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<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Imunoalergologia]]></journal-title>
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<publisher-name><![CDATA[Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Um caso peculiar de anafilaxia a maçã e feijão-verde]]></article-title>
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<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0871-97212015000100003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0871-97212015000100003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0871-97212015000100003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Introdução: Na alergia alimentar é frequente a reatividade cruzada entre aeroalergénios e alergénios alimentares, tendo como exemplo a síndrome bétula -maçã. No entanto, a alergia a Rosaceas (maçã) por sensibilização a Bet v 1 é caracterizada mais frequentemente por manifestações clínicas ligeiras (síndrome de alergia oral), sendo um fenótipo típico do norte da Europa. Descrição do caso: Doente do sexo masculino, 54 anos, residente em Portugal, com antecedentes de rinite e três reações anafiláticas após ingestão de maçã e feijão -verde. Do estudo alergológico salientam-se testes cutâneos e/ou IgE específica positivos para pólen de Betula sp., maçã e feijão-verde associados a um perfil de sensibilização a Bet v 1 e Gly m 4. Discussão/Conclusão: A análise inicial, atendendo ao quadro clínico, sugere alergia a Rosaceas por sensibilização a LTP, que não se confirma, identificando -se antes sensibilização a Bet v 1 e cuja gravidade parece estar associada à cosensibilização a Gly m 4]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: Cross -reactivity between aeroallergens and food is frequent in food allergy, taking as an example the birch-apple syndrome. However, allergy to Rosaceae (apple) due to sensitization to Bet v 1 is characterized by mild clinical manifestations (oral allergy syndrome), a typical phenotype of northern Europe. Case description: Male patient, 54 years, residente in Portugal, with history of rhinitis and three anaphylactic reactions after ingestion of apple and green -beans. The allergologic study showed positive skin prick tests and/or specific IgE to birch, apple and green beans, associated with a profile of sensitization to Bet v 1 and Gly m 4. Discussion/Conclusion: The initial clinical analysis seems to suggest allergy to Rosaceae by LTP sensitization. However, sensitization to birch and to Bet v 1 protein was confirmed and severity seems to be associated with the presence of sensitization to Gly m 4]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>CASO CLÍNICO</b></p>       <p><b>Um caso peculiar de anafilaxia a maçã e feijão-verde</b></p>      <p><b>A peculiar case of anaphylaxis to apple and grean–beans</b></p>       <p>&nbsp;</p>      <p><b>Raquel Gomes<sup>1</sup>, Jorge Viana<sup>1</sup>, Isabel Carrapatoso<sup>1</sup>, Carlos Loureiro<sup>1</sup>, Bartolomé Borja<sup>2</sup>, Ana Todo-Bom<sup>1</sup></b></p>      <p><sup>1</sup> Serviço de Imunoalergologia, Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, Coimbra, Portugal</p>     <p><sup>2</sup> Bial-Aristegui, Bilbao, Espanha</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b><a name="topc0" id="topc0"></a><a href="#c0">Contacto</a></b></p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b></p>      <p><b>Introdução</b>: Na alergia alimentar é frequente a reatividade cruzada entre aeroalergénios e alergénios alimentares, tendo como exemplo a síndrome bétula -maçã. No entanto, a alergia a Rosaceas (maçã) por sensibilização a Bet v 1 é caracterizada mais frequentemente por manifestações clínicas ligeiras (síndrome de alergia oral), sendo um fenótipo típico do norte da Europa. <b>Descrição do caso</b>: Doente do sexo masculino, 54 anos, residente em Portugal, com antecedentes de rinite e três reações anafiláticas após ingestão de maçã e feijão -verde. Do estudo alergológico salientam-se testes cutâneos e/ou IgE específica positivos para pólen de <i>Betula</i><i> sp., </i>maçã e  feijão-verde associados a um perfil de sensibilização a Bet v 1 e Gly m 4. <b>Discussão/Conclusão</b>: A análise inicial, atendendo ao quadro clínico, sugere alergia a Rosaceas por sensibilização a LTP, que não se confirma, identificando -se antes sensibilização a Bet v 1 e cuja gravidade parece estar associada à cosensibilização a Gly m 4. </p>        <p><b>Palavras-chave: </b>anafilaxia, Bet v 1, bétula, Gly m 4, maçã, feijão-verde</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>ABSTRACT</b></p>      <p><b>Introduction: </b>Cross -reactivity between aeroallergens and food is frequent in food allergy, taking as an example the birch-apple syndrome. However, allergy to Rosaceae (apple) due to sensitization to Bet v 1 is characterized by mild clinical manifestations (oral allergy syndrome), a typical phenotype of northern Europe. <b>Case description: </b>Male patient, 54 years, residente in Portugal, with history of rhinitis and three anaphylactic reactions after ingestion of apple and green -beans. The allergologic study showed positive skin prick tests and/or specific IgE to birch, apple and green beans, associated with a profile of sensitization to Bet v 1 and Gly m 4. <b>Discussion/Conclusion: </b>The initial clinical analysis seems to suggest allergy to Rosaceae by LTP sensitization. However, sensitization to birch and to Bet v 1 protein was confirmed and severity seems to be associated with the presence of sensitization to Gly m 4.</p>       <p><b>Keywords: </b>anaphylaxis, apple, Bet v 1, birch, Gly m 4, green beans.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>INTRODUÇÃO</b></p>      <p>A alergia alimentar é defi nida como uma resposta adversa resultante de uma reação imunológica específi ca, que ocorre de forma reprodutível, na exposição a um determinado alimento e estima-se que atinja 2 a 10% da população mundial.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Entre as reações imunológicas observadas na alergia alimentar as mais frequentemente descritas são as imediatas, mediadas por IgE, após ingestão, inalação ou contato com proteínas alimentares<sup>1</sup>. As manifestações de alergia alimentar podem variar de ligeiras a graves, desde uma manifestação exclusivamente cutânea ou gastrointestinal ligeira até formas associadas a asma ou até mesmo choque anafi lático, com risco de vida. A gravidade das reações depende de vários factores, por exemplo a quantidade de alimento ingerido, concentração do alergénio no alimento causal, co-ingestão de outros alimentos, bebidas alcoólicas, tipo de processamento e fatores dependentes do doente como a idade, estados de hiperabsorção intestinal (hipertiroidismo, jejum prolongado, exercício físico), doenças concomitantes (asma) e o grau de educação do doente para a doença (negação, desconhecimento do plano de ação)<sup>1</sup>.</p>      <p>Na alergia alimentar a reatividade cruzada é frequente e ocorre quando um alergénio apresenta homologia com outra proteína alimentar que se encontra num alimento diferente ou até mesmo num aeroalergénio.</p>      <p>Os pacientes com clínica e sensibilização primária a pólenes frequentemente exibem reações adversas após a ingestão de uma ampla variedade de alimentos. Deste modo a alergia alimentar pode ainda ser classificada em reações de classe 1 e classe 2, sendo esta última caracterizada por reatividade cruzada entre aeroalergénios e alergénios alimentares, de que são exemplo as várias síndromes pólen -fruto (SPF)<sup>2</sup>. Os alergénios alimentares envolvidos nas reações de classe 2 são, na sua maioria, termolábeis e sensíveis à digestão enzimática gástrica sendo a estabilidade durante o processo de digestão um factor de risco para reações mais graves.</p>      <p>Outros fatores que influenciam a existência de reação compreendem fatores geográficos e culturais como o tipo de alimentação e a prevalência de determinado pólen numa região, condicionando diferentes padrões clínicos na SPF2.</p>      <p>A manifestação clínica mais frequente na SPF é a síndrome de alergia oral (SAO), caracterizada por manifestações clínicas restritas à cavidade oral como prurido, rouquidão, edema labial ou da língua, faringite e edema laríngeo, habitualmente sem obstrução. No entanto, podem também ocorrer reações sistémicas graves, como edema obstrutivo da laringe, urticária, asma ou mesmo choque anafilático<sup>3</sup>.</p>      <p>Algumas das estruturas proteicas principais responsáveis pelo desenvolvimento da SPF são as profilinas, as proteínas de transferência de lipídios (LTPs) e as proteínas homólogas da Bet v 1. As profilinas são consideradas panalergenios, presentes em todas as células eucariotas exibindo extensa reatividade cruzada imunológica entre alergénios inalantes e alimentares<sup>3</sup>. São termolábeis e altamente susceptíveis à digestão pela pepsina mas não à saliva humana sendo esta a razão para a sua principal manifestação clínica ser a SAO.</p>      <p>Profilinas alergénicas estão descritas em vários pólenes, frutos, produtos hortícolas e no látex<sup>3-4</sup>. A relevância clínica da sensibilização a profilinas alimentares é ainda discutível embora já inequivocamente demonstrada na alergia ao melão, tomate e banana, nos países mediterrâneos, e uma vez excluída sensibilização ao látex e LTPs<sup>5</sup>. As LTPs são consideradas um panalergénio e encontram -se em pólenes, em fontes alimentares vegetais e também no látex. Com um peso molecular que varia de 7kDa a 9kDa, pertencem ao grupo das proteínas do tipo PR-14 e estão preferencialmente localizadas na pele dos alimentos. A sensibilização a estas proteínas é especialmente marcada na área mediterrânica, sendo consideradas <i>alergénios major </i>na alergia a Rosaceas<i>. </i>São proteínas termoestáveis e com elevada resistência à digestão pela pepsina<sup>3-4</sup>. Por esta razão, as manifestações clínicas são habitualmente mais graves.</p>      <p>A Bet v 1, é uma proteína do grupo das proteínas PR-10, e o alergénio <i>major </i>do pólen de <i>Betula sp</i><sup>6</sup>.  Caracteristicamente a sensibilização primária no SPF, no caso de pólen de <i>Betula sp., </i>ocorre  por via inalada particularmente nas áreas de maior frequência deste pólen como no Centro e Norte da Europa, sendo uma das causas mais comuns de asma e rinoconjuntivite<sup>6,7</sup>. Com um peso molecular entre 17 a 18 kDa os homólogos da Bet v 1 são termolábeis e susceptíveis à digestão pela pepsina <sup>8</sup>. Estão descritas em inúmeros alimentos como na avelã, amendoim, kiwi, aipo, cenoura e frutas da família das Rosaceas (maçã, pêssego, cereja, pêra)<sup>6</sup>.</p>      <p>A SPF por reatividade cruzada a Bet v1 é clinicamente caraterizada por uma SAO. No entanto, reações mais raras como urticária, asma e mesmo choque anafilático podem ocorrer. A proteína homóloga Bet v1 da soja (Gly m 4) está associada com reações graves no consumo de soja e é considerada um marcador de gravidade na alergia alimentar<sup>7</sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>APRESENTAÇÃO DE CASO CLINICO</b></p>      <p>Doente do sexo masculino de 54 anos, caucasiano, residente em Leiria e construtor civil, enviado à consulta de Imunoalergologia por provável reação anafilática a maçã e feijão verde. A primeira reacção decorre alguns minutos após ingestão de maçã crua, com casca, caracterizada por edema peri-ocular, urticária, dispneia com sibilância audível e opressão torácica que resolveu espontaneamente.</p>      <p>Este quadro repetiu-se posteriormente duas vezes com nova ingestão de maçã (crua, com casca), o último com necessidade de recorrer ao serviço de urgência, sendo medicado para ambulatório com levocetirizina e indicação de evicção de maçã. Este quadro repete-se, meses após os anteriores, com a ingestão de sopa de feijão-verde. Na colheita detalhada da história foram descritos episódios de angioedema palpebral com consumo de pêra (crua, com casca), cereja e amêndoa, que o doente sempre desvalorizou. O doente nega reacção com outras leguminosas, pelo que mantém consumo, e nunca ingeriu soja ou derivados. Após interrogado, nega contribuição de outros factores adjuvantes da reacção tais como a prática de exercício físico imediatamente antes ou após o consumo destes alimentos, intercorrência infecciosas ou consumo de álcool. Trata-se de um doente com antecedentes conhecidos de rinoconjuntivite, exclusivamente sintomática no período de abril a junho com inicio pelos 30 anos de idade, hipertensão arterial e dislipidémia encontrando-se medicado  com indapamida, sinvastatina e omeprazol; sem hábitos tabágicos, etílicos ou toxicómanos. Na primeira consulta de Imunoalergologia é medicado com adrenalina sc (Anapen<sup>®</sup>), recomendada evicção de frutos Rosaceas e feijão-verde e é–lhe cedido um plano de emergência.</p>      <p>Realizaram-se testes cutâneos prick com extratos comerciais a aeroalergénios (bateria Ga2len<sup>9</sup>), alimentos (frutos frescos e produtos hortículas) e alergénios moleculares disponíveis (Pru p 3, Pru p 4); testes <i>prick-to–prick</i> a maçã, pêra e feijão-verde; doseamentos de IgE total e específicas (<i>ImmunoCAP, Phadia</i>)em conformidade com os testes cutâneos e suspeita clínica; hemograma e estudo bioquímico; pletismografia respiratória; <i>immunoblotting </i>pelo método SDS -PAGE com extratos de <i>Betula sp</i>.,  maçã e feijão-verde e estudo por inibição com feijão verde como fase sólida e como inibidores o pólen de bétula e maçã.</p>      <p>Dos resultados salientam-se testes cutâneos e/ou IgE específica positivos para pólen de <i>Betula sp. </i>e <i>Quercus sp.</i>, maçã, outros frutos da família Rosaceae e feijão-verde.</p>      <p>Foram negativos os testes a produtos hortícolas e restantes leguminosas. Relativamente aos alergénios moleculares, o doente apresentou um perfil de sensibilização a PR -10 com Gly m 4 positivo (<a href ="/img/revistas/imu/v23n1/23n1a03q1.jpg">Quadro I</a> ). O estudo por SDS -PAGE  <i>Immunoblotting</i>(<a href ="/img/revistas/imu/v23n1/23n1a03f1.jpg">Figura 1 – A</a>)  demonstrou ligação da IgE a bandas de peso molecular de 17kDa nos extratos de pólen de <i>Betula sp</i>, maçã e feijão-verde e o  estudo por inibição demonstrou inibição total da ligação de IgE à banda de 17 -kDa do feijão -verde (fase sólida) quando se utilizaram pólen de <i>Betula sp </i>e maçã como inibidores (<a href ="/img/revistas/imu/v23n1/23n1a03f1.jpg">Figura 1 - B</a>). Observa -se ainda uma banda de fixação de IgE no peso molecular de 30 -45kDa que surgindo simultaneamente no soro do paciente e no soro do controlo não se valorizou. Relativamente ao hemograma, estudo bioquímico geral e pletismografia respiratória não se registaram alterações e o valor de IgE total foi de 101UI/ml.</p>       
<p><b>DISCUSSÃO E CONCLUSÃO</b></p>      <p>Estão descritos 5 padrões de alergia a Rosaceas por envolvimento das proteínas homólogas Bet v 1, LTPs e profilinas de forma isolada ou combinada. Na Europa do Norte e Central a monosensibilização a proteínas homólogas de Bet v 1 é o perfil mais comum responsável pela alergia às Rosaceas<i>, </i>podendo ser também por co-sensibilização com profilina ou mesmo por monossensibilização a esta última. A alergia à maçã é a mais frequente contrariamente ao sul europeu onde a mais frequente é ao pêssego. As manifestações clinicas da alergia alimentar associadas a esta polinose são ligeiras (SAO) mas estão descritas reações mais graves apesar de raras, particularmente se existir co-sensibilização. Os pacientes com sensibilização a profilina destacam-se por terem outras manifestações alérgicas na presença de vários pólenes e na ingestão de outros alimentos para além das Rosaceas6. Em contraste, na zona do Mediterrâneo, a alergia a Rosaceas é essencialmente por monossensibilização a LTPs, monossensibilização a profilinas ou co-sensibilização de ambas, sendo rara a associação desta alergia a Bet v 1. Na sensibilização a LTP, quando em monossensibilização, as manifestações clínicas de alergia tendem a ser mais graves, podendo variar desde uma reação cutânea ligeira ao choque anafilático. Quando em co-sensibilização com a profilina o quadro clinico é tendencialmente de SAO o mesmo se verificando na monossensibilização a profilina6. Especula-se que estas diferenças geográficas são explicadas pelos hábitos alimentares particulares de cada região e pela exposição a diferentes pólenes<sup>4</sup>.</p>      <p>A apresentação sistémica e a gravidade da sintomatologia do doente pareciam sugerir um caso de sensibilização a LTP. No entanto, confirmou-se uma sensibilização intensa a <i>Betula</i><i> sp. </i>e PR-10. Este é um padrão típico da Europa do Norte e não Mediterrânico, num doente que nunca residiu fora do país. Para esclarecimento deste caso foram testados várias espécies de pólenes que poderiam reagir cruzadamente com o pólen de <i>Betula</i><i> sp.</i>, nomeadamente outro pólen da família Betulaceae, o pólen de amieiro, este mais frequente em Portugal que, no entanto, foi negativo, e pólenes da família das Fagaceae, como o pólen de carvalho, este positivo. O calendário de sintomas do doente é compatível com o período de polinização da família Betulaceae e Fagaceae. Uma possível explicação para a sensibilização deste doente será a reactividade cruzada a proteínas PR-10 presentes nos dois tipos de pólenes.</p>      <p>A ocorrência de múltiplos episódios sistémicos, na ausência de factores adjuvantes de reação enquadrados nos resultados obtidos, reforça a originalidade deste caso.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Relativamente aos alimentos envolvidos, são todos da família das Rosaceas, excepto o feijão-verde. A presença do feijão-verde como alimento desencadeante motivou o estudo por <i>immunoblotting</i>, pois à data do estudo apenas estavam descritas proteínas LTP na sua composição (Pha v 3)<sup>10</sup>. No entanto, recentemente, foram já identificadas proteínas PR-10 neste alimento (Pha v 6)<sup>11</sup>. O estudo por <i>immunoblotting </i>mostrou ligação da IgE a uma banda de 17kDa no pólen de bétula, maçã e feijão-verde, compatível com proteínas homólogas da Bet v 1<sup>8</sup>. O estudo por inibição demonstrou inibição total da ligação de IgE à banda de 17 -kDa do feijão-verde (fase sólida) quando se utilizaram pólen de <i>Betula sp </i>e maçã como inibidores e este resultado apoia a sensibilização primária descrita na síndrome polén <i>Betula sp</i>-maçã.  Também digno de nota neste doente é a sensibilização a Gly m 4, identificada como a proteína homóloga PR-10 da soja, um conhecido marcador de gravidade na alergia alimentar<sup>7</sup>, que poderá ter contribuído para a intensidade das reações.</p>      <p>A imunoterapia específica (SIT) é um tratamento conhecido e eficaz para alergia ao pólen e estudos sugerem efeitos benéficos da SIT a pólen de <i>Betula</i><i> sp </i>na alergia  alimentar por reatividade cruzada com envolvimento de proteínas PR-10<sup>12</sup>, como a que se encontra no presente caso clínico. Foi proposto ao doente imunoterapia a pólen de <i>Betula</i><i> sp </i>encontrando-se atualmente com 1 ano de tratamento, sem qualquer tipo de reação adversa.</p>      <p>Destaca-se que ao longo deste ano o doente se mantém clinicamente estabilizado. Aconselhou-se evicção de todas as frutas da família das Rosaceas dado tratar-se de um panalergénio distribuído de forma comum nestes alimentos e tendo em conta a probabilidade de reacção e a gravidade da mesma. Apesar deste conselho o doente referiu consumo inadvertido de amêndoa e, consequentemente, edema pálpebral bilateral ligeiro que cedeu à levocetirizina. Manteve desde sempre evicção a feijão-verde sendo também aconselhado a não ingerir soja dados os resultados aferidos e o facto de nunca ter consumido.</p>      <p>Não se aconselhou à evicção de outras leguminosas uma vez que têm sido consumidas sem reacção.</p>      <p>Este caso alerta para a importância do estudo imunológico e molecular aprofundado tendo em vista a melhor caracterização do perfil de sensibilização individual, particularmente nos casos com apresentação menos comum.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>REFERÊNCIAS</b></p>      <!-- ref --><p>1. Burks AW, Tang M, Sicherer S, Muraro A, Eigenmann PA, Ebisawa M, et al.. ICON: food allergy. J Allergy Clin Immunol 2012;129:906-20.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000050&pid=S0871-9721201500010000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>2. Breiteneder H, Ebner C. Molecular and biochemical classification of plantderived food allergens. J Allergy Clin Immunol 2000;106:27-36.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000052&pid=S0871-9721201500010000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>3. Egger M, Mutschlechner S, Wopfner N, Gadermaier G, Briza P, Ferreira F. Pollen -food syndromes associated with weed pollinosis: an update from the molecular point of view. Allergy 2006;61:461-76.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000054&pid=S0871-9721201500010000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>4. Hauser M, Roulias A, Ferreira F, Egger M. Panallergens and their impact on the allergic patient. Allergy Asthma Clin Immunol 2010;18;6:1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000056&pid=S0871-9721201500010000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>5. Asero R, Mistrello G, Roncarolo D, Amato S, Zanoni D, Barocci F. Detection of clinical markers of sensitization to profilin in patients allergic to plant -derived foods. J Allergy Clin Immunol 2003;112:427-32.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000058&pid=S0871-9721201500010000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>6. Sastre J. Molecular diagnosis in allergy. Clin Exp Allergy 2010;40:1442-60.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000060&pid=S0871-9721201500010000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>7. Berneder M, Bublin M, Hoffmann-Sommergruber K, Hawranek T, Lang R. Allergen chip diagnosis for soy-allergic patients: Gly m 4 as a marker for severe food -allergic reactions to soy. Int Arch Allergy Immunol 2013;161:229-33.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000062&pid=S0871-9721201500010000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>8. Geroldinger -Simic M, Zelniker T, Aberer W, Ebner C, Egger C, Greiderer A, et al. Birch pollen -related food allergy: clinical aspects and the role of allergen -specific IgE and IgG4 antibodies. J Allergy Clin Immunol 2011;127:616-22.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000064&pid=S0871-9721201500010000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>9. Bousquet J., Burbach G., Heinzerling L. M., Edenharter G., Bachert C., Bindslev-Jensen C., et al., GA2LEN skin test study III: Minimum battery of test inhalant allergens needed in epidemiological studies in patients. Allergy 2009: 64:1656-62&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000066&pid=S0871-9721201500010000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>10. Zoccatelli G1, Pokoj S, Foetisch K, Bartra J, Valero A, Del Mar San Miguel-Moncin M, et al. Identification and characterization of the major allergen of green bean (Phaseolus vulgaris) as a non–specific lipid transfer protein (Pha v 3). Mol Immunol 2010;47:1561-8&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000067&pid=S0871-9721201500010000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>11. Walter M.H., Liu J.W., Grand C., Lamb C.J., Hess D. Bean pathogenesis -related (PR) proteins deduced from elicitor–induced transcripts are members of a ubiquitous new class of conserved PR proteins including pollen allergens. Mol. Gen. Genet 1990; 222:353-60&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000068&pid=S0871-9721201500010000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>12. Bolhaar S, Tiemessen M, Zuidmeer L, van Leeuwen A, Hoffmann-Sommergruber K, Bruijnzeel-Koomen C, et al. Efficacy of birch-pollen immunotherapy on cross -reactive food allergy confirmed by skin test and double -blind food challenges. Clin Exp Allergy 2004;34:761–9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000069&pid=S0871-9721201500010000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b><a name="c0"></a><a href="#topc0">Contacto:</a></b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Raquel Gomes</p>     <p>Serviço de Imunoalergologia</p>     <p>Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra</p>     <p>Av. Bissaya Barreto – Praceta Prof. Mota Pinto 3000 -075 Coimbra</p>     <p>E-mail: <a href="mailto:ana.rfg@hotmail.com">ana.rfg@hotmail.com</a></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Declaração de conflitos de interesse: </b>Nenhum.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Data de recepção / Received in</i>: </b>28/08/2014</p>     <p><b>Data de aceitação / Accepted for publication in</i>: </b>06/12/2014</p>       ]]></body>
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