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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>EDITORIAL</b></p>       <p>&nbsp;</p>      <p><b>Hipersensibilidade a fármacos: O enfoque da reunião da SPAIC Primavera 2016</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Luís Delgado</b></p>     <p>Presidente da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica</p>        <p>&nbsp;</p>      <p>Organizou&#8209;se recentemente a 15.ª Reunião da Primavera da SPAIC, em Sintra, este ano com a colaboração dos grupos de interesse “Alergia a Fármacos” e “Anafilaxia e doenças imunoalérgicas fatais”, tendo sido focado o tema “Hipersensibilidade a fármacos: reconhecer e orientar”. A Dra. Eva Gomes e o Prof. Manuel Branco Ferreira colaboraram na organização das três sessões da reunião, em torno dos seguintes temas: o que se conhece atualmente, o diagnóstico e orientação clínica e os aspetos peculiares da hipersensibilidade a fármacos.</p>      <p>As reações adversas a medicamentos causam ente 3 a 7 % das admissões hospitalares e ocorrem em 10 a 15 % dos doentes internados. São apontadas como a 4.ª causa de morte nos doentes internados nos EUA.</p>      <p>Até um terço dessas reações adversas a medicamentos podem ser de causa alérgica e aproximadamente 10 % das de maior gravidade apresentam&#8209;se sob a forma de anafilaxia ou com envolvimento cutâneo. Em Portugal, a prevalência de alergia autorreportada a medicamentos oscilará entre 4 a 8 %, mas contudo a grande maioria  dessas reações não são realmente alérgicas. Por outro lado, no registo português de anafilaxia os fármacos têm correspondido a 41 % das causas reportadas de anafilaxia na criança e a 87 % no adulto.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na conferência de abertura, o Prof. Frederico Regateiro abordou os mecanismos imunopatológicos, incluindo as diferentes formas de reconhecimento de pequenas moléculas pelo sistema imune e a revisão da classificação de Gell e Coombs de hipersensibilidade imunológica no contexto da alergia a fármacos. Seguidamente o Prof. Pedro Martins reviu alguns aspectos epidemiológicos da hipersensibilidade a fármacos, reconhecendo uma referenciação crescente (nalguns centros ¼ de primeiras consultas) e sendo que a alergia a medicamentos autorreportada oscilará entre 4 a 8 % apesar de que, quando adequadamente avaliadas, apenas cerca de 10 % destas reações são realmente alérgicas; estudos futuros deverão dedicar&#8209;se à melhor definição do risco imunogenético. Finalizando a primeira sessão, a Dra. Luísa Geraldes abordou os medicamentos mais representados nas casuísticas de anafilaxia ou de referenciação a uma consulta especializada; à cabeça estão sempre os antibióticos e AINEs, seguindo&#8209;se os relaxantes musculares, produtos de contraste e vacinas, terminando com os biológicos, antineoplásicos e novos produtos de contraste que, no entanto, têm vindo a ser mais referenciados e a criar a necessidade de novos protocolos de tratamento.</p>      <p>Na segunda sessão, dedicada ao diagnóstico, a Dra. Susana Cadinha apresentou os algoritmos de diagnóstico dos estudos <i>in</i><i> vivo</i>, abordando em maior particularidade  os principais alergénios medicamentosos e os estudos na criança. Seguidamente, a Profa. Maria Conceição Santos apresentou alguns dos aspetos mais relevantes do estudo laboratorial, destacando a IgE específica para as carboplatinas e os estudos de activação basofílica na avaliação de alergia aos relaxantes musculares.</p>      <p>Referiu, também, os principais marcadores de superfície e mediadores com interesse no estudo de ativação de basófilos e linfócitos T. Finalizou esta sessão a Dra. Joana Caiado com a orientação clínica, reforçando a anamnese cuidada, seguindo um protocolo já publicado pelo Grupo de Interesse, o tratamento das reações imediatas ou tardias, com a necessidade de documentação analítica (incluindo triptase) e as opções de orientação: evicção, “<i>treating</i><i> through</i>” e dessensibilização (específica, mas com tolerância transitória).</p>      <p>Na última sessão foram abordadas algumas formas mais particulares da hipersensibilidade a fármacos. O Prof. Dr. Luís Soares de Almeida abordou as toxidermias, nomeadamente as SCARs, que podem representar até  cerca de 5 % dos internamentos nos serviços centrais de Dermatologia e que devem ser sempre pensadas numa erupção simétrica súbita. Reforçou a importância da história e informação clínica detalhadas, mesmo para o patologista que analisa as biopsias, e a necessidade de obter informação atualizada sobre novos fármacos na literatura médica. Referiu também a relação do DRESS com a reativação viral e as características da dermatose bolhosa IgA induzida por fármacos. Seguidamente, o Prof. Marcelo Aun apresentou a sua experiência no Brasil na avaliação da anafilaxia perioperatória, que geograficamente tem sido mais relacionada com certos fármacos  como os antibióticos (EUA); relaxantes musculares (EU) e látex (Brasil). Sendo situações muitas vezes subdiagnosticadas, reforçou o interesse de um questionário estruturado, desenvolvido em parceria com anestesistas, para a documentação e avaliação de possíveis reações de hipersensibilidade imediata intraoperatórias. Finalizou esta sessão a Dra. Marta Chambel, apresentando algumas particularidades da síndrome coronária no contexto da anafilaxia (síndroma de Kounis), da doença do soro ou “tipo doença do soro” (ex.: cefalosporinas, na criança), LES induzido por fármacos, erupção fixa a fármacos e as principais reações alérgicas a conservantes e excipientes.</p>      <p>Tratou&#8209;se de uma reunião de atualização muito proveitosa para o cerca de 160 associados presentes que, numa manhã e numa tarde em que decorreram os trabalhos, puderam recolher informação científica muito relevante para sua investigação e prática clínica. Resta&#8209;me agradecer, mais uma vez, a colaboração de todos os associados envolvidos na organização, moderação e apresentação dos temas desta Reunião científica temática.</p>      <p>O conteúdo desde número da revista foi dedicado à Reunião da SPAIC Primavera 2016. Assim, convido a todos a desfrutar a leitura de cinco textos por extenso da autoria do Prof. Dr. Frederico Regateiro, Dra. Luísa Geraldes, Dra. Susana Cadinha, Prof. Dra. Maria Conceição Pereira Santos e do Prof. Dr. Marcelo Aun que ajudam a aprofundar os temas desenvolvidos durante a reunião e, ainda, quatro resumos que sintetizam as restantes apresentações da reunião.</p>        ]]></body>
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