute;mica e em que medida o facto de serem estudantes de primeira ou segunda gera&ccedil;&atilde;o (os pais terem ou n&atilde;o frequentado o Ensino Superior) influencia essas expectativas. A investiga&ccedil;&atilde;o foi realizada mediante a administra&ccedil;&atilde;o de um question&aacute;rio contendo v&aacute;rias dimens&otilde;es de an&aacute;lise. Os resultados mostram que os estudantes apresentam expectativas acad&eacute;micas elevadas, embora com grada&ccedil;&otilde;es: os estudantes espanh&oacute;is apresentam expectativas menos elevadas do que os estudantes portugueses e o facto de ser estudante de segunda gera&ccedil;&atilde;o influencia positivamente no caso dos alunos portugueses; o mesmo n&atilde;o se verifica com os estudantes espanh&oacute;is em id&ecirc;nticas condi&ccedil;&otilde;es. Do ponto de vista da perten&ccedil;a de g&eacute;nero, relativamente &agrave;s expectativas de mobilidade internacional, n&atilde;o se verificam diferen&ccedil;as entre as e os estudantes portugueses (que revelam expectativas elevadas entre estudantes de segunda gera&ccedil;&atilde;o), enquanto que, para o caso espanhol e para o mesmo tipo de estudante, as raparigas evidenciam expectativas mais elevadas do que os rapazes. De acordo com os autores e as autoras, importaria realizar novos estudos que permitam compreender a novidade trazida pela presente investiga&ccedil;&atilde;o no que diz respeito &agrave;s menores expectativas acad&eacute;micas dos estudantes espanh&oacute;is de segunda gera&ccedil;&atilde;o, o que contrasta com resultados de outras investiga&ccedil;&otilde;es neste dom&iacute;nio.</p>     <p>Mais uma vez, e como se constata pela sinopse do n&uacute;mero, a pluralidade tem&aacute;tica, metodol&oacute;gica e contextual, volta a marcar uma edi&ccedil;&atilde;o da Revista Portuguesa de Educa&ccedil;&atilde;o, dando destaque &agrave;s escolas, alunos e professores, mas tamb&eacute;m &agrave;s (novas) culturas digitais, que trazem reptos acrescidos &agrave; educa&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as e jovens.</p>     <p>Desejamos que a sua leitura possa trazer novas (ou renovadas) interroga&ccedil;&otilde;es em torno das tem&aacute;ticas em an&aacute;lise, que permitam perspectivar o trabalho educativo numa maior e mais complexa aproxima&ccedil;&atilde;o ao conhecimento de realidades espec&iacute;ficas.</p>      ]]></body>
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