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<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Educação]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Lei de Bases do Sistema Educativo (1986): Ruturas, continuidades, apropriações seletivas]]></article-title>
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<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[Loi fondamentale du système éducatif (1986): ruptures, continuités, appropriations sélectives]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article presents a sociological and political analysis of the reform of the education system initiated in the mid-1980s in Portugal. In 1986, the government appointed an Education System Reform Commission to prepare studies and legislative proposals. In that year the parliament approved the Basic Law of the Education System. Both processes proceeded in parallel, only with subsequent articulations, at the initiative of that commission. The fundamental law of education of 1986 resulted from the democratic constitution of 1976 and replaced the previous law of 1973, approved at the end of the authoritarian regime and never regulated. Based on an analysis of the texts of constitutions, law proposals presented in parliament, the laws of 1973 and 1986, as well as other education policy documents, the author reflects critically on the ruptures of the 1986 law against the 1973 law and also on the continuities that could be observed. Other ruptures and continuities are still highlighted between the 1986 law and the education policy agendas and respective legislative output of governments over the last three decades, confirming the plasticity of that law and the political difficulties of the parliament to replace it.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="fr"><p><![CDATA[Cet article présente une analyse sociologique et politique de la réforme du système éducatif commencée au milieu des années 1980 au Portugal. En 1986, le gouvernement a nommé une Commission de Réforme du Système Éducatif pour préparer des études et des propositions législatives. Cette année-là, le parlement a approuvé la loi fondamentale du système éducatif. Les deux processus se sont déroulés en parallèle, seulement avec des articulations ultérieures, à l'initiative de cette commission. La loi fondamentale de l'éducation de 1986 résultait de la constitution démocratique de 1976 et remplaçait la précédente loi de 1973, approuvée à la fin du régime autoritaire et jamais réglementée. Sur la base d'une analyse des textes des constitutions, des propositions de lois présentées au parlement, des lois de 1973 et de 1986, ainsi que d'autres documents de politique éducative, l'auteur réfléchit de manière critique sur les ruptures de la loi de 1986 contre la loi de 1973 et aussi sur les continuités qui pourraient être observées. D'autres ruptures et continuités sont encore soulignées entre la loi de 1986 et les programmes de politique éducative et les résultats législatifs respectifs des gouvernements au cours des trois dernières décennies, confirmant la plasticité de cette loi et les difficultés politiques du parlement pour la remplacer.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Reforma educativa]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ENTREVISTA</b></p>     <p><b>Lei de Bases do Sistema Educativo (1986): Ruturas, continuidades, apropria&ccedil;&otilde;es seletivas</b></p>     <p><b>Basic law of the education system (1986): ruptures, continuities, selective appropriations</b></p>     <p><b>Loi fondamentale du syst&egrave;me &eacute;ducatif (1986): ruptures, continuit&eacute;s, appropriations s&eacute;lectives</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Lic&iacute;nio C. Lima<sup>i</sup></b></p>     <p><sup>i </sup>Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o, Instituto de Educa&ccedil;&atilde;o, Universidade do Minho, Portugal.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endereço para Correspondência</a><a name="topc0"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b></p>     <p>O artigo apresenta uma an&aacute;lise sociol&oacute;gica e pol&iacute;tica da reforma do sistema educativo iniciada em meados da d&eacute;cada de 1980 em Portugal. Em 1986, o governo nomeou uma Comiss&atilde;o de Reforma do Sistema Educativo com o objetivo de preparar estudos e propostas legislativas. Naquele ano o parlamento aprovou a Lei de Bases do Sistema Educativo. Ambos os processos decorreram de forma paralela, apenas com articula&ccedil;&otilde;es posteriores, por iniciativa daquela comiss&atilde;o. A lei fundamental da educa&ccedil;&atilde;o de 1986 resultou da Constitui&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica de 1976 e veio substituir a anterior lei de 1973, aprovada no final do regime autorit&aacute;rio e nunca regulamentada. Com base numa an&aacute;lise dos textos das constitui&ccedil;&otilde;es, dos projetos de lei apresentados no parlamento, das leis de 1973 e de 1986, bem como de outros documentos de pol&iacute;tica educativa, o autor reflete criticamente sobre as ruturas operadas pela lei de 1986 face &agrave; lei de 1973 e tamb&eacute;m sobre as continuidades que foi poss&iacute;vel observar. Outras ruturas e continuidades s&atilde;o ainda destacadas entre a lei de 1986 e as agendas de pol&iacute;tica educativa e respetiva produ&ccedil;&atilde;o legislativa dos governos durante as &uacute;ltimas tr&ecirc;s d&eacute;cadas, confirmando a plasticidade daquela lei e as dificuldades pol&iacute;ticas do parlamento para a substituir.</p>     <p><b>Palavras-chave:&nbsp;</b>Reforma educativa; Lei de Bases da Educa&ccedil;&atilde;o; Pol&iacute;tica educativa</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This article presents a sociological and political analysis of the reform of the education system initiated in the mid-1980s in Portugal. In 1986, the government appointed an Education System Reform Commission to prepare studies and legislative proposals. In that year the parliament approved the Basic Law of the Education System. Both processes proceeded in parallel, only with subsequent articulations, at the initiative of that commission. The fundamental law of education of 1986 resulted from the democratic constitution of 1976 and replaced the previous law of 1973, approved at the end of the authoritarian regime and never regulated. Based on an analysis of the texts of constitutions, law proposals presented in parliament, the laws of 1973 and 1986, as well as other education policy documents, the author reflects critically on the ruptures of the 1986 law against the 1973 law and also on the continuities that could be observed. Other ruptures and continuities are still highlighted between the 1986 law and the education policy agendas and respective legislative output of governments over the last three decades, confirming the plasticity of that law and the political difficulties of the parliament to replace it.</p>     <p><b>Keywords:&nbsp;</b>Reform of education; Basic law of education; Education politics</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>R&Eacute;SUM&Eacute;</b></p>     <p>Cet article pr&eacute;sente une analyse sociologique et politique de la r&eacute;forme du syst&egrave;me &eacute;ducatif commenc&eacute;e au milieu des ann&eacute;es 1980 au Portugal. En 1986, le gouvernement a nomm&eacute; une Commission de R&eacute;forme du Syst&egrave;me &Eacute;ducatif pour pr&eacute;parer des &eacute;tudes et des propositions l&eacute;gislatives. Cette ann&eacute;e-l&agrave;, le parlement a approuv&eacute; la loi fondamentale du syst&egrave;me &eacute;ducatif. Les deux processus se sont d&eacute;roul&eacute;s en parall&egrave;le, seulement avec des articulations ult&eacute;rieures, &agrave; l'initiative de cette commission. La loi fondamentale de l'&eacute;ducation de 1986 r&eacute;sultait de la constitution d&eacute;mocratique de 1976 et rempla&ccedil;ait la pr&eacute;c&eacute;dente loi de 1973, approuv&eacute;e &agrave; la fin du r&eacute;gime autoritaire et jamais r&eacute;glement&eacute;e. Sur la base d'une analyse des textes des constitutions, des propositions de lois pr&eacute;sent&eacute;es au parlement, des lois de 1973 et de 1986, ainsi que d'autres documents de politique &eacute;ducative, l'auteur r&eacute;fl&eacute;chit de mani&egrave;re critique sur les ruptures de la loi de 1986 contre la loi de 1973 et aussi sur les continuit&eacute;s qui pourraient &ecirc;tre observ&eacute;es. D'autres ruptures et continuit&eacute;s sont encore soulign&eacute;es entre la loi de 1986 et les programmes de politique &eacute;ducative et les r&eacute;sultats l&eacute;gislatifs respectifs des gouvernements au cours des trois derni&egrave;res d&eacute;cennies, confirmant la plasticit&eacute; de cette loi et les difficult&eacute;s politiques du parlement pour la remplacer.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Mots-cl&eacute;:&nbsp;</b>R&eacute;forme de l'&eacute;ducation ; Loi fondamentale de l&rsquo;&eacute;ducation ; Politique &eacute;ducative</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Em 14 de outubro de 1986 foi publicada em Di&aacute;rio da Rep&uacute;blica a Lei n.&ordm; 46/86, intitulada <i>Lei de Bases do Sistema Educativo </i>(LBSE), permanecendo por mais de tr&ecirc;s d&eacute;cadas, at&eacute; hoje, em vigor. Previamente, haviam sido apresentados no parlamento, discutidos e favoravelmente votados na generalidade cinco projetos de lei, oriundos dos seguintes partidos pol&iacute;ticos: Movimento Democr&aacute;tico Portugu&ecirc;s/Comiss&atilde;o Democr&aacute;tica Eleitoral (MDP/CDE), Partido Comunista Portugu&ecirc;s (PCP), Partido Renovador Democr&aacute;tico (PRD), Partido Socialista (PS), Partido Social Democrata (PSD). Ap&oacute;s dois meses de trabalho em subcomiss&atilde;o criada para o efeito pela Comiss&atilde;o Parlamentar de Educa&ccedil;&atilde;o, Ci&ecirc;ncia e Cultura, presidida por B&aacute;rtolo Paiva Campos e secretariada por Eurico Lemos Pires, ambos deputados pelo PRD e acad&eacute;micos da &aacute;rea da educa&ccedil;&atilde;o, o texto da LBSE viria a ser aprovado com os votos favor&aacute;veis do PCP, do PRD, do PS e do PSD. Votou contra o Centro Democr&aacute;tico Social (CDS) e abstiveram-se o MDP/CDE e os deputados pelo PS Ant&oacute;nio Jos&eacute; Seguro e Jos&eacute; Apolin&aacute;rio (ambos da Juventude Socialista).</p>     <p>Com um total de 64 artigos, divididos por nove cap&iacute;tulos, seria finalmente aprovada, a 24 de julho de 1986, e promulgada pelo Presidente da Rep&uacute;blica M&aacute;rio Soares, em 23 de setembro, em Guimar&atilde;es (no contexto da sua primeira &ldquo;Presid&ecirc;ncia Aberta&rdquo;), a LBSE que havia sido reclamada depois do 25 de abril de 1974, com v&aacute;rias tentativas de aprova&ccedil;&atilde;o no parlamento entre 1980 e 1984, mas sem sucesso, per&iacute;odo durante o qual deram entrada 12 projetos de lei de bases (cf. Teodoro, 2001, pp. 402-403).</p>     <p>Agora, por&eacute;m, sem um partido, ou coliga&ccedil;&atilde;o, com maioria parlamentar, mas antes com um governo minorit&aacute;rio do PSD presidido por An&iacute;bal Cavaco Silva, a Assembleia da Rep&uacute;blica conseguia levar a cabo o processo de aprova&ccedil;&atilde;o de uma LBSE, resultante de um maior protagonismo do parlamento e de um processo negocial interpartid&aacute;rio que compreendeu aquele partido mas que, por outro lado, atribuiu menor centralidade ao X Governo; este ter&aacute; estado relativamente apagado durante o processo parlamentar (Pinheiro, 2002, p. 311), &agrave; margem de &ldquo;uma concerta&ccedil;&atilde;o expl&iacute;cita&rdquo; com a Comiss&atilde;o Parlamentar (Campos, 2002, p. 465). O governo, de resto, antecipara-se, de certo modo, &agrave; aprova&ccedil;&atilde;o da LBSE atrav&eacute;s da cria&ccedil;&atilde;o e nomea&ccedil;&atilde;o de uma Comiss&atilde;o de Reforma do Sistema Educativo (CRSE), sendo ent&atilde;o ministro da educa&ccedil;&atilde;o e cultura Jo&atilde;o de Deus Pinheiro e, a partir de agosto de 1987, com o XI Governo de maioria absoluta do PSD, sendo ministro Roberto Carneiro. A rela&ccedil;&atilde;o de cada um deles com a CRSE foi muito diferenciada, com o primeiro a entender, mais tarde, que tinha &ldquo;alguma pena que essa reforma [a proposta pela CRSE] n&atilde;o tivesse sido prosseguida&rdquo; (Pinheiro, 2002, p. 309), e o segundo, que de resto tinha integrado um dos grupos de trabalho da CRSE, relativo &agrave; ent&atilde;o designada &ldquo;reforma curricular&rdquo;, a reconhecer &ldquo;diferen&ccedil;as de concep&ccedil;&otilde;es e de pensamento&rdquo; entre a CRSE e a equipa governativa do minist&eacute;rio, mesmo com certa colis&atilde;o protagonizada pelo seu secret&aacute;rio de estado Pedro da Cunha (Carneiro, 2002, p. 329).</p>     <p>A CRSE foi criada em 26 de dezembro de 1985, atrav&eacute;s da Resolu&ccedil;&atilde;o do Conselho de Ministros n.&ordm; 8/86 (Portugal, 1986), assinada pelo Primeiro-Ministro, devendo &ldquo;iniciar de imediato&rdquo; os seus trabalhos, tendo um prazo de 60 dias ap&oacute;s a data da sua constitui&ccedil;&atilde;o para apresentar o &ldquo;projeto global das actividades a realizar&rdquo;, seguido de 12 meses durante os quais &ldquo;promover&aacute; os estudos . . . e proceder&aacute; &agrave;s dilig&ecirc;ncias necess&aacute;rias &agrave; prepara&ccedil;&atilde;o dos projectos de diploma legais consequentes&rdquo; e, finalmente, mais 12 meses para elaborar &ldquo;os programas de aplica&ccedil;&atilde;o&rdquo; e para proceder ao &ldquo;acompanhamento poss&iacute;vel da sua execu&ccedil;&atilde;o&rdquo;. N&atilde;o existe nesta Resolu&ccedil;&atilde;o qualquer refer&ecirc;ncia &agrave; futura LBSE ou a qualquer forma de articula&ccedil;&atilde;o entre a CRSE e o processo parlamentar, assim se assumindo o pressuposto de que &ldquo;uma reforma global e coerente das estruturas, m&eacute;todos e conte&uacute;dos do sistema&rdquo; (Portugal, 1986) n&atilde;o exigiria, necessariamente, a pr&eacute;via aprova&ccedil;&atilde;o de uma Lei de Bases, o que, a suceder, retiraria, certamente, margem de manobra &agrave; iniciativa governamental. No entanto, o governo n&atilde;o poderia desconhecer a din&acirc;mica de apresenta&ccedil;&atilde;o de projetos de lei por parte dos partidos pol&iacute;ticos, formalmente iniciada ainda antes da cria&ccedil;&atilde;o da CRSE (por exemplo o Projeto n.&ordm; 76/IV, do PCP, tinha dado entrada no parlamento a 17 de dezembro de 1985).</p>     <p>A CRSE, composta por 11 individualidades, viria a ser nomeada atrav&eacute;s do Despacho conjunto da Presid&ecirc;ncia do Conselho de Ministros e do ministro da educa&ccedil;&atilde;o e cultura, assinado por An&iacute;bal Cavaco Silva e Jo&atilde;o de Deus Pinheiro em 13 de fevereiro de 1986. A tomada de posse ocorreu em 18 de mar&ccedil;o, j&aacute; ap&oacute;s a entrada no parlamento dos cinco projetos de lei. A 27 de maio seria divulgado o &ldquo;Projecto Global de Actividades&rdquo; (CRSE, 1986), ap&oacute;s este documento ter merecido a concord&acirc;ncia do governo. E &eacute; nesse texto que, pela primeira vez e por iniciativa da CRSE, se admite que &ldquo;A reforma a realizar tem de situar-se no enquadramento legal a definir pela Assembleia da Rep&uacute;blica&rdquo; e ainda que &ldquo;as op&ccedil;&otilde;es que vierem a ser feitas ser&atilde;o, naturalmente, o referencial obrigat&oacute;rio da reforma que importa realizar&rdquo; (CRSE, 1986, p. 25). Esta simultaneidade de processos, que &eacute; registada e admitida como algo que &ldquo;n&atilde;o se afigura um facto negativo&rdquo; (CRSE, 1986, p. 25), permitiria &agrave; CRSE ganhar, eventualmente, algum tempo &uacute;til atrav&eacute;s do in&iacute;cio da produ&ccedil;&atilde;o de estudos, at&eacute; que a LBSE viesse a ser aprovada. Na pr&aacute;tica, por&eacute;m, tal n&atilde;o chegou a ocorrer dado que apenas dois meses separaram a aprova&ccedil;&atilde;o do seu &ldquo;Projecto Global de Actividades&rdquo; da aprova&ccedil;&atilde;o da LBSE pela Assembleia da Rep&uacute;blica. De resto, os diversos grupos de trabalho constitu&iacute;dos pela CRSE tomaram como refer&ecirc;ncia primeira a LBSE e, ao contr&aacute;rio do que j&aacute; tem sido afirmado (ver, por exemplo, Rodrigues et al., 2016, p. 35), os textos relativos a estudos, semin&aacute;rios e projetos, organizados e publicados pela CRSE, s&atilde;o todos posteriores &agrave; data de publica&ccedil;&atilde;o da LBSE, tendo ocorrido j&aacute; a partir de 1987 e durante 1988, pelo que n&atilde;o podiam ter sido &ldquo;muito importantes para a aprova&ccedil;&atilde;o da Lei de Bases&rdquo; (Rodrigues et al., 2016, p. 35. O que ocorreu foi o inverso, isto &eacute;, a LBSE foi muito importante e, mais do que isso, referencial tomado como obrigat&oacute;rio nos documentos elaborados no &acirc;mbito da CRSE (ver declara&ccedil;&otilde;es do seu presidente Ant&oacute;nio Almeida Costa, 2002, p. 514), seja em termos jur&iacute;dicos estruturais seja em termos de categorias e conceitos ali plasmados, embora objetos de interpreta&ccedil;&otilde;es variadas e nem sempre coincidentes, at&eacute; mesmo entre diferentes grupos de trabalho constitu&iacute;dos no &acirc;mbito da CRSE (ver, por exemplo, o estudo de Formosinho, 1991). Quanto &agrave;s eventuais rela&ccedil;&otilde;es estabelecidas entre os trabalhos da subcomiss&atilde;o da Assembleia da Rep&uacute;blica e as atividades da CRSE, o presidente desta considerou terem-se verificado &ldquo;processos paralelos&rdquo; (Almeida Costa, 2002, p. 515).</p>     <p>Ao contr&aacute;rio do que acontecera entre 1971 e 1973, sob o governo de Marcelo Caetano, com a chamada Reforma Veiga Sim&atilde;o, formalmente institu&iacute;da atrav&eacute;s da Lei n.&ordm; 5/73, de 25 de julho, em 1986 as categorias &ldquo;Lei de Bases do Sistema Educativo&rdquo; e &ldquo;Reforma Educativa&rdquo; surgiram relativamente desarticuladas, sobretudo num primeiro per&iacute;odo, ainda que, de facto, a CRSE tivesse estrategicamente aguardado pela aprova&ccedil;&atilde;o da LBSE para dar in&iacute;cio &agrave;s suas atividades mais substantivas e ao funcionamento dos grupos de trabalho que criou, tendo apresentado entre 1987 e 1988 v&aacute;rias medidas e propostas de regulamenta&ccedil;&atilde;o da lei, em muitos casos com reduzido sucesso e de forma mais fragmentada do que tinha anunciado, n&atilde;o obstante os esfor&ccedil;os de integra&ccedil;&atilde;o que s&atilde;o ensaiados na &ldquo;Proposta Global de Reforma&rdquo; que publicou em julho de 1988 (CRSE, 1988). Mas o car&aacute;ter &ldquo;avulso&rdquo; dos documentos produzidos prejudicou &ldquo;a desejada congru&ecirc;ncia ou unidade de princ&iacute;pios&rdquo;, de resto anunciada pela CRSE (ver Afonso, 1998, p. 212). Acresce &agrave; d&eacute;bil articula&ccedil;&atilde;o antes referida uma outra, ainda mais significativa: aquela que tomando por refer&ecirc;ncia a LBSE e as propostas da CRSE &ndash; estas crescentemente desvalorizadas a partir da a&ccedil;&atilde;o de Roberto Carneiro como ministro &ndash; produziu sobre elas interpreta&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas a partir do contexto de integra&ccedil;&atilde;o na Comunidade Econ&oacute;mica Europeia (CEE) e das agendas governativas para a educa&ccedil;&atilde;o. Ou seja, para al&eacute;m das ruturas e das continuidades entre distintos referenciais constitucionais, pol&iacute;ticos e jur&iacute;dicos que marcaram a educa&ccedil;&atilde;o nas d&eacute;cadas de 1970 e 1980, a LBSE do regime democr&aacute;tico viria a ser regulamentada ao longo de v&aacute;rios anos e a ritmos consideravelmente distintos consoante as &aacute;reas sob &ldquo;reforma educativa&rdquo;, tendo sido objeto de apropria&ccedil;&otilde;es seletivas e diferenciadas.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Ruturas e continuidades</b></p>     <p>A LBSE de 1986 encerrou um processo anterior de reforma educativa que fora interrompido pela Revolu&ccedil;&atilde;o de abril de 1974 mas, por outro lado, prosseguiu algumas medidas estruturais e morfol&oacute;gicas da anterior Reforma Veiga Sim&atilde;o e retomou parcialmente certas solu&ccedil;&otilde;es previstas pela Lei n.&ordm; 5/73, cuja regulamenta&ccedil;&atilde;o fora formalmente abandonada. Noutros casos, por&eacute;m, como sucedeu com a cria&ccedil;&atilde;o de estruturas e processos de participa&ccedil;&atilde;o, no &acirc;mbito mais geral do que foi denominado gest&atilde;o democr&aacute;tica das escolas e universidades, a LBSE de 1986 transcendeu inteiramente a LBSE de 1973, tendo tornado esta, em tal mat&eacute;ria espec&iacute;fica, &ldquo;caduca&rdquo;, como talvez de forma demasiadamente generalizada a considerou B&aacute;rtolo Paiva Campos (1987, p. 5) no seu importante pref&aacute;cio &agrave; obra de apresenta&ccedil;&atilde;o e coment&aacute;rios da LBSE, da autoria de Eurico Lemos Pires (1987).</p>     <p>Tamb&eacute;m Rui Gr&aacute;cio, no seu discurso de abertura do I Congresso da Sociedade Portuguesa de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o, realizado no Porto em 1989, afirmou que, para al&eacute;m de outra &ldquo;respira&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica&rdquo;, a lei de 1986, quando comparada com a lei de 1973, evidenciava outra densidade ou, como escreveu, &ldquo;uma tecnicidade, diferenciada e fina, incomparavelmente superior&rdquo;, que Gr&aacute;cio atribu&iacute;a &ldquo;a um peso novo da comunidade cient&iacute;fica que tem a educa&ccedil;&atilde;o como objecto central das suas pesquisas&rdquo; (Gr&aacute;cio, 1991, p. 20). Algo que j&aacute; a lei de 1973 reconhecia como contributo essencial, prevendo a cria&ccedil;&atilde;o de &ldquo;Escolas Normais Superiores&rdquo; e de &ldquo;Institutos de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o&rdquo; orientados para a forma&ccedil;&atilde;o, contudo sem incluir a investiga&ccedil;&atilde;o em educa&ccedil;&atilde;o, val&ecirc;ncia que h&aacute; muito era reclamada e que os projetos de reforma em discuss&atilde;o no in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1970 chegaram a prever.</p>     <p>A LBSE de 1986 assumia-se como uma alternativa do regime democr&aacute;tico perante a LBSE de 1973 e, especialmente, adequava-se &agrave; Constitui&ccedil;&atilde;o de 1976 (entretanto revista em 1982), mas, no entanto, rompia abertamente com diversas orienta&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas que haviam sido constru&iacute;das durante o Processo Revolucion&aacute;rio em Curso (PREC), v&aacute;rias das quais, de resto, tinham sido objeto de legaliza&ccedil;&atilde;o retrospetiva por parte dos governos provis&oacute;rios a partir de a&ccedil;&otilde;es desencadeadas pelas periferias escolares. Neste sentido, 10 anos depois da Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica de 1976, a LBSE representava o culminar pol&iacute;tico-educativo do processo de normaliza&ccedil;&atilde;o, com os olhos postos nas din&acirc;micas da integra&ccedil;&atilde;o europeia do pa&iacute;s e da centralidade da educa&ccedil;&atilde;o e da forma&ccedil;&atilde;o profissional para o desenvolvimento econ&oacute;mico, da moderniza&ccedil;&atilde;o e racionaliza&ccedil;&atilde;o do sistema escolar, do papel do planeamento e da avalia&ccedil;&atilde;o, da emerg&ecirc;ncia de l&oacute;gicas vocacionalistas e qualificacionistas e, em geral, atrav&eacute;s da a&ccedil;&atilde;o do ministro Roberto Carneiro e de uma apropria&ccedil;&atilde;o governativa da LBSE inspirada por aquilo que Manuel Patr&iacute;cio (2002) considerou &ldquo;a ades&atilde;o a uma vis&atilde;o neoliberal&rdquo; (p. 668) e que, com base em an&aacute;lises mais detalhadas, destacando ambiguidades e contradi&ccedil;&otilde;es durante a d&eacute;cada compreendida entre 1985 e 1995, Almerindo Afonso (1998) j&aacute; apelidara de &ldquo;neoliberalismo educacional mitigado&rdquo; (pp. 225-232). O planeamento havia substitu&iacute;do a pol&iacute;tica (Stoer, 1986); a reconstru&ccedil;&atilde;o do paradigma da centraliza&ccedil;&atilde;o, deixando inteiramente para tr&aacute;s as din&acirc;micas autogestion&aacute;rias e auton&oacute;micas das periferias escolares, h&aacute; muito tinha sido assegurada (Lima, 1992).</p>     <p>Encontra-se a LBSE de 1986, seja em termos de aus&ecirc;ncia ou de presen&ccedil;a de certas dimens&otilde;es, seja por continuidade ou por rutura, numa situa&ccedil;&atilde;o de cruzamento tenso entre per&iacute;odos hist&oacute;ricos e pol&iacute;ticos consideravelmente distintos, tendo a LBSE de 1973 sido remetida ora para uma situa&ccedil;&atilde;o de suspens&atilde;o <i>de facto</i>, ora para uma exist&ecirc;ncia espectral, tendo sido pontualmente convocada para o plano das decis&otilde;es pol&iacute;ticas, sobretudo pelo I Governo Provis&oacute;rio, presidido por Adelino da Palma Carlos e sendo ministro da educa&ccedil;&atilde;o Eduardo Correia, que, sem expressamente a invocar, lhe deu certa continuidade. J&aacute; no plano da a&ccedil;&atilde;o e das pr&aacute;ticas escolares, bem como da legisla&ccedil;&atilde;o dos governos provis&oacute;rios posteriores, a partir do II Governo presidido por Vasco Gon&ccedil;alves e tendo como ministro da educa&ccedil;&atilde;o Vitorino Magalh&atilde;es Godinho, acompanhado por Rui Gr&aacute;cio, J. Prostes da Fonseca e Rog&eacute;rio Fernandes, registou-se um afastamento da reforma de 1973 e da influ&ecirc;ncia exercida por Jos&eacute; Veiga Sim&atilde;o mesmo depois do 25 de abril de 1974, sabendo-se que este tinha participado na reda&ccedil;&atilde;o do programa do I Governo Provis&oacute;rio e que s&oacute; n&atilde;o o ter&aacute; chefiado porque a sugest&atilde;o nesse sentido, por parte do general Ant&oacute;nio de Sp&iacute;nola, n&atilde;o reuniu consenso.</p>     <p>Politicamente, a LBSE de 1973 estava morta, mas outra seria a sua condi&ccedil;&atilde;o quanto a v&aacute;rias das suas solu&ccedil;&otilde;es estruturais (ver Teodoro, 2001, pp. 344-354). Neste sentido, a LBSE de 1986 re&uacute;ne m&uacute;ltiplas e contradit&oacute;rias dimens&otilde;es, sendo dif&iacute;cil encontrar na &aacute;rea da educa&ccedil;&atilde;o uma lei marcada por maior complexidade e dificuldade de an&aacute;lise, tanto mais quanto, por raz&otilde;es pol&iacute;ticas conjunturais, acabou por merecer a aprova&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as pol&iacute;ticas que foram do PCP ao PSD, certamente por raz&otilde;es distintas e com base em argumentos diferenciados. De tal forma que esse facto n&atilde;o se repetiu e que, hoje, parece algo raro e improv&aacute;vel, perante projetos pol&iacute;ticos para a educa&ccedil;&atilde;o que revelam oposi&ccedil;&otilde;es marcadas. Tal foi o caso, j&aacute; em 2004, relativamente &agrave; aprova&ccedil;&atilde;o pela Assembleia da Rep&uacute;blica da proposta de lei apresentada durante o XV Governo de maioria PSD/CDS, presidido por Jos&eacute; Manuel Dur&atilde;o Barroso e sendo ministro da educa&ccedil;&atilde;o David Justino (Proposta de Lei n.&ordm; 74/IX, aprovada em Conselho de Ministros de 27 de maio de 2003), sob a designa&ccedil;&atilde;o de <i>Lei de Bases da Educa&ccedil;&atilde;o</i> (Decreto n.&ordm; 184/IX, de 29 de junho), atrav&eacute;s da qual se pretendia &ldquo;desestatizar&rdquo; a educa&ccedil;&atilde;o, criar uma &ldquo;rede nacional&rdquo; de estabelecimentos de educa&ccedil;&atilde;o e ensino, atribuir protagonismo ao vocacionalismo, entre outros objetivos (Portugal, 2003a). A&iacute; se afirmava que a LBSE de 1973 &ldquo;acabou por n&atilde;o ter qualquer aplica&ccedil;&atilde;o posterior&rdquo; e que a LBSE de 1986 revelava a sua &ldquo;evidente desadequa&ccedil;&atilde;o&rdquo; perante as novas compet&ecirc;ncias e a capacidade de adapta&ccedil;&atilde;o exigidas pela sociedade do conhecimento e da informa&ccedil;&atilde;o, adotando uma l&oacute;gica de &ldquo;qualifica&ccedil;&atilde;o dos recursos humanos&rdquo; (Decreto n.&ordm; 184/IX, de 29 de junho). A forma&ccedil;&atilde;o vocacional (escolar) e a forma&ccedil;&atilde;o profissional (extra escolar) eram consideradas centrais, tal como a racionaliza&ccedil;&atilde;o da rede, a liberdade da escolha das escolas, o agrupamento vertical de escolas e a sua gest&atilde;o profissional, n&atilde;o necessariamente assegurada atrav&eacute;s de processos de elei&ccedil;&atilde;o. Muito criticada pelos partidos da oposi&ccedil;&atilde;o, que especialmente destacaram a falta de participa&ccedil;&atilde;o dos parceiros educativos (para al&eacute;m de discord&acirc;ncias de fundo espec&iacute;ficas), designadamente atrav&eacute;s das interven&ccedil;&otilde;es das deputadas Ana Benavente (PS) e Lu&iacute;sa Mesquita (PCP) e, ainda, do deputado Jo&atilde;o Teixeira Lopes (BE &ndash; Bloco de Esquerda), o campo sem&acirc;ntico da discuss&atilde;o travada no parlamento revelou-se profundamente marcado, por vezes n&atilde;o s&oacute; pelos partidos da maioria mas, em certos casos, tamb&eacute;m j&aacute; pelos partidos da oposi&ccedil;&atilde;o, por express&otilde;es e conceitos t&iacute;picos das orienta&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas da Uni&atilde;o Europeia e da OCDE, entre outras inst&acirc;ncias transnacionais, como por exemplo &ldquo;compet&ecirc;ncias&rdquo;, &ldquo;qualifica&ccedil;&otilde;es&rdquo;, &ldquo;capital humano&rdquo;, &ldquo;recursos humanos&rdquo;, de fundo tecnocr&aacute;tico e remetendo para a centralidade, naturalizada, da racionalidade formal ou instrumental (ver Portugal, 2003b). Mas a nova Lei de Bases da Educa&ccedil;&atilde;o, de 2004, n&atilde;o vingaria, dado que o Presidente da Rep&uacute;blica Jorge Sampaio decidiu n&atilde;o promulg&aacute;-la. O veto presidencial foi fundamentado em mensagem dirigida &agrave; Assembleia da Rep&uacute;blica, na qual o Presidente lembrava a estabilidade da LBSE de 1986, o &ldquo;acordo pol&iacute;tico envolvendo a quase totalidade dos partidos com representa&ccedil;&atilde;o parlamentar&rdquo; e o &ldquo;aprofundado trabalho t&eacute;cnico de prepara&ccedil;&atilde;o&rdquo;, em contraste impl&iacute;cito com o processo seguido em 2003-2004, embora o texto atribu&iacute;sse maior centralidade &agrave;s normas respeitantes &agrave; gest&atilde;o das escolas e &agrave; responsabilidade na satisfa&ccedil;&atilde;o das necessidades da popula&ccedil;&atilde;o por parte dos estabelecimentos p&uacute;blicos, ou seja, atrav&eacute;s de uma rede p&uacute;blica (de acordo com a designa&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica) e n&atilde;o de uma &ldquo;rede nacional&rdquo; (Portugal, 2004). S&atilde;o aquelas normas que, segundo as palavras do Presidente, &ldquo;suscitam fundadas d&uacute;vidas de constitucionalidade&rdquo; (Portugal, 2004).</p>     <p>Assim, apenas tr&ecirc;s altera&ccedil;&otilde;es foram, at&eacute; este momento, aprovadas: em 1997, atrav&eacute;s da Lei n.&ordm; 115/97, relativamente ao regime de acesso ao ensino superior, graus acad&eacute;micos e forma&ccedil;&atilde;o de professores; em 2005, atrav&eacute;s da Lei n.&ordm; 49/2005, que garante a adequa&ccedil;&atilde;o ao Processo de Bolonha; em 2009, atrav&eacute;s da Lei n.&ordm; 85/2009, que altera o regime de escolaridade obrigat&oacute;ria para o 12&ordm; ano ou at&eacute; aos 18 anos de idade e estabelece a universalidade da educa&ccedil;&atilde;o pr&eacute;-escolar para as crian&ccedil;as a partir dos cinco anos. N&atilde;o obstante estas altera&ccedil;&otilde;es &ndash; que, especialmente no caso da adequa&ccedil;&atilde;o ao Processo de Bolonha, evidenciam j&aacute; a capacidade de influ&ecirc;ncia supranacional da Uni&atilde;o Europeia sobre a educa&ccedil;&atilde;o em Portugal &ndash;, a LBSE tem permanecido com grande estabilidade enquanto corpo de orienta&ccedil;&otilde;es e de regras inscrito no plano das orienta&ccedil;&otilde;es para a a&ccedil;&atilde;o. E a&iacute;, note-se, n&atilde;o se abriu discursivamente e conceptualmente &agrave; <i>novil&iacute;ngua</i> da Uni&atilde;o Europeia, da OCDE e de outras inst&acirc;ncias internacionais, parecendo hoje um texto relativamente antiquado no plano sem&acirc;ntico, n&atilde;o atribuindo o protagonismo que atualmente seria esper&aacute;vel a t&oacute;picos como as qualifica&ccedil;&otilde;es para a competitividade e o emprego, a promo&ccedil;&atilde;o do empreendedorismo e da empregabilidade, o refor&ccedil;o do capital humano, a promo&ccedil;&atilde;o da excel&ecirc;ncia, etc. Embora esta aparente imutabilidade formal tenha sido apropriada com manifesta plasticidade ao longo das &uacute;ltimas tr&ecirc;s d&eacute;cadas, durante as quais os discursos pol&iacute;ticos foram sendo dominados por ideias, conceitos e express&otilde;es de extra&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica e empresarial. Os diversos governos e suas agendas, onde, de h&aacute; muito, se destacam as influ&ecirc;ncias da Nova Gest&atilde;o P&uacute;blica, das l&oacute;gicas da gest&atilde;o empresarial, do lideracionismo, do vocacionalismo, das abordagens avaliocr&aacute;ticas, da introdu&ccedil;&atilde;o de processos de performatividade competitiva, s&atilde;o exemplos dessa mais gen&eacute;rica vis&atilde;o instrumental e tecnocr&aacute;tica sobre educa&ccedil;&atilde;o e forma&ccedil;&atilde;o, subordinada a uma conce&ccedil;&atilde;o de privatiza&ccedil;&atilde;o <i>lato sensu</i> e respetiva impregna&ccedil;&atilde;o empresarial (Lima, 2018). De tal forma que uma eventual nova lei viria, previsivelmente, alterar profundamente o discurso jur&iacute;dico normativo e a teia de conceitos centrais, pondo termo &agrave; articula&ccedil;&atilde;o d&eacute;bil que hoje se manifesta entre a letra (e mesmo o <i>esp&iacute;rito</i>) da LBSE e o contexto pol&iacute;tico mais global, incluindo v&aacute;rias agendas partid&aacute;rias quanto &agrave;s compet&ecirc;ncias e qualifica&ccedil;&otilde;es dos &ldquo;recursos humanos&rdquo;, j&aacute; com express&atilde;o clara na legisla&ccedil;&atilde;o ordin&aacute;ria que vai sendo publicada e na linguagem que vai sendo maioritariamente falada e escrita, do Di&aacute;rio da Rep&uacute;blica &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o social, passando pelos discursos dos governantes.</p>     <p>Mas, no contexto da interpreta&ccedil;&atilde;o que se esbo&ccedil;a nos limites deste artigo, n&atilde;o bastaria estudar de que forma ocorreu a rece&ccedil;&atilde;o da LBSE ao longo das &uacute;ltimas tr&ecirc;s d&eacute;cadas, at&eacute; ao presente. Com efeito, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel ignorar a LBSE de 1973 e as conex&otilde;es e desconex&otilde;es entre ambas, at&eacute; para desfazer equ&iacute;vocos e interpreta&ccedil;&otilde;es erradas que v&ecirc;m circulando h&aacute; muitos anos. Recorde-se, por exemplo, que a &ldquo;decisiva batalha da educa&ccedil;&atilde;o&rdquo;, como lhe chamou Marcelo Caetano, introduziu um racional e uma linguagem relativamente novos para a &eacute;poca em Portugal, sob o lema da &ldquo;democratiza&ccedil;&atilde;o do ensino&rdquo;. Embora, a este prop&oacute;sito, seja crucial compreender os exatos limites pol&iacute;ticos impostos pelo Presidente do Conselho ao ministro da educa&ccedil;&atilde;o quanto &agrave; extens&atilde;o da democracia e da participa&ccedil;&atilde;o, limitadas que foram desde o in&iacute;cio: &ldquo;enquanto existisse agita&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica n&atilde;o se admitiriam representantes de estudantes nos &oacute;rg&atilde;os de governo escolar. Porque fatalmente seriam eleitos os agitadores ou seus delegados e esses &oacute;rg&atilde;os se converteriam em instrumentos de subvers&atilde;o&rdquo; (Caetano, 1974, p. 155). Desde o seu discurso de tomada de posse, em 15 de janeiro de 1970, at&eacute; 1973, ano em que a LBSE foi aprovada, o ministro Jos&eacute; Veiga Sim&atilde;o falou insistentemente de &ldquo;luta por um Portugal mais livre&rdquo;, de &ldquo;direito &agrave; educa&ccedil;&atilde;o&rdquo;, de &ldquo;liberdade consciente&rdquo;, de &ldquo;revolu&ccedil;&atilde;o pac&iacute;fica&rdquo;, de &ldquo;cruzada educacional&rdquo;, de &ldquo;igualdade de oportunidades&rdquo;, de uma &ldquo;revolu&ccedil;&atilde;o pac&iacute;fica e profunda nas escolas&rdquo; (Sim&atilde;o, 1973). A expans&atilde;o e moderniza&ccedil;&atilde;o do sistema escolar representaram linhas de for&ccedil;a centrais, tal como a nova lei org&acirc;nica do minist&eacute;rio, de 1972, onde pela primeira foi criada uma Dire&ccedil;&atilde;o-Geral da Educa&ccedil;&atilde;o Permanente (DGEP), aderindo a conceitos de circula&ccedil;&atilde;o internacional, sobretudo oriundos da UNESCO e do Conselho da Europa. Contudo, existia um pendor meritocr&aacute;tico sempre presente, uma l&oacute;gica desenvolvimentista, seja de legitima&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica do regime, seja, tamb&eacute;m, de produ&ccedil;&atilde;o de m&atilde;o de obra qualificada, numa esp&eacute;cie de vocacionalismo <i>avant la lettre</i>. A democratiza&ccedil;&atilde;o revelava-se insular e nunca chegava &agrave;s estruturas, administra&ccedil;&atilde;o, &oacute;rg&atilde;os escolares e conte&uacute;dos do ensino, antes pretendendo alargar a oferta, em busca das &ldquo;elites dos mais capazes&rdquo;, nas palavras do ministro, sem d&uacute;vida a remeter para uma esp&eacute;cie de &ldquo;aristocracia do talento&rdquo;, que fora acidamente analisada na obra cl&aacute;ssica de Michael Young (1958) e, entre n&oacute;s, criticamente assinalada pela sua &ldquo;f&oacute;rmula tecnocr&aacute;tica&rdquo; (Sim&otilde;es, 1971, p. 27), tendo sugerido a interroga&ccedil;&atilde;o pertinente de Stephen Stoer (1983; 1986, pp. 71-117): &ldquo;Projecto de Desenvolvimento Social ou &lsquo;Disfarce Humanista&rsquo;?&rdquo;.</p>     <p>As principais propostas apresentadas em 1971, atrav&eacute;s do <i>Projeto do Sistema Escolar </i>(Portugal, 1973, pp. 1-18), inclu&iacute;am: a cria&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o pr&eacute;-escolar; a idade de seis anos para o ingresso na escola prim&aacute;ria; a unifica&ccedil;&atilde;o do ensino secund&aacute;rio, atrav&eacute;s da cria&ccedil;&atilde;o de liceus cl&aacute;ssicos, t&eacute;cnicos e art&iacute;sticos; o aumento da escolaridade obrigat&oacute;ria para oito anos (quatro do ensino prim&aacute;rio e quatro do ensino preparat&oacute;rio); a cria&ccedil;&atilde;o de institutos polit&eacute;cnicos e de universidades novas (as primeiras das quais criadas em 1973); a cria&ccedil;&atilde;o de departamentos de ci&ecirc;ncias da educa&ccedil;&atilde;o nas universidades; um novo sistema de forma&ccedil;&atilde;o de professores; a assun&ccedil;&atilde;o do princ&iacute;pio da educa&ccedil;&atilde;o permanente.</p>     <p>Depois de um longo debate, com apresenta&ccedil;&atilde;o de propostas, seria remetida &agrave; Assembleia Nacional a Proposta de Lei n.&ordm; 25/X, intitulada <i>Reforma do Sistema Educativo</i>, objeto do Parecer n.&ordm; 50/X da C&acirc;mara Corporativa (Portugal, 1973, pp. 91-183). Ap&oacute;s os debates na Assembleia Nacional (Portugal, 1973, pp. 187-715), seria aprovada a Lei n.&ordm; 5/73, de 25 de julho, com 29 bases, organizadas em cinco cap&iacute;tulos (Portugal, 1973, pp. 719-736). Durante todo o processo, o lema reformista da &ldquo;democratiza&ccedil;&atilde;o do ensino&rdquo; fora uma das mat&eacute;rias mais discutidas, especialmente pelos setores da oposi&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, os quais se interrogavam como seria poss&iacute;vel atingi-la sem democratizar o pa&iacute;s, num quadro pol&iacute;tico e constitucional que contrariava as possibilidades de uma democratiza&ccedil;&atilde;o. Como j&aacute; em finais da d&eacute;cada de 1960 observara Joaquim dos Santos Sim&otilde;es, no seu livro intitulado <i>Engrenagens do Ensino</i>, &ldquo;um ensino livre numa escola livre, um ensino para todos numa escola para todos: S&oacute; numa na&ccedil;&atilde;o de todos, s&oacute; num pa&iacute;s livre&rdquo; (Sim&otilde;es, 1968, p. 33). A moderniza&ccedil;&atilde;o juridicamente encetada inclu&iacute;a a cria&ccedil;&atilde;o de escolas secund&aacute;rias unificadas, pluricurriculares e polivalentes, em vez dos tr&ecirc;s tipos de liceu anteriormente previstos, uma mediada que, incorretamente, v&aacute;rios observadores teimam em atribuir aos erros e pretensos desmandos da revolu&ccedil;&atilde;o, ignorando, ademais, o atraso portugu&ecirc;s na unifica&ccedil;&atilde;o do ensino, j&aacute; em curso em quase toda a Europa desde a d&eacute;cada anterior. O ensino secund&aacute;rio foi organizado com quatro anos de dura&ccedil;&atilde;o, dois anos do curso geral e dois anos do curso complementar, num total, n&atilde;o obrigat&oacute;rio, de 12 anos de escolaridade. Previa-se, ainda, o agrupamento de escolas secund&aacute;rias, a associa&ccedil;&atilde;o entre escolas p&uacute;blicas e particulares, e ainda entre escolas b&aacute;sicas e secund&aacute;rias. Estabelecia-se a integra&ccedil;&atilde;o de cursos de forma&ccedil;&atilde;o profissional no sistema escolar e previa-se a cria&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os de orienta&ccedil;&atilde;o escolar. Ou seja, atualizava-se e modernizava-se o sistema escolar, mais do ponto de vista estrutural e morfol&oacute;gico do que do ponto de vista de uma efetiva democratiza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o e das escolas, raz&atilde;o para que as mat&eacute;rias ligadas &agrave; governa&ccedil;&atilde;o e administra&ccedil;&atilde;o de escolas e universidades se encontrassem praticamente ausentes. Mas, por outro lado, prop&ocirc;s-se uma organiza&ccedil;&atilde;o do sistema escolar e de estruturas que viriam a exercer grande influ&ecirc;ncia no futuro, j&aacute; fora do regime autorit&aacute;rio. At&eacute; porque tais mudan&ccedil;as procuravam alinhar, com manifesto atraso, o ensino portugu&ecirc;s e o ensino na Europa desenvolvida quanto a dimens&otilde;es estruturantes e b&aacute;sicas, com implica&ccedil;&otilde;es na democratiza&ccedil;&atilde;o do acesso e numa maior igualdade de oportunidades educacionais. Em todo o caso, Stephen Stoer (1983) observou que a revolu&ccedil;&atilde;o &ldquo;remobilizou&rdquo; a Reforma Veiga Sim&atilde;o, &ldquo;deu-lhe novo vigor, tornando-a quase irreconhec&iacute;vel&rdquo; (p. 819).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Politicamente deslegitimada depois de abril de 1974, sem regulamenta&ccedil;&atilde;o, a LBSE de 1973 ficar&aacute; em suspenso no plano das orienta&ccedil;&otilde;es para a a&ccedil;&atilde;o, ultrapassada pelos factos pol&iacute;ticos e pelas din&acirc;micas escolares e, depois, tamb&eacute;m pelos normativos que legalizaram <i>a posteriori</i> muitas daquelas mudan&ccedil;as com origem nas periferias do sistema escolar. A lei, por&eacute;m, n&atilde;o deixou de exercer influ&ecirc;ncia na nova estrutura&ccedil;&atilde;o do sistema, seja durante os governos provis&oacute;rios seja durante os primeiros governos constitucionais. Uma influ&ecirc;ncia estrutural constat&aacute;vel no organigrama do sistema escolar em (re)constru&ccedil;&atilde;o lenta e, por vezes, contradit&oacute;ria. &Eacute;, por isso, imposs&iacute;vel estudar em profundidade a LBSE de 1986 sem conhecer em detalhe a lei de 1973, as suas vicissitudes e os seus dilemas, as influ&ecirc;ncias estruturais que exerceu num quadro pol&iacute;tico democr&aacute;tico que ora foi marcado por ela, ora a transcendeu inteiramente em v&aacute;rios aspetos. Tal como seria um erro estudar a lei de 1986 por simples, e direta, compara&ccedil;&atilde;o com a de 1973, como se apenas tivesse ocorrido uma transi&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica de uma para outra, com um intervalo de 13 anos, quando de facto ocorreu, de permeio, um processo revolucion&aacute;rio, uma nova Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica, o in&iacute;cio do processo de normaliza&ccedil;&atilde;o constitucional, a ades&atilde;o &agrave; CEE. De entre outras marcas, os conceitos de democracia e participa&ccedil;&atilde;o ganharam centralidade e novos significados numa LBSE que revela as influ&ecirc;ncias da Constitui&ccedil;&atilde;o. Basta lembrar que o conceito substantivo de participa&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica surge em 10% do n&uacute;mero total de artigos no texto de 1976 (39 vezes), curiosamente aumentando a sua presen&ccedil;a no texto constitucional que resultou da revis&atilde;o de 1982, onde aparece 53 vezes (em 12% dos seus artigos). Em id&ecirc;ntica linha, a participa&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica &eacute; o conceito-chave que sobressai dos cinco projetos de lei de bases apresentados no parlamento em 1985 e 1986, surgindo da seguinte forma: em 26,5% dos artigos do Projeto do MDP/CDE; em 22% dos artigos do Projeto do PCP; em 20,8% dos artigos do Projeto do PSD; em 10,6% dos artigos do Projeto do PRD; em 7,3% dos artigos do Projeto do PS. A LBSE de 1986 contemplou a participa&ccedil;&atilde;o em 12 dos seus artigos (18,5% do total de artigos). Se sujeita a distin&ccedil;&atilde;o conceptual (ver estudo mais alargado em Lima, 1992, pp. 287-302), entre &ldquo;participa&ccedil;&atilde;o educativa&rdquo; (com objetivos pedag&oacute;gicos e de forma&ccedil;&atilde;o) e &ldquo;participa&ccedil;&atilde;o na gest&atilde;o&rdquo; (na gest&atilde;o do sistema, das escolas, etc.), a LBSE contempla a primeira em nove artigos (14,4%) e a segunda encontra-se expressa em quatro artigos (6,3%).</p>     <p>A participa&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, para al&eacute;m de muitas outras diferen&ccedil;as relevantes, &eacute; a maior marca pol&iacute;tico-educativa da LBSE de 1986 e o elemento mais contrastante relativamente &agrave; LBSE de 1973, mesmo reconhecendo que a lei de 1986 perdeu alguma energia democratizadora e uma certa pot&ecirc;ncia transformadora, na linha da democracia direta e das pr&aacute;ticas de participa&ccedil;&atilde;o ativa que marcaram o per&iacute;odo revolucion&aacute;rio. De certa forma, a LBSE de 1986 &eacute; resultante de condi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas que deixaram para tr&aacute;s as din&acirc;micas autogestion&aacute;rias e de democracia direta, mas, por outro lado, ainda &eacute; impregnada por alguns princ&iacute;pios oriundos de conce&ccedil;&otilde;es de democracia participativa, designadamente de proveni&ecirc;ncia constitucional. Estabelece, por&eacute;m, muitos compromissos entre democratiza&ccedil;&atilde;o e moderniza&ccedil;&atilde;o, entre participa&ccedil;&atilde;o e racionaliza&ccedil;&atilde;o, com not&oacute;ria vantagem para as conce&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas e instrumentais de educa&ccedil;&atilde;o e forma&ccedil;&atilde;o, embora em relativo contraciclo, bastante longe daquilo que na d&eacute;cada de 1980 irrompia com for&ccedil;a assinal&aacute;vel nos pa&iacute;ses centrais: o neoliberalismo e a Nova Gest&atilde;o P&uacute;blica, a reconfigura&ccedil;&atilde;o do papel do Estado, a privatiza&ccedil;&atilde;o e as pol&iacute;ticas de devolu&ccedil;&atilde;o para o mercado e o terceiro setor, a &ldquo;gest&atilde;o centrada na escola&rdquo; e as agendas da qualidade total e da competitividade, entre outros elementos que foram largamente estudados (ver, a t&iacute;tulo de exemplo, os trabalhos de Ball, 1990; Dale, 1994; Fergusson, 1994; Neave, 1988; Smyth, 1993; e, para o caso portugu&ecirc;s, Lima &amp; Afonso, 1993).</p>     <p>A lei de 1986 assegura, no entanto, princ&iacute;pios democr&aacute;ticos fundamentais e obriga&ccedil;&otilde;es do Estado para com a escola p&uacute;blica que, para certos observadores, s&atilde;o considerados insuficientes e resultantes de compromissos critic&aacute;veis, j&aacute; marcados pelo neoliberalismo; por&eacute;m, para outros setores, representam verdadeiros obst&aacute;culos a uma reforma desestatizante da educa&ccedil;&atilde;o, capaz de garantir a livre escolha das escolas, uma maior competi&ccedil;&atilde;o entre p&uacute;blico e privado, uma melhor adequa&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o e forma&ccedil;&atilde;o aos chamados imperativos da economia e da competitividade. Compreende-se, do ponto de vista anal&iacute;tico, a oposi&ccedil;&atilde;o apenas assinalada entre os atuais defensores da LBSE (alguns dos quais outrora mais cr&iacute;ticos do texto) e aqueles atores pol&iacute;ticos que nela tendo votado a consideram, agora, um entrave &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de novas agendas que entendem como priorit&aacute;rias. E tamb&eacute;m por isso a mudan&ccedil;a da atual LBSE representar&aacute; um processo dif&iacute;cil, o que, no limite, lhe poder&aacute; vir a garantir uma ainda maior longevidade, em boa parte por falta de condi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas para a sua substitui&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>O car&aacute;ter h&iacute;brido e contradit&oacute;rio da LBSE de 1986 resulta da sua natureza e esta prov&eacute;m de um contexto concreto e de uma correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as pol&iacute;ticas muito particulares. Atualmente, por exemplo, PSD e CDS revelam-se bastante mais pr&oacute;ximos nas suas cr&iacute;ticas &agrave; LBSE, quando, em 1986, o CDS votou contra a lei e o PSD assumiu propostas n&atilde;o genericamente muito diferentes daquelas que o PS defendeu e, nalguns casos, foi mais longe na extens&atilde;o do princ&iacute;pio da participa&ccedil;&atilde;o, como vimos antes.</p>     <p>N&atilde;o sendo, para muitos, a LBSE que se esperaria ap&oacute;s uma revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, est&aacute;, por outro lado, longe de ser aquilo que seria expect&aacute;vel, em 1986, face ao rumo seguido pelas pol&iacute;ticas educativas em pa&iacute;ses europeus e de outros continentes, onde a Nova Direita, os partidos neoconservadores e, tamb&eacute;m, alguns partidos trabalhistas e sociais-democratas introduziram reformas de signo gerencialista. O pa&iacute;s inscreveu-se, com atraso, nas din&acirc;micas pol&iacute;ticas internacionais e, sobretudo, europeias, mas inscreveu-se de acordo com as suas especificidades e contradi&ccedil;&otilde;es, podendo-se concluir que a LBSE foi aprovada em relativo contraciclo face aos pa&iacute;ses centrais. Embora o mesmo n&atilde;o possa ser conclu&iacute;do relativamente aos programas pol&iacute;ticos e &agrave; legisla&ccedil;&atilde;o ordin&aacute;ria que, ao longo das &uacute;ltimas tr&ecirc;s d&eacute;cadas, t&ecirc;m dominado em Portugal. Donde se conclui que a LBSE tem revelado bastante plasticidade, talvez em demasia nalguns casos, s&oacute; a espa&ccedil;os sendo apontada como obst&aacute;culo de monta &agrave;s mudan&ccedil;as na educa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Apropria&ccedil;&otilde;es seletivas</b></p>     <p>A rece&ccedil;&atilde;o e apropria&ccedil;&atilde;o da LBSE pelos sucessivos governos, desde logo pelos dois governos maiorit&aacute;rios do PSD, cumprindo quase uma d&eacute;cada de governa&ccedil;&atilde;o, revelaram-se contradit&oacute;rias. O contexto de apropria&ccedil;&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o legislativa oscilou entre l&oacute;gicas de democratiza&ccedil;&atilde;o e expans&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o escolar, refor&ccedil;ando o papel do Estado, e, por outro lado, movimentos de inibi&ccedil;&atilde;o da interven&ccedil;&atilde;o estatal em certas &aacute;reas, com especial destaque para a liberaliza&ccedil;&atilde;o do ensino superior, favorecendo a abertura, sem precedentes, deste campo &agrave; iniciativa privada. As t&oacute;nicas colocadas no ensino e na forma&ccedil;&atilde;o profissionais, na escolariza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o de adultos, numa reforma curricular de pendor modernizante, na introdu&ccedil;&atilde;o das agendas da avalia&ccedil;&atilde;o e da qualidade, de certo modo procurando contrabalan&ccedil;ar uma quantidade necess&aacute;ria mas, intrinsecamente, associada a uma certa perda de qualidade, representaram t&oacute;picos relevantes. Simultaneamente, os objetivos de expans&atilde;o e democratiza&ccedil;&atilde;o do acesso e do sucesso educativos exigiam, at&eacute; de acordo com os diagn&oacute;sticos ent&atilde;o elaborados e alguns discursos pol&iacute;ticos, uma profunda altera&ccedil;&atilde;o das estruturas de governo e de administra&ccedil;&atilde;o do sistema escolar e das escolas, aproveitando certos princ&iacute;pios consagrados na LBSE. Mas a democratiza&ccedil;&atilde;o, a descentraliza&ccedil;&atilde;o e a autonomia (com relativa exce&ccedil;&atilde;o do ensino superior em finais da d&eacute;cada de 1980) n&atilde;o constitu&iacute;ram prioridades, ao contr&aacute;rio do que sucedeu relativamente &agrave; reforma do curr&iacute;culo e da avalia&ccedil;&atilde;o, ao incremento da forma&ccedil;&atilde;o profissional, &agrave; expans&atilde;o do ensino superior privado. A reforma global e integrada que havia sido anunciada revelava-se, ao inv&eacute;s, um processo cindido e fragmentado, a v&aacute;rias velocidades, relativamente desconexo. Bastar&aacute; lembrar que as medidas estruturantes da ent&atilde;o designada reforma da gest&atilde;o escolar apenas surgiriam, e a t&iacute;tulo meramente experimental, em 1991, atrav&eacute;s do Decreto-Lei n.&ordm; 172/91, tendo, para a generalidade das escolas, sido concretizadas juridicamente somente em 1998, mais de uma d&eacute;cada depois da aprova&ccedil;&atilde;o da LBSE. Estas intermit&ecirc;ncias, descompassos, medidas contradit&oacute;rias e apropria&ccedil;&otilde;es seletivas, ficar&atilde;o na hist&oacute;ria do desenvolvimento da LBSE de 1986 e de uma reforma educativa que foi apresentada atrav&eacute;s de uma &ldquo;Proposta Global&rdquo;, mas que cedo foi objeto de uma concretiza&ccedil;&atilde;o parcial e consideravelmente diferida no tempo. Para al&eacute;m de vir, apenas uma d&eacute;cada depois, a ser governamentalmente rejeitada como conceito e como instrumento de mudan&ccedil;a da educa&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s dos discursos p&uacute;blicos do ministro Eduardo Mar&ccedil;al Grilo. Ainda por completar, e muito menos de forma integrada, as l&oacute;gicas reformistas seriam substitu&iacute;das pela descren&ccedil;a pol&iacute;tica nas grandes reformas enquanto complexos jur&iacute;dicos globais e integrados, assim refor&ccedil;ando l&oacute;gicas de a&ccedil;&atilde;o governativa de tipo p&oacute;s-reformista (Lima, 2000) ou, como tamb&eacute;m foram designadas, de fei&ccedil;&atilde;o neo-reformista (Afonso, 2000). Isto mesmo foi destacado, de distintas formas e para diferentes &aacute;reas, no estudo publicado pelo Conselho Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s do qual se procurou realizar um balan&ccedil;o dos 20 anos da educa&ccedil;&atilde;o, ap&oacute;s a publica&ccedil;&atilde;o da LBSE, a partir da investiga&ccedil;&atilde;o realizada no pa&iacute;s (ver Lima, Pacheco, Esteves, &amp; Can&aacute;rio, 2007), nos trabalhos resultantes da iniciativa &ldquo;Pensar a Educa&ccedil;&atilde;o&rdquo;, coordenada por Manuela Silva (2015, 2016), e, ainda, nos dois volumes organizados pelo Conselho Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o (CNE, 2017).</p>     <p>Sem possibilidade de proceder, aqui, a uma an&aacute;lise setorial e minimamente sistem&aacute;tica do processo de rece&ccedil;&atilde;o governamental da LBSE, que em v&aacute;rios casos se encontra ainda por realizar, s&atilde;o apresentados, seguidamente, apenas alguns exemplos considerados mais significativos da j&aacute; referida apropria&ccedil;&atilde;o seletiva, incluindo alguns casos marcados por contradi&ccedil;&otilde;es, impasses e, at&eacute;, d&uacute;vidas quanto &agrave; legalidade de certas solu&ccedil;&otilde;es. Globalmente, por&eacute;m, entende-se que o exemplo gen&eacute;rico mais significativo resultar&aacute;, desde logo, da avalia&ccedil;&atilde;o que cada leitor possa fazer de cada um dos &ldquo;temas maiores&rdquo; da LBSE, de acordo com a express&atilde;o e a sele&ccedil;&atilde;o de Eurico Lemos Pires (1987, p. 19), seja individualmente considerados, seja quando apreciados em conjunto, n&atilde;o s&oacute; por refer&ecirc;ncia &agrave; a&ccedil;&atilde;o legislativa, mas tamb&eacute;m &agrave; efetiva&ccedil;&atilde;o de mudan&ccedil;as concretas no plano da a&ccedil;&atilde;o: estrutura geral do sistema educativo; estrutura e defini&ccedil;&atilde;o do ensino b&aacute;sico; organiza&ccedil;&atilde;o do ensino superior; forma&ccedil;&atilde;o de professores para o ensino b&aacute;sico; administra&ccedil;&atilde;o do sistema escolar, ensino particular e cooperativo.</p>     <p>Merece destaque, no que concerne ao &ldquo;&acirc;mbito da lei&rdquo;, a atual e manifesta tens&atilde;o estrutural, aparentemente sem respaldo jur&iacute;dico da LBSE, entre o que se entende por educa&ccedil;&atilde;o e respetivo minist&eacute;rio, por um lado, e o setor governamental do ensino superior e da ci&ecirc;ncia e tecnologia, com o seu minist&eacute;rio pr&oacute;prio, por outro. A LBSE &eacute; clara, dispondo que &ldquo;A coordena&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica relativa ao sistema educativo, independentemente das institui&ccedil;&otilde;es que o comp&otilde;em, incumbe a um minist&eacute;rio especialmente vocacionado para o efeito&rdquo; (Artigo 1.&ordm;). Tal minist&eacute;rio n&atilde;o &eacute; nomeado, simplesmente, porque &eacute; da compet&ecirc;ncia da cada governo, no &acirc;mbito da sua org&acirc;nica, escolher aquela designa&ccedil;&atilde;o e os setores associados, mas j&aacute; n&atilde;o cabe a cada governo decidir sobre a separa&ccedil;&atilde;o entre o ensino b&aacute;sico e secund&aacute;rio, por um lado, e o ensino superior, por outro. Como enfaticamente conclui Pires (1987), &ldquo;as iniciativas e institui&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o se sujeitarem a esta coordena&ccedil;&atilde;o [de um minist&eacute;rio], sejam quais forem as raz&otilde;es, e as especificidades em causa, n&atilde;o fazem parte do sistema educativo definido e regulado na Lei, com todas as implica&ccedil;&otilde;es previs&iacute;veis&rdquo; (p. 23), apontando o autor, em nota, o exemplo do reconhecimento de diplomas para v&aacute;rios efeitos. Como se sabe, v&aacute;rios governos t&ecirc;m subtra&iacute;do o ensino superior &agrave; a&ccedil;&atilde;o do minist&eacute;rio da educa&ccedil;&atilde;o, associando-o &agrave; ci&ecirc;ncia e tecnologia e &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o, como se o ensino superior n&atilde;o fosse educa&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o devesse estar dependente da coordena&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de um &uacute;nico minist&eacute;rio. Frontalmente contrariada a LBSE, compreende-se como as din&acirc;micas de cis&atilde;o entre ensino e investiga&ccedil;&atilde;o, tecnologia, patentes, financiamentos competitivos, etc., parecem ser definidas, implicitamente, pelos &uacute;ltimos governos, como estando fora, ou para al&eacute;m, da educa&ccedil;&atilde;o e da respetiva coordena&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, o que, a ser formalmente verdade, exigiria uma lei de bases da ci&ecirc;ncia, tecnologia e ensino superior e a altera&ccedil;&atilde;o da atual LBSE.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mas a amplitude do conceito de sistema educativo, que &eacute; associada na LBSE ao princ&iacute;pio da educa&ccedil;&atilde;o permanente, &eacute; ainda contrariada frequentemente, tudo ou quase tudo tendo sido reduzido ao universo escolar, formal, relativo a crian&ccedil;as e a jovens, remetendo as dimens&otilde;es alternativas e complementares para aquilo que a pr&oacute;pria LBSE designou por educa&ccedil;&atilde;o &ldquo;extra-escolar&rdquo;. A educa&ccedil;&atilde;o de adultos, por exemplo, foi sendo sucessivamente limitada &agrave; forma&ccedil;&atilde;o profissional de &ldquo;ativos&rdquo;, vendo reduzido e apagado o seu campo de a&ccedil;&atilde;o, mesmo em per&iacute;odos intermitentes de maior investimento pol&iacute;tico, a modalidades de segunda oportunidade, relativas a &ldquo;qualifica&ccedil;&otilde;es escolares e profissionais&rdquo; e atrav&eacute;s de processos de reconhecimento de adquiridos experienciais.</p>     <p>Em termos mais gerais, a LBSE insiste discursivamente na &ldquo;educa&ccedil;&atilde;o para a transforma&ccedil;&atilde;o progressiva do meio social, numa l&oacute;gica de desenvolvimento humano&rdquo;, mas o que tem vindo a imperar em v&aacute;rias &aacute;reas &eacute; uma l&oacute;gica vocacionalista, de tipo funcional e adaptativo, focada na forma&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o de recursos humanos para o crescimento econ&oacute;mico, a competitividade e o emprego, orienta&ccedil;&atilde;o refor&ccedil;ada pela Uni&atilde;o Europeia, a OCDE e, com menor insist&ecirc;ncia, tamb&eacute;m mesmo pela UNESCO.</p>     <p>Entretanto, foi valorizada a educa&ccedil;&atilde;o de inf&acirc;ncia, atrav&eacute;s da categoria, conceptualmente discut&iacute;vel, de &ldquo;educa&ccedil;&atilde;o pr&eacute;-escolar&rdquo;. A amplitude dos seus prop&oacute;sitos educativos e a margem de liberdade do seu desenvolvimento t&ecirc;m, contudo, vindo a ser limitados segundo uma certa formaliza&ccedil;&atilde;o ou <i>curriculariza&ccedil;&atilde;o</i>, com sinais crescentes ao longo dos &uacute;ltimos anos, n&atilde;o sendo de estranhar, em conson&acirc;ncia, a dissemina&ccedil;&atilde;o, j&aacute; com manifesta&ccedil;&otilde;es em Di&aacute;rio da Rep&uacute;blica, da express&atilde;o &ldquo;ensino pr&eacute;-escolar&rdquo;, sugerindo todo um programa alternativo face &agrave; especificidade e &agrave; autonomia que lhe s&atilde;o reconhecidas na LBSE, muito para al&eacute;m da sua subordina&ccedil;&atilde;o a um processo de prepara&ccedil;&atilde;o, eventualmente por antecipa&ccedil;&atilde;o, dos tra&ccedil;os mais comuns da educa&ccedil;&atilde;o escolar.</p>     <p>Estabeleceu a lei a unifica&ccedil;&atilde;o de todo o ensino b&aacute;sico, sujeito ao princ&iacute;pio (t&atilde;o caro a Eurico Lemos Pires), da &ldquo;sequencialidade progressiva&rdquo;, mas que, por outro lado, tem sido posto em causa atrav&eacute;s de vias e cursos diferenciados, tendo-se chegado a admitir um sistema de tipo dual. Por outro lado, permanecem por resolver os problemas da organiza&ccedil;&atilde;o dos tr&ecirc;s ciclos do ensino b&aacute;sico que a lei consagrou e cuja resolu&ccedil;&atilde;o exigiria, possivelmente, a ado&ccedil;&atilde;o de um primeiro ciclo de seis anos e de um segundo ciclo de tr&ecirc;s anos, de acordo com a op&ccedil;&atilde;o que vigora num elevado n&uacute;mero de pa&iacute;ses.</p>     <p>No que concerne ao ensino superior, definiu a lei um sistema dual &ndash; universit&aacute;rio e polit&eacute;cnico &ndash;, mas a distin&ccedil;&atilde;o &eacute; t&eacute;nue, estando hoje em causa atrav&eacute;s de fen&oacute;menos de &ldquo;universitariza&ccedil;&atilde;o&rdquo; do ensino polit&eacute;cnico e, simultaneamente, de &ldquo;politecniciza&ccedil;&atilde;o&rdquo; do ensino universit&aacute;rio, com desenvolvimentos recentes que parecem corresponder mais a reivindica&ccedil;&otilde;es do que a solu&ccedil;&otilde;es baseadas em princ&iacute;pios claros. Em qualquer dos casos, e para al&eacute;m das solu&ccedil;&otilde;es em curso, note-se como a forma&ccedil;&atilde;o de professores e educadores permanece um problema por afrontar, dificilmente se compaginando com uma forma&ccedil;&atilde;o de voca&ccedil;&atilde;o polit&eacute;cnica.</p>     <p>Quanto &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, ainda dentro do per&iacute;metro da LBSE em termos jur&iacute;dicos formais, disp&ocirc;s-se que &ldquo;o Estado deve assegurar as condi&ccedil;&otilde;es materiais e culturais de cria&ccedil;&atilde;o e investiga&ccedil;&atilde;o&rdquo; (Artigo 15.&ordm;), algo que foi de tal forma adulterado que chega a assemelhar-se exatamente &agrave; situa&ccedil;&atilde;o oposta, num contexto de permanente subfinanciamento, desinstitucionaliza&ccedil;&atilde;o e precariza&ccedil;&atilde;o, sob os rigores da performatividade competitiva, do &ldquo;capitalismo acad&eacute;mico&rdquo; e da &ldquo;melhor ci&ecirc;ncia&rdquo;.</p>     <p>Em concord&acirc;ncia com o princ&iacute;pio da regionaliza&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s, expresso na Constitui&ccedil;&atilde;o, a LBSE prev&ecirc; a cria&ccedil;&atilde;o de &ldquo;departamentos regionais de educa&ccedil;&atilde;o&rdquo;, n&atilde;o como meras extens&otilde;es desconcentradas do minist&eacute;rio, como viriam a ser as dire&ccedil;&otilde;es regionais de educa&ccedil;&atilde;o criadas logo em 1987, mas como &oacute;rg&atilde;os descentralizados e aut&oacute;nomos. Mas aqueles departamentos regionais nunca chegaram a ser criados, de resto tal como a regionaliza&ccedil;&atilde;o, tendo antes ocorrido uma recentraliza&ccedil;&atilde;o de poderes por via de uma desconcentra&ccedil;&atilde;o radical da administra&ccedil;&atilde;o escolar, hoje representada pelas sedes dos pr&oacute;prios agrupamentos de escolas.</p>     <p>Em mat&eacute;ria de gest&atilde;o democr&aacute;tica, de participa&ccedil;&atilde;o e de autonomia, a LBSE revelou-se bastante menos generosa para com as escolas b&aacute;sicas e secund&aacute;rias do que foi para o ensino superior. Mesmo assim, a legisla&ccedil;&atilde;o ordin&aacute;ria tem estado muito longe de ter esgotado as potencialidades democr&aacute;ticas contidas na lei. Hoje estamos confrontados com m&iacute;nimos democr&aacute;ticos nas escolas, perante uma crise da participa&ccedil;&atilde;o e da colegialidade, favorecendo l&oacute;gicas lideracionistas e unipessoais, perante uma fraca viv&ecirc;ncia democr&aacute;tica nas escolas, onde n&atilde;o prevalecem os crit&eacute;rios educativos e pedag&oacute;gicos sobre os crit&eacute;rios administrativos e as l&oacute;gicas gerencialistas e, pelo contr&aacute;rio, se manifesta com vigor uma hiperburocracia digital que tudo parece formalizar, racionalizar e controlar a dist&acirc;ncia, mas em tempo real.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Nota final</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os exemplos acima apresentados exigem desenvolvimentos posteriores e, para al&eacute;m disso, a inclus&atilde;o de muitas outras &aacute;reas (educa&ccedil;&atilde;o especial, ensino particular e cooperativo, avalia&ccedil;&atilde;o, curr&iacute;culo e did&aacute;tica, etc.), mas s&atilde;o suficientes para se poder concluir, dentro dos limites deste trabalho, qu&atilde;o complexa &eacute; a LBSE de 1986 e, tamb&eacute;m, qu&atilde;o diversas e contradit&oacute;rias t&ecirc;m sido as agendas governativas atrav&eacute;s das quais a lei tem sido interpretada, recontextualizada, seletivamente apropriada. Existem mat&eacute;rias relativamente &agrave;s quais a LBSE, mesmo n&atilde;o se revelando particularmente avan&ccedil;ada (como s&atilde;o os casos da educa&ccedil;&atilde;o de adultos e da autonomia das escolas, por exemplo), tem ficado por cumprir, atrav&eacute;s de legisla&ccedil;&atilde;o ordin&aacute;ria que consegue ficar aqu&eacute;m das possibilidades em aberto. Noutros casos, contudo, &eacute; o oposto, sendo leg&iacute;timas as d&uacute;vidas sobre o cumprimento substantivo das disposi&ccedil;&otilde;es constantes na lei, mas j&aacute; por factos e decis&otilde;es que parecem ultrapass&aacute;-la (por exemplo o caso da cria&ccedil;&atilde;o de um minist&eacute;rio da ci&ecirc;ncia, tecnologia e ensino superior).</p>     <p>Em qualquer dos casos, uma lei em a&ccedil;&atilde;o &eacute; isso mesmo, um referencial pol&iacute;tico normativo que s&oacute; aparentemente &eacute; est&aacute;tico e se encontra enclausurado num texto, inscrito no plano das orienta&ccedil;&otilde;es para a a&ccedil;&atilde;o, mesmo quando formalmente n&atilde;o muda a letra da lei. O que muda, seguramente, s&atilde;o os tempos, e com os tempos as vontades, os atores, as agendas pol&iacute;ticas, como se tem visto ao longo das &uacute;ltimas tr&ecirc;s d&eacute;cadas, e por vezes com certa radicalidade, seja no plano das orienta&ccedil;&otilde;es para a a&ccedil;&atilde;o seja no plano da a&ccedil;&atilde;o concreta, efetivamente atualizada nos distintos n&iacute;veis e lugares e, finalmente, em cada organiza&ccedil;&atilde;o educativa.</p>     <p>A LBSE de 1986, por tudo isto, arrisca-se, hoje, a n&atilde;o agradar cabalmente a nenhum setor pol&iacute;tico, mantendo-se em vigor sobretudo pelas circunst&acirc;ncias e respetivas correla&ccedil;&otilde;es de for&ccedil;as no parlamento. Claramente considerada desadequada e fora das exig&ecirc;ncias do tempo presente por parte de certos partidos pol&iacute;ticos, a verdade &eacute; que esses t&ecirc;m governado com bastante amplitude de movimentos, mesmo quando s&atilde;o acusados de n&atilde;o respeitarem a lei ou de, pelo menos, a interpretarem nos limites da legalidade. Por outro lado, considerada incapaz de aprofundar certas &aacute;reas entendidas como priorit&aacute;rias por setores pol&iacute;ticos distintos, at&eacute; perante a j&aacute; eventualmente demonstrada incapacidade de lhes dar resposta satisfat&oacute;ria dentro dos seus limites e das solu&ccedil;&otilde;es que permite, tende, apesar disso, a ser aceite como um mal menor perante uma eventual mudan&ccedil;a que se arriscaria a consagrar medidas qualificadas como inaceit&aacute;veis e a favorecer um alinhamento com os princ&iacute;pios pol&iacute;ticos de fei&ccedil;&atilde;o neoliberal e neoconservadora. E, em tal caso, a LBSE ainda em vigor poder&aacute; funcionar, ao menos parcialmente, como um trav&atilde;o, um &uacute;ltimo reduto normativo que poder&aacute; impedir, ou dificultar, a emerg&ecirc;ncia de males considerados maiores.</p>     <p>Entretanto, em face do crescente conflito pol&iacute;tico e ideol&oacute;gico em torno da educa&ccedil;&atilde;o, da forma&ccedil;&atilde;o, da aprendizagem, das compet&ecirc;ncias e das qualifica&ccedil;&otilde;es dos portugueses, evidenciando um cada vez maior distanciamento entre distintos atores institucionais e distintas agendas pol&iacute;ticas para a educa&ccedil;&atilde;o, parece consideravelmente dif&iacute;cil chegar, nos pr&oacute;ximos tempos, a um compromisso negociado no parlamento. Isto poder&aacute; significar que a atual LBSE ser&aacute;, quando muito, sujeita a altera&ccedil;&otilde;es pontuais e consideradas imprescind&iacute;veis, mas que, globalmente e em termos substantivos, ainda poder&aacute; vir a conhecer uma vig&ecirc;ncia maior do que aquela que j&aacute; regista neste momento.</p>     <p>Em qualquer dos casos, as din&acirc;micas pol&iacute;ticas e educativas nunca resultam apenas de injun&ccedil;&otilde;es normativas, nem da a&ccedil;&atilde;o aparentemente demi&uacute;rgica do legislador. Mesmo no quadro de uma administra&ccedil;&atilde;o centralizada do sistema de ensino e das escolas, como continua a ser a portuguesa, apesar das promessas de autonomia e, mais recentemente, dos an&uacute;ncios de descentraliza&ccedil;&atilde;o a n&iacute;vel municipal, n&atilde;o h&aacute; leis, normas e regras absolutamente &agrave; prova de atores sociais perif&eacute;ricos em termos de poder. O poder pol&iacute;tico deveria sab&ecirc;-lo j&aacute;; os investigadores n&atilde;o podem, em caso algum, ignor&aacute;-lo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Afonso, A. J. (1998). <i>Pol&iacute;ticas educativas e avalia&ccedil;&atilde;o educacional. Para uma an&aacute;lise sociol&oacute;gica da reforma educativa em Portugal (1985-1995)</i>. Braga: Instituto de Educa&ccedil;&atilde;o e Psicologia da Universidade do Minho.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=769959&pid=S0871-9187201800020000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Afonso, A. J. (2000). Pol&iacute;ticas educativas em Portugal (1985-2000): A reforma global, o pacto educativo e os reajustamentos neo-reformistas. In A. Catani &amp; R. Oliveira (Orgs.), <i>Reformas educacionais em Portugal e no Brasil </i>(pp. 17&ndash;40). Belo Horizonte: Aut&ecirc;ntica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Almeida Costa, A. (2002). Dr. Ant&oacute;nio Almeida Costa: Entrevista. In A. Teodoro (Ed.), <i>As pol&iacute;ticas de educa&ccedil;&atilde;o em discurso directo (1955-1995)</i> (pp. 501&ndash;523). Lisboa: Instituto de Inova&ccedil;&atilde;o Educacional.</p>     <p>Ball, S. J. (1990). Management as moral technology. In S. J. Ball (Org.), <i>Foucault and education </i>(pp. 153&ndash;166). Londres: Routledge.</p>     <!-- ref --><p>Caetano, M. (1974). <i>Depoimento</i>. Rio de Janeiro: Record.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=769964&pid=S0871-9187201800020000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Campos, B. P. (1987). Pref&aacute;cio: Constru&ccedil;&atilde;o e alcance da Lei de Bases do Sistema Educativo. In E. L. Pires, <i>Lei de Bases do Sistema Educativo: Apresenta&ccedil;&atilde;o e coment&aacute;rios </i>(pp. 5&ndash;13). Porto: Asa.</p>     <p>Campos, B. P. (2002). Professor Doutor B&aacute;rtolo Paiva Campos: Entrevista. In A. Teodoro (Ed.), <i>As pol&iacute;ticas de educa&ccedil;&atilde;o em discurso directo (1955-1995)</i> (pp. 459&ndash;472). Lisboa: Instituto de Inova&ccedil;&atilde;o Educacional.</p>     <p>Carneiro, R. (2002). Eng.&ordm; Roberto da Luz Carneiro: Entrevista. In A. Teodoro (Ed.), <i>As pol&iacute;ticas de educa&ccedil;&atilde;o em discurso directo (1955-1995)</i> (pp. 317&ndash;338). Lisboa: Instituto de Inova&ccedil;&atilde;o Educacional.</p>     <!-- ref --><p>Comiss&atilde;o de Reforma do Sistema Educativo. (1986). <i>Projecto global de actividades</i>. Lisboa: Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=769969&pid=S0871-9187201800020000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Comiss&atilde;o de Reforma do Sistema Educativo. (1988). <i>Projecto global de reforma</i>. Lisboa: Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=769971&pid=S0871-9187201800020000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Conselho Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o (2017). <i>Lei de Bases do Sistema Educativo: Balan&ccedil;o e prospetiva (Vols. I e II)</i>. Lisboa: Conselho Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=769973&pid=S0871-9187201800020000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Dale, R. (1994). A promo&ccedil;&atilde;o do mercado educacional e a polariza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o. <i>Educa&ccedil;&atilde;o, Sociedade &amp; Culturas,</i><i>2</i>, 109&ndash;139.</p>     <p>Fergusson, R. (1994). Managerialism in education. In J. Clarke, A. Cochrane., &amp; E. McLaughin (Orgs.), <i>Managing social policy </i>(pp. 93&ndash;114). Londres: Sage.</p>     <p>Formosinho, J. (1991). Concep&ccedil;&otilde;es de escola na reforma educativa. In AAVV, <i>Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o em Portugal: Situa&ccedil;&atilde;o actual e perspectivas</i> (pp. 31&ndash;51). Porto: Sociedade Portuguesa de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Gr&aacute;cio, R. (1991). Das Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o em Portugal: Um testemunho. In AAVV, <i>Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o em Portugal: Situa&ccedil;&atilde;o actual e perspectivas</i> (pp. 13&ndash;21). Porto: Sociedade Portuguesa de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o.</p>     <!-- ref --><p>Lima, L. C. (1992). <i>A escola como organiza&ccedil;&atilde;o e a participa&ccedil;&atilde;o na organiza&ccedil;&atilde;o escolar</i>. <i>Um estudo da escola secund&aacute;ria em Portugal (1974-1988)</i>. Braga: Instituto de Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade do Minho.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=769979&pid=S0871-9187201800020000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Lima, L. C. (2000). Administra&ccedil;&atilde;o escolar em Portugal: Da revolu&ccedil;&atilde;o, da reforma e das decis&otilde;es pol&iacute;ticas p&oacute;s-reformistas. In A. Catani &amp; R. Oliveira (Orgs.), <i>Reformas educacionais em Portugal e no Brasil </i>(pp. 41&ndash;76). Belo Horizonte: Aut&ecirc;ntica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Lima, L. C. (2018). Privatiza&ccedil;&atilde;o <i>lato sensu</i> e impregna&ccedil;&atilde;o empresarial na gest&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. <i>Curr&iacute;culo sem Fronteiras, 18</i>(1) 129&ndash;144.</p>     <p>Lima, L. C., &amp; Afonso, A. J. (1993). A emerg&ecirc;ncia de pol&iacute;ticas de racionaliza&ccedil;&atilde;o, de avalia&ccedil;&atilde;o e de controle da qualidade na reforma educativa em Portugal. <i>Educa&ccedil;&atilde;o &amp; Sociedade</i>, <i>44</i>, 33&ndash;49.</p>     <!-- ref --><p>Lima, L. C., Pacheco, J. A., Esteves, M., &amp; Can&aacute;rio, R. (2007). <i>A educa&ccedil;&atilde;o em Portugal (1986-2006): Alguns contributos de investiga&ccedil;&atilde;o</i>. Lisboa: Conselho Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=769984&pid=S0871-9187201800020000700020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Neave, G. (1988). On the cultivation of quality, efficiency and enterprise: An overview of recent trends in higher education in Western Europe, 1986-1988. <i>European Journal of Education, 23</i>(1/2)<i>,</i> 7&ndash;23.</p>     <p>Patr&iacute;cio, M. F. (2002). Professor Doutor Manuel Ferreira Patr&iacute;cio: Entrevista. In A. Teodoro (Ed.), <i>As pol&iacute;ticas de educa&ccedil;&atilde;o em discurso directo (1955-1995)</i> (pp. 659&ndash;681). Lisboa: Instituto de Inova&ccedil;&atilde;o Educacional.</p>     <p>Pinheiro, J. D. (2002). Professor Doutor Jo&atilde;o de Deus Pinheiro: Entrevista. In A. Teodoro (Ed.), <i>As pol&iacute;ticas de educa&ccedil;&atilde;o em discurso directo (1955-1995)</i> (pp. 305&ndash;316). Lisboa: Instituto de Inova&ccedil;&atilde;o Educacional.</p>     <!-- ref --><p>Pires, E. L. (1987). <i>Lei de Bases do Sistema Educativo: Apresenta&ccedil;&atilde;o e coment&aacute;rios</i>. Porto: Asa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=769989&pid=S0871-9187201800020000700024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Rodrigues, M. L., Sebasti&atilde;o, J., Mata, J. T., Capucha, L., Ara&uacute;jo, L., Silva, M. V., Cruz, S., &amp;, Lemos, V. (2016). <i>Educa&ccedil;&atilde;o: 30 anos de Lei de Bases</i>. Lisboa: Mundos Sociais.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=769991&pid=S0871-9187201800020000700025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Silva, M., Cabrito, B., Fernandes, G. L., Lopes, M. C., Ribeiro, M E., Carneiro, M. R. (2015). <i>Pensar a educa&ccedil;&atilde;o</i>. Lisboa: EDUCA/Instituto de Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade de Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=769993&pid=S0871-9187201800020000700026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Silva, M., Cabrito, B., Fernandes, G. L., Lopes, M. C., Ribeiro, M E., &amp; Carneiro, M. R. (2016). <i>Pensar a educa&ccedil;&atilde;o: Temas sectoriais</i>. Lisboa: EDUCA/Instituto de Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade de Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=769995&pid=S0871-9187201800020000700027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Sim&atilde;o, J. V. (1973). <i>Educa&ccedil;&atilde;o&hellip; Caminhos de liberdade: Tr&ecirc;s anos de governo</i>. Lisboa: Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o Nacional.</p>     <!-- ref --><p>Sim&otilde;es, J. S. (1968). <i>Engrenagens do ensino</i>. Porto: Nova Realidade.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=769998&pid=S0871-9187201800020000700029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Sim&otilde;es, J. S. (1971). <i>Ensino. Projecto de reforma ou reforma do projecto? </i>Porto: Raz&atilde;o Actual.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=770000&pid=S0871-9187201800020000700030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Smyth, J. (Org.). (1993). <i>A socially critical view of the self-managing school</i>. Londres: The Falmer Press.</p>     <p>Stoer, S. R. (1983). A reforma de Veiga Sim&atilde;o no ensino: Projecto de desenvolvimento social ou disfarce humanista? <i>An&aacute;lise Social</i>, <i>77/78/79</i>, 61&ndash;83.</p>     <!-- ref --><p>Stoer, S. R. (1986). <i>Educa&ccedil;&atilde;o e mudan&ccedil;a social em Portugal: 1970-1980, uma d&eacute;cada de transi&ccedil;&atilde;o</i>. Porto: Afrontamento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=770004&pid=S0871-9187201800020000700033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Teodoro, A. (2001). <i>A constru&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica da educa&ccedil;&atilde;o. Estado, mudan&ccedil;a social e pol&iacute;ticas educativas no Portugal contempor&acirc;neo</i>. Porto: Afrontamento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=770006&pid=S0871-9187201800020000700034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Young, M. (1958). <i>The rise of the meritocracy, 1870-2033: An essay on education and equality</i>. Londres: Thames and Hudson.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=770008&pid=S0871-9187201800020000700035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p><b>Legisla&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Portugal. (1973). <i>Reforma do sistema educativo</i>. Lisboa: Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o Nacional.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Portugal. (1986). <i>Resolu&ccedil;&atilde;o do Conselho de Ministros n.&ordm; 8/86 &ndash; Cria&ccedil;&atilde;o da Comiss&atilde;o de Reforma do Sistema Educativo.</i> Di&aacute;rio da Rep&uacute;blica n.&ordm; 18, de 22 de janeiro de 1986.</p>     <p>Portugal. (2003a). <i>Proposta de Lei n.&ordm; 74/IX &ndash; Lei de Bases da Educa&ccedil;&atilde;o</i>, aprovada em Conselho de Ministros de 27 de maio de 2003 e apresentada &agrave; Assembleia da Rep&uacute;blica (XV Governo constitucional).</p>     <p>Portugal. (2003b). <i>Di&aacute;rio da Assembleia da Rep&uacute;blica, 1.&ordf; Sess&atilde;o Legislativa (2002-2003)</i>. IX Legislatura, julho de 2003.</p>     <p>Portugal. (2004). <i>Veto Presidencial</i>. Decreto n.&ordm; 184/IX, de 29 de julho de 2004: Mensagem do Presidente da Rep&uacute;blica fundamentando a n&atilde;o promulga&ccedil;&atilde;o da Lei de Bases da Educa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p> <a href="#topc0">Endereço para Correspondência</a><a name="c0"></a>     <p>Toda a correspond&ecirc;ncia relativa a este artigo deve ser enviada para: Lic&iacute;nio C. Lima, Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o, Instituto de Educa&ccedil;&atilde;o, Universidade do Minho, Campus de Gualtar, 4710-057 Braga, Portugal. E-mail: <a href="mailto:llima@ie.uminho.pt">llima@ie.uminho.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido: julho 2018</p>     <p>Aceite para publica&ccedil;&atilde;o: julho 2018</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Nota</b></p>     <p>A pesquisa que sustenta este artigo foi financiada por fundos nacionais da FCT - Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e a Tecnologia (Projeto PEst-OE/CED/UI1661/2014).</p>      ]]></body><back>
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