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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>RECENSÃO</b></p>     <p><b>BOFF, EVA TERESINHA &amp; DEL PINO, JOS&Eacute; CLA&Uacute;DIO (2018). </b><b><i>Processo interativo de forma&ccedil;&atilde;o docente: Uma perspectiva emancipat&oacute;ria na constitui&ccedil;&atilde;o do curr&iacute;culo escolar</i></b><b>. Curitiba: Appris Editora.</b><sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Marcele Homrich Ravasio<sup>i&nbsp;</sup></b><b>Leandro Jorge Daronco<sup>ii</sup></b></p>     <p><sup>i&nbsp;</sup>Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul - UNIJU&Igrave;, Brasil</p>     <p><sup>ii&nbsp;</sup>Instituto Federal Farroupilha - IFFar, Brasil</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>O livro <i>Processo interativo de forma&ccedil;&atilde;o docente: Uma perspectiva emancipat&oacute;ria do curr&iacute;culo escolar</i> resulta da Tese de Doutorado de Eva Terezinha de Oliveira Boff, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul/Brasil, orientada por Jos&eacute; Cl&aacute;udio Del Pino. Representa uma obra que transp&otilde;e o reducionismo e o simplismo sobre o fazer docente, ao apresentar novas perspectivas para refletir e viabilizar um curr&iacute;culo associado &agrave; vida dos sujeitos em processo de aprendizagem formal, vislumbrando assim a forma&ccedil;&atilde;o integral &ndash; cient&iacute;fica, cr&iacute;tica, politizadora, aut&ocirc;noma e emancipat&oacute;ria. A tese recebeu o pr&ecirc;mio de Men&ccedil;&atilde;o Honrosa pela Capes em 2011, o que legitima sua relev&acirc;ncia cientifica amparada em ampla substancialidade, intensidade te&oacute;rica, rigor metodol&oacute;gico, coer&ecirc;ncia, argumenta&ccedil;&atilde;o e organiza&ccedil;&atilde;o estrutural &ndash; coes&atilde;o e clareza textual.</p>     <p>O objeto de estudo da investiga&ccedil;&atilde;o foca no processo interativo de forma&ccedil;&atilde;o docente por meio da produ&ccedil;&atilde;o e reorganiza&ccedil;&atilde;o do curr&iacute;culo escolar, na forma de Situa&ccedil;&atilde;o de Estudo<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a> (SE). Este objetivo centra-se, sobretudo, na an&aacute;lise cr&iacute;tica sobre as contribui&ccedil;&otilde;es e limites do processo interativo presente na forma&ccedil;&atilde;o docente (universidade e escola), na busca constitutiva de um professor-pesquisador &ndash; autor e ator &ndash;, de seu fazer cotidiano escolar e para a produ&ccedil;&atilde;o de um curr&iacute;culo emancipat&oacute;rio na forma SE. O livro desenvolve-se em torno de tr&ecirc;s SE a partir da produ&ccedil;&atilde;o, planejamento, an&aacute;lise e desenvolvimento, momentos estes vinculados por uma espiral de ciclos autorreflexivos, conforme prop&otilde;em Carr e Kemmis (1988). Para an&aacute;lise cr&iacute;tica sobre as contribui&ccedil;&otilde;es, potencialidades e os limites do processo de constitui&ccedil;&atilde;o de um curr&iacute;culo politizador e emancipat&oacute;rio, foi constitu&iacute;do um espa&ccedil;o interativo repleto de apropria&ccedil;&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o de saberes. Nesse sentido, o livro versa sobre as contribui&ccedil;&otilde;es na &aacute;rea do curr&iacute;culo, com vistas &agrave; forma&ccedil;&atilde;o integral do sujeito em forma&ccedil;&atilde;o &ndash; professor e estudante, assim como se debru&ccedil;a a capturar o impacto de tal processo na forma&ccedil;&atilde;o continuada docente.</p>     <p>No primeiro cap&iacute;tulo, os autores abordam a <i>Forma&ccedil;&atilde;o Docente: problem&aacute;tica, desafios e possibilidades</i><b>. </b>Nele demonstram a intensa heran&ccedil;a metodol&oacute;gica, na pr&aacute;tica docente, dos modelos tradicionais de ensino do s&eacute;culo XX; para isso, situam tanto os elementos hist&oacute;ricos presentes na forma&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica do docente, quanto indicam a predomin&acirc;ncia da racionalidade t&eacute;cnica enquanto m&eacute;todo de ensino. Essa perspectiva tecnicista privilegia as dimens&otilde;es instrumentais, utilit&aacute;rias e econ&ocirc;micas da educa&ccedil;&atilde;o e desconsidera as situa&ccedil;&otilde;es reais do cotidiano de vida dos sujeitos, e, como efeito, contribui para que o professor ocupe o lugar de mero transmissor de conhecimentos j&aacute; produzidos, retirando-lhe assim a autonomia para constru&ccedil;&atilde;o dos saberes inerentes &agrave; sua profiss&atilde;o, visto que: pressup&otilde;e a superioridade do conhecimento te&oacute;rico sobre o saber pr&aacute;tico; valoriza o trabalho individual, compartimentado no isolamento disciplinar em detrimento ao coletivo; privilegia os programas externos ao meio escolar, furtando-se da reflex&atilde;o cr&iacute;tica sobre o fazer cotidiano em detrimento da autonomia, do questionamento, da pesquisa e da produ&ccedil;&atilde;o de um conhecimento escolar genu&iacute;no.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No sentido de instigar e possibilitar a forma&ccedil;&atilde;o docente a olhar as diversas dimens&otilde;es constitutivas da sala de aula &ndash; contextos s&oacute;cio-pol&iacute;tico e sociocultural -, os autores apontam a experi&ecirc;ncia da Universidade do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul &ndash; UNIJU&Iacute;, a qual historicamente tem vindo a aproximar e articular ensino, pesquisa e extens&atilde;o a forma&ccedil;&atilde;o docente. Todavia, neste percurso hist&oacute;rico, a institui&ccedil;&atilde;o sofreu os efeitos da altern&acirc;ncia de gest&atilde;o do poder p&uacute;blico federal, uma vez que a educa&ccedil;&atilde;o no Brasil raramente foi entendida e tratada como pol&iacute;tica de Estado, mas restringiu-se a integrar o aparelho ideol&oacute;gico dos grupos ora constitu&iacute;dos no e sobre o poder estatal. Este processo produziu uma s&eacute;rie de descontinuidades e a necessidade de readaptar ou mesmo recome&ccedil;ar as perspectivas da forma&ccedil;&atilde;o docente. Os autores narram a funda&ccedil;&atilde;o do Grupo Interdepartamental de Pesquisa sobre Educa&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncias (GIPEC-UNIJU&Iacute;) neste contexto, ao situar movimentos para o estabelecimento de um espa&ccedil;o de pesquisa em educa&ccedil;&atilde;o. Assim, o grupo passou a propor, desenvolver e investigar uma concep&ccedil;&atilde;o de ensino que visa contemplar a complexidade do trabalho escolar, ancorada em perspectivas concretas para viabilizar o processo de g&ecirc;nese dos conceitos cient&iacute;ficos na escola e o consequente desenvolvimento cognitivo dos sujeitos em processo formativo. Surgiu, ent&atilde;o, a SE como forma de situar e orientar o estudo em contexto permeado por uma vasta gama conceitual em diferentes campos da ci&ecirc;ncia, de forma a permitir a an&aacute;lise interdisciplinar.</p>     <p>Desta maneira, a caracter&iacute;stica central do curr&iacute;culo na concep&ccedil;&atilde;o da SE &eacute; a constitui&ccedil;&atilde;o coletiva da ressignifica&ccedil;&atilde;o conceitual, das estrat&eacute;gias e metodologias de ensino com a participa&ccedil;&atilde;o efetiva de professores da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica em forma&ccedil;&atilde;o continuada, na qual estes profissionais tornem-se sujeitos atores e autores de seu processo de ensino e aprendizagem e apropriem-se da real possibilidade de efetivar tais concep&ccedil;&otilde;es em sala de aula. Trata-se de um efetivo protagonismo docente.</p>     <p>No segundo cap&iacute;tulo, nomeado <i>Escola como espa&ccedil;o interativo de produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento</i>, os autores compartilham a experi&ecirc;ncia de produ&ccedil;&atilde;o de m&oacute;dulos tri&aacute;dicos &ndash;professores da universidade, professoras da escola b&aacute;sica e licenciandas. Nele, os autores indicam que a experi&ecirc;ncia revelou que as interlocu&ccedil;&otilde;es em assimetrias permitiram o desencadeamento de di&aacute;logos na dire&ccedil;&atilde;o da constitui&ccedil;&atilde;o de um processo formativo e emancipat&oacute;rio, conforme caracter&iacute;sticas da pesquisa em a&ccedil;&atilde;o, que necessariamente ocorre em trabalho colaborativo. O trabalho coletivo contribuiu para a amplia&ccedil;&atilde;o da capacidade cr&iacute;tica do professor, visto que o questionamento de um dos atores gera novos questionamentos nos outros, rompendo assim a tradicional compartimenta&ccedil;&atilde;o escolar e emergindo para a reflex&atilde;o, a complexidade da escola e seu entorno. Os autores destacam que, para manter um grupo com essas caracter&iacute;sticas, torna-se necess&aacute;rio uma constru&ccedil;&atilde;o permanente de rela&ccedil;&otilde;es estabelecidas pelo di&aacute;logo problematizador. Assim torna-se fundamental o respeito em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s experi&ecirc;ncias e viv&ecirc;ncias de cada sujeito que constitui o ambiente escolar, tornando-se uma aprendizagem na viv&ecirc;ncia coletiva, ainda que, por vezes, seja necess&aacute;rio transpor barreiras e dificuldades relacionais entre os diferentes pensares, para o estabelecimento de uma rela&ccedil;&atilde;o dial&oacute;gica coletiva.</p>     <p>No terceiro cap&iacute;tulo, os autores buscam tratar <i>O curr&iacute;culo nos diferentes tempos e lugares: uma possibilidade de transforma&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o real de sala de aula</i>, ao apresentar elementos que emergiram a partir das problematiza&ccedil;&otilde;es oriundas dos di&aacute;logos, sustentados e orientados nos pressupostos do educar pela pesquisa, construindo um curr&iacute;culo na perspectiva transformadora do espa&ccedil;o real de sala de aula. No limiar do cap&iacute;tulo, os autores apresentam alguns aspectos hist&oacute;ricos sobre a estrutura&ccedil;&atilde;o dos curr&iacute;culos no decorrer da Hist&oacute;ria da Educa&ccedil;&atilde;o Brasileira, e as implica&ccedil;&otilde;es do modelo da racionalidade t&eacute;cnica que predominou no decorrer do s&eacute;culo XX, e cuja heran&ccedil;a estrutural e conceptiva, em geral, prolonga-se &agrave; atualidade. Argumenta-se tamb&eacute;m sobre as transforma&ccedil;&otilde;es no curr&iacute;culo, possibilitadas pelo processo interativo constitu&iacute;do no ambiente escolar, com foco no espa&ccedil;o real de sala de aula, ao considerar os enunciados das professoras que buscam indicar a supera&ccedil;&atilde;o da racionalidade t&eacute;cnica. Apresenta-se, ainda, o processo de reestrutura&ccedil;&atilde;o curricular norteado pelo planejamento, produ&ccedil;&atilde;o, desenvolvimento e an&aacute;lise das SE, e suas contribui&ccedil;&otilde;es para a constru&ccedil;&atilde;o de um curr&iacute;culo integrador e integrado e forma&ccedil;&atilde;o continuada de professores, por meio da escuta e reflex&atilde;o de todas as vozes envolvidas neste processo.</p>     <p>Nesta perspectiva, a concep&ccedil;&atilde;o curricular proposta na obra remete a um curr&iacute;culo que considera os sujeitos &ndash; formadores/professores, professores e estudantes &ndash; articulados &agrave; sua vida social, o que significa pensar em um curr&iacute;culo relacionado ao contexto s&oacute;cio-pol&iacute;tico e sociocultural no qual estes sujeitos integram. Assim, os autores apontam que as intera&ccedil;&otilde;es tri&aacute;dicas contribuem para romper com a hierarquia do saber acad&ecirc;mico sobre o saber pr&aacute;tico, pois, pelo questionamento sistem&aacute;tico, torna-se poss&iacute;vel estabelecer a converg&ecirc;ncia entre teoria e pr&aacute;tica; pois se a teoria alimenta as metodologias de ensino e as pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas, estas, por sua vez, permitem a ressignifica&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria teoria ou mesmo a emerg&ecirc;ncia de novas proposi&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas. Desta maneira, o professor-educador inserido efetivamente no espa&ccedil;o de sala de aula exerce a fun&ccedil;&atilde;o de agente hist&oacute;rico transformador.</p>     <p>No quarto cap&iacute;tulo, intitulado <i>Processo interativo: uma possibilidade de constitui&ccedil;&atilde;o de um docente pesquisador de seu fazer cotidiano escolar</i><b>,</b> argumenta-se sobre as interlocu&ccedil;&otilde;es decorrentes do processo interativo na modalidade tri&aacute;dica &ndash; professores da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica, da universidade e em forma&ccedil;&atilde;o inicial &ndash; como possibilidade de constitui&ccedil;&atilde;o de um professor mais reflexivo e pesquisador do seu fazer cotidiano escolar; problematizam-se ainda as caracter&iacute;sticas conceituais de professor reflexivo e professor pesquisador.</p>     <p>O conceito de professor reflexivo surge em resposta aos diversos questionamentos quanto &agrave; forma&ccedil;&atilde;o docente baseada na orienta&ccedil;&atilde;o de racionalidade t&eacute;cnica, que encontra oposi&ccedil;&atilde;o em diversos autores-pesquisadores, entre eles, Sch&ouml;n (2000), Zeichner (1993), Giroux (1997), que prop&otilde;em um modelo que permita ao professor refletir sobre suas pr&aacute;ticas cotidianas de ensino e aprendizagem. Nessa perspectiva, destacam-se as caracter&iacute;sticas do educar pela pesquisa como movimento que concebe o professor como um sujeito hist&oacute;rico, portanto, em constante forma&ccedil;&atilde;o, e defende-se que o processo de pesquisa na a&ccedil;&atilde;o possibilita a forma&ccedil;&atilde;o de um profissional que evolui ao dialogar e refletir coletivamente junto as diversas &aacute;reas do conhecimento. Portanto, trata-se de uma reflex&atilde;o sobre a pr&aacute;tica, embasada na experi&ecirc;ncia e viv&ecirc;ncia cotidiana escolar conectada, orientada e articulada pelas teorias em educa&ccedil;&atilde;o. Vislumbra-se assim, um profissional da educa&ccedil;&atilde;o que reflita sobre seus saberes obtidos da pr&aacute;tica e compreendidos &agrave; luz de uma teoria, articulados por m&uacute;ltiplas interlocu&ccedil;&otilde;es. Essa capacidade de articula&ccedil;&atilde;o do conhecimento pr&aacute;tico ao te&oacute;rico contribui significativamente para a emancipa&ccedil;&atilde;o dos sujeitos, ao integrar espa&ccedil;os coletivos movidos por intencionalidades afins no processo de produ&ccedil;&atilde;o de conhecimentos inerentes ao pensar e fazer docente. Os autores defendem ainda que o professor precisa estar permanentemente inserido &agrave; forma&ccedil;&atilde;o pela pesquisa como processo de constru&ccedil;&atilde;o e reconstru&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas educativas</p>     <p>Assim, os sentidos e significados atribu&iacute;dos aos di&aacute;logos decorrentes do processo interativo indicam que a efetiva&ccedil;&atilde;o de intera&ccedil;&otilde;es entre as diferentes &aacute;reas e n&iacute;veis de conhecimento, permeada por influ&ecirc;ncias m&uacute;tuas, tem demonstrado possibilidades de constitui&ccedil;&atilde;o de professores mais reflexivos e cr&iacute;ticos, que refletem e pesquisam sobre sua pr&aacute;tica, promovendo a produ&ccedil;&atilde;o de conhecimentos que se integram ao contexto escolar.</p>     <p>O processo dial&oacute;gico fundamentado em argumentos do educar pela pesquisa apresenta potencialidades aos professores da educa&ccedil;&atilde;o/escola b&aacute;sica, inclusive de elaborar, de forma compartilhada e interdisciplinar, materiais did&aacute;tico-pedag&oacute;gicos de ensino que possam materializar e aproximar a realidade social e o mundo da cultura do contexto da escola em que atuam. Este rompimento paradigm&aacute;tico permitir&aacute; aos professores superar a socializa&ccedil;&atilde;o do conhecimento de forma mec&acirc;nica, acr&iacute;tica e desprovida de compreens&atilde;o dos fundamentos dos conceitos e conte&uacute;dos ensinados, para tornarem-se sujeitos reflexivos e pesquisadores de seu fazer cotidiano escolar.</p>     <p>Para finalizar, os autores lan&ccedil;am <i>Um olhar sobre o processo de pesquisa na a&ccedil;&atilde;o,</i> indicando que as aprendizagens constru&iacute;das pela media&ccedil;&atilde;o de diferentes sujeitos potencializam a constitui&ccedil;&atilde;o de professores pesquisadores e de suas pr&aacute;ticas educativas, fundamentadas na compreens&atilde;o e respeito aos dizeres e fazeres do outro e na consci&ecirc;ncia do inacabado. Isso significa a constitui&ccedil;&atilde;o de um sujeito dial&oacute;gico que aprende a aprender com o outro.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Atrav&eacute;s da pesquisa, os autores procuraram demonstrar que, mesmo diante dos limites de natureza diversas nas condi&ccedil;&otilde;es de trabalho docente, em especial nas escolas p&uacute;blicas, faz-se poss&iacute;vel transformar a realidade escolar por meio da a&ccedil;&atilde;o colaborativa focada no prop&oacute;sito da constru&ccedil;&atilde;o conjunta de alternativas did&aacute;tico-metodol&oacute;gicas &agrave; educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica. Nesta dire&ccedil;&atilde;o, a elabora&ccedil;&atilde;o, o planejamento e o desenvolvimento de SE pode constituir um dos caminhos poss&iacute;veis.</p>     <p>Em geral, os processos de forma&ccedil;&atilde;o docente constitu&iacute;ram-se atrav&eacute;s de uma multiplicidade de reflex&otilde;es, proposi&ccedil;&otilde;es e mesmo a&ccedil;&otilde;es circundadas pela inseguran&ccedil;a, instabilidade, ang&uacute;stia e resist&ecirc;ncia diante das possibilidades de mudan&ccedil;a, situa&ccedil;&atilde;o que condicionou o professor a distanciar-se da teoria, da ressignifica&ccedil;&atilde;o conceitual e da pr&oacute;pria pr&aacute;tica cotidiana. Nesse sentido, na SE foram identificados limites no decorrer do processo, que implicaram recuos, mas n&atilde;o inviabilizaram a continuidade ou impediram o enfrentamento dos desafios. Os recuos n&atilde;o significaram ruptura do processo, mas, apenas, um andar mais lento, mas sempre em movimento, como declaram os autores, que no processo em movimento, tamb&eacute;m procurou movimentar-se, buscando compreender que cada sujeito faz seu percurso em tempos e momentos diferentes, porque tem experi&ecirc;ncias diversas, conflitos e desejos distintos que merecem respeito.</p>     <p>A inser&ccedil;&atilde;o da pesquisa na pr&aacute;tica docente desenvolve a capacidade de ler criticamente a realidade, reconstruir as condi&ccedil;&otilde;es de participa&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica, e sobretudo despertar e motivar nos estudantes o interesse pelas coisas do mundo real &ndash; pol&iacute;tica, sociedade, cultural, entre outras dimens&otilde;es. Al&eacute;m disso, a pesquisa do professor possibilita rever conceitos, conte&uacute;dos e a pr&oacute;pria metodologia de ensino, na busca por uma maior excel&ecirc;ncia no processo de ensino e aprendizagem. A pesquisa do professor, em um processo formativo, necessita, portanto, do uso de recursos culturais como a linguagem, a escrita e a leitura, cuja apropria&ccedil;&atilde;o contribui para a forma&ccedil;&atilde;o docente atrav&eacute;s da pesquisa. A linguagem permite a comunica&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m constitui-se em ferramenta de organiza&ccedil;&atilde;o do pensamento e de trocas efetivas que possibilitam a constitui&ccedil;&atilde;o do sujeito. A leitura permite ampliar os horizontes, ter outros olhares, outras compreens&otilde;es sobre o mundo real. A escrita permite imaginar o outro, que escuta, opina, participa, mas tamb&eacute;m se cala; o ato de imaginar o outro produz desconfian&ccedil;a e faz o pesquisador refletir sobre aquilo que escreve, e por isso busca a perfei&ccedil;&atilde;o. A partir dos ensinamentos de Marques (2001), os autores indicam que, no ato de escrever, a presen&ccedil;a do leitor faz com que o autor expresse ideias e sentimentos que, certamente, n&atilde;o experimentaria se, do outro lado, n&atilde;o houvesse leitores. Sendo assim, o autor torna-se seu primeiro leitor, ampliando as possibilidades de reflex&atilde;o cr&iacute;tica sobre sua narrativa e daquilo que precisa mudar na sua pr&oacute;pria pr&aacute;tica docente.</p>     <p>Por fim, os autores salientam a complexidade e singularidade do trabalho docente, cujo &ecirc;xito n&atilde;o se encontra em modelos preestabelecidos, em especial atrav&eacute;s das concep&ccedil;&otilde;es educacionais baseadas na racionalidade t&eacute;cnica. A aprendizagem &eacute; constru&iacute;da por meio da mobilidade e circula&ccedil;&atilde;o de saberes no &acirc;mbito de um processo interativo de forma&ccedil;&atilde;o docente focado permanentemente no questionamento reconstrutivo que o processo de pesquisa na a&ccedil;&atilde;o docente &eacute; din&acirc;mico, em constante movimento. Assim, a forma&ccedil;&atilde;o docente com base nos princ&iacute;pios do educar pela pesquisa se caracteriza como uma espiral de ciclos autorreflexivos em um movimento sempre inacabado.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Carr, W., &amp; Kemmis, S. (1988). <i>Teor&iacute;a cr&iacute;tica de la ense&ntilde;anza: La investigaci&oacute;n-acci&oacute;n en la formaci&oacute;n del profesorado</i>. Barcelona: Martinez Roca.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=769024&pid=S0871-9187201800010000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Giroux, H. A. (1997). <i>Os professores como intelectuais: Rumo a uma pedagogia cr&iacute;tica da aprendizagem</i>. Porto Alegre: Artes M&eacute;dicas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=769026&pid=S0871-9187201800010000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Marques, M. O. (2001). <i>Escrever &eacute; preciso: O princ&iacute;pio da pesquisa</i>. Iju&iacute;: Uniju&iacute;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=769028&pid=S0871-9187201800010000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</p>     <!-- ref --><p>Sch&ouml;n, D. A. (2000). <i>Educando o profissional reflexivo. Um novo design para o ensino aprendizagem</i>. Porto Alegre: Artes M&eacute;dicas Sul.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=769030&pid=S0871-9187201800010000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Zeichner, K. M. (1993). <i>A forma&ccedil;&atilde;o reflexiva de professores: Ideias e pr&aacute;ticas</i>. Educa. Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=769032&pid=S0871-9187201800010000900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido: abril 2018</p>     <p>Aceite para publica&ccedil;&atilde;o: abril 2018</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Nota</b></p>     <p><sup><a href="#top1">1</a></sup><a name="1"></a> Situa&ccedil;&atilde;o de Estudo (SE) &eacute; uma orienta&ccedil;&atilde;o para o ensino e a forma&ccedil;&atilde;o escolar que supera vis&otilde;es anteriores, na medida em que articula saberes e conte&uacute;dos de ci&ecirc;ncias entre si e, tamb&eacute;m, com saberes cotidianos trazidos das viv&ecirc;ncias dos alunos fora da escola, permitindo uma abordagem com caracter&iacute;stica interdisciplinar, intercomplementar e transdisciplinar.</p>      ]]></body><back>
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