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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O exílio dos professores brasileiros em portugal e a documentação da DOPS-PR]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The exile of brazilian teachers in portugal and the documents of DOPS-PR]]></article-title>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[El exilio de profesores brasileños en Portugal y la documentación del DOPS-PR]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article aims at analyzing the experiences of Brazilian teachers who were exiled for their survival, as they were threatened by persecution during the period of the Brazilian civil-military dictatorship (1964-1985). We focus on the individuals referred to in the thematic dossiers in the files of the Political and Social Order Office in the State of Paraná (DOPS/PR) who were exiled in Portugal. Among the 2.378 dossiers cataloged at DOPS/PR, we analyzed the eight dossiers that mention specifically the exile of Brazilians. In these files, we traced the names of the exiles who were teachers in Brazil and/or Portugal. Our goal is to present, as a part of the history of the exile itself, the history of some of these teachers, who, despite the difficulties of adapting to a new culture and living in new social and political spaces, away from friends and family, have assumed prominence in the consolidation and circulation of new ideals in the political-ideological plan. They also contributed to pedagogical development, using as a sporadic reference the Liberating Pedagogy of the critical and emancipatory educational movement under the influence of Paulo Freire, who, because of his political militancy incompatible with the aspirations of the dictatorial government, also experienced exile.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[Este artículo anhela analizar la experiencia vivida por profesores brasileños que se exiliaron para garantizar su supervivencia, amenazada por persecuciones ocurridas en el período de la dictadura civil-militar brasileña (1964-1985). Nuestro enfoque está dirigido a las personas mencionadas en los dossiers temáticos de la colección de la Policía de Orden Político y Social del Estado de Paraná (DOPS/PR) y que se exiliaron en Portugal. Entre los 2.378 expedientes de la DOPS/PR catalogados, analizamos los ocho expedientes que tratan específicamente del exilio de brasileños. En estos materiales, rastreamos los nombres de los exiliados que eran maestros en Brasil y/o trabajaron en la enseñanza en Portugal. Nuestro objetivo es presentar, como parte de la historia del exilio, la historia de algunos de estos profesores, que, a pesar de las dificultades de adaptación a una nueva cultura y de vivencia en nuevos espacios sociales y políticos, alejados de amigos y familiares, continuaron luchando por sus ideales y han asumido relevo en la consolidación y circulación de nuevos ideales en el plano político-ideológico. Contribuyeron aún al desarrollo pedagógico, utilizando como referencia, aunque esporádica, la Pedagogía Libertadora del movimiento educativo crítico y emancipatorio bajo influencia de Paulo Freire, que, por su militancia política incompatible con los anhelos del gobierno dictatorial, también vivenció la experiencia del exilio.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O ex&iacute;lio dos professores brasileiros em portugal e a documenta&ccedil;&atilde;o da DOPS-PR</b></p>     <p><b>The exile of brazilian teachers in portugal and the documents of DOPS-PR</b></p>     <p><b>El exilio de profesores brasile&ntilde;os en Portugal y la documentaci&oacute;n del DOPS-PR</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Ana Karine Braggio<sup>i</sup> &amp; Alexandre Felipe Fiuza <sup>ii</sup></b></p>     <p><sup>i</sup> Colegiado de Filosofia, Centro de Ci&ecirc;ncias Humanas e Sociais, Universidade Estadual do Oeste de Paran&aacute;, Brasil.</p>     <p><sup>ii</sup> Colegiado de Pedagogia, Centro de Educa&ccedil;&atilde;o, Comunica&ccedil;&atilde;o e Artes, Universidade Estadual do oeste do Paran&aacute;, Brasil.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para Correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Este artigo almeja analisar a experi&ecirc;ncia vivida por professores brasileiros que se exilaram para garantir sua sobreviv&ecirc;ncia, amea&ccedil;ada por persegui&ccedil;&otilde;es ocorridas no per&iacute;odo da ditadura civil-militar brasileira (1964-1985). Nosso enfoque se direciona aos indiv&iacute;duos citados nos dossi&ecirc;s tem&aacute;ticos do acervo da Delegacia de Ordem Pol&iacute;tica e Social do Estado do Paran&aacute; (DOPS/PR) e que se exilaram em Portugal. Entre os 2.378 dossi&ecirc;s da DOPS/PR catalogados, analisamos os oito dossi&ecirc;s que tratam especificamente do ex&iacute;lio de brasileiros. Nestes materiais, rastreamos os nomes dos exilados que foram professores no Brasil e/ou que atuaram na doc&ecirc;ncia em Portugal. Nosso objetivo &eacute; apresentar, como uma parte da hist&oacute;ria do ex&iacute;lio, a hist&oacute;ria de alguns destes professores, que, apesar das dificuldades de adapta&ccedil;&atilde;o a uma nova cultura e de viv&ecirc;ncia em novos espa&ccedil;os sociais e pol&iacute;ticos, afastados de amigos e familiares, assumiram relevo na consolida&ccedil;&atilde;o e circula&ccedil;&atilde;o de novos ideais no plano pol&iacute;tico-ideol&oacute;gico. Contribu&iacute;ram ainda para o desenvolvimento pedag&oacute;gico, utilizando como refer&ecirc;ncia, ainda que espor&aacute;dica, a Pedagogia Libertadora do movimento educacional cr&iacute;tico e emancipat&oacute;rio sob influ&ecirc;ncia de Paulo Freire, que, por sua milit&acirc;ncia pol&iacute;tica incompat&iacute;vel com os anseios do governo ditatorial, tamb&eacute;m vivenciou a experi&ecirc;ncia do ex&iacute;lio.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Ex&iacute;lio; Milit&acirc;ncia; Doc&ecirc;ncia; Ditadura.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This article aims at analyzing the experiences of Brazilian teachers who were exiled for their survival, as they were threatened by persecution during the period of the Brazilian civil-military dictatorship (1964-1985). We focus on the individuals referred to in the thematic dossiers in the files of the Political and Social Order Office in the State of Paran&aacute; (DOPS/PR) who were exiled in Portugal. Among the 2.378 dossiers cataloged at DOPS/PR, we analyzed the eight dossiers that mention specifically the exile of Brazilians. In these files, we traced the names of the exiles who were teachers in Brazil and/or Portugal. Our goal is to present, as a part of the history of the exile itself, the history of some of these teachers, who, despite the difficulties of adapting to a new culture and living in new social and political spaces, away from friends and family, have assumed prominence in the consolidation and circulation of new ideals in the political-ideological plan. They also contributed to pedagogical development, using as a sporadic reference the Liberating Pedagogy of the critical and emancipatory educational movement under the influence of Paulo Freire, who, because of his political militancy incompatible with the aspirations of the dictatorial government, also experienced exile. </p>     <p><b>Keywords:</b> Exile; Activism; Teaching; Dictatorship.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMEN</b></p>     <p>Este art&iacute;culo anhela analizar la experiencia vivida por profesores brasile&ntilde;os que se exiliaron para garantizar su supervivencia, amenazada por persecuciones ocurridas en el per&iacute;odo de la dictadura civil-militar brasile&ntilde;a (1964-1985). Nuestro enfoque est&aacute; dirigido a las personas mencionadas en los dossiers tem&aacute;ticos de la colecci&oacute;n de la Polic&iacute;a de Orden Pol&iacute;tico y Social del Estado de Paran&aacute; (DOPS/PR) y que se exiliaron en Portugal. Entre los 2.378 expedientes de la DOPS/PR catalogados, analizamos los ocho expedientes que tratan espec&iacute;ficamente del exilio de brasile&ntilde;os. En estos materiales, rastreamos los nombres de los exiliados que eran maestros en Brasil y/o trabajaron en la ense&ntilde;anza en Portugal. Nuestro objetivo es presentar, como parte de la historia del exilio, la historia de algunos de estos profesores, que, a pesar de las dificultades de adaptaci&oacute;n a una nueva cultura y de vivencia en nuevos espacios sociales y pol&iacute;ticos, alejados de amigos y familiares, continuaron luchando por sus ideales y han asumido relevo en la consolidaci&oacute;n y circulaci&oacute;n de nuevos ideales en el plano pol&iacute;tico-ideol&oacute;gico. Contribuyeron a&uacute;n al desarrollo pedag&oacute;gico, utilizando como referencia, aunque espor&aacute;dica, la Pedagog&iacute;a Libertadora del movimiento educativo cr&iacute;tico y emancipatorio bajo influencia de Paulo Freire, que, por su militancia pol&iacute;tica incompatible con los anhelos del gobierno dictatorial, tambi&eacute;n vivenci&oacute; la experiencia del exilio.</p>     <p><b>Palabras clave:</b> Exilio; Militancia; Ense&ntilde;anza; Dictadura.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>     <blockquote>O ex&iacute;lio &eacute; como um imenso navio fantasma ap&aacute;trida. N&oacute;s, seus tripulantes, trazemos na boca o amargor dos que viajam sem rumo… E tem mais: o servi&ccedil;o de bordo &eacute; p&eacute;ssimo e eu sofro de enjoo. (Freitas J&uacute;nior, 1979)</blockquote>     <p></p>     <p> Esse breve testemunho, de acordo com informa&ccedil;&otilde;es expressas no jornal <i>Folha de S&atilde;o Paulo</i>, do dia 7 de fevereiro de 1979, foi escrito por dois desconhecidos na parede de uma casa em Paris onde moravam estudantes brasileiros exilados. A mensagem, de modo ir&ocirc;nico, talvez resuma o estado de esp&iacute;rito de milhares de brasileiros e brasileiras que foram exilados ou banidos, embora nem sempre o humor tenha se mantido vivo diante dos empecilhos encontrados para o regresso. Como denota a bibliografia sobre o tema e os depoimentos dos exilados, de um lado estava a autoconfian&ccedil;a e a maleabilidade na adapta&ccedil;&atilde;o social, necess&aacute;rias para a sobreviv&ecirc;ncia e para alimentar a esperan&ccedil;a de um dia voltar e, do outro, as hist&oacute;rias dram&aacute;ticas com momentos de desespero e at&eacute; mesmo culminando, em alguns casos, em suic&iacute;dio (Freitas J&uacute;nior, 1979).</p>     <p>N&atilde;o por acaso, essa &eacute; a &uacute;nica cita&ccedil;&atilde;o com tom humor&iacute;stico que encontramos entre os mais de 700 recortes de jornais dos anos de 1977 a 1979 arquivados pela Delegacia de Ordem Pol&iacute;tica e Social do Estado do Paran&aacute; (DOPS/PR). A maioria dos relatos nesses jornais expressa a falta de apoio das embaixadas brasileiras, as dificuldades de comunica&ccedil;&atilde;o com familiares e amigos, a aus&ecirc;ncia de informa&ccedil;&otilde;es sobre o andamento da pol&iacute;tica brasileira, a esperan&ccedil;a do retorno &agrave; democracia e da instaura&ccedil;&atilde;o de uma anistia ampla, geral e irrestrita. Tamb&eacute;m podia abranger as dificuldades de adapta&ccedil;&atilde;o a uma nova cultura e a uma nova l&iacute;ngua, a sujei&ccedil;&atilde;o a empregos totalmente diferentes das &aacute;reas de atua&ccedil;&atilde;o, mas necess&aacute;rios para se manter em outro pa&iacute;s, al&eacute;m do interesse em regressar para o Brasil e continuar a luta pol&iacute;tica. Alguns depoimentos ainda mostram o interesse em regressar e processar o governo brasileiro pelas torturas sofridas em pris&otilde;es e interrogat&oacute;rios antes do ex&iacute;lio.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Apesar das dificuldades citadas, o ex&iacute;lio tamb&eacute;m foi um dos caminhos que levaram muitos brasileiros a se reencontrar e se organizar pol&iacute;tica e ideologicamente. O Instituto de A&ccedil;&atilde;o Cultural (IDAC) criado em Genebra em 1971, por Paulo Freire, Claudius Ceccon, Miguel Darcy de Oliveira e Rosiska Darcy de Oliveira, representa a capacidade de adapta&ccedil;&atilde;o e articula&ccedil;&atilde;o provida pelas condi&ccedil;&otilde;es do ex&iacute;lio. Segundo Freire, Rosiska, Oliveira, &amp; Ceccon (1983), esse Instituto possibilitou inova&ccedil;&atilde;o das ideias pedag&oacute;gicas, atrav&eacute;s da participa&ccedil;&atilde;o &ldquo;de experi&ecirc;ncias educativas nos contextos s&oacute;cio-culturais mais diversos, desde a alfabetiza&ccedil;&atilde;o em jovens pa&iacute;ses africanos at&eacute; a a&ccedil;&atilde;o cultural no contexto do movimento feminista europeu&rdquo; (p.9).</p>     <p>Nosso trabalho consistiu em analisar o material produzido pela imprensa brasileira e arquivado pelos agentes policiais da DOPS/PR, que gerou uma m&eacute;dia de 80% de toda a documenta&ccedil;&atilde;o relativa ao ex&iacute;lio, acrescido dos documentos produzidos pelos pr&oacute;prios agentes, em forma de relat&oacute;rios, circulares internas, informes, fichas e fotos dos indiv&iacute;duos que foram banidos. Toda a documenta&ccedil;&atilde;o analisada est&aacute; dividida em oito dossi&ecirc;s, sendo eles: Asilados Pol&iacute;ticos (dossi&ecirc; n&uacute;mero 42), Elementos Banidos - parte A e parte B (dossi&ecirc;s n&uacute;meros 900 e 901), Exilados Subversivos (dossi&ecirc; n&uacute;mero 957), Presos Pol&iacute;ticos Banidos (dossi&ecirc; n&uacute;mero 1588), Retorno de Exilados (dossi&ecirc; n&uacute;mero 1708) e Retorno de Exilados e Banidos parte A e parte B (dossi&ecirc;s n&uacute;meros 1709A e 1709B).</p>     <p>No que concerne &agrave; natureza das fontes hist&oacute;ricas aqui examinadas, temos os jornais de grandes &oacute;rg&atilde;os da imprensa escrita, selecionados e arquivados pelos agentes estatais com um fim persecut&oacute;rio, de vigil&acirc;ncia e de produ&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es sobre o inimigo pol&iacute;tico. Outro dado a se destacar &eacute; que este material era, antes de ser publicado, alvo da censura pr&eacute;via, inclusive no interior das reda&ccedil;&otilde;es. Portanto, tais textos passavam por mais de um filtro estatal, acrescido de certo colaboracionismo dos jornais de grande circula&ccedil;&atilde;o, ainda que o recorte hist&oacute;rico deste texto (1977-1979) abranja o fim da censura pr&eacute;via aos jornais, em 1978. Por outro lado, ainda que suscet&iacute;vel ao controle estatal e empresarial, guardados os devidos cuidados metodol&oacute;gicos, concordamos com Julio Ar&oacute;stegui (2006) ao afirmar que: &ldquo;Para as pesquisas em hist&oacute;ria pol&iacute;tica, cultural, social, a imprensa &eacute; uma fonte imprescind&iacute;vel&rdquo; (p. 522).</p>     <p>Ao tratarmos do tema do ex&iacute;lio dos professores, n&atilde;o h&aacute; como n&atilde;o problematizar a complexidade do fen&ocirc;meno exilar. Partindo das reflex&otilde;es de Edward Said (2003), o ex&iacute;lio nos compele estranhamente a pensar sobre ele, mas &eacute; terr&iacute;vel de experienciar. Ele &eacute; uma fratura incur&aacute;vel entre um ser humano e um lugar natal, entre o eu e seu verdadeiro lar: sua tristeza essencial jamais pode ser superada… As realiza&ccedil;&otilde;es do ex&iacute;lio s&atilde;o permanentemente minadas pela perda de algo deixado para tr&aacute;s para sempre. (p.46)</p>     <p>Ainda que estas pondera&ccedil;&otilde;es versem sobre outros casos nacionais, e tomando como ponto de partida o sofrimento que marcou o desterro e a fuga da ditadura no Brasil, ganha express&atilde;o o impasse vivido por estes exilados. Associado ao fen&ocirc;meno do nacionalismo, o ex&iacute;lio desencadearia um processo de desenraizamento, fraturando a identidade inerente aos indiv&iacute;duos ou aos grupos (Said, 2003). Apesar de o autor refletir sobre seu aspecto coletivo, observam-se no estudo das trajet&oacute;rias individuais diferentes formas de lidar com o ex&iacute;lio, conforme comentado anteriormente. Por conseguinte, o desterro, ainda que resultante de diferentes n&iacute;veis da persegui&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, nos faz pensar que, de fato: &ldquo;n&atilde;o houve um &uacute;nico ex&iacute;lio para cada um dos pa&iacute;ses de origem, mas m&uacute;ltiplos ex&iacute;lios desenvolvidos por uma diversidade de motivos e de pr&aacute;ticas pol&iacute;ticas e sociais, em cada uma das na&ccedil;&otilde;es onde os desterrados encontraram ref&uacute;gio&rdquo; (Yankelevich, 2011, p. 22).</p>     <p>Ao tratar do ex&iacute;lio espanhol ap&oacute;s a Guerra Civil, o jurista Virgilio Zapatero (2009) assevera no mesmo sentido: &ldquo;Al exiliado, dec&iacute;a Maria Zambrano, le dejaron sin nada, al borde de la historia; solo en la vida y sin lugar; sin lugar propio. Hab&iacute;a perdido su casa, su familia, su pueblo, su hacienda, sus libros, su trabajo, sus amigos&rdquo; (p. 17). Portanto, esta fratura no cotidiano e no tempo marca um novo posicionamento no mundo, produzindo experi&ecirc;ncias diversas nos pa&iacute;ses de acolhida.</p>     <p>Como destacado no livro <i>De Muitos Caminhos</i>, &ldquo;a experi&ecirc;ncia de outros pa&iacute;ses mostra que, mais al&eacute;m do estritamente pol&iacute;tico, a internacionaliza&ccedil;&atilde;o e o expatriamento provocados pelo ex&iacute;lio formam um potencial cultural de valor excepcional&rdquo; (Uchoa Cavalcanti &amp; Ramos, 1978, p. 13), bem vis&iacute;veis nos indiv&iacute;duos diretamente engajados com quest&otilde;es educacionais, como os professores exilados ou indiv&iacute;duos que assumiram, pelas consequ&ecirc;ncias do ex&iacute;lio, a profiss&atilde;o de professor.</p>     <p>Embora j&aacute; desterrados, os exilados ainda continuavam sendo prejudicados pela persegui&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica estatal, seja na inclus&atilde;o de seus nomes como procurados em alguns dos controles de entrada de determinados pa&iacute;ses, como na recusa de fornecimento de documentos por parte do governo brasileiro, inclusive para seus filhos menores. Al&eacute;m disso, a vigil&acirc;ncia pol&iacute;tica continuou sendo feita no ex&iacute;lio por interm&eacute;dio de pessoas infiltradas nas comunidades de exilados, como pelos informes produzidos por reparti&ccedil;&otilde;es como Consulados ou Embaixadas brasileiras. Por fim, esta produ&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es alimentava os servi&ccedil;os de intelig&ecirc;ncia da ditadura e os arquivos das DOPS de cada um dos Estados brasileiros.</p>     <p>Por sua vez, as DOPS foram &oacute;rg&atilde;os de seguran&ccedil;a p&uacute;blica estaduais, interligados nacionalmente, respons&aacute;veis por manter a ordem pol&iacute;tica e social do pa&iacute;s atrav&eacute;s de atividades de investiga&ccedil;&atilde;o, censura (no sentido estrito de exame da documenta&ccedil;&atilde;o arrolada) e repress&atilde;o. Seu funcionamento estava baseado no sistema arquiv&iacute;stico, por este carregar e ser diariamente retroalimentado com todas as informa&ccedil;&otilde;es que subsidiavam suas a&ccedil;&otilde;es. Eram arquivados documentos de todas as esp&eacute;cies; de modo sint&eacute;tico, podemos dizer que existiam tr&ecirc;s tipos deste material: os produzidos pelos agentes da pol&iacute;cia pol&iacute;tica depois de efetuados interrogat&oacute;rios, vigil&acirc;ncias e at&eacute; mesmo infiltra&ccedil;&otilde;es nas institui&ccedil;&otilde;es consideradas subversivas; os produzidos pelos &oacute;rg&atilde;os e indiv&iacute;duos que estavam sob vigil&acirc;ncia e eram apreendidos; e os produzidos pela imprensa sobre os vigiados.</p>     <p>Apesar das particularidades hist&oacute;ricas, as DOPS se coadunavam com o trabalho exercido pela Pol&iacute;cia Internacional de Defesa do Estado/Direc&ccedil;&atilde;o-Geral de Seguran&ccedil;a (PIDE/DGS) em Portugal; inclusive, s&atilde;o recorrentes, no per&iacute;odo que antecedeu a Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos, as trocas de informa&ccedil;&otilde;es entre as duas pol&iacute;cias pol&iacute;ticas sobre seus respectivos exilados (Fiuza, 2006). O 25 de abril de 1974 veio a romper com estes acordos, mas a ditadura brasileira seguiu monitorando os exilados brasileiros que aflu&iacute;ram a Portugal, preocupada, por exemplo, com as &ldquo;a&ccedil;&otilde;es do Comit&ecirc; Pr&oacute;-Anistia em Portugal. Considerado um dos mais ativos, o comit&ecirc; portugu&ecirc;s reuniu n&atilde;o apenas os exilados que j&aacute; viviam na pen&iacute;nsula, como tamb&eacute;m os que deixaram os outros pa&iacute;ses para aguardarem a anistia naquele pa&iacute;s&rdquo;(Quadrat, 2004, p. 324).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nos documentos elencados na DOPS &eacute; not&oacute;ria a exist&ecirc;ncia de muitas contradi&ccedil;&otilde;es, como, por exemplo, entre os interesses governamentais e os interesses dos exilados, entre o conceito de banido e de exilado, entre a lei da anistia restrita e a anistia ampla, entre a reabertura dos processos jur&iacute;dicos dos banidos ou a considera&ccedil;&atilde;o do banimento como pena cumprida. Enfim, avolumam-se muitas outras quest&otilde;es que circundavam o tema do ex&iacute;lio, o que o torna um assunto quase inesgot&aacute;vel.</p>     <p>O fato &eacute; que a experi&ecirc;ncia do ex&iacute;lio foi vivida por v&aacute;rios membros de movimentos reformistas e revolucion&aacute;rios que estavam amea&ccedil;ados, psicol&oacute;gica e/ou fisicamente, por manifestarem seus anseios pela melhoria das condi&ccedil;&otilde;es sociais atrav&eacute;s de projetos pol&iacute;ticos incompat&iacute;veis com os anseios do governo ditatorial. Estes exilados e exiladas compunham a oposi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica &agrave; ditadura, sendo professores, estudantes, l&iacute;deres sindicais, pol&iacute;ticos, artistas, militares, entre outros. Apesar de ser um tema j&aacute; pesquisado, nos documentos arquivados pela DOPS/PR temos uma possibilidade de analisar e compreender a partir de outro prisma o fen&ocirc;meno exilar brasileiro.</p>     <p>Deste modo, a pretens&atilde;o deste artigo &eacute; analisar a documenta&ccedil;&atilde;o oficial produzida pelo Estado ditatorial e a experi&ecirc;ncia vivida por professores brasileiros que se exilaram para garantir sua sobreviv&ecirc;ncia, amea&ccedil;ada por persegui&ccedil;&otilde;es ocorridas no per&iacute;odo da ditadura civil-militar brasileira (1964-1985). &Eacute; not&oacute;rio, a partir da produ&ccedil;&atilde;o desenvolvida pelos exilados, especialmente entre os professores, como seus preceitos pol&iacute;ticos influenciavam suas atividades pedag&oacute;gicas, principalmente atrav&eacute;s da Pedagogia Libertadora, que tem como princ&iacute;pio a educa&ccedil;&atilde;o como um ato pol&iacute;tico. Como aponta Gramsci (1991, p. 44), essa produ&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; puramente individual, de cada agente e indiv&iacute;duo, mas produzida num fluxo din&acirc;mico que se realiza e se desenvolve numa atividade transformadora social e em constante contato com outros grupos sociais e com a natureza, ou seja, com o meio onde o indiv&iacute;duo est&aacute; inserido.</p>     <p>Nosso enfoque est&aacute; nos indiv&iacute;duos citados nos dossi&ecirc;s tem&aacute;ticos do acervo DOPS/PR que se exilaram em Portugal. Entre os 2.378 <a href="#1">[1]</a><a name="top1"></a> dossi&ecirc;s catalogados, analisamos os oito dossi&ecirc;s, citados anteriormente, que tratam especificamente do ex&iacute;lio de brasileiros. Nesta documenta&ccedil;&atilde;o, rastreamos os nomes dos exilados que foram professores no Brasil e/ou que atuaram na doc&ecirc;ncia em Portugal.</p>     <p>Organizamos esse artigo em tr&ecirc;s partes. Na primeira, apresentamos os indiv&iacute;duos que antes do ex&iacute;lio atuavam na doc&ecirc;ncia e os que atuaram na doc&ecirc;ncia em Portugal durante o ex&iacute;lio. Focamos ainda nos exilados que viveram em Portugal e apontamos, quando percept&iacute;vel nos documentos, se eles conseguiram se manter no ex&iacute;lio atuando na doc&ecirc;ncia ou se aderiram &agrave; doc&ecirc;ncia por consequ&ecirc;ncia do ex&iacute;lio. Na sequ&ecirc;ncia, tratamos das hist&oacute;rias individuais de cada professor exilado em Portugal, perscrutando quais atividades pol&iacute;ticas desenvolveram no ex&iacute;lio, se &eacute; que conseguiram continuar na luta, e quais os problemas encontrados para o retorno. Na &uacute;ltima parte, desenvolvemos algumas considera&ccedil;&otilde;es sobre as experi&ecirc;ncias e sobre a anistia implantada no Brasil.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Brasileiros professores e professores brasileiros</b></p>     <p>Nos dossi&ecirc;s da DOPS/PR analisados levantamos os nomes de brasileiros que foram professores ou que trabalharam no ex&iacute;lio como docentes, num total de 20 indiv&iacute;duos, os quais apresentamos na <a href="#t1">Tabela 1</a>. Esse n&uacute;mero foi seguramente maior, uma vez que s&oacute; levantamos os nomes daqueles que figuravam nestes documentos. </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t1"></a> <img src="/img/revistas/rpe/v32n1/32n1a03t1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O n&uacute;mero exato de brasileiros exilados n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel de ser levantado. Segundo o presidente da Comiss&atilde;o Pontif&iacute;cia de Justi&ccedil;a e Paz de S&atilde;o Paulo, professor Dalmo de Abreu Dallari, &ldquo;o n&uacute;mero exato [de exilados] ningu&eacute;m tem em m&atilde;os. Entretanto, pelo simples notici&aacute;rio dos jornais qualquer pessoa poder&aacute; facilmente chegar a centenas de exilados&rdquo; (&ldquo;No ex&iacute;lio s&oacute; h&aacute; 128&rdquo;, 1978). Assim, segundo Dallari (&ldquo;Dallari refuta nota&rdquo;, 1978), as persegui&ccedil;&otilde;es e amea&ccedil;as ocorridas no per&iacute;odo autorit&aacute;rio conduziram cerca de 10 mil pessoas a exilar-se para garantir sua sobreviv&ecirc;ncia.</p>     <p>Por conseguinte, de acordo com a secret&aacute;ria Iramaya Benjamim, do Comit&ecirc; Brasileiro pela Anistia, existiam pouco menos de seis mil brasileiros exilados na Europa, incluindo familiares de processados, sendo em m&eacute;dia um c&ocirc;njuge e dois filhos. Esse n&uacute;mero foi obtido atrav&eacute;s de um censo que estava em fase de conclus&atilde;o; por&eacute;m, s&oacute; deve ser considerado como estimativa, visto que muitos exilados tinham temor de serem identificados nominalmente, mesmo o censo sendo realizado por uma esp&eacute;cie de senha numerada (&ldquo;Quase seis mil&rdquo;, 1978).</p>     <p>Entre os 20 professores citados, h&aacute; os que foram banidos e os que se exilaram &ldquo;voluntariamente&rdquo;. Essa quest&atilde;o entre banidos, ou exilados formalmente, e exilados volunt&aacute;rios, ou informalmente, foi muito pol&ecirc;mica, gerando v&aacute;rios recortes de jornais sobre este assunto e que foram arquivados pela DOPS/PR.</p>     <p>Os banidos s&atilde;o considerados os presos pol&iacute;ticos que foram trocados por diplomatas estrangeiros sequestrados em quatro diferentes ocasi&otilde;es, ocorridas entre os anos de 1969 e 1970. Os diplomatas sequestrados foram: o embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick, em 4 de setembro de 1969 – por ele foram trocados 15 presos pol&iacute;ticos; o c&ocirc;nsul japon&ecirc;s Nobuo Okuchi, em 11 de mar&ccedil;o de 1970 – por ele foram trocados cinco presos pol&iacute;ticos; o embaixador alem&atilde;o Ehrenfried Von Hollenben, em 11 de junho de 1970 – por ele foram trocados 40 presos pol&iacute;ticos; e o embaixador da Su&iacute;&ccedil;a Giovanni Enrico Bucher, em 7 de dezembro de 1970 – por ele foram trocados 70 presos pol&iacute;ticos (&ldquo;Dallari refuta nota&rdquo;, 1978). Entre esses presos pol&iacute;ticos trocados por embaixadores, temos alguns professores, como podemos observar na <a href="#t2">Tabela 2</a>: Carlos Minc Baunfeld, Ieda dos Reis Chaves, Ladislau Dowbor, Maria do Carmo Brito, Pedro Alves Filho e Wilson Nascimento Barbosa. H&aacute; outros casos singulares de banimento, como foi o caso da expuls&atilde;o dos integrantes do grupo teatral internacional <i>Living Theatre</i>, no dia 27 de agosto de 1971, assinada pelo mais violento presidente da ditadura, Em&iacute;lio Garrastazu M&eacute;dici. No mesmo arquivo da DOPS/PR, encontra-se a ficha pol&iacute;tica do m&uacute;sico portugu&ecirc;s exilado S&eacute;rgio Godinho, <a href="#2">[2]</a><a name="top2"></a> que traz observa&ccedil;&otilde;es quanto a esta expuls&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t2"></a> <img src="/img/revistas/rpe/v32n1/32n1a03t2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>De acordo com o Ministro da Justi&ccedil;a, Armando Falc&atilde;o, que publicou uma nota oficial no dia 17 de fevereiro de 1978, as afirma&ccedil;&otilde;es de que milhares de brasileiros estariam residindo no exterior em condi&ccedil;&otilde;es impr&oacute;prias e impedidos de retornar ao pa&iacute;s eram falsas. Em nota, afirmou que somente os banidos estavam impedidos de regressar ao pa&iacute;s, alegando que todos os outros brasileiros que viviam no exterior por motivos pol&iacute;ticos haviam escolhido voluntariamente sair do pa&iacute;s e, do mesmo modo, poderiam voltar quando quisessem. Se, por acaso, tivessem algum processo instaurado contra eles, deveriam defender-se na forma da Lei e &ldquo;n&atilde;o fugindo&rdquo;. Assim asseverava: &ldquo;n&atilde;o h&aacute;, na realidade, ‘exilados brasileiros&rsquo;, mas, sim, brasileiros que se expatriaram por julgar isto de sua melhor conveni&ecirc;ncia&rdquo; (Falc&atilde;o, cit. em &ldquo;No ex&iacute;lio s&oacute; h&aacute; 128&rdquo;, 1978). Como se depreende deste depoimento, a vers&atilde;o oficial de que n&atilde;o havia ditadura, tortura, desaparecimentos, censura e repress&atilde;o era recorrente nas palavras dos porta-vozes do regime.</p>     <p>A assessora de Assuntos Penitenci&aacute;rios do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a, a professora Arminda Bergamini Miotto, foi ainda mais longe nas suas coloca&ccedil;&otilde;es, dizendo que muitos estavam apenas fazendo turismo: &ldquo;n&atilde;o existe exilado. Existe o banido. Esses que se dizem ap&aacute;tridas nos pa&iacute;ses onde chegam &eacute; mais para conseguir documentos para fazer at&eacute; turismo&rdquo; (&ldquo;Assessora de Falc&atilde;o&rdquo;, 1978).</p>     <p>A quest&atilde;o conceitual entre banido e exilado moveu muitos &oacute;rg&atilde;os a pronunciarem-se. O professor Raimundo Faoro, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), tamb&eacute;m exp&ocirc;s seu conceito de exilado, afirmando que aqueles que sa&iacute;ram do pa&iacute;s o fizeram de modo dram&aacute;tico e carregados de intranquilidade psicol&oacute;gica. Para ele, exilados n&atilde;o eram apenas aqueles que haviam sido banidos ou expatriados, mas tamb&eacute;m os que sa&iacute;ram do pa&iacute;s por correrem perigo de pris&atilde;o, e por considerarem que a restri&ccedil;&atilde;o de sua liberdade seria uma injusti&ccedil;a. Assim, Faoro afirmou, na altura, que o conceito de exilado do Minist&eacute;rio era muito restritivo (Faoro, cit. em &ldquo;Governo esgotou o tema&rdquo;, 1978).</p>     <p>A Igreja tamb&eacute;m se posicionou atrav&eacute;s do cardeal arcebispo de S&atilde;o Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, que coerentemente pediu que &ldquo;n&atilde;o se fizesse discuss&atilde;o em torno de termos, que n&atilde;o se discutisse entre exilados banidos e entre pessoas que se exilaram voluntariamente&rdquo;, pois h&aacute; &ldquo;um conjunto todo de injusti&ccedil;as que deve ser sanado e um procedimento que se baseasse em sem&acirc;ntica, nessa hora, seria uma inj&uacute;ria aos que sofrem e tamb&eacute;m uma inj&uacute;ria aos que aqui nesta terra lutam pela justi&ccedil;a&rdquo; (Arns, cit. em &ldquo;Dallari refuta nota&rdquo;, 1978).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na <a href="#t2">Tabela 2</a> tamb&eacute;m &eacute; poss&iacute;vel analisar o ano do in&iacute;cio do ex&iacute;lio de cada professor. O que podemos perceber, n&atilde;o s&oacute; entre professores, mas entre todos os exilados, sejam sindicalistas, estudantes, pol&iacute;ticos, entre outros, &eacute; que saiu do pa&iacute;s um grande contingente de indiv&iacute;duos logo ap&oacute;s a instaura&ccedil;&atilde;o do golpe civil-militar no ano de 1964, e outro ap&oacute;s a instaura&ccedil;&atilde;o do Ato Institucional n&ordm; 5 (AI-5) de 1968, nas chamadas duas ondas do ex&iacute;lio e com suas respectivas peculiaridades.</p>     <p>Como apontou o jornal <i>Folha de Londrina</i>, ao tratar do livro <i>Os Exilados: 5 mil brasileiros &agrave; espera da anistia</i>, de Cristina Pinheiro Machado, publicado em 1979, o expurgo de 1964 ocorreu logo ap&oacute;s a &ldquo;divulga&ccedil;&atilde;o dos primeiros 100 punidos pelo movimento militar e a edi&ccedil;&atilde;o do Ato Institucional n&uacute;mero 1&rdquo;, come&ccedil;ando assim a &ldquo;ca&ccedil;a as bruxas: persegui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, inqu&eacute;ritos policiais-militares, casas saqueadas, viol&ecirc;ncia desenfreada&rdquo; (&ldquo;Os homens, as mulheres e as crian&ccedil;as&rdquo;, 1979). Foi neste momento que grupos de professores universit&aacute;rios foram demitidos e alguns se exilaram, como, por exemplo, o professor Luiz Hildebrando Pereira da Silva e o professor Milton Santos, como se pode verificar na <a href="#t2">Tabela 2</a>. Vale comentar que este livro de Cristina Pinheiro Machado &eacute; considerado por diversos autores o primeiro a propor uma an&aacute;lise do ex&iacute;lio com base em depoimentos dos exilados que estavam retornando (Cruz, 2012, p. 117). Por&eacute;m, antes dele, no ano de 1978, foi publicado o livro <i>De muitos Caminhos</i>, que tamb&eacute;m se baseia em depoimentos de exilados brasileiros (Uchoa &amp; Ramos, 1978).</p>     <p>Com a situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica no pa&iacute;s cada vez mais dram&aacute;tica, uma nova onda de repress&atilde;o foi desencadeada, conduzindo a uma segunda fase do &ecirc;xodo dos brasileiros de oposi&ccedil;&atilde;o, principalmente ap&oacute;s a edi&ccedil;&atilde;o do AI-5.</p>     <p>Na <a href="#t2">Tabela 2</a> tamb&eacute;m &eacute; poss&iacute;vel analisar os pa&iacute;ses de ex&iacute;lio de cada professor e comprovar que, entre os 20 citados, sete se exilaram em Portugal. Discorreremos sobre alguns deles no pr&oacute;ximo t&oacute;pico.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Experi&ecirc;ncias do ex&iacute;lio portugu&ecirc;s</b></p>     <p>A rela&ccedil;&atilde;o diplom&aacute;tica luso-brasileira, apesar dos ru&iacute;dos na comunica&ccedil;&atilde;o entre os pa&iacute;ses, parece ter sido pouco afetada pelo asilo de brasileiros em Portugal. Isso certamente decorre do fato de que a longeva ditadura portuguesa havia sido derrubada em 25 de abril de 1974, com a chamada Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos. Nos 20 meses seguintes o pa&iacute;s foi governado por uma coaliz&atilde;o de centro e de esquerda, o que levou muitos exilados brasileiros a se mudarem para o pa&iacute;s, atra&iacute;dos pelas experi&ecirc;ncias adotadas pelos governos portugueses e pela aura da revolu&ccedil;&atilde;o de abril, que encantou a esquerda mundial.</p>     <p>Ap&oacute;s o 25 de abril, parte da intelectualidade brasileira optou por Portugal como destino e porto seguro, pela l&iacute;ngua comum, pela proposta inerente ao processo revolucion&aacute;rio em curso (PREC) e por sua proposta de vanguarda pol&iacute;tica: &ldquo;diante desses fatos, Portugal passou a atrair exilados de v&aacute;rios pa&iacute;ses, principalmente da Am&eacute;rica Latina, conforme relata Gilvan Rocha, os quais foram concentrados numa col&ocirc;nia de f&eacute;rias de trabalhadores na Costa da Caparica&rdquo; (Cortez, 2000, p. 656). Apesar destas condi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas favor&aacute;veis aos exilados brasileiros, Rodrigo Pezzonia (2017) revela, em sua tese de doutoramento, os impasses no governo portugu&ecirc;s quanto a entrada destes exilados:</p>     <p>     <blockquote>O Minist&eacute;rio da Seguran&ccedil;a, em julho de 1974, era severo em advertir que, enquanto n&atilde;o fosse editada uma legisla&ccedil;&atilde;o que pudesse normatizar a atividade dos exilados, estes n&atilde;o deveriam ser aceitos no territ&oacute;rio portugu&ecirc;s. Pois, apenas com estas leis poder-se-ia obstar a&ccedil;&otilde;es, que pudessem comprometer as rela&ccedil;&otilde;es existentes entre Portugal e os pa&iacute;ses aos quais esses estrangeiros pertenciam, justificando, assim, atitudes de retalia&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, as organiza&ccedil;&otilde;es oficiais portuguesas n&atilde;o deveriam ser facultadas como locais de trabalho a estrangeiros refugiados pol&iacute;ticos, como tradutores, int&eacute;rpretes, professores, etc. (p. 45)</blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p>     <p>Apesar desta pol&iacute;tica, o mesmo autor identificou, em seu pioneiro estudo, como os exilados brasileiros conseguiram exercer suas atividades profissionais, inclusive em cargos p&uacute;blicos, como foi o caso de v&aacute;rios professores que trabalharam em escolas e universidades p&uacute;blicas. As pr&aacute;ticas educacionais desenvolvidas por esses professores identificaram-se, em muitos casos, com o processo de conscientiza&ccedil;&atilde;o e liberta&ccedil;&atilde;o da pedagogia freireana. Al&eacute;m disso, em pa&iacute;ses africanos de l&iacute;ngua portuguesa, o anteriormente citado IDAC conseguiu desenvolver uma s&eacute;rie de projetos voltados &agrave; alfabetiza&ccedil;&atilde;o de cunho mais politizado.</p>     <p>Num documento do Minist&eacute;rio de Assuntos Internos portugu&ecirc;s, datado de 26 de abril de 1977, s&atilde;o arroladas informa&ccedil;&otilde;es sobre os exilados; entre eles, in&uacute;meros professores:</p>     <p>     <blockquote>o texto afirma que o total de estrangeiros em fun&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas &eacute; de 228. Neste caso, 60 seriam brasileiros. Estrangeiros ligados ao Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o e da Investiga&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica seriam 162; destes, os brasileiros s&atilde;o a maioria: 41 profissionais&hellip;Agora, no que confere a participa&ccedil;&atilde;o em atividades suspeitas, de um total de 20 estrangeiros, 13 seriam brasileiros; sete, vinculados ao Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o e da Investiga&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica. (Pezzonia, 2017, p. 96)</blockquote>     <p></p>     <p>Segundo o mesmo autor, a inser&ccedil;&atilde;o dos professores e professoras brasileiros na Universidade P&uacute;blica portuguesa foi observada de perto pela Embaixada brasileira, conforme atesta a documenta&ccedil;&atilde;o oficial. Vale ressaltar ainda que a tese de doutoramento de Rodrigo Pezzonia (2017) tra&ccedil;a uma precisa cartografia do ex&iacute;lio brasileiro em Portugal, arrolando um ou outro nome de professores e professoras brasileiros que n&atilde;o figuram na documenta&ccedil;&atilde;o da DOPS, levantada para a produ&ccedil;&atilde;o deste texto.</p>     <p>Enfim, h&aacute; ind&iacute;cios de que a quest&atilde;o dos exilados n&atilde;o foi pauta de reuni&otilde;es entre os dois pa&iacute;ses, nem mesmo no ano de 1978, quando o assunto se tornou ainda mais pol&ecirc;mico com os debates entre o Comit&ecirc; da Justi&ccedil;a e Paz e o Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a, por conta das exig&ecirc;ncias que vinham sendo realizadas para que fosse aprovada uma lei de anistia. O motivo, segundo o Ministro de Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores de Portugal, S&aacute; Machado, &eacute; que &ldquo;os exilados n&atilde;o constituem problema ao n&iacute;vel Executivo&rdquo;, pois, caso fossem considerados como amea&ccedil;as, exercendo manifesta&ccedil;&otilde;es ou atividades pol&iacute;ticas criminais, o Estado tomaria provid&ecirc;ncias, e a&iacute; sim a quest&atilde;o passaria ao dom&iacute;nio dos tribunais. Por&eacute;m, &ldquo;esse n&atilde;o &eacute; o caso dos exilados brasileiros&rdquo; (Machado, cit. em &ldquo;Para chanceler portugu&ecirc;s&rdquo;, 1978).</p>     <p>Apesar desta assertiva, muitos exilados brasileiros continuaram a lutar por seus ideais durante o ex&iacute;lio. Por exemplo, o professor Pedro Celso Uchoa Cavalcanti, junto com Jovelino Ramos, dirigiu e organizou o livro intitulado <i>De Muitos Caminhos</i>, lan&ccedil;ado pela primeira vez no ano de 1976 por uma editora portuguesa. Esse livro &eacute; o primeiro volume do projeto <i>Mem&oacute;rias do Ex&iacute;lio</i>. Neste livro, h&aacute; uma Carta dirigida a Paulo Freire, do escritor, soci&oacute;logo e poeta Fernando Batinga de Mendon&ccedil;a, e neste texto &eacute; not&oacute;rio, bem como em outros manuscritos, entrevistas e dossi&ecirc;s dispon&iacute;veis no livro, a necessidade fundamental da constru&ccedil;&atilde;o do conhecimento e refor&ccedil;o das rela&ccedil;&otilde;es sociais estabelecidas no ex&iacute;lio para a cria&ccedil;&atilde;o de uma sociedade mais &eacute;tica, justa, humana e solid&aacute;ria, na luta pela liberdade e igualdade. Outro exemplo &eacute; a professora Valentina da Rocha Lima, que, juntamente com outras tr&ecirc;s mulheres exiladas, coordenou e organizou o segundo volume, intitulado <i>Mem&oacute;rias das Mulheres do Ex&iacute;lio</i>, lan&ccedil;ado em 1980 no Brasil (Costa, Moraes, Marzola, &amp; Lima, 1980).</p>     <p>O projeto <i>Mem&oacute;rias do Ex&iacute;lio</i>, que, de modo semelhante &agrave; cria&ccedil;&atilde;o do IDAC, se deu em Genebra, foi uma ideia nascida durante a experi&ecirc;ncia de ex&iacute;lio de brasileiros que estavam na Pol&ocirc;nia, quando ficaram impressionados com a riqueza da mem&oacute;ria coletiva dos poloneses sobre as emigra&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas ocorridas na d&eacute;cada de 1920. Estas constitu&iacute;am um acervo hist&oacute;rico de valor inestim&aacute;vel, devendo integrar-se ao amplo projeto que estava se formando pelos exilados, em defesa da constru&ccedil;&atilde;o de conhecimentos emancipadores, contribuindo para a consci&ecirc;ncia social e hist&oacute;rico-cr&iacute;tica. Como bem asseveram os organizadores na introdu&ccedil;&atilde;o do primeiro livro:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     <blockquote>o projeto Mem&oacute;rias do Ex&iacute;lio nasceu assim de uma preocupa&ccedil;&atilde;o com o passado, uma preocupa&ccedil;&atilde;o que, sendo t&iacute;pica de historiadores, &eacute; tamb&eacute;m comum entre exilados, exclu&iacute;dos que foram da vida p&uacute;blica de seu pa&iacute;s. Mas o projeto &eacute; outrossim uma ponte para o futuro, um documento da presen&ccedil;a ativa de gente atualmente marginalizada pela propaganda governamental com a pecha de &ldquo;maus brasileiros&rdquo;. (Uchoa Cavalcanti &amp; Ramos, 1978, p. 9)</blockquote>     <p></p>     <p>O planejamento e a organiza&ccedil;&atilde;o do Projeto foram feitos por seis intelectuais, sob o patroc&iacute;nio de Paulo Freire, Abdias do Nascimento e Nelson Werneck Sodr&eacute;. Interessante que alguns dos planejadores e organizadores n&atilde;o se identificaram logo no in&iacute;cio da execu&ccedil;&atilde;o do Projeto, o que se deve &agrave;s incertezas e inseguran&ccedil;as provocadas pelo ex&iacute;lio. Dos seis envolvidos, somente Jovelino Ramos n&atilde;o era exilado. Era o vice-presidente do Conselho de Igrejas Protestantes e conseguiu uma fra&ccedil;&atilde;o diminuta, mas muito importante, dos recursos para o financiamento do primeiro livro. O principal organizador foi o professor Pedro Celso Uchoa Cavalcanti, o que faz com que todas as suas cita&ccedil;&otilde;es arquivadas nos dossi&ecirc;s da DOPS/PR estejam remetidas ao Projeto. Um terceiro organizador &eacute; Rubem Cesar Fernandes, que n&atilde;o tem seu nome citado no livro, e nem mesmo nos arquivos da DOPS/PR encontramos cita&ccedil;&otilde;es comentando sobre seu ex&iacute;lio. Outros dois organizadores s&oacute; se identificaram dois anos ap&oacute;s a publica&ccedil;&atilde;o feita em Portugal; s&atilde;o eles Clovis Brigag&atilde;o e Marcus Arruda. Por fim, o sexto organizador preferiu ficar no anonimato (&ldquo;Uma reflex&atilde;o cr&iacute;tica&rdquo; , <a href="#3">[3]</a><a name="top3"></a> 1978).</p>     <p>A concretiza&ccedil;&atilde;o desse Projeto se deu atrav&eacute;s da elabora&ccedil;&atilde;o do primeiro volume da cole&ccedil;&atilde;o, o livro intitulado <i>De Muitos Caminhos</i>, que conta com 25 entrevistas realizadas com exilados brasileiros, entre eles o ex-deputado e professor M&aacute;rcio Moreira Alves, e com documentos in&eacute;ditos sobre o ex&iacute;lio. Na parte final do livro, os autores prepararam um dossi&ecirc; especial e completo sobre o dominicano brasileiro Frei Tito de Alencar Lima, que se suicidou nos arredores de Lyon, durante seu ex&iacute;lio, no ano de 1974, por complica&ccedil;&otilde;es psicol&oacute;gicas provocadas pelas persegui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e torturas sofridas na pris&atilde;o (Uchoa Cavalcanti &amp; Ramos, 1978; &ldquo;Uma reflex&atilde;o cr&iacute;tica&rdquo;, 1978).</p>     <p>O segundo volume da cole&ccedil;&atilde;o foi o livro <i>Mem&oacute;rias das Mulheres do Ex&iacute;lio</i>, lan&ccedil;ado pela primeira vez no ano de 1980 pela editora brasileira Paz e Terra. Esse livro abrangeu mais depoimentos que o primeiro, contando a experi&ecirc;ncia de 40 mulheres exiladas. Os depoimentos estavam sendo coletados desde o ano de 1976 e resultaram em 2000 p&aacute;ginas (&ldquo;Mulheres escrevem livro&rdquo;, 1980). Esse total de p&aacute;ginas s&oacute; foi poss&iacute;vel porque o livro sobre as mulheres teve maior investimento do que o primeiro, que n&atilde;o tinha nem mesmo dinheiro para a compra de fitas para grava&ccedil;&atilde;o dos depoimentos, fazendo com que as fitas fossem reaproveitadas e muitos depoimentos fossem gravados por cima de outros. Os apoiadores do segundo volume, al&eacute;m do Conselho de Igrejas, foram a Funda&ccedil;&atilde;o Ford e o Social Research Council da Universidade de Washington, onde Uchoa Cavalcanti foi professor. Por&eacute;m, segundo ele, isso &eacute; um descaso das funda&ccedil;&otilde;es e do governo brasileiro, pois s&atilde;o eles quem deveria ter o interesse em registrar a mem&oacute;ria brasileira (&ldquo;Uma reflex&atilde;o cr&iacute;tica&rdquo;, 1978).</p>     <p>Na coordena&ccedil;&atilde;o dessa segunda obra estava a professora Valentina da Rocha Lima, esposa do professor Uchoa Cavalcanti <a href="#4">[4]</a><a name="top4"></a>, e mais tr&ecirc;s companheiras exiladas: Maria Teresa Porci&uacute;ncula Moraes, Albertina de Oliveira Costa e Norma Marzola. Elas come&ccedil;aram a organiza&ccedil;&atilde;o das entrevistas enviando dois mil convites para exiladas, sem obedecer a qualquer padr&atilde;o pr&eacute;vio, ou seja, entrevistaram tanto as mulheres que sa&iacute;ram exiladas, como as que apenas acompanharam algum exilado (&ldquo;Mulheres escrevem livro&rdquo;, 1980; &ldquo;Uma reflex&atilde;o cr&iacute;tica&rdquo;, 1978).</p>     <p>Segundo Uchoa Cavalcanti (&ldquo;Uma reflex&atilde;o cr&iacute;tica&rdquo;, 1978), ao comentar sobre o segundo livro, esse seria a prova de como o ex&iacute;lio mudou a vida das mulheres, j&aacute; que, por exemplo, algumas das que eram ativistas no Brasil tiveram que lidar com situa&ccedil;&otilde;es completamente contr&aacute;rias &agrave;s fun&ccedil;&otilde;es que exerciam, como, por exemplo, cuidar das crian&ccedil;as e controlar a comida para que durasse mais tempo. Em contrapartida, outras que eram pouco ativas politicamente no Brasil, no exterior viram-se obrigadas a agir. O mais interessante &eacute; que o livro valoriza a figura feminina – que, por conta da pol&iacute;tica brasileira e tamb&eacute;m mundial, sempre foi ignorada, enquanto os homens eram os &ldquo;her&oacute;is&rdquo; –, ainda que sem assinalar-se como feminista (&ldquo;Uma reflex&atilde;o cr&iacute;tica&rdquo;, 1978). Entre as mulheres brasileiras exiladas, vale destacar a figura de Rosiska Darcy de Oliveira, fortemente influenciada por Paulo Freire ao conhec&ecirc;-lo em Genebra. Esta valente mulher, demonstrando acreditar na educa&ccedil;&atilde;o e na cultura como meios emancipat&oacute;rios, produziu (e produz) diversas obras, tratando de temas como o feminismo, a educa&ccedil;&atilde;o e a vida contempor&acirc;nea, de que &eacute; exemplo o livro <i>A Liberta&ccedil;&atilde;o da Mulher</i>, publicado pela primeira vez em 1975, em Lisboa (Oliveira &amp; Calame, 1975).</p>     <p>Os &uacute;ltimos volumes da cole&ccedil;&atilde;o <i>Mem&oacute;rias do Ex&iacute;lio</i> pretendiam abordar o retorno dos exilados, analisando o Brasil a partir do estrangeiro, a esperan&ccedil;a do retorno e o que se encontraria no pa&iacute;s real na chegada. N&atilde;o encontramos nenhum ind&iacute;cio de publica&ccedil;&atilde;o desses &uacute;ltimos volumes que estavam sendo planejados. Por&eacute;m, encontramos alguns depoimentos em outros recortes de jornais onde os professores comentam sobre o regresso.</p>     <p>Viver no ex&iacute;lio para muitos s&oacute; foi poss&iacute;vel porque a esperan&ccedil;a do retorno os mantinha firmes; j&aacute; para outros, as novas experi&ecirc;ncias os fizeram desapegar-se do saudosismo brasileiro. Uchoa Cavalcanti &eacute; um exilado que se coloca como desapegado do Brasil. Para ele, as experi&ecirc;ncias do ex&iacute;lio foram imprescind&iacute;veis para seu amadurecimento, a ponto de achar que ap&oacute;s o ex&iacute;lio sentiria saudades dele. Como afirmou em entrevista para o <i>Jornal do Brasil</i>: &ldquo;para mim, o Brasil n&atilde;o &eacute; uma necessidade como talvez o seja para outros exilados. Aprendi a viver sem saudade do meu pa&iacute;s&hellip;Nele [no ex&iacute;lio], vivi experi&ecirc;ncias importantes, que me tornaram menos imbecil do que eu era no Brasil&rdquo; (Uchoa Cavalcanti, cit. em &ldquo;A volta do ex&iacute;lio&rdquo;, 1979). No ex&iacute;lio, ele conheceu o socialismo na Pol&ocirc;nia, a fertilidade de ideias na It&aacute;lia, sua esposa (a brasileira Valentina da Rocha Lima) em Portugal, e outras experi&ecirc;ncias riqu&iacute;ssimas que ele sabe que n&atilde;o existiriam no Brasil, pois, para ele, o pa&iacute;s que o esperava no retorno seria muito prec&aacute;rio, muito pobre e com uma democracia feita apenas para as classes m&eacute;dia e alta.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Essa preocupa&ccedil;&atilde;o com o regresso tamb&eacute;m afligia a professora Valentina da Rocha Lima e, em entrevista tamb&eacute;m para o <i>Jornal do Brasil</i>, ela mostrou-se preocupada:</p>     <p>     <blockquote>a primeira d&uacute;vida que me assalta &eacute; se vou ou n&atilde;o me reconhecer no Brasil. Ser&aacute; tudo familiar? Mudei eu? Mudou o Brasil? Temo que as mudan&ccedil;as talvez n&atilde;o me agradem. Afinal, como &eacute; que me vou colocar num modelo de civiliza&ccedil;&atilde;o que rejeito? (Rocha Lima, cit. em &ldquo;A volta do ex&iacute;lio&rdquo;, 1979)</blockquote>     <p></p>     <p>Para ela, o ex&iacute;lio tamb&eacute;m foi uma experi&ecirc;ncia boa. Em Portugal, ela passou a fazer parte de um grupo acad&ecirc;mico que discutia problemas sobre a condi&ccedil;&atilde;o da liberta&ccedil;&atilde;o da mulher, coisa que acreditava que n&atilde;o viveria no Brasil, naquele momento.</p>     <p>O retorno, para a professora Maria do Carmo Brito, exilada em Portugal, tamb&eacute;m &eacute; carregado de receios. Ela tinha medo da a&ccedil;&atilde;o de pequenos grupos de repress&atilde;o, do capitalismo selvagem brasileiro, de ser tratada como diferente e de reviver a morte do marido. Sua preocupa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o era v&atilde;, uma vez que foi a primeira mulher no comando de uma organiza&ccedil;&atilde;o guerrilheira no Brasil, e provavelmente em toda a Am&eacute;rica Latina, quando esteve &agrave; frente da Vanguarda Popular Revolucion&aacute;ria (VPR). Por&eacute;m, para ela, a esperan&ccedil;a no povo brasileiro era maior do que seus medos, por isso ela sonhava muito em retornar ao Brasil trazendo na mala as boas lembran&ccedil;as, como a solidariedade, a cultura, a consci&ecirc;ncia e a dignidade dos pa&iacute;ses em que passou durante o ex&iacute;lio (Brito, cit. em &ldquo;A volta do ex&iacute;lio&rdquo;, 1979).</p>     <p>Por sua vez, o professor Alcidino Bittencourt Pereira n&atilde;o comentou na Imprensa sobre seus sentimentos quanto ao retorno, mas &eacute; interessante frisar que ele s&oacute; veio ao Brasil em 1979 para legalizar sua situa&ccedil;&atilde;o de anistiado e visitar parentes e amigos. Logo retornaria para a Alemanha para continuar seu trabalho de professor na Universidade de Berlim, at&eacute; o final do ano de 1980, quando seu contrato de trabalho venceria (Bittencourt Pereira, cit. em &ldquo;Exilados Voltam&rdquo;, 1979). No per&iacute;odo que antecedeu seu ex&iacute;lio, foi militante pol&iacute;tico, estudante de Direito e ator no teatro pol&iacute;tico. Aquando de seu retorno ao Brasil, na d&eacute;cada de 1990, atuou em importantes cargos diretivos no Governo do Estado do Paran&aacute;.</p>     <p>Por&eacute;m, retornar n&atilde;o dependia somente da vontade dos exilados. O ex-deputado M&aacute;rcio Moreira Alves, que em Lisboa lecionou em um instituto de ensino superior, escreveu para o jornal <i>Gazeta do Povo</i>, em 1978, mostrando-se indignado com a recusa do governo brasileiro em fornecer documentos &agrave;s pessoas exiladas. Segundo ele, isso s&oacute; acontecia porque o governo fazia persegui&ccedil;&atilde;o burocr&aacute;tica aos indiv&iacute;duos que estavam na oposi&ccedil;&atilde;o ao ent&atilde;o regime. Os fatos que ele apontou v&atilde;o na contram&atilde;o das informa&ccedil;&otilde;es do Ministro da Justi&ccedil;a, pois a &ldquo;afirma&ccedil;&atilde;o do Ministro da Justi&ccedil;a, de que n&atilde;o existem exilados e, sim, expatriados, &eacute; mais uma vez desmentida pelos fatos. Se meros expatriados f&ocirc;ssemos, poder&iacute;amos, evidentemente, requerer a prova de nossa nacionalidade &agrave;s autoridades consulares&rdquo;, mas nem isso eles estavam conseguindo (Moreira Alves, cit. em &ldquo;De exilados e banidos&rdquo;, 1978). Por conseguinte, al&eacute;m das dificuldades de obten&ccedil;&atilde;o da documenta&ccedil;&atilde;o nos pa&iacute;ses de acolhida, era recorrente o empecilho para obter ou renovar os passaportes, e mesmo de encaminhar documentos para os filhos nascidos ou crescidos no ex&iacute;lio.</p>     <p>Como se depreende destes depoimentos, as impress&otilde;es sobre o retorno ao Brasil eram as mais variadas entre os exilados, uma vez que n&atilde;o formavam um grupo homog&ecirc;neo.&nbsp; Segundo Uchoa Cavalcanti, o exilado n&atilde;o poderia ser considerado um &ldquo;monobloco&rdquo; amea&ccedil;ador, pois &ldquo;tem gente t&atilde;o diversa no ex&iacute;lio quanto a gente que permaneceu no Brasil, com tend&ecirc;ncias, aspira&ccedil;&otilde;es, limita&ccedil;&otilde;es e talentos igualmente diversificados. O que nos une &eacute; a brasilidade, que, na dist&acirc;ncia, correu mais tensa nas veias&rdquo; (Uchoa Cavalcanti, cit. em &ldquo;Uma reflex&atilde;o cr&iacute;tica&rdquo;, 1978).</p>     <p>Igualmente, o conv&iacute;vio no ex&iacute;lio &eacute; diferente de um indiv&iacute;duo para outro. Como analisou Fernandes, um dos organizadores do livro <i>De Muitos Caminhos </i>(1978), ao realizar as entrevistas, algumas chegavam a ser ir&ocirc;nicas, como entre os militares que preferiram exilar-se em pa&iacute;ses socialistas, como Cuba, tendo nesses pa&iacute;ses uma experi&ecirc;ncia pol&iacute;tica mais tranquila em rela&ccedil;&atilde;o aos que se exilaram em pa&iacute;ses capitalistas e tidos como democr&aacute;ticos (Fernandes, cit. em &ldquo;Uma reflex&atilde;o cr&iacute;tica&rdquo;, 1978). Segundo Uchoa Cavalcanti, numa vis&atilde;o pouco usual entre os militantes pol&iacute;ticos, isso teria acontecido porque a milit&acirc;ncia pol&iacute;tica s&oacute; existiria no mundo democr&aacute;tico capitalista e &ldquo;nem no franquismo nem no comunismo h&aacute; espa&ccedil;o para politiza&ccedil;&atilde;o militante&rdquo; (cit. em &ldquo;Uma reflex&atilde;o cr&iacute;tica&rdquo;, 1978).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De acordo com os dois organizadores da obra, as diferentes &aacute;reas de ex&iacute;lio, a for&ccedil;a individual e at&eacute; mesmo o acaso determinavam as adapta&ccedil;&otilde;es e o aprendizado, influenciando tamb&eacute;m suas fundamenta&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas. O que aconteceu em comum com a maioria dos exilados foi o nomadismo, que n&atilde;o permitia a op&ccedil;&atilde;o de controlarem seus destinos. Como podemos ver na <a href="#t2">Tabela 2</a>, muitos n&atilde;o conseguiram estabelecer-se em somente um pa&iacute;s, e, assim, transitaram por v&aacute;rios pa&iacute;ses. Sobrevivendo de bolsas de estudo, favores, trabalhos tempor&aacute;rios, solidariedade e compaix&atilde;o, alguns at&eacute; conseguiram bons empregos. Segundo alguns exilados, o amargor das experi&ecirc;ncias fez com que muitos se humanizassem, amadurecessem e se tornassem politicamente mais preparados, mas tamb&eacute;m houve os que se tornaram mais autorit&aacute;rios e despreparados para continuar a vida pol&iacute;tica (&ldquo;Uma reflex&atilde;o cr&iacute;tica&rdquo;, 1978).</p>     <p>Uma din&acirc;mica comum &agrave; maioria dos exilados e exiladas aqui mencionada se refere a intelectuais que puderam se dedicar &agrave; doc&ecirc;ncia por sua experi&ecirc;ncia anterior, o que se diferenciava da maior parcela dos exilados que buscavam ocupa&ccedil;&otilde;es laborais diversas. Portanto, o recorte presente neste artigo, em torno dos professores exilados, revela outra particularidade, que &eacute; uma recorr&ecirc;ncia observada nos diferentes ex&iacute;lios das d&eacute;cadas de 1960 e 1970: a constitui&ccedil;&atilde;o de uma rede exilar. Tais redes reuniam os exilados pela proximidade da milit&acirc;ncia no Brasil, pela filia&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria, pela profiss&atilde;o, por parentesco, mas tamb&eacute;m havia certa volatilidade trazida pela conviv&ecirc;ncia nas comunidades brasileiras que foram se formando inicialmente no ex&iacute;lio latino-americano e, posteriormente, europeu, principalmente na Fran&ccedil;a, Alemanha, Su&iacute;&ccedil;a, It&aacute;lia e Inglaterra. Estas redes formaram n&uacute;cleos importantes no ex&iacute;lio, tanto para atividades de den&uacute;ncia contra a ditadura brasileira, como para a execu&ccedil;&atilde;o de projetos pol&iacute;ticos, pedag&oacute;gicos e profissionais, como foi o caso dos projetos educativos e ocupa&ccedil;&otilde;es laborais no interior das Universidades, por parte deste grupo.</p>     <p>De Portugal, parte deste grupo de professores brasileiros novamente se deslocou, desta vez para os pa&iacute;ses africanos, rec&eacute;m-sa&iacute;dos da condi&ccedil;&atilde;o de col&ocirc;nias, onde, ao longo da d&eacute;cada de 1970, realizou projetos educacionais liderados por Paulo Freire. Alguns destes professores atuaram junto aos movimentos de liberta&ccedil;&atilde;o colonial; entre eles, estiveram intelectuais ligados ao Instituto de A&ccedil;&atilde;o Cultural (IDAC), fundado por exilados brasileiros, liderados por Paulo Freire, em janeiro de 1971, em Genebra. Este grupo, at&eacute; 1979, realizou trabalhos vinculados &agrave; educa&ccedil;&atilde;o formal, forma&ccedil;&atilde;o de professores, projetos de forma&ccedil;&atilde;o de lideran&ccedil;as femininas e de alfabetiza&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Refletindo sobre os caminhos do ex&iacute;lio, igualmente in&uacute;meros intelectuais portugueses se exilaram no Brasil durante a ditadura portuguesa e a&iacute; se dedicaram &agrave; doc&ecirc;ncia <a href="#5">[5]</a><a name="top5"></a>. V&iacute;tor de Almeida Ramos lecionou Literatura Francesa na UNESP, <i>campus</i> de Assis, em S&atilde;o Paulo, e na Universidade de S&atilde;o Paulo (USP) a partir do fat&iacute;dico ano de 1964. O escritor e professor Jorge de Sena, naturalizado brasileiro, por sua vez, doutorou-se na Faculdade de Letras de Araraquara e a&iacute; exerceu a doc&ecirc;ncia. O historiador portugu&ecirc;s da USP Joaquim Barradas de Carvalho teve uma forte inser&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica e atua&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica nos c&iacute;rculos oposicionistas &agrave;s duas ditaduras. Podemos citar ainda Jo&atilde;o Sarmento Pimentel, Jaime Cortes&atilde;o, Eduardo Louren&ccedil;o, Agostinho da Silva e Adolfo Casais Monteiro, entre outros (Lemos &amp; Leite, 2003).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></p>     <p>O ex&iacute;lio volunt&aacute;rio n&atilde;o decorreu somente da vontade do indiv&iacute;duo de sair do pa&iacute;s, mas das condi&ccedil;&otilde;es de liberdade durante a ditadura militar, que afetaram o conv&iacute;vio social, levando a essa escolha, por vezes sa&iacute;da inexor&aacute;vel para garantir a sobreviv&ecirc;ncia f&iacute;sica. Atrav&eacute;s da propaganda governamental, os que sa&iacute;ram eram acusados de fugitivos da Justi&ccedil;a. Com isso, o direito internacional que dava prote&ccedil;&atilde;o ao exilado, mostrando que o asilo, antes de ser um dos direitos humanos, &eacute; um direito de Estado, camuflava-se e causava maiores conflitos entre o governo e seus exilados.</p>     <p>Como aponta Dallari (&ldquo;Dallari refuta nota&rdquo;, 1978), a anistia seria o princ&iacute;pio de reconcilia&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s com seus exilados. E, nessa reconcilia&ccedil;&atilde;o, o Brasil s&oacute; teria a ganhar, visto que pessoas de alto n&iacute;vel profissional, intelectual e cient&iacute;fico voltariam para colaborar com seu desenvolvimento. Neste sentido, os professores trariam moderniza&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica, dado que a maioria deles regressaria com vis&otilde;es mais humanistas e militantes, com capacidades de proporcionar a seus alunos um processo de identifica&ccedil;&atilde;o dos problemas sociais e uma busca pela sua supera&ccedil;&atilde;o. Por&eacute;m, a anistia, por muito tempo, ficou somente no debate entre os que a queriam ampla, geral e irrestrita, e os que a preferiam sob certas condi&ccedil;&otilde;es. Os &uacute;ltimos ganharam e ela foi transformada em Lei, inclusive extremamente favor&aacute;vel aos algozes destes exilados e demais v&iacute;timas da ditadura, mas que possibilitou que metade dos estimados seis mil exilados pudessem retornar ap&oacute;s setembro de 1979 (&ldquo;A volta do ex&iacute;lio&rdquo;, 1979). Todavia, o retorno n&atilde;o era simples, pois muitos tinham receio e anseios diversos de voltar ao Brasil. Alguns queriam chegar o mais r&aacute;pido poss&iacute;vel; outros, cautelosos, preferiam esperar mais um pouco pelo andamento da pol&iacute;tica brasileira e resolver seus problemas no exterior, como, por exemplo, concluir seus trabalhos, pagar contas, vender seus im&oacute;veis, ou at&eacute; mesmo terminar seus cursos universit&aacute;rios.</p>     <p>No ex&iacute;lio, alguns se sentiram livres para continuar suas atividades pol&iacute;ticas e at&eacute; mesmo registraram sua hist&oacute;ria em livros de autobiografia e tamb&eacute;m atrav&eacute;s da cole&ccedil;&atilde;o <i>Mem&oacute;rias do Ex&iacute;lio</i>. Sem sombra de d&uacute;vidas, sem esse Projeto a mem&oacute;ria coletiva do ex&iacute;lio estaria ainda mais fragmentada e perdida no tempo.</p>     <p>O ex&iacute;lio &eacute; um assunto que nunca se esgota. Sempre h&aacute; mais experi&ecirc;ncias que demandam sua escrita, sua exposi&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e sua difus&atilde;o social pela preserva&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria do pa&iacute;s. Nesse sentido, a hist&oacute;ria oral e os documentos presentes nos arquivos, como no acervo das DOPS, s&atilde;o fontes preciosas para a hist&oacute;ria recente do pa&iacute;s. Como assevera o ex-exilado e soci&oacute;logo Fernando Batinga de Mendon&ccedil;a: &ldquo;Brasileiros nascemos, brasileiros iremos morrer./ A P&aacute;tria n&atilde;o &eacute; propriedade privada./ Ela pertence a todos n&oacute;s&rdquo; (cit. em &ldquo;Exilado que voltou&rdquo;, 1978).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Ar&oacute;stegui, J. (2006). <i>A pesquisa hist&oacute;rica: Hist&oacute;ria e m&eacute;todo</i>. Bauru: Edusc.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=773983&pid=S0871-9187201900010000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Cortez, L. G. (2000). Pensamento e ac&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de exilados brasileiros pela independ&ecirc;ncia das col&ocirc;nias portuguesas. In Grupo de Trabalho do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o para as Comemora&ccedil;&otilde;es dos Descobrimentos Portugueses, <i>Actas do Congresso Luso-Brasileiro – Portugal-Brasil: Mem&oacute;rias e imagin&aacute;rios </i>(v. 1, pp. 650-664). Lisboa: Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=773985&pid=S0871-9187201900010000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Costa, A. O., Moraes, M. T. P., Marzola, N., &amp; Lima, V. R. (1980). <i>Mem&oacute;rias das mulheres no ex&iacute;lio</i>. Rio de Janeiro: Paz e Terra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=773987&pid=S0871-9187201900010000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Cruz, F. L. (2012). A Hist&oacute;ria e as mem&oacute;rias do ex&iacute;lio brasileiro. <i>Revista Catarinense de Hist&oacute;ria, 20</i>, 115-137.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=773989&pid=S0871-9187201900010000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Fiuza, A. F. (2006). <i>Entre um samba e um fado: A censura e a repress&atilde;o aos m&uacute;sicos no Brasil e em Portugal nas d&eacute;cadas de 1960 e 1970</i> (Tese de Doutoramento). Faculdade de Ci&ecirc;ncias e Letras da Universidade Estadual Paulista, Assis, Brasil. </p>     <!-- ref --><p>Freire, P., Rosiska, M., Oliveira, D., &amp; Ceccon, C. (1983). <i>Vivendo e aprendendo: Experi&ecirc;ncias do IDAC em educa&ccedil;&atilde;o popular</i> (4&ordf; ed.). S&atilde;o Paulo: Brasiliense.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=773992&pid=S0871-9187201900010000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Gramsci, A. (1991). <i>Concep&ccedil;&atilde;o dial&eacute;tica da Hist&oacute;ria</i> (9&ordf; ed.). Rio de Janeiro: Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=773994&pid=S0871-9187201900010000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Lemos, F., &amp; Leite, R. M. (2003). <i>A miss&atilde;o portuguesa: Rotas entrecruzadas</i>. S&atilde;o Paulo: EDUNESP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=773996&pid=S0871-9187201900010000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Oliveira, R. D., &amp; Calame, M. (1975). <i>A liberta&ccedil;&atilde;o da mulher</i>. Lisboa: S&aacute; da Costa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=773998&pid=S0871-9187201900010000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Pezzonia, R. (2017). <i>Ex&iacute;lio em portugu&ecirc;s: Pol&iacute;tica e viv&ecirc;ncias dos brasileiros em Portugal (1974-1982)</i> (Tese de Doutoramento). Faculdade de Filosofia, Letras e Ci&ecirc;ncias Humanas da Universidade de S&atilde;o Paulo, S&atilde;o Paulo, Brasil.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Quadrat, S. V. (2004). Muito al&eacute;m das fronteiras. In D. A. Reis, M. Ridenti, &amp; R. Motta (Orgs.), <i>O golpe e a ditadura militar: Quarenta anos depois (1964-2004) </i>(pp. 315-328). Bauru, SP: EDUSC.</p>     <!-- ref --><p>Said, E. (2003). <i>Reflex&otilde;es sobre o ex&iacute;lio e outros ensaios</i>. S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=774002&pid=S0871-9187201900010000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Uchoa Cavalcanti, P. C., &amp; Ramos, J. (Orgs.). (1978). <i>Brasil 1964/19?? Mem&oacute;rias do ex&iacute;lio</i>: <i>1. De muitos caminhos</i>. S&atilde;o Paulo: Editora Livraria Livramento Ldta.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=774004&pid=S0871-9187201900010000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Yankelevich, P. (2011). Estudar o ex&iacute;lio. In S. V. Quadrat (Org.), <i>Caminhos cruzados: Hist&oacute;ria e mem&oacute;ria dos ex&iacute;lios latino-americanos no s&eacute;culo XX</i> (pp. 11-30). <Rio de Janeiro: Editora FGV.></p>     <!-- ref --><p><Zapatero, V. (2009). El legado. In <i>Exilio</i> (p. 17). Madrid: Fundaci&oacute;n Pablo Iglesias, Museo Nacional Centro de Arte Reina Sof&iacute;a (Cat&aacute;logo de la Exposici&oacute;n).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=774007&pid=S0871-9187201900010000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Artigos de jornal</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A volta do ex&iacute;lio (lenta e gradual) de milhares de brasileiros. (1979, setembro 3). <i>Jornal do Brasil</i>. Dispon&iacute;vel em: Departamento Estadual de Arquivo P&uacute;blico. Arquivo DOPS, Retorno de Exilados, pasta 1708, topografia 205.</p>     <p>Assessora de Falc&atilde;o condena quem saiu em turismo e se diz ap&aacute;trida. (1978, fevereiro 21). <i>Jornal do Brasil</i>. Dispon&iacute;vel em: Departamento Estadual de Arquivo P&uacute;blico. Arquivo DOPS, Exilados Subversivos, pasta 957, topografia 111.</p>     <p>Dallari refuta nota de Falc&atilde;o sobre os banidos. (1978, fevereiro 19). <i>Folha de S&atilde;o Paulo</i>. Dispon&iacute;vel em: Departamento Estadual de Arquivo P&uacute;blico. Arquivo DOPS, Elementos Banidos, pasta 901, topografia 111.</p>     <p>De exilados e banidos. (1978, mar&ccedil;o 7). <i>Gazeta do Povo</i>. Dispon&iacute;vel em: Departamento Estadual de Arquivo P&uacute;blico. Arquivo DOPS, Elementos Banidos, pasta 901, topografia 111.</p>     <p>Exilado que voltou diz que muitos outros tamb&eacute;m vir&atilde;o. (1978, julho 24). <i>Jornal do Brasil</i>. Dispon&iacute;vel em: Departamento Estadual de Arquivo P&uacute;blico. Arquivo DOPS, Retorno de Exilados e Banidos, pasta 1709A, topografia 205.</p>     <p>Exilados voltam. (1979, dezembro 21). <i>Jornal Correio de Not&iacute;cias</i>.<i> </i>Dispon&iacute;vel em: Departamento Estadual de Arquivo P&uacute;blico. Arquivo DOPS, Retorno de Exilados, pasta 1708, topografia 205.</p>     <p>Freitas J&uacute;nior, O. (1979, fevereiro 7). Ex&iacute;lio: O gosto e o medo da volta. <i>Folha de S&atilde;o Paulo</i>. Dispon&iacute;vel em: Departamento Estadual de Arquivo P&uacute;blico. Arquivo DOPS, Exilados Subversivos, pasta 957, topografia 111.</p>     <p>Governo esgotou o tema de exilados. (1978, fevereiro 21). <i>Folha de S&atilde;o Paulo</i>. Dispon&iacute;vel em: Departamento Estadual de Arquivo P&uacute;blico. Arquivo DOPS, Exilados Subversivos, pasta 957, topografia 111.</p>     <p>Mulheres escrevem livro sobre ex&iacute;lio. (1980, mar&ccedil;o 23). <i>Folha de S&atilde;o Paulo</i>. Dispon&iacute;vel em: Departamento Estadual de Arquivo P&uacute;blico. Arquivo DOPS, Retorno de Exilados, pasta 1708, topografia 205.</p>     <p>No ex&iacute;lio s&oacute; h&aacute; 128, diz Falc&atilde;o. (1978, fevereiro 18). <i>Jornal Correio de Not&iacute;cias</i>. Dispon&iacute;vel em: Departamento Estadual de Arquivo P&uacute;blico. Arquivo DOPS, Exilados Subversivos, pasta 957, topografia 111.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os homens, as mulheres e as crian&ccedil;as &agrave; espera da anistia. (1979, fevereiro 13). <i>Folha de Londrina</i>.<i> </i>Dispon&iacute;vel em: Departamento Estadual de Arquivo P&uacute;blico. Arquivo DOPS, Retorno de Exilados e Banidos, pasta 1709A, topografia 205.</p>     <p>Para chanceler portugu&ecirc;s, exilados n&atilde;o s&atilde;o problema. (1978, maio 26). <i>O Estado de S&atilde;o Paulo</i>. Dispon&iacute;vel em: Departamento Estadual de Arquivo P&uacute;blico. Arquivo DOPS, Exilados Subversivos, pasta 957, topografia 111.</p>     <p>Quase seis mil exilados na Europa. (1978, junho 17). <i>Jornal Correio de Not&iacute;cias</i>. Dispon&iacute;vel em: Departamento Estadual de Arquivo P&uacute;blico. Arquivo DOPS, Exilados Subversivos, pasta 957, topografia 111.</p>     <p>Uma reflex&atilde;o cr&iacute;tica sobre o que aconteceu. (1978, dezembro 2). <i>Jornal do Brasil</i>. Dispon&iacute;vel em: Departamento Estadual de Arquivo P&uacute;blico. Arquivo DOPS, Exilados Subversivos, pasta 957, topografia 111.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido em 1 de maio de 2018</p>     <p>Aceite para publica&ccedil;&atilde;o em 7 de janeiro de 2019</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para Correspond&ecirc;ncia</a><a name="c0"></a></p>     <p>Toda a correspond&ecirc;ncia relativa a este artigo deve ser enviada para: Ana Karine Braggio</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Universidade Estadual do Oeste do Paran&aacute;, Centro de Ci&ecirc;ncias Humanas e Sociais, Rua da Faculdade, 645 – Colegiado de Filosofia, Jardim La Salle 85903-000 – Toledo, PR – Brasil E-mail: <a href="mailto:anakarinebraggio@hotmail.com">anakarinebraggio@hotmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><a name="1"></a><a href="#top1">1</a>S&atilde;o 2.378 dossi&ecirc;s, sem considerar que alguns possuem mais de uma pasta; por exemplo, o dossi&ecirc; &ldquo;Retorno de Exilados e Banidos&rdquo;, sob o n&uacute;mero 1709, possui duas pastas: 1709A e 1709B.</p>     <p><a name="2"></a><a href="#top2">2</a>Fich&aacute;rio Individual, n. &ordm; 18.294, datado de 21.12.1972, Arquivo do DOPS, Arquivo P&uacute;blico do Paran&aacute;. Este importante m&uacute;sico e ator portugu&ecirc;s esteve exilado na Su&iacute;&ccedil;a a partir de 1965 para fugir do servi&ccedil;o militar em Portugal e da ditadura portuguesa (1926-1974).</p>     <p><a name="3"></a><a href="#top3">3</a>A mesma mat&eacute;ria de jornal que estamos usando de refer&ecirc;ncia foi publicada pela segunda vez, com o mesmo formato, inclusive sob o mesmo t&iacute;tulo, <i>Mem&oacute;rias do Ex&iacute;lio: a vida de 10 mil brasileiros no exterior</i>, no Jornal <i>Folha de Londrina</i> de 11 de janeiro de 1979, que est&aacute; arquivado no acervo da DOPS/PR em outro dossi&ecirc;, no de n&uacute;mero 1709A. Como a mat&eacute;ria do <i>Jornal do Brasil</i> foi a primeira edi&ccedil;&atilde;o, a usaremos como refer&ecirc;ncia nas nossas cita&ccedil;&otilde;es durante esse artigo.</p>     <p><a name="4"></a><a href="#top4">4</a> O casamento de Rocha Lima com Uchoa Cavalcanti n&atilde;o foi o &uacute;nico motivo de a militante estar na coordena&ccedil;&atilde;o do segundo livro. Ela, em Portugal, atuou num grupo acad&ecirc;mico que discutia os problemas sociais e a condi&ccedil;&atilde;o da liberta&ccedil;&atilde;o da mulher, coordenou um semin&aacute;rio sobre a evolu&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica da situa&ccedil;&atilde;o social da mulher e foi docente no Departamento de Hist&oacute;ria da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, ou seja, seu curr&iacute;culo era ideal para coordenar um livro sobre o ex&iacute;lio feminino. Com Norma Marzola n&atilde;o foi diferente; al&eacute;m de militante, foi aluna da Universidade Nova de Lisboa, onde se especializou em Evolu&ccedil;&atilde;o Cultural e Social, orientada pelo renomado historiador Jos&eacute; Vitorino Magalh&atilde;es Godinho.</p>     <p><a name="5"></a><a href="#top5">5</a>Sobre o tema, ver ainda: Paulo, H. (junho, 2009). O ex&iacute;lio portugu&ecirc;s no Brasil: Os &ldquo;Budas&rdquo; e a oposi&ccedil;&atilde;o antisalazarista. <i>Portuguese Studies Review,</i> <i>14</i>(2), 125-142.</p>      ]]></body><back>
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<collab>Grupo de Trabalho do Ministério da Educação para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses</collab>
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