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<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Educação]]></journal-title>
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<publisher-name><![CDATA[Centro de Investigação em Educação. Instituto de Educação da Universidade do Minho]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O mito da ausência de preconceito racial na educação infantil no Brasil]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Faculdade de Educação ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[Este artículo habla del prejuicio racial en la Educación Infantil y resultó de una pesquisa cualitativa realizada en escuelas infantiles de la región metropolitana de Porto Alegre, en 2013. Tuvo el propósito de investigar el modo como las culturas africanas son presentadas a los niños de 0-3 años en el sentido de implantar el Art. 7º, inciso V, de las Directrices Curriculares Nacionales para la Educación Infantil (DCNEI). Según ese documento, las propuestas pedagógicas deben estar comprometidas con el rompimiento de las relaciones de dominación diversas, incluso étnicas y raciales. La colecta de datos se dio por medio de observaciones y de conversaciones con gestores y maestros que actúan en escuelas infantiles. Los resultados mostraron que la mayoría de los profesionales desconoce las DCNEI. Estos afirmaron que no ocurren problemas raciales en la Educación Infantil y justificaron que los niños de 0-3 años son pequeños y no perciben tales diferencias. Prácticamente, no hay materiales didácticos e imágenes de personas negras en los espacios de las escuelas pesquisadas. En fin, es preciso no solo dar visibilidad a los niños de 0-3 años como también deshacer el mito de la ausencia de prejuicio racial para que las historias y culturas africanas adentren en los tiempos y espacios de estas escuelas.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper addresses the racial prejudice in Early Childhood Education and is the result of a qualitative investigation in kindergarten schools of the metropolitan region of Porto Alegre, in 2013. It was designed to investigate how African cultures are presented to 0-3 year old children aiming to instill the Art. 7th, paragraph V, from the National Curricular Guidelines for Children s Education (DCNEI in Brazil). According to this document, pedagogical proposals must be compromised with breaking several types of relations of domination, including ethnical and racial ones. Data collection was conducted with observations and conversation with managers and teachers working in kindergarten schools. The results showed that most teachers and managers do not know the DCNEI. These practitioners stated that racial issues do not occur in Early Childhood Education and justified that 0-3 year old children are small and do not note such differences. Practically, there are no didactic materials and images of black people in the spaces of the investigated schools. Finally, there is a need not only to give visibility to 0-3 year old children, but also to deconstruct the myth of the lack of racial prejudice, inasmuch as African histories and cultures may enter in times and spaces of the kindergarten schools.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O mito da aus&ecirc;ncia de preconceito racial na educa&ccedil;&atilde;o infantil no Brasil</b></p>     <p><b>El mito de la ausencia de prejuicio racial en la educaci&oacute;n infantil en Brasil</b></p>     <p><b>The myth of the absence of racial prejudice in Early Childhood Education in Brazil</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Circe Mara Marques<a href="#a1">*</a><a name="topa1"></a>    <br>       <img src="/img/revistas/id_orcid.gif"><a href="https://orcid.org/0000-0002-2137-4760">https://orcid.org/0000-0002-2137-4760</a><sup>i</sup></b></p>     
<p><b>Leni Vieira Dornelles<a href="#a1">*</a><a name="topa1"></a>    <br>       <img src="/img/revistas/id_orcid.gif"><a href="https://orcid.org/0000-0001-7130-9513">https://orcid.org/0000-0001-7130-9513</a><sup>ii</sup></b></p>     
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<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><sup>i</sup>Universidade Alto Vale do Rio do Peixe (UNIARP/SC) e Universidade Comunit&aacute;ria da Regi&atilde;o de Chapec&oacute;-SC, Programa da P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o.</p>     <p><sup>ii</sup>Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para Correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Este artigo trata do preconceito racial na Educa&ccedil;&atilde;o Infantil. Resultou de uma pesquisa qualitativa, realizada em escolas infantis da regi&atilde;o metropolitana de Porto Alegre, em 2013. Teve o prop&oacute;sito de investigar o modo como as culturas africanas s&atilde;o apresentadas &agrave;s crian&ccedil;as de 0-3 anos no sentido de implantar o Art. 7&ordm;, inciso V, das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educa&ccedil;&atilde;o Infantil (DCNEI). Segundo esse documento, as propostas pedag&oacute;gicas devem estar comprometidas com o rompimento das rela&ccedil;&otilde;es de domina&ccedil;&atilde;o diversas, inclusive &eacute;tnico-racial. A coleta de dados ocorreu atrav&eacute;s de observa&ccedil;&otilde;es e conversas com gestores e professores que atuam em escolas infantis. Os resultados mostraram que a maioria dos profissionais desconhece as DCNEI. Estes afirmaram que n&atilde;o ocorrem problemas raciais na Educa&ccedil;&atilde;o Infantil e justificaram que as crian&ccedil;as de 0-3 anos s&atilde;o pequenas e n&atilde;o percebem tais diferen&ccedil;as. Praticamente, n&atilde;o h&aacute; materiais did&aacute;ticos e imagens de pessoas negras nos espa&ccedil;os das escolas pesquisadas. &Eacute; preciso n&atilde;o s&oacute; dar visibilidade &agrave;s crian&ccedil;as de 0-3 anos como tamb&eacute;m desconstruir o mito da aus&ecirc;ncia de preconceito racial para que as hist&oacute;rias e culturas africanas adentrem nos tempos e espa&ccedil;os destas escolas.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b>Educa&ccedil;&atilde;o Infantil; Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educa&ccedil;&atilde;o Infantil; Preconceito racial</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>RESUMEN</p>     <p>Este art&iacute;culo habla del prejuicio racial en la Educaci&oacute;n Infantil y result&oacute; de una pesquisa cualitativa realizada en escuelas infantiles de la regi&oacute;n metropolitana de Porto Alegre, en 2013. Tuvo el prop&oacute;sito de investigar el modo como las culturas africanas son presentadas a los ni&ntilde;os de 0-3 a&ntilde;os en el sentido de implantar el Art. 7&ordm;, inciso V, de las Directrices Curriculares Nacionales para la Educaci&oacute;n Infantil (DCNEI). Seg&uacute;n ese documento, las propuestas pedag&oacute;gicas deben estar comprometidas con el rompimiento de las relaciones de dominaci&oacute;n diversas, incluso &eacute;tnicas y raciales. La colecta de datos se dio por medio de observaciones y de conversaciones con gestores y maestros que act&uacute;an en escuelas infantiles. Los resultados mostraron que la mayor&iacute;a de los profesionales desconoce las DCNEI. Estos afirmaron que no ocurren problemas raciales en la Educaci&oacute;n Infantil y justificaron que los ni&ntilde;os de 0-3 a&ntilde;os son peque&ntilde;os y no perciben tales diferencias. Pr&aacute;cticamente, no hay materiales did&aacute;cticos e im&aacute;genes de personas negras en los espacios de las escuelas pesquisadas. En fin, es preciso no solo dar visibilidad a los ni&ntilde;os de 0-3 a&ntilde;os como tambi&eacute;n deshacer el mito de la ausencia de prejuicio racial para que las historias y culturas africanas adentren en los tiempos y espacios de estas escuelas.</p>     <p><b>Palabras clave:</b> Educaci&oacute;n Infantil; Directrices Curriculares Nacionales para la Educaci&oacute;n Infantil; Prejuicio racial</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This paper addresses the racial prejudice in Early Childhood Education and is the result of a qualitative investigation in kindergarten schools of the metropolitan region of Porto Alegre, in 2013. It was designed to investigate how African cultures are presented to 0-3 year old children aiming to instill the Art. 7<sup>th</sup>, paragraph V, from the National Curricular Guidelines for Children&rsquo;s Education (DCNEI in Brazil). According to this document, pedagogical proposals must be compromised with breaking several types of relations of domination, including ethnical and racial ones. Data collection was conducted with observations and conversation with managers and teachers working in kindergarten schools. The results showed that most teachers and managers do not know the DCNEI. These practitioners stated that racial issues do not occur in Early Childhood Education and justified that &nbsp;0-3 year old children are small and do not note such differences. Practically, there are no didactic materials and images of black people in the spaces of the investigated schools. Finally, there is a need not only to give visibility to 0-3 year old children, but also to deconstruct the myth of the lack of racial prejudice, inasmuch as African histories and cultures may enter in times and spaces of the kindergarten schools.</p>     <p><b>Keywords:</b> Early Childhood Education; National Curricular Guidelines for Children&rsquo;s Education; Racial prejudice</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. O pretexto deste estudo</b></p>     <p>De acordo com os dados divulgados em 2016 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE), 8,2% dos brasileiros identificaram sua cor ou &ldquo;ra&ccedil;a&rdquo; como preta, 44,2% como parda e 47,7% como branca. Para efeitos estat&iacute;sticos, o IBGE classifica como popula&ccedil;&atilde;o negra a soma dos pretos e pardos. Assim, as pessoas negras e pardas representam 52,4% da popula&ccedil;&atilde;o brasileira. Contudo, &eacute; necess&aacute;rio prud&ecirc;ncia ao analisar esses dados, considerando a hist&oacute;rica tend&ecirc;ncia ao branqueamento que se observa nas classifica&ccedil;&otilde;es raciais feitas no Brasil, de modo que esse percentual pode ser ainda maior. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Estudo do Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) – &oacute;rg&atilde;o da ONU – em parceria com a Funda&ccedil;&atilde;o Jo&atilde;o Pinheiro e o Instituto de Pesquisa Econ&ocirc;mica Aplicada (IPEA) mostra, no &Iacute;ndice de Desenvolvimento Humano (IDH) da popula&ccedil;&atilde;o negra no Brasil, que esta tem uma d&eacute;cada de desvantagem em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; popula&ccedil;&atilde;o branca. Ou seja, a qualidade de vida das fam&iacute;lias negras &eacute; inferior &agrave; das fam&iacute;lias brancas ao tratar-se da sa&uacute;de, alimenta&ccedil;&atilde;o, educa&ccedil;&atilde;o, habita&ccedil;&atilde;o, renda, lazer, etc. Tal panorama &ldquo;coloca em xeque o mito da democracia racial&rdquo; supostamente vivido na sociedade brasileira (Gomes, 2012, p. 731), mais ainda, no caso desta pesquisa, <i>o mito de aus&ecirc;ncia de preconceito racial</i> em muitos n&iacute;veis da educa&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as. As rela&ccedil;&otilde;es raciais est&atilde;o imbricadas em rela&ccedil;&otilde;es de poder. A partir de Foucault (1987), poder &eacute; uma pr&aacute;tica social constitu&iacute;da historicamente e que interv&eacute;m materialmente, atingindo a realidade mais concreta dos indiv&iacute;duos, ou seja, o seu corpo (Foucault, 1987).</p>     <p>Hall (2003) explica que &ldquo;ra&ccedil;a &eacute; uma constru&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e social. &Eacute; a categoria discursiva em torno da qual se organiza um sistema de poder socioecon&ocirc;mico, de explora&ccedil;&atilde;o e exclus&atilde;o – ou seja – o racismo&rdquo; (p. 69). Nesse sentido, considera-se que racismo n&atilde;o &eacute; natural, ou seja, ningu&eacute;m nasce com propens&atilde;o a discriminar o outro, embora sejam recorrentes os discursos que buscam &ldquo;justificar as diferen&ccedil;as sociais e culturais que legitimam a exclus&atilde;o racial em termos de distin&ccedil;&otilde;es gen&eacute;ticas e biol&oacute;gicas, isto &eacute;, na natureza&rdquo; (Hall, 2003, p. 69).</p>     <p>A discrimina&ccedil;&atilde;o racial existe e persiste em diferentes segmentos da sociedade brasileira. Ela foi historicamente produzida e disseminada a partir desses discursos que circulam repetidamente nos clubes, nos livros, nos jornais, na televis&atilde;o, no cinema, nos brinquedos, nas escolas, etc., de modo que os saberes das crian&ccedil;as brasileiras sobre ser negro constituem-se a partir de suas experi&ecirc;ncias nos distintos espa&ccedil;os com seus pares, sejam eles adultos ou crian&ccedil;as (Dias, 2012).</p>     <p>A escola n&atilde;o pode restringir-se a ensinar conte&uacute;dos desvinculados da realidade social e cultural das crian&ccedil;as, embora muitos educadores ainda acreditem que discutir quest&otilde;es raciais seja fun&ccedil;&atilde;o &ldquo;dos militantes pol&iacute;ticos, dos soci&oacute;logos e antrop&oacute;logos&rdquo; (Gomes, 2005, p. 146). N&atilde;o podemos esquecer que as crian&ccedil;as e suas inf&acirc;ncias fazem parte desse mundo de rela&ccedil;&otilde;es. Para Sarmento (2005), a inf&acirc;ncia &eacute; socialmente constru&iacute;da e comp&otilde;e-se a partir de um estatuto social, com varia&ccedil;&otilde;es demogr&aacute;ficas, econ&ocirc;micas, pol&iacute;ticas, culturais e pr&aacute;ticas sociais em um processo de cont&iacute;nuas modifica&ccedil;&otilde;es. As quest&otilde;es raciais que atravessam as inf&acirc;ncias fazem parte da forma&ccedil;&atilde;o humana (Gomes, 2005) e &eacute; tarefa da escola n&atilde;o somente discuti-las, mas inventar outros modos de se relacionar com as diferen&ccedil;as, inventar pedagogias antirracistas. Certamente um dos grandes desafios da educa&ccedil;&atilde;o do s&eacute;culo XXI &eacute; problematizar as rela&ccedil;&otilde;es de poder e produzir estrat&eacute;gias para interromper os discursos que se fundam na suposta superioridade de uns em detrimento de outros.</p>     <p>Ao estudarmos as quest&otilde;es raciais e a implementa&ccedil;&atilde;o de documentos que as normatizam, n&atilde;o queremos dizer que estas dariam conta de uma educa&ccedil;&atilde;o antirracista. Tentamos entender como tais documentos est&atilde;o sendo implementados na educa&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as, buscando rastrear continuidades obscuras por seu pr&oacute;prio imediatismo e determinar os processos de montagem das pe&ccedil;as mestras, seus engates, suas maquinarias forjadas. Questionamos para que servem e a quem, a que sistemas de poder est&atilde;o ligados, como se transformam e se disfar&ccedil;am no cotidiano escolar, desde a Educa&ccedil;&atilde;o Infantil. </p>     <p>A Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Federativa do Brasil (CFB/1988), a Lei n.&ordm; 8.069/1990, que disp&otilde;e sobre a prote&ccedil;&atilde;o integral &agrave; crian&ccedil;a e ao adolescente, o Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente (ECA), a Lei n.&ordm; 9.394/96, que estabelece as Diretrizes e Bases da Educa&ccedil;&atilde;o Nacional (LDBEN), e a Lei n.&ordm; 10.639/2003, que inclui no curr&iacute;culo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da tem&aacute;tica &ldquo;Hist&oacute;ria e Cultura Afro-Brasileira&rdquo;, colocam-se como marco legal para pr&aacute;ticas de igualdade racial. A primeira previu as contribui&ccedil;&otilde;es das diferentes culturas e etnias para a forma&ccedil;&atilde;o do povo brasileiro e a educa&ccedil;&atilde;o ambiental como conte&uacute;do curricular obrigat&oacute;rio em todos os n&iacute;veis de ensino. O ECA busca assegurar a toda crian&ccedil;a o direito de igualdade de condi&ccedil;&otilde;es para a perman&ecirc;ncia na escola, de ser respeitada pelos educadores, de ter sua identidade e seus valores preservados e de ser posta a salvo de qualquer forma de discrimina&ccedil;&atilde;o, neglig&ecirc;ncia ou tratamento vexat&oacute;rio. A Lei n.&ordm; 10.639/2003 modificou a Lei n.&ordm; 9.394/96, que fixa as Diretrizes e Bases da Educa&ccedil;&atilde;o Nacional (LDBEN). Tal mudan&ccedil;a estabeleceu a obrigatoriedade do ensino de Hist&oacute;ria e Cultura Afro-Brasileira e Africana nos estabelecimentos de Ensino Fundamental e M&eacute;dio das escolas brasileiras, oficiais e particulares. Desde sua aprova&ccedil;&atilde;o, h&aacute; mais de 10 anos, essa modifica&ccedil;&atilde;o legal busca provocar impacto nestas escolas, no sentido de serem efetivados investimentos na forma&ccedil;&atilde;o de professores e na aquisi&ccedil;&atilde;o de materiais did&aacute;ticos para trabalhar esse tema. Frente a esse cen&aacute;rio, cabe perguntar: tal impacto atingiu/est&aacute; atingindo tamb&eacute;m as escolas de Educa&ccedil;&atilde;o Infantil brasileiras?</p>     <p>Embora a Educa&ccedil;&atilde;o Infantil seja legalmente reconhecida como primeira etapa da educa&ccedil;&atilde;o, a referida modifica&ccedil;&atilde;o na LDBEN n&atilde;o se estendeu &agrave;s crian&ccedil;as de 0-5 anos. Ser&aacute; que elas foram consideradas muito pequenas para tratar desse tema? Ser&aacute; que as pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas promotoras de igualdade racial na Educa&ccedil;&atilde;o Infantil devem ficar sujeitas &agrave; boa vontade da professora ou da escola, em detrimento de um direito legal de todas as crian&ccedil;as? Ser&aacute; que as pedagogias antirracistas n&atilde;o devem compor os curr&iacute;culos da Educa&ccedil;&atilde;o Infantil? Entendemos que, embora tal mudan&ccedil;a na LDBEN n&atilde;o tenha se estendido &agrave; Educa&ccedil;&atilde;o Infantil, isso n&atilde;o significa que a quest&atilde;o racial tenha ficado fora do curr&iacute;culo dessa etapa da educa&ccedil;&atilde;o. Cabe destacar que a Resolu&ccedil;&atilde;o n.&ordm; 5, de 17 de dezembro de 2009, que fixa as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educa&ccedil;&atilde;o Infantil (DCNEI), afirma que as diferentes culturas devem ser observadas na organiza&ccedil;&atilde;o de propostas pedag&oacute;gicas na Educa&ccedil;&atilde;o Infantil. Em seu Art. 7&ordm;, inciso V, esse documento pretende assegurar que as Propostas Pedag&oacute;gicas para a Educa&ccedil;&atilde;o Infantil se comprometam com o rompimento das rela&ccedil;&otilde;es de domina&ccedil;&atilde;o diversas, inclusive &eacute;tnico-racial. Como ser&aacute; que essas prerrogativas legais v&ecirc;m funcionando em nossas escolas de Educa&ccedil;&atilde;o Infantil, mais especialmente naquelas que atendem crian&ccedil;as de 0-3 anos? Al&eacute;m disso, no Art. 8&ordm;, incisos VIII e IX, as DCNEI determinam que seja garantida &agrave;s crian&ccedil;as a apropria&ccedil;&atilde;o das contribui&ccedil;&otilde;es hist&oacute;rico-culturais dos diferentes povos que constituem a na&ccedil;&atilde;o brasileira, bem como o combate ao racismo e &agrave; discrimina&ccedil;&atilde;o. Como ser&aacute; que tal artigo atravessa as rela&ccedil;&otilde;es entre crian&ccedil;as negras e brancas desde o ber&ccedil;&aacute;rio?</p>     <p>A preocupa&ccedil;&atilde;o por parte do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o (MEC), atrav&eacute;s de seu departamento espec&iacute;fico para a Educa&ccedil;&atilde;o Infantil, no sentido de auxiliar os professores na realiza&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas que contemplem as diferentes culturas j&aacute; era anterior &agrave; aprova&ccedil;&atilde;o das Diretrizes da Educa&ccedil;&atilde;o Infantil, como da Lei n.&ordm; 10.639/2003. Exemplo disso &eacute; o Referencial Curricular Nacional para a Educa&ccedil;&atilde;o Infantil (RCNEI), material colocado em circula&ccedil;&atilde;o em 1998 para atender &agrave;s determina&ccedil;&otilde;es da Lei de Diretrizes e Bases da Educa&ccedil;&atilde;o Nacional (Lei n.&ordm; 9.394/96). A referida lei incluiu, pela primeira vez, a Educa&ccedil;&atilde;o Infantil como integrante da Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica e, como decorr&ecirc;ncia, lan&ccedil;ou novos desafios aos profissionais dessa etapa. O RCNEI foi material organizado em tr&ecirc;s volumes e integrou a s&eacute;rie dos Par&acirc;metros Curriculares Nacionais, elaborados pelo MEC. No que tange aos objetivos gerais para a Educa&ccedil;&atilde;o Infantil, o referido documento aponta que as pr&aacute;ticas educacionais devem desenvolver a capacidade de &ldquo;conhecer algumas manifesta&ccedil;&otilde;es culturais, demonstrando atitudes de interesse, respeito e participa&ccedil;&atilde;o frente a elas e valorizando a diversidade&rdquo; (Brasil, 1998, v. 1, p. 63). Esse documento tamb&eacute;m instiga o profissional da Educa&ccedil;&atilde;o Infantil a &ldquo;assumir um trabalho de acolhimento &agrave;s diferentes express&otilde;es e manifesta&ccedil;&otilde;es das crian&ccedil;as e suas fam&iacute;lias&rdquo;, valorizando e respeitando a diversidade (Brasil, 1998, v. 1, p. 77). O RCNEI buscou garantir o acolhimento &agrave;s diferentes culturas, n&atilde;o se limitando apenas a entoar can&ccedil;&otilde;es, realizar dan&ccedil;as t&iacute;picas ou experimentar pratos t&iacute;picos em momentos pontuais, por ocasi&atilde;o de determinadas datas comemorativas.</p>     <p>Em 2012, o Instituto Avisa L&aacute;, em uma parceria com o MEC, com o Centro de Estudos das Rela&ccedil;&otilde;es de Trabalho e Desigualdades (CEERT) e com o N&uacute;cleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade de S&atilde;o Carlos, colocou em circula&ccedil;&atilde;o o material <i>Educa&ccedil;&atilde;o infantil e pr&aacute;ticas promotoras de igualdade racial </i>(Silva, Bento, &amp; Carvalho, 2012), com o prop&oacute;sito de, mais uma vez, apoiar os profissionais da Educa&ccedil;&atilde;o Infantil e as Secretarias de Educa&ccedil;&atilde;o na implementa&ccedil;&atilde;o do Art. 7&ordm;, inciso V, das DCNEI. Esse material discute a exist&ecirc;ncia da cren&ccedil;a de que a discrimina&ccedil;&atilde;o e o preconceito n&atilde;o fazem parte da rotina das escolas infantis, ou seja, &ldquo;n&atilde;o h&aacute; conflitos entre as crian&ccedil;as por conta de seus pertencimentos raciais, [e] que os professores nessa etapa n&atilde;o fazem escolhas com base no fen&oacute;tipo das crian&ccedil;as&rdquo; (Instituto Avisa L&aacute;, 2012, p. 9). Desse modo, ainda se faz necess&aacute;ria uma interven&ccedil;&atilde;o qualificada, que reconhe&ccedil;a as culturas afro-brasileiras como um componente importante no processo de educa&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as, e que essa interven&ccedil;&atilde;o perpasse as decis&otilde;es do cotidiano na escola de Educa&ccedil;&atilde;o Infantil.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>2. Por uma educa&ccedil;&atilde;o antirracista na inf&acirc;ncia</b></p>     <p>Em se tratando de uma educa&ccedil;&atilde;o antirracista para crian&ccedil;as, &eacute; imprescind&iacute;vel questionar as maneiras como os brinquedos e as brincadeiras colocados em circula&ccedil;&atilde;o nos tempos e espa&ccedil;os das creches e pr&eacute;-escolas produzem a ideia de supremacia de uns em rela&ccedil;&atilde;o aos outros – nesse caso, dos brancos sobre os negros.</p>     <p>Atrav&eacute;s das primeiras intera&ccedil;&otilde;es vividas com seu pr&oacute;prio corpo e com o corpo dos outros – adultos e pares –, as crian&ccedil;as constituem significados relacionados ao patrim&ocirc;nio cultural. Nesse sentido, cabe aos docentes a fun&ccedil;&atilde;o de coprodu&ccedil;&atilde;o do curr&iacute;culo, e isso &ldquo;efetiva-se na constru&ccedil;&atilde;o de um espa&ccedil;o educacional que favore&ccedil;a, atrav&eacute;s da interlocu&ccedil;&atilde;o com as crian&ccedil;as e as fam&iacute;lias, experi&ecirc;ncias nas diferentes linguagens e nas pr&aacute;ticas sociais e culturais de cada comunidade&rdquo; (Richter &amp; Barbosa, 2010, p. 85).</p>     <p>Dornelles (2006), em pesquisa desenvolvida com crian&ccedil;as de 5 anos que frequentavam uma escola de Educa&ccedil;&atilde;o Infantil de Porto Alegre, observou que, nas suas brincadeiras, as bonecas negras n&atilde;o eram a primeira escolha; contudo, algumas crian&ccedil;as se contentavam com essas, quando n&atilde;o conseguiam pegar as bonecas brancas para brincar. Tamb&eacute;m a investiga&ccedil;&atilde;o de Amaral (2013) mostra que as crian&ccedil;as de 3-6 anos de uma escola p&uacute;blica de Curitiba/PR apontam a boneca negra com sendo &ldquo;feia&rdquo;. Estudos de Marques (2013), produzidos a partir de brincadeiras com bonecas de diferentes tipos de corpos, na Educa&ccedil;&atilde;o Infantil, nos mostram que as crian&ccedil;as de 0-5 anos expressavam sentimentos condolentes em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s bonecas com defici&ecirc;ncias f&iacute;sicas ou sensoriais e organizavam brincadeiras de m&eacute;dico ou de hospital para medicalizar e curar o corpo dos brinquedos. As bonecas negras, contudo, provocavam sentimentos de repulsa e, em dados momentos, eram recha&ccedil;adas. O mesmo estudo tamb&eacute;m mostrou que crian&ccedil;as moradoras de um quilombo localizado perto de uma escola de Educa&ccedil;&atilde;o Infantil da Grande Porto Alegre eram identificadas com as &ldquo;crian&ccedil;as vindas do Planeta&rdquo; <a href="#1">[1]</a><a name="top1"></a> e a respeito destas circulavam, no ambiente escolar, coment&aacute;rios depreciativos com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s roupas e aos tra&ccedil;os afrodescendentes, como, por exemplo, seu cabelo carapinha, seu cheiro e sua cor de pele (Marques, 2013). Esses preconceitos emergiam nos momentos em que as crian&ccedil;as buscavam um lugar para sentar, um parceiro para dar a m&atilde;o, conversar ou brincar. </p>     <p>De acordo com Rosenberg (1979), uma das formas de discrimina&ccedil;&atilde;o das pessoas negras est&aacute; relacionada &agrave; associa&ccedil;&atilde;o do negro a personagens antropomorfizadas e a animais. Tamb&eacute;m os estudos de Amaral (2013) mostram o quanto &ldquo;imperava na institui&ccedil;&atilde;o uma valoriza&ccedil;&atilde;o da ‘branquidade normativa&rsquo;, presente em murais, cartazes, mascote, logomarca que representa a institui&ccedil;&atilde;o&rdquo; (p. 212) e no modo, muitas vezes velado, como as professoras expressam suas prefer&ecirc;ncias pelas crian&ccedil;as brancas. Em decorr&ecirc;ncia de tal valoriza&ccedil;&atilde;o, esta pesquisadora identificou certo desconforto expresso pelas crian&ccedil;as negras em rela&ccedil;&atilde;o ao seu pertencimento &eacute;tnico-racial, de modo a terem, visivelmente, afetadas a sua autoconfian&ccedil;a e autoestima. </p>     <p>As crian&ccedil;as, em casa, nas ruas ou nas escolas de Educa&ccedil;&atilde;o Infantil, n&atilde;o est&atilde;o alheias a estas percep&ccedil;&otilde;es em seu cotidiano. Os modos como as pessoas negras aparecem na maioria das imagens apresentadas na m&iacute;dia, ou seja, como pessoas est&eacute;tica, social e economicamente inferiores aos brancos, t&ecirc;m um &ldquo;conector hist&oacute;rico&rdquo;, como explica Sodr&eacute; (1999). Para esse autor, essas imagens se constitu&iacute;ram historicamente no Brasil, sendo &ldquo;um signo presente de um passado ausente&rdquo; (Sodr&eacute;, 1999, p. 118). Provocando a pensar nessa dire&ccedil;&atilde;o, Dornelles (2006) e Kaercher (2010) destacam a necessidade de se problematizar o modo como quest&otilde;es &eacute;tnico-raciais v&ecirc;m sendo apresentadas &agrave; inf&acirc;ncia, pois &eacute; importante que se questione n&atilde;o somente a maneira como as crian&ccedil;as interpretam e s&atilde;o afetadas por essas imagens, mas tamb&eacute;m o modo como as professoras o fazem. Apontam a necessidade de a quest&atilde;o da ra&ccedil;a ser trabalhada na forma&ccedil;&atilde;o de professores, abarcando n&atilde;o somente a pesquisa, mas tamb&eacute;m interven&ccedil;&otilde;es, no sentido de transformar a realidade &eacute;tnico-racial conflitiva na qual as crian&ccedil;as, negras ou n&atilde;o, v&ecirc;m sendo educadas. A educa&ccedil;&atilde;o antirracista na inf&acirc;ncia deve passar pela ludicidade e pela qualidade da interven&ccedil;&atilde;o do professor. Existem muitos &ldquo;modos&rdquo; de subjetivar, e os brinquedos e as brincadeiras s&atilde;o exemplos disso. Dornelles (2003) problematiza a forma como esses &ldquo;v&ecirc;m produzindo um tipo de corpo, um g&ecirc;nero, uma ra&ccedil;a, uma gera&ccedil;&atilde;o, uma etnia, enfim, sujeitos infantis de um tipo, e n&atilde;o de outro&rdquo; (p. 18). Desse modo, os brinquedos s&atilde;o artefatos culturais nada inocentes – eles produzem determinados tipos de sujeitos infantis e n&atilde;o outros (Marques, 2013). Isso n&atilde;o pode deixar de ser problematizado aquando da an&aacute;lise cultural infantil contempor&acirc;nea, tendo em vista os efeitos do poder de compra e das desigualdades sociais que se manifestam nas inf&acirc;ncias e nas brincadeiras das crian&ccedil;as (Sarmento, 2005). </p>     <p>Espa&ccedil;os, brinquedos e outros materiais did&aacute;ticos alusivos &agrave;s culturas afro-brasileiras podem oportunizar &agrave;s crian&ccedil;as pequenas o prazer do encontro com as diferen&ccedil;as, atrav&eacute;s de seus sons, cores, sabores, texturas, cheiros, movimentos, brilhos. A cria&ccedil;&atilde;o desses espa&ccedil;os pedag&oacute;gicos, bem como a produ&ccedil;&atilde;o de outras pedagogias, com suas a&ccedil;&otilde;es educativas, podem vir a promover uma educa&ccedil;&atilde;o antirracista. Para que &ldquo;outra&rdquo; realidade seja constru&iacute;da, &eacute; preciso que tal discuss&atilde;o atravesse o cotidiano das escolas de Educa&ccedil;&atilde;o Infantil e a forma&ccedil;&atilde;o dos professores, n&atilde;o s&oacute; no curso de Pedagogia, mas em qualquer inst&acirc;ncia de educa&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. As alamedas da pesquisa</b></p>     <p>Qual o impacto do Art. 7&ordm;, inciso V, das DCNEI nas escolas de Educa&ccedil;&atilde;o Infantil? De que modo as culturas afro-brasileiras v&ecirc;m sendo apresentadas &agrave;s crian&ccedil;as de 0-3 anos? Para tentar responder a essas quest&otilde;es, buscamos fazer, durante a pesquisa, um exerc&iacute;cio de <i>conversa</i>. Chamamos a aten&ccedil;&atilde;o para o termo <i>conversa</i>, pois se toma como refer&ecirc;ncia o conceito de Larrosa (2003), quando afirma que &ldquo;se algu&eacute;m pode discutir ou dialogar, ou debater, com qualquer um, &eacute; claro que n&atilde;o se pode conversar com qualquer um&rdquo; (p. 212). Ent&atilde;o, uma palestra ou um discurso podem ser preparados de antem&atilde;o, mas uma conversa n&atilde;o. Conversar tem o significado de falar &ldquo;com&rdquo; os outros – o que &eacute; diferente de falar &ldquo;para&rdquo; os outros. Falar &ldquo;com&rdquo; os outros requer escuta. Escutar &eacute; acolher os pensamentos do outro e deixar que esses provoquem nossos pr&oacute;prios pensamentos. Por isso falamos/<i>conversamos</i> sobre ra&ccedil;a com crian&ccedil;as, estudantes de Pedagogia e gestores de escolas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Apoiadas no pensamento de Larrosa (2003), escolhemos que os rumos sobre o mito do preconceito racial, nessa <i>conversa</i>, seriam constru&iacute;dos na pr&oacute;pria <i>conversa</i>. O prop&oacute;sito foi investigar os modos como a cultura afro-brasileira vem sendo apresentada &agrave;s crian&ccedil;as, em escolas de Educa&ccedil;&atilde;o Infantil, para implementa&ccedil;&atilde;o do Art. 7&ordm;, inciso V, das DCNEI. Tal investiga&ccedil;&atilde;o envolveu 11 escolas da regi&atilde;o metropolitana de Porto Alegre, no ano de 2013.</p>     <p>A equipe de investiga&ccedil;&atilde;o contou com a colabora&ccedil;&atilde;o de um grupo de 14 assistentes de pesquisa, estudantes do curso de Pedagogia, matriculadas na disciplina de Educa&ccedil;&atilde;o Infantil, em uma institui&ccedil;&atilde;o privada, localizada na regi&atilde;o metropolitana de Porto Alegre. Essas estudantes colaboraram nas diferentes etapas da investiga&ccedil;&atilde;o, sendo que, para isso, foram realizados encontros semanais com as pesquisadoras. Nesses encontros foram estudadas as determina&ccedil;&otilde;es/orienta&ccedil;&otilde;es da Lei n.&ordm; 10.639/2003 e da Resolu&ccedil;&atilde;o n.&ordm; 5/2009, bem como discutidos diversos estudos acad&ecirc;micos que tratam da racialidade e da educa&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as de 0-3 anos, entre eles: Amaral (2013), Dornelles (2003, 2006), Kaercher (2010), Marques (2013), Rosenberg (1979), e outros.</p>     <p>Investigaram-se 11 escolas de Educa&ccedil;&atilde;o Infantil que atendem crian&ccedil;as de 0-3 anos, sendo tr&ecirc;s p&uacute;blicas (EMEI) e oito de iniciativa privada (EEI). Em cada uma dessas institui&ccedil;&otilde;es, foram entrevistados dois profissionais: uma pessoa representante da gest&atilde;o e uma professora de Educa&ccedil;&atilde;o Infantil que atua com crian&ccedil;as de 0-3 anos, perfazendo um total de 22 profissionais, todas do sexo feminino (v. <a href="/img/revistas/rpe/v32n1/32n1a07t1.jpg" target="_blank">Tabela 1</a>). </p>     
<p>Sobre a forma&ccedil;&atilde;o dessas profissionais, constatamos que todas as professoras possu&iacute;am qualifica&ccedil;&atilde;o para a doc&ecirc;ncia na Educa&ccedil;&atilde;o Infantil, sendo que apenas duas delas possu&iacute;am a forma&ccedil;&atilde;o m&iacute;nima prevista na LDBN para essa doc&ecirc;ncia, ou seja, o curso de Magist&eacute;rio, em n&iacute;vel m&eacute;dio. No que se refere &agrave; forma&ccedil;&atilde;o das gestoras, sete delas eram graduadas em Pedagogia e quatro em Letras e Psicologia.</p>     <p>A metodologia abarcou observa&ccedil;&otilde;es nos espa&ccedil;os escolares e entrevista com uma gestora e uma professora, em cada uma das 11 escolas pesquisadas. Para isso, as pesquisadoras elaboraram, em conjunto com as assistentes de pesquisa, tr&ecirc;s roteiros semiestruturados contendo t&oacute;picos para orientar as observa&ccedil;&otilde;es e as conversas com as professoras e com as gestoras. As quest&otilde;es que constitu&iacute;ram esses instrumentos foram elaboradas tendo como refer&ecirc;ncia os estudos realizados pelo grupo de pesquisadores acerca das legisla&ccedil;&otilde;es brasileiras e de publica&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas sobre ra&ccedil;a e Educa&ccedil;&atilde;o Infantil, estudadas durante os encontros. O primeiro instrumento (v. <a href="/img/revistas/rpe/v32n1/32n1a07t2.jpg" target="_blank">Tabela 2</a>) foi elaborado com o prop&oacute;sito de documentar as imagens, os materiais e os brinquedos alusivos &agrave; cultura africana presentes nos espa&ccedil;os das escolas infantis pesquisadas. </p>     
<p>&Eacute; importante pontuar que as observa&ccedil;&otilde;es nas turmas de Educa&ccedil;&atilde;o Infantil n&atilde;o tiveram o prop&oacute;sito de classificar as crian&ccedil;as conforme categorias predefinidas pela Psicologia do Desenvolvimento (Dahlberg, Moss, &amp; Pence, 2003, p. 191), mas de entrar com curiosidade no espa&ccedil;o das professoras e das crian&ccedil;as para conhecer o que acontecia (ou n&atilde;o) quando esse tema era tratado, ou seja, como as quest&otilde;es raciais atravessavam o cotidiano de cada Escola Infantil.</p>     <p>O segundo e o terceiro instrumentos consistiram em um &ldquo;roteiro de entrevista&rdquo; com as professoras e gestoras. Contudo, sab&iacute;amos que tal roteiro deveria ser t&atilde;o flex&iacute;vel quanto fosse necess&aacute;rio, de modo a n&atilde;o formalizar a entrevista, mas, ao contr&aacute;rio, criar condi&ccedil;&otilde;es para que ela acontecesse na forma de uma conversa entre pesquisadores, professores e gestores. Os pontos sobre os quais tais conversas transitaram envolveram o Projeto Pol&iacute;tico Pedag&oacute;gico (PPP) da escola, as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educa&ccedil;&atilde;o Infantil, os planejamentos e os materiais que usavam para tratar desse tema com as crian&ccedil;as, bem como as dificuldades que encontravam para implementar, ou n&atilde;o, o Art. 7&ordm;, inciso V, das DCNEI (v. <a href="/img/revistas/rpe/v32n1/32n1a07t3.jpg" target="_blank">Tabelas 3</a> e <a href="/img/revistas/rpe/v32n1/32n1a07t4.jpg" target="_blank">4</a>).</p>     
<p>Os momentos de observa&ccedil;&atilde;o e de entrevistas foram agendados anteriormente com as participantes, conforme a disponibilidade de tempo de cada uma. Elas receberam as informa&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias sobre a pesquisa e oficializaram sua participa&ccedil;&atilde;o mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE). Despois de cumpridas as exig&ecirc;ncias &eacute;ticas para realiza&ccedil;&atilde;o de pesquisa com seres humanos, foram aplicados os instrumentos de pesquisa. As observa&ccedil;&otilde;es foram fotografadas e registradas em um caderno de campo, mediante autoriza&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via para uso de imagens, concedida por escrito pela dire&ccedil;&atilde;o das escolas. As entrevistas com as gestoras e professoras foram gravadas e depois transcritas pelas assistentes de pesquisa. As pesquisadoras reuniram-se semanalmente com as assistentes de pesquisa para tratamento das informa&ccedil;&otilde;es. Os dados produzidos foram articulados com os documentos organizados pelo MEC que tratam dessa tem&aacute;tica – entre eles, DCNEI (2009), RCNEI (Brasil, 1998) e Pr&aacute;ticas Promotoras de Igualdade Racial – e com estudos publicados por pesquisadores no campo da educa&ccedil;&atilde;o de beb&ecirc;s no contexto escolar e de quest&otilde;es raciais – entre eles: Amaral (2013), Dias (2012), Dornelles (2003, 2006), Gomes (2005, 2012), Hall (2003), Kaercher (2010), Marques (2013), Martins (2009), Oliveira e Abramowicz (2010), Sarmento (2005), Sarmento, Fernandes, e Tom&aacute;s (2007),&nbsp; dentre outros.</p>     <p>A partir dessa articula&ccedil;&atilde;o, emergiram tr&ecirc;s categorias que nos pareceram indissoci&aacute;veis e, por isso, ser&atilde;o apresentadas/discutidas em conjunto: a invisibilidade do PPP, o sil&ecirc;ncio nas rotinas e o vazio nos espa&ccedil;os. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>4. A invisibilidade do Projeto Pol&iacute;tico Pedag&oacute;gico, o sil&ecirc;ncio nas rotinas e o vazio nos espa&ccedil;os: achados dessa/nessa pesquisa sobre as quest&otilde;es raciais nos ber&ccedil;&aacute;rios</b></p>     <p>Tendo em vista que as DCNEI orientam que as propostas pedag&oacute;gicas das escolas de Educa&ccedil;&atilde;o Infantil contemplem as quest&otilde;es raciais, como apontamos desde o in&iacute;cio, entendemos como importante investigar o que consta nos PPPs das escolas sobre as mesmas. Contudo, de modo geral, as assistentes de pesquisa encontraram dificuldade em acessar esse documento nas escolas investigadas. As gestoras das 11 escolas afirmaram que suas institui&ccedil;&otilde;es possuem PPP, mas apenas duas possibilitaram o acesso direto ao documento, que deveria estar ao alcance de toda a comunidade escolar. Entre as justificativas apresentadas pelas gestoras das demais escolas para n&atilde;o disponibilizarem seu PPP, estava o fato de que o documento se encontrava em processo de elabora&ccedil;&atilde;o.&nbsp; </p>     <p>Em um desses projetos constatamos que a escola se compromete em &ldquo;trabalhar a realidade cultural e social na vida cotidiana&rdquo; (EEI3), contudo n&atilde;o est&aacute; claro nessa proposta qual a realidade social e cultural que ser&aacute; trabalhada. Consideramos ser comum que se encontrem, nos espa&ccedil;os escolares, fam&iacute;lias e crian&ccedil;as de diferentes realidades sociais e culturais. No Projeto da outra escola (EMEI6), que faz refer&ecirc;ncia &agrave;s quest&otilde;es raciais, encontramos de forma mais expl&iacute;cita o compromisso com o rompimento de rela&ccedil;&otilde;es de domina&ccedil;&atilde;o et&aacute;ria, socioecon&ocirc;mica, &eacute;tnico-racial, de g&ecirc;nero, regional, lingu&iacute;stica e religiosa. Esse compromisso assumido pela escola, atrav&eacute;s de seu PPP, mostra um di&aacute;logo estreito com as DCNEI. No entanto, &eacute; importante considerar que, para fazer uma an&aacute;lise mais completa, ainda seria necess&aacute;rio conhecer mais detalhadamente a forma como se deu o processo de elabora&ccedil;&atilde;o desse documento escolar, ou seja, quem foram as pessoas que atuaram na organiza&ccedil;&atilde;o e os modos como estiveram envolvidas em sua constru&ccedil;&atilde;o. Ainda cabe colocar em suspenso a ideia de que este efetivamente oriente as pr&aacute;ticas que acontecem no cotidiano da escola, considerando que a professora que atua na referida escola n&atilde;o conhece tal documento. Assim, estamos querendo dizer da import&acirc;ncia de essa tem&aacute;tica estar contemplada no PPP da escola, mas esse dado &eacute; insuficiente para afirmar que naquele espa&ccedil;o estejam sendo implantadas as DCNEI.</p>     <p>Conforme o Art. 12&ordm; da LDBEN, &ldquo;os estabelecimentos de ensino, respeitando as normascomuns e as do seu sistema de ensino, ter&atilde;o a incumb&ecirc;ncia de elaborar e executar sua proposta pedag&oacute;gica&rdquo;. Essa elabora&ccedil;&atilde;o requer um trabalho coletivo envolvendo gestores, professores, funcion&aacute;rios, pais e representantes da comunidade; enfim, &eacute; um documento que resulta de um processo de gest&atilde;o democr&aacute;tica e mostra a identidade da escola, ou seja:</p>     <p>     <blockquote>Ele revela seu contexto, sua hist&oacute;ria, seus sonhos, seus desejos, suas cren&ccedil;as, seus valores, suas concep&ccedil;&otilde;es e, a partir disso, os princ&iacute;pios e as diretrizes que orientam sua a&ccedil;&atilde;o de educar as crian&ccedil;as e cuidar delas. Revela suas formas de organiza&ccedil;&atilde;o, planejamento, avalia&ccedil;&atilde;o, suas articula&ccedil;&otilde;es, suas dificuldades, seus problemas e a forma de super&aacute;-los, uma vez que o processo de constitui&ccedil;&atilde;o de identidades &eacute; din&acirc;mico, a proposta pedag&oacute;gica de uma institui&ccedil;&atilde;o est&aacute; sempre num movimento de constru&ccedil;&atilde;o e reconstru&ccedil;&atilde;o. (Lopes, Mendes, &amp; Faria, 2006, p. 13)</blockquote>     <p></p>     <p>Nesse sentido, a pesquisa mostrou que a elabora&ccedil;&atilde;o desse documento, que est&aacute; sempre em um movimento de reconstru&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m vem servindo de subterf&uacute;gio para a n&atilde;o consolida&ccedil;&atilde;o desse trabalho nas escolas, considerando que, como foi dito anteriormente, somente duas escolas apresentaram seus Projetos Pol&iacute;tico Pedag&oacute;gicos. Entre outras coisas, isso sinaliza que a institui&ccedil;&atilde;o ainda n&atilde;o tem bem claro quais s&atilde;o os seus sonhos, os seus desejos, as suas concep&ccedil;&otilde;es, os seus caminhos, os seus desafios, etc., pois, segundo Lib&acirc;neo, Toschi, e Oliveira (2005), o Projeto Pedag&oacute;gico &eacute; um documento que &ldquo;prop&otilde;e uma dire&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e pedag&oacute;gica para o trabalho escolar, formula metas, prev&ecirc; as a&ccedil;&otilde;es, institui procedimentos e instrumentos de a&ccedil;&atilde;o&rdquo; (p. 345). Embora as representantes da gest&atilde;o afirmem que suas escolas possuem um PPP, esse documento encontra-se invis&iacute;vel &agrave; comunidade escolar.</p>     <p>Ainda com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s DCNEI, documento elaborado pelo MEC, que deveria orientar a constru&ccedil;&atilde;o dos PPP, somente tr&ecirc;s gestoras entrevistadas afirmaram conhecer e j&aacute; terem trabalhado com esse material em reuni&otilde;es pedag&oacute;gicas (GE1, GE4 e GE5). As demais n&atilde;o conhecem ou n&atilde;o souberam responder. Uma das gestoras, que &eacute; graduada em Psicologia (GE7), afirmou n&atilde;o ver necessidade de trabalhar as DCNEI com seu grupo de professoras. Outra afirmou ter estudado esse material durante o seu curso de gradua&ccedil;&atilde;o. Analisando os dados coletados junto &agrave;s professoras e &agrave;s gestoras, temos um cen&aacute;rio que questiona o efetivo funcionamento, nas escolas, das leis vigentes. Das 22 profissionais entrevistadas, apenas sete (GE1, GE4, GE5, P1, P5, P8, P11) afirmaram conhecer as DCNEI, documento que deveria orientar a constru&ccedil;&atilde;o das propostas pedag&oacute;gicas das escolas onde atuam. Conhecer esse e outros documentos, tais como a Lei de Diretrizes e Bases da Educa&ccedil;&atilde;o Nacional (1996) e o Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente (1990), &eacute;, ou deveria ser, um mote para a problematiza&ccedil;&atilde;o das quest&otilde;es raciais que atravessam as rotinas e os espa&ccedil;os da Educa&ccedil;&atilde;o Infantil no pa&iacute;s.</p>     <p>Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; segunda categoria, ou seja, o silenciamento das quest&otilde;es raciais nas rotinas das escolas pesquisadas, as gestoras e as professoras entrevistadas afirmaram que n&atilde;o h&aacute; necessidade de tratar desse tema porque n&atilde;o existem problemas raciais em suas institui&ccedil;&otilde;es. Apenas uma das gestoras relatou que, certa vez, &ldquo;no banheiro, as crian&ccedil;as passavam a toalhinha em um colega negro para limpar a cor dele&rdquo; (GE5). Reconhecer que existe racismo no cotidiano das escolas &eacute;, segundo Gomes (2005), &ldquo;um ponto importante porque rompe com a hipocrisia da nossa sociedade diante da situa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o negra e mesti&ccedil;a desse pa&iacute;s e exige um posicionamento dos(as) educadores(as)&rdquo; (p. 147).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O fato de as crian&ccedil;as serem pequenas foi o principal argumento apresentado para o silenciamento das quest&otilde;es raciais no dia a dia da escola infantil, como podemos ver: &ldquo;as crian&ccedil;as n&atilde;o fazem discrimina&ccedil;&atilde;o porque ainda n&atilde;o entendem&rdquo; (P7); &ldquo;as crian&ccedil;as s&atilde;o pequenas e n&atilde;o t&ecirc;m no&ccedil;&atilde;o de diversidade&rdquo; (P2); e &ldquo;os pequenos ainda n&atilde;o t&ecirc;m muita no&ccedil;&atilde;o do que s&atilde;o preconceitos, os maiores &eacute; que, muitas vezes, s&atilde;o influenciados pelos pais e trazem um pouco de preconceitos sobre negro, sobre diferente, etc.&rdquo; (P6). Todavia, segundo Oliveira e Abramowicz (2010),</p>     <p>     <blockquote>as crian&ccedil;as nessa faixa et&aacute;ria j&aacute; conseguem apresentar uma percep&ccedil;&atilde;o das diferen&ccedil;as raciais, podendo, a partir dessa idade, come&ccedil;ar a cristalizar determinadas atitudes com sentido preconceituoso em rela&ccedil;&atilde;o aos que diferem de suas caracter&iacute;sticas f&iacute;sicas, evidenciando a necessidade de se iniciar uma interven&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica que vise &agrave; destitui&ccedil;&atilde;o desse tipo de atitude em rela&ccedil;&atilde;o aos colegas. (p. 212)</blockquote>     <p></p>     <p>Outro argumento tamb&eacute;m usado pelas gestoras foi a quase aus&ecirc;ncia de crian&ccedil;as negras na escola, ou seja, &ldquo;esse trabalho n&atilde;o precisa ser feito todo o tempo, pois n&atilde;o h&aacute; muitos alunos negros na escola. Temos no m&aacute;ximo quatro&rdquo; (GE2). Tal pensamento evidencia o equ&iacute;voco de que a hist&oacute;ria e as culturas africanas digam respeito exclusivamente &agrave;s pessoas negras.</p>     <p>&Eacute; necess&aacute;rio que se tenha cuidado para com a recorr&ecirc;ncia da ideia de inf&acirc;ncia associada &agrave; felicidade e &agrave; puerilidade, bem como sobre o equ&iacute;voco de que a discrimina&ccedil;&atilde;o e o preconceito n&atilde;o fazem parte do cotidiano da Educa&ccedil;&atilde;o Infantil (Instituto Avisa L&aacute;, 2012). Ou seja, de que n&atilde;o h&aacute; conflitos entre as crian&ccedil;as por conta de seus pertencimentos raciais e de que os professores, nessa etapa, n&atilde;o fazem escolhas com base no fen&oacute;tipo das crian&ccedil;as. As crian&ccedil;as da escola de Educa&ccedil;&atilde;o Infantil n&atilde;o vivem em redomas protegidas de qualquer tipo de preconceito. Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s pr&aacute;ticas racistas manifestas pelos professores junto a crian&ccedil;as de 0-2 anos, a pesquisa desenvolvida por Oliveira e Abramowicz (2010) mostra que &ldquo;os beb&ecirc;s negros s&atilde;o menos ‘paparicados&rsquo; pelas professoras do que os beb&ecirc;s brancos. Ou seja, o racismo, na pequena inf&acirc;ncia, incide diretamente sobre o corpo, na maneira pela qual ele &eacute; constru&iacute;do, acariciado ou repugnado&rdquo; (p. 222).</p>     <p>No que se refere a a&ccedil;&otilde;es antirracistas no dia a dia das escolas, as gestoras entrevistadas afirmaram que promovem essas a&ccedil;&otilde;es e apontaram os dias 13 de maio <a href="#2">[2]</a><a name="top2"></a> e 20 de novembro <a href="#3">[3]</a><a name="top3"></a>como os momentos em que elas acontecem. Somente uma dessas gestoras (GE3) afirmou que tais a&ccedil;&otilde;es ocorrem no cotidiano. Ao serem indagadas sobre quais documentos orientam essas a&ccedil;&otilde;es, nenhum dos referidos foi elencado por elas. Entre as professoras, apenas P6 e P8 afirmaram j&aacute; ter desenvolvido pr&aacute;ticas relacionadas ao tema em quest&atilde;o. Nesse sentido,</p>     <p>     <blockquote>torna-se necess&aacute;rio refletir at&eacute; que ponto as culturas oriundas dos grupos subordinados na sociedade, cujas contribui&ccedil;&otilde;es n&atilde;o s&atilde;o consideradas como tradi&ccedil;&atilde;o e passado significativo e, por isso, s&atilde;o invisibilizadas e minimizadas nos curr&iacute;culos, poder&atilde;o vir a ser objeto de investiga&ccedil;&atilde;o e constituir-se na pr&aacute;tica educativa dos professores. (Silva, 2005, p. 21)</blockquote>     <p></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As demais professoras, durante as entrevistas, pontuaram a pouca idade das crian&ccedil;as – por exemplo: &ldquo;os alunos s&atilde;o muito pequenos e ainda n&atilde;o t&ecirc;m compreens&atilde;o sobre desigualdade&rdquo; (P2); &ldquo;s&oacute; trabalho animais e m&uacute;sicas, porque elas s&atilde;o muito pequenas e n&atilde;o t&ecirc;m prefer&ecirc;ncia racial&rdquo; (P7); e &ldquo;acredito que se fosse trabalhar seria bem dif&iacute;cil, devido ao fato de elasn&atilde;o pararem mais de 10 minutos em cada atividade&rdquo; (P6). Tais argumentos das professoras comprovam aquilo que aponta Barbosa (2010), quando problematiza o modo como as crian&ccedil;as s&atilde;o descritas e definidas, ou seja, a partir de suas fragilidades, incapacidades e imaturidade. </p>     <p>Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s quest&otilde;es raciais, este estudo mostrou que predomina o sil&ecirc;ncio na rotina dos ber&ccedil;&aacute;rios, ou seja, pouco se diz e pouco se faz sobre ra&ccedil;a com as crian&ccedil;as de 0-3 anos. </p>     <p>Ainda chamou aten&ccedil;&atilde;o o fato de a professora (P11) afirmar n&atilde;o contemplar esse tema em seus planejamentos di&aacute;rios, argumentando n&atilde;o ter alunos negros. Essa justificativa desconsidera que viver experi&ecirc;ncias relacionadas a diferentes culturas, al&eacute;m de uma determina&ccedil;&atilde;o legal, &eacute; um direito de todas as crian&ccedil;as, sendo um equ&iacute;voco acreditar que a aus&ecirc;ncia de pessoas negras em uma institui&ccedil;&atilde;o a exime de incluir diferen&ccedil;as raciais em seu curr&iacute;culo. Afinal, as escolas est&atilde;o inseridas em um contexto muito maior do que elas mesmas e, desse modo, n&atilde;o se pode pensar as rela&ccedil;&otilde;es raciais fora do conjunto das rela&ccedil;&otilde;es sociais (Gomes, 2005, p. 147). Por fim, ao serem indagadas sobre a exist&ecirc;ncia de alguma dificuldade para abordar esse tema nas escolas, as gestoras entrevistadas afirmaram n&atilde;o existir qualquer problema nesse sentido. Entre as professoras, somente duas delas apontaram dificuldades para tratar desse tema na Educa&ccedil;&atilde;o Infantil, fazendo, mais uma vez, refer&ecirc;ncia &agrave; idade das crian&ccedil;as, ou seja, &ldquo;eles [beb&ecirc;s] n&atilde;o se comunicam, dificultando a troca entre professor-aluno e aluno-aluno, mas acredito que a partir dos 4 anos eles j&aacute; tenham uma compreens&atilde;o maior&rdquo; (P6). Ser&aacute; que os beb&ecirc;s precisam crescer para se comunicar e para serem escutados? Tal discurso da professora mostra o desconhecimento acerca das m&uacute;ltiplas linguagens que os beb&ecirc;s dominam, e sua postura faz jus &agrave; preocupa&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o, expressa nas DCNEI, em priorizar as discuss&otilde;es sobre como orientar o trabalho junto &agrave;s crian&ccedil;as de at&eacute; 3 anos em creches.</p>     <p>Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; terceira categoria, o vazio nos espa&ccedil;os, o estudo mostrou que as paredes das escolas e as salas de aula est&atilde;o, praticamente, vazias de imagens e materiais pedag&oacute;gicos alusivos &agrave; cultura afro-brasileira. Somente quatro gestoras (G2, G5, G8 e G10) afirmaram que suas escolas possuem materiais pedag&oacute;gicos para desenvolver trabalhos relacionados &agrave;s diferen&ccedil;as raciais, entre eles, fantoches e livros. Contudo, assim como ocorreu com os PPPs, as assistentes de pesquisa n&atilde;o tiveram acesso a esses materiais, pois, segundo as gestoras, estes se encontravam guardados na secretaria, no dep&oacute;sito, na biblioteca e/ou na sala de Psicologia. As profissionais tamb&eacute;m n&atilde;o souberam listar os t&iacute;tulos das obras de literatura infantil que versam sobre esse tema que a escola possui. As professoras afirmaram que possuem materiais did&aacute;ticos e citaram as bonecas, os fantoches, figuras de pessoas negras e o livro <i>Menina Bonita do La&ccedil;o de Fita </i><a href="#4">[4]</a><a name="top4"></a>, de Ana Maria Machado.</p>      <p>Vemos aqui que tanto as professoras como as gestoras possuem um repert&oacute;rio bastante restrito no que se refere &agrave; literatura infantil que versa sobre esse tema, de modo que somente uma obra foi nomeada por elas. Temos hoje, no Brasil, materiais ricos que tratam desse tema; contudo, ainda circulam pouco nas escolas.</p>     <p>Outra professora apontou &ldquo;falta de recursos&rdquo; (P11) como dificuldade em trabalhar o tema na sua turma. Destaca-se, contudo, que essa escola integra a rede p&uacute;blica, sendo que cabe &agrave;s Secretarias de Educa&ccedil;&atilde;o a responsabilidade em prover os recursos necess&aacute;rios. Sobre isso, resta indagar se essa escola tem solicitado tais materiais junto &agrave; Secretaria, pois muitas escolas brasileiras, mesmo tendo recebido o material do MEC, mant&ecirc;m-nos em caixas fechadas, abrindo, &agrave;s vezes, por solicita&ccedil;&atilde;o dos professores ou em datas comemorativas. </p>     <p>Entendemos que uma Educa&ccedil;&atilde;o Infantil antirracista requer, primeiramente, que se reconhe&ccedil;a que existe discrimina&ccedil;&atilde;o racial na sociedade brasileira e que est&aacute; presente nas diferentes etapas da Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica, inclusive nos ber&ccedil;&aacute;rios. Em se tratando da educa&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as pequenas, os PPPs das escolas precisam ser alinhados com as DCNEI, naquilo que recomendam em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s quest&otilde;es raciais, no Art. 7&ordm;, inciso V. O rompimento do mito da aus&ecirc;ncia de preconceito racial na Educa&ccedil;&atilde;o Infantil requer que se problematize a invisibilidade dos PPPs das escolas, o sil&ecirc;ncio nas rotinas e o vazio de refer&ecirc;ncias afro-brasileiras nos espa&ccedil;os escolares.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>5. Alinhavos finais dessa pesquisa</b></p>     <p>O mito da aus&ecirc;ncia de preconceito racial continua presente nas escolas de Educa&ccedil;&atilde;o Infantil no Brasil. As novas legisla&ccedil;&otilde;es e os documentos importantes colocados em circula&ccedil;&atilde;o pelo Minist&eacute;rio de Educa&ccedil;&atilde;o ainda est&atilde;o invis&iacute;veis nos Projetos Pol&iacute;tico Pedag&oacute;gicos das escolas, sendo que as DCNEI s&atilde;o pouco conhecidas e discutidas em reuni&otilde;es pedag&oacute;gicas pelos gestores e professores que atuam com crian&ccedil;as de 0-3 anos. A maioria das escolas pesquisadas n&atilde;o consolidou seu PPP, comprometendo n&atilde;o s&oacute; a identidade, mas tamb&eacute;m a dire&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e pedag&oacute;gica da institui&ccedil;&atilde;o, como alertam os estudos de Lib&acirc;neo, Toschi, e Oliveira (2005) e de Lopes et al. (2006). Diversas professoras e gestoras participantes da pesquisa ainda possuem uma concep&ccedil;&atilde;o de inf&acirc;ncia e de crian&ccedil;a que deve ser problematizada, considerando os estudos de Barbosa (2010), Gomes (2005), Sarmento (2005), Sarmento et al. (2007), quando afirmam as crian&ccedil;as como sujeitos hist&oacute;ricos, culturais e de direitos. Durante as conversas, disseram mais sobre as coisas que os beb&ecirc;s n&atilde;o s&atilde;o e n&atilde;o fazem do que sobre aquilo que eles expressam nas rotinas e espa&ccedil;os da escola. A partir disso, negam a ocorr&ecirc;ncia de qualquer tipo de preconceito racial na Educa&ccedil;&atilde;o Infantil e afirmam que as crian&ccedil;as n&atilde;o t&ecirc;m &ldquo;no&ccedil;&atilde;o&rdquo; de diferen&ccedil;a racial, desconsiderando estudos diversos – entre eles, Amaral (2013), Dornelles (2003, 2006), Kaercher (2010), Marques (2013), Sodr&eacute; (1999) – que mostram o quanto as crian&ccedil;as est&atilde;o atentas &agrave;s diferen&ccedil;as raciais. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As observa&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m mostraram um sil&ecirc;ncio na rotina e um vazio nos espa&ccedil;os. Quando falamos em &ldquo;sil&ecirc;ncio na rotina&rdquo;, estamos nos referindo &agrave; aus&ecirc;ncia de conversas, m&uacute;sicas e hist&oacute;rias alusivas &agrave; cultura africana e afro-brasileira no dia a dia dos beb&ecirc;s e crian&ccedil;as pequenas. Os dados mostraram que as culturas de matriz africana invadem a rotina das escolas somente em momentos pontuais, como o Dia da Aboli&ccedil;&atilde;o da Escravatura e a Semana da Consci&ecirc;ncia Negra, contribuindo para disseminar e fortalecer a ideia de que s&atilde;o culturas ex&oacute;ticas. Com rela&ccedil;&atilde;o ao vazio no espa&ccedil;o, estamos fazendo refer&ecirc;ncia &agrave; falta de lugar para que as crian&ccedil;as negras se vejam representadas nas imagens expostas nas paredes, nos livros infantis, nos brinquedos e em outros materiais pedag&oacute;gicos presentes na escola. Ao tratarmos de uma educa&ccedil;&atilde;o antirracista desde os beb&ecirc;s, falamos em crian&ccedil;a cidad&atilde; e n&atilde;o defendemos somente seus direitos de perten&ccedil;a a uma determinada comunidade, mas sim, como sugerem Sarmento et al. (2007), que as crian&ccedil;as negras usufruam de seus direitos civis, pol&iacute;ticos, culturais e de natureza social. Enfim, tratamos de uma Educa&ccedil;&atilde;o Infantil que ainda carece de investimentos em recursos f&iacute;sicos, materiais e na forma&ccedil;&atilde;o de professores para que se possa avan&ccedil;ar na concretiza&ccedil;&atilde;o do Art. 7&ordm;, inciso V, das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educa&ccedil;&atilde;o Infantil.</p>     <p>Este foi um estudo pontual e localizado sobre o mito da aus&ecirc;ncia de preconceito racial na Educa&ccedil;&atilde;o Infantil brasileira. Retom&aacute;-lo em outros lugares e em outros momentos &eacute; necess&aacute;rio para que se possa fazer ecoar, na forma&ccedil;&atilde;o de professores e nas escolas de Educa&ccedil;&atilde;o Infantil, as hist&oacute;rias e as culturas das fam&iacute;lias de tantas crian&ccedil;as brasileiras. &nbsp;</p>     <p>Observamos que o mito da aus&ecirc;ncia do preconceito, que se apresenta nas escolas investigadas, acaba desautorizando uma gama muito grande de diferen&ccedil;as culturais que atravessam a educa&ccedil;&atilde;o desde os beb&ecirc;s, tendo em vista que as identidades negras s&atilde;o constitu&iacute;das em meio a rela&ccedil;&otilde;es de poder e de hierarquias. Assim encerramos, por ora, nossa <i>conversa</i>, com o desejo de &ldquo;imaginar o ato de educar como uma coloca&ccedil;&atilde;o, &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o do outro, de tudo aquilo que o possibilite ser distinto do que &eacute;, em algum aspecto. Uma educa&ccedil;&atilde;o que aposte transitar por um itiner&aacute;rio plural, criativo, sem regras r&iacute;gidas que definam os horizontes de possibilidades&rdquo; (Duschatzky &amp; Skliar, 2001, p. 119), tendo em vista que o outro &eacute; o outro e s&oacute;.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Refer&ecirc;ncias</p>     <p>Amaral, A. C. T. (2013). <i>A inf&acirc;ncia pequena e a constru&ccedil;&atilde;o da identidade &eacute;tnico-racial na educa&ccedil;&atilde;o infantil</i> (Tese de Doutorado). Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal do Paran&aacute;, Curitiba, PR, Brasil.</p>     <p>Barbosa, M. C. S. (2010). <i>As especificidades da a&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica com os beb&ecirc;s</i>. Bras&iacute;lia, DF, Brasil: MEC/Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica.</p>     <!-- ref --><p>Brasil. Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o e do Desporto. Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o Fundamental. (1998). <i>Referencial Curricular Nacional para Educa&ccedil;&atilde;o Infantil</i>. Bras&iacute;lia: MEC/SEF.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=774927&pid=S0871-9187201900010000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Dahlberg, G., Moss, P., &amp; Pence, A. (2003). <i>Qualidade na educa&ccedil;&atilde;o da primeira inf&acirc;ncia</i>: P<i>erspectivas p&oacute;s-modernas</i>. Porto Alegre: Artmed.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=774929&pid=S0871-9187201900010000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Dias, L. R. (2012). Forma&ccedil;&atilde;o de professores, educa&ccedil;&atilde;o infantil e diversidade &eacute;tnico-racial: Saberes e fazeres nesse processo. <i>Revista Brasileira de Educa&ccedil;&atilde;o, 17</i>(51), 661-749.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=774931&pid=S0871-9187201900010000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Dornelles, L. V. (2003). O brincar e a produ&ccedil;&atilde;o do sujeito infantil. <i>P&aacute;tio: Educa&ccedil;&atilde;o Infantil, 1</i>(3), 17-20.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=774933&pid=S0871-9187201900010000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Dornelles, L. V. (2006). Existe fada negra? <i>P&aacute;tio: Educa&ccedil;&atilde;o Infantil, 4</i>(10), 17-20.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=774935&pid=S0871-9187201900010000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Duschatzky, S., &amp; Skliar, C. (2001). O nome dos outros. Narrando a alteridade na cultura e na educa&ccedil;&atilde;o. In J. Larrosa &amp; C. Skliar (Orgs.),&nbsp;<i>Habitantes de Babel</i>: <i>Pol&iacute;ticas e po&eacute;ticas da diferen&ccedil;a</i>&nbsp;(pp. 119-138). Belo Horizonte: Aut&ecirc;ntica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=774937&pid=S0871-9187201900010000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Foucault, M. (1987). <i>Vigiar e punir: Hist&oacute;ria da viol&ecirc;ncia nas pris&otilde;es</i>. Petr&oacute;polis: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=774939&pid=S0871-9187201900010000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Gomes, N. L. (2005). Educa&ccedil;&atilde;o e rela&ccedil;&otilde;es raciais: Refletindo sobre algumas estrat&eacute;gias de atua&ccedil;&atilde;o. In K. Munanga (Org.), <i>Superando o racismo na escola</i> (2&ordf; ed., pp. 143-154). Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o, Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o Continuada, Alfabetiza&ccedil;&atilde;o e Diversidade.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=774941&pid=S0871-9187201900010000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Gomes, N. L. (2012). Movimento Negro e educa&ccedil;&atilde;o: Ressignificando e politizando a ra&ccedil;a. <i>Educa&ccedil;&atilde;o &amp; Sociedade, 33</i>(120), 727-744.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=774943&pid=S0871-9187201900010000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Hall, S. (2003). <i>Da di&aacute;spora: Identidades e media&ccedil;&otilde;es culturais</i>. Belo Horizonte, Brasil: Ed. da Universidade Federal de Minas Gerais, e Bras&iacute;lia: UNESCO no Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=774945&pid=S0871-9187201900010000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Instituto Avisa L&aacute;.<i> </i>(2012). <i>Educa&ccedil;&atilde;o infantil e pr&aacute;ticas promotoras de igualdade racial</i>. S&atilde;o Paulo, Brasil: Centro de Estudos das Rela&ccedil;&otilde;es de Trabalho e Desigualdades. Recuperado de <a href="https://www.avisala.org.br/wp-content/uploads/2015/06/revistadeeducacaoinfantil_2012.pdf"target="_blank">https://www.avisala.org.br/wp-content/uploads/2015/06/revistadeeducacaoinfantil_2012.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=774947&pid=S0871-9187201900010000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Kaercher, G. E. P. S. (2010). Pedagogias da racializa&ccedil;&atilde;o ou dos modos como se aprende a &ldquo;ter&rdquo; ra&ccedil;a e/ou cor. In M. I. E. Bujes (Org.), <i>Pedagogia sem fronteiras </i>(pp. 85-91). Canoas, Brasil: Eulbra.</p>     <!-- ref --><p>Larrosa, J. (2003). A arte da conversa. In C. Skliar (Ed.), <i>Pedagogia (improv&aacute;vel) da diferen&ccedil;a. E se o outro n&atilde;o estivesse a&iacute;? </i>(pp. 211-216). Rio de Janeiro: DP&amp;A.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=774949&pid=S0871-9187201900010000700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Lib&acirc;neo, J. C., Toschi, M. S., &amp; Oliveira, J. F. (2005).<i>&nbsp;Educa&ccedil;&atilde;o escolar: Pol&iacute;ticas, estrutura e organiza&ccedil;&atilde;o</i><i> (2&ordf; Ed.)</i>. S&atilde;o Paulo: Cortez Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=774951&pid=S0871-9187201900010000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Lopes, K. R., Mendes, R. P., &amp; Faria, V. L. B. (Orgs.). (2006). <i>Proinfantil</i> (Cole&ccedil;&atilde;o Proinfantil, M&oacute;dulo III, Unidade 4). Bras&iacute;lia: MEC, Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica, Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o a Dist&acirc;ncia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=774953&pid=S0871-9187201900010000700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Marques, C. M. (2013). <i>Experi&ecirc;ncia com bonecas anormais no curso de pedagogia</i>: <i>Construindo modos de ser professora</i> (Tese de Doutorado). Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Brasil.</p>     <!-- ref --><p>Martins, C. (2009). Negro, publicidade e o ideal de branqueamento da sociedade brasileira<i>.&nbsp;Rumores,&nbsp;3</i>(5). <a href="https://doi.org/10.11606/issn.1982-677X.rum.2009.51157"target="_blank">https://doi:10.11606/issn.1982-677X.rum.2009.51157</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=774956&pid=S0871-9187201900010000700019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Oliveira, F., &amp; Abramowicz, A. (2010). Inf&acirc;ncia, ra&ccedil;a e &ldquo;paparica&ccedil;&atilde;o&rdquo;.&nbsp;<i>Educa&ccedil;&atilde;o em Revista</i>,&nbsp;<i>26</i>(2), 209-226.&nbsp;<a href="https://dx.doi.org/10.1590/S0102-46982010000200010"target="_blank">https://dx.doi.org/10.1590/S0102-46982010000200010</a></p>     <!-- ref --><p>Richter, S., &amp; Barbosa, M. (2010).&nbsp;Os beb&ecirc;s interrogam o curr&iacute;culo: As m&uacute;ltiplas linguagens na creche. <i>Educa&ccedil;&atilde;o, 1</i>(1), 85-96. doi:<a href="http://dx.doi.org/10.5902/198464441605"target="_blank">http://dx.doi.org/10.5902/198464441605</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=774958&pid=S0871-9187201900010000700021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Rosenberg, F. (1979). Discrimina&ccedil;&otilde;es &eacute;tico-raciais na literatura infanto-juvenil brasileira. <i>Revista Brasileira de Biblioteconomia, 12</i>(3/4), 155-166. doi:1979-0000005-00001&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=774959&pid=S0871-9187201900010000700022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Sarmento, M. J. (2005). Gera&ccedil;&otilde;es e alteridade: Interroga&ccedil;&otilde;es a partir da sociologia da inf&acirc;ncia.&nbsp;<i>Educa&ccedil;&atilde;o &amp; Sociedade,&nbsp;26</i>(91), 361-378.&nbsp;<a href="https://dx.doi.org/10.1590/S0101-73302005000200003"target="_blank">http://dx.doi.org/10.1590/S0101-73302005000200003</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=774960&pid=S0871-9187201900010000700023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Sarmento, M. J., Fernandes, N., &amp; Tom&aacute;s, C. (2007). Pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e participa&ccedil;&atilde;o infantil. <i>Educa&ccedil;&atilde;o, Sociedade &amp; Culturas, 25,</i> 183-206.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=774961&pid=S0871-9187201900010000700024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>Silva, A. C. (2005). A desconstru&ccedil;&atilde;o da discrimina&ccedil;&atilde;o no livro did&aacute;tico. In K. Munanga (Org.), <i>Superando o racismo na escola</i> (2&ordf; ed., pp. 21-37). Bras&iacute;lia, DF, Brasil: Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o, Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o Continuada, Alfabetiza&ccedil;&atilde;o e Diversidade. </p>     <!-- ref --><p>Silva Jr, H., Bento, M. A. S., &amp; Carvalho, S. P. (Coords.). 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Petr&oacute;polis: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=774966&pid=S0871-9187201900010000700027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Legisla&ccedil;&atilde;o consultada</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Federativa do Brasil de 1988. Bras&iacute;lia, DF, Brasil. </p>     <p>Lei n.&ordm; 8.069, de 13 de julho de 1990. Disp&otilde;e sobre a prote&ccedil;&atilde;o integral &agrave; crian&ccedil;a e ao adolescente.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Bras&iacute;lia,&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; DF,&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Brasil.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Recuperado&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; em&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 16&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; junho,&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 2017,&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; de <a href="http://www.conselhodacrianca.al.gov.br/sala-de-imprensa/publicacoes/ECA%20ATUALIZADO.pdf/view"target="_blank">http://www.conselhodacrianca.al.gov.br/sala-de-imprensa/publicacoes/ECA%20ATUALIZADO.pdf/view</a></p>     <p>Lei n.&ordm; 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educa&ccedil;&atilde;o Nacional. Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o. Bras&iacute;lia, DF, Brasil. Recuperado em 16 junho, 2017, de <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm"target="_blank">http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm</a></p>     <p>Lei n.&ordm; 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei n.&ordm; 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as Diretrizes e Bases da Educa&ccedil;&atilde;o Nacional, para incluir no curr&iacute;culo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da tem&aacute;tica &ldquo;Hist&oacute;ria e Cultura Afro-Brasileira&rdquo;, e d&aacute; outras provid&ecirc;ncias. Bras&iacute;lia, DF, Brasil. Recuperado em 10 junho, 2017, de <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.639.htm"target="_blank">http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.639.htm</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para Correspond&ecirc;ncia</a><a name="c0"></a></p>     <p>Toda a correspond&ecirc;ncia relativa a este artigo deve ser enviada para: Circe Mara Marques</p>     <p>Rua Pardo, n. 84 Bairro S&atilde;o Vicente/Residencial Alphaville Gravata&iacute; – RS Brasil</p>     <p>CEP: 94155-418</p>     <p>E-mail:<a href="mailto:circemaramarques@gmail.com">circemaramarques@gmail.com</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Recebido em 8 de maio de 2018</p>     <p>Aceite para publica&ccedil;&atilde;o em 29 de abril de 2019</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><a name="1"></a><a href="#top1">[1]</a>Com refer&ecirc;ncia ao filme <i>Planeta dos Macacos</i>, s&eacute;rie de filmes de fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica produzida nos Estados Unidos, na qual os seres humanos e os macacos se confrontam.</p>     <p><a name="2"></a><a href="#top2">[2]</a>Data em que se comemora o Dia Nacional da Aboli&ccedil;&atilde;o da Escravatura no Brasil.</p>     <p><a name="3"></a><a href="#top3">[3]</a>Data em que se comemora o Dia Nacional da Consci&ecirc;ncia Negra.</p>     <p><a name="4"></a><a href="#top4">[4]</a> A hist&oacute;ria tem como personagem principal uma linda menina negra que usa la&ccedil;os de fita no cabelo. Essa personagem &eacute; admirada por um coelhinho branco que deseja ter uma filha t&atilde;o linda quanto ela. O enredo se d&aacute; a partir de uma sequ&ecirc;ncia de epis&oacute;dios engra&ccedil;ados nos quais o coelho tenta descobrir o segredo de como ter a pele escura.</p> </i>     ]]></body><back>
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