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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A base de conhecimentos e a identidade de mentores participantes do Programa de Formação Online de Mentores da UFSCar-Brasil]]></article-title>
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<article-title xml:lang="es"><![CDATA[La base de conocimientos y la identidad de los mentores que participan en el Programa de Formación Online para los Mentores de la UFSCar-Brasil]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article aims to analyze the knowledge base of experienced teachers and participants of an Online Mentor Education Program from UFSCar-Brazil and to answer the question: what specific, pedagogical and mentoring skills, that will assist the mentor to fulfill a new role, are evidenced by the experienced teachers participating of Online Mentor Education Program? This mentor training program has a flexible curriculum and focuses on the professional development of experienced teachers. The qualitative research was based on the descriptive and interpretative analysis of four narratives from four selected participants from a wider group and written during the training. It analyzed pedagogical knowledge, specific content knowledge, pedagogical knowledge content, knowledge about training and teaching practice and knowledge of the manager role, mentor and school. As results, the data analysis shows that the mentor knowledge base resembles the professional managers' and teacher educators'. However, teaching and mentoring practice is important so that this knowledge base is continuously remodeled and improved, thus improving the mentors' performance and, possibly, of beginning teachers accompanied by them.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[El objetivo de este artículo es analizar la base de conocimientos de profesores experimentados del Programa de Formación en línea de Mentores de la UFSCar-Brasil y responder a la pregunta: qué conocimientos específicos, pedagógicos y sobre la función de mentor, que lo ayudarán a desempeñar la nueva función, pueden se aprehender en los profesores experimentados participantes del Programa de Formación en línea de los Mentores? El programa tiene una propuesta curricular flexible y enfoca el desarrollo profesional de profesores experimentados. La investigación se basó en el análisis descriptivo-interpretativo de las narrativas de cuatro participantes seleccionados y referentes a cuatro actividades realizadas durante la formación. Se analizaron conocimientos pedagógicos generales, conocimientos de contenido específico, conocimientos pedagógicos del contenido, conocimientos sobre formación y actuación docente y, por fin, conocimientos sobre la función de gestor, de mentor y de la escuela. Como resultado, se percibe que la base de conocimientos atribuida al mentor se asemeja a la de los profesionales gestores y formadores de profesores, aunque la práctica de la mentoria y en el aula es importante para que la base sea continuamente remodelada y perfeccionada para mejorar el desempeño del mentor y, posiblemente, de los profesores principiantes por él acompañados.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Programa de Formação Online de Mentores]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS</b></p>     <p><b>A base de conhecimentos e a identidade de mentores participantes do Programa de Forma&ccedil;&atilde;o <i>Online</i> de Mentores da UFSCar-Brasil</b></p>     <p><b>The knowledge base and the identity of mentors participating in the <i>Online</i> Mentor Education Program from UFSCar-Brazil</b></p>     <p><b>La base de conocimientos y la identidad de los mentores que participan en el Programa de Formaci&oacute;n <i>Online</i> para los Mentores de la UFSCar-Brasil</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Paula Grizzo Gobato<sup>i</sup> &amp; Aline Maria de M. R. Reali<sup>ii</sup></b></p>     <p>Universidade Federal de S&atilde;o Carlos, Brasil</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endereço para Correspondência</a><a name="topc0"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b></p>     <p>O objetivo deste artigo &eacute; analisar a base de conhecimentos de professores experientes e participantes do Programa de Forma&ccedil;&atilde;o <i>Online</i> de Mentores da UFSCar-Brasil, bem como responder &agrave; seguinte quest&atilde;o: quais dos conhecimentos espec&iacute;ficos, pedag&oacute;gicos e sobre a fun&ccedil;&atilde;o de mentor, que o auxiliar&atilde;o a desempenhar a nova fun&ccedil;&atilde;o, podem ser apreendidos nos professores experientes, participantes do Programa de Forma&ccedil;&atilde;o <i>Online</i> de Mentores? O Programa &eacute; respons&aacute;vel pela forma&ccedil;&atilde;o de mentores, sua proposta curricular &eacute; flex&iacute;vel e foca o desenvolvimento profissional de professores experientes. A investiga&ccedil;&atilde;o qualitativa baseou-se na an&aacute;lise descritivo-interpretativa das narrativas presentes em quatro atividades, realizadas durante o processo formativo, de quatro participantes. Foram analisados conhecimentos pedag&oacute;gicos gerais, conhecimentos de conte&uacute;do espec&iacute;fico, conhecimentos pedag&oacute;gicos do conte&uacute;do, conhecimentos sobre forma&ccedil;&atilde;o e atua&ccedil;&atilde;o docente e, por fim, conhecimentos sobre a fun&ccedil;&atilde;o de gestor, de mentor e da escola. Como resultado, percebe-se que a base de conhecimentos atribu&iacute;da ao mentor se assemelha &agrave; dos profissionais gestores e formadores de professores, ainda que a pr&aacute;tica da mentoria e em sala de aula seja importante para que a base seja continuamente remodelada e aperfei&ccedil;oada para melhorar o desempenho do mentor e, possivelmente, dos professores iniciantes por ele acompanhados.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Programa de Forma&ccedil;&atilde;o <i>Online</i> de Mentores; Identidade docente; Base de conhecimentos para o ensino</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This article aims to analyze the knowledge base of experienced teachers and participants of an <i>Online</i> Mentor Education Program from UFSCar-Brazil and to answer the question: what specific, pedagogical and mentoring skills, that will assist the mentor to fulfill a new role, are evidenced by the experienced teachers participating of <i>Online</i> Mentor Education Program? This mentor training program has a flexible curriculum and focuses on the professional development of experienced teachers. The qualitative research was based on the descriptive and interpretative analysis of four narratives from four selected participants from a wider group and written during the training. It analyzed pedagogical knowledge, specific content knowledge, pedagogical knowledge content, knowledge about training and teaching practice and knowledge of the manager role, mentor and school. As results, the data analysis shows that the mentor knowledge base resembles the professional managers&rsquo; and teacher educators&rsquo;. However, teaching and mentoring practice is important so that this knowledge base is continuously remodeled and improved, thus improving the mentors&rsquo; performance and, possibly, of beginning teachers accompanied by them.</p>     <p><b>Keywords:</b>&nbsp;<i>Online</i> Mentor Education Program; Teacher identity; Knowledge base for teaching</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMEN</b></p>     <p>El objetivo de este art&iacute;culo es analizar la base de conocimientos de profesores experimentados del Programa de Formaci&oacute;n en l&iacute;nea de Mentores de la UFSCar-Brasil y responder a la pregunta: qu&eacute; conocimientos espec&iacute;ficos, pedag&oacute;gicos y sobre la funci&oacute;n de mentor, que lo ayudar&aacute;n a desempe&ntilde;ar la nueva funci&oacute;n, pueden se aprehender en los profesores experimentados participantes del Programa de Formaci&oacute;n en l&iacute;nea de los Mentores? El programa tiene una propuesta curricular flexible y enfoca el desarrollo profesional de profesores experimentados. La investigaci&oacute;n se bas&oacute; en el an&aacute;lisis descriptivo-interpretativo de las narrativas de cuatro participantes seleccionados y referentes a cuatro actividades realizadas durante la formaci&oacute;n. Se analizaron conocimientos pedag&oacute;gicos generales, conocimientos de contenido espec&iacute;fico, conocimientos pedag&oacute;gicos del contenido, conocimientos sobre formaci&oacute;n y actuaci&oacute;n docente y, por fin, conocimientos sobre la funci&oacute;n de gestor, de mentor y de la escuela. Como resultado, se percibe que la base de conocimientos atribuida al mentor se asemeja a la de los profesionales gestores y formadores de profesores, aunque la pr&aacute;ctica de la mentoria y en el aula es importante para que la base sea continuamente remodelada y perfeccionada para mejorar el desempe&ntilde;o del mentor y, posiblemente, de los profesores principiantes por &eacute;l acompa&ntilde;ados.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palabras-clave</b>: Programa de Formaci&oacute;n <i>Online</i> de los Mentores; Identidad docente; Base de conocimientos para la ense&ntilde;anza</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>O presente artigo tem como objetivo central analisar a base de conhecimentos para o ensino (Shulman, 1986) de professores experientes, participantes do Programa de Forma&ccedil;&atilde;o <i>Online</i> de Mentores da UFSCar (PFOM). Trata-se de uma pesquisa-interven&ccedil;&atilde;o realizada ao longo de um processo formativo <i>online</i>, focado no desenvolvimento profissional de professores experientes para atuarem junto a professores iniciantes, auxiliando-os nas dificuldades t&iacute;picas desta etapa da carreira. Curr&iacute;culo flex&iacute;vel, conte&uacute;dos definidos processualmente, &ecirc;nfase em atividades relacionadas &agrave; mentoria e foco no desenvolvimento profissional de professores experientes via Internet s&atilde;o caracter&iacute;sticas do Programa. De modo espec&iacute;fico, pretende-se responder &agrave; seguinte quest&atilde;o: quais s&atilde;o os conhecimentos espec&iacute;ficos, pedag&oacute;gicos, sobre a fun&ccedil;&atilde;o de mentor &ndash; componentes da identidade docente &ndash;, que auxiliar&atilde;o a desempenhar a nova fun&ccedil;&atilde;o, que podem ser apreendidos nos professores experientes participantes do Programa de Forma&ccedil;&atilde;o <i>Online</i> de Mentores?</p>     <p>O desenvolvimento profissional docente &eacute; compreendido como um processo cont&iacute;nuo (Cole &amp; Knowles, 1993), que se inicia antes mesmo de o professor ingressar na forma&ccedil;&atilde;o inicial, quando ainda &eacute; aluno da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica, e se d&aacute; durante toda sua trajet&oacute;ria pessoal e profissional, considerando forma&ccedil;&otilde;es, relacionamento com os pares e experi&ecirc;ncias profissionais (Mizukami et al., 2000). &Eacute; natural considerar que a forma&ccedil;&atilde;o docente, apesar de ser um processo comum a todos os professores, &eacute; espec&iacute;fica para cada indiv&iacute;duo, j&aacute; que cada sujeito possui viv&ecirc;ncias diferentes (Tancredi, 2009). Conhecimentos pr&eacute;vios sobre o ensinar s&atilde;o importantes para a aprendizagem e pr&aacute;ticas docentes, pois requerem habilidades complexas e conhecimentos que deem suporte ao professor durante sua adapta&ccedil;&atilde;o e din&acirc;mica de trabalho.</p>     <p>Ao ingressar na carreira, frequentemente o professor iniciante se depara com contextos escolares espec&iacute;ficos e, usualmente, experimenta um choque ao vivenciar uma rotina escolar diferente da idealizada na forma&ccedil;&atilde;o inicial. Huberman (1992) define esta etapa da carreira como fase de explora&ccedil;&atilde;o, pois se caracteriza por exigir conhecimentos que, muitas vezes, n&atilde;o foram aprendidos na forma&ccedil;&atilde;o inicial. Este per&iacute;odo constitui-se numa fase mais complexa do desenvolvimento profissional docente, ao mesmo tempo que &eacute; importante para a estrutura&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas docentes (Nono &amp; Mizukami, 2006). Geralmente, este &eacute; um processo marcado por ang&uacute;stias, dilemas, frustra&ccedil;&otilde;es, preocupa&ccedil;&otilde;es, o "choque do real" (Huberman, 1992, p. 39) e tens&otilde;es (Marcelo Garc&iacute;a, 1999). Nono e Mizukami (2006) indicam que a fase inicial pode causar desilus&atilde;o e desconforto perante a profiss&atilde;o, podendo levar o professor a abandonar sua carreira antes mesmo de ter certa experi&ecirc;ncia, caracterizando-a como uma etapa de sobreviv&ecirc;ncia. Por outro lado, Huberman (1992) destaca ainda que esta etapa n&atilde;o implica obrigatoriamente na desist&ecirc;ncia da carreira por conta das dificuldades vivenciadas, nem tampouco &eacute; caracterizada por uma progress&atilde;o cronol&oacute;gica, uma vez que alguns profissionais podem experimentar essas sensa&ccedil;&otilde;es negativas, outros n&atilde;o. Adicionalmente, alguns podem permanecer nesta fase por mais tempo do que outros. De acordo com o autor, a sensa&ccedil;&atilde;o de descoberta, experimentada em paralelo com as dificuldades, pode contribuir para a supera&ccedil;&atilde;o ou minimiza&ccedil;&atilde;o das caracter&iacute;sticas negativas deste per&iacute;odo, tamb&eacute;m caracterizado pelos sentimentos de entusiasmo, experimenta&ccedil;&atilde;o, responsabilidade, profissionalismo e por fazer o professor iniciante se sentir parte de um corpo docente. Diante disso, receber apoio de um profissional mais experiente talvez alivie as tens&otilde;es e ang&uacute;stias dessa fase.</p>     <p>Uma estrat&eacute;gia ainda pouco explorada no Brasil (Miglioran&ccedil;a, 2010) &eacute; o acompanhamento dos profissionais inexperientes por mentores, ou seja, professores experientes e veteranos nas atividades docentes (Tancredi &amp; Reali, 2011), com vistas a auxiliar a minimiza&ccedil;&atilde;o das dificuldades. Nesse &iacute;nterim, iniciativas de mentoria n&atilde;o s&oacute; auxiliam o desenvolvimento profissional de professores em in&iacute;cio de carreira, como tamb&eacute;m promovem o aprendizado e reflex&otilde;es sobre a pr&oacute;pria pr&aacute;tica aos mentores, que tamb&eacute;m s&atilde;o beneficiados pelo processo. Entretanto, ser mentor n&atilde;o &eacute; uma tarefa trivial e intuitiva. &Eacute; necess&aacute;rio que o mentor tamb&eacute;m vivencie um per&iacute;odo de forma&ccedil;&atilde;o e suporte cont&iacute;nuo para o desenvolvimento de novas habilidades, conhecimentos e compreens&otilde;es relacionados ao acompanhamento de professores iniciantes (Villani, 2002).</p>     <p>Estes aspectos mant&ecirc;m rela&ccedil;&atilde;o estreita com os prop&oacute;sitos da interven&ccedil;&atilde;o e pesquisa relatada. Conhecer de modo detalhado a composi&ccedil;&atilde;o da base de conhecimentos (Shulman, 1986) de mentores &eacute; importante para o planejamento de processos formativos como o PFOM, evento constru&iacute;do baseando-se nos conhecimentos e habilidades de que um mentor necessita, visando o desenvolvimento de professores experientes para orientarem e acompanharem professores em in&iacute;cio de carreira. Ter conhecimento sobre a base de conhecimentos tamb&eacute;m &eacute; importante para elucidar as necessidades formativas de professores experientes, j&aacute; que este tema praticamente n&atilde;o &eacute; investigado no contexto de pesquisa brasileiro (Dal-Forno &amp; Reali, 2009).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Identidade docente de professores experientes e a base de conhecimentos do mentor</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A identidade docente &eacute; definida de diversas maneiras na literatura. Embora seja presente em professores iniciantes ou experientes, ela n&atilde;o &eacute; fixa e, sim, din&acirc;mica, pois se desenvolve ao longo da experi&ecirc;ncia pessoal e profissional do professor (Beijaard, Meijer, &amp; Verloop, 2004). A identidade docente tamb&eacute;m &eacute; composta por fatores como conhecimentos, habilidades, contextos hist&oacute;ricos e socioculturais (Beijaard et al., 2004), emo&ccedil;&otilde;es (Flores &amp; Day, 2006), cren&ccedil;as, valores, experi&ecirc;ncias pr&eacute;vias, bem-estar emocional, reconhecimento social da profiss&atilde;o (Marcelo &amp; Vaillant, 2009). Acredita-se que, assim como o desenvolvimento profissional, a identidade &eacute; constru&iacute;da ao longo das trajet&oacute;rias pessoal e profissional, passando pela forma&ccedil;&atilde;o inicial, continuada, pr&aacute;tica docente, reflex&otilde;es e intera&ccedil;&otilde;es existentes nestes espa&ccedil;os (Timotsuk &amp; Ugaste, 2010).</p>     <p>Ao longo de seu desenvolvimento profissional, ao ter contato com outros professores, alunos, sociedade ou com a escola e seus outros componentes, os docentes desenvolvem novos quadros referenciais, de maneira que os novos conhecimentos advindos destas experi&ecirc;ncias possam ser incorporados &agrave; sua base de conhecimentos (Mizukami, 1996). Os conhecimentos desenvolvidos durante sua trajet&oacute;ria pessoal e profissional chocam-se, muitas vezes, com novos conhecimentos, remodelando o quadro referencial, mediando a pr&aacute;tica e a teoria e influenciando sua identidade docente. Ou seja, os docentes desenvolvem uma base de conhecimentos para o ensino (Shulman, 1986) que ser&aacute; continuamente constru&iacute;da junto &agrave; sua identidade, ao exercerem a pr&aacute;tica e participar de forma&ccedil;&otilde;es, inclusive da forma&ccedil;&atilde;o inicial.</p>     <p>Aparentemente, professores iniciantes e experientes possuem certas diferen&ccedil;as em suas bases de conhecimento, justamente por possu&iacute;rem experi&ecirc;ncias e tempos de atua&ccedil;&atilde;o profissional distintos, o que pode significar diferentes concep&ccedil;&otilde;es sobre o ensinar, distintas compet&ecirc;ncias profissionais, bem como necessidades formativas espec&iacute;ficas (Reali, Tancredi, &amp; Mizukami, 2008). Ter vivenciado mais situa&ccedil;&otilde;es e por mais tempo, todavia, n&atilde;o garante que professores experientes sejam mais eficientes, tampouco determina que os iniciantes n&atilde;o saibam ensinar. Estes aspectos sugerem que professores mais experientes possuem um quadro de conhecimentos mais amplo, pois favorecidos por um repert&oacute;rio de conhecimentos e pr&aacute;ticas maior perante as situa&ccedil;&otilde;es de ensino (Pacheco &amp; Flores, 1999).</p>     <p>A base de conhecimentos para o ensino &eacute; definida por Shulman (1986) como o conjunto de conhecimentos, habilidades e compet&ecirc;ncias que um professor deve ter para ensinar seus alunos (Mizukami, 2004), que se modifica e complementa ao longo da experi&ecirc;ncia. Considerando que o mentor &eacute; um professor de outros professores, entende-se que sua base de conhecimentos deve ser aquela esperada de um professor experiente, acrescida de outros conhecimentos necess&aacute;rios para ensinar a ensinar (Tancredi &amp; Reali, 2011). Diante disso, o conhecimento de conte&uacute;do espec&iacute;fico diz respeito aos conte&uacute;dos das disciplinas que o professor ensina. Envolve conceitos que o professor n&atilde;o deve apenas saber, mas tamb&eacute;m compreender. Incluem-se aqui conhecimentos acerca de como ensinar o conte&uacute;do em diferentes contextos, classes e popula&ccedil;&otilde;es de alunos. J&aacute; o conhecimento pedag&oacute;gico geral envolve o dom&iacute;nio de habilidades e conhecimentos relacionados aos processos de ensino e aprendizagem, de desenvolvimento dos alunos, conhecimentos dos contextos, manejo de sala de aula, entre outros. O conhecimento pedag&oacute;gico do conte&uacute;do &eacute; de interesse especial, pois distingue o conhecimento caracter&iacute;stico de professores com certa experi&ecirc;ncia daqueles iniciantes. Este tipo de conhecimento &eacute; caracterizado pela organiza&ccedil;&atilde;o de assuntos de maneira compreens&iacute;vel para os alunos; &eacute; a reuni&atilde;o de diferentes tipos de representa&ccedil;&otilde;es formuladas ou constru&iacute;das pelo professor com a pr&aacute;tica ou com a pesquisa; &eacute; o desenvolvimento de estrat&eacute;gias metodol&oacute;gicas pr&oacute;prias, melhorando outros conhecimentos da base. Tamb&eacute;m consiste de compreens&otilde;es a respeito das dificuldades dos alunos em rela&ccedil;&atilde;o a determinado assunto, bem como suas concep&ccedil;&otilde;es e preconceitos acerca de temas a serem ensinados. &Eacute; um tipo de conhecimento que inclui o dom&iacute;nio de t&eacute;cnicas de ensino mais eficientes e apropriadas, &eacute; de autoria do professor e essencial para o processo de aprendizagem da doc&ecirc;ncia, al&eacute;m de configurar a distin&ccedil;&atilde;o entre professores experientes e iniciantes (Mizukami, 2004; Shulman, 1986, 1987).</p>     <p>Para ser um mentor, o professor experiente necessita construir conhecimentos referentes &agrave; sua atua&ccedil;&atilde;o e desenvolver uma identidade diferenciada daquela constru&iacute;da ao longo de sua carreira. Essa reconstru&ccedil;&atilde;o de identidade significa desenvolver novos conhecimentos, vivenciar novas experi&ecirc;ncias e ampliar o autoconhecimento (Beijaard et al., 2004). Tancredi e Reali (2011), num estudo sobre um Programa de Mentoria voltado para os anos iniciais, analisaram a base de conhecimentos essencial a um mentor, destacando que esta &eacute; semelhante &agrave; dos formadores de professores, e, como esta, tamb&eacute;m est&aacute; sujeita a modifica&ccedil;&otilde;es e amplia&ccedil;&otilde;es durante a pr&aacute;tica. Considerando que "as pessoas constroem seu pr&oacute;prio conhecimento com base em conhecimentos anteriores e em suas experi&ecirc;ncias pessoais" (Tancredi &amp; Reali, 2011, p. 35), a base de conhecimentos do professor experiente servir&aacute; de ponto de partida para a constru&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento da base do mentor, complementando-a com novas habilidades, compet&ecirc;ncias e compreens&otilde;es. Pode-se adicionar conhecimentos referentes a ensinar a ensinar (Tancredi &amp; Reali, 2011) &agrave;queles necess&aacute;rios ao exerc&iacute;cio da atividade de mentor, relevantes &agrave; constitui&ccedil;&atilde;o de sua identidade, al&eacute;m dos conhecimentos de conte&uacute;do espec&iacute;fico, pedag&oacute;gicos gerais e pedag&oacute;gicos do conte&uacute;do.</p>     <p>Conhecimentos necess&aacute;rios aos mentores s&atilde;o compostos tamb&eacute;m por habilidades e compet&ecirc;ncias que os auxiliam a exercer o seu papel e estando, dentre eles: a integridade, habilidade em saber ouvir, sinceridade, entusiasmo, compet&ecirc;ncia de ensinar, ser confi&aacute;vel e receptivo, ter otimismo, se dedicar &agrave; profiss&atilde;o, entre outras (Villani, 2002). Ao ensinar o professor iniciante, &eacute; importante que o mentor domine o conte&uacute;do espec&iacute;fico da mat&eacute;ria. O conhecimento de conte&uacute;do pedag&oacute;gico tamb&eacute;m deve ser sabido pelos mentores, j&aacute; que, ao lidar com o professor iniciante, o mentor tamb&eacute;m lida indiretamente com os alunos deste. Do mesmo modo, conhecimentos pedag&oacute;gicos acerca dos alunos devem ser constru&iacute;dos junto ao professor iniciante, o que &eacute; indicado por Tancredi e Reali (2011) como um conhecimento de segunda ordem. O mentor tamb&eacute;m constr&oacute;i conhecimentos pedag&oacute;gicos sobre o professor iniciante, que v&atilde;o auxili&aacute;-lo a desenvolver atividades formativas que promovam o seu aprendizado da doc&ecirc;ncia.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Programa de Forma&ccedil;&atilde;o <i>Online</i> de Mentores e a forma&ccedil;&atilde;o para o apoio profissional</b></p>     <p>O Programa de Forma&ccedil;&atilde;o <i>Online</i> de Mentores (PFOM)<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>foi desenvolvido por um grupo de pesquisadoras da Universidade Federal de S&atilde;o Carlos (UFSCar - Brasil), no interior do estado de S&atilde;o Paulo. O PFOM teve seu planejamento iniciado em novembro de 2013 como uma proposta de car&aacute;ter construtivo-colaborativo (Mizukami et al., 2000) de pesquisa-interven&ccedil;&atilde;o que objetivou a investiga&ccedil;&atilde;o, a forma&ccedil;&atilde;o de professores e o desenvolvimento profissional dos participantes do processo. Nesta pesquisa foram considerados os participantes de um dos dois grupos participantes (G2), constitu&iacute;do por professores experientes e ocupantes de cargos de gest&atilde;o escolar. Este grupo foi constru&iacute;do atrav&eacute;s de uma sele&ccedil;&atilde;o realizada no <i>site</i> Portal dos Professores<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>, provenientes de diversas cidades brasileiras. Por conta do alto n&uacute;mero de inscri&ccedil;&otilde;es, decidiu-se adotar outros crit&eacute;rios de sele&ccedil;&atilde;o: preferencialmente ocupar o cargo de coordenador pedag&oacute;gico; em segundo lugar, foi dada prioridade a diretores, vice-diretores, orientadores pedag&oacute;gicos e supervisores de ensino; atua&ccedil;&atilde;o m&iacute;nima de dez anos na educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica; experi&ecirc;ncia m&iacute;nima de dois anos no cargo atual; j&aacute; ter realizado curso a dist&acirc;ncia; ter dom&iacute;nio do pacote <i>Office</i> e possuir acesso &agrave; Internet. Foi ainda considerado o IDEB<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a> do munic&iacute;pio, dando prioridade para IDEBs mais baixos. Este grupo iniciou as atividades em novembro de 2014.</p>     <p>O Programa foi estruturado em quatro m&oacute;dulos: o M&oacute;dulo I abordou discuss&otilde;es acerca da trajet&oacute;ria pessoal e profissional dos participantes e letramento digital, explorando as expectativas dos participantes em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; forma&ccedil;&atilde;o. J&aacute; o M&oacute;dulo II focou o in&iacute;cio da carreira docente e o apoio recebido durante esse per&iacute;odo, possibilitando a discuss&atilde;o sobre as fun&ccedil;&otilde;es, a base de conhecimentos e a identidade do mentor. Em seguida, o M&oacute;dulo III explorou conte&uacute;dos te&oacute;ricos sobre necessidades formativas do in&iacute;cio da carreira docente, ao mesmo tempo que os professores iniciavam suas a&ccedil;&otilde;es de mentoria. Por fim, o M&oacute;dulo IV estimulou reflex&otilde;es sobre os conte&uacute;dos trabalhados ao longo do Programa, sendo tamb&eacute;m o momento em que os mentores avaliaram seu trabalho junto aos professores iniciantes, colocando em pr&aacute;tica os planejamentos elaborados no M&oacute;dulo III.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As atividades formativas do Programa envolveram discuss&otilde;es em f&oacute;runs, registros reflexivos em di&aacute;rio, entrega de tarefas, an&aacute;lise de casos de ensino, troca de <i>e-mails</i> entre os participantes e <i>feedback</i> formativo. Todas as atividades foram planejadas de maneira colaborativa entre os membros da equipe de forma&ccedil;&atilde;o, baseando-se em um curr&iacute;culo flex&iacute;vel, que levou em considera&ccedil;&atilde;o as necessidades e demandas trazidas pelos mentores em forma&ccedil;&atilde;o. Os participantes foram acompanhados e orientados por quatro tutoras, respons&aacute;veis pelas an&aacute;lises das atividades realizadas e por um <i>feedback</i> posterior.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Metodologia de pesquisa</b></p>     <p>A presente investiga&ccedil;&atilde;o configura-se como qualitativa (L&uuml;dke &amp; Andr&eacute;, 1986), tendo sido a an&aacute;lise de dados baseada na abordagem descritivo-interpretativa do material produzido pelos participantes do Programa de Forma&ccedil;&atilde;o <i>Online</i> de Mentores. As informa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o analisadas com foco sobre o contexto dos participantes, dando-se maior aten&ccedil;&atilde;o aos significados dados por cada um deles em seus respectivos relatos e reflex&otilde;es, considerando, em igual medida, a interpreta&ccedil;&atilde;o dos investigadores (Santos, 2009). Esta an&aacute;lise fundamentou-se em relatos e narrativas dos participantes em f&oacute;runs de discuss&atilde;o, di&aacute;rios reflexivos e entrega de tarefas, caracterizando uma an&aacute;lise documental (L&uuml;dke &amp; Andr&eacute;, 1986).</p>     <p>Destaca-se que os professores participantes possu&iacute;am mais de quinze anos de experi&ecirc;ncia docente. Foram analisados os materiais produzidos por quatro participantes (um participante acompanhado por cada tutora). O pequeno espa&ccedil;o amostral, caracter&iacute;stico da pesquisa qualitativa, reflete que o prop&oacute;sito desta investiga&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; generalizar os resultados encontrados para toda a popula&ccedil;&atilde;o de mentores e, sim, analisar especificamente os resultados provenientes de cada sujeito (Patton, 1990). Para a sele&ccedil;&atilde;o das atividades foi utilizada a <i>purposeful sampling</i> (Patton, 1990), que considera casos ricos em informa&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas como fontes de dados. Entre as possibilidades que esta t&eacute;cnica envolve, a utilizada para selecionar os sujeitos &eacute; uma aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave; <i>snowball sampling</i> do mesmo autor, que sup&otilde;e a localiza&ccedil;&atilde;o de informantes ricos em informa&ccedil;&otilde;es, indicados por outros membros do grupo. Neste caso, atrav&eacute;s da observa&ccedil;&atilde;o dos dados de cada participante do Programa, por meio de informa&ccedil;&otilde;es fornecidas pelas tutoras respons&aacute;veis pelas orienta&ccedil;&otilde;es e acompanhamento dos participantes, fez-se a sele&ccedil;&atilde;o intencional pelos quatro sujeitos que estavam respondendo de maneira mais satisfat&oacute;ria aos objetivos do PFOM, bem como aos objetivos da pesquisa e que foram apontados pelas tutoras. O crit&eacute;rio utilizado para analisar o desempenho dos mentores foi a realiza&ccedil;&atilde;o de todas as atividades at&eacute; o final do M&oacute;dulo II, &uacute;ltimo m&oacute;dulo antes do in&iacute;cio da atua&ccedil;&atilde;o como mentor, e, al&eacute;m disso, os M&oacute;dulos I e II, que ofereceram a forma&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica e apresentaram atividades com reflex&otilde;es acerca da trajet&oacute;ria pessoal e profissional, respons&aacute;veis por fornecer dados sobre a identidade dos sujeitos e seus conhecimentos.</p>     <p>A an&aacute;lise documental deu-se pela abordagem descritivo-interpretativa e analisou quatro atividades dos M&oacute;dulos I e II: 1) Atividade 1.2 do M&oacute;dulo I, chamada <i>Socializa&ccedil;&atilde;o sobre o contexto de atua&ccedil;&atilde;o profissional</i>, que consistiu em um f&oacute;rum de discuss&otilde;es, no qual os participantes poderiam se conhecer e narrar sua trajet&oacute;ria pessoal profissional; 2) atividade 3.1 do M&oacute;dulo I, intitulada <i>Memorial reflexivo da trajet&oacute;ria profissional</i>, que permitiu que os participantes revisitassem e fizessem uma an&aacute;lise reflexiva sobre toda a sua trajet&oacute;ria pessoal e carreira profissional; 3) na Atividade 1.1 do M&oacute;dulo II, nomeada <i>Discuss&atilde;o sobre o apoio profissional (ou sua aus&ecirc;ncia) no in&iacute;cio da carreira docente</i>, os participantes deveriam fazer uma reflex&atilde;o sobre os aux&iacute;lios recebidos no in&iacute;cio de sua carreira ao assistirem o filme "Escritores da Liberdade"<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>; e 4) atividade 2.1 do M&oacute;dulo II, chamada <i>Leitura e An&aacute;lise pessoal de um texto sobre a aprendizagem e profissionaliza&ccedil;&atilde;o docente</i>, e que consistia em ler um artigo sobre os conhecimentos necess&aacute;rios a um professor, na elabora&ccedil;&atilde;o de um texto relatando os principais conhecimentos que foram necess&aacute;rios a eles quando iniciaram a carreira, bem como na explana&ccedil;&atilde;o de quais foram as principais fontes de aprendizagem da doc&ecirc;ncia. Nestas fontes foram privilegiados dados que contivessem informa&ccedil;&otilde;es a respeito dos conhecimentos e dados sobre a identidade dos sujeitos, considerando-se todas as fontes como narrativas e equivalentes perante a an&aacute;lise de dados.</p>     <p>Os dados coletados nas respostas das quatro atividades foram inseridos no <i>software</i> NVIVO, um programa direcionado para a an&aacute;lise qualitativa de dados que permite uma ampla classifica&ccedil;&atilde;o manual de dados. De acordo com a literatura (Mizukami, 2004; Shulman, 1987; Tancredi &amp; Reali, 2011), foi criada a categoria <i>Conhecimentos</i>. Os crit&eacute;rios de inclus&atilde;o das narrativas nesta categoria foram: conhecimentos adquiridos a partir da forma&ccedil;&atilde;o e experi&ecirc;ncia profissional do professor, que possam estar relacionadas &agrave; sua base de conhecimentos para o ensino, assim como os provenientes da literatura, os quais utiliza para justificar suas reflex&otilde;es. A partir da leitura dos dados classificados nessa categoria, foram criadas as subcategorias: conhecimento pedag&oacute;gico geral; conhecimentos de conte&uacute;do espec&iacute;fico; conhecimentos pedag&oacute;gicos do conte&uacute;do; conhecimentos sobre a forma&ccedil;&atilde;o e atua&ccedil;&atilde;o docente; e conhecimentos sobre a fun&ccedil;&atilde;o do gestor, do mentor e da escola. Dentro do <i>software</i>, criou-se uma pasta para cada participante, nas quais foram inseridas as respostas das atividades. Para a classifica&ccedil;&atilde;o, um n&oacute; representando a categoria &lsquo;Conhecimentos&rsquo; foi criado no <i>software</i>. A classifica&ccedil;&atilde;o foi realizada ap&oacute;s uma leitura atenta dos dados. No final das classifica&ccedil;&otilde;es, o <i>software</i> gerou um arquivo com todos os excertos classificados como conhecimentos. A partir destes arquivos, os excertos foram reclassificados em subcategorias. A an&aacute;lise dos dados se deu pela interpreta&ccedil;&atilde;o dos excertos subcategorizados, buscando-se sempre pontos convergentes, divergentes e padr&otilde;es nas respostas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resultados: Os conhecimentos de quatro professores experientes</b></p>     <p><b>Carateriza&ccedil;&atilde;o dos participantes </b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Maur&iacute;cio<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a> tem 48 anos e reside em uma cidade no interior do estado de S&atilde;o Paulo. Foi criado numa zona rural, onde estudou at&eacute; a antiga 4&ordf; s&eacute;rie do ensino fundamental. Para continuar sua escolariza&ccedil;&atilde;o, sete anos depois de concluir a 4&ordf; s&eacute;rie, influenciado por seminaristas que visitavam a fazenda onde vivia, retomou os estudos em uma cidade pr&oacute;xima. Passou por diversas dificuldades at&eacute; ingressar no ensino superior em Hist&oacute;ria. Foi professor substituto na rede estadual paulista e na antiga FEBEM<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>, al&eacute;m de ser professor efetivo na rede municipal e coordenador pedag&oacute;gico na rede estadual. Atualmente, Maur&iacute;cio &eacute; coordenador da &aacute;rea de Hist&oacute;ria na Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o de seu munic&iacute;pio.</p>     <p>Sofia tem 40 anos, &eacute; residente de uma cidade do interior de S&atilde;o Paulo e foi influenciada pela m&atilde;e a ingressar no magist&eacute;rio para ser professora. Possui gradua&ccedil;&atilde;o em Matem&aacute;tica e Pedagogia. Atuou como professora substituta na rede municipal da cidade em que reside e como professora de Matem&aacute;tica na segunda etapa do ensino fundamental da rede estadual. Tem experi&ecirc;ncia como coordenadora pedag&oacute;gica, vice-diretora e diretora, fun&ccedil;&atilde;o que ocupa atualmente em uma escola de educa&ccedil;&atilde;o infantil da rede municipal.</p>     <p>Clarisse tem 47 anos, tamb&eacute;m reside no interior do estado de S&atilde;o Paulo e sempre gostou de ir &agrave; escola. Por conta de uma escolha da m&atilde;e, foi matriculada no magist&eacute;rio. Ap&oacute;s concluir o curso, permaneceu afastada da escola por um per&iacute;odo, mas alguns anos depois ingressou na carreira docente, atuando como professora em diversos contextos: substituta em uma escola rural muito prec&aacute;ria e professora de uma escola de periferia em um bairro violento e dominado pelo tr&aacute;fico de drogas. Ingressou no curso superior de Pedagogia e assumiu o cargo de dire&ccedil;&atilde;o em outra escola de ensino fundamental do governo estadual, tamb&eacute;m de periferia e com problemas de tr&aacute;fico, o que quase a fez desistir da profiss&atilde;o. Atualmente, &eacute; supervisora de ensino em seu munic&iacute;pio.</p>     <p>Helena tem 51 anos, tamb&eacute;m &eacute; residente de uma cidade do interior do estado de S&atilde;o Paulo e seus pais tinham pouca escolariza&ccedil;&atilde;o. Formou-se no magist&eacute;rio e iniciou a carreira docente como professora eventual, contexto em que teve muitas dificuldades, que quase a levaram a desistir por conta do pouco respeito que os alunos tinham por ela. Cursou Pedagogia e tamb&eacute;m foi professora na FEBEM, uma experi&ecirc;ncia que considerou desafiadora. Alguns anos depois, ingressou no sistema SESI<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>, onde atuou como professora por quinze anos. No final deste per&iacute;odo, assumiu o cargo na coordena&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica da educa&ccedil;&atilde;o infantil, o que representou outro desafio, pois n&atilde;o tinha experi&ecirc;ncia ou forma&ccedil;&atilde;o para tal cargo. Atualmente, &eacute; coordenadora pedag&oacute;gica na Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o de seu munic&iacute;pio.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conhecimentos e identidade dos professores experientes</b></p>     <p>Os conhecimentos, assim como a identidade docente, n&atilde;o s&atilde;o solidificados ou est&aacute;ticos. S&atilde;o din&acirc;micos, se mostram em constante constru&ccedil;&atilde;o e transforma&ccedil;&atilde;o, ocorrendo ao longo do desenvolvimento profissional docente (Beijaard et al., 2004; Huberman, 1992; Marcelo Garc&iacute;a, 1999). Esta constante constru&ccedil;&atilde;o sofre diversas influ&ecirc;ncias provenientes da trajet&oacute;ria pessoal e profissional do professor, considerando sua inf&acirc;ncia e experi&ecirc;ncia como aluno (Beijaard et al., 2004), acontecimentos marcantes, emo&ccedil;&otilde;es experimentadas dentro e fora do ambiente escolar (Flores &amp; Day, 2006), forma&ccedil;&atilde;o inicial, cren&ccedil;as e valores constru&iacute;dos ao longo da vida (Zare-ee &amp; Ghasedi, 2014), e outros aspectos de seu percurso.</p>     <p>Entende-se que as diferen&ccedil;as na base de conhecimentos s&atilde;o os elementos que diferenciam os professores, qualquer que seja seu grau de experi&ecirc;ncia. Concebe-se que a base de conhecimentos de professores experientes configura-se mais ampla do que a de professores iniciantes (Tancredi &amp; Reali, 2011), al&eacute;m de que os primeiros possuem uma experi&ecirc;ncia pr&aacute;tica e tempos de reflex&atilde;o maiores do que os segundos. Rold&atilde;o (2007) vai nesta dire&ccedil;&atilde;o e fala sobre a especificidade do conhecimento profissional de professores experientes citando a capacidade anal&iacute;tica desses profissionais como um "gerador de especificidade" (p. 100) e, consequentemente, da pr&aacute;tica reflexiva. Considerando esse contexto, &eacute; compreens&iacute;vel que professores experientes atuem como mentores, j&aacute; que a aprendizagem da doc&ecirc;ncia pelos iniciantes implica na mudan&ccedil;a ou complementa&ccedil;&atilde;o da base de conhecimentos para o ensino, o que pode ser auxiliado por profissionais mais experientes, ou seja, os mentores, que possuem sua base mais ampla e composta por conhecimentos elencados nas an&aacute;lises a seguir.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><i>Conhecimentos pedag&oacute;gicos gerais</i></b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para analisar os conhecimentos pedag&oacute;gicos gerais, considerou-se os excertos dos participantes acerca dos processos de aprender e ensinar, relacionados aos alunos e seu comportamento, e sobre a sala de aula; tamb&eacute;m sobre culturas, pol&iacute;ticas p&uacute;blicas educacionais, entre outros (Shulman, 1986). Os participantes demonstram este tipo de conhecimento ao refletirem sobre o envolvimento do professor com seus alunos como elemento importante para o processo de ensino e aprendizagem:</p>     <p>     <blockquote>E uma das coisas que contribu&iacute;ram para encontrar o caminho da paz foi que comecei a observar algumas coisas nos alunos. . . . Essas observa&ccedil;&otilde;es serviram para estreitar o di&aacute;logo com os alunos na sala; n&atilde;o que tenha resolvido tudo, mas que me permitiram utilizar outras estrat&eacute;gias al&eacute;m de colocar o aluno pra fora toda vez que ocorria alguma coisa. (Maur&iacute;cio &ndash; Atividade 2.1 do M&oacute;dulo I)         <p></p>         <p>Existe um distanciamento muito grande entre professores e alunos. &Eacute; necess&aacute;rio diminuir esse distanciamento. Tirar um tempo para ouvir os alunos, estabelecer troca de experi&ecirc;ncias, s&atilde;o meios que ajudam a construir o respeito. (Maur&iacute;cio &ndash; Atividade 1.1 do M&oacute;dulo II)</p>         <p>Apesar da abertura quantitativa das escolas aos alunos de diferentes condi&ccedil;&otilde;es financeiras, sem impedir o acesso por falta de uniformes ou material, percebo a dificuldade de alguns profissionais em dar vez e voz aos alunos, respeitando-os como parceiros dentro de um projeto educativo que visa a emancipa&ccedil;&atilde;o humana. (Clarisse &ndash; Atividade 1.2 do M&oacute;dulo I)   </blockquote>     <p></p>     <p>Ao longo de sua experi&ecirc;ncia, atrav&eacute;s da observa&ccedil;&atilde;o e reflex&atilde;o sobre sua pr&oacute;pria pr&aacute;tica, Maur&iacute;cio construiu conhecimentos pedag&oacute;gicos gerais que o auxiliaram a rever e modificar suas a&ccedil;&otilde;es, resultando na melhoria nas condi&ccedil;&otilde;es de ensino e de aprendizado de seus alunos. Este apontamento vai ao encontro do que Tancredi e Reali (2011) indicam: que a base de conhecimentos de formadores &eacute; mais complexa do que a de professores. Eles aprendem com a pr&aacute;tica, reorganizando seus recursos de modo a que seja poss&iacute;vel atender as demandas e reconhecer os processos pelos quais os alunos aprendem. Essa forma de racioc&iacute;nio pode ser observada na narrativa acima destacada e no destaque abaixo, em que Maur&iacute;cio e Clarisse salientam a import&acirc;ncia de se dar ouvidos e voz aos alunos, no processo de ensino e aprendizagem, como uma ferramenta de constru&ccedil;&atilde;o de respeito m&uacute;tuo.</p>     <p>Nas narrativas dos sujeitos tamb&eacute;m &eacute; poss&iacute;vel perceber sua considera&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; cultura e &agrave;s origens de seus alunos. A exist&ecirc;ncia dessa nuance entre os estudantes deve ser levada em conta pelos professores, pois exige "formas espec&iacute;ficas de ensinar" (Tancredi &amp; Reali, 2011, p. 38), causando impactos nas pr&aacute;ticas de ensino do professor e na aprendizagem dos alunos. Para o mentor, este tipo de conhecimento &eacute; muito relevante, j&aacute; que o mesmo ser&aacute; modelo para professores iniciantes e, tamb&eacute;m, para que os mentores desempenhem seu papel com sensibilidade (Tancredi &amp; Reali, 2011).</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><i>Conhecimento de conte&uacute;do espec&iacute;fico</i></b></p>     <p>A an&aacute;lise desta categoria considerou conhecimentos relacionados ao dom&iacute;nio de conte&uacute;do da disciplina que o professor ensina, que inclui conceitos, procedimentos e teorias presentes na base de conhecimentos do professor; este n&atilde;o deve apenas conhecer esses conte&uacute;dos, mas tamb&eacute;m compreend&ecirc;-los (Mizukami, 2004). Dominar o conte&uacute;do espec&iacute;fico &eacute; um aspecto importante da atua&ccedil;&atilde;o do mentor, uma vez que uma de suas fun&ccedil;&otilde;es &eacute; auxiliar o professor iniciante a ensinar certos conte&uacute;dos aos seus alunos, sendo necess&aacute;rio, para isso, compreender os conceitos, t&oacute;picos e teorias. Nas narrativas de Maur&iacute;cio e Helena &eacute; poss&iacute;vel observar suas ang&uacute;stias em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s lacunas referentes ao dom&iacute;nio de conte&uacute;do quando eram professores iniciantes, acarretando em inseguran&ccedil;a no momento de ensinar.</p>     <p>     <blockquote>Essa foi uma etapa dif&iacute;cil [o in&iacute;cio da doc&ecirc;ncia]. . . . Dif&iacute;cil pelo fato de que, para ensinarmos, precisamos de um plano onde o conte&uacute;do, os objetivos e estrat&eacute;gias estejam articulados. . . . Em primeiro lugar porque n&atilde;o tinha o dom&iacute;nio do conte&uacute;do da disciplina. (Maur&iacute;cio &ndash; Atividade 2.1 do M&oacute;dulo 2)         <p></p>         <p>Primeiramente, achava que se soubesse o conte&uacute;do da mat&eacute;ria conseguiria &lsquo;dar aula&rsquo; e o aluno iria aprender. N&atilde;o &eacute; bem assim que a aprendizagem acontece. Isso n&atilde;o &eacute; suficiente! Reconhecer que n&atilde;o &eacute; assim &eacute; um fator importante. (Helena &ndash; Atividade 2.1 do M&oacute;dulo 2)   </blockquote>     <p></p>     <p>A relev&acirc;ncia deste conhecimento &eacute; apontada por Mizukami (2004), que considera o conte&uacute;do espec&iacute;fico importante, mas n&atilde;o suficiente na aus&ecirc;ncia dos outros tipos de conhecimento da base (conhecimento pedag&oacute;gico geral e conhecimento pedag&oacute;gico de conte&uacute;do). Apenas saber o conte&uacute;do espec&iacute;fico n&atilde;o garante que o professor ensine ou que o aluno aprenda, n&atilde;o bastando tamb&eacute;m para que o professor seja um formador. Por outro lado, n&atilde;o dominar o conte&uacute;do espec&iacute;fico, a organiza&ccedil;&atilde;o, a rela&ccedil;&atilde;o entre as teorias e conceitos pode fazer com que o pr&oacute;prio mentor ensine o professor iniciante de maneira errada no momento das orienta&ccedil;&otilde;es. Ter a consci&ecirc;ncia da necessidade de se dominar os conceitos e o conte&uacute;do da mat&eacute;ria &eacute; relevante para que o mentor seja capaz de diagnosticar as necessidades formativas do professor experiente, atuando para que ele supere esta barreira.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><i>Conhecimento pedag&oacute;gico de conte&uacute;do</i></b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De acordo com Shulman (1986), este tipo de conhecimento &eacute; constru&iacute;do pelo pr&oacute;prio professor durante sua carreira, &eacute; baseado na experi&ecirc;ncia e est&aacute; relacionado &agrave;s estrat&eacute;gias e metodologias de ensino que o professor utiliza ao ensinar. Por esse motivo, este tipo de conhecimento &eacute; considerado novo quando desenvolvido, pois &eacute; o pr&oacute;prio professor que o constr&oacute;i, sendo de "sua autoria" (Mizukami, 2004, p. 40), representando como ensinar, um dos principais aspectos da identidade docente do professor experiente. Nos excertos abaixo, os participantes mostram que desenvolveram conhecimentos pedag&oacute;gicos do conte&uacute;do durante sua experi&ecirc;ncia, sugerindo reflex&otilde;es sobre suas pr&aacute;ticas, o que pode ter ocasionado mudan&ccedil;as na sua base de conhecimentos:</p>     <p>     <blockquote>Minhas aulas come&ccedil;aram a ficar mais interessantes para os alunos depois que consegui, al&eacute;m do texto, utilizar imagens, v&iacute;deos, ilustra&ccedil;&otilde;es, exemplificar assuntos, etc. Isso j&aacute; com quatro anos de doc&ecirc;ncia. Nessa altura j&aacute; estava mais tranquilo e at&eacute; criava din&acirc;micas para ensinar (Maur&iacute;cio &ndash; Atividade 2.1 do M&oacute;dulo 2)         <p></p>         <p>sendo fundamental mencionar que todo professor precisa ser munido de conte&uacute;dos compat&iacute;veis com seu grau de doc&ecirc;ncia, ser comprometido, reflexivo e emocionalmente equilibrado para iniciar sua longa caminhada rumo a novas t&eacute;cnicas e metodologias de ensino, estas auxiliando na contextualiza&ccedil;&atilde;o de seus conhecimentos como mediador consciente. (Sofia &ndash; Atividade 2.1 do M&oacute;dulo 2)   </blockquote>     <p></p>     <p>Percebe-se que Maur&iacute;cio e Sofia apontam conhecimentos sobre a relev&acirc;ncia de se diversificar as aulas e ensinamentos. Essa aprendizagem se d&aacute; por meio do desenvolvimento de conhecimentos pedag&oacute;gicos do conte&uacute;do, que tratam de compreens&otilde;es a respeito do n&iacute;vel de dificuldade dos t&oacute;picos, maneiras diversas de representa&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos que, possivelmente, originaram-se em sua pr&aacute;tica docente, por meio de reflex&otilde;es ou atrav&eacute;s de pesquisas (Shulman, 1987). O processo reflexivo est&aacute; intimamente relacionado &agrave;s mudan&ccedil;as na base de conhecimentos para o ensino, que s&atilde;o mediadas pelo processo de racioc&iacute;nio pedag&oacute;gico (Shulman, 1987), processo que, de acordo com Rold&atilde;o (2007), est&aacute; aproximado do modelo do professor reflexivo de Sch&ouml;n (1987). A autora ainda indica que o conhecimento que adv&eacute;m da pr&aacute;tica n&atilde;o &eacute; um conhecimento comum ou trivial, mas sim um conhecimento resultante da "reflex&atilde;o anal&iacute;tica de professores competentes &ndash; reflex&atilde;o e compet&ecirc;ncia que implicitamente convocam, de forma integrada, as categorias que em Shulman aparecem na forma de componentes" (Rold&atilde;o, 2007, p. 99).</p>     <p>O processo de racioc&iacute;nio pedag&oacute;gico relaciona-se ao descrito por Mizukami (2004): "como os conhecimentos s&atilde;o acionados, relacionados e constru&iacute;dos durante o processo de ensinar e aprender" (p. 40). A pr&aacute;tica da reflex&atilde;o permite que o professor modifique sua base de conhecimentos e construa novos, que, ao irem ao encontro daqueles j&aacute; existentes, d&atilde;o sentido &agrave; pr&aacute;tica e reformam o quadro referencial do professor, influenciando na cont&iacute;nua constru&ccedil;&atilde;o de sua identidade (Gobato, 2016). Rold&atilde;o (2007) refere-se ainda &agrave; aprendizagem da doc&ecirc;ncia e &agrave; capacidade de transforma&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do espec&iacute;fico como geradores de especificidade do conhecimento docente, que pode caracterizar um profissional experiente:</p>     <p>     <blockquote>N&atilde;o &eacute; a per&iacute;cia t&eacute;cnica da aula, tampouco a pura inspira&ccedil;&atilde;o criativa, que fazem a especificidade do saber docente. E, contudo, o conhecimento profissional (do professor, do m&eacute;dico, entre outros) exige sem d&uacute;vida o rigoroso dom&iacute;nio de muito <i>saber t&eacute;cnico</i> (como fazer) e o dom&iacute;nio de uma componente <i>improvisativa</i> e <i>criadora</i> ante o "caso", a "situa&ccedil;&atilde;o", que podemos chamar de "art&iacute;stica". Mas s&oacute; se converte em conhecimento <i>profissional</i> quando, e se, sobre tais val&ecirc;ncias (t&eacute;cnica e criativa) se exerce o <i>poder conceptualizador de uma an&aacute;lise</i> sustentada em conhecimentos formalizados e/ou experienciais que permite dar e identificar sentidos, rentabilizar ou ampliar potencialidades de ac&ccedil;&atilde;o diante da situa&ccedil;&atilde;o com que o profissional se confronta (Rold&atilde;o, 2007, p. 100).</blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p>     <p>Para que o mentor seja capaz de ensinar o iniciante a ensinar, &eacute; imprescind&iacute;vel que ele domine conhecimentos pedag&oacute;gicos do conte&uacute;do, j&aacute; que estes s&atilde;o necess&aacute;rios: para ensinar o conte&uacute;do ao iniciante; para oferecer diferentes metodologias de ensino; para reconhecer a import&acirc;ncia da reflex&atilde;o sobre a a&ccedil;&atilde;o; e, al&eacute;m disso, para que o mentor domine diferentes estrat&eacute;gias de ensinar.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><i>Conhecimentos sobre forma&ccedil;&atilde;o e atua&ccedil;&atilde;o docente</i></b></p>     <p>O Programa possibilitou que os participantes refletissem sobre seus processos formativos como professores e sua trajet&oacute;ria profissional (essa reflex&atilde;o foi estimulada, por exemplo, na Atividade 3.1 do M&oacute;dulo I, intitulada <i>Memorial reflexivo da trajet&oacute;ria profissional</i>), de modo que os levasse a compreender as dificuldades que os professores iniciantes poderiam encontrar e a refletir sobre o processo de aprendizagem da doc&ecirc;ncia. Os mentores demonstraram compreender a forma&ccedil;&atilde;o docente como um per&iacute;odo longo e cont&iacute;nuo, exibindo conhecimentos acerca da atua&ccedil;&atilde;o, que s&atilde;o importantes informa&ccedil;&otilde;es a serem consideradas no momento de ensinar a ensinar. Certamente alguns desses conhecimentos foram constru&iacute;dos ao longo de seus muitos anos de carreira como professores e acionados no momento de realiza&ccedil;&atilde;o da atividade:</p>     <p>     <blockquote>Come&ccedil;amos a nos construir como professores muito antes de entrar na universidade, j&aacute; que, para atuarmos, servimo-nos tamb&eacute;m de nossa cultura pessoal, que prov&eacute;m de nossa hist&oacute;ria de vida. (Maur&iacute;cio &ndash; Atividade 3.1 do M&oacute;dulo 1)         <p></p>         <p>no universo infantil, todas as fontes de informa&ccedil;&atilde;o podem ser buscadas, favorecendo, antes de tudo, a viv&ecirc;ncia da crian&ccedil;a. O professor n&atilde;o &eacute; o &uacute;nico retentor do saber dentro da sala de aula. (Sofia &ndash; Atividade 3.1 do M&oacute;dulo 1)</p>         <p>As leituras e est&aacute;gios s&atilde;o muito importantes na forma&ccedil;&atilde;o humana, inclusive de educadores, visando a melhoria do ensino. (Sofia &ndash; Atividade 1.2 do M&oacute;dulo1)</p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A aprendizagem profissional da doc&ecirc;ncia se inicia antes da escolha pela profiss&atilde;o, quando ainda &eacute; aluno. (Clarisse &ndash; Atividade 2.1 do M&oacute;dulo 2)   </blockquote>     <p></p>     <p>Para atuar como um mentor "&eacute; fundamental que o formador conhe&ccedil;a seu aluno-professor, acesse seus conhecimentos, descubra o que devem aprender e em seguida desenvolva ou adapte um curr&iacute;culo voltado para a aprendizagem dos conte&uacute;dos definidos como necess&aacute;rios" (Tancredi &amp; Reali, 2011, p. 39). O mentor deve possuir conhecimentos pedag&oacute;gicos gerais sobre os professores iniciantes que ir&aacute; acompanhar. O conhecimento a respeito da forma&ccedil;&atilde;o docente &eacute; considerado como pertencente a este espectro, uma vez que os mentores dever&atilde;o diagnosticar as necessidades formativas dos iniciantes. Ao compreender a forma&ccedil;&atilde;o e as necessidades de seus colegas inexperientes, ser&aacute; poss&iacute;vel que os mentores entendam como estes aprendem &ndash; desenvolvendo um conhecimento pedag&oacute;gico sobre o iniciante &ndash; e sejam capazes de planejar atividades efetivas para o desenvolvimento profissional dos mesmos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><i>Conhecimentos sobre a fun&ccedil;&atilde;o de gestor, de mentor e da escola</i></b></p>     <p>Concorda-se com Vaillant (2002) quando afirma que a identidade docente tamb&eacute;m pode ser observada nas representa&ccedil;&otilde;es que o indiv&iacute;duo constr&oacute;i sobre sua profiss&atilde;o. Dessa forma, os conhecimentos acerca da fun&ccedil;&atilde;o como gestor escolar, como mentor e sobre a pr&oacute;pria escola podem ser considerados importantes pontos de destaque na constru&ccedil;&atilde;o da identidade do mentor. Os mentores demonstram conhecimentos deste tipo, sugerindo que compreender seu papel como formadores pode tornar mais simples sua atua&ccedil;&atilde;o como mentores:</p>     <p>     <blockquote>Refletir e rever conceitos, procurando novas maneiras de aprender e ensinar, &eacute; essencial a todo o educador, e, no tocante ao papel de mentor, adquirir um bom desenvolvimento de sua compet&ecirc;ncia profissional . . . se torna primordial, merecendo destaques alguns itens como a aprendizagem do educador, conhecimento profissional, al&eacute;m de motivar seus colegas de profiss&atilde;o sobre sua verdadeira fun&ccedil;&atilde;o de educador no processo de ensino-aprendizagem. (Sofia &ndash; Atividade 2.1 do M&oacute;dulo 2)         <p></p>         <p>No final de 2002, realizei o concurso para supervisora de ensino e assumi na diretoria de. . . . Converso com as equipes escolares nas visitas de acompanhamento, realizo uma escuta atenta e busco orient&aacute;-las nas suas d&uacute;vidas e problemas. Lavro o termo, sim, mas com as a&ccedil;&otilde;es acordadas entre n&oacute;s. O que tento n&atilde;o fazer &eacute; &lsquo;apontar o dedo&rsquo; e ir embora, como fizeram comigo. (Clarisse &ndash; Atividade 3.1 do M&oacute;dulo 1)</p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ser coordenador pedag&oacute;gico &eacute; estar envolvido no processo de a&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas desenvolvidas no &acirc;mbito da escola de educa&ccedil;&atilde;o infantil, respeitar as diretrizes da Pol&iacute;tica Educacional e a legisla&ccedil;&atilde;o em vigor. . . . Com o conhecimento adquirido, estou &agrave; frente da coordena&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica do munic&iacute;pio trabalhando na Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o e com a fun&ccedil;&atilde;o de estabelecer metas e linhas de a&ccedil;&otilde;es adequadas para alcan&ccedil;ar objetivos estabelecidos, buscando sempre uma integra&ccedil;&atilde;o com as equipes escolares e visando uma educa&ccedil;&atilde;o de qualidade. (Helena &ndash; Atividade 3.1 do M&oacute;dulo 1)   </blockquote>     <p></p>     <p>Beijaard et al. (2004) apontam a identidade docente como uma jun&ccedil;&atilde;o entre aquilo que o professor acredita ser sua fun&ccedil;&atilde;o e as cren&ccedil;as da sociedade acerca do seu trabalho. O mesmo pode ser dito sobre a identidade do mentor, levando em conta o que o mesmo entende como suas tarefas, baseado em suas experi&ecirc;ncias pessoais e profissionais. As narrativas indicadas, al&eacute;m de ilustrarem alguns dos conhecimentos dos participantes a respeito de suas fun&ccedil;&otilde;es como gestores e mentores, permitem observar outros conhecimentos, apontados por Tancredi e Reali (2011) como necess&aacute;rios ao mentor, como, por exemplo, ter "compet&ecirc;ncia organizacional, comunicativa e reflexiva" (p. 42); levar em considera&ccedil;&atilde;o as cren&ccedil;as, conhecimentos, desafios e a&ccedil;&otilde;es de professores iniciantes durante sua pr&aacute;tica; conhecer-se a si mesmo; ter consci&ecirc;ncia sobre seu papel formador e realizar autocr&iacute;ticas que auxiliem seu trabalho.</p>     <p>Ao encontro disso, Flores e Day (2006) consideram a identidade docente como um aspecto que vai al&eacute;m da cria&ccedil;&atilde;o de sentido e reinterpreta&ccedil;&atilde;o de valores. A identidade envolve constantes negocia&ccedil;&otilde;es e mudan&ccedil;as mediadas pelas experi&ecirc;ncias dentro e fora da escola. Nesse sentido, Flint, Zisook, e Fisher (2011) apontam que a constru&ccedil;&atilde;o da identidade envolve rela&ccedil;&otilde;es pessoais e profissionais que permeiam e modelam a maneira de pensar, agir e ser dos sujeitos. Essas observa&ccedil;&otilde;es sobre o conhecimento dos mentores, sobre sua pr&oacute;pria fun&ccedil;&atilde;o e sobre a escola demonstram conhecimentos necess&aacute;rios ao mentor, que comp&otilde;em sua identidade, cujo desenvolvimento permanece em constru&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></p>     <p>Em suma, para desempenhar a mentoria, o mentor deve ter um vasto repert&oacute;rio em sua base de conhecimento, a fim de acionar seu processo de racioc&iacute;nio pedag&oacute;gico e, consequentemente, ensinar a ensinar (Dal-Forno &amp; Reali, 2009). O "conhecimento da experi&ecirc;ncia" (Tancredi &amp; Reali, 2011, p. 42) &eacute; considerado igualmente importante e apontado como um elemento imprescind&iacute;vel para conhecimentos pr&aacute;ticos e para o desenvolvimento da base de conhecimentos do mentor, embora a pr&aacute;tica na mentoria seja importante para que a base seja continuamente remodelada e aperfei&ccedil;oada. Essas mudan&ccedil;as podem melhorar o desempenho do mentor e, indiretamente, o dos professores iniciantes por ele acompanhados. &Eacute; importante ressaltar que o mentor tamb&eacute;m possui necessidades formativas e que seus conhecimentos s&atilde;o limitados. Ele deve ser considerado um profissional que tamb&eacute;m est&aacute; em constante desenvolvimento, com a identidade ainda em constru&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de ser um indiv&iacute;duo totalmente apto a aprender com suas novas experi&ecirc;ncias e a ampliar ainda mais sua base de conhecimentos.</p>     <p>Nesta perspectiva, lembra-se que uma das principais caracter&iacute;sticas dos processos de mentoria &eacute; o desenvolvimento profissional e a aprendizagem do pr&oacute;prio mentor, concomitante &agrave; aprendizagem do professor iniciante (Tancredi, Mizukami, &amp; Reali, 2012). Possuir conhecimentos de conte&uacute;do espec&iacute;fico &eacute; importante; por&eacute;m, n&atilde;o &eacute; suficiente quando os outros conhecimentos (pedag&oacute;gicos e pedag&oacute;gicos do conte&uacute;do) est&atilde;o ausentes, j&aacute; que saber o conte&uacute;do n&atilde;o garante que o professor saiba ensinar. Por essa raz&atilde;o, o mentor deve dominar a base de conhecimentos para o ensino e, ainda, possuir habilidades de ensinar a ensinar. Os conhecimentos pedag&oacute;gicos de conte&uacute;do, que s&atilde;o constitu&iacute;dos na experi&ecirc;ncia e adv&ecirc;m de processos reflexivos, proporcionam habilidades de ensinar de diferentes maneiras um mesmo conte&uacute;do.</p>     <p>Os participantes demonstraram dominar esse conhecimento e possibilitaram a percep&ccedil;&atilde;o de que o desenvolveram ao longo de sua experi&ecirc;ncia, atrav&eacute;s de tentativas, erros, frustra&ccedil;&otilde;es e sucessos. Ter conhecimentos pedag&oacute;gicos de conte&uacute;do &eacute; importante para a fun&ccedil;&atilde;o de mentor, j&aacute; que eles se deparar&atilde;o com professores inexperientes que, possivelmente, n&atilde;o possuem um repert&oacute;rio complexo e, portanto, ainda n&atilde;o desenvolveram estrat&eacute;gias de ensino diferenciadas. Esse tipo de conhecimento tamb&eacute;m &eacute; imprescind&iacute;vel para os mentores, uma vez que ensinar a ensinar n&atilde;o &eacute; uma a&ccedil;&atilde;o trivial, e sim que demanda reflex&atilde;o e estrat&eacute;gias diferenciadas e baseadas no conhecimento pedag&oacute;gico do conte&uacute;do.</p>     <p>Nesse sentido, conhecer os aspectos da forma&ccedil;&atilde;o docente e as caracter&iacute;sticas do in&iacute;cio da doc&ecirc;ncia, al&eacute;m de permitir que o mentor compreenda como o professor aprende e possa planejar atividades de forma&ccedil;&atilde;o adequadas, propicia ao mentor se colocar no lugar do professor iniciante, levando-o a compreender as dificuldades e necessidades deste per&iacute;odo. Compreender estes aspectos pode facilitar o papel da mentoria, j&aacute; que o mentor deve ser, al&eacute;m de um apoio profissional, um apoio emocional e conselheiro. Dessa forma, conhecer as dificuldades e necessidades &eacute; importante para que ele seja solid&aacute;rio.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por fim, conhecer as pr&oacute;prias fun&ccedil;&otilde;es &eacute; essencial para os mentores, uma vez que para ensinar &eacute; necess&aacute;rio compreender a necessidade e a import&acirc;ncia do ensino e da educa&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m &eacute; importante para reconhecer as fun&ccedil;&otilde;es do novo papel e consolidar sua nova identidade de mentor. Os conhecimentos s&atilde;o um aspecto essencial da identidade do mentor e servir&atilde;o de base para que exer&ccedil;a suas fun&ccedil;&otilde;es, que ser&atilde;o modelos de atua&ccedil;&atilde;o e de ensino. Os mentores que foram analisados nesta pesquisa demonstraram parte dos conhecimentos necess&aacute;rios para sua futura fun&ccedil;&atilde;o; por&eacute;m, ainda se encontram na etapa inicial de sua fun&ccedil;&atilde;o. Dessa forma, espera-se que, com sua pr&aacute;tica, novos conhecimentos sejam aprendidos e ensinados, modificando tamb&eacute;m sua identidade profissional.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <p>Beijaard, D., Meijer, P. C., &amp; Verloop, N. (2003). Reconsidering research on teachers&rsquo; professional identity. <i>Teaching and Teacher Education, 20</i>, 107-128.&nbsp;</p>     <!-- ref --><p>Cole, L., &amp; Knowles J. G. (1993). Teacher development partnership research: A focus on methods and issues. <i>American Educational Research Journal, 30</i>(3), 473-495.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=766012&pid=S0871-9187201700020000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Dal-Forno, J. P., &amp; Reali, A. M. M. R. (2009). Forma&ccedil;&atilde;o de formadores: Delineando um programa de desenvolvimento profissional da doc&ecirc;ncia via-internet. <i>RPD &ndash; Revista Profiss&atilde;o Docente, 9</i>(20), 75-99.&nbsp;</p>     <!-- ref --><p>Flint, A. S., Zisook, K. &amp; Fisher, T. R. (2011). Not a one-shot deal: Generative professional development among experienced teachers. <i>Teaching and Teacher Education, 27</i>, 1163-1169.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=766015&pid=S0871-9187201700020000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Flores, M. A., &amp; Day, C. (2006). Contexts which shape and reshape new teachers&rsquo; identities: A multi-perspective study. <i>Teaching and Teacher Education, 22</i>, 219-232.</p>     <p>Gobato, P. G. (2016). <i>Caracter&iacute;sticas da identidade do mentor em constru&ccedil;&atilde;o: Programa de forma&ccedil;&atilde;o online de mentores da UFSCar </i>(Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado). Universidade Federal de S&atilde;o Carlos, S&atilde;o Carlos, S&atilde;o Paulo, Brasil.</p>     <!-- ref --><p>Huberman, M. (1992). O ciclo de vida profissional dos professores. In A. N&oacute;voa (Org.), <i>Vidas de professores</i> (pp. 31-61). Porto, Portugal: Porto Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=766019&pid=S0871-9187201700020000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>L&uuml;dke, M., &amp; Andr&eacute;, M. E. D. A. (1986). <i>Pesquisa em educa&ccedil;&atilde;o: Abordagens qualitativas.</i> S&atilde;o Paulo, Brasil: Editora Pedag&oacute;gica e Universit&aacute;ria.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=766021&pid=S0871-9187201700020000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Marcelo Garc&iacute;a, C. (1999). <i>Forma&ccedil;&atilde;o de professores: Para uma mudan&ccedil;a educativa</i>. Porto, Portugal: Porto Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=766023&pid=S0871-9187201700020000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Marcelo, C., &amp; Vaillant, D. (2009). <i>Desarrollo profesional docente: &iquest;C&oacute;mo se aprende a ense&ntilde;ar?</i>. Madrid, Espanha: Narcea S. A. de Ediciones.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=766025&pid=S0871-9187201700020000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Miglioran&ccedil;a, F. (2010). <i>Programa de Mentoria da UFSCar e desenvolvimento profissional de tr&ecirc;s professores iniciantes</i> (Tese de Doutorado). Universidade Federal de S&atilde;o Carlos, S&atilde;o Carlos, S&atilde;o Paulo, Brasil.</p>     <!-- ref --><p>Mizukami, M. G. N. (1996). Doc&ecirc;ncia, trajet&oacute;rias pessoais e desenvolvimento profissional. In A. M. M. R. Reali &amp; M. G. N. Mizukami (Orgs.), <i>Forma&ccedil;&atilde;o de professores: Tend&ecirc;ncias atuais</i> (pp. 59-91). S&atilde;o Carlos, Brasil: EdUFSCar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=766028&pid=S0871-9187201700020000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Mizukami, M. G. N. (2004). Aprendizagem da doc&ecirc;ncia: Algumas contribui&ccedil;&otilde;es de L. S. Shulman. <i>Educa&ccedil;&atilde;o, 29</i>(2), 33-49.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=766030&pid=S0871-9187201700020000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Mizukami, M. G. N., Reali, A. M. M. R., Reyes, C. R., Martucci, E. M., Lima, E. F., Tancredi, R. S. P., &amp; Mello, R. R. (2000). Desenvolvimento profissional da doc&ecirc;ncia: Analisando as experi&ecirc;ncias de ensino e aprendizagem. <i>Revista Pro-Posi&ccedil;&otilde;es, 11</i>(4), 97-109.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=766032&pid=S0871-9187201700020000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Nono, M., &amp; Mizukami, M. (2006). Processos de forma&ccedil;&atilde;o de professoras iniciantes. <i>Revista Brasileira de Estudos Pedag&oacute;gicos, 87</i>(217), 382-400.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=766034&pid=S0871-9187201700020000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Pacheco, J. A., &amp; Flores, M. A. (1999). <i>Forma&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o de professores</i>. Porto, Portugal: Porto Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=766036&pid=S0871-9187201700020000700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Patton, M. Q. (1990). <i>Qualitative evaluation and research methods</i>. Beverly Hills, USA: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=766038&pid=S0871-9187201700020000700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Reali, A. M. M. R., Tancredi, R. M. S. P., &amp; Mizukami, M. G. N. (2008). Programa de mentoria <i>online</i>: Espa&ccedil;o para o desenvolvimento profissional de professores iniciantes e experientes. <i>Educa&ccedil;&atilde;o e Pesquisa, 34</i>(1), 77-95.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=766040&pid=S0871-9187201700020000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Rold&atilde;o, M. C. (2007). Fun&ccedil;&atilde;o docente: Natureza e constru&ccedil;&atilde;o do conhecimento profissional. <i>Revista Brasileira de Educa&ccedil;&atilde;o, 12</i>(34), 94-181.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=766042&pid=S0871-9187201700020000700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Santos, S. (2009). Desenvolvimento profissional e reflexividade: Um estudo longitudinal de percursos de forma&ccedil;&atilde;o. <i>Col&oacute;quio do Museu Pedag&oacute;gico, 8</i>(1), 2061-2075.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=766044&pid=S0871-9187201700020000700018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Sch&ouml;n, D. (1987). <i>Educating the reflective practitioner</i>. New York: Joey-Bass.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=766046&pid=S0871-9187201700020000700019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Shulman, L. S. (1986). Those who understand: Knowledge growth in teaching. <i>Educational Researcher, 15</i>(2), 4-14.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=766048&pid=S0871-9187201700020000700020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Shulman, L. S. (1987). Knowledge and teaching: Foundations of the New Reform. <i>Harvard Educational Review, 57</i>(1), 1-21.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=766050&pid=S0871-9187201700020000700021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Tancredi, R. M. S. P. (2009). <i>Aprendizagem da doc&ecirc;ncia e profissionaliza&ccedil;&atilde;o: Elementos de uma reflex&atilde;o</i>. S&atilde;o Carlos, Brasil: EDUFSCar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=766052&pid=S0871-9187201700020000700022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Tancredi, R. M. S. P., &amp; Reali, A. M. M. R. (2011). O que um mentor precisa saber? Ou: Sobre a necessidade de um mentor construir uma vis&atilde;o multifocal. <i>Revista Exitus, 1</i>(1), 33-44.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=766054&pid=S0871-9187201700020000700023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Tancredi, R. M. S. P., Mizukami, M. G. N., &amp; Reali, A. M. M. R. (2012). Mentores e professores iniciantes em intera&ccedil;&atilde;o: Possibilidades formativas da educa&ccedil;&atilde;o <i>online</i>. <i>Revista Contemporaneidade, Educa&ccedil;&atilde;o e Tecnologia, 1</i>(2), 61-71.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=766056&pid=S0871-9187201700020000700024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Timotsuk, I., &amp; Ugaste, A. (2010). Student teachers&rsquo; professional identity. <i>Teaching and Teacher Education, 26</i>, 1563-1570.</p>     <!-- ref --><p>Vaillant, D. (2002). <i>Formaci&oacute;n de formadores: Estado de la pr&aacute;ctica</i>. Chile: Editorial San Marino.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=766059&pid=S0871-9187201700020000700026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Villani, S. (2002). <i>Mentoring programs for new teachers: Models of induction and support</i>. Thousand Oaks, USA: Corwin Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=766061&pid=S0871-9187201700020000700027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Zare-ee, A., &amp; Ghasedi, F. (2014). Professional identity construction issues in becoming an English teacher. <i>Procedia: Social and Behavioral Sciences, 98</i>, 1991-1995.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=766063&pid=S0871-9187201700020000700028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> Projeto intitulado "Forma&ccedil;&atilde;o <i>Online</i> de Mentores: Base de conhecimentos &ndash; identidade profissional &ndash; pr&aacute;ticas", financiado pelo CNPq e aprovado pelo Comit&ecirc; de &Eacute;tica da Universidade Federal de S&atilde;o Carlos em 10 de dezembro de 2013, sob o parecer n&uacute;mero 482.325.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup><a href="http://www.portaldosprofessores.ufscar.br" target="_blank">http://www.portaldosprofessores.ufscar.br</a>.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup>&Iacute;ndice de Desenvolvimento da Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica Brasileira.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup>Dire&ccedil;&atilde;o: Richard LaGravenese. EUA: Paramount Pictures, 2007. 122 min. DVD, legendado, Color, Wide Screen.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup>Os nomes foram alterados para preservar a identidade dos participantes.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup>Funda&ccedil;&atilde;o Estadual para o Bem do Menor, institui&ccedil;&atilde;o para menores de idade em priva&ccedil;&atilde;o de liberdade.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup>Rede de ensino p&uacute;blico para filhos de funcion&aacute;rios conveniados ao Servi&ccedil;o Social da Ind&uacute;stria (SESI)</p>     <p>&nbsp;</p> <a href="#topc0">Endereço para Correspondência</a><a name="c0"></a>     <p>Toda a correspondência relativa a este artigo deve ser enviada para: Paula Grizzo Gobato, Rua Pedro Martini, 623 &#8211; Santa Angelina, Araraquara &#8211; SP &#8211; Brasil, CEP 14802-190. Email: <a href="mailto:paula.grizzo@gmail.com">paula.grizzo@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Recebido em fevereiro 2017</i></p>     <p><i>Aceite para publica&ccedil;&atilde;o em outubro 2017</i></p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body><back>
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