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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Sunflower seed (Helianthus annuus) sensitization occurs to storage proteins (2S albumins) and to lipid transfer proteins (LTPs), but it rarely induces anaphylaxis. We report the case of a 32 year -old female with allergic rhinoconjunctivitis and three anaphylactic reactions minutes after eating sunflower seed. The first episodes occurred after eating sunflower seeds as a snack, and the last after eating potatoes fried in sunflower oil. Skin prick tests were positive to sunflower seed, specific IgE was 79 kU/L and Immuno-CAP ISAC® revealed sensitization to cross -reactive LTPs (nPru p 3, nArt v 3, rPar j 2). Sunflower seed extract inhibited (60%) IgE binding to nArt v 3 and nPru p 3, with no inhibition to the other allergens identified. Epinephrine autoinjector device was prescribedand strict avoidance of sunflower seed and foods cooked in sunflower oil was advised.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Anafilaxia à semente de girassol</b></p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>Mariana Couto<sup>1</sup>, Ângela Gaspar<sup>1</sup>, Susana Piedade<sup>1</sup>, Idoia Postigo<sup>2</sup>,  Jorge Martínez<sup>2</sup>, Mário Morais -Almeida<sup>1</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>Centro de Imunoalergologia, Hospital CUF Descobertas, Lisboa</p>     <p><sup>2 </sup>Departamento de Imunologia, Microbiologia e Parasitologia, Faculdade de Farmácia, Universidade do País Basco, Vitoria, Espanha</p>      <p><b><a name="topc0" id="topc0"></a><a href="#c0">Contacto:</a></b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>RESUMO</b></p>      <p>A sensibilização à semente de girassol (<i>Helianthus annuus</i>) tem sido descrita a proteínas de reserva (albuminas 2S) e a proteínas de transferência de lípidos (LTPs), mas reacções anafilácticas associadas à ingestão são raras. Reportamos o caso de uma mulher de 32 anos, com rinoconjuntivite alérgica e três episódios de anafilaxia minutos após ingestão de semente de girassol. Os primeiros episódios ocorreram após ingestão de sementes secas e o último após ingestão de batatas fritas confeccionadas em óleo de girassol. Realizou testes cutâneos por picada positivos para semente de girassol, com IgE específica de 79 kU/L e ImmunoCAP ISAC® positivo para LTPs (nPru p 3, nArt v 3, rPar j 2). O extracto de semente de girassol inibiu 60% da IgE de ligação a nArt v 3 e a nPru p 3, sem inibição dos outros alergénios identificados.</p>      <p>Actualmente em evicção rigorosa de semente de girassol, sendo portadora de dispositivo auto-injector de adrenalina.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave: </b>Alergia alimentar, anafilaxia, óleo de girassol, proteínas de transferência de lípidos, semente de girassol.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Anaphylaxis to sunflower seed</b></p>      <p><b>ABSTRACT</i></b></p>       <p>Sunflower seed (Helianthus annuus) sensitization occurs to storage proteins (2S albumins) and to lipid transfer proteins (LTPs), but it rarely induces anaphylaxis. We report the case of a 32 year -old female with allergic rhinoconjunctivitis and three anaphylactic reactions minutes after eating sunflower seed. The first episodes occurred after eating sunflower seeds as a snack, and the last after eating potatoes fried in sunflower oil. Skin prick tests were positive to sunflower seed, specific IgE was 79 kU/L and Immuno-CAP ISAC® revealed sensitization to cross -reactive LTPs (nPru p 3, nArt v 3, rPar j 2). Sunflower seed extract inhibited (60%) IgE binding to nArt v 3 and nPru p 3, with no inhibition to the other allergens identified. Epinephrine autoinjector device was prescribedand strict avoidance of sunflower seed and foods cooked in sunflower oil was advised.</p>      <p><b>Key-words: </b>Anaphylaxis, food allergy, lipid transfer proteins, sunflower oil, sunflower seed.</p>      <p>&nbsp;</p>       <p><b>INTRODUÇÃO</b></p>        <p>A alergia alimentar devida a sementes e frutos secos assume, também na nossa população, uma relevância crescente em termos de prevalência e gravidade. A semente de girassol (<i>Helianthus annuus</i>), apesar do consumo frequente em forma de óleo, margarina, produtos de panificação e sementes, como aperitivo ou em saladas, raramente é reportada como causa de reacções anafi lácticas<sup>1-5</sup>. A sensibilização pode ocorrer a proteínas de reserva (albuminas 2S) e a proteínas de transferência de lípidos (<i>Lipid Transfer Proteins </i>– LTPs). Foi identificada na semente de girassol uma LTP (Hel a 3) com um peso molecular de &#8764;9 kDa<sup>5</sup>. Existem 8 albuminas diferentes na fracção 2S da semente de girassol que foram também identifi cadas com potencial alergénico em semente de sésamo, noz, amendoim e mostarda<sup>6</sup>.</p>        <p><b>CASO CLÍNICO</b></p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Doente de 32 anos do sexo feminino, com rinoconjuntivite alérgica persistente moderada-grave desde os 20 anos, sensibilizada a pólenes de artemísia, gramíneas, oliveira, parietária, plantago, quenopódio, salsola e a epitélio de gato. Recorre à consulta de Imunoalergologia em 2010 devido à ocorrência, desde 2007, de três reacções anafilácticas imediatamente (5 a 10 minutos) após ingestão de semente de girassol. Estes episódios caracterizaram-se por angioedema peri-orbitário, prurido orofaríngeo, rinite, tosse, estridor e pieira, que regrediram após administração de anti-histamínico e corticosteróide por via oral. Os primeiros episódios ocorreram após ingestão de sementes secas, vulgarmente designadas de “pipas”, e o último após ingestão de batatas fritas confeccionadas em óleo de girassol. A doente referia ainda prurido orofaríngeo após ingestão de pistácio. Ingeria batata sem reacção adversa e negava queixas com outros frutos secos, semente de sésamo e amendoim; recusava a ingestão de mostarda por não lhe ser aprazível o paladar.</p>      <p>Na consulta de Imunoalergologia foram efectuados testes cutâneos por picada (extractos Bial-Aristegui<sup>®</sup>, Bilbau, Espanha) que se revelaram positivos para semente de girassol (9x7 mm), mostarda (5x4 mm), pistácio (4x3 mm) e pinhão (5x3 mm), sendo negativos para outros frutos secos, semente de sésamo e amendoim. O doseamento sérico de imunoglobulina E (IgE) total foi de 158 UI/mL e de IgE específica para semente de girassol foi de 79 kU/L (Phadia – Thermo Fisher Scientific<sup>®</sup>, Uppsala, Suécia). Foi efectuado ImmunoCAP ISAC® (<i>Immuno Soli -phase Allergen Chip</i>) que revelou um perfil de sensibilização preponderante a LTPs (nPru p 3, nArt v 3 e rPar j 2) conforme ilustrado no Quadro 1.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p>     <p><b>Quadro 1. </b>Resultados positivos nos testes cutâneos por picada, no doseamento sérico de IgE específicas e no ImmunoCAP ISAC<sup>® </sup></p>     <p><img src="/img/revistas/imu/v20n2/20n2a06q1.jpg"></p>      
<p>&nbsp;</p>       <p>Face aos resultados obtidos, realizou -se estudo de inibição ISAC® com extracto de semente de girassol. Foi preparado um extracto hidrossolúvel a partir de semente de girassol, que se misturou na proporção de 1:1 com o soro da doente. Após centrifugação, o sobrenadante obtido foi incubado com o <i>microarray </i>de alergénios ISAC<sup>®</sup>.</p>      <p>Como controlo utilizou-se soro de um doente alérgico a Der p 1, tratado da mesma forma. Observou-se que o extracto de semente de girassol produziu uma inibição de 60% (Figura 1) da ligação de IgE a LTPs (nPru p 3 e nArt v 3); não se verificou inibição para os restantes alergénios identificados no ImmunoCAP ISAC® (nCyn d 1, rPhl p 1, nPhl p 4, nOle 1, nArt v 1, nSal k 1, rPar j 2 e rFel d 1). De igual forma, não se verificou inibição no soro controlo.</p>      <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/imu/v20n2/20n2a06f1.jpg"></p>     
<p><b>Figura 1.</b>Resultado do estudo de inibição ISAC6.5pt; font-family:"Verdana","sans-serif";mso-fareast-font-family:"Times New Roman"; mso-bidi-font-family:GillSansMT;color:windowtext;mso-ansi-language:PT; mso-fareast-language:PT;mso-bidi-language:AR-SA'>®com extracto de semente de girassol com o soro da doente: inibição do nPru p 3 de 3,2 para 1,28 ISU (60% de inibição) e inibição do nArt v 3 de 0,8 para 0,3 ISU (62,5% de inibição)</p>      <p>&nbsp;</p>      <p>A doente encontra-se actualmente em evicção rigorosa de semente de girassol, incluindo de alimentos confeccionados em óleo de girassol, e de frutos secos, sendo portadora de dispositivo para auto-administração de adrenalina 0,3mg por via intramuscular.</p>        <p><b>DISCUSSÃO</b></p>       <p>A ocorrência de alergia a semente de girassol tem sido reportada em indivíduos que possuem aves alimentadas com sementes de girassol<sup>3,7</sup>, mas casos clínicos como o</p>      <p>que descrevemos, de alergia alimentar grave mediada por IgE, são raros. Este caso destaca-se também pela particularidade da doente apresentar anafilaxia ao óleo de girassol.</p>      <p>A alergia ao óleo de girassol já foi descrita<sup>8,9</sup>, mas é considerada um evento muito incomum pois a maioria dos doentes com alergia a esta semente tolera a pequena quantidade de proteína alergénica contida no óleo de girassol<sup>2,4</sup>.</p>      <p>Tal facto poderá ser explicado pela sensibilização a LTPs.</p>      <p>As LTPs representam uma classe de alergénios ubiquitários específicos para alimentos de origem vegetal, como frutos frescos e cereais<sup>10</sup>. A sensibilização a LTPs é clinicamente relevante, dado que são panalergénios estáveis, resistentes ao calor e à digestão péptica, e apresentam domínios bem conservados que condicionam um elevado grau de reactividade cruzada entre alimentos botanicamente não relacionados<sup>10</sup>. Tais características justificam que a sensibilização a estas proteínas possa estar na origem da ocorrência de anafilaxia após ingestão de óleo de girassol cozinhado a altas temperaturas, como sucedeu no caso clínico que reportamos. Os sintomas de rinite alérgica com a exposição a pólenes iniciaram-se previamente à alergia alimentar, o que está de acordo com a hipótese levantada de se tratar de um caso de polinose com reactividade cruzada a LTPs, que se confirmou posteriormente através dos estudos de inibição ISAC<sup>® </sup>realizados. Apesar de o rPar j 2 ser também uma LTP, não se verificou inibição com este alergénio, o que se deve ao facto de esta proteína pertencer a outra subfamília de LTPs não relacionadas com as LTPs que estão associadas a rosáceas.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por outro lado, a família das albuminas 2S constitui uma importante classe de proteínas alergénicas comuns em sementes. A sua presença em quase todas as sementes comestíveis deve ser tida em consideração não só devido à alta incidência de reacções clínicas em pessoas sensibilizadas mas também devido à possibilidade real de reactividade cruzada entre diferentes proteínas da mesma classe<sup> 10</sup>.</p>      <p>Nomeadamente, também foram identificadas com potencial alergénico em semente de sésamo, noz, amendoim e mostarda<sup>6</sup>. No caso clínico que descrevemos é notória esta reactividade cruzada, pela sensibilização observada a pistácio, pinhão e mostarda, com repercussão clínica no caso do pistácio. Por este motivo, justifica -se a opção de recomendar a evicção de frutos secos.</p>      <p>A ocorrência de reacção anafiláctica devido a LTP da semente de girassol foi recentemente descrita na literatura<sup>5</sup>.</p>      <p>O crescente consumo de sementes de girassol secas como aperitivos e a sua elevada utilização em “snacks”, saladas e produtos de panificação, bem como o facto de a alergia à semente de girassol poder estar associada a sensibilização a aeroalergénios comuns na Europa, como o pólen de artemísia<sup> 5</sup>, explicam o recente aumento na prevalência de casos reportados.</p>      <p>Por outro lado, a gravidade da reacção clínica que reportamos, assim como a elevada probabilidade de ingestão da semente de girassol como alergénio oculto em “snacks” ou alimentos confeccionados em óleo de girassol, justificam a publicação deste caso clínico, para que esta possibilidade seja tida em consideração na investigação de situações de alergia de causa alimentar não esclarecida. O diagnóstico assertivo e célere permite recomendar atempadamente a evicção rigorosa não só da semente de girassol e dos alimentos confeccionados em óleo de girassol, como dos alimentos com reactividade cruzada, minimizando desta forma a possibilidade de recorrência de reacção anafiláctica grave.</p>       <p>&nbsp;</p>      <p><b>REFERÊNCIAS</b></p>      <!-- ref --><p>1. Noyes JH, Boyd GK, Settipane GA. Anaphylaxis to sunflower seed. J Allergy Clin Immunol 1979;63:242-4.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000050&pid=S0871-9721201200020000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>2. Halsey AB, Martin ME, Ruff ME, Jacobs FO, Jacobs RL. Sunflower oil is not allergenic to sunflower seed -sensitive patients. J Allergy Clin Immunol 1986;78:408 -10.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000052&pid=S0871-9721201200020000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>3. Axelsson IG, Ihre E, Zetterstrom O. Anaphylactic reactions to sunflower seed. Allergy 1994;49:517-20.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000054&pid=S0871-9721201200020000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>4. Caubet JC, Hofer MF, Eigenmann PA, Wassenberg J. Snack seeds allergy in children. Allergy 2010;65:130-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000056&pid=S0871-9721201200020000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>5. Yagami A. Anaphylaxis to lipid transfer protein from sunflower seeds. Allergy 2010;65:1340-1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000058&pid=S0871-9721201200020000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>6. Kelly JD, Hefle SL. 2S methionine -rich protein (SSA) from sunflower seed is an IgE -binding protein. Allergy 2000;55:556-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000060&pid=S0871-9721201200020000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>7. Asero R, Mistrello G, Roncarolo D, Amato S. Airborne allergy to sunflower seed. J Investig Allergol Clin Immunol 2004;14:244-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000062&pid=S0871-9721201200020000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>8. Kanny G, Frémont S, Nicolas JP, Moneret -Vautrin DA. Food allergy to sunflower oil in a patient sensitized to mugwort pollen. Allergy 1994;49:561-4.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000064&pid=S0871-9721201200020000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>9. Zitouni N, Errahali Y, Metche M, Kanny G, Moneret -Vautrin DA, Nicolas JP, <i>et al</i>. Influence of refining steps on trace allergenic protein content in sunflower oil. J Allergy Clin Immunol 2000; 106:962-7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000066&pid=S0871-9721201200020000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>10. Asero R, Mistrello G, Roncarolo D, de Vries SC, Gautier MF, Ciurana CL, <i>et al</i>. Lipid transfer protein: a panallergen in plant-derived foods that is highly resistant to pepsin digestion. Int Arch Allergy Immunol 2000;122:20-32.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000068&pid=S0871-9721201200020000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b><a name="c0"></a><a href="#topc0">Contacto:</a></b></p>     <p>Ângela Gaspar</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Centro de Imunoalergologia, Hospital CUF Descobertas</p>     <p>Rua Mário Botas, 1998-018 Lisboa</p>     <p>E-mail: <a href="mailto:angela.gaspar@sapo.pt"> angela.gaspar@sapo.pt</a></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b>AGRADECIMENTOS</b></p>     <p>Agradecimento à Phadia Portugal,  agora Thermo Fisher Scientific, pela colaboração.</p>       <p><b>Financiamento: </b>Nenhum.</p>      <p><b>Declaração de conflitos de interesse: </b>Nenhum.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Data de recepção / <i>Received in</i>:</b> 19/05/2012</p>     ]]></body>
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