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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A educação ainda é importante para a mobilidade social? Uma perspetiva das desigualdades educacionais da Europa do sul no contexto europeu]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Is education still important to social mobility? A perspective of educational inequalities in Southern Europe in the European context]]></article-title>
<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[La educación sigue siendo importante a la movilidad social? Una perspectiva de las desigualdades educativas en el sur de Europa en el contexto europeo]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[With the widespread expansion of educational processes in Europe, some approaches that have been proposed argue that the educational dimension has been weakened as a factor involved in social mobility processes and as a structural element in social opportunities and inequalities. This paper discusses these proposals, contradicting them through alternative theoretical positions and a solid empirical base. The developed analysis envisages educational inequalities and their impacts on social mobility and inequality in targeted manner in Southern Europe and in the European context. This perspective was also sustained by a comparison between countries and recognized over time (last 60 years). Some questions were developed, empirically sustained, particularly concerning the importance of socio-educational backgrounds in the socio-education and socio-occupational destinations and the identification of patterns of social fluidity and educational inequalities, drawing matches with different educational transitions in national terms. We used as central database the European Social Survey (2012).]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[Con la expansión generalizada de la educación en Europa, algunos enfoques han sido el argumento de que la dimensión educativa se ha debilitado como factor implicado en la movilidad social y como elemento estructural de la desigualdad y las oportunidades sociales. Este artículo discute estos entendimientos, ya sea en sus posiciones teóricas, ya sea en su verificación empírica. Desarrolla el análisis de las desigualdades educativas y su impacto en la movilidad y las desigualdades sociales entre los países del Sur y entre este conjunto y la Europa. Eso se contextualiza aún más por reconocer las dinámicas educativas de los últimos 60 años. El desarrollo de este análisis también apunta a la profundización de la importancia de los antecedentes educativos en los destinos educativos y socio-profesionales e a identificar patrones de fluidez educativa y la desigualdad educativa, contextualizándolos en las transiciones educativas diferenciadas en términos nacionales. La base de la European Social Survey (2012) es la referencia empírica central.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS</b></p>     <p><b>A educa&ccedil;&atilde;o ainda &eacute; importante para a mobilidade social? Uma perspetiva das desigualdades educacionais da Europa do sul no contexto europeu</b></p>     <p><b>Is education still important to social mobility? A perspective of educational inequalities in Southern Europe in the European context</b></p>     <p><b>&iquest;La educaci&oacute;n sigue siendo importante a la movilidad social? Una perspectiva de las desigualdades educativas en el sur de Europa en el contexto europeo</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Susana da Cruz Martins<sup>i</sup>, Ros&aacute;rio Mauritti<sup>i</sup>, Nuno Nunes<sup>i</sup>&nbsp;&amp; Ant&oacute;nio Firmino Costa<sup>i&nbsp;</sup></b><b>Ana L&uacute;cia Rom&atilde;o<span style="font-size: xx-small;">ii</span></b></p>     <p>i Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa, Portugal</p>     <p>ii Universidade de Lisboa, Portugal</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endereço para Correspondência</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Com a expans&atilde;o generalizada das qualifica&ccedil;&otilde;es na Europa, algumas abordagens t&ecirc;m vindo a defender que a dimens&atilde;o educativa se tem enfraquecido enquanto fator implicado na mobilidade social e como elemento estrutural nas desigualdades e oportunidades sociais. Este estudo perspetiva, quer nos seus posicionamentos te&oacute;ricos quer na sua verifica&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica, as desigualdades educacionais e as suas implica&ccedil;&otilde;es na mobilidade e nas desigualdades sociais entre pa&iacute;ses do Sul, e entre este conjunto e a Europa no seu todo. Esta an&aacute;lise &eacute;, ainda, contextualizada atrav&eacute;s do reconhecimento de din&acirc;micas educacionais dos &uacute;ltimos 60 anos. O seu desenvolvimento visa, tamb&eacute;m, aprofundar a import&acirc;ncia das origens educativas nos destinos educativos e socioprofissionais e identificar padr&otilde;es de fluidez educativa e de desigualdade educacional, contextualizando-os no quadro de transi&ccedil;&otilde;es educacionais diferenciadas em termos nacionais. O inqu&eacute;rito internacional <i>European Social Survey</i> (2012) &eacute; a refer&ecirc;ncia emp&iacute;rica central.</p>     <p><b>Palavras-chave:&nbsp;</b>Desigualdades educativas; Mobilidade social; Europa do sul; Contexto europeu</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>With the widespread expansion of educational processes in Europe, some approaches that have been proposed argue that the educational dimension has been weakened as a factor involved in social mobility processes and as a structural element in social opportunities and inequalities. This paper discusses these proposals, contradicting them through alternative theoretical positions and a solid empirical base. The developed analysis envisages educational inequalities and their impacts on social mobility and inequality in targeted manner in Southern Europe and in the European context. This perspective was also sustained by a comparison between countries and recognized over time (last 60 years). Some questions were developed, empirically sustained, particularly concerning the importance of socio-educational backgrounds in the socio-education and socio-occupational destinations and the identification of patterns of social fluidity and educational inequalities, drawing matches with different educational transitions in national terms. We used as central database the European Social Survey (2012).</p>     <p><b>Keywords:&nbsp;</b>Educational inequalities; Social mobility; Southern Europe; European context</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMEN</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Con la expansi&oacute;n generalizada de la educaci&oacute;n en Europa, algunos enfoques han sido el argumento de que la dimensi&oacute;n educativa se ha debilitado como factor implicado en la movilidad social y como elemento estructural de la desigualdad y las oportunidades sociales. Este art&iacute;culo discute estos entendimientos, ya sea en sus posiciones te&oacute;ricas, ya sea en su verificaci&oacute;n emp&iacute;rica. Desarrolla el an&aacute;lisis de las desigualdades educativas y su impacto en la movilidad y las desigualdades sociales entre los pa&iacute;ses del Sur y entre este conjunto y la Europa. Eso se contextualiza a&uacute;n m&aacute;s por reconocer las din&aacute;micas educativas de los &uacute;ltimos 60 a&ntilde;os. El desarrollo de este an&aacute;lisis tambi&eacute;n apunta a la profundizaci&oacute;n de la importancia de los antecedentes educativos en los destinos educativos y socio-profesionales e a identificar patrones de fluidez educativa y la desigualdad educativa, contextualiz&aacute;ndolos en las transiciones educativas diferenciadas en t&eacute;rminos nacionales. La base de la <i>European Social Survey</i> (2012) es la referencia emp&iacute;rica central.</p>     <p><b>Palabras-clave:&nbsp;</b>Desigualdades educativas; Movilidad social; Sur de Europa; Contexto europeo</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Este artigo aponta para o debate sobre a import&acirc;ncia da educa&ccedil;&atilde;o e dos processos de reconfigura&ccedil;&atilde;o e mobilidade educativa no acesso a oportunidades sociais e recursos nas sociedades contempor&acirc;neas. A quest&atilde;o n&atilde;o &eacute; trivial, uma vez que alguns autores t&ecirc;m vindo a defender que, na atualidade e por via da expans&atilde;o escolar, essa import&acirc;ncia teria desaparecido devido a processos de desclassifica&ccedil;&atilde;o das credenciais acad&eacute;micas (Duru-Bellat, 2006, 2007) ou de <i>sobrequalifica&ccedil;&atilde;o</i> dos indiv&iacute;duos, reduzindo-se drasticamente as possibilidades de acesso a profiss&otilde;es qualificadas e de ocupa&ccedil;&atilde;o de certas posi&ccedil;&otilde;es sociais (Chevalier &amp; Lindley, 2007; Dolton &amp; Silles, 2003). No entanto, o estudo aqui desenvolvido, sustentado em informa&ccedil;&atilde;o substantiva, permite confirmar a educa&ccedil;&atilde;o como uma dimens&atilde;o muito influente na explica&ccedil;&atilde;o de processos de mobilidade e enquanto elemento estrutural das desigualdades sociais nas sociedades europeias.</p>     <p>As din&acirc;micas da sociedade do conhecimento no atual contexto de crise colocam uma acrescida relev&acirc;ncia te&oacute;rica nas rela&ccedil;&otilde;es entre educa&ccedil;&atilde;o e mobilidade social (Maurin, 2009; Alves, Baptista, Cantante, &amp; Carmo, 2011; Costa, 2012). Um conjunto de pesquisas e an&aacute;lises tem vindo a incidir na relev&acirc;ncia dos recursos educativos nos mercados de trabalho e nos estilos de vida (Martins, Mauritti, &amp; Costa, 2007; Mauritti &amp; Martins, 2014), bem como na import&acirc;ncia desses recursos na acentua&ccedil;&atilde;o ou na diminui&ccedil;&atilde;o das desigualdades, ou ainda na redu&ccedil;&atilde;o da vulnerabilidade a exclus&otilde;es sociais (Costa, 2012). Outras an&aacute;lises aprofundam ainda a influ&ecirc;ncia do estado social, dos sistemas educativos e das pol&iacute;ticas educativas na mobilidade social, e nas inter-rela&ccedil;&otilde;es entre origens sociais, desigualdades educativas e oportunidades sociais, nos diferentes contextos nacionais e momentos hist&oacute;ricos (Breen &amp; Jonsson, 2007; Meschi &amp; Scervini, 2012; Oesch, 2015).</p>     <p>Procura-se, neste estudo, abordar estas tem&aacute;ticas, em termos de posicionamentos te&oacute;ricos e de verifica&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica, tendo por refer&ecirc;ncia o contexto europeu. Visa-se, em particular, a compara&ccedil;&atilde;o entre o conjunto europeu e um subconjunto de pa&iacute;ses do sul da Europa (nomeadamente Portugal, Espanha e It&aacute;lia). Tal perspetiva comparativa ser&aacute; contextualizada atrav&eacute;s do reconhecimento das grandes din&acirc;micas educacionais dos &uacute;ltimos 60 anos.</p>     <p>No sentido de sustentar a nossa posi&ccedil;&atilde;o neste debate, deline&aacute;mos os seguintes objetivos anal&iacute;ticos: em primeiro lugar, o reconhecimento e a caracteriza&ccedil;&atilde;o das din&acirc;micas e transi&ccedil;&otilde;es-chave no alargamento da escolaridade na Europa, numa perspetiva hist&oacute;rica; em segundo lugar, a identifica&ccedil;&atilde;o de processos de mobilidade educacional e transforma&ccedil;&otilde;es observadas nas estruturas socioeducacionais; e, por fim, a an&aacute;lise da educa&ccedil;&atilde;o como um elemento estrutural na desigualdade e nas oportunidades sociais. Procurou-se aferir, ainda, de que modo a vari&aacute;vel g&eacute;nero se associa &agrave; dimens&atilde;o educativa na explica&ccedil;&atilde;o de alguns dos processos de mobilidade identificados. Sabe-se que, em muitos casos, as mulheres t&ecirc;m protagonizado din&acirc;micas de abertura no acesso a algumas categorias sociais e entrado de forma dominante em din&acirc;micas de mobilidade educacional.</p>     <p>Do ponto de vista da estrat&eacute;gia metodol&oacute;gica, s&atilde;o utilizadas diferentes fontes emp&iacute;ricas, sendo central a utiliza&ccedil;&atilde;o da base de dados do <i>European Social Survey </i>(ESS) de 2012. No quadro desta refer&ecirc;ncia, foram considerados 24 pa&iacute;ses abrangidos por esta ronda &ndash; 21 da Uni&atilde;o Europeia e tr&ecirc;s pa&iacute;ses associados do Espa&ccedil;o Econ&oacute;mico Europeu (Isl&acirc;ndia, Noruega e Su&iacute;&ccedil;a). Os microdados do ESS permitem trabalhar, de forma direta e para o conjunto dos pa&iacute;ses europeus, indicadores de mobilidade educativa, categorias profissionais e rendimentos. Para uma perspetiva mais contextual e de identifica&ccedil;&atilde;o das principais din&acirc;micas de escolariza&ccedil;&atilde;o, para al&eacute;m dos dados do ESS, foram tamb&eacute;m utilizados documentos que tomam por base fontes como o Banco Mundial e a UNESCO (a partir das bases de dados de Robert Barro e Jong-Wha Lee), permitindo compara&ccedil;&otilde;es e diacronias mais alargadas. Atrav&eacute;s de uma leitura articulada e conjunta destas v&aacute;rias fontes de informa&ccedil;&atilde;o, pretendemos, pois, contribuir para o debate sobre as desigualdades educacionais e a mobilidade social.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Enquadramento e perspetivas te&oacute;rico-anal&iacute;ticas </b></p>     <p>Com a expans&atilde;o muito generalizada dos processos educativos e qualificacionais na Europa, t&ecirc;m sido propostas perspetivas que d&atilde;o conta de um forte enfraquecimento da dimens&atilde;o educativa enquanto fator implicado na mobilidade social, e como elemento estrutural das desigualdades e oportunidades sociais. Por exemplo, as &uacute;ltimas perspetivas enunciadas por Marie Duru-Bellat (2006, 2007) remetem para a <i>desclassifica&ccedil;&atilde;o</i> dos recursos educacionais, os quais, segundo a pr&oacute;pria, representam um investimento de risco, dado o processo de inflacionamento das credenciais escolares e do n&uacute;mero limitado de posi&ccedil;&otilde;es de prest&iacute;gio e bem remuneradas que o mercado de trabalho pode oferecer. Nessas orienta&ccedil;&otilde;es, a autora tem sido acompanhada por outro soci&oacute;logo franc&ecirc;s que trabalha de forma muito persistente a educa&ccedil;&atilde;o e as desigualdades sociais, Fran&ccedil;ois Dubet (Dubet &amp; Duru-Bellat, 2000), e em outros trabalhos propondo tamb&eacute;m compara&ccedil;&otilde;es internacionais (Dubet, Duru-Bellat, &amp; V&eacute;r&eacute;tout, 2010, 2012).</p>     <p>Com uma outra abordagem, mas de certa forma em converg&ecirc;ncia com estes entendimentos, John H. Goldthorpe (2012, 2014) sublinha o enfraquecimento da influ&ecirc;ncia das credenciais escolares e do poder das pol&iacute;ticas educativas na mobilidade social. Este autor (Goldthorpe, 2012) d&aacute; conta da diminui&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o entre a educa&ccedil;&atilde;o, as experi&ecirc;ncias de mobilidade ascendente, e os destinos sociais relacionados (um dos eixos mais importantes no tri&acirc;ngulo anal&iacute;tico Origens-Educa&ccedil;&atilde;o-Destinos). Para Goldthorpe (2012), tal aspeto s&oacute; n&atilde;o se verifica para as mulheres, cujo acesso a maiores n&iacute;veis de escolaridade &ndash; segundo o pr&oacute;prio, muito mediado por via da classe social &ndash; lhes permite aumentar as suas possibilidades de disputar, com os homens, lugares de dirigentes e de profissionais t&eacute;cnicos e cient&iacute;ficos.</p>     <p>No fundo, embora estes autores evoquem dimens&otilde;es alternativas para este debate, convergem na an&aacute;lise de desvaloriza&ccedil;&atilde;o ou <i>desclassifica&ccedil;&atilde;o</i> das qualifica&ccedil;&otilde;es, refor&ccedil;ando, por sua vez, a import&acirc;ncia das origens sociais como maior determinante nos destinos e oportunidades sociais dos indiv&iacute;duos.</p>     <p>Tais abordagens advogam em simult&acirc;neo que, particularmente com a intensifica&ccedil;&atilde;o da crise financeira internacional, e o incremento de experi&ecirc;ncias sociais de desemprego, precariedade laboral e subemprego, a educa&ccedil;&atilde;o deixou em boa medida de ser um tra&ccedil;o diferenciador, de prote&ccedil;&atilde;o relativa face a tais situa&ccedil;&otilde;es. Nestas vis&otilde;es, o atual contexto social e econ&oacute;mico, tamb&eacute;m marcado pela redu&ccedil;&atilde;o da capacidade das presta&ccedil;&otilde;es e fun&ccedil;&otilde;es do estado social, tem permeado quase de forma indistinta a popula&ccedil;&atilde;o, mais ou menos qualificada, votando-a a situa&ccedil;&otilde;es de desigualdade e exclus&atilde;o social, n&atilde;o constituindo pois a educa&ccedil;&atilde;o uma dimens&atilde;o especialmente relevante na diferencia&ccedil;&atilde;o dessas condi&ccedil;&otilde;es sociais.</p>     <p>Nesta discuss&atilde;o tem cabimento, como interpela&ccedil;&atilde;o anal&iacute;tica, a compara&ccedil;&atilde;o entre os diferentes sistemas educativos e a influ&ecirc;ncia da educa&ccedil;&atilde;o na mobilidade social e nas condi&ccedil;&otilde;es de vida, no quadro de modelos e formas de atua&ccedil;&atilde;o dos Estados nacionais. Segundo Esping-Andersen (1990), s&oacute; um trabalho de pesquisa comparada permite desocultar o que une e divide os Estados sociais. Sendo reconhecidas como v&aacute;lidas algumas das cr&iacute;ticas &agrave; tipologia de classifica&ccedil;&atilde;o dos diversos Estados sociais, a sua complexifica&ccedil;&atilde;o tem permitido a identifica&ccedil;&atilde;o de outros tipos de Estado-provid&ecirc;ncia, nomeadamente e especialmente relevante para este artigo, a configura&ccedil;&atilde;o da Europa do sul (Silva, 2009; Ferrera, 2005). Estas propostas s&atilde;o de grande utilidade na compreens&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o dos Estados do sul da Europa, com as transforma&ccedil;&otilde;es sociais e os mercados de trabalho contempor&acirc;neos &ndash; n&atilde;o obstante a controv&eacute;rsia recente em torno da exist&ecirc;ncia, ou n&atilde;o, de um modelo consistente de Estado social do Sul (como discutem Capucha, Est&ecirc;v&atilde;o, Calado, &amp; Capucha, 2014).</p>     <p>Ora, a educa&ccedil;&atilde;o apresenta-se como um dos setores nucleares de atua&ccedil;&atilde;o do Estado. No que toca a esta &aacute;rea e, mais concretamente, aos sistemas educativos, evidencia-se, pelo menos, uma capacidade e desempenhos pr&oacute;prios, que tornam a Europa do sul uma configura&ccedil;&atilde;o de d&eacute;fice qualificacional, embora com uma relativa recupera&ccedil;&atilde;o no contexto europeu (Martins, 2012). Tais modos de rela&ccedil;&atilde;o conferem assim &agrave; educa&ccedil;&atilde;o um elemento decisivo nas condi&ccedil;&otilde;es e oportunidades de vida, particularmente no contexto dos pa&iacute;ses do sul da Europa.</p>     <p>A partir da an&aacute;lise de estudos j&aacute; realizados e dos dados emp&iacute;ricos, o presente trabalho procura, pois, sublinhar a educa&ccedil;&atilde;o como uma dimens&atilde;o muito influente nos processos estruturais de configura&ccedil;&atilde;o de sistemas de oportunidades e constrangimentos. Um conjunto de autores com trabalhos importantes, relativamente recentes, tem estado no centro desta problem&aacute;tica, posicionando precisamente a educa&ccedil;&atilde;o na an&aacute;lise dos processos de mobilidade e das desigualdades sociais, e enfatizando a compara&ccedil;&atilde;o entre pa&iacute;ses europeus: veja-se, entre outros, Herman van Werfhorst (2007); ou Richard Breen, nomeadamente com Jan O. Jonsson (Breen &amp; Jonsson, 2005); ou com os contributos de uma equipa mais alargada, como Richard Breen, Ruud Luijkx, Walter M&uuml;ller, e Reinhard Pollak (2009, 2010), que reequacionam estas desigualdades &agrave; luz da desigualdade educativa entre g&eacute;neros.</p>     <p>Autores como Breen e Jonsson (2005) focam-se na liga&ccedil;&atilde;o entre as origens sociais e os destinos na estrutura ocupacional, documentando empiricamente como a validade anal&iacute;tica destas rela&ccedil;&otilde;es no tempo tem sido importante, embora muito subsidi&aacute;rias dos contextos nacionais e das suas din&acirc;micas espec&iacute;ficas, nomeadamente no que respeita ao peso das origens educacionais. Estes autores (Breen &amp; Jonsson, 2007) destacam a maior fluidez na mobilidade social sueca por via do decl&iacute;nio das desigualdades educacionais e uma estrutura educativa mais qualificada. Neste contexto, uma maior equidade de rendimentos e das condi&ccedil;&otilde;es de participa&ccedil;&atilde;o no emprego, nomeadamente nos segmentos que t&ecirc;m revelado maiores exig&ecirc;ncias do ponto de vista da qualifica&ccedil;&atilde;o, parecem estar mais relacionadas com os recursos educativos do que com as origens familiares.</p>     <p>Nesta medida, o argumento de Werfhorst (2007), longe de considerar linear o contributo da educa&ccedil;&atilde;o nesses mecanismos, remete para os efeitos contradit&oacute;rios registados ao longo do s&eacute;culo XX. O autor ressalva, no entanto, que, desde os anos 80, a educa&ccedil;&atilde;o parece ter um impacto mais importante para a obten&ccedil;&atilde;o de maiores rendimentos, mesmo que esse contributo n&atilde;o se revele t&atilde;o claro para o posicionamento numa classe social mais elevada.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Numa grande coincid&ecirc;ncia de objeto de estudo e usando o mesmo inqu&eacute;rito europeu de refer&ecirc;ncia do nosso estudo (embora com anos diferentes), veja-se Elena Meschi e Francesco Scervini (2012), que denotam que as desigualdades educacionais surgem com maior visibilidade nas fases iniciais do processo de expans&atilde;o escolar; e a equipa de Majka van Doorn, Ioana Pop, e Maarten H. J. Wolbers (2011), que estabelece um di&aacute;logo, precisamente, com as propostas de Breen e Jonsson (2005), evidenciando as caracter&iacute;sticas contextuais de diferentes pa&iacute;ses e a identifica&ccedil;&atilde;o de segmentos que desempenham um papel fundamental na determina&ccedil;&atilde;o da transmiss&atilde;o intergeracional da educa&ccedil;&atilde;o. Estes autores procuram analisar como &eacute; que estas caracter&iacute;sticas contextuais interagem com as origens familiares e a forma&ccedil;&atilde;o de padr&otilde;es de mobilidade educativa intergeracional em diferentes contextos societais e momentos hist&oacute;ricos, tendo em considera&ccedil;&atilde;o dimens&otilde;es como o grau de industrializa&ccedil;&atilde;o, a participa&ccedil;&atilde;o da mulher no mercado de trabalho, a estrutura do sistema educativo e o regime pol&iacute;tico do pa&iacute;s.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A escolariza&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o europeia</b></p>     <p>O fim da II Guerra Mundial marca o in&iacute;cio de uma nova era para a Europa, consubstanciada, no plano educativo, em maiores investimentos nos sistemas educativos, no acesso generalizado &agrave; escola por parte de todas as classes sociais e em renovadas oportunidades de mobilidade social. Mas as realidades pol&iacute;ticas s&atilde;o diversas no contexto europeu, revelando-se mais ou menos abertas a processos alargados de escolariza&ccedil;&atilde;o no interior dos respetivos pa&iacute;ses europeus (Therborn, 1995).</p>     <p>A <a href="#f1">Figura 1</a> evidencia o alargamento diferenciado das din&acirc;micas de acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o na Europa, permitindo um primeiro enquadramento hist&oacute;rico sobre o desempenho dos sistemas educativos e respetiva capacidade de escolarizar as suas popula&ccedil;&otilde;es ao longo dos &uacute;ltimos 60 anos. Nesta figura, assinalam-se tr&ecirc;s momentos &ndash; 1950, 1980 e 2010 &ndash; e os pa&iacute;ses est&atilde;o alinhados segundo o n&uacute;mero m&eacute;dio de anos completos de escolaridade em 2010, numa popula&ccedil;&atilde;o com 25 e mais anos.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/rpe/v29n2/29n2a13f1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Iniciando a nossa an&aacute;lise no momento mais recuado da figura, 1950, d&aacute;-se conta de um diferencial abissal entre os v&aacute;rios pa&iacute;ses europeus. Alguns destes, cuja forte marca educativa nas suas popula&ccedil;&otilde;es &eacute; j&aacute; muito evidente nesse ano, dizem respeito a contextos nacionais que viram na educa&ccedil;&atilde;o uma dimens&atilde;o importante e constituinte de um plano de recupera&ccedil;&atilde;o do p&oacute;s-II Guerra Mundial, e de acelera&ccedil;&atilde;o do crescimento econ&oacute;mico. &Eacute; tamb&eacute;m interessante apurar o sentido pol&iacute;tico antecipado, entre estes pa&iacute;ses, de aplica&ccedil;&atilde;o efetiva de uma escolaridade obrigat&oacute;ria (Martins, 2012). As posi&ccedil;&otilde;es com mais anos completos de escolaridade s&atilde;o sobretudo ocupadas por pa&iacute;ses da Europa Central, alguns de Leste, e do Norte (Su&iacute;&ccedil;a, Eslov&aacute;quia, Rep&uacute;blica Checa, Noruega e Hungria).</p>     <p>No extremo oposto, onde Portugal se situa, identificamos contextos de um enorme d&eacute;fice educacional, express&atilde;o de uma boa parte das popula&ccedil;&otilde;es nacionais que, em meados do s&eacute;culo passado, n&atilde;o chegaram sequer aos bancos da escola. A posi&ccedil;&atilde;o relativa de Portugal, em destaque neste segmento, denota um parco apoio pol&iacute;tico a uma escolariza&ccedil;&atilde;o efetiva, com uma pol&iacute;tica em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; escolaridade obrigat&oacute;ria muito titubeante e at&eacute; de redu&ccedil;&atilde;o, em alguns dos per&iacute;odos do Estado Novo (Martins, 2010; Almeida &amp; Vieira, 2006).</p>     <p>Quanto &agrave; cad&ecirc;ncia do aumento da escolariza&ccedil;&atilde;o, existem tamb&eacute;m informa&ccedil;&otilde;es muito relevantes na <a href="#f1">Figura 1</a>: &eacute; poss&iacute;vel observar que aquela tende a ser mais intensa sobretudo a partir de 1980, nomeadamente nos pa&iacute;ses que demoraram a implementar regimes democr&aacute;ticos, sobretudo no sul da Europa, como Portugal e Espanha. Nestes dois pa&iacute;ses da Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica, como noutros contextos europeus, a democracia passa a ser um tipo de regime promotor de din&acirc;micas de alargamento e de maior inclus&atilde;o por parte dos sistemas educativos (Martins, Nunes, Mauritti, &amp; Costa, 2014).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;Em 2010, verifica-se uma relativa converg&ecirc;ncia nos processos de escolariza&ccedil;&atilde;o dos europeus, apontando-se 11 a 12 anos como refer&ecirc;ncia m&eacute;dia dos anos de escolaridade. Apesar do sentido de forte conflu&ecirc;ncia verificado at&eacute; 2010, Portugal ainda se encontra numa posi&ccedil;&atilde;o muito distante dos outros pa&iacute;ses europeus.</p>     <p>A express&atilde;o das diferen&ccedil;as nacionais e os momentos hist&oacute;ricos de maior abertura dos sistemas educativos europeus devem alertar-nos para a sua rela&ccedil;&atilde;o com as desigualdades e processos de mobilidade social e educativa (Breen &amp; Jonsson, 2005; Haim, Shavit, &amp; Ayalon, 2007; van Doorn, Pop, &amp; Wolbers, 2011; Meschi &amp; Scervini, 2012).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O alargamento das escolaridades e a mobilidade educ</b><b>ativa</b></p>     <p>Os processos de escolariza&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o europeia implicaram o alargamento das escolaridades e, geracionalmente, a reprodu&ccedil;&atilde;o ou o incremento da mobilidade educativa, consoante os pontos de partida nos contextos nacionais, o n&iacute;vel de escolariza&ccedil;&atilde;o das diferentes gera&ccedil;&otilde;es (de progenitores e filhos) e as condi&ccedil;&otilde;es de desempenho dos sistemas educativos.</p>     <p>A <a href="#f2">Figura 2</a> evidencia os processos de mobilidade educativa de indiv&iacute;duos com 25 a 64 anos. Esta figura p&otilde;e em evid&ecirc;ncia a rela&ccedil;&atilde;o entre a escolaridade dos pais, constru&iacute;da segundo um crit&eacute;rio de domin&acirc;ncia (tendo em conta o n&iacute;vel de escolaridade mais elevado do pai ou da m&atilde;e), e dos filhos. A diferen&ccedil;a &eacute; medida em n&iacute;veis da Classifica&ccedil;&atilde;o Internacional Tipo de Educa&ccedil;&atilde;o (CITE)<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a> &ndash; aqui apresentados nos seis n&iacute;veis da tipologia de educa&ccedil;&atilde;o da UNESCO, de 1997, tal como s&atilde;o descritos no indicador dos n&iacute;veis de escolaridade no ESS (2012). Nesta an&aacute;lise utiliz&aacute;mos dados do ESS, nomeadamente pela necessidade de usar microdados que nos permitissem construir e cruzar este tipo de indicadores. A figura alinha os pa&iacute;ses em fun&ccedil;&atilde;o da mobilidade educacional ascendente (ou seja os filhos, neste caso os inquiridos, terem melhores n&iacute;veis CITE face aos pais).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"></a> <img src="/img/revistas/rpe/v29n2/29n2a13f2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Considerando os dados em refer&ecirc;ncia (<a href="#f2">Figura 2</a>), uma primeira observa&ccedil;&atilde;o &eacute; sugerida: em metade dos 24 pa&iacute;ses analisados, mais de 50% dos inquiridos ascendeu no quadro de uma mobilidade educativa. Os pa&iacute;ses onde a reconfigura&ccedil;&atilde;o dos perfis de escolariza&ccedil;&atilde;o foi mais intensa, envolvendo pelo menos dois n&iacute;veis da CITE, s&atilde;o: Chipre, Espanha, Fran&ccedil;a, Irlanda, Finl&acirc;ndia, Su&eacute;cia, Reino Unido e Dinamarca. Este segmento inclui pa&iacute;ses de v&aacute;rias zonas europeias, em alguns casos permitindo refor&ccedil;ar um forte protagonismo neste processo (como &eacute; o caso da Su&eacute;cia e da Dinamarca), noutros tornando bem vis&iacute;vel o "salto" qualitativo nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas (como &eacute; o caso da Finl&acirc;ndia e do Reino Unido), gra&ccedil;as a reformas pol&iacute;ticas muito atuantes e investimentos intensificados (Martins, 2012). Depois, seguem-se pa&iacute;ses com uma l&oacute;gica de recupera&ccedil;&atilde;o (vis&iacute;vel sobretudo em Espanha e na Irlanda).</p>     <p>A an&aacute;lise conjugada entre as <a href="#f1">Figuras 1</a> e <a href="#f2">2</a> permite verificar que, em termos gerais, os pa&iacute;ses que anteciparam de forma mais forte a escolariza&ccedil;&atilde;o das respetivas popula&ccedil;&otilde;es tendem a ter uma mobilidade educativa mais moderada (como a Rep&uacute;blica Checa, a Eslov&aacute;quia ou a Su&iacute;&ccedil;a). Pelo contr&aacute;rio, os pa&iacute;ses que tardaram nestes processos tendem a apresentar atualmente um maior vigor ascendente. Se considerarmos a mobilidade mais intensa (dois n&iacute;veis CITE ou mais), podemos observar pa&iacute;ses como o Chipre, a Espanha, a Fran&ccedil;a ou a Irlanda. Contudo, n&atilde;o nos foi poss&iacute;vel identificar os pa&iacute;ses do Sul como promotores dessa mobilidade educativa, apesar de se reunirem a&iacute; os pa&iacute;ses mais deficit&aacute;rios da Europa em termos de recursos educativos (Martins, 2012). Em Portugal, apesar de se ter verificado uma melhoria dos perfis de escolaridade dos indiv&iacute;duos em idade ativa, a mesma envolve sobretudo um n&iacute;vel da CITE. Tal d&aacute; conta da dificuldade das pol&iacute;ticas educativas, numa interven&ccedil;&atilde;o direta e consistente no tempo, na estrutura socioeducativa portuguesa.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por outro lado, este aspeto n&atilde;o pode ter um entendimento linear; veja-se a Dinamarca, a Su&eacute;cia e o Reino Unido, cuja mobilidade ascendente tem um car&aacute;cter muito refor&ccedil;ado na percentagem dos que sobem pelo menos dois n&iacute;veis CITE. Parte destes pa&iacute;ses tiveram nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas pol&iacute;ticas educativas de promo&ccedil;&atilde;o da equidade nos seus sistemas, como a gratuitidade de servi&ccedil;os e recursos educativos e apoios em mat&eacute;ria da a&ccedil;&atilde;o social, fazendo diminuir o peso das origens sociais nas oportunidades educativas (cf. Breen &amp; Jonsson, 2007).</p>     <p>Mas o certo &eacute; que os processos de mobilidade educativa t&ecirc;m sido sentidos de forma muito evidente, sobretudo nas &uacute;ltimas gera&ccedil;&otilde;es, sendo excecional para todos os pa&iacute;ses a manifesta&ccedil;&atilde;o de movimentos descendentes.</p>     <p>As <a href="#f3">Figuras 3</a> e <a href="#f4">4</a> servem de base &agrave; leitura dos processos de mobilidade educacional relativos ao conjunto de indiv&iacute;duos de determinado n&iacute;vel de escolaridade, tendo por refer&ecirc;ncia o todo europeu e os pa&iacute;ses do Sul.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"></a> <img src="/img/revistas/rpe/v29n2/29n2a13f3.jpg">     
<p>&nbsp;</p> <a name="f4"></a> <img src="/img/revistas/rpe/v29n2/29n2a13f4.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Na Europa &eacute; bastante significativo o peso dos indiv&iacute;duos que reproduzem o n&iacute;vel de escolaridade dos pais. Entre os respondentes ao ESS que det&ecirc;m um diploma do ensino superior, 36% t&ecirc;m pais com o mesmo perfil de escolariza&ccedil;&atilde;o, num processo manifesto de reprodu&ccedil;&atilde;o social. Tal evidencia um alargamento do ensino superior que se iniciou, precisamente, com os pais diplomados dos que hoje est&atilde;o em idade ativa. No entanto, os processos de requalifica&ccedil;&atilde;o por via de uma forte mobilidade educativa n&atilde;o se t&ecirc;m vindo a enfraquecer &ndash; aspeto evidente no peso muito importante daqueles que protagonizam trajet&oacute;rias ascendentes relativamente intensas, a melhorarem em pelo menos dois n&iacute;veis da CITE (56%), sendo apenas 5% aqueles que avan&ccedil;am um n&iacute;vel da CITE.</p>     <p>Estas tend&ecirc;ncias de reconfigura&ccedil;&atilde;o dos perfis de escolariza&ccedil;&atilde;o, especificamente no segmento dos que completaram o ensino superior, s&atilde;o muito acentuadas no conjunto europeu, mas especialmente expressivas nos pa&iacute;ses do Sul, e sobretudo em Portugal, pa&iacute;s que, como pudemos ver atr&aacute;s, est&aacute; ainda longe de ter atingido um limiar de qualifica&ccedil;&atilde;o equivalente aos padr&otilde;es europeus (aspeto j&aacute; verificado em Martins, 2012; e Costa, Mauritti, Martins, Nunes, &amp; Rom&atilde;o, 2015). Mais de 80% dos inquiridos portugueses com ensino superior melhora face &agrave; fam&iacute;lia de origem dois n&iacute;veis ou mais da CITE, revelando um progresso extraordin&aacute;rio, e que s&oacute; se vai sentindo de forma diferida no tempo. Tanto em Espanha como em It&aacute;lia essas experi&ecirc;ncias s&atilde;o tamb&eacute;m muito significativas, envolvendo mais de dois ter&ccedil;os das suas amostras.</p>     <p>Na <a href="#f4">Figura 4</a>, Portugal destaca-se tamb&eacute;m no segmento de respondentes que n&atilde;o foi al&eacute;m do ensino b&aacute;sico; quase 50% s&atilde;o provenientes de fam&iacute;lias com o mesmo perfil de escolariza&ccedil;&atilde;o. Tal d&aacute; conta de uma relativa in&eacute;rcia do sistema escolar portugu&ecirc;s na recupera&ccedil;&atilde;o do atraso estrutural no contexto do espa&ccedil;o europeu (j&aacute; verificado enquanto padr&atilde;o educativo em Martins, 2012). Esta percentagem &eacute; bastante superior &agrave; que se verifica em Espanha e It&aacute;lia, e relativamente importante em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; m&eacute;dia europeia (12 pontos percentuais de diferen&ccedil;a).</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>A educa&ccedil;&atilde;o, as desigualdades e as oportunidades sociais</b></p>     <p>A crescente incorpora&ccedil;&atilde;o das qualifica&ccedil;&otilde;es nas v&aacute;rias profiss&otilde;es, ao longo do tempo, constitui uma das mais salientes caracter&iacute;sticas das sociedades do conhecimento. As reconfigura&ccedil;&otilde;es das estruturas ocupacionais caminham a par dos processos de escolariza&ccedil;&atilde;o, variando o acesso a determinados lugares profissionais, principalmente em fun&ccedil;&atilde;o dos recursos educativos detidos pelos indiv&iacute;duos, mas com a necessidade de se tomar em considera&ccedil;&atilde;o os diferentes contextos nacionais. &Eacute; igualmente poss&iacute;vel relacionar, no conjunto dos pa&iacute;ses europeus, os recursos econ&oacute;micos (rendimentos) com os recursos educativos (escolaridade).</p>     <p>A <a href="#f5">Figura 5</a> apresenta informa&ccedil;&atilde;o relativa aos pais (pai e m&atilde;e) dos respondentes ao ESS e coloca em sobreposi&ccedil;&atilde;o dois indicadores fundamentais nesta an&aacute;lise: profiss&otilde;es e respetivos perfis de qualifica&ccedil;&atilde;o. Uma primeira leitura destes dados pretende aferir quais eram as qualifica&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para se ter acesso a um determinado conjunto de profiss&otilde;es na gera&ccedil;&atilde;o anterior &agrave; que hoje est&aacute; em idade ativa (tomando-se como refer&ecirc;ncia emp&iacute;rica principal os inquiridos do ESS).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5"></a> <img src="/img/revistas/rpe/v29n2/29n2a13f5.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Tanto os pais como as m&atilde;es com o ensino b&aacute;sico concentram-se fortemente nos grupos profissionais com baixas qualifica&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Na distribui&ccedil;&atilde;o masculina, h&aacute; uma parte ainda expressiva com baixos perfis de escolariza&ccedil;&atilde;o que exerce profiss&otilde;es de dire&ccedil;&atilde;o e administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e empresarial (19%) e nos grupos de profiss&otilde;es de especialistas, t&eacute;cnicos e chefias interm&eacute;dias (de quase 9%). Quanto &agrave; distribui&ccedil;&atilde;o feminina deste segmento com baixa escolariza&ccedil;&atilde;o, distingue-se por refor&ccedil;ar a presen&ccedil;a na categoria dos trabalhadores especializados e semiqualificados (mais de 70%). Na compara&ccedil;&atilde;o com o sexo masculino, as m&atilde;es marcam uma presen&ccedil;a diminuta nas profiss&otilde;es melhor posicionadas da estrutura social (as duas primeiras categorias na <a href="#f5">Figura 5</a>). Nas gera&ccedil;&otilde;es dos pais dos inquiridos do ESS, as desigualdades de g&eacute;nero sobrep&otilde;em-se, assim, no sistema de oportunidades de acesso a lugares mais abertos ao setor masculino.</p>     <p>Pais e m&atilde;es com escolaridade de n&iacute;vel secund&aacute;rio marcam alguma presen&ccedil;a em todos os grupos profissionais, mas incidem nos grupos de profiss&otilde;es de base dos servi&ccedil;os administrativos e comerciais, caracter&iacute;sticos de sociedades de pendor mais urbano e fortemente servicializadas.</p>     <p>A distribui&ccedil;&atilde;o dos progenitores com perfil de escolariza&ccedil;&atilde;o superior &eacute; particularmente incidente no grupo dos profissionais e especialistas qualificados e nas profiss&otilde;es de dire&ccedil;&atilde;o e administra&ccedil;&atilde;o. Tal indica que o recrutamento para estes grupos profissionais tinha como condi&ccedil;&atilde;o preferencial &ndash; e veremos que ainda tem &ndash; este tipo de diploma.</p>     <p>A <a href="#f6">Figura 6</a> d&aacute; conta das qualifica&ccedil;&otilde;es da atual estrutura profissional da Europa, nos indiv&iacute;duos de 25 a 64 anos. Estes dados proporcionam uma observa&ccedil;&atilde;o muito elucidativa: a replica&ccedil;&atilde;o dessa estrutura para homens e mulheres, face &agrave; dos pais, pelo menos nas suas distribui&ccedil;&otilde;es principais. Embora, como seria de esperar, se tivesse registado algum aumento da escolariza&ccedil;&atilde;o em determinados grupos profissionais, esta, por si s&oacute;, &eacute; uma verifica&ccedil;&atilde;o de grande valor para o debate central neste trabalho.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f6"></a> <img src="/img/revistas/rpe/v29n2/29n2a13f6.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>O espa&ccedil;o de inclus&atilde;o profissional dos trabalhadores que n&atilde;o det&ecirc;m o n&iacute;vel secund&aacute;rio tende a diminuir. Este aspeto &eacute; uma das express&otilde;es mais significativas da transforma&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es entre as estruturas socioeducacional e socioprofissional: o da exig&ecirc;ncia da obten&ccedil;&atilde;o do ensino secund&aacute;rio, como limiar m&iacute;nimo de acesso e participa&ccedil;&atilde;o no mercado de trabalho, mesmo que tal aconte&ccedil;a nos segmentos de profissionaliza&ccedil;&atilde;o reconhecidos como pouco qualificados ou de qualifica&ccedil;&atilde;o interm&eacute;dia. Embora os que n&atilde;o det&ecirc;m tal certifica&ccedil;&atilde;o continuem a prevalecer no grupo de profiss&otilde;es n&atilde;o qualificadas e semiqualificadas da ind&uacute;stria e da agricultura, atenuam o seu peso face &agrave; estrutura anterior, em ambos os sexos, de forma mais refor&ccedil;ada nas mulheres (como se verifica tamb&eacute;m em Abrantes &amp; Abrantes, 2014).</p>     <p>O ensino secund&aacute;rio, enquanto n&iacute;vel de escolaridade, marca presen&ccedil;a expressiva em todos os segmentos de profiss&otilde;es, mais acentuada nas atividades de base, mas tamb&eacute;m com significado nas fun&ccedil;&otilde;es mais qualificadas de dire&ccedil;&atilde;o e de especializa&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica.</p>     <p>Os diplomados ao n&iacute;vel do ensino superior, embora ainda com presen&ccedil;a mais concentrada nos grupos de profiss&otilde;es qualificados e de claro reconhecimento da sua pericialidade cient&iacute;fica e t&eacute;cnica de alto n&iacute;vel, t&ecirc;m tamb&eacute;m algum peso, mesmo que minorit&aacute;rio, nos restantes segmentos.</p>     <p>Esta an&aacute;lise real&ccedil;a que, al&eacute;m de se ter verificado uma requalifica&ccedil;&atilde;o escolar nas profiss&otilde;es menos qualificadas, o acesso a lugares profissionais de qualifica&ccedil;&atilde;o superior requer, cada vez mais, a posse de n&iacute;veis elevados de escolaridade. Nesta leitura, n&atilde;o se interpretam tais din&acirc;micas como uma desvaloriza&ccedil;&atilde;o das credenciais escolares, que muitos atribuem &agrave; sua generaliza&ccedil;&atilde;o (veja-se Duru-Bellat, 2006), mas sim como um requisito essencial e indispens&aacute;vel para o acesso a determinadas categorias profissionais, sendo o reverso &ndash; a n&atilde;o deten&ccedil;&atilde;o, por parte dos indiv&iacute;duos, de recursos qualificacionais &ndash; um fator acrescido de risco de exclus&atilde;o social.</p>     <p>Na Europa, o padr&atilde;o de qualifica&ccedil;&atilde;o dos grupos profissionais dos dirigentes e administradores e dos profissionais qualificados e t&eacute;cnicos especialistas &eacute; muito equivalente, sendo uma grande maioria (cerca de 60%) preenchida por profissionais com o ensino superior, um ter&ccedil;o com o ensino secund&aacute;rio e cerca de 10% com o ensino b&aacute;sico. Tal estrutura de qualifica&ccedil;&otilde;es inverte-se sobretudo na categoria dos trabalhadores n&atilde;o qualificados, mas tamb&eacute;m na dos trabalhadores qualificados e semiqualificados da ind&uacute;stria, constru&ccedil;&atilde;o, transportes e agricultura (<a href="#f7">Figura 7</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f7"></a> <img src="/img/revistas/rpe/v29n2/29n2a13f7.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Em Portugal, uma forte maioria dos trabalhadores destas duas &uacute;ltimas categorias (cerca de 90%) possui apenas escolaridades dos n&iacute;veis 1 e 2 da CITE (at&eacute; ensino b&aacute;sico). N&atilde;o se pode deixar de assinalar que, neste pa&iacute;s, a percentagem dos menos escolarizados nos dois primeiros grupos melhor posicionados da estrutura socioprofissional quase dobra face &agrave; Europa (<a href="#f8">Figura 8</a>). Parte desta persist&ecirc;ncia do d&eacute;fice qualificacional portugu&ecirc;s prende-se com a abrang&ecirc;ncia do grupo et&aacute;rio em an&aacute;lise (privilegiando a popula&ccedil;&atilde;o em idade ativa) e a demora, no contexto europeu, da recomposi&ccedil;&atilde;o educativa realizada por via da din&acirc;mica geracional (como se constata, em simult&acirc;neo, nas <a href="#f1">Figuras 1</a> e <a href="#f2">2</a>), bem como com as carater&iacute;sticas do mercado de trabalho portugu&ecirc;s em algumas &aacute;reas de atividade econ&oacute;mica com resist&ecirc;ncias conhecidas na incorpora&ccedil;&atilde;o de processos de qualifica&ccedil;&atilde;o e inova&ccedil;&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f8"></a> <img src="/img/revistas/rpe/v29n2/29n2a13f8.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Espanha segue um perfil de qualifica&ccedil;&otilde;es muito equivalente ao de Portugal, sobretudo para os v&aacute;rios grupos profissionais menos qualificados. A dist&acirc;ncia entre estes dois pa&iacute;ses &eacute; mais evidente nos grupos de dirigentes e de profissionais e t&eacute;cnicos qualificados, existindo uma maior polariza&ccedil;&atilde;o qualificacional em Espanha, onde estas categorias incluem mais diplomados do ensino superior e, em simult&acirc;neo, uma maior percentagem de ensino b&aacute;sico.</p>     <p>Em It&aacute;lia, o ensino secund&aacute;rio tem maior import&acirc;ncia nas v&aacute;rias categorias profissionais, competindo diretamente quer com o perfil de escolaridade superior nas profiss&otilde;es melhor qualificadas, quer com os perfis de n&iacute;vel b&aacute;sico nos restantes segmentos.</p>     <p>Tais diferen&ccedil;as d&atilde;o conta das orienta&ccedil;&otilde;es dos sistemas educativos nestes dois pa&iacute;ses (Espanha e It&aacute;lia) e dos seus efeitos nas din&acirc;micas de participa&ccedil;&atilde;o no mercado de trabalho. Espanha, apesar dos d&eacute;fices qualificacionais, garantiu no contexto europeu uma elevada certifica&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel da educa&ccedil;&atilde;o terci&aacute;ria. Tal tend&ecirc;ncia marca, com certeza, a requalifica&ccedil;&atilde;o das estruturas profissionais, tornando subsumida a categoria do ensino secund&aacute;rio, nomeadamente como certifica&ccedil;&atilde;o para entrada em profiss&otilde;es de dire&ccedil;&atilde;o e de enquadramento qualificado. Por outro lado, a certifica&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel do ensino secund&aacute;rio &eacute; bem notada na realidade italiana, dado o investimento na forma&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicos com esta qualifica&ccedil;&atilde;o, tendo deixado marcas evidentes na sua estrutura profissional &ndash; aspeto ainda mais real&ccedil;ado em per&iacute;odos de maior expans&atilde;o escolar.</p>     <p>Neste seguimento, a rela&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o com um dos recursos fundamentais nas condi&ccedil;&otilde;es de vida, os rendimentos, &eacute; tamb&eacute;m muito elucidativa da sua import&acirc;ncia nas sociedades e economias europeias.</p>     <p>Uma primeira leitura da <a href="#f9">Figura 9</a> permite-nos identificar, em todos os pa&iacute;ses europeus, uma rela&ccedil;&atilde;o direta entre a escolaridade e os rendimentos auferidos &ndash; quanto mais escolarizados os indiv&iacute;duos, mais altos s&atilde;o, em termos m&eacute;dios, os seus rendimentos. Em todos os pa&iacute;ses europeus, sem exce&ccedil;&atilde;o, os indiv&iacute;duos com escolaridade superior auferem rendimentos mais elevados do que os indiv&iacute;duos com o ensino secund&aacute;rio e b&aacute;sico; e os rendimentos dos indiv&iacute;duos com o ensino secund&aacute;rio s&atilde;o sempre mais elevados do que os rendimentos dos indiv&iacute;duos com o ensino b&aacute;sico. Tais regularidades s&atilde;o transversais a todo o contexto europeu.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f9"></a> <img src="/img/revistas/rpe/v29n2/29n2a13f9.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Se se considerar a Europa como um todo, constata-se que s&atilde;o bastante acentuadas as desigualdades de rendimentos entre os pa&iacute;ses europeus, sendo vari&aacute;vel a amplitude dessas desigualdades no interior de cada pa&iacute;s, em fun&ccedil;&atilde;o dos n&iacute;veis de escolaridade dos indiv&iacute;duos. Nos pa&iacute;ses onde os rendimentos s&atilde;o, em termos m&eacute;dios, muito mais baixos, as diferen&ccedil;as n&atilde;o s&atilde;o t&atilde;o vincadas &ndash; verificando-se uma esp&eacute;cie de nivelamento por baixo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em Portugal, a segmenta&ccedil;&atilde;o de rendimentos por via da escolaridade &eacute; particularmente not&oacute;ria, com mais uma agravante: como se trata de um dos pa&iacute;ses menos escolarizados da Europa, s&oacute; uma pequena parte da popula&ccedil;&atilde;o v&ecirc; melhorados os seus rendimentos por essa via.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&otilde;es</b></p>     <p>Nos &uacute;ltimos 60 anos, temos observado mudan&ccedil;as significativas na estrutura educacional dos pa&iacute;ses europeus. Tais transforma&ccedil;&otilde;es p&otilde;em em evid&ecirc;ncia processos de forte mobilidade educativa que t&ecirc;m ocorrido at&eacute; aos dias de hoje. A sua intensidade &eacute; muito subsidi&aacute;ria de um conjunto de estruturas e din&acirc;micas:</p>     <p>&mdash; da generaliza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o, nos seus v&aacute;rios n&iacute;veis, nomeadamente nos n&iacute;veis mais altos dos percursos escolares, e em cada pa&iacute;s;</p>     <p>&mdash; dos contextos nacionais e dos momentos hist&oacute;ricos de expans&atilde;o, bem como das transi&ccedil;&otilde;es educativas relevantes &ndash; com tra&ccedil;os espec&iacute;ficos para o sul da Europa, sublinhando um atraso hist&oacute;rico evidente, mas tamb&eacute;m processos de recupera&ccedil;&atilde;o (mais ou menos intensos e mais ou menos continuados, consoante os pa&iacute;ses);</p>     <p>&mdash; de como a distribui&ccedil;&atilde;o est&aacute; relacionada com outros tipos de desigualdade, nomeadamente de g&eacute;nero.</p>     <p>Neste sentido, as an&aacute;lises anteriores permitem sustentar substantivamente que a dimens&atilde;o educativa tem efeitos importantes na mobilidade social, nas inser&ccedil;&otilde;es profissionais e na distribui&ccedil;&atilde;o dos recursos. Escolaridades mais elevadas conduzem a maiores oportunidades m&eacute;dias de acesso a profiss&otilde;es mais qualificadas e a rendimentos tamb&eacute;m mais elevados. Essa &eacute; uma t&oacute;nica vis&iacute;vel em todos os pa&iacute;ses europeus. A possibilidade de conseguir qualifica&ccedil;&otilde;es m&eacute;dias ou superiores est&aacute; longe de ser generalizada, designadamente em pa&iacute;ses marcados por estruturas sociais muito inigualit&aacute;rias e por fortes atrasos educativos, como &eacute; o caso de Portugal. No entanto, isso n&atilde;o significa que a educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o seja relevante, nomeadamente para os indiv&iacute;duos provenientes de meios sociais desfavorecidos. Pelo contr&aacute;rio, o empoderamento social que a educa&ccedil;&atilde;o proporciona e as oportunidades de mobilidade social ascendente que ela abre sugerem vivamente a import&acirc;ncia de pol&iacute;ticas continuadas de alargamento da escolaridade, proporcionando oportunidades de qualifica&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia e superior &agrave; generalidade da popula&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Abrantes, P., &amp; Abrantes, M. (2014). Gendering social mobility: A comparative perspective on the nexus of education and class across Europe. <i>Gender and Education, 26</i>(4), 377-396.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=759181&pid=S0871-9187201600020001300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Almeida, A. N., &amp; Vieira, M. M. (2006). <i>A escola em Portugal: Novos olhares, outros cen&aacute;rios</i>. Lisboa: Ed. ICS.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=759183&pid=S0871-9187201600020001300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Alves, N. A., Baptista, I., Cantante, F., &amp; Carmo, R. (2011). <i>Jovens em transi&ccedil;&otilde;es prec&aacute;rias: Trabalho, quotidiano e futuro</i>. Lisboa: Mundos Sociais.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=759185&pid=S0871-9187201600020001300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Breen, R., &amp; Jonsson, J. O. (2005). Inequality of opportunity in comparative perspective: Recent research on educational attainment and social mobility. <i>Annual Review of Sociology, 31</i>, 223-243.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=759187&pid=S0871-9187201600020001300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Breen, R., &amp; Jonsson, J. O. (2007). Explaining change in social fluidity: Educational equalization and educational expansion in twentieth-century Sweden. <i>American Journal of Sociology, 112</i>(6), 1775-1810.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=759189&pid=S0871-9187201600020001300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Breen, R., Luijkx, R., M&uuml;ller, W., &amp; Pollak, R. (2009). Non-persistent inequality in educational attainment: Evidence from eight European countries. <i>American Journal of Sociology, 114</i>(5), 1475-1521.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=759191&pid=S0871-9187201600020001300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Breen, R., Luijkx, R., M&uuml;ller, W., &amp; Pollak, R. (2010). Long-term trends in educational inequality in Europe: Class inequalities and gender differences. <i>European Sociological Review, 26</i>(1), 1-18.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=759193&pid=S0871-9187201600020001300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Capucha, L., Est&ecirc;v&atilde;o, P., Calado, A., &amp; Capucha, A. R. (2014). The role of stereotyping in public legitimation: The case of the PIGS label. <i>Comparative Sociology, 13</i>(4), 482-502.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=759195&pid=S0871-9187201600020001300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Chevalier, A., &amp; Lindley, J. (2007). <i>Over-education and skills of UK graduates</i>. CEE DP 79.</p>     <!-- ref --><p>Costa, A. F. (2012). <i>Desigualdades sociais contempor&acirc;neas</i>. Lisboa: Mundos Sociais.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=759198&pid=S0871-9187201600020001300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Costa, A. F., Mauritti, R., Martins, S. C., Nunes, N., &amp; Rom&atilde;o, A. L. (2015). A constitui&ccedil;&atilde;o de um espa&ccedil;o europeu de desigualdades. <i>Observat&oacute;rio das Desigualdades e-Working Paper, 1</i>/2015, 1-21.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=759200&pid=S0871-9187201600020001300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Dolton, P. J., &amp; Silles, M. (2003). The determination and consequences of graduate overeducation. In F. B&uuml;chel, A. de Grip, &amp; A. Mertens (Eds.), <i>Overeducation in Europe &ndash; Current issues in theory and policy</i> (pp. 189-216). Amsterdam: Edward Elgar.</p>     <!-- ref --><p>Dubet, F., Duru-Bellat, M., &amp; V&eacute;r&eacute;tout, A. (2010). <i>Les soci&eacute;t&eacute;s et leur &eacute;cole. Emprise du dipl&ocirc;me et coh&eacute;sion sociale</i>. Paris: Le Seuil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=759203&pid=S0871-9187201600020001300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Dubet, F., Duru-Bellat, M., &amp; V&eacute;r&eacute;tout, A. (2012). As desigualdades escolares antes e depois da escola: Organiza&ccedil;&atilde;o escolar e influ&ecirc;ncia dos diplomas. <i>Sociologias, 14</i>(29), 22-70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=759205&pid=S0871-9187201600020001300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Dubet, F., &amp; Duru-Bellat, M. (2000). <i>L&rsquo;hypocrisie scolaire: Pour un coll&egrave;ge enfin d&eacute;mocratique</i>. Paris: Ed. Seul.</p>     <!-- ref --><p>Duru-Bellat, M. (2006). <i>L'inflation scolaire. Les d&eacute;sillusions de la m&eacute;ritocratie</i>. Paris: Ed. du Seuil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=759208&pid=S0871-9187201600020001300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Duru-Bellat, M. (2007). Social inequality in French education extent and complexity of the issues. In R. Teese, S. Lamb, &amp; M. Duru-Bellat (Eds.), <i>International studies in educational inequality &ndash; Theory and policy</i> (vol. 1, pp. 337-356). Dordrecht/Netherlands: Springer.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Esping-Andersen, G. (1990). <i>The three worlds of welfare capitalism</i>. Princeton: Princeton University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=759211&pid=S0871-9187201600020001300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Ferrera, M. (2005). Welfare states and social safety nets in Southern Europe. In M. Ferrera (Org.), <i>Welfare state reform in Southern Europe: Fighting poverty and social exclusion in Italy, Spain, Portugal and Greece</i> (pp. 1-32). Oxon: Routledge.</p>     <p>Goldthorpe, J. H. (2012). Understanding &ndash; and misunderstanding &ndash; social mobility in Britain: The entry of the economists, the confusion of politicians and the limits of educational policy. <i>Barnett Papers in Social Research, 2</i>/2012.</p>     <!-- ref --><p>Goldthorpe, J. H. (2014). The role of education in intergenerational social mobility: Problems from empirical research in sociology and some theoretical pointers from economics. <i>Rationality and Society, 26</i>, 265-289.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=759215&pid=S0871-9187201600020001300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Haim, E. B., Shavit, Y., &amp; Ayalon, H. (2007). Expansion and inequality of educational opportunity: A comparative multi-level analysis. Tel Aviv University, presentation at the Montreal Meeting of RC28, August, 14-17.</p>     <p>Martins, S. C. (2010). <i>Educar (n)a Europa: Contextos, recursos e percursos de escolariza&ccedil;&atilde;o</i> (Tese de Doutoramento). Departamento de Sociologia do ISCTE-IUL, Lisboa.</p>     <!-- ref --><p>Martins, S. C. (2012). <i>Escolas e estudantes da Europa: Estruturas, recursos e pol&iacute;ticas de educa&ccedil;&atilde;o</i>. Lisboa: Mundos Sociais.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=759219&pid=S0871-9187201600020001300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Martins, S. C., Mauritti, R., &amp; Costa, A. F. (2007). Padr&otilde;es de vida na sociedade contempor&acirc;nea. In M. D. Guerreiro, A. C. Torres, &amp; L. Capucha (Orgs.), <i>Quotidiano e qualidade de vida (Portugal no contexto europeu</i>, vol. III) (pp. 263-281). Lisboa: Celta Editora.</p>     <p>Martins, S. C., Nunes, N., Mauritti, R., &amp; Costa, A. F. (2014). O que nos dizem as desigualdades educacionais sobre as outras desigualdades? Uma perspetiva comparada &agrave; escala europeia. In B. P. Melo, A. Diogo, M. Ferreira, J. T. Lopes, &amp; E. E. Gomes (Orgs.), <i>Entre crise e euforia: Pr&aacute;ticas e pol&iacute;ticas educativas no Brasil e em Portugal</i> (pp. 845-868). Porto: Faculdade de Letras da Universidade do Porto.</p>     <!-- ref --><p>Maurin, E. (2009). <i>La peur du d&eacute;classement. Une sociologie des r&eacute;cessions</i>. Paris: Le Seuil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=759223&pid=S0871-9187201600020001300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Mauritti, R., &amp; Martins, S. C. (2014). Consumos de classe m&eacute;dia num Portugal em crise: Cultura, lazer e tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o. <i>Sociologias, V(37)</i>, 144-17.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=759225&pid=S0871-9187201600020001300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Meschi, E., &amp; Scervini, F. (2012). Expansion of schooling and educational inequality in Europe: Educational Kuznets curve revisited. AIAS, <i>GINI Discussion</i>, Paper 61.</p>     <!-- ref --><p>Oesch, D. (2015). Welfare regimes and change in the employment structure: Britain, Denmark and Germany since 1990. <i>Journal of European Social Policy, 25</i>(1), 1-17.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=759228&pid=S0871-9187201600020001300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Silva, P. A. (2009). <i>Waving the European flag in a Southern European welfare state: Factors behind domestic compliance with European social policy in Portugal. </i>Florence: European University Institute.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=759230&pid=S0871-9187201600020001300022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Therborn, G. (1995). <i>European modernity and beyond. The trajectory of European societies 1945-2000</i>. Londres: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=759232&pid=S0871-9187201600020001300023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>van Doorn, M., Pop, I., &amp; Wolbers, M. H. J. (2011). Intergenerational transmission of education across European countries and cohorts. <i>European Societies, 13</i>(1), 93-117.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=759234&pid=S0871-9187201600020001300024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>van Werfhorst, H. G. (2007). Scarcity and abundance: Reconciling trends in the effects of education on social class and earnings in Great Britain 1972-2003. <i>European Sociological Review, 23</i>(2), 239-261.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=759236&pid=S0871-9187201600020001300025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p> <a href="#topc0">Endereço para Correspondência</a><a name="c0"></a>     <p>Toda a correspondência relativa a este artigo deve ser enviada para: Susana da Cruz Martins, ISCTE-IUL, Edifício ISCTE, Av. das Forças Armadas, 1649-026 Lisboa, Portugal. E-mail: <a href="mailto:susana.martins@iscte.pt">susana.martins@iscte.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Recebido em janeiro/2016</i></p>     <p><i>Aceite para publica&ccedil;&atilde;o em agosto/2016</i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Nota</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> Em ingl&ecirc;s: ISCED</p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body><back>
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<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="journal">
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<name>
<surname><![CDATA[Abrantes]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
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<surname><![CDATA[Abrantes]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
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