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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Motivos de recurso ao Serviço de Urgência Pediátrica]]></article-title>
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<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0872-07542016000300002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0872-07542016000300002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0872-07542016000300002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Introdução: O recurso ao serviço de urgência (SU) hospitalar motivado por situações não urgentes é frequente e conduz a pior prestação de cuidados, insatisfação dos utentes e profissionais e aumento dos custos. Objectivos: Determinar os motivos para recurso a SU pediátrica hospitalar. Material e métodos: Estudo descritivo, transversal, entre 10/10 e 31/12/2013 em SU pediátrico hospitalar, através de análises de inquéritos preenchidos de forma anónima pelos acompanhantes e complementados com informação clínica pelo médico. Resultados: Foram analisados 481 questionários. O recurso ao SU ocorreu nas primeiras 24 horas de doença em 48% dos casos. Os principais motivos foram: noção de doença grave e urgente (33%), local de atendimento mais próximo (17%), preferência por avaliação por pediatra (17%). A maioria teve alta sem realização de exames complementares de diagnóstico ou tratamento (89%) e os principais diagnósticos de alta foram nasofaringite e gastroenterite agudas. Apenas 19,7% das idas ao SU poderiam ser consideradas como “justificadas” pelo cumprimento dos critérios de OMS para urgência hospitalar ou por orientação prévia por outra entidade de saúde. Não existem diferenças estatisticamente significativas entre as características das crianças que recorreram ao SU de forma “justificada” e “não justificada”. Discussão e conclusão: O reconhecimento de situações clínicas que justifiquem o recurso ao SU hospitalar não parece relacionado com habilitações literárias parentais ou atribuição de médico de família. A percepção de doença grave em situação benigna com recurso precoce e injustificado ao atendimento em contexto de serviço de urgência denota falta de educação para a saúde na população geral.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: Hospital emergency department (ED) utilization by non-urgent situations is common and leads to worse care, patients and professionals dissatisfaction and increasing costs. Objective: To determine the reasons and adequacy for the use of a hospital pediatric ED. Methods: Descriptive, cross-sectional study between October 10 and December 31 2013 at an hospital pediatric ED, through analysis of questionnaires completed by child caretakers and with clinical data provided by the doctor who observed the child. Results: There were 481 validated and analised questionnaires. ED use within the first 24 hours of disease was observed in 48%. The main reasons were: notion of a serious and urgent disease (33%), being the nearest facility (17%), preference for evaluation by a pediatrician (17%). Most were discharged without any additional diagnostic test or specific treatment (89%) and the main discharge diagnosis were acute nasopharyngitis and gastroenteritis. Only 19.7% of ED episodes were considered as “justified” by the WHO criteria for hospital emergency or by referral from another health institution. There are no differences between children who used pediatric ED in a “justified” or “unjustified” way. Discussion and conclusion: Recognition of clinical situations that justify the hospital ED use seems unrelated to parental education or primary care doctor assignment. The notion of serious illness in low-severity situations with early and fast access to a tertiary health care facility reveals lack of information on health concepts by the general population.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b>ARTIGOS ORIGINAIS / ORIGINAL ARTICLES</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>Motivos de recurso ao Serviço de Urgência Pediátrica</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="verdana">Reasons to access to a Pediatric Emergency   Department</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="2" face="verdana">Ana Cristina Freitas<sup>I</sup>; Ana Raquel   Moreira<sup>II</sup>; Soraia   Tomé<sup>II</sup>; Raquel Cardoso<sup>II</sup></font></b></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I </sup>S.   de Pediatria do Centro Materno Infantil do Norte, Centro Hospitalar do Porto. 4099-001 Porto, Portugal. <a href="mailto:anacrisfrei@gmail.com">anacrisfrei@gmail.com</a></font>    <br> <font size="2" face="verdana"><sup>II </sup>S.   de Pediatria do Centro Hospitalar Médio Ave. 4761-917 Vila Nova de Famalicão, Portugal. <a href="mailto:araquelsmoreira@gmail.com">araquelsmoreira@gmail.com</a>; <a href="mailto:soraia.tome@chma.min-saude.pt">soraia.tome@chma.min-saude.pt</a>; <a href="mailto:raquel.cardoso73@gmail.com">raquel.cardoso73@gmail.com</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><a href="#end">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topo" id="topo"></a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr noshade size="1">     <p><font size="2" face="verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Introdução</b>: O recurso   ao serviço de urgência (SU)   hospitalar motivado por situações não urgentes é frequente e conduz   a pior prestação de cuidados, insatisfação dos utentes e profissionais e aumento dos custos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Objectivos: </b>Determinar os motivos para recurso a SU pediátrica hospitalar.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Material e métodos: </b>Estudo descritivo, transversal, entre 10/10 e 31/12/2013 em SU pediátrico   hospitalar, através de análises de inquéritos preenchidos de forma anónima pelos acompanhantes e complementados com informação clínica pelo médico.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Resultados: </b>Foram analisados 481 questionários. O recurso ao SU ocorreu nas primeiras 24 horas de doença em 48% dos casos. Os principais motivos   foram: noção de doença grave e   urgente (33%), local   de atendimento mais próximo (17%),   preferência por avaliação por pediatra (17%). A maioria teve alta sem realização de exames   complementares de diagnóstico ou tratamento (89%) e os principais diagnósticos de alta foram nasofaringite e gastroenterite agudas.   Apenas 19,7% das   idas ao SU poderiam   ser consideradas como “justificadas” pelo cumprimento dos critérios de OMS para urgência hospitalar ou por orientação prévia   por outra entidade de saúde. Não   existem diferenças   estatisticamente significativas entre as características das crianças que recorreram ao SU de forma “justificada” e “não justificada”.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Discussão e conclusão: </b>O   reconhecimento de situações clínicas que justifiquem o recurso ao SU hospitalar não parece   relacionado com habilitações literárias parentais ou atribuição   de médico de família. A percepção de doença grave   em situação benigna com recurso precoce   e injustificado ao atendimento em contexto de serviço de urgência denota falta de educação para a saúde na população geral.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Palavras-chave: </b>serviço de urgência; pediatria; sociedade</font></p> <hr noshade size="1">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Introduction</b><i>: </i>Hospital emergency department (ED) utilization   by non-urgent situations is common   and leads to worse care, patients and professionals dissatisfaction and increasing costs.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Objective</b>:   To determine the reasons and adequacy for the use of a hospital pediatric ED.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Methods: </b>Descriptive, cross-sectional study between   October 10 and December 31 2013 at an hospital   pediatric ED, through analysis   of questionnaires completed   by child caretakers and with clinical data   provided by the doctor who observed the child.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Results: </b>There were 481 validated and   analised questionnaires. ED use within the first 24 hours of disease was observed in 48%. The main reasons   were: notion of a serious and urgent disease (33%), being   the nearest facility (17%), preference for evaluation by a pediatrician (17%). Most   were discharged without any additional diagnostic test or specific treatment (89%)   and the main discharge diagnosis were acute   nasopharyngitis and gastroenteritis. Only 19.7% of ED episodes were considered as “justified” by the WHO criteria for hospital   emergency or by referral from another health institution. There are   no differences between   children who used   pediatric ED in a “justified” or “unjustified” way.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Discussion and conclusion: </b>Recognition of clinical situations that   justify the hospital ED use seems unrelated to parental education or primary   care doctor assignment. The notion of serious illness in low-severity   situations with early and fast access to a tertiary health care facility   reveals lack of information on health concepts by the general population.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Keywords</b>: emergency service; pediatrics; society</font></p> <hr noshade size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>INTRODUÇÃO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"></font><font size="2" face="verdana">Um episódio de urgência é definido como uma situação clínica de   instalação súbita com risco de estabelecimento   de falência de funções   vitais.<sup>1 </sup>Segundo a OMS, os episódios clínicos podem ser classificados em urgências hospitalares (emergência vital ou necessidade de utilizar meios   de diagnóstico ou terapêutica não disponíveis nos   cuidados de saúde   primários), urgências não hospitalares (necessidade de assistência   médica imediata, sem que   exista perigo de vida para   o doente) e episódios não urgentes (situação   que pode aguardar   por avaliação em consulta programada pelo médico assistente).<sup>2</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O recurso   ao serviço de urgência (SU) hospitalar por situações não urgentes é frequente.<sup>3-8     </sup>Esta realidade condiciona pior prestação de cuidados às situações verdadeiramente   urgentes, insatisfação dos utentes e profissionais e insuficiência de recursos humanos.<sup>9</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O objectivo deste trabalho foi   determinar os motivos   alegados pelos acompanhantes das crianças doentes   para recorrer a um serviço de urgência pediátrica hospitalar e a sua adequação, relacionando-os com as   características socioeconómicas e clínicas da população em estudo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="verdana">MATERIAL E MÉTODOS</font></b></p>     <p><font size="2" face="verdana">Estudo descritivo e transversal, realizado em serviço de urgência   pediátrica hospitalar entre 10 de outubro e 31 de dezembro de 2013, através   da análise de inquéritos preenchidos pelos acompanhantes das crianças observadas em serviço   de urgência pediátrica hospitalar e pelo médico   pediatra que as observou. O estudo foi   realizado num Centro   Hospitalar localizado na região   norte do país   e responsável pela   prestação de cuidados de saúde a uma população de cerca de 250.000 habitantes, que apresenta nível de urgência médico-cirúrgica e urgência pediátrica com equipa de profissionais especializada em pediatria em funcionamento em local físico   próprio. A realização do estudo durante   a estação do Outono/Inverno foi   relacionada com a superior afluência ao serviço   de urgência por motivos médicos neste período. O estudo   e inquérito aplicado   foram aprovados pela direção   clinica e comissão   de ética hospitalar. A entrega dos   questionários ficou a cargo de funcionários   administrativos, tendo sido entregue   aos acompanhantes de crianças levadas ao serviço de urgência no momento   de abertura do episódio de urgência entre as 08 e as 22 horas de dias úteis, com exceção dos   casos motivados por   traumatismo ou acidente escolar. Cada inquérito foi preenchido de forma escrita   e anónima pelo acompanhante da criança no período de espera pela observação médica e entregue   ao médico, que o completou   com a informação clínica. Foram   excluídos os inquéritos entregues sem   preenchimento, ou os que não   incluíam informação clínica   ou os motivos de recurso ao SU. As questões de preenchimento pelo acompanhante da criança incluíram: data e hora de ida ao SU, relação do acompanhante com a criança,   características epidemiológicas (data de nascimento, sexo,   agregado familiar, idade e   escolaridade dos pais)   e clínicas (doença   crónica, seguimento em médico   de família e seguro de saúde) e características do episódio de urgência (duração   do episódio de doença, motivos de ida ao SU e avaliação prévia   por outro médico). De entre os motivos descritos para recurso a SU pediátrico hospitalar, o   inquérito abrangia as seguintes: encaminhado do médico de família/pediatra, indicação da linha “saúde   24”, levado por   ambulância/INEM ou por   funcionário da escola,   local de atendimento médico mais próximo, não possuir médico   de família, não confiar na avaliação por médico de família, preferir   avaliação médica por pediatra, dificuldade ou demora em obter avaliação por médico de família,   noção de potencial   doença grave e urgente   e outros (campo aberto de escrita livre).   O médico responsável pela observação da criança   preencheu as últimas   questões, de forma anónima: diagnóstico de alta,   realização de exames complementares de diagnóstico, medicação parentérica ou internamento hospitalar.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os inquéritos foram analisados de forma anónima,   as variáveis categóricas são apresentadas como   frequências e percentagens e as variáveis contínuas como médias   e desvios-padrão ou medianas e distâncias interquartis no caso de variáveis com distribuição não normal. Foi efetuado o teste t-student na comparação de variáveis contínuas e teste de chi-quadrado na comparação das frequências das variáveis categóricas, com o apoio do programa IBM SPSS Statistics® for   Mac 22, tendo sido considerado o nível de significância de p&lt;0,05.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="verdana">RESULTADOS</font></b></p>     <p><font size="2" face="verdana">Foram considerados válidos e analisados 481 inquéritos, com uma distribuição entre 0 e 42 inquéritos por dia (média de   9 inquéritos por dia) e maioritariamente até às 20 horas (60%). Os   questionários foram referentes a idas ao SU pediátrico hospitalar de crianças   com idade mediana   de 4,6 anos (distância   interquartil de 7,0 anos) e 52,9% do sexo masculino. A maioria foi acompanhada pelos pais (88% pela mãe e 9,8% pelo pai), tinha agregado familiar constituído por família nuclear   (73,6%), com habilitações literárias dos pais correspondentes aos 3º ciclo e ensino secundário (60%), não   apresentava doença crónica (86,5%),   tinha médico de família atribuído com consultas   regulares (94% e 79%, respetivamente) e não possuía seguro de saúde (78,6%).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">A ida   ao SU ocorreu maioritariamente nas   primeiras 24 horas de doença (<a href="#g1">gráfico 1</a>). Os motivos   para recurso a SU hospitalar estão descritas no <a href="#q1">quadro 1</a>, sendo os principais: noção   de potencial doença grave   e urgente, local   de atendimento mais próximo e preferência por   avaliação por pediatra. Os principais   diagnósticos de alta, segundo a classificação internacional de doenças (CID-10), foram nasofaringite aguda, gastroenterite   de origem infecciosa presumível e amigdalite aguda – <a href="#q2">quadro 2</a>. Das   crianças observadas, 89,5%   não realizaram qualquer   procedimento ou tratamento endovenoso e 96,6% tiveram alta para   o exterior sem referenciação necessária. No total, foi atribuída alta hospitalar do episódio de urgência sem realização de exames complementares ou tratamento parentérico em 89% das crianças.</font></p>     <p><a name="g1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/nas/v25n3/25n3a02g1.jpg" width="403" height="454"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><a name="q1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/nas/v25n3/25n3a02q1.jpg" width="402" height="352"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><a name="q2"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/nas/v25n3/25n3a02q2.jpg" width="391" height="341"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Considerando   a necessidade de investigação ou tratamento   específico no episódio de urgência   ou referência prévia   por outra entidade de saúde como   critérios para recurso   “justificado” ao SU, 19,7%   das crianças cumpriram estes critérios. Não se   observaram diferenças estatisticamente significativas entre as características das socioeconómicas ou clínicas das crianças   levadas ao SU de forma   “justificada” e “não justificada”, nomeadamente idade, escolaridade   parental, agregado familiar, doença crónica, seguro   de saúde, vigilância regular em médico   de família e duração   da doença, conforme   descrito no <a href="#q3">quadro   3</a>.</font></p>     <p><a name="q3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/nas/v25n3/25n3a02q3.jpg" width="398" height="429"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="verdana">DISCUSSÃO</font></b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">A redução da utilização indevida   dos serviços de urgência   hospitalares em Pediatria depende da compreensão da sua motivação pelos cuidadores   e acompanhantes das crianças doentes. No nosso   estudo, os principais motivos foram a noção   de potencial doença grave e urgente, proximidade do local e preferência por avaliação pela   especialidade de Pediatria. Estes   resultados são semelhantes aos descritos por Costa <i>et     al </i>em estudo realizado em hospital na região do Porto em 1997, o que   mostra uma manutenção nos comportamentos sociais em saúde nos últimos 15 anos.<sup>4</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O receio   de doença grave   por parte dos acompanhantes não se   correlaciona com a gravidade clínica,   na medida em que os principais diagnósticos de alta foram   nasofaringite, gastroenterite e amigdalite agudas e a maioria das crianças teve alta sem necessidade de intervenção hospitalar específica. Este padrão de diagnóstico de alta e posterior orientação é o habitualmente   descrito em estudos realizados em contexto de serviço de urgência hospitalar.<sup>3,4,10 </sup>Kubieck <i>et al </i>analisou um grupo de   crianças/acompanhantes que recorreram a serviço de urgência hospitalar por motivos não urgentes, constatando que 63% consideravam a situação clínica da criança como muito ou extremamente grave.<sup>11</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">De facto,   apenas 19,7% dos episódios de urgência foram classificados como “justificados”.   Em outros estudos nacionais semelhantes, publicados há mais de 10 anos,   o recurso a urgência hospitalar foi considerado adequado   em 20 a 42%.<sup>3,4     </sup>Estes valores são inferiores aos descritos em outros centros   estrangeiros, em que o uso dos serviços de urgência hospitalares por motivos não-urgentes, ultrapassam os 50%.<sup>5-8</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Vários autores descreveram fatores associados à adequação na utilização do SU hospitalar, como referenciação prévia por outra entidade de saúde e doença crónica.<sup>6,10</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Por outro   lado, factores como idade inferior   a 6 anos, duração da doença inferior   a 24-72 horas e proximidade do local de residência foram associados a inadequação no recurso à urgência hospitalar.<sup>3,6,8</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O   nosso estudo não identificou nenhuma característica com associação ao recurso   “não justificado” ao SU hospitalar. A estruturação dos cuidados de saúde em cada país e a realidade   social e cultural local influenciam os resultados obtidos   pelos diversos autores, condicionando dificuldade na sua   extrapolação. Em Portugal, o sistema de referenciação entre   instituições de saúde encontra-se devidamente organizado, nomeadamente através de sistemas integrados que abrangem o médico assistente, centros de referenciação hospitalar e a urgência pediátrica.<sup>12 </sup>No entanto,   a acessibilidade aos serviços de saúde é livre   e depende da escolha dos utentes. As suas escolhas   por sua vez estão   na dependência de uma ampla   variedade de factores, desde facilidade de acesso até conhecimentos em gravidade e atuação em situações de doença aguda.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O período   de realização do estudo poderá   condicionar os resultados, sem que no entanto seja uma variável   analisada na literatura publicada sobre este tema.   As variáveis que condicionaram   a amostragem não foram controladas, podendo também influenciar os resultados. A sua interpretação e extrapolação são condicionadas pelas características   inerentes às características do centro hospitalar onde foi realizado o estudo e às características sócio-económicas e culturais do meio onde   está inserido. Estes factores   não foram avaliados, com exceção do nível de escolaridade parental, posse de seguro de saúde e utilização de cuidados de saúde primários. As características das unidades   de saúde primárias que funcionam   na dependência do serviço   de urgência também não foram estudadas, podendo influenciar a análise dos resultados.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="verdana">CONCLUSÃO</font></b></p>     <p><font size="2" face="verdana">O reconhecimento de situações clínicas   que justifiquem o recurso   ao SU hospitalar não parece   relacionado com habilitações literárias parentais ou atribuição de médico de família. A noção   de doença grave   em situação de baixa gravidade com recurso precoce e rápido a atendimento de saúde diferenciado denota falta de informação em conceitos de saúde pela população geral.   O impacto de práticas de educação para a saúde foi avaliado por outros autores, demonstrando   possível redução nas idas não urgentes   ao SU hospitalar.<sup>13 </sup>Esta e outras estratégias deverão ser estudadas de forma   optimizar o recurso a meios de saúde diferenciados pela sociedade.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="verdana">REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</font></b></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;   Direcção-Geral   da Saúde – Direcção de serviços de planeamento. Rede de referenciação   hospitalar de urgência/ emergência. Lisboa: Direcção-Geral da Saúde 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1096428&pid=S0872-0754201600030000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;   OMS. Planification et organisation des services médicaux d’urgence – rapport sur la réunion   d’un groupe tecnique   de l’OMS. Toulouse, 24-28 février 1979.   Raport et etudes Euro</font> <font size="2" face="verdana">95. Boureau Régional de l’Europe, Copenhague: OMS, 1981.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1096430&pid=S0872-0754201600030000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;   Caldeira T, Santos G, Pontes E, Dourado R, Rodrigues L. O dia-a-dia de uma urgência pediátrica. Acta Pediatr Port 2006; 1(37): 1-4.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1096432&pid=S0872-0754201600030000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;   Costa V, França-Santos K, Trindade E, Mota T, Clemente F, Carreiro E, <i>et al</i>.   Avaliação dos motivos   de vinda ao serviço   de urgência. Acta Pediatr Port 1997; 5(28): 411-7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1096434&pid=S0872-0754201600030000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;   Vedovetto A, Soriani N, Merlo E, Gregori D. The burden of   inappropriate emergency department pediatric visits: why italy needs an urgente reform.   Health Serv Res 2014; 49(4): 1290-305.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1096436&pid=S0872-0754201600030000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;   Vinelli N, Mannucci C, Laba N, Vecchio L, Valerio A, Lago M, <i>et al</i>. Consultas no urgentes al departamento de urgências   de un hospital pediátrico. Arch Argent Pediatr 2011; 109(1): 8-13.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1096438&pid=S0872-0754201600030000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">7.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;   Chin N, Goepp J, Malia T, Harris L,   Poordabbagh A. Nonurgent use of a pediatric emergency department: a preliminar qualitative study. Pediatr Emerg Care 2006; 22(1): 22-7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1096440&pid=S0872-0754201600030000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">8.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;   Zimmer K, Walker A, Minkovitz C. Epidemiology of pediatric   emergency department use at an urban medical center. Pediatr Emerg Care 2005; 21(2): 84-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1096442&pid=S0872-0754201600030000200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">9.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;   Derlet R, Richards J. Overcrowding in the nation’s   emergency departments: complex causes and disturbing effects. Ann Emerg Med 2000; 35: 63-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1096444&pid=S0872-0754201600030000200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">10.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;   Barroso M, Ferreira G, Machado M, Lemos P. Referenciação pediátrica – que realidade? Acta Pediatr Port 2003; 2(34): 89-93.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1096446&pid=S0872-0754201600030000200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">11.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;   Kubicek K, Liu   D, Beaudin C, Supan J, Weiss G, Lu Y, <i>et al</i>.   A profile of nonurgent emergency department use in an urban pediatric hospital. Pediatr Emerg Care 2012; 28(19): 977-84.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1096448&pid=S0872-0754201600030000200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">12.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;   Administração   Regional de Saúde do Norte. Urgência Pediátrica Integrada do Porto   – a construção de um projecto. 1ª edição, Porto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1096450&pid=S0872-0754201600030000200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">13.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;   Herman A, Young K, Espitia D, Fu N,   Farshidi A. Impact of health literacy intervention on pediatric emergency   department use. Pediatr Emerg Care 2009; 25(7): 434-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1096452&pid=S0872-0754201600030000200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b><a name="end" id="topo2"></a><a href="#topo">ENDERE&Ccedil;O PARA CORRESPOND&Ecirc;NCIA</a></b></font>    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <font size="2" face="verdana">Ana Cristina Freitas Serviço de Pediatria    <br>   </font><font size="2" face="verdana">Centro   Materno Infantil do Norte       <br>   Centro Hospitalar do Porto     <br>   Largo Prof. Abel Salazar,    <br>   </font><font size="2" face="verdana">4099-001 Porto    <br>   </font><font size="2" face="verdana">Email: <a href="mailto:anacrisfrei@gmail.com">anacrisfrei@gmail.com</a></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Recebido a 03.09.2015 | Aceite a 15.02.2016</font></p>      ]]></body><back>
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