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</front><body><![CDATA[ <p><b>Caso Estomatológico </b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>José M. S. Amorim<sup>1 </sup></p>     <p><sup>1</sup> Serviço de Estomatologia Hospital Maria Pia / CH Porto </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT </b></p>     <p>A two-year-old child was sent to our department by the appearance of multiple vesicles, accompanied  by pain and hyperthermia, in the mouth and lips. </p>     <p>The clinical diagnosis was a gingival herpetic stomatitis. </p>     <p>She was treated symptomatically, with favorable evolution. </p>     <p><b>Keywords</b>: vesicles – herpes simplex type I – symptomatic treatment. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Criança de dois anos de idade que  foi enviada à consulta de Estomatologia devido ao aparecimento de múltiplas  vesículas de pequeno diâmetro localizadas à região da língua, mucosas gengival  e palatina bem como na região periorbicular da boca, acompanhadas de  hipertermia e recusa alimentar. </p>     <p> Ao exame objectivo a criança  apresenta bom desenvolvimento estato-ponderal. </p>     <p> A nível oral apresentava múltiplas  lesão vesiculares intra e extra orais com predomínio na região periorbicular da  boca e na língua, de pequeno diâmetro (Figura 1). </p> <img src="/img/revistas/nas/v19n4/19n4a14f1.jpg">      
<p>Antecedentes pessoais e familiares  irrelevantes. </p>      <p>&nbsp;</p>     <p>Face ao descrito: </p>     <p> <b>Qual o seu diagnóstico? Qual a  sua atitude? </b></p>     <p>&nbsp; </p>     <p> <b>COMENTÁRIOS </b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> O caso clínico descrito refere-se a  GENGIVOESTOMATITE HERPÉTICA. </p>     <p> A doença é provocada pelo vírus  Herpes simplex tipo I, um agente que normalmente habita nos tecidos infectados  e nas lesões activas dos indivíduos afectados por este problema, com uma  especial propensão para os tecidos cutâneo e nervoso. </p>     <p> O <b>vírus herpes simplex tipo I </b> (VHS-I) é o responsável pelas lesões que aparecem na parte superior do corpo,  nomeadamente nos olhos, no tronco e nos dedos das mãos. </p>     <p> O contágio do VHS-I efectua-se  através do contacto directo com as lesões activas de uma pessoa infectada ou  através de objectos contaminados. A infecção por este vírus é muito comum e  ocorre geralmente durante a infância. </p>     <p> Após o contágio, os vírus invadem o  tecido nervoso, instalando-se nos gânglios nervosos mais próximos, onde  permanecem ao longo de toda a vida do indivíduo infectado. </p>     <p> Na maioria dos casos, a infecção não  produz sinais ou sintomas, nem provoca problemas, visto que os vírus se mantêm  “adormecidos”. Embora as defesas do organismo não consigam eliminá-los,  conseguem evitar a sua rápida reprodução e extensão aos tecidos adjacentes. No  entanto há situações em que os vírus reactivam-se uma ou várias vezes,  originando lesões características. As causas das reactivações não são  conhecidas, mas constata-se que os episódios de reactivação são, muitas vezes,  desencadeados por uma exposição prolongada ao sol, stress, febre, menstruação,  gravidez ou a existência de doenças que alterem o estado imunitário. </p>     <p> As manifestações clínicas variam  consoante o tipo de vírus e a idade e o estado do sistema imunitário da pessoa  infectada. </p>     <p> Na <b>infecção pelo VHS-I</b>,  existem dois tipos de manifestações habituais após o primeiro contacto:  </p>     <p> - a <b>gengivoestomatite herpética</b>,  que se caracteriza por uma in&#64258;amação das gengivas e lábios e, sobretudo, pela  formação de inúmeras vesículas que provocam ardor sobre a zona in&#64258;amada;  </p>     <p> - a infecção <b>cutânea herpética</b>,  que consiste na formação de uma placa elevada e vermelha num sector da pele,  sobretudo à volta da boca, no tronco ou nos dedos das mãos, que se reveste de  vesículas que originam um certo ardor, acompanhada pela tumefacção dos gânglios  linfáticos próximos da zona afectada. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Ambos os incidentes afectam com  maior frequência os bebés, surgindo cerca de cinco dias após o contágio e sendo  muitas vezes acompanhados por febre e mal-estar geral. Ao &#64257;m de alguns dias, as  vesículas rebentam, permitindo a saída do seu conteúdo líquido para o exterior,  seguindo-se a formação de uma crosta que acaba por cair.&nbsp; </p>     <p> Os episódios de reactivação da  infecção por VHS-I apenas afectam 1 a 2% das pessoas infectadas. Estes  episódios manifestam-se através da formação de uma placa vermelha sobre a  zona do corpo afectada, sempre a mesma, que proporciona o desenvolvimento de  uma série de vesículas, normalmente agrupadas, muito pruriginosas, por vezes  dolorosas. </p>     <p> A gengivoestomatite herpética tem  tratamento sintomático, recorrendo-se ao uso de AINE e a uma dieta líquida, à  base de bebidas não-ácidas frescas ou geladas. O uso do aciclovir pode acelerar  a recuperação. </p>     <p> A evolução da patologia é para a  recuperação completa em 10 dias. Ocasionalmente podem surgir complicações como  ceratoconjuntivite herpética. O motivo que mais frequentemente leva a  internamento de crianças com esta patologia é a desidratação, pois a criança  pode recusar comer e beber adequadamente por causa da boca dorida. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA </b></p>     <!-- ref --><p> 1. Regezi J, Sciubba J,  Pogrel M, Atlas of Oral and Maxillofacial Pathology, 1<sup>st </sup>edition, WB  Saunders Co., 2000, 8-9. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000039&pid=S0872-0754201000040001400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ]]></body><back>
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