<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0872-0754</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Nascer e Crescer]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Nascer e Crescer]]></abbrev-journal-title>
<issn>0872-0754</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Centro Hospitalar do Porto]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0872-07542010000400012</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Caso Electroencefalográ&#64257;co]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Freitas]]></surname>
<given-names><![CDATA[Joel]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Chorão]]></surname>
<given-names><![CDATA[Rui]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Centro Hospitalar Porto Hospital Santo António Serviço Neurologia]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,Centro Hospitalar Porto Hospital Maria Pia ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2010</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2010</year>
</pub-date>
<volume>19</volume>
<numero>4</numero>
<fpage>292</fpage>
<lpage>294</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0872-07542010000400012&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0872-07542010000400012&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0872-07542010000400012&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: Frontal lobe seizures are the most commonly type of epileptic seizures misdiagnosed as non-epileptic events, namely those of psychiatric origin. Often epileptic and non-epileptic seizures co-exist in one patient. Case report: A teenager girl was admitted for the evaluation of episodes that started with paresthesia that was followed by sustained postures of her left limbs, sometimes with some jerky movements. She had previously been studied at a Psychiatric Hospital, where she had also shown some behavioural disturbances. Interictal EEG recording was normal, but a seizure originating from the frontal central area was documented. Brain MRI was normal. She had an excellent response to carbamazepine, with no further seizures since then. Conclusion: Frontal lobe epilepsy is often difficult to diagnose due to some bizarre ictal manifestation. Interictal EEG is often normal; even the ictal surface EEG can be of little value, because of the many artefacts that usually occur. Besides this, video-EEG is the best value exam for the diagnosis.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="en"><![CDATA[Frontal lobe epilepsy]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[non-epileptic seizures]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[video-EEG]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p><b>Caso Electroencefalográ&#64257;co </b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Joel Freitas<sup>1</sup>, Rui Chorão<sup>2 </sup></p>     <p><sup>1 </sup>S. Neurologia, HSAntónio, CHPorto</p>     <p><sup>2 </sup>U. Neuro&#64257;siologia Pediátrica, HMPia, CHPorto </p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p><b>Introduction</b>:  Frontal lobe seizures are the most commonly type of epileptic seizures  misdiagnosed as non-epileptic events, namely those of psychiatric origin. Often  epileptic and non-epileptic seizures co-exist in one patient.</p>     <p><b>Case report</b>:  A teenager girl was admitted for the evaluation of episodes that started with  paresthesia that was followed by sustained postures of her left limbs, sometimes  with some jerky movements. She had previously been studied at a Psychiatric  Hospital, where she had also shown some behavioural disturbances. Interictal EEG  recording was normal, but a seizure originating from the frontal central area  was documented. Brain MRI was normal. She had an excellent response to  carbamazepine, with no further seizures since then.</p>     <p><b>Conclusion</b>:  Frontal lobe epilepsy is often difficult to diagnose due to some bizarre ictal  manifestation. Interictal EEG is often normal; even the ictal surface EEG can be  of little value, because of the many artefacts that usually occur. Besides this,  video-EEG is the best value exam for the diagnosis.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Keywords</b>:  Frontal lobe epilepsy, non-epileptic seizures, video-EEG.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>CASO CLÍNICO </b></p>     <p>Apresenta-se o caso de uma jovem  actualmente com 19 anos de idade, saudável até aos 14 anos, altura em que teve  um episódio que se iniciou por uma sensação de “desconforto” e formigueiros no  membro inferior esquerdo, seguindo-se perda de consciência, com duração  aproximada de um minuto e recuperação espontânea. Nesta altura iniciou  medicação antiepiléptica, mantendo episódios estereotipados com duração de  alguns segundos, caracterizados por parestesias dos membros esquerdos, avisando  os presentes da “crise”; de seguida apresentava movimentos do membro inferior  esquerdo (por vezes também do membro superior ipsilateral), sem perda de  consciência. No &#64257;nal referia diminuição da força do membro inferior esquerdo,  apresentando uma marcha claudicante à esquerda. Ocasionalmente os episódios eram  mais prolongados, os movimentos bilaterais e tinha perda de consciência, com  quedas e traumatismos vários. Nesse período associaram-se alterações do  comportamento, como ameaças de suicídio e ataques de pânico. Houve várias  alterações terapêuticas, com introdução de medicação ansiolítica e  antidepressiva, sem benefício clínico e com efeitos secundários, como  sonolência e agravamento da frequência dos eventos paroxísticos. </p>     <p> Aos 15 anos foi internada por  Pedopsiquiatria para estudo de uma perturbação conversiva. Durante o  internamento apresentou vários episódios semelhantes, tanto no sono como na  vigília. Foi medicada com neuroléptico, com agravamento da frequência destes  episódios. Manteve um comportamento que oscilava entre uma atitude cooperante e  adequada e períodos em que se mostrava hostil e reivindicativa. Apresentava uma  atitude e conduta negativistas (com recusa alimentar e na realização da higiene  pessoal), que justificava alegando receio de ter as “crises” e consequente  queda. Foi, então, solicitada a avaliação por Neurologia Pediátrica. Ao exame  neurológico apresentava um síndromo piramidal esquerdo não de&#64257;citário e  hemi-hipostesia álgica esquerda. </p>     <p> Saliente-se que não havia história  de antecedentes perinatais relevantes ou história de convulsões febris ou  afebris. Tinha desenvolvimento psicomotor normal e bom aproveitamento escolar  até ao 8º ano de escolaridade. Manifestava marcadas dificuldades em lidar com as  modificações corporais pubertárias (menarca e telarca). Não havia história  familiar de epilepsia ou doenças psiquiátricas. Relativamente ao contexto  psicossocial, tratava -se de &#64257;lha única, vivendo com a mãe e não conhecendo o  pai. </p>      <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Qual o diagnóstico provável? </b></p>     <p> O quadro clínico foi interpretado  como <b>epilepsia focal (crises com origem na região fronto-parietal direita)</b>.  Realizou vídeo-EEG, em que foi registada uma crise epiléptica focal motora,  durante a prova de hiperpneia, que foi sinalizada pela doente e se caracterizou  por postura tónica dos membros superior e inferior esquerdos, seguida de  movimentos clónicos dos mesmos segmentos, sem perda de consciência (Figura 1).  Do ponto de vista eléctrico a crise caracterizou-se por atenuação inicial  marcada da amplitude, globalmente, depois com sequência de ondas teta e alfa na  região central direita (Figura 2). Sem alterações no registo eléctrico  interictal. A ressonância magnética encefálica foi normal. Iniciou tratamento  com carbamazepina, com ajuste posterior da dose, com bom controlo das crises.  Actualmente mantém-se sem crises epilépticas há três anos. </p>     <p>&nbsp;</p> <img src="/img/revistas/nas/v19n4/19n4a12f1.jpg">      
]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Figura 1 </b> – Sequência da crise (vídeo):  alterações sensoriais (percepção da crise), seguindo-se alteração postural  sustentada dos membros esquerdos. </p>     <p>&nbsp;</p> <img src="/img/revistas/nas/v19n4/19n4a12f2.jpg">      
<p><b>Figura 2 </b> – Sequência da crise: atenuação  global da amplitude - actividade recrutante (alfa-teta) central direita -  actividade lenta (teta-delta) fronto-centro-parietal direita. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>DISCUSSÃO </b></p>     <p> As crises de natureza não  epiléptica (CNNE) são eventos paroxísticos que mimetizam muitas vezes crises  epilépticas. Podem ser secundários a processos orgânicos, tais como convulsão  sincopal, doenças do movimento ou do sono, ou de natureza psicossomática<sup>(1)</sup>.  O somatório de características clínicas, história familiar, social e  psicológica, bem como achados do vídeo-EEG contribuem para um diagnóstico  correcto. Contudo, esta diferenciação muitas vezes não pode ser feita com  absoluta confiança, mesmo dispondo de vídeo-EEG<sup>(1)</sup>. </p>     <p> A prevalência de CNNE varia entre  10% a 40% dos doentes enviados a centros de referência em epilepsia, como  refractários à medicação antiepiléptica<sup>(2)</sup>. Ocorrem em doentes sem ou  com crises epilépticas. A taxa de erro de diagnóstico de CNNE em doentes com  epilepsia oscila entre 5 a 10%<sup>(3)</sup>. A epilepsia do lobo frontal, com  fenomenologia bizarra como a das crises hipermotoras, é a que mais  frequentemente se confunde com CNNE<sup>(4,5)</sup>. A semiologia deste tipo de  crises frequentemente engloba: automatismos exuberantes, como pontapear ou  pedalagem dos membros inferiores; movimentos bruscos de segmentos ou de todo o  corpo, por vezes com características violentas; vocalizações, tais como gritos.  Outros fenómenos adicionais incluem a preservação da consciência apesar da  postura tónica bilateral (como nas crises da área suplementar motora), assim  como a ausência de letargia ou confusão no período pós-crítico. Frequentemente  estas manifestações clínicas atípicas acompanham-se de actividade interictal ou  ictal indetectável no registo de EEG de superfície. Esta dificuldade de  identificação no EEG resulta da elevada quantidade de artefactos de músculo ou  movimento. </p>     <p> Existem algumas características  clínicas que auxiliam na distinção entre as epilepsias do lobo frontal e as  crises de natureza não epiléptica<sup>(4,5)</sup>: 1) curta duração da crise  (habitualmente menos de 60 segundos); 2) clara estereotipia dos episódios,  incluindo o padrão dos automatismos complexos; 3) predomínios das crises  durante o sono, embora também possam ocorrer em período de vigília (enquanto que  as CNNE apenas existem durante a vigília); 4) semiologicamente caracterizam-se  por uma postura tónica em abdução dos membros superiores, traduzindo  envolvimento da área suplementar sensitivo-motora (nunca documentado nas CNNE).  Existem CNNE descritas como surgindo no sono; no entanto, o registo vídeo-EEG  posterior revelou a existência de padrão de vigília prévio ao início da crise<sup>(6)</sup>.</p>     <p>No caso clínico descrito as crises  têm aura sensitiva (parestesias no membro inferior esquerdo), seguida de  movimentos clónicos no mesmo segmento, por vezes com envolvimento do hemicorpo  esquerdo, de curta duração e com preservação da consciência (excepto naquelas  com generalização secundária), com parésia de Todd no período pós-crítico. As  crises ocorriam durante o sono e vigília, eram estereotipadas e anatomicamente  congruentes (área sintomática) com a área sensitiva-motora primária  contralateral (direita), isto é, na região medial da transição fronto-parietal  direita. A importância do vídeo e registo electroencefalográ&#64257;co de uma das  crises foi crucial na confirmação do diagnóstico de epilepsia focal. O facto de  a ressonância magnética cerebral ser normal sugere a hipótese de uma epilepsia  provavelmente sintomática (sem identificação da etiologia). A clarificação do  quadro clínico, com controlo das crises epilépticas, permitiu à doente uma  readaptação psicossocial adequada. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>BIBLIOGRAFIA </b></p>     <p>1. LaFrance WC Jr.  Psychogenic none­pileptic seizures.  Current Opinion in  Neurology 2008;21:195-201. </p>     <!-- ref --><p> 2. Gates JR, Ramani V,  Whalen S, Loewenson R. Ictal characteristics of pseudoseizures. Arch Neurol  1985;42:1183-7. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000035&pid=S0872-0754201000040001200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p> 3. Ramsay RE, Cohen A,  Brown MC. Coexisting epilepsy and non-epileptic seizures. In: Rowan AJ, Gates  JR, steds. <i>Non-Epileptic Seizures</i>. ed. Stoneham, MA:  Butterworth-Heinemann 1993:47-54. </p>     <p> 4. Kanner AM, Morris  HH, Lüders, Dinner DS, Wyllie E, Medendorp SV, Rowan AJ. Supplementary motor  seizures mimicking pseudoseizures: some clinical differences. Neurology  1990;40(9):1404-7. </p>     <p> 5. Saygi S, Katz A,  Marks DA, Spencer SS. Frontal lobe partial seizures and psychogenic seizures:  comparison of clinical and ictal characteristics. Neurology 1992;42(7):1274-7. </p>     <p> 6. Benbadis SR, Lancman  ME, King LM, Swanson SJ. Preictal pseudosleep: a new  &#64257;nding  in psychogenic seizures.  Neurology 1996;47(1):63-7. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>AGRADECIMENTOS </b></p>     <p>João Chaves (Serviço de Neurologia,  H Santo António, CH Porto), pela cedência dos dados recentes da doente. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Adriana Ribeiro (Unidade de  Neuro&#64257;siologia Pediátrica, H Maria Pia, CH Porto), pela selecção das imagens do  vídeo-EEG. </p>       ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<label>2</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Gates]]></surname>
<given-names><![CDATA[JR]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Ramani]]></surname>
<given-names><![CDATA[V]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Whalen]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Loewenson]]></surname>
<given-names><![CDATA[R]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Ictal characteristics of pseudoseizures]]></article-title>
<source><![CDATA[Arch Neurol]]></source>
<year>1985</year>
<volume>42</volume>
<page-range>1183-7</page-range></nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
