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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>EDITORIAL</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Maria Helena Martinho</b></p>     <p><b>&Iacute;ris Susana Pires Pereira</b></p>     <p><b>Jos&eacute; Ant&oacute;nio Fernandes</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Raramente uma capicua nos deixa indiferentes. Talvez precisamente porque, como um s&oacute;lido geom&eacute;trico ou um poema, a podemos captar seja qual for o sentido que tomamos (da esquerda para direita, da direita para esquerda) ou o ponto de partida. De algum modo &eacute; tamb&eacute;m esse o desafio da Educa&ccedil;&atilde;o: o desenvolvimento do humano na humanidade de cada um e na diversidade das suas circunst&acirc;ncias.</p>     <p>Tamb&eacute;m uma revista cresce na multiplicidade de dire&ccedil;&otilde;es, na diversidade de leituras, na voz plural a que d&aacute; corpo. Ao iniciar a publica&ccedil;&atilde;o do volume 33, a <i>Revista Portuguesa de Educa&ccedil;&atilde;o</i> toma tal capicua como pretexto para recordar aos que a fazem, como autores, leitores, editores e revisores, o olhar abrangente e diverso que promove no campo da Educa&ccedil;&atilde;o. Este n&uacute;mero &eacute; mais um bom exemplo disso mesmo.</p>     <p>Exemplo pelo conte&uacute;do, sem d&uacute;vida. Os artigos aqui reunidos percorrem caminhos na hist&oacute;ria da educa&ccedil;&atilde;o, abordam quest&otilde;es curriculares, problematizam pol&iacute;ticas educativas, analisam aspetos do processo de aprendizagem e da avalia&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Exemplo pela g&ecirc;nese dos artigos que re&uacute;ne. A colabora&ccedil;&atilde;o entre diferentes institui&ccedil;&otilde;es e investigadores de diferentes pa&iacute;ses (Portugal, Brasil, Espanha e Reino Unido) est&aacute; patente neste n&uacute;mero. Divulgar mais trabalhos em colabora&ccedil;&atilde;o e incorporar mais textos em diferentes l&iacute;nguas s&atilde;o dois dos objetivos que iremos perseguir.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Exemplo pela forma. A revista adota neste n&uacute;mero uma nova imagem gr&aacute;fica. N&atilde;o tanto para &ldquo;refrescar&rdquo; a face, como para a tornar mais adequada &agrave; leitura digital, dando corpo a uma op&ccedil;&atilde;o de publica&ccedil;&atilde;o que &eacute; a nossa. Assim, assume-se o texto a uma s&oacute; coluna, a localiza&ccedil;&atilde;o em n&iacute;vel de leitura das notas auxiliares, um tipo de letra serifada que facilita a leitura em suportes n&atilde;o impressos. Genericamente, optou-se por uma imagem porventura mais austera, despida de adornos, que, assim o esper&aacute;mos, guiar&aacute; mais diretamente a aten&ccedil;&atilde;o do leitor para o essencial do nosso esfor&ccedil;o comum: os artigos que, ap&oacute;s um longo e cuidado processo de revis&atilde;o, aqui fazemos p&uacute;blicos. Em breve, de resto, daremos mais um passo na consolida&ccedil;&atilde;o da edi&ccedil;&atilde;o digital da revista com a constitui&ccedil;&atilde;o do arquivo digital dos n&uacute;meros publicados entre 1988 e 2007, correntemente apenas dispon&iacute;veis em vers&atilde;o impressa.</p>     <p>Este primeiro n&uacute;mero do volume 33 da revista inicia-se com dois artigos em torno da hist&oacute;ria da Educa&ccedil;&atilde;o. O primeiro, intitulado <i>As miss&otilde;es francesas e o modernismo na funda&ccedil;&atilde;o da filosofia acad&ecirc;mica no Brasil</i>, de Ricardo Henrique Resende de Andrade e de Andr&eacute; Lu&iacute;s Machado Galv&atilde;o, discute a g&eacute;nese da filosofia acad&eacute;mica na Universidade de S&atilde;o Paulo a partir de 1934, no per&iacute;odo inicial da afirma&ccedil;&atilde;o do modernismo. O segundo artigo, de Rui Trindade, intitulado <i>A difus&atilde;o da obra pedag&oacute;gica de Dewey em Portugal: O contributo de Adolfo Lima</i>, foca-se na apropria&ccedil;&atilde;o de uma obra central em pedagogia por um pedagogo portugu&ecirc;s e na discuss&atilde;o da sua rela&ccedil;&atilde;o com o Movimento da Escola Nova. </p>     <p>O t&oacute;pico seguinte incide no jogo como instrumento educativo, reunindo dois artigos. O artigo <i>Avalia&ccedil;&atilde;o de jogos educativos no ensino de conte&uacute;dos acad&ecirc;micos: uma revis&atilde;o sistem&aacute;tica da literatura</i>, de Myenne Mieko Ayres Tsutsumi, Paulo Roney Kilpp Goulart, Mauro Dias Silva J&uacute;nior, Ver&ocirc;nica Bender Haydu e &Eacute;rika Larissa de Oliveira Jimen&eacute;z, percorre um conjunto vasto de artigos emp&iacute;ricos e de estudos de caso publicados em ingl&ecirc;s ou portugu&ecirc;s, de janeiro de 2006 a setembro de 2019. Se o estudo a&iacute; relatado sublinha o potencial dos jogos na melhoria do desempenho acad&eacute;mico dos alunos, o artigo seguinte procede a uma avalia&ccedil;&atilde;o detalhada de um programa espec&iacute;fico em Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica. Da autoria de uma equipa envolvendo investigadores de universidades da Galiza, Minho e A&ccedil;ores, nomeadamente Jos&eacute; Eug&eacute;nio Rodr&iacute;guez-Fern&aacute;ndez, V&acirc;nia Pereira, Isabel Condessa e Beatriz Pereira, o artigo <i>Avalia&ccedil;&atilde;o de um programa de interven&ccedil;&atilde;o em escolas: Aprender atrav&eacute;s do jogo</i>, sublinha o potencial de programas de interven&ccedil;&atilde;o l&uacute;dica na cria&ccedil;&atilde;o de oportunidades pr&aacute;ticas e diversifica&ccedil;&atilde;o do tipo de jogos praticados em contexto escolar.</p>     <p>Seguem-se dois artigos sobre quest&otilde;es de avalia&ccedil;&atilde;o. O primeiro, <i>Escala de avalia&ccedil;&atilde;o de aprendizagem (Ensino Profissionalizante): Adapta&ccedil;&atilde;o e estudos psicom&eacute;tricos</i>, de Carla Priscila da Silva Pereira, Ac&aacute;cia Aparecida Angeli dos Santos e Adriana Satico Ferraz, discute a validade, potencial e propriedades da Escala de Avalia&ccedil;&atilde;o das Estrat&eacute;gias de Aprendizagem utilizada no Brasil no ensino fundamental, quando adotada num projeto piloto no &acirc;mbito do ensino profissionalizante. De novo no contexto portugu&ecirc;s, o artigo <i>PISA, TIMSS e PIRLS em Portugal: uma an&aacute;lise comparativa</i>, de V&iacute;tor Rosa, Jo&atilde;o Sampaio Maia, Daniela Mascarenhas e Ant&oacute;nio Teodoro, faz uma an&aacute;lise comparativa dos efeitos e interpreta&ccedil;&otilde;es desses tr&ecirc;s question&aacute;rios internacionais em Portugal. Este &uacute;ltimo artigo explicita pontes de contacto entre as perce&ccedil;&otilde;es sociais de fen&oacute;menos e din&acirc;micas no sistema educativo e o desenvolvimento de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. O texto de Ana P. Antunes, Leandro Almeida, L&uacute;cia C. Miranda, Joana O. Xavier, Concei&ccedil;&atilde;o Ramos e Johanna M. Raffan, intitulado <i>A sobredota&ccedil;&atilde;o na Regi&atilde;o Aut&oacute;noma da Madeira: Desenvolvimento de pol&iacute;ticas e pr&aacute;ticas educativas</i>, discute o desenvolvimento dos mecanismos de atendimento e de enquadramento legal de alunos com elevadas capacidades implementados, precisamente como pol&iacute;ticas p&uacute;blicas pioneiras, na Regi&atilde;o Aut&oacute;noma da Madeira desde os anos 90 do s&eacute;culo passado.</p>     <p>Seguem-se dois artigos sobre aprendizagem em contextos digitalmente mediados. Coincidentemente, o t&oacute;pico adquiriu uma insuspeita e inesperada relev&acirc;ncia nos &uacute;ltimos meses com os desafios colocados pela pandemia associada &agrave; Covid-19 ao funcionamento das escolas e &agrave; consolida&ccedil;&atilde;o de propostas educativas efetivas com media&ccedil;&atilde;o digital. Neste n&uacute;mero, Joana Viana e Helena Peralta escrevem sobre <i>Aprender na era digital: do curr&iacute;culo para todos ao curr&iacute;culo de cada um</i> interrogando-se sobre o papel que o curr&iacute;culo formal ainda poder&aacute; ter como referencial enquadrador da aprendizagem individual nos contextos de aprendizagem mediados pela Internet. O modo como, no ensino profissionalizante, as metodologias ativas, inspiradas no conjunto de fen&oacute;menos que contextualizam a Ind&uacute;stria 4.0, podem apoiar as estrat&eacute;gias pedag&oacute;gicas, &eacute; discutido no artigo <i>Metodologias ativas numa escola t&eacute;cnica profissionalizante</i>, de Ederson Carlos Silva, Helena Brand&atilde;o Viana e Guanis de Barros Villela Jr.</p>     <p>Num contexto muito diferente, o artigo <i>Educa&ccedil;&atilde;o de Jovens e Adultos e Desenvolvimento Local em Comunidades Quilombolas Rurais Brasileiras</i>, de Luciane Bacheti, Armando Lourino, Artur Crist&oacute;v&atilde;o e Alexandra Salles, aborda o papel deste tipo de programas educativos enquanto catalisadores de processos de participa&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria e de desenvolvimento local, a partir de uma experi&ecirc;ncia concreta numa comunidade rural brasileira.</p>     <p>Finalmente, os dois artigos que encerram este n&uacute;mero da RPE focam-se em aspetos relacionais e motivacionais nas din&acirc;micas educativas. O primeiro, <i>Autoefic&aacute;cia, estrat&eacute;gias de coping e os efeitos das rela&ccedil;&otilde;es interpessoais e organizacionais de discentes de Ci&ecirc;ncias Cont&aacute;beis</i>, de Alison Martins Meurer, Iago Fran&ccedil;a Lopes e Ramualdo Douglas Colauto, apresenta um estudo de natureza quantitativa sobre as rela&ccedil;&otilde;es interpessoais e organizacionais enquanto mediadoras entre a autoefic&aacute;cia acad&eacute;mica e as estrat&eacute;gias de <i>coping</i>. O segundo, <i>Um panorama sobre engajamento escolar: uma revis&atilde;o sistem&aacute;tica</i>, de Lygia Vallo e Campos, Juliana Campos Schmitt e Francis Ricardo dos Reis Justi, apresenta uma revis&atilde;o sistem&aacute;tica da literatura sobre envolvimento escolar concluindo pela prem&ecirc;ncia de mais estudos experimentais neste dom&iacute;nio.</p>     <p>Como habitualmente, este n&uacute;mero termina com uma recens&atilde;o cr&iacute;tica de uma obra recente e elaborada por Pablo Joel Santana Bonulla. Trata-se do livro <i>Hacia una literacidad del fracaso escolar y del abandono temprano desde las voces de adolescentes y j&oacute;venes. Resistencias, &laquo;cicatrices&raquo; y destinos</i>, editado em 2018 sob coordena&ccedil;&atilde;o de Rosa V&aacute;squez Recio.</p>     <p>A equipa editorial agradece a todos os investigadores que colaboram como avaliadores dos diferentes artigos bem como aos autores que escolhem a <i>Revista Portuguesa de Educa&ccedil;&atilde;o</i> para divulga&ccedil;&atilde;o dos resultados de investiga&ccedil;&atilde;o. Esperamos que este primeiro n&uacute;mero de um volume capicua possa ele pr&oacute;prio ser ponto de partida em m&uacute;ltiplas e insuspeitas dire&ccedil;&otilde;es.</p>      ]]></body>
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