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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>EDITORIAL</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Editorial</b></p>     <p><b>Maria Alfredo Moreira, Maria Jos&eacute; Casa-Nova &amp; Lia Raquel Oliveira</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>O primeiro n&uacute;mero do ano de 2017 da Revista Portuguesa de Educa&ccedil;&atilde;o (RPE) re&uacute;ne oito textos sobre doc&ecirc;ncia, a n&iacute;vel da forma&ccedil;&atilde;o, e a n&iacute;vel da pr&aacute;tica profissional, inf&acirc;ncia, curr&iacute;culo e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. Sendo textos de conte&uacute;do diferenciado, n&atilde;o deixam no entanto de produzir um <i>continuum</i>, percorrendo o campo da educa&ccedil;&atilde;o desde a inf&acirc;ncia, &agrave; pedagogia, forma&ccedil;&atilde;o de professores, profissionalidade docente e pol&iacute;ticas educativas.</p>     <p>O artigo de Ana Maria Sim&otilde;es Coelho e J&uacute;lio Em&iacute;lio Diniz-Pereira, do Brasil, com o t&iacute;tulo "Olhar o magist&eacute;rio &lsquo;no pr&oacute;prio espelho&rsquo;: o conceito de profissionalidade e as possibilidades de se repensar o sentido da profiss&atilde;o docente", constitui um artigo te&oacute;rico que discute os conceitos de profissionaliza&ccedil;&atilde;o, profissionalismo e profissionalidade &agrave; luz das perspectivas funcionalista, interacionista-simb&oacute;lica, new-weberiana e marxista sobre a profiss&atilde;o docente, refletindo sobre o que parece ter sido (e ser) a tend&ecirc;ncia do magist&eacute;rio, que &eacute; olhar para si mesmo "no espelho dos outros", retirando assim, de forma n&atilde;o consciencializada, a possibilidade de reflex&atilde;o sobre as especificidades da profiss&atilde;o. A autora e o autor prop&otilde;em-se assim, discutir as possibilidades de se repensar o sentido do magist&eacute;rio a partir do conceito de profissionalidade, tendo como pano de fundo a sociologia das profiss&otilde;es. Segundo a e o autor, aquele conceito permite que o magist&eacute;rio se olhe "no pr&oacute;prio espelho", construindo um perfil profissional pr&oacute;prio, afastando-se do discurso do profissionalismo e das tradicionais perspectivas de profiss&atilde;o docente.</p>     <p>A discuss&atilde;o da identidade docente do professor no Brasil continua no texto de Veruska Pires, Charlene Martins Suzuki, Gelcemar Farias e Juarez Vieira do Nascimento, do Brasil, intitulado "Identidade docente e educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica: Um estudo de revis&atilde;o sistem&aacute;tica". Constatando a escassa literatura sobre a identidade docente do professor de educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica, e sendo a sua identidade marcada por experi&ecirc;ncias distintas das dos restantes professores, pelo papel do uso do corpo no exerc&iacute;cio da atividade socioprofissional, o artigo apresenta uma metan&aacute;lise da literatura publicada em peri&oacute;dicos indexados em bases de refer&ecirc;ncia internacionais num per&iacute;odo de 10 anos. Ao todo foram analisados 16 artigos que recorreram, sobretudo, a entrevistas e di&aacute;rios de campo, dando visibilidade &agrave;s perce&ccedil;&otilde;es dos sujeitos sobre as suas experi&ecirc;ncias. A an&aacute;lise dos autores e das autoras situa a discuss&atilde;o da identidade nos estudos em tr&ecirc;s tempos: nas experi&ecirc;ncias anteriores &agrave; forma&ccedil;&atilde;o, no per&iacute;odo da forma&ccedil;&atilde;o inicial e ap&oacute;s a conclus&atilde;o da licenciatura. Os autores e autoras concluem que a maioria dos estudos se situa na forma&ccedil;&atilde;o inicial em per&iacute;odo de est&aacute;gio, fase considerada crucial para a socializa&ccedil;&atilde;o do professor e constru&ccedil;&atilde;o da sua identidade.</p>     <p>Alessandra Rodrigues, Maria Elizabeth Bianconcini de Almeida e Jos&eacute; Armando Valente, tamb&eacute;m do Brasil, apresentam o texto "Curr&iacute;culo, narrativas digitais e forma&ccedil;&atilde;o de professores: Experi&ecirc;ncias da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o &agrave; escola" no qual desvelam uma tessitura entre a constru&ccedil;&atilde;o de narrativas digitais como estrat&eacute;gia de aprendizagem num programa presencial de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Ensino de Ci&ecirc;ncias, e mudan&ccedil;as significativas nas pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas dos sujeitos envolvidos, particularmente pelo recurso a tecnologias digitais de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o (TDIC). Os mestrandos, professores em situa&ccedil;&atilde;o de forma&ccedil;&atilde;o, apropriaram-se quer da t&eacute;cnica da narrativa reflexiva quer dos artefactos necess&aacute;rios &agrave; sua produ&ccedil;&atilde;o em formato digital e transpuseram essas aprendizagens para as suas pr&oacute;prias aulas, em diferentes n&iacute;veis de ensino. A narrativa digital, texto multimodal e multim&eacute;dia, permite enfatizar a aprendizagem como processo bem como o seu reconhecimento enquanto experi&ecirc;ncia pessoal e autoral. Os resultados revelaram que houve reflex&atilde;o sobre a a&ccedil;&atilde;o docente que resultou em m&uacute;ltiplas aprendizagens dos professores, transforma&ccedil;&atilde;o profissional e integra&ccedil;&atilde;o curricular cr&iacute;tica das TDIC.</p>     <p>O artigo de Joana Amaral, Joana Cruz, Patr&iacute;cia Constante, Patr&iacute;cia Pinto, Marta Almeida, Elisa Lopes, Cristiana Ferreira, Ana Macedo, Liliana Monteiro, Teresa Oliveira e Filipa Cruz, de Portugal, intitulado "Compet&ecirc;ncias de matem&aacute;tica e de literacia emergente: Estudo correlacional" estuda a correla&ccedil;&atilde;o entre o desenvolvimento de compet&ecirc;ncias de linguagem oral, consci&ecirc;ncia fonol&oacute;gica e linguagem escrita e o desenvolvimento de compet&ecirc;ncias matem&aacute;ticas, num grupo de 99 crian&ccedil;as de ambos os sexos, em idade pr&eacute;-escolar, do concelho de Matosinhos. Os resultados evidenciam que h&aacute; uma maior estimula&ccedil;&atilde;o da linguagem oral, designadamente do vocabul&aacute;rio, em detrimento da consci&ecirc;ncia fonol&oacute;gica, do conhecimento de letras, e da rela&ccedil;&atilde;o entre a oralidade e a linguagem escrita e os conhecimentos matem&aacute;ticos. Todavia, o conhecimento do n&uacute;mero parece estar relacionado com o conhecimento de letras. As autoras concluem que, apesar da proximidade das idades, o desempenho &eacute; diferenciado entre as crian&ccedil;as e n&atilde;o h&aacute; distin&ccedil;&atilde;o entre sexos, o que sugere a forte influ&ecirc;ncia de factores contextuais e ambientais no desenvolvimento destas compet&ecirc;ncias. Assim, concluem que o papel da educa&ccedil;&atilde;o pr&eacute;-escolar &eacute; essencial para colmatar diferen&ccedil;as de desempenho e mitigar diferen&ccedil;as sociais na escola.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O artigo de Patr&iacute;cia Bandeira de Melo e de Tatiana Oliveira de Carvalho Moura, do Brasil, intitulado "Perspectiva etnogr&aacute;fica como proposta de metodologia de ensino de sociologia" reflete sobre uma experi&ecirc;ncia pedag&oacute;gica levada a cabo na disciplina de sociologia no ensino m&eacute;dio brasileiro, que as autoras designam de "modelo de media&ccedil;&atilde;o did&aacute;tica". Atrav&eacute;s do conhecimento sociol&oacute;gico e numa aproxima&ccedil;&atilde;o ao m&eacute;todo etnogr&aacute;fico, um grupo de alunos e alunas realizaram uma experi&ecirc;ncia de aprendizagem que os levou a "estranhar" uma pr&aacute;tica cultural popular, observando-a durante a sua realiza&ccedil;&atilde;o, ao olh&aacute;-la atrav&eacute;s das lentes da sociologia, o que lhes possibilitou outra compreens&atilde;o de uma parcela do mundo social que habitavam distante da vis&atilde;o de senso comum. A aproxima&ccedil;&atilde;o etnogr&aacute;fica, como forma de compreens&atilde;o sociol&oacute;gica da realidade, evidenciou ser um modelo de media&ccedil;&atilde;o did&aacute;tica eficaz, transformando os alunos e alunas em aprendizes no mundo da investiga&ccedil;&atilde;o e em cidad&atilde;os mais cr&iacute;ticos e problematizadores face &agrave; an&aacute;lise do social.</p>     <p>Ram&oacute;n Cladellas Pros, Antoni Castell&oacute; Tarrida, Merc&eacute; Clariana Muntada e Mar Badia Martin, de Espanha, no texto "Horarios laborales de los progenitores y su incidencia en el rendimiento acad&eacute;mico de alumnos de primaria. Efectos diferenciales del g&eacute;nero" analisam a influ&ecirc;ncia dos atuais hor&aacute;rios laborais dos progenitores, marcados pelas longas horas, instabilidade, e aus&ecirc;ncia do domic&iacute;lio familiar, no rendimento acad&eacute;mico de crian&ccedil;as do ensino prim&aacute;rio. O estudo, realizado com 658 crian&ccedil;as entre 6 e 12 anos, visou aferir se o facto de os progenitores terem um hor&aacute;rio laboral <i>standard</i> (de segunda a sexta-feira, entre as 8h e as 17h) ou n&atilde;o <i>standard</i> impacta o rendimento acad&eacute;mico das crian&ccedil;as. Os resultados indicam que o rendimento nas disciplinas que implicam maior esfor&ccedil;o cognitivo melhora nas crian&ccedil;as em que pelo menos um dos pais tem um hor&aacute;rio laboral <i>standard</i>. Os resultados indicam ainda que a hora de finaliza&ccedil;&atilde;o do hor&aacute;rio laboral da m&atilde;e &eacute; um forte preditor do rendimento acad&eacute;mico a Matem&aacute;tica, L&iacute;nguas e Educa&ccedil;&atilde;o Art&iacute;stica.</p>     <p>O artigo de Fabiana de Oliveira, do Brasil, "Reflex&otilde;es a respeito de uma experi&ecirc;ncia de participa&ccedil;&atilde;o infantil no Brasil envolvendo os espa&ccedil;os urbanos e a perspectiva das crian&ccedil;as" discute as possibilidades de visibiliza&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as no espa&ccedil;o p&uacute;blico, ou seja, da participa&ccedil;&atilde;o infantil nos processos de decis&atilde;o e exerc&iacute;cio da cidadania. Debatendo teoricamente o conceito de participa&ccedil;&atilde;o infantil, apresenta um conjunto de experi&ecirc;ncias levadas a cabo em favelas do Rio de Janeiro pela organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental CECIP (Centro de Cria&ccedil;&atilde;o de Imagem Popular), explorando os resultados positivos nelas alcan&ccedil;ados. O estudo baseia-se na an&aacute;lise de conte&uacute;do de documentos, relat&oacute;rios e planos de a&ccedil;&atilde;o, disponibilizados no s&iacute;tio web dessa organiza&ccedil;&atilde;o. Dessa an&aacute;lise ressalta que, ancorado em atividades de co-produ&ccedil;&atilde;o e de trabalho colaborativo, um processo de participa&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as &eacute; poss&iacute;vel, mesmo considerando as desiguais rela&ccedil;&otilde;es de poder entre adultos e crian&ccedil;as bem como os contextos culturais e particulares de cada fam&iacute;lia.</p>     <p>F&aacute;tima Antunes, de Portugal, e Vera Peroni, do Brasil, encerram o n&uacute;mero com o artigo "Reformas do Estado e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas: trajet&oacute;rias de democratiza&ccedil;&atilde;o e privatiza&ccedil;&atilde;o em educa&ccedil;&atilde;o. Brasil e Portugal, um di&aacute;logo entre pesquisas". Tal como o t&iacute;tulo indica, as autoras fazem uma an&aacute;lise comparada das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para a educa&ccedil;&atilde;o em ambos os pa&iacute;ses, analisando o papel do Estado na sua defini&ccedil;&atilde;o, financiamento e efectiva&ccedil;&atilde;o. Atrav&eacute;s da an&aacute;lise dos desenvolvimentos hist&oacute;ricos, econ&oacute;micos e sociais nas &uacute;ltimas 3 d&eacute;cadas nos per&iacute;odos p&oacute;s-ditadura de ambos os pa&iacute;ses, que trouxeram melhorias inquestion&aacute;veis e de import&acirc;ncia ineg&aacute;vel, como a gratuidade e o acesso universal &agrave; educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica, as autoras concluem que estes avan&ccedil;os s&atilde;o ofuscados pelas atuais condi&ccedil;&otilde;es laborais e salariais dos profissionais de educa&ccedil;&atilde;o, resultado da crescente privatiza&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico em todas as esferas sociais, incluindo a educa&ccedil;&atilde;o. Tal verifica-se na defini&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do da educa&ccedil;&atilde;o e na gest&atilde;o das escolas, na precariza&ccedil;&atilde;o do trabalho docente, no estreitamento do curr&iacute;culo, reduzido &agrave;s aprendizagens &lsquo;essenciais&rsquo;, e nos mecanismos gerenciais impostos a uma gest&atilde;o considerada eficaz por crit&eacute;rios e l&oacute;gicas de mercado. Concluem que as fronteiras entre o p&uacute;blico e o privado se est&atilde;o a esbater em ambos os contextos nacionais.</p>     <p>A sec&ccedil;&atilde;o <i>Leituras</i> traz uma recens&atilde;o da autoria de Micaela Ramon, de Portugal, do livro <i>Leitura e Educa&ccedil;&atilde;o Liter&aacute;ria</i> (edi&ccedil;&otilde;es Pactor, 2016), uma obra coordenada por Fernando Azevedo e &Acirc;ngela Bal&ccedil;a.</p>     <p>Como habitualmente, esperamos que a leitura dos textos publicados seja &uacute;til a uma maior reflex&atilde;o nos campos em an&aacute;lise e a uma pr&aacute;tica profissional mais sustentada nas mais diversas esferas do social.</p>      ]]></body>
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