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<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Educação]]></journal-title>
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<article-id pub-id-type="doi">10.21814/rpe.14061</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Revezamentos entre teoria e prática: Movimentos que acionam outros modos de pensar o ensino da arte]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[On alternations between theory and practice: Movements that activate other ways of thinking Art Education]]></article-title>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Alternancias entre la teoría y la práctica: Movimientos que accionan otros modos de pensar la enseñanza del arte]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This text will approach some experimentations we have developed in higher education with groups of undergraduate and graduate students. Our challenge has been: how to alternate theory and practice in a way that these instances do not happen apart from each other? To do so, we have sought to overlap them so that they happen concomitantly. These experimentations have occurred as elaborations of practice projects, in the classes of the supervised teaching practice, where teacher candidates are responsible for a school group or other. Equally, as far as research procedures are concerned, Master's dissertations and PhD theses are also operated through this alternation and concomitance. To the accomplishment of this writing, a theoretical-conceptual bibliographic study has been developed with authors aligned with the theoretical basis of the philosophies of difference. Hence, we sought for the depersonalization of authors to speak of a life written by crossings and encounters, i.e. to think life as the very own elaboration of text, a biographematic writing, as Roland Barthes proposes. This way we started composing, with the experienced, the readings, the speeches in the encounters and the visualities, the notes, and through this materiality we wrote this text.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[Este texto abordará algunas experimentaciones que hemos realizado en la enseñanza superior con grupos de graduación y también con grupos de pos-graduación. Nuestro desafío ha sido: ¿Cómo hacer una rotación entre teoría y práctica de modo que esas instancias no se den de formas separadas? Para tanto, hemos buscado sobreponerlas para que ocurran concomitantemente. Esas experimentaciones se han dado en la forma de elaborar los proyectos de pasantía, en las propias clases de pasantía curricular supervisionada, donde los profesores en formación asumen un grupo en la escuela o en otro espacio educativo. Igualmente en lo que se refiere a los procedimientos de hacer investigación, se busca que la disertación y la tesis también sean operadas desde esta rotación y concomitancia. Para la realización de esta escrita se emprendió un estudio teórico-conceptual de perfil bibliográfico autores afiliados en las bases teóricas de las filosofías de la diferencia. De ese modo, se buscó la despersonalización de los autores para hablar de una vida que es escrita por cruces y encuentros, o sea, pensar la vida como la propia elaboración de un texto, una escrita biografemática, siguiendo la propuesta de Roland Barthes. Así hemos compuesto, con lo vivido, con las lecturas, las hablas en los encuentros y las visualidades, los apuntamientos, y desde esa materialidad es que ensayamos ese texto.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS</b></p>     <p><b>Revezamentos entre teoria e pr&aacute;tica: Movimentos que acionam outros modos de pensar o ensino da arte</b></p>     <p><b>On alternations between theory and practice: Movements that activate other ways of thinking Art Education</b></p>     <p><b>Alternancias entre la teor&iacute;a y la pr&aacute;ctica: Movimientos que accionan otros modos de pensar la ense&ntilde;anza del arte</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Marilda Oliveira de Oliveira<sup>i</sup>, Vivien Kelling Cardonetti<sup>i</sup> Cl&aacute;udia Aparecida dos Santos<sup>i</sup> Francieli Regina Garlet<sup>ii</sup></b></p>     <p><sup>i</sup>Universidade Federal de Santa Maria, Brasil</p>     <p><sup>ii</sup>Universidade Estadual de Maring&aacute;, Brasil</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endereço para Correspondência</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Este texto abordar&aacute; algumas experimenta&ccedil;&otilde;es que temos realizado no Ensino Superior com as turmas de gradua&ccedil;&atilde;o e tamb&eacute;m com turmas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o. Nosso desafio tem sido: como fazer um revezamento entre teoria e pr&aacute;tica de maneira a que essas inst&acirc;ncias n&atilde;o aconte&ccedil;am de formas separadas? Para tanto, temos procurado sobrep&ocirc;-las de modo a que aconte&ccedil;am concomitantemente. Essas experimenta&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m se dado na forma de elaborar os projetos de est&aacute;gio e nas pr&oacute;prias aulas de est&aacute;gio curricular supervisionado, onde os professores em forma&ccedil;&atilde;o assumem uma turma na escola ou em outro espa&ccedil;o educativo. Igualmente no que se refere aos procedimentos de fazer pesquisa, procura-se que a disserta&ccedil;&atilde;o e a tese tamb&eacute;m sejam operadas a partir deste revezamento e concomit&acirc;ncia. Para a realiza&ccedil;&atilde;o desta escrita empreendeu-se um estudo te&oacute;rico-conceitual de cunho bibliogr&aacute;fico autores filiados nas bases te&oacute;ricas das filosofias da diferen&ccedil;a. Desse modo, buscou-se a despersonaliza&ccedil;&atilde;o dos autores para falar de uma vida que &eacute; escrita por atravessamentos e encontros, ou seja, pensar a vida como a pr&oacute;pria elabora&ccedil;&atilde;o do texto, uma escrita biografem&aacute;tica, seguindo a proposta de Roland Barthes. Assim fomos compondo, com o vivido, com as leituras, as falas nos encontros e as visualidades, os apontamentos, e a partir dessa materialidade &eacute; que ensaiamos esse texto.</p>     <p><b>Palavras-chave:&nbsp;</b>Filosofias da diferen&ccedil;a; Ensino da arte; Biografem&aacute;tica; Educa&ccedil;&atilde;o</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This text will approach some experimentations we have developed in higher education with groups of undergraduate and graduate students. Our challenge has been: how to alternate theory and practice in a way that these instances do not happen apart from each other? To do so, we have sought to overlap them so that they happen concomitantly. These experimentations have occurred as elaborations of practice projects, in the classes of the supervised teaching practice, where teacher candidates are responsible for a school group or other. Equally, as far as research procedures are concerned, Master&rsquo;s dissertations and PhD theses are also operated through this alternation and concomitance. To the accomplishment of this writing, a theoretical-conceptual bibliographic study has been developed with authors aligned with the theoretical basis of the philosophies of difference. Hence, we sought for the depersonalization of authors to speak of a life written by crossings and encounters, i.e. to think life as the very own elaboration of text, a biographematic writing, as Roland Barthes proposes. This way we started composing, with the experienced, the readings, the speeches in the encounters and the visualities, the notes, and through this materiality we wrote this text.</p>     <p><b>Keywords:&nbsp;</b>Philosophies of difference; Art teaching; Biographematics; Education</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMEN</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este texto abordar&aacute; algunas experimentaciones que hemos realizado en la ense&ntilde;anza superior con grupos de graduaci&oacute;n y tambi&eacute;n con grupos de pos-graduaci&oacute;n. Nuestro desaf&iacute;o ha sido: &iquest;C&oacute;mo hacer una rotaci&oacute;n entre teor&iacute;a y pr&aacute;ctica de modo que esas instancias no se den de formas separadas? Para tanto, hemos buscado sobreponerlas para que ocurran concomitantemente. Esas experimentaciones se han dado en la forma de elaborar los proyectos de pasant&iacute;a, en las propias clases de pasant&iacute;a curricular supervisionada, donde los profesores en formaci&oacute;n asumen un grupo en la escuela o en otro espacio educativo. Igualmente en lo que se refiere a los procedimientos de hacer investigaci&oacute;n, se busca que la disertaci&oacute;n y la tesis tambi&eacute;n sean operadas desde esta rotaci&oacute;n y concomitancia. Para la realizaci&oacute;n de esta escrita se emprendi&oacute; un estudio te&oacute;rico-conceptual de perfil bibliogr&aacute;fico autores afiliados en las bases te&oacute;ricas de las filosof&iacute;as de la diferencia. De ese modo, se busc&oacute; la despersonalizaci&oacute;n de los autores para hablar de una vida que es escrita por cruces y encuentros, o sea, pensar la vida como la propia elaboraci&oacute;n de un texto, una escrita biografem&aacute;tica, siguiendo la propuesta de Roland Barthes. As&iacute; hemos compuesto, con lo vivido, con las lecturas, las hablas en los encuentros y las visualidades, los apuntamientos, y desde esa materialidad es que ensayamos ese texto.</p>     <p><b>Palabras-clave:&nbsp;</b>Filosof&iacute;as de la diferencia; Ense&ntilde;anza del arte; Biografem&aacute;tica; Educaci&oacute;n</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Um breve sobrevoo </b></p>     <p>A elabora&ccedil;&atilde;o do presente artigo partiu da ideia de pensarmos sobre o que temos experienciado em espa&ccedil;os educativos de gradua&ccedil;&atilde;o e p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, dos desafios di&aacute;rios em operar um revezamento entre teoria e pr&aacute;tica, de modo a arrastar concep&ccedil;&otilde;es que descansam ou capturam o corpo/pensamento educativo e que insistem em se infiltrar nos discursos que ouvimos por a&iacute;: &lsquo;Na teoria &eacute; uma coisa, na pr&aacute;tica &eacute; outra...&rsquo;. Nos colocamos a pensar por que essa afirmativa &eacute; t&atilde;o presente nos discursos docentes e dos que se aventuram nesse territ&oacute;rio, e cogitamos algumas possibilidades: uma delas pode ser o fato de esperarmos que algumas teorias nos digam &lsquo;o que fazer&rsquo;, nos deem uma f&oacute;rmula que n&atilde;o produza equ&iacute;vocos ao operarmos com elas. Dessa forma se produz um hiato entre o que a teoria propunha e os resultados inesperados que se produzem com ela. E se nosso posicionamento quanto a esse hiato, muitas vezes, &eacute; de pens&aacute;-lo como uma falta, ou falha, ou impossibilidade de a teoria se encaixar com a pr&aacute;tica, perdemos a chance de saltar nesse hiato, de experiment&aacute;-lo, de perceber a pot&ecirc;ncia de sua impossibilidade de ajuste, perdemos a chance de operar a teoria, fazendo-a cintilar em suas varia&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Outro motivo de tal recorr&ecirc;ncia nos parece ser que, muitas vezes, esperamos que a teoria venha a nos explicar os porqu&ecirc;s de certas coisas acontecerem, e apostamos nas teorias como explica&ccedil;&otilde;es inequ&iacute;vocas do mundo, como verdades vindas de pessoas quase que divinas, de t&atilde;o legitimadas a falarem sobre o que nos passa, e a&iacute; novamente ocorrem desajustes, pois as realidades, al&eacute;m de m&uacute;ltiplas, est&atilde;o a todo o momento se movimentando e se produzindo, implorando para si outros modos de serem escritas/pensadas.</p>     <p>Perdemos, nesse caso, a chance de &lsquo;conversar&rsquo; com a escrita/fala do autor &ndash; a qual &eacute; tamb&eacute;m composta de uma multiplicidade, pois, como afirma Deleuze, no livro <i>Microf&iacute;sica do Poder</i>, de Michel Foucault (2012), quem fala e age &ldquo;&eacute; sempre uma multiplicidade, mesmo que seja na pessoa que fala ou age. N&oacute;s somos todos pequenos grupos&rdquo; (p. 70). Conversar diz respeito, portanto, a uma escuta e produ&ccedil;&atilde;o de sentidos que se d&atilde;o em um &lsquo;entre&rsquo;, que n&atilde;o se fixa no que o autor disse nem na imposi&ccedil;&atilde;o de encaixe de nossas experi&ecirc;ncias com o que ele disse. Uma conversa, no modo como a entendemos aqui, existe no desajuste, e n&atilde;o propriamente na busca de um consenso apaziguador; trata-se de alian&ccedil;a que arrasta um e outro a ser diferente do que &eacute;.</p>     <p>Talvez esse desajuste seja a pot&ecirc;ncia ou ponto de encontro<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a> entre teoria e pr&aacute;tica, o que faz uma arrastar a outra a regi&otilde;es desconhecidas que as fazem fulgurar em outras possibilidades de exist&ecirc;ncia, a produzirem-se a partir da diferen&ccedil;a.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Revezamentos entre teoria e pr&aacute;tica</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Deleuze, em di&aacute;logo com Foucault no livro <i>Microf&iacute;sica do Poder</i> (2012), menciona:</p>     <p>     <blockquote>&Agrave;s vezes se concebia a pr&aacute;tica como uma aplica&ccedil;&atilde;o da teoria, como uma consequ&ecirc;ncia; &agrave;s vezes, ao contr&aacute;rio, como devendo inspirar a teoria, como sendo ela pr&oacute;pria criadora com rela&ccedil;&atilde;o a uma forma futura de teoria. De qualquer modo, se concebiam suas rela&ccedil;&otilde;es como um processo de totaliza&ccedil;&atilde;o, em um sentido ou em um outro. Talvez para n&oacute;s a quest&atilde;o se coloque de outra maneira. As rela&ccedil;&otilde;es teoria-pr&aacute;tica s&atilde;o muito mais parciais e fragment&aacute;rias. Por um lado, uma teoria &eacute; sempre local, relativa a um pequeno dom&iacute;nio e pode se aplicar a um outro dom&iacute;nio, mais ou menos afastado. A rela&ccedil;&atilde;o de aplica&ccedil;&atilde;o nunca &eacute; de semelhan&ccedil;a. . . . A pr&aacute;tica &eacute; um conjunto de revezamentos de uma teoria a outra e a teoria um revezamento de uma pr&aacute;tica a outra. Nenhuma teoria pode se desenvolver sem encontrar uma esp&eacute;cie de muro e &eacute; preciso a pr&aacute;tica para atravessar o muro. (pp. 69-70)</blockquote>     <p></p>     <p>Desse modo, n&atilde;o se pensa a teoria e a pr&aacute;tica como representa&ccedil;&atilde;o ou decalque uma da outra; teoria e pr&aacute;tica acontecem no fluxo de um revezamento que potencializa, que faz tomar f&ocirc;lego, uma e outra. Operar teoria-pr&aacute;tica implica &lsquo;obrar&rsquo;, atravessar muros que encontramos (inventamos?) em meio ao percurso, implica criar impossibilidades e ao mesmo tempo um poss&iacute;vel (Deleuze, 1992). Trata-se, pois, da &lsquo;inven&ccedil;&atilde;o de problemas&rsquo;<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a> (Kastrup, 2005), ao mesmo tempo em que se afirma a precariedade de nossos pr&oacute;prios discursos.</p>     <p>Afirmar tal precariedade implica estar atento ao que se agita a partir das verdades que produzimos, entendendo essas verdades como cascas provis&oacute;rias que n&atilde;o aguentar&atilde;o por muito tempo, pois a teoria nunca d&aacute; conta da pr&aacute;tica e a pr&aacute;tica nunca d&aacute; conta da teoria, j&aacute; que ambas est&atilde;o constantemente sendo produzidas nesse revezamento, sempre em obra, em curso.</p>     <p>Assim, nossa formula&ccedil;&atilde;o indica que este modo de operar por revezamento expressa rela&ccedil;&atilde;o de tensionamento e deser&ccedil;&atilde;o, flexuosidade que corre, n&atilde;o de cima para baixo ou de baixo para cima, mas que transborda para os lados; o que vaza dessa esfera te&oacute;rico-pr&aacute;tica como um poss&iacute;vel afronta a fixidez das rela&ccedil;&otilde;es de poder que estratificam modos de agir e produzir conhecimento na educa&ccedil;&atilde;o. Movemo-nos lateralmente entre teoria e pr&aacute;tica num serpentear que n&atilde;o repousa, sempre em tr&acirc;nsito. Sob este revezamento, se complexifica a rela&ccedil;&atilde;o hier&aacute;rquica da teoria com a pr&aacute;tica, ao romper, ou, ao menos, borrar, algumas delimita&ccedil;&otilde;es de barreiras que se erguem entre elas, de forma que n&atilde;o se trata de uma apologia de uma ou de outra, mas da potencializa&ccedil;&atilde;o de ambas, no abalo de uma das dicotomias que sedimenta na educa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Como menciona Deleuze (2009), &ldquo;a teoria n&atilde;o totaliza; a teoria se multiplica e multiplica&rdquo; (p. 71). A partir da perspectiva anunciada, entendemos que toda teoria que penetra em um determinado pontose era resid endere&ccedil;o residas rela&ccedil;rdar.a este capitulo. que se voltam para a tem choca-se com a impossibilidade de seu espelhamento, pois &eacute; sempre forma que precisa funcionar a cada vez; por este motivo, a no&ccedil;&atilde;o de aplica&ccedil;&atilde;o de uma teoria nos parece inadequada frente &agrave; multiplicidade que a ela se imp&otilde;e, uma vez que falar pelos outros &eacute; sempre um modo de impor uma identidade que se quer comprovar.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Poss&iacute;veis entrecruzamentos com os conceitos de espa&ccedil;o liso e espa&ccedil;o estriado </b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Podemos estabelecer um di&aacute;logo entre esse revezamento (teoria-pr&aacute;tica) e o que Deleuze e Guattari (2012) definem como espa&ccedil;o liso e espa&ccedil;o estriado, uma vez que verdades injetadas no cotidiano tamb&eacute;m podem, neste contexto, ser mobilizadas e colocadas sob suspeita. &Eacute; com rela&ccedil;&atilde;o ao pensamento que os autores operam esses conceitos, pois segundo eles h&aacute; uma imagem do pensamento que implica determinados modos estruturados de pensar, a partir de uma certa organiza&ccedil;&atilde;o <i>a priori</i>, mas h&aacute; tamb&eacute;m um pensamento sem imagem que apenas acontece, em seu pr&oacute;prio fluxo, for&ccedil;ado por um disparador inicial, mas sem obedecer a um modelo pr&eacute;vio do que seja pensar. Assim, o espa&ccedil;o liso, segundo os autores, seria esse espa&ccedil;o n&ocirc;made onde o pensamento ganha velocidade. J&aacute; o espa&ccedil;o estriado, seria um espa&ccedil;o sedent&aacute;rio, onde o pensamento se d&aacute; a partir de uma organiza&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Topologicamente o espa&ccedil;o liso se constr&oacute;i como campo aberto de cont&iacute;nua varia&ccedil;&atilde;o (intensidades). Por sua vez, o espa&ccedil;o estriado refere-se a um sistema fixo e localiz&aacute;vel (trajetos). Numa primeira vista, corre-se o risco de esta distin&ccedil;&atilde;o entre espa&ccedil;o liso e espa&ccedil;o estriado se dar como uma forma de oposi&ccedil;&atilde;o simples; por isso sublinha-se que, a partir de Deleuze e Guattari (2012), o espa&ccedil;o estriado e liso &ldquo;existe de fato gra&ccedil;as &agrave;s misturas entre si&rdquo; (p. 192), o que n&atilde;o impede sua distin&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Mais que uma proposi&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica, aqui operamos com esses conceitos para pensar o espa&ccedil;o e o territ&oacute;rio da educa&ccedil;&atilde;o, enquanto atua&ccedil;&atilde;o em sala de aula e movimento na produ&ccedil;&atilde;o de pesquisas. Compreendemos estes espa&ccedil;os (liso e estriado) como processos de provoca&ccedil;&atilde;o m&uacute;tuos, jogo intensivo em que, se um &eacute; condi&ccedil;&atilde;o de alisamento espacial, o outro &eacute; pass&iacute;vel de estria&ccedil;&atilde;o. Embora apresentem uma diferen&ccedil;a de natureza, estes dois espa&ccedil;os n&atilde;o param de se provocar um ao outro, de se produzir um ao outro. Est&atilde;o, pois, em pressuposi&ccedil;&atilde;o rec&iacute;proca. Os movimentos pelos quais esses espa&ccedil;os buscam se manter s&atilde;o diferentes: enquanto o espa&ccedil;o estriado busca capturar o liso, freando-o, colocando-o em ordem, o espa&ccedil;o liso busca se diluir no espa&ccedil;o estriado, procurando fendas para vazar e para desterritorializ&aacute;-lo. O espa&ccedil;o liso ou n&ocirc;made &eacute; marcado apenas por tra&ccedil;os que se apagam e se deslocam com o trajeto. Ele se insinua &lsquo;entre&rsquo; os espa&ccedil;os estriados, que tentam limit&aacute;-lo refreando seu desenvolvimento. &Eacute; sobre o espa&ccedil;o estriado que o espa&ccedil;o liso se volta contra, buscando vazar e transbordar.</p>     <p>A partir desses conceitos de espa&ccedil;o liso e espa&ccedil;o estriado, nos colocamos a pensar que operar uma teoria (enquanto pr&aacute;tica) seria, talvez, um modo de alisar o espa&ccedil;o estriado, que ela mesma (a teoria) organiza enquanto arquivo<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>, provisoriamente; operar uma teoria seria, talvez, inventar modos singulares de deslocamento, fluidos, que possam passar entre uma regi&atilde;o e outra (do que j&aacute; foi dito, teorizado) arrastando essas produ&ccedil;&otilde;es de outrora para outros modos de exist&ecirc;ncia; esse ato operat&oacute;rio do espa&ccedil;o liso (pr&aacute;tica) poderia, quem sabe, inventar &ndash; com o espa&ccedil;o estriado do que j&aacute; foi dito (teoria) &ndash; regi&otilde;es outras ainda por vir.</p>     <p>Pensar um revezamento entre teoria e pr&aacute;tica implicaria pensar nessas provoca&ccedil;&otilde;es entre espa&ccedil;o liso (pr&aacute;tica) e espa&ccedil;o estriado (teoria). O espa&ccedil;o liso &eacute; aquele que abriga uma experimenta&ccedil;&atilde;o singular de pensamento, que acaba por arrastar as bordas da raz&atilde;o, produzidas por um espa&ccedil;o estriado, para o estiramento de uma problem&aacute;tica imanente, que se ensaia na pr&oacute;pria err&acirc;ncia do pensamento, num espa&ccedil;o desconhecido, sem pontos de refer&ecirc;ncia, nem destino projetado <i>a priori</i>.</p>     <p>Este revezamento enquanto opera&ccedil;&atilde;o espacial, que por vezes territorializa e por vezes faz fugir, resulta de pr&aacute;ticas concretas, isto &eacute;, de modos de atuar frente &agrave; suposta linearidade dos trajetos, imbricados nas rela&ccedil;&otilde;es que produzimos, nos limites que se erguem entre a verdade e a apar&ecirc;ncia, entre a ordem e o caos, entre a teoria e a pr&aacute;tica, em que se busca dar visibilidade aos estilha&ccedil;os que nos constituem, l&aacute; mesmo onde n&atilde;o h&aacute; mais identidade, onde o eu se encontra dissipado na multiplicidade que o concebeu.</p>     <p>Apostamos na altern&acirc;ncia, engendrada enquanto modo de equil&iacute;brio frente &agrave; degenera&ccedil;&atilde;o das formas de conhecer e produzir conhecimento. Essa degenera&ccedil;&atilde;o cultural iniciada pelo pensamento socr&aacute;tico-plat&ocirc;nico agu&ccedil;a-se, como denunciado por Nietzsche (1998), com o advento do cristianismo (deus unificado) e, posteriormente, com o cientificismo e as teorias positivistas, na racionaliza&ccedil;&atilde;o sistematizada como pressuposto &uacute;nico para a compreens&atilde;o do mundo<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>. Tra&ccedil;ar entre a teoria (epistemologia) e a pr&aacute;tica (empiria) linhas para um deslocamento desej&aacute;vel, tendo em vista que cada um destes campos opera sob condi&ccedil;&otilde;es pr&oacute;prias, que n&atilde;o s&atilde;o equivalentes nem redut&iacute;veis entre si, ajusta-se a um plano experimental, uma vez que entende o pensamento numa vertente ininterrupta, por&eacute;m n&atilde;o f&aacute;cil ou gratuita, mas que requer auto supera&ccedil;&atilde;o e transgress&atilde;o.</p>     <p>Pensar &eacute; uma pr&aacute;tica infinita, acionada antes mesmo de tomar uma poss&iacute;vel forma. Antes da forma, o que existe &eacute; o informe, o pensamento errante a vagar em velocidades e lentid&otilde;es, a experienciar um espa&ccedil;o liso, onde vai cartografando regi&otilde;es ao passo que as produz. Mas, muitas vezes, colocamos as formas como primeiras, e a&iacute; corremos o risco de entend&ecirc;-las como verdades petrificadas, imposs&iacute;veis de quebrar, o que acaba por nos petrificar em camadas duras tamb&eacute;m.</p>     <p>Cabe aqui mencionar um trecho do que Tony Hara (2012) exp&otilde;e no ensaio <i>A Err&acirc;ncia e o Mar de Mil Caminhos</i>, ao se referir ao pensamento de Foucault no livro <i>Hist&oacute;ria da Loucura</i>:</p>     <p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>O que se procura nessa obra memor&aacute;vel &eacute; justamente a abertura, a possibilidade de um di&aacute;logo entre a raz&atilde;o e a desraz&atilde;o, uma certa unidade tensa, ou se preferir, tr&aacute;gica, entre as verdades petrificantes laboriosamente esculpidas pelo cinzel da raz&atilde;o e as verdades vaporosas que chegam dan&ccedil;ando no dorso das ondas e que desvanecem por obra do acaso. (p. 35)</blockquote>     <p></p>     <p>O arrolamento entre raz&atilde;o e desraz&atilde;o comp&otilde;e o cerne de uma perspectiva adotada por Foucault no in&iacute;cio da d&eacute;cada de 60, na formula&ccedil;&atilde;o de um saber sobre a loucura no Ocidente. Como anuncia Hara (2012), buscou-se, neste estudo, uma abertura implicada no tr&acirc;nsito dos discursos em que se produzem as verdades, animadas por jogos de poder. Na obra citada, nota-se a cr&iacute;tica &agrave; racionalidade pura, enquanto modelo que constr&oacute;i sua identidade atrav&eacute;s da exclus&atilde;o do outro, neste caso &ldquo;a desraz&atilde;o&rdquo;.</p>     <p>Uma vez que se entende o pensamento como uma estrutura aberta, intensiva, nota-se que o conhecimento estratificado atua simplificando; portanto, generalizando em categorias fechadas uma multiplicidade de realidades que sempre escapam. As categorias l&oacute;gicas, os espa&ccedil;os estriados acabam por expressar, n&atilde;o nossas experi&ecirc;ncias singulares, mas o desejo de verdade. Nosso objetivo ao cunhar tais aproxima&ccedil;&otilde;es &eacute; propiciar (ao menos para n&oacute;s) um tr&acirc;nsito acerca das possibilidades e impossibilidades de variar como forma de conhecer, menos disciplinares, mais permissivas, a partir do disforme (Oliveira, 2015), e que n&atilde;o se deem t&atilde;o atreladas &agrave;s tradicionais experi&ecirc;ncias no campo educacional. Neste aspecto, este revezamento, esta varia&ccedil;&atilde;o, comp&otilde;e uma esp&eacute;cie de anormalidade que pode ser assumida como forma de resist&ecirc;ncia, como nos sugere Boutang (1988-1989).</p>     <p>Percebemos assim, na tens&atilde;o do par raz&atilde;o e desraz&atilde;o, uma rela&ccedil;&atilde;o intr&iacute;nseca em que se arquitetam os saberes e que permite tra&ccedil;ar alguns degrad&ecirc;s de uma pretensa linha mediana. Na promo&ccedil;&atilde;o de uma conversa que vai at&eacute; o limite extremo do que pode uma e outra a cada vez, entre o que se explica (trajetos) e o que se sente (intensidades), e suas partilhas, das quais n&atilde;o se tem como escapar.</p>     <p>E a ideia de &lsquo;conversa&rsquo; surge, novamente, como uma &lsquo;unidade tensa&rsquo;, e n&atilde;o como calmaria. Uma conversa entre espa&ccedil;o liso e espa&ccedil;o estriado, entre teoria e pr&aacute;tica, entre as verdades produzidas pelas teorias e as verdades vaporosas que se produzem e dan&ccedil;am em meio &agrave;s experimenta&ccedil;&otilde;es singulares do nosso corpo/pensamento, as quais deixam no ar algumas quest&otilde;es: Que vapores se erguem do que lemos? Como essas leituras afetam nosso corpo/pensamento? Como atravessam nossas atua&ccedil;&otilde;es, nossos modos de vida? De que modo podemos produzir uma rela&ccedil;&atilde;o potente com a leitura, com a teoria, abrindo-nos a poss&iacute;veis encontros, ao que elas podem disparar em nosso corpo/pensamento?</p>     <p>Larrosa (2011) faz algumas provoca&ccedil;&otilde;es nesse sentido, instigando a pensar nossas experi&ecirc;ncias com a leitura.</p>     <p>     <blockquote>Quando eu leio Kafka (ou qualquer outro), o importante, desde o ponto de vista da experi&ecirc;ncia, n&atilde;o &eacute; nem o que Kafka pensa, nem o que eu possa pensar sobre Kafka, mas o modo como, em rela&ccedil;&atilde;o com os pensamentos de Kafka, posso formar ou transformar meus pr&oacute;prios pensamentos. O importante, desde o ponto de vista da experi&ecirc;ncia, &eacute; como a leitura de Kafka (ou de qualquer outro) pode ajudar-me a pensar o que ainda n&atilde;o sei pensar, ou o que ainda n&atilde;o posso pensar, ou o que ainda n&atilde;o quero pensar. O importante, desde o ponto de vista da experi&ecirc;ncia, &eacute; que a leitura de Kafka (ou de qualquer outro) pode ajudar-me a formar ou a transformar meu pr&oacute;prio pensamento, a pensar por mim mesmo, em primeira pessoa, com minhas pr&oacute;prias ideias. (p. 11)</blockquote>     <p></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Transformar o pr&oacute;prio pensamento, pensar o que ainda n&atilde;o se sabe pensar, pensar em primeira pessoa... Tais fragmentos remetem &agrave;s nossas tentativas em meio &agrave;s nossas experi&ecirc;ncias educativas e de pesquisa, que na verdade n&atilde;o possuem, elas tamb&eacute;m, limites claros, pois uma adentra a outra, uma impulsiona a outra, uma produz a outra. Tentamos escapar dos modos naturalizados, uma vez que nos apressamos em dizer que n&atilde;o sabemos &ldquo;o que significa uma verdade objetiva, todas as verdades s&atilde;o&rdquo; para n&oacute;s &ldquo;verdades sangrentas&rdquo;, posto que &ldquo;n&atilde;o somos aparelhos de objetivar e registrar, de entranhas congeladas &ndash; temos de continuamente parir nossos pensamentos&rdquo; (Nietzsche, 2001, p. 12).</p>     <p>A estrat&eacute;gia apresentada requer (uma vez que n&atilde;o se pretende provar o que se pensa, diz e escreve) ser compreendida em sua rela&ccedil;&atilde;o de resist&ecirc;ncia &agrave;s heran&ccedil;as do paradigma moderno, em que os objetos de pesquisa t&ecirc;m sua validade somente mediante comprova&ccedil;&atilde;o. Vemos a&iacute; o risco de acreditar que nossas pesquisas retratam uma realidade, ou que alcan&ccedil;am o que outras n&atilde;o podem. O revezamento que propomos tira-nos a cada instante as certezas produzidas, colocando-as para conversar.</p>     <p>Buscamos, assim, perder o car&aacute;ter de filia&ccedil;&atilde;o para com as teorias do conhecimento que esbo&ccedil;am uma rela&ccedil;&atilde;o hier&aacute;rquica e de adequa&ccedil;&atilde;o com o mundo a ser conhecido. Apostamos no que se arquiteta entre, no revezamento entre um e outro, justamente por entendermos o conhecimento, e sua correlata produ&ccedil;&atilde;o, sempre como uma disputa. &Agrave; volta de todo o conhecimento existem lutas, e n&atilde;o natureza fixa. Em que pese que a exist&ecirc;ncia da verdade n&atilde;o se encontra na decifra&ccedil;&atilde;o dos v&eacute;us que camuflam sua face, mas num conjunto de procedimentos metodol&oacute;gicos e institucionais prec&aacute;rios e provis&oacute;rios que determinam a produ&ccedil;&atilde;o de uma verdade e n&atilde;o de outra<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>.</p>     <p>Investimos na possibilidade do di&aacute;logo entre os espa&ccedil;os da educa&ccedil;&atilde;o, cingindo um princ&iacute;pio pl&aacute;stico insepar&aacute;vel daquilo que fundamenta a produ&ccedil;&atilde;o de um pensamento que se metamorfoseia pelas for&ccedil;as que o impulsionam. Em meio a fragmentos de escritos que nos afetam e composi&ccedil;&otilde;es com imagens e escritas, temos nos aventurado a experienciar um revezamento entre teoria e pr&aacute;tica de um modo singular, que implica nos lan&ccedil;armos em corpo/pensamento nessa experimenta&ccedil;&atilde;o. Pensamos, escrevemos, compomo-nos nesse processo. Temos buscado alisar espa&ccedil;os te&oacute;ricos e modos estriados de rela&ccedil;&atilde;o com a teoria; o pr&oacute;prio territ&oacute;rio te&oacute;rico &eacute; quem, muitas vezes, funciona como mar, esse espa&ccedil;o liso por excel&ecirc;ncia, ou, ainda, &eacute; ele quem nos atira em um mar liso sem pontos de refer&ecirc;ncia, sem destino, no qual nosso corpo/pensamento &eacute; impelido a movimentar-se, praticar-se, produzir-se singularmente a partir desse encontro/rela&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>O modo como pensamos metodologicamente este texto foi a partir de biografemas, ou seja, a partir do m&eacute;todo da biografem&aacute;tica. Modo como tem sido tratado, no campo da pesquisa, este m&eacute;todo idealizado por Barthes, publicado em franc&ecirc;s em 1975 e no Brasil em 2003 no livro <i>Roland Barthes por Roland Barthes</i>. Trata-se de um modo de fazer pesquisa a partir da forma como se escreve sobre a vida e o que nos acontece. Trata-se de despersonalizar os autores para falar de uma vida que &eacute; escrita por atravessamentos e encontros, ou seja, pensar a vida como a pr&oacute;pria elabora&ccedil;&atilde;o do texto.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Sobre transitar &lsquo;entre&rsquo; pesquisa e doc&ecirc;ncia e inventar tensionamentos entre teoria e pr&aacute;tica</b></p>     <p>Pesquisa e pr&aacute;tica docente, dois terrenos de fronteiras n&atilde;o t&atilde;o n&iacute;tidas, que podem imiscuir-se um no outro e movimentar um revezamento/tensionamento entre teoria e pr&aacute;tica. Pensamos, nesse trecho do caminhar dessa escrita, em dois pontos de for&ccedil;a: a &lsquo;doc&ecirc;ncia como zona de pesquisa&rsquo; (Mossi, 2016) e a no&ccedil;&atilde;o de &lsquo;professor-pesquisador&rsquo; (Corazza, 2013).</p>     <p>Quando Mossi (2016) se refere a &lsquo;doc&ecirc;ncia como zona de pesquisa&rsquo;, o autor aposta em uma pr&aacute;tica docente que se distancia de f&oacute;rmulas prontas e de modelos estanques. As aulas passam a ser ambientes para a inven&ccedil;&atilde;o de problemas (Kastrup, 2005) que instigam o pensar, diferindo da mera solu&ccedil;&atilde;o de problemas dados, que acaba limitando multiplicidades. Dessa forma, a pesquisa passa a desafiar professores e estudantes a estarem sempre em movimento, em linhas de err&acirc;ncia (Deligny, 2015) por espa&ccedil;os lisos e estriados. O espa&ccedil;o/tempo da aula pode se configurar, assim, como lugar onde podemos permanecer &agrave; espreita de encontros.</p>     <p>Deleuze menciona, na entrevista concedida &agrave; jornalista Claire Parnet (Boutang, 1988-1989), que os encontros n&atilde;o s&atilde;o programados para acontecer, e por isso temos que estar &agrave; espreita, tal como um animal que est&aacute; sempre atento ao que acontece &agrave; sua volta. Deleuze visitava com frequ&ecirc;ncia exposi&ccedil;&otilde;es de arte e ia ao cinema, mas n&atilde;o frequentava estes locais em busca de saberes e informa&ccedil;&otilde;es; o fazia, sim, para ficar &agrave; espreita de encontros, um esfor&ccedil;o para ter a possibilidade de ter encontros com ideias, com algo que o afetasse, o perturbasse e violentasse seu pensamento a pensar, a andarilhar num processo de inven&ccedil;&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Se virmos nossos encontros com a teoria, com as leituras, pensando-as como insepar&aacute;veis de uma pr&aacute;tica de pensamento, tamb&eacute;m podemos pens&aacute;-las como esse espa&ccedil;o/tempo de espreita, onde nosso encontro com elas &eacute; que vai definir o que elas podem, e o que podemos com elas.</p>     <p>A inven&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o se configurando como uma busca dirigida, tampouco pode ser pensada como uma simples espera. &Eacute; necess&aacute;rio muito trabalho para ter a possibilidade de que ela aconte&ccedil;a. A inven&ccedil;&atilde;o n&atilde;o est&aacute; sujeita a previsibilidade, mas tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; um ato espont&acirc;neo, exige tempo e esfor&ccedil;o (Kastrup, 2007). Esfor&ccedil;o, pois experimentamos outros caminhos que n&atilde;o aqueles j&aacute; abertos pelo h&aacute;bito e que, por isso mesmo, seriam mais f&aacute;ceis de trilhar. Tempo, para que tenhamos a oportunidade de experienciar, em meio ao percurso, outros encontros que n&atilde;o imagin&aacute;vamos de antem&atilde;o, elementos inesperados que podem reorientar todo o processo.</p>     <p>Em sua investiga&ccedil;&atilde;o, Mossi (2016) tem buscado problematizar o que pode haver de cria&ccedil;&atilde;o em doc&ecirc;ncias atravessadas pela arte e pela pesquisa e o que pode haver de pedag&oacute;gico em produ&ccedil;&otilde;es que se querem art&iacute;sticas, as quais, assim como a doc&ecirc;ncia, envolvem um trabalho de investiga&ccedil;&atilde;o. Trata-se de colocar sob suspeita essas figuras identit&aacute;rias e apostar nos borramentos dessas fronteiras, nas conex&otilde;es e nos compartilhamentos realizados entre a arte, a doc&ecirc;ncia e a pesquisa (Mossi, 2016).</p>     <p>No projeto de pesquisa que Cristian Poletti Mossi desenvolve na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), intitulado &lsquo;Laborat&oacute;rio de Produ&ccedil;&atilde;o de Doc&ecirc;ncias: Pesquisa e Cria&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o das Artes Visuais&rsquo;, o autor tem procurado olhar para as aulas de licenciatura como laborat&oacute;rios, visando investigar que poss&iacute;veis v&iacute;nculos podem ser estabelecidos entre produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica, forma&ccedil;&atilde;o docente e pesquisa em educa&ccedil;&atilde;o das artes visuais, em meio a visualidades, leituras e escritas de professores em forma&ccedil;&atilde;o. Esse projeto tem investido na ideia de uma doc&ecirc;ncia insepar&aacute;vel da pesquisa, que busca se singularizar em vez de se adequar a figuras j&aacute; prontas de ser professor, o que implica tamb&eacute;m um revezamento de teoria e pr&aacute;tica. Podemos entender o pr&oacute;prio ato de pesquisar como esse revezamento, como essa constante movimenta&ccedil;&atilde;o entre produ&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os lisos e estriados, que ora produzem/definem contornos (estriando provisoriamente o espa&ccedil;o), ora s&atilde;o arrastados em velocidade pelas pot&ecirc;ncias dos encontros que borram as bordas antes delimitadas.</p>     <p>Nesse vi&eacute;s, a pr&aacute;tica docente no ensino de artes visuais atrelada &agrave; pesquisa passaria a compartilhar e a compor saberes, experimenta&ccedil;&otilde;es, questionamentos, d&uacute;vidas, equ&iacute;vocos e acertos. Esse tr&acirc;nsito entre arte, doc&ecirc;ncia e pesquisa soa favor&aacute;vel a contribuir para a cria&ccedil;&atilde;o de algo &lsquo;outro&rsquo;, distanciando-se t&atilde;o somente da reprodu&ccedil;&atilde;o de saberes apreendidos ou do desvelamento de alguma realidade escondida. Nessa imbrica&ccedil;&atilde;o, torna-se, por vezes, imposs&iacute;vel reconhecer onde come&ccedil;a uma e termina a outra.</p>     <p>A doc&ecirc;ncia sem pesquisa n&atilde;o existe, tampouco existiu ou existir&aacute;. Essa afirma&ccedil;&atilde;o de Corazza (2013) abre as discuss&otilde;es para o segundo ponto de for&ccedil;a. A autora discorre sobre a quest&atilde;o do professor-pesquisador que apresenta um esp&iacute;rito investigativo, pois, enquanto educa, entra em devires-pesquisadores, estando atento a seus movimentos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s suas problem&aacute;ticas profissionais e &agrave;s suas experimenta&ccedil;&otilde;es de cria&ccedil;&otilde;es pedag&oacute;gicas, estriando, escrevendo-se, pensando-se, e, ao mesmo tempo, sendo provocado a lan&ccedil;ar-se em um espa&ccedil;o liso; no revezamento desses espa&ccedil;os, nos quais experimenta velocidades e lentid&otilde;es, pode inventar um modo singular de estar docente.</p>     <p>O ensino-pesquisa &eacute; uma inven&ccedil;&atilde;o, visto que n&atilde;o representa ou refor&ccedil;a o que foi sistematizado anteriormente. Sua contribui&ccedil;&atilde;o &eacute; interromper a mesmice da forma&ccedil;&atilde;o docente que assegura a perman&ecirc;ncia das supostas formas universais do pensamento sobre como ser professor.</p>     <p>O pensamento educacional que se tece aqui, envolto por multiplicidades, implica um estado de abertura e aten&ccedil;&atilde;o &agrave; diferen&ccedil;a como valor fundante do mundo da vida. Em que despontam, igualmente v&aacute;lidas, as formas tradicionais do conhecimento, outras poss&iacute;veis dire&ccedil;&otilde;es. Compreendemos, assim, a produ&ccedil;&atilde;o de conhecimentos diretamente ligada &agrave; ideia de movimento e potencializa&ccedil;&atilde;o da vida. A partir dessa perspectiva nos valemos da varia&ccedil;&atilde;o entre os planos liso e estriado para pensar a educa&ccedil;&atilde;o, tendo em vista a natureza do deslocamento que leva de um a outro, capaz de gerar desterritorializa&ccedil;&otilde;es e reterritorializa&ccedil;&otilde;es constantes que podem perpassar as estruturas postas, ou ainda resistir a elas.</p>     <p>Tal tra&ccedil;o vem potencializando a compreens&atilde;o imanente ao ensino-pesquisa, uma vez que n&atilde;o nos cabe perguntar o que determinada coisa &eacute;, mas com o que ela se encontra e em que ponto de tens&atilde;o desterritorializa. Corazza (2013), neste sentido, explicita que os piores inimigos para o ensino-pesquisa s&atilde;o os manuais de autoajuda, em que s&atilde;o oferecidas receitas de como dar uma boa aula, desenvolver um &oacute;timo curr&iacute;culo, formas eficazes de ensinar ou maneiras de ser um professor criativo. O ensino-pesquisa abandona todo e qualquer anseio &agrave; universaliza&ccedil;&atilde;o e uniformidade de seus resultados. Essa atitude investigativa do professor, em contrapartida, ir&aacute; exigir um n&iacute;vel de toler&acirc;ncia &agrave; frusta&ccedil;&atilde;o, pois a incerteza, a imprevisibilidade e a transgress&atilde;o estar&atilde;o &agrave; espreita lado a lado em seu percurso.</p>     <p>O intuito de produzir um pensamento educacional pela diferen&ccedil;a nos leva ao exerc&iacute;cio de perspectivar a elabora&ccedil;&atilde;o de projetos de ensino-pesquisa vers&aacute;teis como forma de potencializar a produ&ccedil;&atilde;o dos conhecimentos, quer seja do estudante, quer seja do professor. O revezamento que propomos entre teoria e pr&aacute;tica, a nosso ver, tende a desconstruir r&oacute;tulos e v&iacute;cios de linguagem e a&ccedil;&atilde;o, agindo no que est&aacute; estabelecido como terreno de atua&ccedil;&atilde;o. E o fazemos como uma forma de devir, que se encontra sempre no &lsquo;entre&rsquo;, vazando e arrastando o est&aacute;tico e os modelos. Podemos intuir, no decorrer deste processo, que &eacute; poss&iacute;vel decompor espa&ccedil;os estriados em espa&ccedil;os de passagem, em que se permite ganhar maior velocidade. Por esta perspectiva, entra-se em devir, em a&ccedil;&otilde;es, em rupturas que lancem sempre a um outro ponto, para aquilo que ainda n&atilde;o habitamos, desafixando nossos pr&oacute;prios modos de ser docentes e pesquisadores.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Vale pontuar que o ensino-pesquisa consiste em criar solu&ccedil;&otilde;es, mas tamb&eacute;m novos problemas, pois, a cada desafio, diferentes enigmas se produzem. Isso leva o professor a estar em processo constante de varia&ccedil;&atilde;o, levando-o a experienciar uma &lsquo;doc&ecirc;ncia-pesquisa-que-cria&rsquo; (Corazza, 2011). Nesse processo, ocorre a autocria&ccedil;&atilde;o do professor, ou seja, um diferenciar, uma pura potencialidade de atualiza&ccedil;&atilde;o, um produzir-se em algu&eacute;m que n&atilde;o seja aquele que j&aacute; &eacute; (Corazza, 2013).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Algumas experimenta&ccedil;&otilde;es...</b></p>     <p>Algumas experimenta&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m sido realizadas no ambiente educativo-formativo no campo da Educa&ccedil;&atilde;o e Arte, tanto em disciplinas da gradua&ccedil;&atilde;o como nas da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o. A disciplina de Pr&aacute;tica Educacional IV, do Curso de Gradua&ccedil;&atilde;o em Artes Visuais da Universidade Federal de Santa Maria, prev&ecirc; a elabora&ccedil;&atilde;o de um projeto de est&aacute;gio que contemple ensino e pesquisa. Nessa disciplina, os acad&ecirc;micos t&ecirc;m condi&ccedil;&otilde;es de elaborar, durante todo o semestre, um projeto com uma problem&aacute;tica que, nos semestres seguintes, ser&aacute; proposta para os estudantes das escolas, onde ir&atilde;o desenvolver seus quatro semestres de Est&aacute;gio Curricular Supervisionado.</p>     <p>A partir de um problema de pesquisa para investigar, e n&atilde;o apenas com a preocupa&ccedil;&atilde;o de ensinar, mas de aprender tamb&eacute;m com o grupo, o projeto de ensino e pesquisa &eacute; revisitado a cada semestre, pois no decorrer da pr&aacute;tica dos est&aacute;gios surgem quest&otilde;es para dar conta das exig&ecirc;ncias e demandas de cada diferente escola, sendo necess&aacute;rias algumas mudan&ccedil;as, adapta&ccedil;&otilde;es e acr&eacute;scimos no corpo do mesmo.</p>     <p>Esta coloca&ccedil;&atilde;o reafirma a implica&ccedil;&atilde;o da teoria e da pr&aacute;tica, pois, devido &agrave; prem&ecirc;ncia do momento, necessita-se rever e buscar outros conceitos para pensar o que est&aacute; acontecendo. Gallo (2010), a partir dos estudos de Foucault, coloca que uma teoria faz sentido quando &eacute; operativa e permite a atua&ccedil;&atilde;o daqueles que dela fazem uso. A teoria, nesse sentido, passa a ser uma ferramenta que produz circuitos instant&acirc;neos com as v&aacute;rias pr&aacute;ticas, como tamb&eacute;m opera mudan&ccedil;as ou a constru&ccedil;&atilde;o de novas ferramentas te&oacute;ricas.</p>     <p>Em algumas situa&ccedil;&otilde;es, a teoria estudada nos projetos de est&aacute;gio tamb&eacute;m faz com que o olhar fique mais atento e se direcione para determinadas coisas que talvez ficassem impercept&iacute;veis se n&atilde;o houvesse o chamamento da teoria. &Eacute; nesse revezamento entre espa&ccedil;o liso e estriado que teoria e pr&aacute;tica v&atilde;o se atualizando intensamente no decorrer da travessia. Como nos lembra Deleuze (2006), no livro <i>A Ilha Deserta e Outros Textos</i>: &ldquo;a&ccedil;&atilde;o de teoria, a&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;tica em rela&ccedil;&otilde;es de revezamento ou rede&rdquo; (p. 266). A partir dessas coloca&ccedil;&otilde;es podemos pensar que a doc&ecirc;ncia &eacute; uma pr&aacute;tica que est&aacute; conectada &agrave; pesquisa, ao mesmo tempo que a pesquisa revitaliza e areja a doc&ecirc;ncia. Em meio a essa rede, na qual vamos nos produzindo docentes e pesquisadores, teoria e pr&aacute;tica v&atilde;o sendo atualizadas, provocando movimenta&ccedil;&otilde;es, velocidades e lentid&otilde;es.</p>     <p>Nas defesas dos Trabalhos de Conclus&atilde;o de Curso (TCC), temos ouvido alguns depoimentos de futuros formandos relatando que a pesquisa que eles est&atilde;o apresentando no final do curso come&ccedil;ou na disciplina de Pr&aacute;tica Educacional IV, no quarto semestre do curso, no projeto de est&aacute;gio; foi naquele momento que foi semeada a &lsquo;p&oacute;lvora&rsquo; da pesquisa, sendo multiplicada a cada dia com a pr&aacute;tica docente nos est&aacute;gios. Assim tamb&eacute;m tem acontecido nas aulas dos estagi&aacute;rios, quando estes promovem exerc&iacute;cios visuais ou pl&aacute;sticos com os estudantes das escolas. Buscamos que este fazer n&atilde;o seja apenas um conte&uacute;do procedimental, pr&aacute;tico, mas que seja tamb&eacute;m conceitual, te&oacute;rico. Eles t&ecirc;m exercitado este revezamento e concomit&acirc;ncia.</p>     <p>Na p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o com turmas de mestrado e doutorado temos buscado pensar a pesquisa com esses vieses: como a teoria tem operado com a materialidade, com a empiria? Como a empiria tem dialogado com os aspectos te&oacute;ricos de uma disserta&ccedil;&atilde;o ou tese?</p>     <p>Inferimos que estas quest&otilde;es t&ecirc;m nos acompanhado como gatilhos, uma vez que n&atilde;o h&aacute; a busca de comprovar hip&oacute;teses, ou de formular respostas. As quest&otilde;es disparadas injetam &acirc;nimo para pensarmos/inventarmos outras rela&ccedil;&otilde;es com a pesquisa; em que as rela&ccedil;&otilde;es de composi&ccedil;&atilde;o do conhecimento se distanciem daquelas pr&eacute;-concebidas, e se aliem &agrave;s singularidades do pesquisar, suas provisoriedades e intencionalidades por arranjos menos pretensiosos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Estriamentos provis&oacute;rios que se querem n&ocirc;mades...</b></p>     <p>Faz-se oportuno pontuar neste momento, em que desejamos ir encaminhando este texto para uma finaliza&ccedil;&atilde;o, que toda e qualquer teoria (ditos e vistos), longe de ser uma senten&ccedil;a final sobre como devemos agir/pensar, &eacute; antes inven&ccedil;&atilde;o, experimenta&ccedil;&atilde;o que responde a certas urg&ecirc;ncias. Em cada teoria ou &lsquo;verdade&rsquo; h&aacute; um estriamento, uma estrutura composta de saberes e poderes, os quais abrigam a possibilidade de serem refor&ccedil;ados, mas tamb&eacute;m de serem desconstru&iacute;dos.</p>     <p>Ao mensurar a verdade e seus desdobramentos para as ci&ecirc;ncias humanas e, consequentemente, para a educa&ccedil;&atilde;o, nota-se que aquilo qualificado como verdadeiro comumente tem arraigado a seu feitio a justificativa para a exist&ecirc;ncia de uma certa identidade que se pretende afirmar. Ali&aacute;s, o que &eacute; tornado poss&iacute;vel sempre mediante a exclus&atilde;o da diferen&ccedil;a:</p>     <p>     <blockquote>Fechado no navio, de onde n&atilde;o se escapa, o Louco &eacute; entregue ao rio de mil bra&ccedil;os, ao mar de mil caminhos, a essa grande incerteza exterior a tudo. &Eacute; um prisioneiro no meio da mais livre, da mais aberta das estradas: solidamente acorrentado &agrave; infinita encruzilhada. &Eacute; o Passageiro por excel&ecirc;ncia, isto &eacute;, o prisioneiro da passagem. (Foucault, 1972, pp. 16-17)</blockquote>     <p></p>     <p>A dupla, raz&atilde;o e desraz&atilde;o, volta mais uma vez a este texto, pois permite aproximar do campo educacional sua formula&ccedil;&atilde;o axiol&oacute;gica e problematizar na educa&ccedil;&atilde;o o que ela deixa entrar e o que exclui, ou invisibiliza. O texto foucaultiano diz do que &eacute; exilado, demonstra a situa&ccedil;&atilde;o liminar do louco no horizonte das inquieta&ccedil;&otilde;es do homem medieval. Em que o sujeito louco &ldquo;&eacute; jogado no interior do exterior&rdquo; (Foucault, 1972, p. 16). Pensamos, assim, esta rela&ccedil;&atilde;o como disparador para questionar os modelos de produzir ensino-pesquisa em nossas universidades, em cuja for&ccedil;osa &ldquo;navega&ccedil;&atilde;o do louco&rdquo; acontece ainda, e a cada vez que uma atua&ccedil;&atilde;o &ldquo;se op&otilde;e &agrave; estabilidade luminosa e adulta do esp&iacute;rito&rdquo; (Foucault, 1972, p. 18).</p>     <p>Esta passagem capturada em Foucault expressa o horizonte cultural em que se inscreve a racionalidade, envolta por jogos de verdade, correlata &agrave; padroniza&ccedil;&atilde;o dos modos e ao cumprimento dos modelos. Com a dogmatiza&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a> do mundo moderno, produtora de obedi&ecirc;ncia e ren&uacute;ncias, a excessiva planifica&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o, movida por um ideal positivista, levou-nos a alguns impasses. Cotidianamente, percebe-se uma asfixia em meio aos discursos pedag&oacute;gicos hegem&ocirc;nicos. Da&iacute; a busca por novos ares para pensar a educa&ccedil;&atilde;o e a possibilidade de produzir e produzir-se no &lsquo;limiar&rsquo; dos discursos em que se encerram as verdades sobre educa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Frente &agrave; quest&atilde;o que desponta, compreendemos que o problema das teorias, ditos e vistos, pelos quais muitas vezes nos apaixonamos, &eacute; justamente esse: nos apaixonarmos cegamente por eles, entendendo-os como modelos e n&atilde;o como &lsquo;ferramentas&rsquo; (Foucault, 1991). O desafio, portanto, consiste em coloc&aacute;-los para vibrar em diferentes situa&ccedil;&otilde;es, explorando desse modo varia&ccedil;&otilde;es que operem rachaduras em suas composi&ccedil;&otilde;es e oportunizem o nascimento de outros modos de pens&aacute;-los; ao mesmo tempo, outros modos singulares de pensar-nos e de pensarmos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Note-se que n&atilde;o h&aacute; aqui uma perspectiva moral, uma busca por um fim. Apenas o desejo de experimentar outros lugares, a cada vez. Tal exerc&iacute;cio que fazemos, de revezamento de teoria e pr&aacute;tica, enquanto movimento &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de saberes que se fazem em meio a capturas e interdi&ccedil;&otilde;es no fazer ensino-pesquisa, requer que n&atilde;o falemos em nome da verdade, mas apenas pelos fragmentos que nos comp&otilde;em a partir de biografemas.</p>     <p>Sabemos que esse n&atilde;o &eacute; um movimento f&aacute;cil, pois convivemos com as vis&otilde;es de outros tempos e espa&ccedil;os, que coexistem no emaranhado que pulsa na superf&iacute;cie cotidiana que habitamos. Carregamos heran&ccedil;as que muitas vezes n&atilde;o desejamos carregar, concep&ccedil;&otilde;es que grudam em nosso corpo, e que, em muitas situa&ccedil;&otilde;es, acabamos por reproduzir, ou vemos reproduzidas por a&iacute;. Essas circunscri&ccedil;&otilde;es v&atilde;o persistindo e se infiltrando em tessituras atuais, e por vezes nos prendem em concep&ccedil;&otilde;es que j&aacute; n&atilde;o d&atilde;o conta do que vivenciamos, mas, por estarem coladas e aderidas em n&oacute;s, por vezes n&atilde;o conseguimos nos desvencilhar delas.</p>     <p>Nesse sentido, o que nos cabe? Talvez a resposta esteja em apenas lembrar... Lembrar? Sim... Lembrar que as nossas escolhas n&atilde;o s&atilde;o neutras, elas produzem realidades e modos de vida. Lembrar que as nossas escolhas foram inventadas por algu&eacute;m... Lembrar que elas s&atilde;o apenas uma das possibilidades imagin&aacute;veis... E lembrar que infinitas outras possibilidades permanecem aguardando a nossa inven&ccedil;&atilde;o conforme as exig&ecirc;ncias e conting&ecirc;ncias de cada momento.</p>     <p>Esse texto deu-se como um exerc&iacute;cio que se prop&ocirc;s a pensar nossos modos de relacionar teoria e pr&aacute;tica. Apostamos, assim, no revezamento entre ambas como impulso para encontrar possibilidades outras de fazer pesquisa/doc&ecirc;ncia, ocupados mais em problematizar do que em nos fecharmos em solu&ccedil;&otilde;es. Apropriamo-nos da filosofia, torcendo alguns conceitos em proveito do pensamento aqui disparado, bem como das experimenta&ccedil;&otilde;es com a arte, e da produ&ccedil;&atilde;o de pesquisas (em universidades distintas) para viabilizar zonas de vizinhan&ccedil;a entre teoria e pr&aacute;tica, produ&ccedil;&atilde;o de saberes e vida, justamente por compreender a educa&ccedil;&atilde;o enquanto acontecimento.</p>     <p>Em vista disso, o texto emergiu como for&ccedil;a em ato de pensar coletivamente, tamb&eacute;m como meio de produzir diferen&ccedil;as, enquanto vontade de pot&ecirc;ncia do corpo/pensamento que se encoraja a pensar. Por isso mesmo, n&atilde;o tem sentido ser tomado como modelo, ou exemplo a ser seguido, dado que, por dar-se como uma experimenta&ccedil;&atilde;o, j&aacute; &eacute; corpo desfeito; apenas preserva a sensibilidade dos dedos de quem tateia a fim de manter-se em movimento. Trata-se mais de um &lsquo;obrar&rsquo; nas brechas (ou mesmo na produ&ccedil;&atilde;o delas), escavando o presente a partir das superf&iacute;cies sedimentadas, as quais muitas vezes habitamos (em sala de aula, projetos de est&aacute;gios, produ&ccedil;&atilde;o de disserta&ccedil;&otilde;es e teses, orienta&ccedil;&otilde;es, etc.), para que possamos, como um dos resultados poss&iacute;veis em nosso agir cotidiano de pesquisadores/docentes, criar estrat&eacute;gias que fa&ccedil;am fugir, gerando outra coisa.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Barthes, R. (2003). <i>Roland Barthes por Roland Barthes</i>. S&atilde;o Paulo: Esta&ccedil;&atilde;o Liberdade.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=768753&pid=S0871-9187201800010000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Boutang, P.-A. (Realizador) (1988-1989). <i>O abeced&aacute;rio de Gilles Deleuze</i> (Entrevista a Giles Deleuze por Claire Parnet) (DVD). Paris: &Eacute;ditions Montparnasse.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Corazza, S. M. (2011). A forma&ccedil;&atilde;o do professor-pesquisador e a cria&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica. <i>Revista da Fundarte, 11,</i> 13&ndash;16.</p>     <!-- ref --><p>Corazza, S. M. (2013). <i>O que se transcria em educa&ccedil;&atilde;o?</i> Porto Alegre: UFRGS.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=768757&pid=S0871-9187201800010000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Deleuze, G. (2006). <i>A ilha deserta e outros textos</i>. S&atilde;o Paulo: Iluminuras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=768759&pid=S0871-9187201800010000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Deleuze, G. (2009). <i>Nietzsche</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=768761&pid=S0871-9187201800010000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Deleuze, G. (1992). <i>Conversa&ccedil;&otilde;es.</i> S&atilde;o Paulo: Ed. 34.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=768763&pid=S0871-9187201800010000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Deleuze, G., &amp; Guattari, F. (2012). <i>Mil plat&ocirc;s 5</i>. S&atilde;o Paulo: Ed. 34.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=768765&pid=S0871-9187201800010000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Deleuze, G. &amp; Parnet, C. (1998). <i>Di&aacute;logos.</i> S&atilde;o Paulo: Editora Escuta.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=768767&pid=S0871-9187201800010000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Deligny, F. (2015) <i>O aracniano e outros textos</i>. S&atilde;o Paulo: n-1 edi&ccedil;&otilde;es.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=768769&pid=S0871-9187201800010000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Foucault, M. (1972). <i>Hist&oacute;ria da loucura</i>. S&atilde;o Paulo: Perspectiva.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=768771&pid=S0871-9187201800010000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Foucault, M. (1991). <i>Ditos e escritos </i>(vol. 2)<i>.</i> Rio de Janeiro: Forense Universit&aacute;ria.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=768773&pid=S0871-9187201800010000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Foucault, M. (1997). <i>A arqueologia do saber </i>(5&ordf; ed.). Rio de Janeiro: Forence Universit&aacute;ria.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=768775&pid=S0871-9187201800010000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Foucault, M. (2012). Os intelectuais e o poder (Conversa entre Gilles Deleuze e Michel Foucault). In M. Foucault, <i>Microf&iacute;sica do poder</i> (30&ordf; reimpress&atilde;o, pp. 69-78). Rio de Janeiro: Edi&ccedil;&otilde;es Grall.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=768777&pid=S0871-9187201800010000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Gallo, S. (2010). Filosofia da diferen&ccedil;a e educa&ccedil;&atilde;o: O revezamento entre teoria e pr&aacute;tica. In S. M. Clareto &amp; A. Ferrari (Orgs.), <i>Foucault, Deleuze e educa&ccedil;&atilde;o</i> (pp. 45&ndash;63). Juiz de Fora: Editora UFJF.</p>     <!-- ref --><p>Hara, T. (2012). <i>A err&acirc;ncia e o mar de mil caminhos. Ensaios sobre a singularidade</i>. S&atilde;o Paulo: Intermeios; Londrina: Kan Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=768780&pid=S0871-9187201800010000700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Kastrup, V. (2005). Pol&iacute;ticas cognitivas na forma&ccedil;&atilde;o do professor e o problema do devir-mestre<i>.</i> <i>Educa&ccedil;&atilde;o &amp; Sociedade, 26</i>(93), 1273&ndash;1288. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.scielo.br/pdf/es/v26n93/27279.pdf" target="_blank">http://www.scielo.br/pdf/es/v26n93/27279.pdf</a></p>     <p>Kastrup, V. (2007). Flutua&ccedil;&otilde;es da aten&ccedil;&atilde;o no processo de cria&ccedil;&atilde;o. In E. Leger, S. Borba, &amp; W. Kohan (Orgs.), <i>Imagens da iman&ecirc;ncia, escritos em mem&oacute;ria de H. B&eacute;rgson</i> (pp. 103&ndash;123). Belo Horizonte: Aut&ecirc;ntica.</p>     <p>Larrosa, J. (2011). Experi&ecirc;ncia e alteridade em educa&ccedil;&atilde;o. <i>Reflex&atilde;o e A&ccedil;&atilde;o, </i>&nbsp;<i>19</i>(2), 4&ndash;27. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://online.unisc.br/seer/index.php/reflex/article/view/2444/1898" target="_blank">https://online.unisc.br/seer/index.php/reflex/article/view/2444/1898</a></p>     <p>Mossi, C. P. (2016). Escritas, leituras, visualidades: Povoamentos para pensar a aula (ou a doc&ecirc;ncia) como zona de pesquisa. <i>Revista Digital do LAV,</i> <i>9</i>(2), 61&ndash;74.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Nietzsche, F. (1998). <i>Genealogia da moral</i>. S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=768786&pid=S0871-9187201800010000700020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Nietzsche, F. (2001). <i>A gaia ci&ecirc;ncia</i>. S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=768788&pid=S0871-9187201800010000700021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Oliveira, M. O. (2015). Como produzir clar&otilde;es nas pesquisas em educa&ccedil;&atilde;o? <i>Revista Educa&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica</i>, <i>24</i>(56), 443&ndash;454.</p>     <p>&nbsp;</p> <a href="#topc0">Endereço para Correspondência</a><a name="c0"></a>     <p>Toda a correspondência relativa a este artigo deve ser enviada para: Marilda Oliveira, Rua Elvino Brondani, 171, Parque Residencial Novo Horizonte, CEP 97050-210 &#8211; Bairro Camobi &#8211; Santa Maria, RS, Brasil. Email: <a href="mailto:marildaoliveira27@gmail.com">marildaoliveira27@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido em mar&ccedil;o 2018</p>     <p>Aceite para publica&ccedil;&atilde;o em maio 2018</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> Encontro como duplo-roubo ou dupla-captura. Como menciona Deleuze e Parnet (1998), encontrar &eacute; achar, &eacute; capturar, &eacute; roubar, mas n&atilde;o h&aacute; m&eacute;todo para achar, nada al&eacute;m de uma longa prepara&ccedil;&atilde;o. Roubar &eacute; o contr&aacute;rio de plagiar, de copiar, de imitar ou de fazer como. A captura &eacute; sempre uma dupla-captura, o roubo, um duplo-roubo, e &eacute; isso que faz, n&atilde;o algo de m&uacute;tuo, mas um bloco assim&eacute;trico, uma evolu&ccedil;&atilde;o a-paralela, n&uacute;pcias, sempre &lsquo;fora&rsquo; e &lsquo;entre&rsquo;. Seria isso, pois, uma conversa&rdquo; (p. 15).</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> Segundo Kastrup (2005), &ldquo;a inven&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se confunde com a criatividade. Os estudos acerca da criatividade, iniciados nos EUA por J. P. Guilford e que ganharam for&ccedil;a sobretudo na d&eacute;cada de 1960, definem a criatividade como uma capacidade de produzir solu&ccedil;&otilde;es originais para os problemas. Mas a inven&ccedil;&atilde;o de que eu falo, e para isso me baseio na filosofia de G. Deleuze (1988), n&atilde;o &eacute; uma capacidade de solu&ccedil;&atilde;o de problemas, mas, sobretudo, de inven&ccedil;&atilde;o de problemas&rdquo; (p. 1274).</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> A no&ccedil;&atilde;o de arquivo &eacute; entendida aqui a partir de Foucault (1997): &ldquo;&Eacute;, de in&iacute;cio, a lei do que pode ser dito, o sistema que rege o aparecimento dos enunciados como acontecimentos singulares&rdquo; (p. 149). &Eacute; o sistema que determina que enunciados permanecer&atilde;o em cena e quais desaparecer&atilde;o. Assim sendo, &eacute; um estrato, uma lei, composta de saberes (enunciados e visibilidades). Estrato do que &eacute; poss&iacute;vel ver e dizer em determinada &eacute;poca.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> Vejamos o que Deleuze (2009) tem a dizer sobre essa quest&atilde;o: &ldquo;A degeneresc&ecirc;ncia da filosofia aparece claramente com S&oacute;crates. Se definimos a metaf&iacute;sica pela distin&ccedil;&atilde;o de dois mundos, pela oposi&ccedil;&atilde;o da ess&ecirc;ncia e da apar&ecirc;ncia, do verdadeiro e do falso, do intelig&iacute;vel e do sens&iacute;vel, &eacute; preciso dizer que S&oacute;crates inventou a metaf&iacute;sica: ele faz da vida qualquer coisa que deva ser julgada, medida, limitada, e do pensamento, uma medida, um limite, que exerce em nome dos valores&rdquo; (p. 20).</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> Concordamos com Nietzsche (1998) quando refere: &ldquo;Existe apenas uma vis&atilde;o perspectiva, apenas um conhecer perspectivo, e quanto mais afetos permitimos falar sobre uma coisa, quanto mais olhos, diferentes olhos, soubermos utilizar para essa coisa, tanto mais completo ser&aacute; nosso conceito dela&rdquo; (p. 109).</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> De acordo com Nietzsche (1998), a vida, a partir de S&oacute;crates, passa a ser configurada como express&atilde;o de uma estrutura puramente racional, em que os dogm&aacute;ticos reduzem a pluralidade de perspectivas a um &uacute;nico discurso acerca da verdade.</p>      ]]></body><back>
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