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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Background: The lymphocyte transformation test (LTT) has been used in the study of drug allergy for the last 3 decades. It bases on the detection of a proliferative T cell response in the presence of the drug to be tested and some groups present good results in identifying a culprit drug, sensitivity and specificity differing with the drug, the reaction and other factors. Validation of LTT depends, however, on larger and better controlled studies. Aims: To evaluate the LTT performance in identifying culprit drugs in allergic reactions and analyse positivity criteria regarding different pharmacological groups and observed reactions. Methods: We analysed the results of 95 LTT tests, performed in 73 patients submitted to a drug allergy evaluation who were diagnosed with a high level of certainty by clinic and skin tests. Drug classes, type of allergic reactions and time between those and test execution were taken into account. Results: Results by drug classes showed sensitivity/specificity of 76,1% / 57,1% for beta-lactams, 83,3% / 55,5% for non steroidal anti-inflammatory drugs, 88,9% / 100% for anticonvulsivants and 46,1% / 66,7% for non beta-lactam antibiotics. Conclusions: LTT sensitivity may be considered good, except for non beta-lactam antibiotics. As expected, specificity was low for non steroidal anti-inflammatory drugs, but was lower than generally described for beta-lactams. Nevertheless, LTT showed a discriminative power of 70,6% in this study and allowed to confirm a drug allergy diagnosis in 36 cases, 58,1% of allergy sample cases, where skin tests were negative or impossible to perform. So, its use in drug allergy is completely justified, although a careful clinical history and skin tests whenever possible must not be forgotten]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></p>       <p>&nbsp;</p>      <p><b>Teste de transformação linfocitária no estudo da hipersensibilidade a fármacos</b></p>      <p><b>Lymphocyte transformation test in drug hypersensitivity</b></p>      <p>&nbsp;</p>       <p><b>Sofia Farinha, Bárbara Cardoso, Regina Viseu, Elza Tomaz, Filipe Inácio</b></p>      <p>Serviço de Imunoalergologia, Hospital de São Bernardo, Centro Hospitalar de Setúbal</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b><a name="topc0" id="topc0"></a><a href="#c0">Contacto</a></b></p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b></p>      <p><b>Fundamentos: </b>O teste de tansformação linfocitária (TTL) tem vindo a ser utilizado nas últimas décadas no estudo de reações alérgicas a fármacos. Baseia&#8209;se na deteção de uma resposta proliferativa das células T quando expostas ao fármaco suspeito e alguns grupos têm relatado uma sensibilidade e especificidade elevadas neste contexto. A sua validação necessita, contudo, de estudos mais alargados e melhor controlados. <b>Objetivos: </b>Avaliar o desempenho do TTL na identificação dos fármacos responsáveis por reações alérgicas e aferir os seus critérios de positividade, diferenciando os vários grupos farmacológicos e as reações observadas. <b>Métodos: </b>Foram avaliados os resultados de 95 testes de TTL, realizados em 73 doentes estudados por alergia medicamentosa e com um diagnóstico estabelecido com elevado grau de certeza pela clínica e testes cutâneos. Analisamos os resultados dos testes considerando os vários grupos de fármacos, as reações observadas e o tempo de demora entre a reação e a execução do TTL. <b>Resultados:</b> Os resultados analisados por grupos de fármacos evidenciaram sensibilidade / especificidade de 76,1 % / 57,1 % para os beta&#8209;lactamicos, de 83,3 % / 55,5 % para os  anti&#8209;inflamatorios não esteroides, de 88,9% / 100% para os anticonvulsivantes e de 46,1 % / 66,7 % para os antibióticos não beta&#8209;lactamicos. <b>Conclusões: </b>A sensibilidade do TTL foi boa,  exceto para os antibióticos não beta&#8209;lactamicos. Os resultados não foram tão bons para a especificidade, baixa para os anti&#8209;inflamatorios não esteroides, o que era expectável, mas foi abaixo da descrita por outros grupos para os antibióticos beta&#8209;lactamicos. Apesar  disso, o TTL evidenciou um poder discriminativo de 70,6 % e permitiu confirmar a alergia a um fármaco em 36 casos, 58,1 % dos casos de alergia da amostra, cujos testes cutâneos eram negativos ou impossíveis de realizar. Justifica&#8209;se, assim, a sua utilização no estudo da alergia a fármacos, ainda que não permitindo dispensar uma cuidada análise da história clínica e a execução de testes cutâneos.</p>      <p><b>Palavras</b><b>&#8209;</b><b>chave: </b>Células T, hipersensibilidade a fármacos, teste de transformação linfocitária.<b></b></p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>ABSTRACT</b></p>      <p><b>Background: </b>The lymphocyte transformation test (LTT) has been used in the study of drug allergy for the last 3 decades. It bases on the detection of a proliferative T cell response in the presence of the drug to be tested and some groups present good results in identifying a culprit drug, sensitivity and specificity differing with the drug, the reaction and other factors. Validation of LTT depends, however, on larger and better controlled studies. <b>Aims: </b>To evaluate the LTT performance in identifying culprit drugs in allergic reactions and analyse positivity criteria regarding different pharmacological groups and observed reactions. <b>Methods: </b>We analysed the results of 95 LTT tests, performed in 73 patients submitted to a drug allergy evaluation who were diagnosed with a high level of certainty by clinic and skin tests. Drug classes, type of allergic reactions and time between those</p> and test execution were taken into account. <b>Results: </b>Results by drug classes showed sensitivity/specificity of 76,1% / 57,1% for beta&#8209;lactams, 83,3% / 55,5% for  non steroidal anti&#8209;inflammatory drugs, 88,9% / 100% for anticonvulsivants and 46,1% / 66,7% for non beta&#8209;lactam antibiotics. <b>Conclusions: </b>LTT sensitivity may be considered good, except for non beta&#8209;lactam antibiotics. As expected, specificity was low for non steroidal anti&#8209;inflammatory drugs, but was lower than generally described for beta&#8209;lactams. Nevertheless, LTT  showed a discriminative power of 70,6% in this study and allowed to confirm a drug allergy diagnosis in 36 cases, 58,1% of allergy sample cases, where skin tests were negative or impossible to perform. So, its use in drug allergy is completely justified, although a careful clinical history and skin tests whenever possible must not be forgotten.</p>      <p><b>Keywords: </b>Hypersensitivity drug reaction, lymphocyte transformation test, T cells.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>INTRODUÇÃO</b></p>      <p>As reações de hipersensibilidade a fármacos (DHR) constituem 15 % de todas as reações adversas a fármacos, afetando mais de 7 % da população em geral, constituindo um grave problema de saúde pública<sup>1</sup>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Estas podem ser alérgicas ou não alérgicas, sendo as DHR mediadas imunologicamente denominadas reacções alérgicas a fármacos<sup>1</sup>. São tipicamente imprevisíveis e podem ser fatais, implicando assim alterações de terapêutica.</p>      <p>Os quadros clínicos das reac&#807;o&#771; es a fa&#769;rmacos podem ser muito diversos: as reações imediatas podem manifestar&#8209;se como urtica&#769;ria, angioedema, conjuntivite, rinite, broncospasmo, sintomas gastrintestinais, choque anafilático; nas reações não imediatas surgem mais frequentemente os exantemas maculopapulares, mas também reações cutaneo&#8209;mucosas de vários tipos, com ou sem compromisso sistémico, ou ainda lesões de órgãos ou sistemas sem atingimento cutâneo. De notar que um mesmo fármaco pode levar a manifestações de hipersensibilidade diferentes, na dependência de diferentes mecanismos imunopatológicos. Um diagnóstico definitivo, de forma a permitir opções terapêuticas medidas preventivas adequadas requer habitualmente um estudo completo de alergia a fármacos. No entanto, uma abordagem sistemática estandardizada para o diagnóstico e orientação das DHR é ainda um desafio.</p>      <p>O teste de transformação linfocitária (TTL) tem vindo a contribuir para uma melhor compreensão da hipersensibilidade a fármacos, tendo um elevado potencial diagnóstico nesta situação, dado basear&#8209;se na deteção de uma resposta proliferativa de células T usando como estímulo o fármaco suspeito, sabendo&#8209;se que esse tipo de resposta está presente  em quase todas as reações alérgicas a fármacos, do tipo I ao tipo IV<sup>2</sup>. Desempenha um papel particularmente importante no estudo das reações tardias graves,  nomeadamente na síndrome Stevens&#8209;Johnson (SJS), necrólise epidérmica tóxica ou síndrome de Lyell e na <i>drug reaction with eosinophilia and systemic symptoms </i>(DRESS), onde o estudo alergológico <i>in vivo </i>é limitado pela gravidade das reações.</p>      <p>O TTL tem vindo a ser utilizado há mais de três décadas, com sensibilidades variáveis, na ordem dos 60&#8209;70% e especificidades rondando os 85 %<sup>3</sup>. Estes parâmetros são, contudo, variáveis e dependentes de fatores como o fármaco estudado, sendo descritas geralmente como superiores nos beta&#8209;lactamicos  (grupo mais estudado) e nos anticonvulsivantes<sup>3</sup>. Dependem também da manifestação clínica em causa, sendo apontados como mais associados a positividades no TTL o exantema maculopapular, o eritema fixo, a eosinofilia, a síndrome de DRESS, as reações alérgicas “de orgão”, como as hepatites, a urticária e a anafilaxia<sup>2</sup>. De referir que alguns fármacos, como a vancomicina, os anti&#8209;inflamatorios não esteróides (AINE) e os meios de contraste podem aumentar a proliferação mesmo em doentes não sensibilizados<sup>3</sup>, levando a resultados falsos positivos do TTL.</p>      <p>Segundo alguns autores, a fiabilidade da resposta do TTL será fortemente influenciada pelo momento da sua realização em termos de tempo decorrido desde a reação<sup>3,4</sup> (Kano <i>et</i><i> al.</i>) definem tempos ótimos para a realização do TTL, que seriam a primeira semana após o aparecimento da erupção cutânea em doentes com exantema maculopapulares, SJS e síndrome de Lyell e as 5&#8209;8 semanas em casos de síndrome de DRESS<sup>4</sup>.</p>      <p>Ainda assim, o Grupo de Interesse de “Alergia Medicamentosa” da Academia Europeia de Alergia e Imunologia Clínica, considerou que uma recomendação de grau elevado para a realização do TTL estará ainda dependente da sua validação, que implicará a realização de estudos mais amplos e melhor controlados<sup>5</sup>.</p>      <p>Neste contexto, este estudo tem por objetivo avaliar o desempenho do TTL na identificação dos fármacos responsáveis por reações alérgicas e aferir os seus critérios de positividade, diferenciando os vários grupos farmacológicos e as reações observadas.</p>        <p><b>MATERIAL E MÉTODOS</b></p>      <p>Foram analisados os processos clínicos de 95 doentes estudados em consulta de Imunoalergologia num período de 5 anos por reações de hipersensibilidade a fármacos em que foi possível estabelecer um diagnóstico com um elevado grau de probabilidade.</p>      <p>Foram registados o sexo, a idade dos doentes, o tipo de reação, os fármacos suspeitos, os resultados dos testes cutâneos e das provas de provocação, os resultados do TTL e o tempo decorrido entre a reação e realização dos testes.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os testes cutâneos e as provas de provocação dos fármacos foram realizados de acordo com o manual de boas práticas de Imunoalergologia<sup>6</sup>.</p>      <p>Nos testes cutâneos foram utilizadas concentrações comprovadamente não irritativas<sup>7</sup>. As leituras foram feitas aos 20 minutos e às 48 horas. Os testes cutâneos por picada foram considerados positivos se a correspondente pápula atingia um diâmetro médio superior em 3 mm ao controlo negativo e tinha um eritema circundante. Para os testes intradérmicos, realizados só quando existia formulação parentérica do fármaco, o critério de positividade consistiu no aumento de 3 mm do diâmetro médio da pápula de inoculação, com eritema circundante. Relativamente aos testes epicutâneos, as leituras foram realizadas às 48 e às 96 horas, pelo menos 20 minutos após a sua remoção, sendo considerados positivos quando induziram a formação de eritema, pápula, vesículas ou bolhas.</p>      <p>Nas provas de provocação foi utilizado um protocolo aberto e consideradas positivas se levaram ao desencadear de sinais e sintomas objetiváveis, reproduzindo a clínica da reação em estudo. Foi administrado o fármaco a testar, iniciando numa dose provavelmente não indutora de reação, prosseguindo&#8209;se com doses entre duplas e triplas da dose anterior, com intervalos nunca inferiores a 20 minutos.</p>      <p>A prova era interrompida no caso de se verificar uma reação, ou quando a dose cumulativa atingia o valor da dose média de toma do fármaco em questão para o doente.</p>      <p>O período de vigilância de eventual reação estendia&#8209;se 10 dias. Os doentes, em geral, foram instruídos para não tomar anti&#8209;histaminicos  ou antidepressivos nos 5 dias, nem corticosteroides nos 7 dias anteriores à prova<sup>8</sup>. Para todas as provas foi obtido o consentimento informado do doente ou do seu representante.</p>      <p>O TTL tem, neste caso, a finalidade de detetar uma resposta mediada por células T a um fármaco. Esse tipo de resposta está presente em quase todas as reacções alérgicas a fármacos, do tipo I ao tipo IV, o que confere ao método um elevado potencial diagnóstico. Realiza&#8209;se uma cultura de células mononucleadas do sangue periférico na presença de várias concentrações do fármaco em estudo e a sua proliferação é medida pela incorporação de H&#8209;timidina.</p>      <p>O índice de estimulação (IE) é calculado por comparação da proliferação medida nessa cultura e a medida numa cultura de controlo, realizada sem a presença do fármaco. Desde há alguns anos, assumindo que os clones específicos T não estarão homogeneamente distribuídos e no sentido de otimizar resultados, o nosso grupo passou a realizar a cultura utilizando 24 réplicas, em vez das 3 réplicas utilizadas pela maioria dos autores<sup>9</sup> e o cálculo do IE baseia&#8209;se nos valores <i>outlier</i>, ao invés de uma razão entre as médias9. Um IE &#8805; 3 foi considerado positivo, critério semelhante ao utilizado habitualmente por outros autores<sup>2</sup>.</p>      <p>Foi avaliada a adequação do <i>cut&#8209;off </i>e o poder discriminativo do TTL por curva ROC (Característica de operação do recetor). Foram calculadas a sensibilidade e especificidade para vários grupos farmacológicos e comparados os tempos decorridos entre a reação e a execução do teste (teste T).</p>      <p>O programa utilizado foi o SPSS Statistics versão 21.</p>    <b>RESULTADOS</b></p>  Foram realizados 95 TTL em 73 doentes, 53 do sexo feminino e 20 do masculino, com idades entre os 4 e 88 anos, média de 47,1 ± 21,9. Os fármacos suspeitos foram antibióticos beta&#8209;lactamicos em 46 casos (48,4 %), outros antibióticos em 16 (16,8 %), AINE em 15 (15,5 %), anticonvulsivantes em 9 (9,5 %) e “outros fármacos” em 9 (9,5 %), encontrando&#8209;se discriminados no <a href="#q1">Quadro 1</a>. Das reações alérgicas verificadas (<a href="#q2">Quadro 2</a>) salienta&#8209;se o exantema maculopapular em 60 % dos casos, a urticária em 10,5 % e o eritema fixo em 9,5 %.</p>        <p>&nbsp;</p>   <a name="q1">  <img src="/img/revistas/imu/v25n3/25n3a04q1.jpg">      
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <a name="q2">  <img src="/img/revistas/imu/v25n3/25n3a04q2.jpg">        
<p>&nbsp;</p>       <p>Foram estabelecidos 62 diagnósticos de alergia a um fármaco com base na história clínica e em 18 deles na positividade de testes cutâneos, por picada e/ou intradérmicos e/ou epicutâneos. Foi excluído o diagnóstico de alergia em 33 casos, em 25 deles por prova de provocação negativa.</p>      <p>Considerando a globalidade dos resultados, a análise dos valores dos IE obtidos no TTL por curva ROC demonstrou um poder discriminativo do teste de 70,6 % (área abaixo da curva), correspondendo ao valor de 3,25 uma sensibilidade de 72,6 % e uma especificidade de 60,6 % (<a href="#f1">Figura 1</a>). </p>      <p>&nbsp;</p>   <a name="f1">  <img src="/img/revistas/imu/v25n3/25n3a04f1.jpg">        
<p>&nbsp;</p>      <p>Os resultados dos TTL para os antibióticos beta&#8209;lactamicos estão descritos no <a href="#q3">Quadro 3</a>. Obteve&#8209;se neste grupo uma sensibilidade de 76 % e uma especificidade de 57,1 %. Cinco dos 9 falsos positivos verificaram&#8209;se para a amoxicilina+ácido clavulânico. O <a href="#q3">Quadro 3</a> resume os resultados do TTL para os AINE, grupo em que se obteve  uma sensibilidade de 83,3 % e uma especificidade de 55,5 %.</p>       <p>&nbsp;</p>   <a name="q3">  <img src="/img/revistas/imu/v25n3/25n3a04q3.jpg">        
<p>&nbsp;</p>       <p>Os resultados para os antibióticos não beta&#8209;lactamicos (<a href="#q3">Quadro 3</a>) mostram uma sensibilidade de 46,1 % e uma especificidade de 66,7 %; dos 7 falsos negativos encontrados, 6 verificaram&#8209;se com o cotrimoxazol, tendo 3 destes valores de índice de estimulação entre 2 e 3. No grupo dos anticonvulsivantes não se verificaram falsos positivos e houve apenas um falso negativo para a lamotrigina. </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Resultados semelhantes obtiveram&#8209;se no grupo de outros fármacos, sendo o falso positivo, neste caso, com o fluconazol.</p>      <p>O <a href="#q2">Quadro 2</a> resume os resultados do TTL em função da reação alérgica verificada.  Verifica&#8209;se que a maioria das positividades foram observadas no exantema maculopapular, mas também que 75 % dos falsos negativos e mais de metade dos falsos positivos correspondem a quadros de exantema maculopapular.</p>      <p>As médias do tempo decorrido desde a reação até à execução do TTL, em meses, foram de 12,8 ± 41,9 no grupo com testes negativos e de 29,8 ± 96,2 no grupo com TTL positivos, não havendo diferença significativa entre elas.</p>      <p>Considerando a totalidade da amostra estudada, o TTL foi positivo em 25 casos de alergia em que os testes cutâneos foram negativos e em 11 em que não puderam ser realizados. Por outro lado, foi negativo em 7 doentes com testes cutâneos positivos.</p>        <p><b>DISCUSSÃO</b></p>      <p>Antes do mais há que salientar que o diagnóstico final de alergia, que está na base da análise dos resultados do TTL, comporta um apreciável grau de incerteza em todos os estudos publicados. Este facto é inevitável pela impossibilidade de fazer provas de provocação em muitos dos casos. Os critérios para o diagnóstico de alergia neste  trabalho foram semelhantes aos utilizados em geral nas publicações sobre este assunto<sup>2</sup>.</p>      <p>O poder de discriminação que o TTL evidenciou na nossa amostra em geral é razoável e o <i>cut&#8209;off</i> de 3 para o índice de estimulação utilizado neste trabalho, como aliás pela generalidade dos autores<sup>2</sup>, é suportado pela relação entre os valores de sensibilidade e especificidade da curva ROC.</p>      <p>Numa primeira análise verifica&#8209;se que a baixa especificidade foi um ponto fraco do TTL. As razões para este resultado poderão, por um lado, estar relacionadas com um eventual mecanismo de imunidade heteróloga, isto é, com a existência de recetores das células T poliespecíficos<sup>10</sup>, mecanismo que foi proposto como interveniente na imunopatogénese das reações alérgicas a fármacos, provavelmente coexistindo com os modelos descritos<sup>10</sup>.</p>      <p>Por outro lado, a utilização de fármacos nos TTL, que não estão na forma de substância pura, como alguns autores aconselham<sup>3</sup>, poderá ser outro fator da baixa especificidade observada. Esta baixa especificidade era, de qualquer forma, esperada para o grupo dos AINE, dado que a ocorrência de falsos positivos com estes fármacos tem sido referida na literatura<sup>3</sup>. Já a especificidade verificada para os antibióticos beta&#8209;lactamicos está francamente abaixo da referida por Pichler <i>et al</i><sup>3</sup>. O facto de uma parte importante dos falsos positivos se ter verificado com a utilização da amoxicilina+ácido clavulânico sugere a hipótese e um efeito estimulante inespecífico do clavulanato.</p>      <p>Nos resultados obtidos para os antibióticos não beta&#8209;lactamicos, o resultado discordante da literatura<sup>2</sup> é a baixa sensibilidade do TTL ao cotrimoxazol. No entanto, se considerarmos os valores de índice de estimulação entre 2 e 3 como positivos, o que alguns autores propõem para fármacos não beta&#8209;lactamicos, esta sensibilidade estaria mais de acordo com os resultados obtidos por outros grupos.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Os bons resultados obtidos com os anticonvulsivantes estão de acordo com os dados previamente publicados para este grupo de fármacos<sup>3</sup>.</p>      <p>Relativamente à relação entre as reações alérgicas e os resultados do TTL, o maior número de positividades associado ao exantema maculopapular está de acordo com os resultados de outros grupos, mas também não surpreende que os exantemas maculopapulares apareçam associados à maioria dos falsos positivos e dos falsos negativos, dada a sua predominância na amostra analisada, que não permite dar significado a estes resultados.</p>      <p>Também o tempo decorrido entre a reação e a execução dos TTL no nosso grupo não permite comparações ou conclusões, dada a elevada dispersão dos tempos na amostra, óbvia pelos desvios&#8209;padrao das médias.</p>      <p>Apesar de todos os pontos fracos, o TTL permitiu confirmar a alergia a um fármaco em 36 casos cuja confirmação não foi possível por testes cutâneos, representando este número 58,1% dos casos de alergia da amostra estudada. Para além disso, evidenciou uma provável capacidade de identificar reatividade alérgica em vários  grupos e fármacos.</p>        <p><b>CONCLUSÕES</b></p>      <p>O TTL revelou&#8209;se como um teste com razoável poder de discriminação na identificação de um fármaco como causa de reação alérgica. No entanto, o diagnóstico não poderá dispensar uma cuidada análise da história clínica e a execução de testes cutâneos, quando possível.</p>      <p>Deverão ser revistos alguns pormenores de execução técnica, como a forma do fármaco utilizada, no sentido de otimizar os resultados.</p>      <P>A interpretação dos índices de estimulação obtidos deverá ser revista e provavelmente ajustada de acordo com o fármaco estudado.</p>      <P>Serão necessários estudos mais alargados da sua utilização em vários grupos de fármacos.</p>      <p>Apesar dos seus pontos fracos, o facto de detetar um mecanismo envolvido na quase totalidade das reacções alérgicas a fármacos, os seus resultados, a ausência de risco associado e a inexistência de técnicas <i>in vitro</i> alternativas com bons resultados, justificam amplamente a sua utilização no estudo da alergia a fármacos.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><b>REFERÊNCIAS</b></p>      <!-- ref --><p>1. Demoly P, Adkinson NF, Brockow K, Castells M, Chiriac AM, Greenberger PA, <i>et al</i>. International consensus on drug allergy. Allergy 2014; 69: 420-37&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1233218&pid=S0871-9721201700030000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>2. Pichler WJ. Lymphocyte transformation test. <i>In </i>Hans&#8209;Werner Vohr (Ed.). Encyclopedia of Immunotoxicology (Online).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1233219&pid=S0871-9721201700030000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>3. Pichler WJ, Tilch J. The lymphocyte transformation test in the diagnosis of drug hypersensitivity. Allergy 2004: 59: 809&#8209;20.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1233221&pid=S0871-9721201700030000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><P>4. Kano Y, Hirahara K, Mitsuyama Y, Takahashi R, Shiohara T. Utility of the lymphocyte transformation test in the diagnosis of drug sensitivity: dependence on its timing and the type of drug eruption. Allergy 2007; 62: 1439&#8209;44.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1233223&pid=S0871-9721201700030000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>5. Mayorga C, Celik G, Rouzaire P, Whitaker P, Bonadonna P, Cernadas JR, <i>et al</i>, on behalf of In vitro tests for Drug Allergy Task  Force of EAACI Drug Interest Group. In vitro tests for drug hypersensitivity reactions: an ENDA/EAACI Drug Allergy Interest Group position paper. Allergy 2016; 71: 1103&#8209;34.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1233225&pid=S0871-9721201700030000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>6. Colégio de Imunoalergologia – Ordem dos Médicos. Manual de Boas Práticas – Procedimentos diagnóstico e tratamento em Imunoalergologia. <i>Site</i> da Ordem dos Médicos 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1233227&pid=S0871-9721201700030000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>7. Brockow K, Garvey LH, Aberer W, Atanaskovic&#8209;Markovic M, Barbaud A, Bilo MB, <i>et al.</i> Skin test concentrations for systemically administered drugs – an ENDA/EAACI Drug Allergy Interest Group position paper. Allergy 2013;68:702-12.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1233229&pid=S0871-9721201700030000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>8. Aberer W, Bircher A, Romano A, Blanca M, Campi P, Fernandez J, <i>et al.</i> Drug provocation testing in the diagnosis of drug hypersensitivity reactions: general considerations. Allergy. 2003;58:  854-63.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1233231&pid=S0871-9721201700030000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>9. Tomaz EMM, Viseu MR, Ferrão AF, Correia SH, Peres MJ, Reis RP, <i>et</i><i> al.</i> Optimising the lymphocyte transformation test in drug allergy diagnosis. J Allergy Clin Immunol 2007; 119, Suppl: S39.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1233233&pid=S0871-9721201700030000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>10. White KD, Chung WH, Hung SI, Mallal S, Phillips EJ. Evolving models of the immunopathogenesis of T cell&#8209;mediated drug allergy: The role of host, pathogens, and drug response. J Allergy Clin Immunol 2015; 136:219&#8209;34.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1233235&pid=S0871-9721201700030000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b><a name="c0"></a><a href="#topc0">Contacto:</a></b></p>      <p>Sofia Farinha</p>     <p>Centro Hospitalar de Setúbal, Hospital São Bernardo</p>     <p>Rua Camilo Castelo Branco</p>     <p>2910&#8209;446 Setúbal</p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>Financiamento: </b>Nenhum</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Declaração de conflitos de interesses: </b>Nenhum</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Prémio SPAIC&#8209;Diater 2016 (ex-aequo)</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Data de receção / Received in: </b>24/10/2016</p>     <p><b>Data de aceitação / Accepted for publication in: </b>20/12/2016</p>       ]]></body><back>
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