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<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Educação]]></journal-title>
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<publisher-name><![CDATA[Centro de Investigação em Educação. Instituto de Educação da Universidade do Minho]]></publisher-name>
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<article-id pub-id-type="doi">10.21814/rpe.10724</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Olhar o magistério "no próprio espelho": O conceito de profissionalidade e as possibilidades de se repensar o sentido da profissão docente]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Looking at teaching through "its own mirror: The concept of professionality and the possibilities of rethinking the meaning of teaching profession]]></article-title>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Mirar el magisterio "en su proprio espejo": El concepto de profesionalidad y las posibilidades de repensar el significado de la profesión docente]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In his book Ofício de Mestre - Imagens e auto-imagens, Professor Emeritus at Federal University of Minas Gerais, in Brazil, Miguel Arroyo, raises the following questions about teaching: "How does the teaching profession think about itself? Through the mirror of others or through its own mirror?". By letting oneself be led by the "illusion of professionalization" - and the very strong influence that the functionalist view exerts on this concept -, the teaching profession seems to insist on looking at itself "through the mirror of others." In this article, by discussing the concepts of professionalization, professionalism and professionality, as well as a review of the sociology of professions, we discuss the following questions on this topic: what does it mean to consider that teaching is, in fact, a profession? What are the implications of referring to the concepts of professionalization, professionalism and professionality in the description of the performance and of the expectations placed for the teacher as a professional? What are the possibilities of rethinking the meaning of the teaching profession through the concept of professionalism? In the end, we defend the use of the concept of professionalism to discuss the specificity of the teaching profession - that is, "to make it look at its own mirror" - and that the concept opens new possibilities for rethinking the meaning of the teaching profession.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[En su libro Ofício de Mestre - Imagens e auto-imagens, el Profesor Emérito de la Universidad Federal de Minas Gerais, en Brasil, Miguel Arroyo, plantea las siguientes preguntas acerca de la profesión docente: "¿En qué medida la categoría piensa en si misma? ¿En el espejo de los otros o en su propio espejo?". Dejando seducirse por la "ilusión de la profesionalización" - y la influencia muy fuerte que el aspecto funcionalista tiene en este concepto -, el magisterio parece insistir en mirar a sí mismo "en el espejo de los otros". En este artículo, a través de la discusión de los conceptos de profesionalización, profesionalismo y profesionalidad y una revisión de la sociología de las profesiones, se discuten las siguientes preguntas sobre este tema: ¿Qué significa considerar que el magisterio constituye, de hecho, una profesión? ¿Cuáles son las implicaciones de referirse a los conceptos de profesionalización, profesionalismo y profesionalidad en la descripción de los resultados y de las expectativas puestas al maestro como un profesional? ¿Cuáles son las posibilidades para repensar el significado del magisterio a partir del concepto de profesionalidad? Al final, abogamos por el uso del concepto de profesionalidad para discutir la naturaleza específica de la profesión docente - es decir, hacerla mirar "en su propio espejo" - y como esto abre nuevas posibilidades para repensar el significado del magisterio.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Profissão docente]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS</b></p>     <p><b>Olhar o magist&eacute;rio </b>"<b>no pr&oacute;prio espelho</b>"<b>: O conceito de profissionalidade e as possibilidades de se repensar o sentido da profiss&atilde;o docente</b><b><sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a></b></p>     <p><b>Looking at teaching through "<b>its own mirror:</b>"<b> The concept of professionality and the possibilities of rethinking the meaning of teaching profession</b></b></p>     <p><b><b>Mirar el magisterio "<b>en su proprio espejo</b>"<b>: El concepto de profesionalidad y las posibilidades de repensar el significado de la profesi&oacute;n docente</b></b></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Ana Maria Sim&otilde;es Coelho<sup>i</sup> &amp; J&uacute;lio Em&iacute;lio Diniz-Pereira<sup>ii</sup></b></p>     <p>Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endereço para Correspondência</a><a name="topc0"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b></p>     <p>Em seu livro <i>Of&iacute;cio de Mestre &ndash; Imagens e auto-imagens</i>, o Professor Em&eacute;rito da Universidade Federal de Minas Gerais, no Brasil, Miguel Arroyo, levanta as seguintes quest&otilde;es sobre o magist&eacute;rio: "Como a categoria pensa em si mesma? No espelho dos outros ou no pr&oacute;prio espelho?". Ao deixar se encantar pela "ilus&atilde;o da profissionaliza&ccedil;&atilde;o" &ndash; e a fort&iacute;ssima influ&ecirc;ncia que a vertente funcionalista exerce sobre esse conceito &ndash;, o magist&eacute;rio parece insistir em olhar para si mesmo "no espelho dos outros". Neste artigo, por meio da discuss&atilde;o dos conceitos de profissionaliza&ccedil;&atilde;o, profissionalismo e profissionalidade e de uma revis&atilde;o das principais vertentes da sociologia das profiss&otilde;es, discutimos as seguintes perguntas sobre esse tema: o que significa considerar que o magist&eacute;rio constitua, de fato, uma profiss&atilde;o? Quais as implica&ccedil;&otilde;es de nos referirmos aos conceitos de profissionaliza&ccedil;&atilde;o, profissionalismo e profissionalidade na descri&ccedil;&atilde;o da atua&ccedil;&atilde;o e das expectativas colocadas para o professor como profissional? Quais as possibilidades de se repensar o sentido do magist&eacute;rio a partir do conceito de profissionalidade? Ao final, defendemos a utiliza&ccedil;&atilde;o do conceito de profissionalidade para se discutir a especificidade da profiss&atilde;o docente &ndash; ou seja, faz&ecirc;-la olhar "no pr&oacute;prio espelho" &ndash; e que este abre novas possibilidades para se repensar o sentido do magist&eacute;rio.</p>     <p><b>Palavras-chave:&nbsp;</b>Profiss&atilde;o docente; Profissionalidade; Sociologia das profiss&otilde;es; Brasil</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>In his book <i>Of&iacute;cio de Mestre &ndash; Imagens e auto-imagens</i>, Professor Emeritus at Federal University of Minas Gerais, in Brazil, Miguel Arroyo, raises the following questions about teaching: "How does the teaching profession think about itself? Through the mirror of others or through its own mirror?". By letting oneself be led by the "illusion of professionalization" &ndash; and the very strong influence that the functionalist view exerts on this concept &ndash;, the teaching profession seems to insist on looking at itself "through the mirror of others." In this article, by discussing the concepts of professionalization, professionalism and professionality, as well as a review of the sociology of professions, we discuss the following questions on this topic: what does it mean to consider that teaching is, in fact, a profession? What are the implications of referring to the concepts of professionalization, professionalism and professionality in the description of the performance and of the expectations placed for the teacher as a professional? What are the possibilities of rethinking the meaning of the teaching profession through the concept of professionalism? In the end, we defend the use of the concept of professionalism to discuss the specificity of the teaching profession &ndash; that is, "to make it look at its own mirror" &ndash; and that the concept opens new possibilities for rethinking the meaning of the teaching profession.</p>     <p><b>Keywords:&nbsp;</b>Teaching profession; Professionality; Sociology of professions; Brazil</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMEN</b></p>     <p>En su libro <i>Of&iacute;cio de Mestre &ndash; Imagens e auto-imagens</i>, el Profesor Em&eacute;rito de la Universidad Federal de Minas Gerais, en Brasil, Miguel Arroyo, plantea las siguientes preguntas acerca de la profesi&oacute;n docente: "&iquest;En qu&eacute; medida la categor&iacute;a piensa en si misma? &iquest;En el espejo de los otros o en su propio espejo?". Dejando seducirse por la "ilusi&oacute;n de la profesionalizaci&oacute;n" &ndash; y la influencia muy fuerte que el aspecto funcionalista tiene en este concepto &ndash;, el magisterio parece insistir en mirar a s&iacute; mismo "en el espejo de los otros". En este art&iacute;culo, a trav&eacute;s de la discusi&oacute;n de los conceptos de profesionalizaci&oacute;n, profesionalismo y profesionalidad y una revisi&oacute;n de la sociolog&iacute;a de las profesiones, se discuten las siguientes preguntas sobre este tema: &iquest;Qu&eacute; significa considerar que el magisterio constituye, de hecho, una profesi&oacute;n? &iquest;Cu&aacute;les son las implicaciones de referirse a los conceptos de profesionalizaci&oacute;n, profesionalismo y profesionalidad en la descripci&oacute;n de los resultados y de las expectativas puestas al maestro como un profesional? &iquest;Cu&aacute;les son las posibilidades para repensar el significado del magisterio a partir del concepto de profesionalidad? Al final, abogamos por el uso del concepto de profesionalidad para discutir la naturaleza espec&iacute;fica de la profesi&oacute;n docente &ndash; es decir, hacerla mirar "en su propio espejo" &ndash; y como esto abre nuevas posibilidades para repensar el significado del magisterio.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palabras-clave:&nbsp;</b>Profesi&oacute;n docente; Profesionalidad; Sociolog&iacute;a de las profesiones; Brasil</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Comumente pensamos nas diferentes ocupa&ccedil;&otilde;es como profiss&otilde;es. No Brasil, como em outros pa&iacute;ses, a palavra &lsquo;profiss&atilde;o&rsquo; &eacute; usada para designar diferentes tipos de atividades de trabalho, desde as mais prestigiosas at&eacute; as mais simples. Mas, nos meios especializados, n&atilde;o se utilizam os termos &lsquo;atividade&rsquo;, &lsquo;ocupa&ccedil;&atilde;o&rsquo; e &lsquo;profiss&atilde;o&rsquo; como sin&ocirc;nimos. No caso espec&iacute;fico do magist&eacute;rio, h&aacute; uma pol&ecirc;mica sobre o estatuto profissional da doc&ecirc;ncia, uma vez que o sentido dado ao conceito de profiss&atilde;o por uma das mais tradicionais linhas de estudo das profiss&otilde;es &ndash; a corrente funcionalista &ndash; exclui muitas ocupa&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o se enquadram nas exig&ecirc;ncias de classifica&ccedil;&atilde;o propostas, entre elas o magist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica. Neste artigo, perguntamos: o que significa considerar que o magist&eacute;rio constitua, de fato, uma <i>profiss&atilde;o</i>? Quais as implica&ccedil;&otilde;es de nos referirmos aos conceitos de <i>profissionaliza&ccedil;&atilde;o</i>, <i>profissionalismo</i> e <i>profissionalidade</i> na descri&ccedil;&atilde;o da atua&ccedil;&atilde;o e das expectativas colocadas para o professor como profissional? Quais as possibilidades de se repensar o sentido do magist&eacute;rio a partir do conceito de <i>profissionalidade</i>?</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Profissionaliza&ccedil;&atilde;o: O que diz a Sociologia das Profiss&otilde;es</b></p>     <p>O campo que se tornou conhecido como Sociologia das Profiss&otilde;es<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a> produziu contribui&ccedil;&otilde;es em v&aacute;rias tradi&ccedil;&otilde;es epistemol&oacute;gicas. A <i>vertente funcionalista</i> desenvolveu-se a partir das ideias de Durkheim e re&uacute;ne "o conjunto das teorias que v&ecirc;em nas profiss&otilde;es formas sociais que contribuem para o funcionamento harmonioso do sistema social" (Le Bianic, 2005, p. 30; tradu&ccedil;&atilde;o livre). Um dos expoentes da vertente funcionalista da Sociologia das Profiss&otilde;es foi o soci&oacute;logo norte-americano Talcott Parsons que, assim como outros funcionalistas, defendeu que o principal crit&eacute;rio que distingue uma profiss&atilde;o &eacute; o conhecimento especializado. Entretanto, para que os saberes possam dar origem a uma profiss&atilde;o eles devem "ser funcionais do ponto de vista do equil&iacute;brio do sistema social no seu conjunto, quer dizer, dotados de um certo valor na sociedade considerada" (Le Bianic, 2005, p. 39; tradu&ccedil;&atilde;o livre). Parsons apresenta uma vis&atilde;o abstrata e ideal das profiss&otilde;es, partindo do princ&iacute;pio de que os grupos profissionais n&atilde;o s&atilde;o afetados pela ideologia ou pelas classes sociais. A vontade de servir a sociedade (o "ideal de servi&ccedil;o") e, portanto, uma atitude altru&iacute;sta caracterizaria o universo profissional.</p>     <p>A abordagem funcionalista tem sido criticada quanto ao que postula com respeito &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es entre os saberes e as profiss&otilde;es, uma vez que ela coloca &ecirc;nfase nos conhecimentos te&oacute;ricos como legitimadores destas, mas n&atilde;o define exatamente at&eacute; onde eles devem ir &ndash; enfim, quanto &eacute; preciso saber de qu&ecirc;, quando se trata de situa&ccedil;&otilde;es concretas. Chapoulie (1973) critica o fato de que as an&aacute;lises funcionalistas separam "o saber profissional de suas condi&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o, de difus&atilde;o e de utiliza&ccedil;&atilde;o, quer dizer, das institui&ccedil;&otilde;es e dos grupos que se atribuem o papel de o conservar, desenvolver e de ser, junto aos leigos, as testemunhas de sua exist&ecirc;ncia" (p. 96).</p>     <p>No caso da profiss&atilde;o docente, a defini&ccedil;&atilde;o dos saberes profissionais &eacute; um tema que est&aacute; longe de ser consensual, n&atilde;o apenas tendo em vista os diferentes n&iacute;veis de ensino e as respectivas exig&ecirc;ncias, mas tamb&eacute;m o fato de que, tradicionalmente, no Brasil e em outros pa&iacute;ses, a forma&ccedil;&atilde;o dos professores das etapas mais adiantadas da Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica tem como refer&ecirc;ncia o campo do saber que ir&atilde;o lecionar e n&atilde;o os conhecimentos do campo da Pedagogia que, em geral, s&atilde;o secundarizados nos curr&iacute;culos dos cursos de forma&ccedil;&atilde;o docente.</p>     <p>Se os funcionalistas t&ecirc;m uma vis&atilde;o est&aacute;tica e monol&iacute;tica dos saberes como esteio das profiss&otilde;es, os quais seriam assimilados durante a forma&ccedil;&atilde;o universit&aacute;ria, a <i>perspectiva interacionista</i> introduz a vis&atilde;o de que os saberes s&atilde;o constantemente constru&iacute;dos e negociados pelos profissionais ao longo de sua vida e carreira, nos contatos com seus clientes e com aqueles com quem trabalham, em um processo de socializa&ccedil;&atilde;o em que os aprendizes, aos poucos, assumem a perspectiva dos profissionais, sua maneira de ver o mundo, e se distanciam dos n&atilde;o iniciados. Isto significa que esses saberes n&atilde;o t&ecirc;m que ser exclusivamente acad&ecirc;micos ou cient&iacute;ficos, de modo que qualquer tipo de conhecimento pode dar origem a uma profiss&atilde;o (Le Bianic, 2005).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Um dos autores mais destacados da vertente interacionista foi o soci&oacute;logo norte-americano Everett Hughes. Para ele, cada profiss&atilde;o integra um sistema de trabalho que inclui fun&ccedil;&otilde;es mais respeit&aacute;veis e outras subalternas, em uma distribui&ccedil;&atilde;o de tarefas hierarquizada. Ele d&aacute; o exemplo da profiss&atilde;o m&eacute;dica, em que muitas fun&ccedil;&otilde;es v&atilde;o sendo delegadas a enfermeiras, as quais, na medida em que atingem um melhor status profissional, transferem atividades &lsquo;inferiores&rsquo; a cuidadoras, e estas repassam outras ao pessoal que faz a limpeza, etc. O sistema interacional, no caso da profiss&atilde;o de professor, inclui n&atilde;o apenas o professor e o aluno, mas tamb&eacute;m os pais, a dire&ccedil;&atilde;o da escola, os funcion&aacute;rios de diferentes n&iacute;veis, enfim, todos aqueles que, de algum modo, &lsquo;interferem&rsquo; no trabalho do professor (Hughes, 1964).</p>     <p>Hughes (1964) tamb&eacute;m introduz a ideia de que as profiss&otilde;es significam uma "<i>licen&ccedil;a</i> para realizar certas atividades que outros n&atilde;o podem, e faz&ecirc;-lo em troca de dinheiro, bens ou servi&ccedil;os", e ainda "um <i>mandato</i> para definir o que &eacute; conduta adequada de outros no que concerne ao seu trabalho" (p. 78; tradu&ccedil;&atilde;o livre). Nas palavras de Dubar (1997), a <i>licen&ccedil;a</i> "&eacute; a autoriza&ccedil;&atilde;o legal para exercer algumas atividades que outros n&atilde;o podem exercer" e o "<i>mandato</i> &eacute; a obriga&ccedil;&atilde;o legal de assegurar uma fun&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica" (p. 133). A <i>licen&ccedil;a</i> e o <i>mandato</i> constituem "a manifesta&ccedil;&atilde;o primordial da divis&atilde;o moral do trabalho", que Hughes (1964) define como "os processos pelos quais diferentes fun&ccedil;&otilde;es morais s&atilde;o distribu&iacute;das entre os membros da sociedade, tanto como indiv&iacute;duos como tipos ou categorias de indiv&iacute;duos" (p. 80; tradu&ccedil;&atilde;o livre). Os profissionais possuidores de licen&ccedil;a e mandato t&ecirc;m, muitas vezes, que entrar em contato e guardar segredo sobre uma esp&eacute;cie de "conhecimento culpado", embara&ccedil;oso, que n&atilde;o seria tolerado em outra circunst&acirc;ncia que n&atilde;o o exerc&iacute;cio de sua profiss&atilde;o (Hughes, 1964).</p>     <p>Para Hughes (1964), o magist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica, como profiss&atilde;o intelectual, encontrava-se, na verdade, na sociedade americana, em posi&ccedil;&atilde;o subordinada, e n&atilde;o apenas aos poderes p&uacute;blicos, de maneira que o exerc&iacute;cio profissional podia ser considerado, no m&iacute;nimo, amb&iacute;guo, sen&atilde;o francamente in&uacute;til e frustrante! Pesquisas mais recentes sobre a situa&ccedil;&atilde;o atual dos professores norte-americanos indicam que as condi&ccedil;&otilde;es de exerc&iacute;cio do magist&eacute;rio naquele pa&iacute;s n&atilde;o melhoraram muito (Larson, 2014; Popkewitz, 1997; Zeichner, 2008).&nbsp;</p>     <p>A <i>abordagem interacionista-simb&oacute;lica</i> ampliou o conceito de "profiss&atilde;o" e abriu espa&ccedil;o para que o poder profissional e o monop&oacute;lio que ele cria sobre as atividades pr&oacute;prias da profiss&atilde;o fosse criticado, na medida em que apontou a dist&acirc;ncia existente entre "os saberes oficiais da profiss&atilde;o" e as tarefas que os profissionais realmente fazem na pr&aacute;tica (Le Bianic, 2005). Evidenciou-se a inadequa&ccedil;&atilde;o do modelo funcionalista para a compreens&atilde;o do exerc&iacute;cio profissional concreto, tendo em vista as diferen&ccedil;as entre eles. Os grupos profissionais deixaram de ser estudados como objetos te&oacute;ricos e passaram a ser abordados como objetos da pr&aacute;tica cotidiana (Chapoulie, 1973). As an&aacute;lises interacionistas revelaram que, contrariamente aos atributos positivos enfatizados pela abordagem funcionalista, na verdade, as profiss&otilde;es "se caracterizam antes pelo seu ego&iacute;smo ou uma busca de poder e do monop&oacute;lio econ&ocirc;mico", de modo que "sua posi&ccedil;&atilde;o privilegiada deve ser denunciada" (Le Bianic, 2005, p. 46; tradu&ccedil;&atilde;o livre). Entretanto, se as pesquisas emp&iacute;ricas realizadas a partir da vis&atilde;o fenomenol&oacute;gica interacionista permitiram questionar a aplicabilidade do modelo parsoniano, colocando em evid&ecirc;ncia o papel dos atores sociais nas suas pr&aacute;ticas cotidianas, um dos limites desse enfoque &eacute; que ele se restringiu aos aspectos microssociol&oacute;gicos sem antes "estruturar o campo de a&ccedil;&atilde;o" dos agentes sociais (Barbosa, 1993, p. 7). Al&eacute;m disso, a proposta de estudo formulada por Hughes e outros pesquisadores dessa linha para o estudo das profiss&otilde;es e semiprofiss&otilde;es &eacute; tamb&eacute;m de dif&iacute;cil aplica&ccedil;&atilde;o a outras ocupa&ccedil;&otilde;es, principalmente os "assalariados menos qualificados das grandes empresas" (Dubar, 1997, p. 140).</p>     <p>A teoria funcionalista e a abordagem interacionista das profiss&otilde;es foram criticadas por autores da <i>tradi&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica</i> da Sociologia das Profiss&otilde;es, que produziram trabalhos nas <i>linhas neo-weberiana e marxista</i>. Entre esses destacaram-se o ingl&ecirc;s Terence Johnson, que produziu trabalhos na linha marxista, e a norte-americana Magali Larson, que incluiu em seus estudos refer&ecirc;ncias neo-weberianas e marxistas. Enquanto a contribui&ccedil;&atilde;o do interacionismo se deu na dimens&atilde;o microssociol&oacute;gica, "a partir das tarefas efetivamente realizadas pelas profiss&otilde;es nos seus contextos de trabalho" (Le Bianic, 2005, p. 47; tradu&ccedil;&atilde;o livre), os estudos desses autores ampliaram o foco de modo a analisar as profiss&otilde;es dentro da estrutura social como um todo. Al&eacute;m disso, de acordo com Le Bianic (2005), eles t&ecirc;m em comum o fato de rejeitarem a vis&atilde;o otimista dos funcionalistas, para quem "as profiss&otilde;es s&atilde;o um saber positivo, suscet&iacute;vel de melhorar o sistema social" (p. 47; tradu&ccedil;&atilde;o livre). Os trabalhos da vertente neo-weberiana procuram aplicar a teoria da monopoliza&ccedil;&atilde;o de Weber &agrave;s estrat&eacute;gias de grupos profissionais para reservarem dom&iacute;nios exclusivos de atua&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o a certos campos do saber. Os estudos da vertente marxista enfatizam "a posi&ccedil;&atilde;o das profiss&otilde;es na estrutura de classes e os mecanismos de domina&ccedil;&atilde;o e de reparti&ccedil;&atilde;o do poder no seio da sociedade" (Le Bianic, 2005, p. 47; tradu&ccedil;&atilde;o livre).</p>     <p>Johnson (cit. em Bonelli, 1993) critica particularmente a cren&ccedil;a das an&aacute;lises estrutural-funcionalistas em uma pretensa neutralidade dos grupos ocupacionais em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s classes sociais. Para o autor, ao contr&aacute;rio, as profiss&otilde;es constituem uma forma de controle e poder. Desse modo, elas n&atilde;o se organizam para atender a necessidades sociais, mas, inversamente, trata-se de "uma imposi&ccedil;&atilde;o dessas necessidades e do formato dos servi&ccedil;os prestados" (Johnson, cit. em Bonelli, 1993, p. 32). De acordo com Johnson (cit. em Le Bianic, 2005), o "profissionalismo s&oacute; pode aparecer onde os processos ideol&oacute;gicos e pol&iacute;ticos que sustentam [essa ideologia] coincidem com as necessidades do capital" (p. 50; tradu&ccedil;&atilde;o livre).&nbsp;</p>     <p>Em seu livro <i>The rise of professionalism: A sociological analysis</i>, publicado em 1977, Larson faz, inicialmente, uma reconstru&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica das origens e fortalecimento das profiss&otilde;es a partir do final do s&eacute;culo XVIII nos Estados Unidos e na Inglaterra. A autora mostra, em seguida, que a constitui&ccedil;&atilde;o de um mercado no sentido moderno exige a produ&ccedil;&atilde;o de uma mercadoria e, como o trabalho profissional produz bens intang&iacute;veis que est&atilde;o "intimamente associados &agrave; pessoa e &agrave; personalidade do produtor", segue-se que "os pr&oacute;prios produtores t&ecirc;m que ser produzidos", isto &eacute;, "os profissionais t&ecirc;m que ser adequadamente treinados e socializados de modo a prover servi&ccedil;os reconhecidamente distintos para troca no mercado profissional" (Larson, 1977, p. 14; tradu&ccedil;&atilde;o livre) A organiza&ccedil;&atilde;o do mercado profissional, por sua vez, exige que a educa&ccedil;&atilde;o dos novos profissionais seja padronizada, sendo o conte&uacute;do cognitivo da forma&ccedil;&atilde;o de cada profiss&atilde;o exclusivo. Larson (1977) assinala que "numa situa&ccedil;&atilde;o de mercado a garantia contra eventuais riscos tende a tomar a forma de monop&oacute;lio ou, pelo menos, de prote&ccedil;&atilde;o especial pelas autoridades p&uacute;blicas" (p. 15; tradu&ccedil;&atilde;o livre). No caso das profiss&otilde;es, o Estado sanciona e legitima a demanda por um sistema de educa&ccedil;&atilde;o monopol&iacute;stico com base na alegada superioridade do produto oferecido pelos profissionais. A autora revela tamb&eacute;m a import&acirc;ncia, para a manuten&ccedil;&atilde;o do monop&oacute;lio obtido, da profiss&atilde;o controlar sua base cognitiva, isto &eacute;, a produ&ccedil;&atilde;o do conhecimento que a fundamenta, que possibilitar&aacute; a apropria&ccedil;&atilde;o e dom&iacute;nio de novos saberes, e, ao mesmo tempo, a forma&ccedil;&atilde;o dos profissionais.</p>     <p>Larson (1977) considera as profiss&otilde;es como um projeto coletivo que visa obter o controle do mercado, sendo que o cerne desse projeto de profissionaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; a produ&ccedil;&atilde;o dos pr&oacute;prios profissionais, que s&atilde;o aqueles que realizam os servi&ccedil;os. Para o sucesso de tal projeto, a autora destaca como fundamental que as profiss&otilde;es se aliem &agrave; universidade, onde o conhecimento pertinente &agrave;s mesmas &eacute; produzido. Quanto mais a base cognitiva &eacute; padronizada e cient&iacute;fica e a prepara&ccedil;&atilde;o de novos profissionais institucionalizada e controlada pela profiss&atilde;o, mais favor&aacute;vel &eacute; a situa&ccedil;&atilde;o para a profiss&atilde;o, que pode, at&eacute;, caso considere necess&aacute;rio, regular a entrada no mercado de novos profissionais.&nbsp;</p>     <p>A referida autora (Larson, 1977) aborda tamb&eacute;m quest&otilde;es relativas ao desenvolvimento do modelo burocr&aacute;tico de organiza&ccedil;&atilde;o da estrutura ocupacional. O magist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica &eacute; considerado como uma dessas profiss&otilde;es organizacionais, pois funciona dentro do sistema escolar, no qual, frequentemente, o professor ocupa um lugar subalterno na hierarquia. As profiss&otilde;es organizacionais n&atilde;o s&atilde;o independentes no sentido de atuarem livremente no mercado profissional. Larson (1977) relata de que maneira, nas primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX, o desenvolvimento do ensino m&eacute;dio nos Estados Unidos impulsionou a doc&ecirc;ncia no sentido de se afirmar como profiss&atilde;o. Entretanto, os professores, ocupando posi&ccedil;&otilde;es subordinadas na burocracia do sistema escolar, n&atilde;o tiveram, naquele momento, solidariedade e coes&atilde;o suficientes para assumir o caminho da profissionaliza&ccedil;&atilde;o por meio da capacita&ccedil;&atilde;o em conhecimentos especializados e aquisi&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncia com base em uma "ainda incerta ci&ecirc;ncia da pedagogia" (Larson, 1977, p. 184). A autora assinala que, devido a essa circunst&acirc;ncia, os avan&ccedil;os conseguidos pelos professores, muito mais do que no caso de outras semiprofiss&otilde;es, foram devidos &agrave; atua&ccedil;&atilde;o dos sindicatos. Ela explica tamb&eacute;m de que maneira, em algumas profiss&otilde;es organizacionais &ndash; por exemplo, no caso dos professores da Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica &ndash;, o projeto de profissionaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; mediado pela organiza&ccedil;&atilde;o e passa primeiro por ela, uma vez que o monop&oacute;lio sobre a &aacute;rea funcional relativa &agrave; educa&ccedil;&atilde;o formal das crian&ccedil;as, em que atuam, &eacute; assumido pela pr&oacute;pria organiza&ccedil;&atilde;o, e n&atilde;o pelo grupo profissional.&nbsp;</p>     <p>Embora o termo <i>profissionaliza&ccedil;&atilde;o</i> possa ser usado, como o emprega o soci&oacute;logo franc&ecirc;s Jean Michel Chapoulie (1973), seguindo a tradi&ccedil;&atilde;o sociol&oacute;gica francesa, para designar "o processo segundo o qual um grupo profissional tende a organizar-se segundo o modelo das profiss&otilde;es estabelecidas" (p. 89), &eacute; importante destacar que tanto Johnson quanto Larson consideram a profissionaliza&ccedil;&atilde;o como um processo historicamente localizado e espec&iacute;fico de certas ocupa&ccedil;&otilde;es. Interessado em desvendar as rela&ccedil;&otilde;es das profiss&otilde;es com o poder, Johnson (cit. em Costa, 1995) entende que a profissionaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; "uma forma de controle pol&iacute;tico do trabalho, conquistado por um grupo social, em determinado momento hist&oacute;rico" (p. 89). Johnson (cit. em Costa, 1995) refere-se ainda &agrave; profiss&atilde;o como "um meio de controlar uma ocupa&ccedil;&atilde;o" (p. 89), enquanto para Larson (2014) a profiss&atilde;o &eacute; "uma forma historicamente espec&iacute;fica de organizar o trabalho." (p. 8).&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em coment&aacute;rio recente sobre sua obra, Larson (2014) reflete tamb&eacute;m sobre a situa&ccedil;&atilde;o da profiss&atilde;o docente, particularmente no Ensino Fundamental nos Estados Unidos, em que os professores s&atilde;o "a maior categoria de &lsquo;profiss&otilde;es organizacionais&rsquo; que servem o p&uacute;blico" (p. 8). A autora considera que "os professores est&atilde;o sob grande estresse hoje e mesmo sob ataque direto em muitas partes do pa&iacute;s" (Larson, 2014, p. 8). Esclarece que os professores exercem sua profiss&atilde;o no interior de grandes e heter&ocirc;nomas organiza&ccedil;&otilde;es, os "distritos escolares", que podem ser comparados, aqui, aos sistemas municipais de ensino. Desse modo, mesmo atuando em escolas pequenas, os professores "ainda s&atilde;o os implementadores subordinados de pol&iacute;ticas decididas alhures" (Larson, 2014, p. 12). E diante da "tempestade que amea&ccedil;a os professores", a autora volta &agrave; pergunta que pairava sobre os professores universit&aacute;rios grevistas de San Francisco em 1968: "&Eacute; &lsquo;profissional&rsquo; sindicalizar-se"?<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a> (Larson, 2014, p. 12). A autora registra que "os sindicatos t&ecirc;m estado sob ataque em todos os setores de trabalho desde meados dos anos 1970, mas, no ensino de 4 a 12 anos, eles s&atilde;o frequentemente apresentados como o oposto de profissionalismo" (Larson, 2014, p. 12). Para explicar a quest&atilde;o, Larson retoma um epis&oacute;dio da hist&oacute;ria da sindicaliza&ccedil;&atilde;o dos professores, nos Estados Unidos, quando Margaret Haley, em 1904, se tornou a primeira mulher a discursar para a assembleia da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o daquele pa&iacute;s. Al&eacute;m de se referir aos sal&aacute;rios inadequados, denunciou tamb&eacute;m as inseguran&ccedil;as no emprego e na aposentadoria, as salas de aula lotadas e o trabalho exaustivo:</p>     <p>     <blockquote><i>a falta de reconhecimento do professor como um educador no sistema escolar, devido &agrave; tend&ecirc;ncia para "industrializar a educa&ccedil;&atilde;o"</i> [factoryizing education], f<i>azendo do professor um aut&ocirc;mato, uma mera ferramenta de f&aacute;brica</i>, cujo trabalho seria colocar em pr&aacute;tica mecanicamente e sem questionamento as ideias e ordens daqueles investidos com a autoridade da posi&ccedil;&atilde;o, e que podem ou n&atilde;o saber as necessidades das crian&ccedil;as ou como prov&ecirc;-las. (Haley, cit. em Larson, 2014, p. 12; &ecirc;nfase de Larson, tradu&ccedil;&atilde;o livre)</blockquote>     <p></p>     <p>Acrescentou que "os sindicatos seriam a &uacute;nica maneira de alcan&ccedil;ar o &lsquo;ideal educacional&rsquo; pela aplica&ccedil;&atilde;o &lsquo;da mais avan&ccedil;ada teoria da educa&ccedil;&atilde;o&rsquo;" (Haley, cit. em Larson, 2014, p. 12). Larson (2014) destaca que Haley "fundiu o profissionalismo dos professores com suas condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e exigiu o compartilhamento do poder" (p. 12). Mas, ent&atilde;o, como agora o poder continua sendo negado aos professores e aos seus sindicatos? Nos Estados Unidos, ele teria sido, outrora, trocado por autonomia na sala de aula e, para alguns poucos, egressos de certos programas de forma&ccedil;&atilde;o, por um lugar na administra&ccedil;&atilde;o. Hoje os professores continuam enfrentando o "poder administrativo centralizado, a lideran&ccedil;a tecnocr&aacute;tica feita por pessoas de fora, e um modelo empresarial pelo qual os princ&iacute;pios de mercado penetram no Estado disfar&ccedil;ados de reforma" (Larson, 2014, p. 12).&nbsp;</p>     <p>A pol&ecirc;mica em torno da quest&atilde;o da profissionaliza&ccedil;&atilde;o da profiss&atilde;o docente tem em Mariano Fernandez Enguita (1991) um de seus autores mais conhecidos. Enguita desenvolveu o argumento de que a profiss&atilde;o docente &eacute; uma semi-profiss&atilde;o, por reconhecer nela caracter&iacute;sticas que a colocam a meio caminho entre a situa&ccedil;&atilde;o dos profissionais que exercem profiss&otilde;es tidas como cl&aacute;ssicas e a situa&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores assalariados. Pela relev&acirc;ncia que assume neste texto, trataremos desse tema em um item em separado, a seguir.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O magist&eacute;rio como uma semiprofiss&atilde;o</b></p>     <p>O modelo cl&aacute;ssico geralmente tomado como refer&ecirc;ncia para o entendimento do que seja uma profiss&atilde;o &eacute; o das profiss&otilde;es de advogado, engenheiro e m&eacute;dico. Assim, Enguita (1991) identifica cinco caracter&iacute;sticas principais para a defini&ccedil;&atilde;o de uma ocupa&ccedil;&atilde;o como profiss&atilde;o, no sentido cl&aacute;ssico<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>. Em rela&ccedil;&atilde;o a essas caracter&iacute;sticas que constituem o estatuto profissional das profiss&otilde;es cl&aacute;ssicas, o que se observa no caso dos docentes &eacute; que nunca ocorre uma identifica&ccedil;&atilde;o completa em rela&ccedil;&atilde;o a cada uma, pois, quando as comparamos com a situa&ccedil;&atilde;o que caracteriza o docente como profissional, sempre fica faltando algo. Por outro lado, a situa&ccedil;&atilde;o dos professores tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; a mesma daqueles que ocupam o outro extremo do arco ocupacional, que seriam os oper&aacute;rios da ind&uacute;stria.&nbsp;</p>     <p>Para compreender melhor a situa&ccedil;&atilde;o dos professores, &eacute; importante destacar o que ocorre em rela&ccedil;&atilde;o a algumas dessas caracter&iacute;sticas. Quanto &agrave; <i>licen&ccedil;a</i>, por exemplo, Enguita (1991) chama a aten&ccedil;&atilde;o para o fato de que a legisla&ccedil;&atilde;o n&atilde;o outorga a capacidade de ensinar exclusivamente aos professores, havendo "plena liberdade para o ensino informal", enquanto "ao contr&aacute;rio, n&atilde;o poder&iacute;amos encontrar, por mais que busc&aacute;ssemos, uma medicina ou uma advocacia n&atilde;o regulamentadas" (p. 45). Tamb&eacute;m no que se refere &agrave; <i>compet&ecirc;ncia</i>, a situa&ccedil;&atilde;o dos docentes &eacute; complicada, uma vez que a educa&ccedil;&atilde;o &eacute; um tema sobre o qual, como assinala o autor, "qualquer pessoa se considera com capacidade para opinar", de modo que o trabalho do professor "pode ser julgado e o &eacute; por pessoas alheias ao grupo profissional" (Enguita, 1991, p. 45). A quest&atilde;o da <i>independ&ecirc;ncia</i> tamb&eacute;m &eacute; apresentada como problem&aacute;tica pelo autor, pois os professores n&atilde;o s&atilde;o completamente aut&ocirc;nomos em rela&ccedil;&atilde;o ao seu p&uacute;blico, uma vez que os pais e alunos t&ecirc;m direito a participar na gest&atilde;o das escolas, ainda que os docentes tenham maioria. Quanto a este &uacute;ltimo ponto, importa fazer uma distin&ccedil;&atilde;o entre autonomia em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; pr&oacute;pria atua&ccedil;&atilde;o profissional e o que poderia ser uma completa independ&ecirc;ncia quanto a poss&iacute;veis interfer&ecirc;ncias por parte do p&uacute;blico afetado por essa atua&ccedil;&atilde;o. Levando em conta o sentido e o contexto do trabalho do professor de maneira mais global, cabe refletir se uma total independ&ecirc;ncia seria desej&aacute;vel. Talvez seja mais importante estabelecer os crit&eacute;rios e &acirc;mbitos de atua&ccedil;&atilde;o dos participantes no processo.&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ironicamente, a profiss&atilde;o docente parece se aproximar mais dos quesitos distintivos das profiss&otilde;es liberais no que se refere ao fato de se acreditar que ela deva ser exercida em virtude de uma "voca&ccedil;&atilde;o", o que significaria exerc&ecirc;-la "pelo desejo de servir a seus semelhantes", com a consequ&ecirc;ncia &ndash; distorcida, no caso dos professores &ndash; de que "seu trabalho n&atilde;o pode ser pago, porque n&atilde;o tem pre&ccedil;o, seu exerc&iacute;cio &eacute; &lsquo;liberal&rsquo; e sua retribui&ccedil;&atilde;o toma a forma de &lsquo;honor&aacute;rios&rsquo;" (Enguita, 1991, p. 44). No caso dos professores, o que se verifica, na pr&aacute;tica, &eacute; o aviltamento dos sal&aacute;rios pagos, isto &eacute;, a fixa&ccedil;&atilde;o de um pre&ccedil;o irris&oacute;rio pelo trabalho prestado, mesmo que ele seja considerado &ndash; pelo menos no discurso &ndash; um dos mais importantes pela sociedade, e n&atilde;o a retribui&ccedil;&atilde;o sob a forma de uma remunera&ccedil;&atilde;o digna.</p>     <p>Se o trabalho docente n&atilde;o pode ser caracterizado exatamente como uma profiss&atilde;o no sentido cl&aacute;ssico, ele tamb&eacute;m n&atilde;o pode ser completamente identificado ao de prolet&aacute;rios como os oper&aacute;rios da ind&uacute;stria. Ao discorrer sobre as caracter&iacute;sticas que aproximam o professor de um trabalhador proletarizado, Enguita (1991) esclarece, antes de mais nada, que "um prolet&aacute;rio &eacute; uma pessoa que se v&ecirc; obrigada a vender sua for&ccedil;a de trabalho" (p. 46), e acrescenta que, hoje em dia, a grande maioria dos docentes &eacute; assalariada. O autor aborda, em seguida, outras caracter&iacute;sticas, como a produ&ccedil;&atilde;o de mais-valia pelo professor, que ocorre tanto em rela&ccedil;&atilde;o aos do setor p&uacute;blico quanto do setor privado, e a maneira como a perda de controle sobre o processo de trabalho dos docentes se reflete na desqualifica&ccedil;&atilde;o do posto de trabalho, em consequ&ecirc;ncia da limita&ccedil;&atilde;o da possibilidade de tomar decis&otilde;es, da divis&atilde;o do trabalho docente, e mesmo da maneira como o livro did&aacute;tico define o conte&uacute;do que o professor dever&aacute; trabalhar.</p>     <p>Frente &agrave;s constata&ccedil;&otilde;es que faz, Enguita (1991) chega &agrave; conclus&atilde;o de que a categoria dos docentes se encontra em uma posi&ccedil;&atilde;o ambivalente, uma vez que seu exerc&iacute;cio profissional apresenta tanto caracter&iacute;sticas do que ocorre com os profissionais liberais quanto da situa&ccedil;&atilde;o dos oper&aacute;rios. Nesse sentido, identifica a exist&ecirc;ncia de tend&ecirc;ncia, n&atilde;o apenas para a proletariza&ccedil;&atilde;o &ndash; cujos sinais se tornam de conhecimento p&uacute;blico por ocasi&atilde;o das greves do professorado, pela reiterada divulga&ccedil;&atilde;o da pauta de reivindica&ccedil;&otilde;es dos sindicatos &ndash;, mas tamb&eacute;m para a profissionaliza&ccedil;&atilde;o, j&aacute; que elementos considerados pelo autor como parte da natureza espec&iacute;fica do trabalho docente tornam mais dif&iacute;cil submet&ecirc;-lo a situa&ccedil;&otilde;es que levariam a uma aproxima&ccedil;&atilde;o maior da situa&ccedil;&atilde;o de proletariza&ccedil;&atilde;o. Do mesmo modo, conclui que mudan&ccedil;as em um sentido ou no outro n&atilde;o parecem prov&aacute;veis e o que poder&aacute; ocorrer, segundo ele, s&atilde;o apenas flutua&ccedil;&otilde;es que ora podem favorecer a profissionaliza&ccedil;&atilde;o, ora o processo de proletariza&ccedil;&atilde;o. Para Enguita (1991), a situa&ccedil;&atilde;o profissional dos docentes talvez possa melhorar caso se consiga garantir "certa capacidade de controle da sociedade sobre a profiss&atilde;o docente e certo campo de auto regula&ccedil;&atilde;o desta" (p. 60). Isto significa que uma certa ambiguidade quanto ao estatuto profissional do trabalho docente talvez fa&ccedil;a parte de sua natureza e n&atilde;o deva ser considerada como negativa.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A profiss&atilde;o docente e o debate profissionaliza&ccedil;&atilde;o <i>versus</i> proletariza&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Marta Jim&eacute;nez Ja&eacute;n (1991), por sua vez, traz v&aacute;rios e importantes elementos no sentido de detalhar e esclarecer at&eacute; que ponto se pode, realmente, falar de um processo de proletariza&ccedil;&atilde;o, no caso dos professores da Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica, considerando o que afirma a sociologia marxista. A autora come&ccedil;a por esclarecer a vis&atilde;o de proletariza&ccedil;&atilde;o dos autores que escrevem a respeito fundamentados nas ideias de Harry Braverman<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>. Este autor se debru&ccedil;a sobre a quest&atilde;o da desqualifica&ccedil;&atilde;o do trabalho dos oper&aacute;rios, que ele vincula ao controle exercido sobre eles a partir da fragmenta&ccedil;&atilde;o das tarefas realizadas e da separa&ccedil;&atilde;o entre o trabalho intelectual e o trabalho manual. Ja&eacute;n (1991) se det&eacute;m tamb&eacute;m sobre a cr&iacute;tica feita a essa an&aacute;lise por Charles Derber, que examina as especificidades do processo em rela&ccedil;&atilde;o a outros trabalhadores que n&atilde;o os da ind&uacute;stria e introduz o conceito de "proletariza&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica" para descrever o que ocorre, por exemplo, com professores e outros tipos de funcion&aacute;rios. Ja&eacute;n (1991) chama a aten&ccedil;&atilde;o para o fato de que a an&aacute;lise sociol&oacute;gica feita pelos "te&oacute;ricos da proletariza&ccedil;&atilde;o", quanto &agrave; categoria dos docentes, centra "a aten&ccedil;&atilde;o em suas <i>condi&ccedil;&otilde;es de trabalho</i> e em suas <i>a&ccedil;&otilde;es</i> enquanto trabalhadores", podendo-se resumir seus argumentos em quatro "id&eacute;ias nucleares" (p. 75 )<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>.&nbsp;</p>     <p>Em seguida, a autora destaca a diferencia&ccedil;&atilde;o feita por Derber, ao analisar a "proletariza&ccedil;&atilde;o" dos profissionais, entre "proletariza&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica", que "define-se em rela&ccedil;&atilde;o ao controle dos modos de execu&ccedil;&atilde;o do trabalho", e "proletariza&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica", que "vincula-se ao controle sobre os fins do trabalho" (Ja&eacute;n, 1991, p. 77). A categoria docente estaria submetida, como os profissionais, principalmente &agrave; proletariza&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica, &agrave; qual eles reagem com estrat&eacute;gias de "acomoda&ccedil;&atilde;o", visando "proteger seus interesses" (Derber, cit. em Ja&eacute;n, 1991, p. 78). Dentre estas, Derber (cit. em Ja&eacute;n, 1991) destaca a "desensibiliza&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica", que consiste em negar que o que se perdeu seja uma parte importante do trabalho. Ela se traduz pelo abandono dos fins sociais do trabalho, que passa a ser realizado apenas de acordo com crit&eacute;rios cient&iacute;ficos e t&eacute;cnicos. Uma segunda rea&ccedil;&atilde;o &eacute; a "coopta&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica", que leva a um esfor&ccedil;o de "identifica&ccedil;&atilde;o do &lsquo;car&aacute;ter ideol&oacute;gico e moral do trabalho&rsquo; com o que &eacute; redefinido por outros" (Ja&eacute;n, 1991, p. 79). Isto significa, segundo Derber (cit. em Ja&eacute;n, 1991), que a "proletariza&ccedil;&atilde;o" teve efeitos bastante diferentes em rela&ccedil;&atilde;o aos profissionais, uma vez que a perda do controle sobre o trabalho no caso dos educadores, por exemplo, incide sobre os aspectos t&eacute;cnicos, mas &eacute; contornada, at&eacute; certo ponto, pela maneira como eles reagem &agrave; proletariza&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica. Como se pode ver, trata-se de uma quest&atilde;o complexa, uma vez que, embora a proletariza&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica possa ser, talvez, mais facilmente constatada e sentida no dia a dia, a proletariza&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica pode ter efeitos mais delet&eacute;rios sobre o profissional, tanto mais quanto esta &uacute;ltima &eacute; supostamente &lsquo;contornada&rsquo; por ele, que, devido a tal acomoda&ccedil;&atilde;o, pode ficar com a impress&atilde;o de que ela n&atilde;o esteja ocorrendo.</p>     <p>Todavia, Blas Cabrera e Marta Ja&eacute;n (1991) insistem na import&acirc;ncia de n&atilde;o perder de vista as diferen&ccedil;as entre o professorado e a classe trabalhadora, devido &agrave; localiza&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica dos docentes na estrutura social. Para os autores, al&eacute;m de compreender "que a consolida&ccedil;&atilde;o e a expans&atilde;o dos sistemas educacionais t&ecirc;m alterado a situa&ccedil;&atilde;o tradicional e as fun&ccedil;&otilde;es do professorado", &eacute; preciso levar em conta que "em outros momentos sua posi&ccedil;&atilde;o tem sido mais independente, e superiores suas possibilidades de tomar decis&otilde;es e controlar seu trabalho", de modo que mesmo que os professores estejam enfrentando "a tend&ecirc;ncia &agrave; burocratiza&ccedil;&atilde;o dos sistemas educacionais e &agrave; desqualifica&ccedil;&atilde;o e separa&ccedil;&atilde;o entre concep&ccedil;&atilde;o/execu&ccedil;&atilde;o" n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel falar em sua "homogeneiza&ccedil;&atilde;o com o trabalho manual" (Cabrera &amp; Ja&eacute;n, 1991, p. 199). Assinalam, ademais, que os professores, como funcion&aacute;rios do Estado, n&atilde;o podem ser incorporados no "&acirc;mbito do &lsquo;trabalho produtivo&rsquo;", uma vez que seu trabalho n&atilde;o gera mais-valia e, "justamente por sua condi&ccedil;&atilde;o de &lsquo;improdutivos&rsquo;&hellip; vivem de forma espec&iacute;fica situa&ccedil;&otilde;es como uma crise econ&ocirc;mica" (Cabrera &amp; Ja&eacute;n, 1991, p. 199). Por outro lado, se os professores se encontram "em uma posi&ccedil;&atilde;o de dom&iacute;nio em rela&ccedil;&atilde;o ao trabalho manual", isto n&atilde;o chega a impedir que "a pr&oacute;pria categoria docente possa ver-se exclu&iacute;da de fun&ccedil;&otilde;es conceituais em seu trabalho", "j&aacute; que a divis&atilde;o social do trabalho tende a reproduzir-se ... tanto no interior do trabalho manual como no do trabalho intelectual" (Cabrera &amp; Ja&eacute;n, 1991, p. 200).</p>     <p>Cabrera e Ja&eacute;n (1991) relativizam tamb&eacute;m o alcance das altera&ccedil;&otilde;es havidas nas condi&ccedil;&otilde;es de trabalho dos professores, pois, para eles, "o processo n&atilde;o tem sido t&atilde;o devastador do controle e das qualifica&ccedil;&otilde;es do professorado como o tem sido no &acirc;mbito do trabalho diretamente produtivo" (p. 201). Os professores n&atilde;o se v&ecirc;m impedidos de realizar as tarefas para as quais tamb&eacute;m est&atilde;o dispon&iacute;veis especialistas, sendo, em alguns casos, requalificados para tanto. E tamb&eacute;m h&aacute; um limite para a perda de autonomia, pois o trabalho do professor, por sua natureza, requer uma certa liberdade para fazer adapta&ccedil;&otilde;es tendo em vista que "se realiza com seres humanos" e, al&eacute;m disso, acontece "concretamente em salas de aula separadas onde o docente trabalha sozinho, e onde sua autoridade se apoia em crit&eacute;rios de legitimidade relativos &agrave; sua suposta &lsquo;superioridade intelectual&rsquo; com rela&ccedil;&atilde;o ao alunado" (Cabrera &amp; Ja&eacute;n, 1991, p. 201). Os autores advertem, entretanto, para o fato de que, como no caso do professorado, as medidas racionalizadoras s&atilde;o propostas e adotadas n&atilde;o pelo capital mas pelos administradores do Estado, cujo objetivo &eacute; "manter-se &agrave; frente dos aparelhos de Estado", e, sendo assim, o processo &eacute; "muito mais vulner&aacute;vel", pois os "&lsquo;administradores do Estado&rsquo; t&ecirc;m de aparentar ... que atuam com &lsquo;neutralidade&rsquo;, que se trata de medidas que favorecem a sociedade em seu conjunto" (Cabrera &amp; Ja&eacute;n, 1991, p. 202).</p>     <p>Tais considera&ccedil;&otilde;es, algumas das quais feitas h&aacute; mais de duas d&eacute;cadas, continuam atuais, pois ajudam a compreender os motivos pelos quais temos notado, na pr&aacute;tica, uma diminui&ccedil;&atilde;o j&aacute; preocupante no n&uacute;mero daqueles que escolhem a profiss&atilde;o de professor da Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica p&uacute;blica brasileira. Em outras palavras, elas fazem sentido no contexto das reflex&otilde;es que &eacute; necess&aacute;rio empreender sobre a realidade do trabalho docente hoje. De fato, se as particularidades dessas an&aacute;lises n&atilde;o chegam aos licenciandos, eles t&ecirc;m conhecimento da situa&ccedil;&atilde;o concreta dos professores. Assim, h&aacute; uma percep&ccedil;&atilde;o positiva quanto aos processos que permitem considerar o docente como um "profissional", pois estes resultam, na pr&aacute;tica, em maior valoriza&ccedil;&atilde;o do exerc&iacute;cio do magist&eacute;rio e, potencialmente, em melhoria nos sal&aacute;rios. Inversamente, os processos de proletariza&ccedil;&atilde;o s&atilde;o percebidos pelos jovens como negativos, talvez n&atilde;o tanto pelo que significam em termos das perdas relacionadas ao pr&oacute;prio processo de trabalho, mas por se traduzirem em desvaloriza&ccedil;&atilde;o da profiss&atilde;o e, consequentemente, piora ou estagna&ccedil;&atilde;o do poder aquisitivo. No contexto da sociedade em que vivemos, capitalista e consumista, os jovens buscam profiss&otilde;es que, talvez mais do que a satisfa&ccedil;&atilde;o e realiza&ccedil;&atilde;o pessoal, possam garantir-lhes n&atilde;o apenas o sustento, mas um certo n&iacute;vel de consumo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em rela&ccedil;&atilde;o a esse debate sobre a quest&atilde;o da profissionaliza&ccedil;&atilde;o <i>versus</i> proletariza&ccedil;&atilde;o do trabalho docente, Maurice Tardif e Claude Lessard (2007) consideram tratar-se de uma coloca&ccedil;&atilde;o do problema "bin&aacute;ria demais", pois "as coisas s&atilde;o bem mais complexas" do que transparece na polariza&ccedil;&atilde;o entre "os partid&aacute;rios da profissionaliza&ccedil;&atilde;o do ensino" e "os defensores da tese de sua proletariza&ccedil;&atilde;o" (p. 27). Segundo os autores, "a tem&aacute;tica da profissionaliza&ccedil;&atilde;o do ensino n&atilde;o pode estar dissociada da problem&aacute;tica do trabalho escolar e docente, e dos modelos que regem a organiza&ccedil;&atilde;o" (Tardif &amp; Lessard, 2007, p. 28).</p>     <p>Tardif e Lessard (2007) n&atilde;o s&atilde;o os &uacute;nicos a criticar esse binarismo em que a quest&atilde;o da profissionaliza&ccedil;&atilde;o <i>versus</i> proletariza&ccedil;&atilde;o do trabalho docente &eacute; geralmente tratada na literatura da &aacute;rea. V&aacute;rios outros autores, antes mesmos dos colegas canadenses, questionaram o chamado "discurso do profissionalismo" (Arroyo, 2000, p. 29) ou a "ret&oacute;rica da profissionaliza&ccedil;&atilde;o" (Contreras, 2002, p. 74) &ndash; ou o que poder&iacute;amos denominar aqui de ilus&atilde;o de profissionaliza&ccedil;&atilde;o &ndash; e alertaram sobre "as armadilhas" (Contreras, 2002, p. 68), "os perigos e problemas associados &agrave; pr&oacute;pria ideia de profissional" (Contreras, 2002, p. 71).</p>     <p>Para Arroyo (2000), por exemplo, "[o] discurso do profissionalismo &eacute; um sonho amb&iacute;guo" (p. 29). Explica porqu&ecirc;:</p>     <p>     <blockquote>Do lado da categoria pode significar o reconhecimento e a valoriza&ccedil;&atilde;o. Do lado social, pode significar a justificativa para adiar esse reconhecimento. Por falta de compet&ecirc;ncia e de dom&iacute;nio de saberes, o reconhecimento e a valoriza&ccedil;&atilde;o s&atilde;o sempre adiados. Quando os n&iacute;veis de titula&ccedil;&atilde;o aumentarem ser&aacute;s reconhecido e valorizado. Novos planos de valoriza&ccedil;&atilde;o do magist&eacute;rio num futuro sempre adiado. O discurso da incompet&ecirc;ncia-compet&ecirc;ncia n&atilde;o tem servido de justificativa, mais aparente do que real, para adiar esse reconhecimento? N&atilde;o penso que os profissionais da Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica sejam menos competentes do que outros profissionais de &aacute;reas pr&oacute;ximas. A qualifica&ccedil;&atilde;o aumentou consideravelmente nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, n&atilde;o obstante o estatuto profissional da categoria continua indefinido, ainda imerso em uma imagem social difusa, sem contornos. (Arroyo, 2000, p. 29)</blockquote>     <p></p>     <p>Ao tecerem tais cr&iacute;ticas, alguns desses autores &ndash; assim como o que propomos neste texto &ndash; utilizam o conceito de <i>profissionalidade</i> n&atilde;o apenas para deixar claro os seus questionamentos, mas tamb&eacute;m para avan&ccedil;ar no debate e apresentar novas possibilidades de se repensar o sentido do magist&eacute;rio.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O conceito de profissionalidade, a ressignifica&ccedil;&atilde;o da ideia de voca&ccedil;&atilde;o e as possibilidades de se repensar o sentido do magist&eacute;rio</b></p>     <p>Gimeno Sacrist&aacute;n (1995) define o termo profissionalidade como aquilo "que &eacute; espec&iacute;fico na a&ccedil;&atilde;o docente, isto &eacute;, o conjunto de comportamentos, conhecimentos, destrezas, atitudes e valores que constituem a especificidade de ser professor" (p. 64)</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ao partir das defini&ccedil;&otilde;es de Eric Hoyle e tamb&eacute;m de Gimeno Sacrist&aacute;n sobre <i>profissionalidade</i>, Jos&eacute; Contreras (2002) afirma que esse termo "refere-se <i>&agrave;s qualidades da pr&aacute;tica profissional dos professores em fun&ccedil;&atilde;o do que requer o trabalho educativo</i>. ... n&atilde;o s&oacute; descrever o desempenho do trabalho de ensinar, mas tamb&eacute;m expressar valores e pretens&otilde;es que se deseja alcan&ccedil;ar e desenvolver nesta profiss&atilde;o" (p. 74; grifos do autor). Para Contreras (2002), s&atilde;o tr&ecirc;s as dimens&otilde;es da profissionalidade: "a) a obriga&ccedil;&atilde;o moral; b) o compromisso com a comunidade; e c) a compet&ecirc;ncia profissional" (p. 76). Mais adiante, discutiremos essas tr&ecirc;s dimens&otilde;es da profissionalidade, n&atilde;o apenas com as posi&ccedil;&otilde;es desse autor espanhol, mas tamb&eacute;m com as ideias de outros autores sobre o tema. Antes disso, aprofundaremos um pouco mais sobre esta ideia da especificidade da a&ccedil;&atilde;o docente &ndash; n&uacute;cleo do conceito de profissionalidade.</p>     <p>Miguel Arroyo, a fim de compreender e esclarecer o que caracteriza e distingue o trabalho do professor, explica em seu livro, <i>Of&iacute;cio de Mestre &ndash; Imagens e auto-imagens </i>(2000), que escolheu o termo <i>of&iacute;cio</i> porque ele remete tanto &agrave; longa mem&oacute;ria que esse saber-fazer carrega, quanto ao fato de se tratar do que ele reconhece como um fazer de art&iacute;fice, qualificado, profissional, algo de que se tem orgulho, "a defesa de uma identidade individual e coletiva" (p. 18). Para ele, a "per&iacute;cia dos mestres"" diz respeito &agrave;s &ldquo;artes de ensinar e educar&rdquo;, ao "conviver de gera&ccedil;&otilde;es", ao "saber acompanhar e conduzir a inf&acirc;ncia em seus processos de socializa&ccedil;&atilde;o, forma&ccedil;&atilde;o e aprendizagem", e continua viva, presente e necess&aacute;ria (Arroyo, 2000, p. 18) Trata-se, portanto, de algo cujo conte&uacute;do n&atilde;o pode, em seu entender, ser facilmente substitu&iacute;do por qualquer pessoa de boa vontade ou pelo que uma certa moderniza&ccedil;&atilde;o tem trazido para o campo da educa&ccedil;&atilde;o. Para Arroyo (2000),</p>     <p>     <blockquote>A educa&ccedil;&atilde;o que acontece nas escolas tem, ainda, muito de artesanal. Seus mestres t&ecirc;m que ser artes&atilde;os, art&iacute;fices, artistas para dar conta do magist&eacute;rio. ... O trabalho e a rela&ccedil;&atilde;o educativa que se d&aacute; na sala de aula e no conv&iacute;vio entre educadores(as)/educandos(as) traz ainda as marcas da especificidade da a&ccedil;&atilde;o educativa. A escola e outros espa&ccedil;os educativos ainda dependem dessa qualidade. (pp. 18-19)</blockquote>     <p></p>     <p>Em sua tentativa de caracterizar o trabalho docente, esse autor considera que ele envolve n&atilde;o apenas um <i>saber-fazer</i>, mas algo que vai al&eacute;m e que se configura como um <i>dever-ser</i>. Assinala tamb&eacute;m tratar-se de uma profiss&atilde;o que, talvez mais do que outras, se entrecruza com a vida pessoal. Por tudo isso, para o autor, o que se encontra no cerne desse of&iacute;cio &eacute; algo que n&atilde;o se aprende em cursos, aproximando-se mais de uma experi&ecirc;ncia, na medida em que depende da viv&ecirc;ncia. Arroyo (2000) chama a aten&ccedil;&atilde;o para o fato de que</p>     <p>     <blockquote>o imagin&aacute;rio social configurou o of&iacute;cio de mestre com fortes tra&ccedil;os morais, &eacute;ticos. No terreno do dever. H&aacute; figuras sociais de quem se espera que fa&ccedil;am bem, com efici&ecirc;ncia. H&aacute; outras de quem se espera que sejam boas, que tenham os comportamentos devidos, que sejam mais do que competentes. O magist&eacute;rio b&aacute;sico foi colocado neste imagin&aacute;rio. Poderemos tentar reagir enfatizando profissionalismo e efici&ecirc;ncia, qualidade e resultados. Que como mestres ensinamos a ler, escrever, contar, que ensinamos nossa mat&eacute;ria competentemente. Sempre ser&aacute; exigido mais desse of&iacute;cio. (p. 37)</blockquote>     <p></p>     <p>O autor conclui, assim, que</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     <blockquote>ser mestre, educador, &eacute; um modo de ser e um dever-ser. Ser pedagogos de n&oacute;s mesmos. Ter cuidados com nosso pr&oacute;prio percurso humano para assim podermos acompanhar o percurso das crian&ccedil;as, adolescentes e jovens. &Eacute; uma conversa permanente com n&oacute;s mesmos sobre a forma&ccedil;&atilde;o. (Arroyo, 2000, p. 42)</blockquote>     <p></p>     <p>O posicionamento de Arroyo se singulariza frente ao debate sobre a quest&atilde;o da profissionaliza&ccedil;&atilde;o ou proletariza&ccedil;&atilde;o do magist&eacute;rio. Sem entrar propriamente nos termos em que geralmente se trava essa discuss&atilde;o, por um lado, ele reflete sobre as vicissitudes que t&ecirc;m afetado a doc&ecirc;ncia e comprometido uma atua&ccedil;&atilde;o mais aut&ocirc;noma dos professores. Por outro lado, enfatiza as especificidades da atua&ccedil;&atilde;o docente ligadas ao seu car&aacute;ter n&atilde;o apenas relacional, mas de cuidado com elementos preciosos do humano, como lidar com a inf&acirc;ncia e a juventude justamente no processo de forma&ccedil;&atilde;o dos sujeitos nesses tempos da exist&ecirc;ncia.</p>     <p>Em pesquisa sobre o que constitui o trabalho docente, tamb&eacute;m Maurice Tardif e Claude Lessard (2007) trazem para o primeiro plano a interatividade humana inerente ao magist&eacute;rio. Nesse sentido, a abordagem que prop&otilde;em considera tratar-se de um trabalho fundamentalmente diferente daquele exercido por outros trabalhadores, por n&atilde;o se realizar sobre a mat&eacute;ria inerte ou sobre a mat&eacute;ria viva (animais, vegetais). O trabalho docente &eacute; entendido, por Tardif e Lessard (2007), como um trabalho interativo na medida em que &eacute; um "trabalho sobre e com o outro"", isto &eacute;, o &ldquo;objeto de trabalho" (p. 11) do professor "&eacute; justamente um outro ser humano" (p. 8).</p>     <p>Tardif e Lessard (2007) assinalam que, at&eacute; h&aacute; bem pouco tempo, "o trabalho material foi considerado o arqu&eacute;tipo de trabalho humano" (p. 16) e que era</p>     <p>     <blockquote>o fato de estar envolvido por rela&ccedil;&otilde;es sociais de produ&ccedil;&atilde;o que definia o trabalhador e, mais que isso, o cidad&atilde;o. Essas rela&ccedil;&otilde;es sociais de produ&ccedil;&atilde;o, por sua vez, eram vistas como o cora&ccedil;&atilde;o mesmo da sociedade, e o trabalho produtivo como o setor social mais essencial, aquele pelo qual se garantiam ao mesmo tempo a produ&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica da sociedade e seu desenvolvimento material. (p. 16)</blockquote>     <p></p>     <p>Segundo Tardif e Lessard (2007), essa vis&atilde;o ainda prevalece, respaldando, por exemplo, as ideologias neoliberais, enquanto o trabalho dos professores</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     <blockquote>&eacute; visto como uma ocupa&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria ou perif&eacute;rica em rela&ccedil;&atilde;o ao trabalho material e produtivo. A doc&ecirc;ncia e seus agentes ficam nisso subordinados &agrave; esfera da produ&ccedil;&atilde;o, porque sua miss&atilde;o primeira &eacute; preparar os filhos dos trabalhadores para o mercado de trabalho. O tempo de aprender n&atilde;o tem valor por si mesmo; &eacute; simplesmente uma prepara&ccedil;&atilde;o para a "verdadeira vida", ou seja, o trabalho produtivo, ao passo que, comparativamente, a escolariza&ccedil;&atilde;o &eacute; dispendiosa, improdutiva ou, quando muito, reprodutiva. (p. 17)</blockquote>     <p></p>     <p>Entretanto, para esses autores, os modelos cl&aacute;ssicos de trabalho, que t&ecirc;m como refer&ecirc;ncia &ldquo;o sistema produtivo de bens materiais" (Tardif &amp; Lessard, 2007, p. 16), n&atilde;o correspondem "&agrave; realidade socioecon&ocirc;mica das sociedades modernas avan&ccedil;adas" (Tardif &amp; Lessard, 2007, p. 17), motivo pelo qual introduzem uma outra vis&atilde;o, segundo eles, mais apropriada &agrave; an&aacute;lise das caracter&iacute;sticas do trabalho dos professores. Assim, a primeira tese que se prop&otilde;em a defender &eacute; que "longe de ser uma ocupa&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria ou perif&eacute;rica em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; hegemonia do trabalho material, o trabalho docente constitui uma das chaves para a compreens&atilde;o das transforma&ccedil;&otilde;es atuais das sociedades do trabalho"<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a> (Tardif &amp; Lessard, 2007, p. 17).</p>     <p>Tardif e Lessard (2007) defendem ainda a tese de que "&eacute; praticamente imposs&iacute;vel compreender o que os professores realmente fazem sem, ao mesmo tempo, interrogar-se e elucidar os modelos de gest&atilde;o e de realiza&ccedil;&atilde;o de seu trabalho" (p. 25) e a tese de que &eacute; "necess&aacute;rio ligar a quest&atilde;o da profissionaliza&ccedil;&atilde;o do ensino &agrave; quest&atilde;o mais ampla do trabalho docente ... simplesmente por que a profissionaliza&ccedil;&atilde;o coloca concretamente o problema do poder na organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho escolar e docente" (p. 27).</p>     <p>Dessa maneira, o magist&eacute;rio tem apresentado, ao longo do tempo, aspectos identit&aacute;rios universais compartilhados por professores de diversas partes do mundo e reconhecidos em meio ao que &eacute; pr&oacute;prio de cada lugar e cultura. Embora seja encarado, no senso comum, como uma carreira profissional, no dia a dia o magist&eacute;rio apresenta caracter&iacute;sticas que permitem questionar sua defini&ccedil;&atilde;o como uma profiss&atilde;o liberal, no sentido cl&aacute;ssico do termo, quando se trata de examin&aacute;-la de um ponto de vista racionalmente mais elaborado. Esta diverg&ecirc;ncia constitui o cerne de um importante debate que se desenvolve h&aacute; algumas d&eacute;cadas com a participa&ccedil;&atilde;o de autores de diferentes pa&iacute;ses, como Espanha, Canad&aacute;, Fran&ccedil;a, Estados Unidos, al&eacute;m do pr&oacute;prio Brasil, envolvendo os aspectos que permitiriam caracterizar o professor como um profissional ou, no outro extremo do arco ocupacional, como um trabalhador assalariado ou mesmo algu&eacute;m que se dedica a essa atividade em virtude de uma voca&ccedil;&atilde;o, entendida n&atilde;o apenas como um desejo ou inclina&ccedil;&atilde;o natural, mas como uma disponibilidade para a dedica&ccedil;&atilde;o semelhante &agrave; que geralmente se atribui ao sacerd&oacute;cio.</p>     <p>Como explica Emilio Tenti Fanfani (2005), ao explicitar o sentido etimol&oacute;gico do termo "<i>obedecer a un llamado</i>":</p>     <p>     <blockquote>la vocaci&oacute;n, al igual que el sacerdocio, era una cualidad innata, una especie de predisposici&oacute;n natural que los sujetos tienen o no en mayor o menor medida. La vocaci&oacute;n implicaba un fuerte compromiso emocional y desinteresado con la actividad. Desde esta perspectiva, la docencia era una especie de "don" y por eso se la asociaba con un "deber" y una &ldquo;obligaci&oacute;n", m&aacute;s que con un trabajo en sentido estricto. (p. 263)</blockquote>     <p></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na verdade, o fato de o trabalho educativo do professor da Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica ser voltado para crian&ccedil;as e adolescentes e continuar, sob muitos aspectos, a educa&ccedil;&atilde;o usualmente recebida na fam&iacute;lia, e tamb&eacute;m por dele terem se encarregado, historicamente, congrega&ccedil;&otilde;es religiosas, o magist&eacute;rio foi e ainda &eacute;, muitas vezes, identificado com os cuidados maternos e com algo que se faz por amor e em atendimento a um chamado &lsquo;divino&rsquo;. Essa representa&ccedil;&atilde;o do profissional docente como algu&eacute;m disposto a fazer seu trabalho sem maiores preocupa&ccedil;&otilde;es com a remunera&ccedil;&atilde;o &ndash; portanto, n&atilde;o como uma profiss&atilde;o, cujos praticantes agem de acordo com um <i>ethos</i> profissional, t&ecirc;m saberes e reivindica&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas e devem ser condignamente remunerados por seu trabalho &ndash; encontra-se ainda muito difundida na sociedade, inclusive entre professores, principalmente da primeira etapa do ensino fundamental.</p>     <p>Ao mesmo tempo em que criticam fortemente essa ideia de voca&ccedil;&atilde;o atrelada &agrave; "imagem do mestre divino, evang&eacute;lico, salvador" (Arroyo, 2000), Miguel Arroyo e Emilio Tenti Fanfani procuram ressignificar a no&ccedil;&atilde;o de voca&ccedil;&atilde;o no trabalho docente. Para Arroyo (2000), "[a] id&eacute;ia de voca&ccedil;&atilde;o pode estar incrustada na id&eacute;ia de profiss&atilde;o" (p. 33). Nas suas palavras,</p>     <p>     <blockquote>Por mais que tentemos apagar esse tra&ccedil;o vocacional, de servi&ccedil;o e de ideal, a figura de professor, aquele que professa uma arte, uma t&eacute;cnica ou ci&ecirc;ncia, um conhecimento, continuar&aacute; colada &agrave; ideia de profecia, professar ou abra&ccedil;ar doutrinas, modos de vida, ideais, amor, dedica&ccedil;&atilde;o. Professar como um modo de ser. Voca&ccedil;&atilde;o, profiss&atilde;o, nos situam em campos sem&acirc;nticos t&atilde;o pr&oacute;ximos das representa&ccedil;&otilde;es sociais em que foram configurados culturalmente. S&atilde;o dif&iacute;ceis de apagar no imagin&aacute;rio social e pessoal sobre o ser professor, educador, docente. (Arroyo, 2000, p. 33)</blockquote>     <p></p>     <p>O autor comenta, ademais, que o pr&oacute;prio fato de o professor habilitado a lecionar ser um "licenciado&rdquo; vincula-se a esse ideal de servi&ccedil;o aos semelhantes colado &agrave; figura do professor. Em sua opini&atilde;o, esta seria</p>     <p>     <blockquote>uma ideia pr&oacute;xima &agrave; voca&ccedil;&atilde;o, por&eacute;m secularizada, politizada. Se n&atilde;o aceitamos ser vocacionados por Deus para o <i>magist&eacute;rio, n&atilde;o deixamos de repetir que a educa&ccedil;&atilde;o &eacute; um dever pol&iacute;tico do Estado e um direito do cidad&atilde;o, logo o magist&eacute;rio &eacute; um compromisso, uma delega&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica</i>. &Eacute; dif&iacute;cil sairmos de certos tra&ccedil;os que v&ecirc;m de longe, que n&atilde;o perdem relev&acirc;ncia, apenas s&atilde;o destacados sob um olhar secularizado. ... A identidade de trabalhadores e de profissionais n&atilde;o consegue apagar esses tra&ccedil;os de uma imagem social, constru&iacute;da historicamente. (Arroyo, 2000, p. 33; grifo nosso)</blockquote>     <p></p>     <p>Tenti Fanfani (2005), por meio de uma pesquisa emp&iacute;rica sobre a condi&ccedil;&atilde;o docente em quatro pa&iacute;ses sul-americanos &ndash; Argentina, Brasil, Peru e Uruguai &ndash;, afirma que "los datos muestran que la gran mayor&iacute;a de los docentes considera a su actividad como vocacional y profesional al mismo tiempo" (p. 265). Sobre essa rela&ccedil;&atilde;o entre voca&ccedil;&atilde;o e profiss&atilde;o, "lo que antes aparec&iacute;a como opuesto y contradictorio ahora se presenta en forma m&aacute;s compleja e interrelacionada&rdquo; (Tenti Fanfani, 2005, p. 265). Para o autor, mesmo sendo a origem de uma s&eacute;rie de tens&otilde;es e conflitos, a combina&ccedil;&atilde;o de elementos vocacionais e profissionais talvez seja uma caracter&iacute;stica distintiva do magist&eacute;rio contempor&acirc;neo. Segundo ele, "nada opone la vocaci&oacute;n a la incorporaci&oacute;n creciente de un conocimiento t&eacute;cnico-cient&iacute;fico para la soluci&oacute;n de los problemas de aprendizaje, que son cada vez m&aacute;s complejos" quando esta "implica la idea de un compromiso y una actitud de responsabilidad y respeto con la persona y lo grupo de los aprendices" (Tenti Fanfani, 2005, p. 268).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para aqueles que defendem que o magist&eacute;rio seja, o quanto antes e sem reservas, considerado como uma profiss&atilde;o no sentido pleno, essa representa&ccedil;&atilde;o pode, sem d&uacute;vida, ser considerada negativa. De fato, a compreens&atilde;o de importantes aspectos que envolvem o exerc&iacute;cio profissional dos docentes da Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica, nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, passa bem distante da imagem da antiga &lsquo;professora prim&aacute;ria&rsquo;, cuja atua&ccedil;&atilde;o profissional supostamente era muito simples e at&eacute; ing&ecirc;nua. A an&aacute;lise do que ocorre em rela&ccedil;&atilde;o ao exerc&iacute;cio da profiss&atilde;o docente mostra que, na verdade, ela encontra-se hoje no centro de quest&otilde;es de complexidade crescente, cujos elementos constituintes nem sempre s&atilde;o f&aacute;ceis de identificar.</p>     <p>Por fim, discutiremos brevemente as tr&ecirc;s dimens&otilde;es da profissionalidade apontadas por Contreras (2002) e mencionadas anteriormente neste texto.</p> <ol>       <li><b> A obriga&ccedil;&atilde;o moral </b></li>     </ol>     <p>Para Contreras (2002), "o ensino sup&otilde;e um compromisso de car&aacute;ter moral [e &eacute;tico] para quem o realiza" (p. 76). Baseado no educador estadunidense Alan Tom, o autor apresenta dois motivos que justificam tal dimens&atilde;o: a) como a rela&ccedil;&atilde;o professor-aluno &eacute; uma rela&ccedil;&atilde;o assim&eacute;trica, quanto ao exerc&iacute;cio de poder, essa desigualdade n&atilde;o deve ser usada contra a parte mais fraca da rela&ccedil;&atilde;o (ou seja, os alunos); b) al&eacute;m disso, deve-se garantir "o cuidado e a preocupa&ccedil;&atilde;o pelo bem-estar do alunado ou por boas rela&ccedil;&otilde;es com colegas e fam&iacute;lias" (Contreras, 2002, p. 77).</p>     <p>De uma maneira mais cr&iacute;tica, Arroyo (2000) afirma que &ldquo;[o] imagin&aacute;rio social configurou o of&iacute;cio de mestre com fortes tra&ccedil;os morais, &eacute;ticos" (p. 37). Segundo o autor, cobra-se dos professores um dever-ser. Por&eacute;m, alerta sobre o fato de a &ldquo;vis&atilde;o e interpreta&ccedil;&atilde;o tecnicista" substituirem &ldquo;o imagin&aacute;rio amoroso e moral dos mestres por um perfil t&eacute;cnico" (Arroyo, 2000, p. 38). E responde a essa "vis&atilde;o tecnicista" lembrando que "[e]ducar e instruir s&atilde;o atos &eacute;ticos e pol&iacute;ticos" (Arroyo, 2000, p. 40). Portanto, "[a] Pedagogia n&atilde;o &eacute; apenas um corpo de saberes t&eacute;cnicos, nem sequer de saber-fazer&rdquo; (Arroyo, 2000, p. 40). Para Arroyo (2000), ao defender a "recupera&ccedil;&atilde;o da humanidade roubada" como um tra&ccedil;o do of&iacute;cio de mestre, "ser educador &eacute; ser o mestre de obras do projeto arquitetado de sermos humanos" (p. 41).</p> <ol start="2">       <li><b> O compromisso com a comunidade</b></li>     </ol>     <p>Contreras (2002) tamb&eacute;m enfatiza o "compromisso social da pr&aacute;tica docente" (p. 82). Para tal, espera-se dos docentes uma "dupla consci&ecirc;ncia", em que "os professores devem ser necessariamente aut&ocirc;nomos em suas responsabilidades profissionais e, ao mesmo tempo, publicamente respons&aacute;veis" (Contreras, 2002, p. 80), o que pode se constituir, de acordo com a "ret&oacute;rica da profissionaliza&ccedil;&atilde;o", em uma fonte de tens&otilde;es e contradi&ccedil;&otilde;es na rela&ccedil;&atilde;o entre os professores e a comunidade. Isto porque, segundo o autor, essa responsabilidade p&uacute;blica envolve necessariamente a participa&ccedil;&atilde;o da comunidade nas decis&otilde;es sobre o ensino e a escola. Ao citar os educadores estadunidenses Kenneth Zeichner e Peter McLaren, Contreras (2002), dentro da perspectiva da profissionalidade, nos lembra que "a pretens&atilde;o da justi&ccedil;a e da igualdade social pode ter um significado intr&iacute;seco &agrave; pr&oacute;pria defini&ccedil;&atilde;o do trabalho docente" (p. 81).</p> <ol start="3">       <li><b> A compet&ecirc;ncia profissional </b></li>     ]]></body>
<body><![CDATA[</ol>     <p>Para Contreras (2002), dentro da concep&ccedil;&atilde;o de profissionalidade docente, "a compet&ecirc;ncia profissional transcende o sentido puramente t&eacute;cnico&rdquo; (p. 82). Dessa maneira, refere-se a "compet&ecirc;ncias profissionais complexas que combinam habilidades, princ&iacute;pios e consci&ecirc;ncia do sentido e das consequ&ecirc;ncias das pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas&rdquo; (Contreras, 2002, pp. 82-83). N&atilde;o se trata de "um corpus &uacute;nico e estabelecido de conhecimento avalizado pela pesquisa, nem compartilhado por todos os docentes", e sim de um "conhecimento que &eacute; em parte individual, produto das reelabora&ccedil;&otilde;es sucessivas dos docentes a partir de sua experi&ecirc;ncia, em parte compartilhado, por obra dos interc&acirc;mbios entre professores e processos comuns de socializa&ccedil;&atilde;o, e em parte diversificado, produto de diferentes tradi&ccedil;&otilde;es e posi&ccedil;&otilde;es pedag&oacute;gicas" (Contreras, 2002, p. 83). N&atilde;o se trata de "um conhecimento proposicional, facilmente explicit&aacute;vel e formul&aacute;vel", e sim de "um saber que, embora se nutra de diversas fontes e experi&ecirc;ncias, adquire uma dimens&atilde;o fundamentalmente pr&aacute;tica, isto &eacute;, que tem na a&ccedil;&atilde;o o principal referente" (Contreras, 2002, p. 83). Por fim, "[tamb&eacute;m] faz parte das compet&ecirc;ncias profissionais o modo em que se criam e se sustentam v&iacute;nculos com as pessoas, em que a cumplicidade, o afeto e a sensibilidade se integram e se desenvolvem nas formas de viver a profiss&atilde;o" (Contreras, 2002, p. 85).</p>     <p>Arroyo (2000) acredita que essa compet&ecirc;ncia profissional &eacute; constru&iacute;da coletivamente por meio do estabelecimento de "comunidades de aprendizes m&uacute;tuos": "Os aprendizes se ajudam uns aos outros a aprender, trocando saberes, viv&ecirc;ncias, significados, culturas" (p. 166). Dentro dessa concep&ccedil;&atilde;o, "[a] escola &eacute; uma comunidade especializada na aprendizagem de todos os seus membros. &Eacute; uma comunidade de aprendizes que se ap&oacute;iam uns nos outros, de aprendizes m&uacute;tuos, com o professor como mediador, orquestrando os procedimentos. Sem medo de perder nosso saber-fazer de of&iacute;cio" (Arroyo, 2000, p. 167).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></p>     <p>Em seu livro, <i>Of&iacute;cio de Mestre &ndash; Imagens e auto-imagens</i>, Miguel Arroyo (2000) levanta as seguintes quest&otilde;es sobre o magist&eacute;rio: "Como a categoria pensa em si mesma? No espelho dos outros ou no pr&oacute;prio espelho?" (p. 13). Ao deixar se encantar pela "ret&oacute;rica da profissionaliza&ccedil;&atilde;o" &ndash; e a fort&iacute;ssima influ&ecirc;ncia que a vertente funcionalista exerce sobre esse conceito &ndash;, o magist&eacute;rio parece insistir em olhar para si mesmo "no espelho dos outros".</p>     <p>Como defendemos neste artigo, o maior desafio &eacute; justamente n&atilde;o se deixar seduzir pelo "discurso do profissionalismo", para que o magist&eacute;rio possa mirar-se "no pr&oacute;prio espelho". Para tal, o conceito de profissionalidade e a busca da especificidade da a&ccedil;&atilde;o docente apresentam-se como ideias que podem abrir novos horizontes n&atilde;o somente para se repensar o sentido do magist&eacute;rio em si, mas tamb&eacute;m, e fundamentalmente, para a busca da constru&ccedil;&atilde;o de uma sociedade verdadeiramente democr&aacute;tica, mais justa, mais igualit&aacute;ria, mais humana e mais fraterna. &Eacute; imprescind&iacute;vel ressaltar, por fim, que tal processo deve se dar concomitantemente &agrave; den&uacute;ncia e &agrave; resist&ecirc;ncia aos processos brutais de precariza&ccedil;&atilde;o, intensifica&ccedil;&atilde;o e aumento de controle sobre o trabalho docente, de diminui&ccedil;&atilde;o da autonomia profissional, de aviltamento salarial dos professores e de desqualifica&ccedil;&atilde;o profissional.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <p>Arroyo, M. G. (2000). <i>Of&iacute;cio de Mestre &ndash; Imagens e auto-imagens</i> (7 &ordf;ed.). Petr&oacute;polis, RJ: Editora Vozes.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Barbosa, M. L. O. (1993). A Sociologia das Profiss&otilde;es: Em torno da legitimidade de um objeto. <i>Revista Brasileira de Informa&ccedil;&atilde;o Bibliogr&aacute;fica em Ci&ecirc;ncias Sociais (BIB), 36</i>, 3-30.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=760116&pid=S0871-9187201700010000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bonelli, M. G. (1993). As Ci&ecirc;ncias Sociais no sistema profissional brasileiro. <i>Revista Brasileira de Informa&ccedil;&atilde;o Bibliogr&aacute;fica em Ci&ecirc;ncias Sociais (BIB), 36</i>, 31-61.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=760118&pid=S0871-9187201700010000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Cabrera, B., &amp; Ja&eacute;n, M. J. (1991). Quem s&atilde;o e que fazem os docentes: Sobre o "conhecimento" sociol&oacute;gico do professorado. <i>Teoria &amp; Educa&ccedil;&atilde;o, 4</i>, 190-214.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=760120&pid=S0871-9187201700010000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Chapoulie, J. M. (1973). Sur l'analyse sociologique des groupes professionnels. <i>Revue Fran&ccedil;aise de Sociologie, 14</i>(1), 86-114.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=760122&pid=S0871-9187201700010000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Contreras, J. (2002). <i>A autonomia de professores</i>. S&atilde;o Paulo: Cortez.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=760124&pid=S0871-9187201700010000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Costa, M. C. V. (1995). <i>Trabalho docente e profissionalismo</i>. Porto Alegre: Sulina.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=760126&pid=S0871-9187201700010000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Dubar, C. (1997). <i>A socializa&ccedil;&atilde;o &ndash; Constru&ccedil;&atilde;o das identidades sociais e profissionais.</i> Porto: Porto Editora.</p>     <!-- ref --><p>Enguita, M. F. (1991). A ambig&uuml;idade da doc&ecirc;ncia: Entre o profissionalismo e a proletariza&ccedil;&atilde;o. <i>Teoria &amp; Educa&ccedil;&atilde;o, 4</i>, 91-108.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=760129&pid=S0871-9187201700010000200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Gimeno Sacrist&aacute;n, J. (1995). Consci&ecirc;ncia e ac&ccedil;&atilde;o sobre a pr&aacute;tica como liberta&ccedil;&atilde;o profissional dos professores. In A. N&oacute;voa (Org.), <i>Profiss&atilde;o professor </i>(pp. 63-92). Porto: Porto Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=760131&pid=S0871-9187201700010000200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->&nbsp;</p>     <!-- ref --><p>Hughes, E. C. (1964). <i>Men and their work</i> (2nd ed.). Glencoe, Illinois: The Free Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=760133&pid=S0871-9187201700010000200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ja&eacute;n, M. J. (1991). Os docentes e a racionaliza&ccedil;&atilde;o do trabalho em educa&ccedil;&atilde;o: Elementos para uma cr&iacute;tica da teoria da proletariza&ccedil;&atilde;o dos docentes. <i>Teoria &amp; Educa&ccedil;&atilde;o, 4</i>, 74-89.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=760135&pid=S0871-9187201700010000200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Larson, M. S. (1977). <i>The rise of professionalism: A sociological analysis</i>. Berkeley/Los Angeles/London: University of California Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=760137&pid=S0871-9187201700010000200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Larson, M. S. (2014). Looking back and a little forward: Reflections on professionalism and teaching as a profession. <i>Radical Teacher &ndash; A Socialist, Feminist, and Anti-racist Journal on the Theory and Practice of Teaching, 99</i>, 7-17.</p>     <p>Le Bianic, T. (2005). <i>Les "ing&eacute;nieurs des &acirc;mes". Savoirs acad&eacute;miques, professionnalisation et pratiques des psychologues du travail de l&rsquo;entre deux guerres &agrave; nos jours </i>(Tese de doutorado). Universit&eacute; de la M&eacute;diterran&eacute;e &ndash; Aix-Marseille II, Laboratoire d&rsquo;Economie et de Sociologie du Travail, France.</p>     <!-- ref --><p>Popkewitz, T. S. (1997). Profissionaliza&ccedil;&atilde;o e forma&ccedil;&atilde;o de professores: Algumas notas sobre a sua hist&oacute;ria, ideologia e potencial. In A. N&oacute;voa (Coord.), <i>Os professores e a sua forma&ccedil;&atilde;o</i> (pp. 35-50). Lisboa: Publica&ccedil;&otilde;es Dom Quixote/Instituto de Inova&ccedil;&atilde;o Educacional.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=760141&pid=S0871-9187201700010000200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Tardif, M., &amp; Lessard, C. (2007). <i>O trabalho docente: Elementos para uma teoria da doc&ecirc;ncia como profiss&atilde;o de intera&ccedil;&otilde;es humanas</i> (3&ordf; ed.). Petr&oacute;polis, RJ: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=760143&pid=S0871-9187201700010000200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Tenti Fanfani, E. (2005). <i>La condici&oacute;n docente: An&aacute;lisis comparado de la Argentina, Brasil, Per&uacute; y Uruguai</i>. Buenos Aires: Siglo XXI Editores.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=760145&pid=S0871-9187201700010000200017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Zeichner, K. M. (2008). Forma&ccedil;&atilde;o de professores para a justi&ccedil;a social em tempos de incerteza e desigualdades crescentes. In J. E. Diniz-Pereira &amp; K. M. Zeichner (Orgs.), <i>Justi&ccedil;a social: Desafio para a forma&ccedil;&atilde;o de professores</i> (pp. 11-34). Belo Horizonte: Aut&ecirc;ntica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=760147&pid=S0871-9187201700010000200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>  <a href="#topc0">Endereço para Correspondência</a><a name="c0"></a>     <p>Toda a correspondência relativa a este artigo deve ser enviada para: Júlio Emílio Diniz-Pereira, Universidade Federal de Minas Gerais, Avenida Antônio Carlos, 6.627, Belo Horizonte, MG, 31.270- 901, Brasil. Email: <a href="mailto:juliodiniz@ufmg.br">juliodiniz@ufmg.br</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Recebido em janeiro/2017</i></p>     <p><i>Aceite para publica&ccedil;&atilde;o em mar&ccedil;o/2017</i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> Este texto subsidiou a participa&ccedil;&atilde;o do autor no Simp&oacute;sio  "Profissionaliza&ccedil;&atilde;o docente: Teias, tramas e nexos", no dia 24 de agosto de 2016, dentro da programa&ccedil;&atilde;o do XVIII  Encontro Nacional de Did&aacute;tica e Pr&aacute;tica de Ensino (ENDIPE), em Cuiab&aacute;, Mato Grosso.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> &Eacute; oportuno registrar que Sociologia das Profiss&otilde;es n&atilde;o &eacute; o mesmo que  Sociologia do Trabalho. A &aacute;rea da Sociologia que se tornou conhecida como Sociologia das Profiss&otilde;es tornou-se assim conhecida devido  ao grande volume de contribui&ccedil;&otilde;es especificamente sobre as ocupa&ccedil;&otilde;es &agrave;s quais se aplicava o modelo profissional.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> Havia a opini&atilde;o de que sindicalizar-se era comportamento "impr&oacute;prio" para os praticantes das profiss&otilde;es cl&aacute;ssicas, o que, para grupos profissionais  que aspiravam atingir o <i>status</i> de profissionais, tinha efeito desmobilizador.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> A primeira &eacute; que os profissionais devem ter uma <i>compet&ecirc;ncia</i>  espec&iacute;fica, obtida em curso de forma&ccedil;&atilde;o de n&iacute;vel universit&aacute;rio. Al&eacute;m disso, "seu saber tem um componente  &lsquo;sagrado&rsquo;, no sentido de que n&atilde;o pode ser avaliado pelos profanos. S&oacute; um profissional pode julgar a outro, e s&oacute; a  profiss&atilde;o pode controlar o acesso de novos membros, j&aacute; que s&oacute; ela pode garantir e avaliar sua forma&ccedil;&atilde;o"  (Enguita, 1991, p. 43). A segunda caracter&iacute;stica &eacute; que o profissional exerce sua profiss&atilde;o, supostamente, pelo desejo de  servir a seus semelhantes, isto &eacute;, por <i>voca&ccedil;&atilde;o</i>, de modo que "seu trabalho n&atilde;o pode ser pago, porque n&atilde;o  tem pre&ccedil;o, seu exerc&iacute;cio &eacute; &lsquo;liberal&rsquo; e sua retribui&ccedil;&atilde;o toma a forma de  &lsquo;honor&aacute;rios&rsquo;" (Enguita, 1991, p. 44). A terceira &eacute; que o exerc&iacute;cio da profiss&atilde;o &eacute; privativo, isto  &eacute;, apenas tem <i>licen&ccedil;a</i> para exerc&ecirc;-la quem tem "compet&ecirc;ncia t&eacute;cnica" e "voca&ccedil;&atilde;o de  servi&ccedil;o". Da&iacute; a origem dos termos &lsquo;licenciado&rsquo;, &lsquo;faculdade&rsquo;, etc. A quarta refere-se ao fato de que os  profissionais t&ecirc;m <i>independ&ecirc;ncia</i> "no exerc&iacute;cio de sua profiss&atilde;o: frente &agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es e  frente aos clientes" (Enguita, 1991, p. 44), pois exercem sua profiss&atilde;o de maneira liberal, sem o controle de patr&otilde;es, e  tamb&eacute;m porque os clientes os procuram com "necessidades, problemas ou urg&ecirc;ncias que s&oacute; o profissional sabe como resolver"  (Enguita, 1991, p. 44), diferentemente de clientes de outros servi&ccedil;os, que "sempre t&ecirc;m raz&atilde;o". E, por fim, a quinta diz  respeito ao fato de que existe uma autorregula&ccedil;&atilde;o da atua&ccedil;&atilde;o profissional "com base na identidade e na solidariedade  grupal" (Enguita, 1991, p. 44) e em um c&oacute;digo de &eacute;tica pr&oacute;prio e &oacute;rg&atilde;os que resolvem seus conflitos internos.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> No livro <i>Trabalho e capital monopolista</i>, de 1974.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> As quatro "ideias nucleares" s&atilde;o as seguintes: 1) a an&aacute;lise do trabalho  educacional est&aacute; referenciada pelas condi&ccedil;&otilde;es de trabalho que, de acordo com Marx, foram gestadas, no capitalismo, no  &acirc;mbito da produ&ccedil;&atilde;o. Essas condi&ccedil;&otilde;es incluem as "medidas impostas pela &lsquo;l&oacute;gica racionalizadora do  capital&rsquo;", as quais est&atilde;o relacionadas &agrave; desqualifica&ccedil;&atilde;o, &agrave; aliena&ccedil;&atilde;o e &agrave; perda de  controle em rela&ccedil;&atilde;o ao pr&oacute;prio trabalho; 2) a transposi&ccedil;&atilde;o desta l&oacute;gica para o trabalho educacional se  expressa com a chegada, &agrave; escola, de materiais e pacotes tecnol&oacute;gicos diversos para serem usados pelos professores, assim como pela  chegada de especialistas, entre outras medidas que excluem os professores das fun&ccedil;&otilde;es de concep&ccedil;&atilde;o e planejamento; 3)  tudo isto tem gerado conflitos na escola, sendo que os professores apresentam diversas formas de resist&ecirc;ncia; 4) tudo isto estaria provocando  a proletariza&ccedil;&atilde;o da categoria dos docentes, sendo poss&iacute;vel, portanto, comparar sua situa&ccedil;&atilde;o &agrave; de outros  trabalhadores.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> Para Tardif e Lessard (2007), esta tese se ap&oacute;ia nas seguintes  constata&ccedil;&otilde;es: 1) tem havido um decl&iacute;nio cada vez maior do efetivo dos trabalhadores produtores de bens materiais nas  &uacute;ltimas cinco d&eacute;cadas nos Estados Unidos, Canad&aacute; e Europa; 2) os profissionais ligados aos servi&ccedil;os vinculados  &agrave; sociedade da informa&ccedil;&atilde;o ou do conhecimento t&ecirc;m ocupado cargos cada vez mais importantes em compara&ccedil;&atilde;o  &agrave;queles ocupados pelos produtores de bens materiais; 3) as profiss&otilde;es que est&atilde;o surgindo se relacionam "historicamente  &agrave;s profiss&otilde;es e aos profissionais que s&atilde;o representantes t&iacute;picos dos novos grupos de especialistas na gest&atilde;o dos  problemas econ&ocirc;micos e sociais com aux&iacute;lio de conhecimentos fornecidos pelas ci&ecirc;ncias naturais e sociais" (p. 19); e 4)  "entre as transforma&ccedil;&otilde;es em curso, parece essencial observar o crescente status de que gozam, na organiza&ccedil;&atilde;o  socioecon&ocirc;mica, nas sociedades modernas avan&ccedil;adas, os of&iacute;cios e profiss&otilde;es que t&ecirc;m seres humanos como  &lsquo;objeto de trabalho&rsquo;" (p. 19).</p>      ]]></body><back>
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