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</front><body><![CDATA[ <p><b>Caso electroencefalográfico </b></p>      <p>&nbsp;</p>     <p>Sandrina Martins<sup>1</sup>, Luís Ribeiro<sup>1</sup>, Miguel Fonte<sup>2</sup>, Rui Chorão<sup>1,3 </sup></p>      <p><sup>1 </sup>S. Neurologia Pediátrica, HMPia, CHPorto; </p>     <p><sup>2 </sup>S. Pediatria, CHTMADouro, Vila Real;</p>      <p><sup>3 </sup>U. de Neurofisiologia Pediátrica, CHPorto </p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b>EEG case report</b></p>     <p><b>ABSTRACT </b></p>     <p><b>Introduction</b>:  Subacute sclerosing panencephalitis is a very rare disease in countries with  measles vaccination programs, and is due to a persistent infection by a  defective measles virus. The disease has a progressive fatal course. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Case report</b>:  We describe the case of a 13 year-old boy with a progressive clinical picture of  cognitive impairment, myo­clonus, and pyramidal, extrapyramidal and cerebellar  signs. The diagnosis was based upon clinical manifestations, the presence of  characteristic periodic EEG discharges, and the demonstration of raised  antibody titres against measles in the plasma and cerebrospinal fluid. </p>     <p><b>Conclusions</b>:  Diagnosis of subacute sclerosing panencephalitis is based on clinical  suspicion, very characteristic electroencephalographic abnormalities (typical  periodic complexes) and raised antibodies to measles virus in the cerebrospinal  fluid. It seldom occurs in patients with immunisation against measles, except in  those with early onset of measles. </p>     <p><b>Keywords</b>: Subacute sclerosing panencephalitis; electroencephalogram; periodic complexes;  measles virus. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>CASO CLÍNICO </b></p>     <p>Expõe-se o caso de um adolescente com 13 anos de idade na data em que foi  referenciado ao nosso hospital. </p>     <p>Dos antecedentes patológicos, salientava-se história de sarampo aos sete meses  de idade, com resolução do quadro sem intercorrências, e epilepsia focal  idiopática com crises motoras do hemicorpo esquerdo de início aos 12 meses de  idade e remissão aos três anos. Apresentava até à data do quadro clínico  descrito um desenvolvimento psicomotor normal. </p>     <p>  Aos 12 anos de idade começou a manifestar deterioração cognitiva, com  perturbações mnésicas ligeiras e mau aproveitamento escolar. Posteriormente  surgiram “abalos” com desequilíbrio e quedas bruscas. Foram ainda notadas  posturas anómalas sustentadas. O quadro teve agravamento progressivo ao longo de  um ano, particularmente célere nos três meses antes da admissão. Nesta altura  apresentava “abalos” mais intensos e repetitivos, discurso incompreensível,  incapacidade para a marcha sem apoio e perda de autonomia para as actividades de  vida diária. O exame neurológico mostrava deterioração cognitiva; disartria  marcada; síndrome piramidal irritativo bilateral, deficitário à esquerda; ataxia  cerebelosa; distonia generalizada, mais marcada nos membros inferiores; e  mioclonias faciais, distais dos membros superiores e axiais, estas muitas vezes  com quedas associadas. O fundo ocular era normal. </p>     <p>  Efectuou EEG que mostrou surtos generalizados de ondas lentas delta a 1,5-2 Hz,  associando alguns potenciais abruptos (pontas), com duração até 2 segundos, que  se repetiam periodicamente a intervalos de cerca de 5 segundos. (Figura 1). Por  vezes apresentava mioclonias negativas concomitantes. </p>      <p>&nbsp;</p> <img src="/img/revistas/nas/v20n1/20n1a12f1.jpg">      
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<body><![CDATA[<p><b>Figura 1</b>  - Complexos periódicos característicos da panencefalite esclerosante subaguda.  (Base de tempo 15 mm/s) </p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b>Qual o seu diagnóstico? </b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>DIAGNÓSTICO </b></p>     <p><b>Panencefalite Esclerosante Subaguda (pós-sarampo) </b></p>     <p>A ressonância magnética cerebral evidenciou ligeiro hipersinal em T2 da  substância branca das regiões posteriores. A pesquisa de bandas oligoclonais no  líquido cefalorraquidiano (LCR) foi positiva e foram detectados níveis elevados  de anticorpos IgG anti-sarampo no LCR e soro. Estes resultados laboratoriais  confirmaram, assim, o diagnóstico clínico e electroencefalográfico. Iniciou  tratamento com isoprinosina oral, não tendo sido possível reunir condições para  terapêutica intratecal. As mioclonias foram tratadas com associação de  fármacos, que incluíram carbamazepina, clonazepam e levetiracetam; outros dos  tratamentos sintomáticos incluíram tri-hexifenidilo, biperideno, baclofeno e  toxina botulínica. Após um período de rápida deterioração clínica, houve  estabilização dos défices neurológicos. Actualmente, com 17 anos de idade,  apresenta défice cognitivo grave, quase sem linguagem, tetraparésia espástica  com hemiplegia esquerda e distonia generalizada. </p>     <p> <b>  &nbsp;</b></p>     <p> <b>  DISCUSSÃO </b></p>     <p>  A Panencefalite Esclerosante Subaguda (PEES) é uma doença degenerativa do  sistema nervoso central, lentamente progressiva, provocada pela infecção  persistente por uma forma mutante do vírus do sarampo <sup>  (1 -4)</sup>. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>  Era, já no passado, uma entidade pouco comum, tornando-se ainda mais rara nos  países desenvolvidos desde a implementação da vacinação contra o sarampo<sup>(1  -4)</sup>.  É mais frequente no sexo masculino, havendo aumento da susceptibilidade quando a  doença exantemática ocorre antes dos dois anos de idade<sup>(1,3 -5)</sup>. O  tempo de latência até ao aparecimento dos sintomas neurológicos varia  habitualmente entre seis a 15 anos <sup>(3 -5)</sup>. </p>     <p>  A forma de apresentação da doença é variável, embora classicamente se descreva  uma evolução estereotipada (Estadios de Jabbour)<sup>(2)</sup>. As alterações  comportamentais e a deterioração cognitiva são frequentemente as primeiras  manifestações da doença, a que se seguem, semanas ou meses depois, as mioclonias  características. À medida que a doença progride associam-se sinais piramidais,  cerebelosos e extrapiramidais, crises convulsivas, alterações visuais e,  finalmente, um estado vegetativo que culmina com a morte do doente <sup>(1 -4)</sup>. </p>     <p>  O electroencefalograma (EEG) evidencia tipicamente complexos periódicos (a cada  4 a 15 segundos) de ondas delta de alta voltagem, com 0,5 a 2 segundos de  duração<sup>(1-5)</sup>, frequentemente concomitantes com “espasmos mioclónicos”  axiais ou das extremidades. Este padrão do EEG pode, contudo, não ser evidente  em fases precoces ou avançadas da doença<sup>(4)</sup>. A ressonância magnética  cerebral apresenta alterações inespecíficas, como hipersinal cortical ou  subcortical na sequência T2 e atrofia cortical de grau variável<sup>(2,4,5)</sup>.  O LCR revela frequentemente hiperproteinorraquia, gamaglobulina elevada (com  presença de bandas oligoclonais) e títulos elevados de anticorpos anti-sarampo  (&gt;1:4). Estes títulos são também elevados no soro (&gt;1:256)<sup>(4)</sup>. A  biópsia cerebral, efectuada em casos excepcionais, mostra corpos de inclusão  intranu­cleares ou citoplasmáticos que contêm antigénios virais<sup>(4,5)</sup>. </p>     <p>  À luz dos conhecimentos actuais, nenhum fármaco modifica a evolução da doença e,  em 80% dos casos, a morte ocorre num período de três a cinco anos após o início  dos sintomas, variando a apresentação clínica de quadros fulminantes a doença  crónica prolongada<sup>(1)</sup>.  A terapêutica combinada com isoprinosina oral e interferão-alfa intratecal é a  que tem demonstrado maiores benefícios<sup>(2,4,5)</sup>. O tratamento  sintomático visa o controlo das mioclonias, crises convulsivas, distonia e  espasticidade<sup>(2,4)</sup>.  Considerando a evolução da doença e a ausência de tratamentos eficazes, a  vacinação constitui a alternativa para evitar esta complicação tardia do  sarampo, rara, mas invariavelmente fatal. Contudo, o seu risco mantém-se  sobretudo nos casos de sarampo mais precoces. </p>     <p>  O diagnóstico de PEES deve ser sempre considerado em crianças ou adolescentes  com deterioração cognitiva, alterações de comportamento e mioclonias, sobretudo  se houver história de sarampo em idades precoces. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA </b></p>     <!-- ref --><p>1. Garg RK. Subacute sclerosing panencephalitis. Post Grad Med J 2002; 78:63-70. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000040&pid=S0872-0754201100010001200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>2. Campbell C, Levin S, Humphreys P, Walop W, Brannan R. Subacute sclerosing  panencephalitis: Results of the Canadian Paediatric Surveillance Program and  review of the literature. BMC Pediatrics 2005; 5:47. </p>     <p>3. Nunes ML, Costa JC, Stancher VM, Diament A, Arita F, Rosemberg S, Dyken P.  Subacute sclerosing panencephalitis: Clinical aspects and prognosis. The  Brazilian Registry. Arq Neuropsiquiatr 1999; 57(2A):176-81. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>4. Bonthius JD, Stanek N, Grose C. Subacute sclerosing panencephalitis, a  measles complication, in an internationally adopted child. Emerg Infect Disease  2000; 6:377-81. </p>     <p>5. Tuncel D; Ozbek AE, Demirpolat G, Karabiber H. Subacute sclerosing  panencephalitis with generalized seizures as a first symptom: a case report. Jpn  J Infect Dis 2006; 59:317-9. </p>       ]]></body><back>
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