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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>EDITORIAL</b></p>       <p>&nbsp;</p>      <p><b>A prestação de cuidados de saúde no horizonte da modernidade</b></p>       <p>&nbsp;</p>     <p><b>Mariana Couto</b></p>      <p>Secretária-Geral da Revista Portuguesa de Imunoalergologia</p>      <p>&nbsp;</p>      <p>Quantas pessoas conhecem que ainda não têm um smartphone? Provavelmente, pouquíssimas, certo?</p>      <p>É por isso fácil de reconhecer as potencialidades de apostar em aplicações para dispositivos móveis. Isto é verdade nas mais diversas áreas, e na saúde a situação não é diferente. O <i>mobile health </i>– ou simplesmente mHealth – consiste na prática da medicina e da saúde pública apoiada por dispositivos móveis, como telemóveis e tablets. Hoje, existem cerca de 165 000 aplicações relacionadas com saúde disponíveis para download.</p>      <p>O crescendo a que se assiste é fruto de uma poderosa combinação de fatores: avanços rápidos na área das tecnologias de informação (TIC) móveis, aumento nas novas oportunidades para a integração da mHealth nos já existentes serviços de eHealth e o contínuo crescimento da cobertura das redes de dados móveis. Segundo a União Internacional de Telecomunicações, existem mais de 5 biliões de subscritores de redes sem fio (<i>wireless</i>), mais de 70% deles em países de baixo e médio rendimento; os sinais <i>wireless </i>comerciais cobrem mais de 85% da população mundial, estendendo-se muito além do alcance da rede elétrica. Por esse motivo, a utilização de tecnologias móveis e <i>wireless </i>adaptada à área da saúde foi já reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) pelo seu enorme potencial de transformar a prestação de serviços de saúde em todo o mundo, ao permitir diminuir as barreiras entre os serviços de saúde e a população em geral, nomeadamente em zonas carenciadas.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A nova geração de consumidores, incluindo os nossos doentes, tem um estilo de vida acelerado, e procuram respostas rápidas, de preferência online. Além disso, aos poucos, está a desenvolver-se uma preocupação da população em cuidar da saúde, o que se reflete nos múltiplos recursos à disposição para alimentação, exercício físico, etc… Mas a mHealth não se restringe às aplicações móveis mais conhecidas pelo consumidor final. Uma parte do uso dessa tecnologia pode ter outros fins na área da saúde e da investigação clínica. O uso de dispositivos móveis pode ser adaptado a diversas outras funções de interesse, nomeadamente recolha de dados comunitários e dados de saúde clínica, <i>big data</i>, disponibilização de informações para profissionais de saúde, prontuários online disponíveis para o médico que permitem cálculos adaptados para cada doente, acompanhamento em tempo real dos sinais vitais do doente, etc.</p>      <p>No caso específico da asma, as ferramentas atuais de automonitorização e autogestão são complexas, pouco atrativas, não individualizadas, e obrigam os profissionais de saúde a análises trabalhosas, desmotivando a sua utilização e integração nos cuidados de saúde. Neste contexto surge o FRASIS, um projeto de investigação que recebeu o prémio SPAIC/Astra-Zeneca em 2017 e cujo protocolo os autores publicam neste número da RPIA.</p>      <p>O projeto FRASIS pretende desenvolver, integrar e validar um conjunto de TIC de mHealth para a monitorização remota da função respiratória na asma, usando apenas o smartphone e os seus sensores integrados.</p>      <p>Estas soluções tecnológicas avançadas propiciam maior envolvimento e capacitação do doente, ao mesmo tempo que fornecem informação para uma melhor decisão clínica ao médico e dados prospetivos e de qualidade, tornando assim os cuidados de saúde mais eficientes e sustentáveis, aliando a dupla vantagem de uma opção económica e prática para os doentes e atrativa para os vários intervenientes do setor da saúde.</p>      <p>Outros exemplos de mHealth na área da Imunoalergologia incluem os projetos mINSPIRERS, recentemente publicado na RPIA, ou o MACVIA-ARIA. A relevância da utilização da telemedicina para os Imunoalergologistas foi reconhecida no artigo recente do <i>American College of Allergy,</i> <i>Asthma &amp; Immunology</i>, e na <i>Task Force </i>em curso pela <i>European</i> <i>Academy of Allergy and Clinical Immunology</i>.</p>      <p>Enquanto alguns médicos ainda olham para as aplicações móveis com desconfiança, quem faz uso do mHealth tem a oportunidade de dar ainda mais atenção aos seus doentes, prestando um atendimento de qualidade sem perder a agilidade que é necessária nos dias de hoje. Uma coisa é certa: a tecnologia não vai parar de evoluir! O aumento da literacia tecnológica dos utentes cria novas exigências aos profissionais de saúde e as inovações tecnológicas no setor da saúde vão de encontro a essa necessidade.</p>      <p>Cabe aos profissionais na área da saúde acompanharem essa evolução constante, tendo em mente que as TIC surgem para facilitar os processos e abrem espaço para a evolução.</p>      <p>A par com esta evolução, surgem preocupações legítimas sobre a segurança da informação do cidadão por programas que usam tecnologias de mHealth. Em particular, a segurança da transmissão de mensagens e a segurança do armazenamento de dados podem colocar em risco as informações dos cidadãos se não forem tomadas as devidas precauções. Uma política eficaz, segurança de dados tornar-se-á cada vez mais importante, à medida que o domínio da mHealth amadurece. Relevante também será uma política de uniformização e harmonização das iniciativas e diretrizes de mHealth a curto e longo prazo.</p>      <p>Uma abordagem mais estratégica de planeamento, desenvolvimento e avaliação das atividades de mHealth aumentará consideravelmente o seu impacto, e é objectivo atual da OMS alinhar esforços para providenciar mais orientação e informação, de acordo com prioridades de saúde mais amplas nos países, e integrar a mHealth nos esforços gerais para fortalecer os sistemas de saúde.</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mariana Couto</p>       ]]></body>
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