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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Accidental ingestion of a foreign body is a frequent cause of recurrence to medical care in pediatrics. Signs and symptoms of a foreign body aspiration/swallowing are nonspecific which, in an infant or toddler, makes the diagnosis very difficult when the incident is not seen. Although rare, a foreign body swallowed or inhaled can impact the common part of the upper airway. In these cases, the clinical specificity is associated with the radiological silence, conditioning the delaying of the therapeutic and inherent complications. We present the case of a ten month old male infant, to show the diagnostic difficulty when the aspirated foreign body is not radiopaque and the event was not witnessed, and all the inherent risk of delayed diagnosis.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[  <font face="Verdana" size="2">        <p align="right"><b>CASOS CLÍNICOS | CASE REPORTS </b></p>        <p>&nbsp;</p> </font>     <p><font size="4" face="Verdana"><b>Corpo estranho na via aérea: …como um avião passou   despercebido</b></font> </p> <font face="Verdana" size="2">     <p>&nbsp;</p> </font>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Foreign body in the airway: …how a plane was unnoticed</b></font> </p> <font face="Verdana" size="2">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Ana Gomes da Silva<sup>I</sup>; Carolina Prelhaz<sup>I</sup>, Inês Marques<sup>I </sup></b></p>     <p><sup>I </sup>S. de Pediatria do Centro Hospitalar Barreiro Montijo.   2830-003 Barreiro. <a href="mailto:anabelle85@gmail.com">anabelle85@gmail.com</a>; <a href="mailto:anabelle85@gmail.com">carolinaprelhaz@gmail.com</a>; <a href="mailto:anainesdominguesmarques@gmail.com">anainesdominguesmarques@gmail.com</a></p> <a href="#end">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topo" id="topo"></a>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> </font> <hr noshade size="1"> <font face="Verdana" size="2">     <p><b>RESUMO </b></p>     <p>A aspiração   acidental de um corpo estranho   é uma causa frequente de procura de cuidados médicos em pediatria. Os   sinais e sintomas de aspiração/deglutição de corpo estranho inespecíficos o que, na criança   pequena, dificulta o diagnóstico   quando o incidente não é presenciado. Embora   seja raro, um corpo   estranho deglutido ou aspirado pode   impactar no tronco comum da via aérea   superior. Nestes casos, à inespecificidade clínica associa-se o silêncio radiológico, condicionando <s>o </s>atraso terapêutico e inerentes complicações.</p>     <p>Apresenta-se o caso clínico   de um lactente do sexo masculino   de dez meses de idade, exemplificativo da dificuldade diagnóstica quando a aspiração não é presenciada e o corpo estranho não é radiopaco, bem como de todo o risco inerente ao atraso diagnóstico.</p>     <p><b>Palavras-chave:   </b>corpo estranho; via aérea; aspiração</p> </font> <hr noshade size="1"> <font face="Verdana" size="2">     <p><b>ABSTRACT </b></p>     <p>Accidental ingestion of a foreign   body is a frequent cause   of recurrence to medical   care in pediatrics. Signs and symptoms   of a foreign body aspiration/swallowing are nonspecific which, in an infant or toddler, makes   the diagnosis very difficult when the   incident is not seen. Although   rare, a foreign   body swallowed or inhaled can   impact the common part of the upper airway. In these cases, the clinical   specificity is associated with the radiological silence, conditioning the delaying of the therapeutic and inherent complications.</p>     <p>We present the case of a ten month old male infant,   to show the diagnostic difficulty when the aspirated foreign   body is not radiopaque and the event   was not witnessed, and all the inherent risk of delayed diagnosis.</p>     <p><b>Keywords: </b>foreign body; airway; aspiration</p> </font> <hr noshade size="1">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"> </font></p>      <p><font size="3" face="Verdana"><b>INTRODUÇÃO</b></font> </p> <font face="Verdana" size="2">     <p>Os acidentes em idade pediátrica constituem uma importante causa de morbimortalidade a nível mundial.<sup>1 </sup>Entre estes,   destaca-se a aspiração   de corpo estranho,   definida como a inalação ou ingestão inadvertida de qualquer objeto   ou substância.<sup>1,2 </sup>A gravidade   do evento depende do grau de obstrução da via   aérea, podendo ser fatal em até um terço dos casos.<sup>3 </sup>A aspiração de corpo estranho ocorre maioritariamente em crianças do sexo   masculino (2:1), entre   o primeiro e o terceiro   ano de vida.<sup>2,3 </sup>A maior   incidência nestas idades   relaciona-se com uma   falha do reflexo laríngeo, controlo inadequado da deglutição e hábito de levar   objetos à boca,   associado ao descuido   dos cuidadores.<sup>2,3 </sup>Os objetos   mais frequentemente aspirados   são sementes, frutos secos, fragmentos de brinquedos, tampas de caneta,   brincos e balões vazios   (estes últimos associados a mortalidade elevada).<sup>3 </sup>É essencial o diagnóstico precoce,   dado que o atraso se associa   a uma maior taxa de sequelas e mortalidade.<sup>2 </sup>Após um episódio   de aspiração do corpo estranho   ocorre, habitualmente, acesso de tosse e engasgamento, nem sempre valorizado pelos pais.<sup>2 </sup>A apresentação clínica depende do tipo, tamanho   e localização do corpo   estranho e inclui:   tosse persistente, dificuldade respiratória, diminuição localizada dos sons respiratórios e sibilos   (localizados ou difusos).<sup>2 </sup>Aproximadamente 40% dos doentes podem ser assintomáticos e não apresentar alterações no exame   físico.<sup>2 </sup>O diagnóstico de aspiração de corpo estranho deve ser considerado nas   situações clínicas de primeiro episódio de sibilância (sobretudo se sibilos localizados), tosse persistente, na   diminuição segmentar dos sons respiratórios, estridor ou dificuldade   respiratória refratária à terapêutica.<sup>3 </sup>A   radiografia simples de tórax   é o exame diagnóstico de primeira linha,   uma vez que se encontra facilmente disponível em todos   os serviços hospitalares.<sup>2 </sup></p>     <p>&nbsp;</p> </font>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>CASO CLÍNICO</b></font> </p> <font face="Verdana" size="2">     <p>É   apresentado o caso de um lactente do sexo masculino,   com dez meses de idade,   portador de um síndrome polimalformativo em estudo e caracterizado por   malformações cardíacas   corrigidas cirurgicamente no primeiro dia   de vida (retorno venoso pulmonar anómalo   total infracardíaco, veia cava superior   esquerda ao seio coronário e persistência do canal arterial) e malformações musculosqueléticas múltiplas com grave limitação   funcional (artogripose das articulações tibio-femural, umero-radial e   umero-cubital, malformações das costelas, desvio cubital marcado dos primeiro e segundo dedos   das mãos, pés dismórficos, hipotrofia muscular generalizada, associada a hipotonia, e dismorfia craniana). Referência a episódios prévios de sibilância no contexto de infeções respiratórias de etiologia vírica.</p>     <p>Foi observado   no Serviço de Urgência Pediátrico por febre elevada associada a dificuldade respiratória, tosse seca e recusa alimentar   com dois dias de evolução,   de agravamento progressivo. À admissão apresentava-se   subfebril, com saturação periférica de O2 de 94% em ar ambiente, tiragem   global e taquipneia. À auscultação, para além de um sopro sistólico de grau   III/VI audível em todo o tórax, objetivou-se murmúrio vesicular rude com fervores subcrepitantes dispersos simetricamente.</p>     <p>A otoscopia,   rinoscopia e inspeção da orofaringe não revelaram   alterações. Foi realizada radiografia simples do tórax em incidência póstero-anterior que revelou um reforço intersticial bilateral e hipotransparência heterogénea no terço superior   de ambos os campos pulmonares. Analiticamente apresentava elevação dos parâmetros de fase aguda. O lactente   foi internado no serviço   de Pediatria com os diagnósticos de agudização de sibilância recorrente e sobreinfeção bacteriana, tendo iniciado terapêutica broncodilatadora e   antibioterapia com amoxicilina e ácido clavulânico. Verificou-se melhoria progressiva dos sinais   de dificuldade respiratória, mantendo no entanto rinorreia   anterior e posterior seromucosa profusa, associada a dificuldade   alimentar, com recusa   para sólidos. No terceiro dia de internamento, na sequência de um episódio de engasgamento durante a sessão de cinesiterapia respiratória, acompanhado de cianose   perioral, procedeu-se à manobra de Heimlich com   reversão da cianose e foi   exteriorizado um corpo estranho de plástico de forma grosseiramente triangular   e bordos aguçados, com cerca de 2,5cm de aresta, posteriormente identificado pelo cuidador como sendo parte da asa de um avião de plástico.   Após este incidente, foi   observado pela otorrinolaringologia que excluiu sinais de traumatismo na orofaringe ou laringe superior bem como perdas hemáticas. Após exteriorização do corpo estranho verificou-se rápida melhoria da ingesta, com recuperação paulatina da tolerância alimentar e resolução da rinorreia.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/nas/v25n4/25n4a12f1.jpg" width="399" height="313"></p>     
<p>&nbsp;</p> </font>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>DISCUSSÃO</b></font> </p> <font face="Verdana" size="2">     <p>A aspiração de um corpo   estranho em idade   pediátrica pode ser fatal,   principalmente se existir   obstrução total ou subtotal da laringe ou traqueia. Um menor grau de obstrução   ou migração do corpo   estranho para regiões   mais distais da árvore brônquica provocam sintomas menos exuberantes mas, ainda assim, associados a elevadas taxas de   morbilidade, principalmente em   crianças com idade inferior a três anos.<sup>2,3 </sup>O diagnóstico de aspiração de corpo estranho nem sempre é evidente , principalmente quando o incidente não   é presenciado, sendo   necessário um elevado grau de suspeição clínica.<sup>2 </sup>O caso clínico apresentado mostra de forma evidente   como este diagnóstico pode passar   despercebido. Neste lactente, para além da reduzida mobilidade associada ao síndrome   polimalformativo, que não tornaria   provável a manipulação de objectos fora de alcance, não foi presenciado qualquer   episódio, nem foram   detetados os sinais típicos de engasgamento ou tosse.   Paralelamente, o quadro infecioso subjacente tornou ainda   mais remota a hipótese de aspiração de corpo estranho.</p>     <p>Apesar de o exame   radiológico simples de tórax ser   o exame de primeira   linha na suspeita   de aspiração de corpo estranho, quando o objeto aspirado   é radiotransparente os sinais radiográficos são apenas indiretos,   nomeadamente zonas de atelectasia   ou “<i>airtrapping</i>”, dificultando o diagnóstico. Da mesma forma, quando a impactação ocorre   na via aérea   superior é necessário que o objeto seja suficientemente volumoso   para criar um efeito   de massa visível radiograficamente, ou então passará   despercebido. Neste caso,   o objeto aspirado, apesar de ter dimensões   consideráveis, era radiotransparente e não causava efeito de massa, tendo passado despercebido não só clinicamente.</p>     <p>Concluímos   que o atraso no diagnóstico de aspiração de corpo   estranho se deveu   a um baixo nível de suspeição, tanto por não haver história   de episódio de engasgamento presenciado como pela ausência de sinais e sintomas típicos. De fato, em crianças com menos de três anos de idade   é típica a ausência   tanto de história clínica como   de sintomas sugestivos e é o nosso grau de suspeição que irá determinar o sucesso diagnóstico. A utilização da radiografia simples de tórax   para exclusão da aspiração de corpo estranho   associa-se a inúmeros   falsos negativos, pois   a maioria dos   corpos estranhos aspirados não são radiopacos e aproximadamente 20% das radiografias de tórax em doentes   com aspirações de corpo estranho   comprovadas são normais.<sup>3 </sup>Sabendo-se   que a probabilidade de complicações é tanto maior   quanto mais longa   a permanência do corpo   estranho na via aérea e que o diagnóstico depende   essencialmente da suspeição clínica, a aspiração de corpo estranho   deve ser obrigatoriamente um diagnóstico diferencial nos quadros   respiratórios agudos, independentemente da escassez de dados clínicos.</p>     <p>Importa reforçar   que a aspiração de corpo estranho é uma   situação prevenível, requerendo medidas educacionais dos cuidadores, tanto   na orientação dos hábitos que predispõem ao acidente nas faixas etárias   de risco, como   no ensino das   noções básicas das técnicas de desobstrução de via aérea alta.</p>     <p>&nbsp;</p> </font>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>REFERÊNCIAS   BIBLIOGRÁFICAS</b></font> </p> <font face="Verdana" size="2">     <!-- ref --><p>1.             Sobrinho FPG, Jardim AMB, de Sant’Ana   IC, Lessa HA. Corpo estranho na nasofaringe: a propósito de um caso. Rev. Bras. Otorrinolaringol. 2004; 70: 120-3.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1102038&pid=S0872-0754201600060001200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>2.             Fraga AMA, dos Reis   MC, Zambon MP,   Toro IC, Ribeiro   JD, Baracat ECE. Aspiração de corpo estranho em crianças: aspectos   clínicos, radiológicos e tratamento broncoscópico. J Bras Pneumol. 2008; 34:74-82.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1102040&pid=S0872-0754201600060001200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>3.             Gonçalves EPM, Cardoso RS, Rodrigues AJ. Aspiração de corpos estranhos. Pulmão Rio de Janeiro. 2011; 20:54-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1102042&pid=S0872-0754201600060001200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p> <b><a name="end" id="topo2"></a><a href="#topo">ENDERE&Ccedil;O PARA CORRESPOND&Ecirc;NCIA</a></b>    <br> Ana Gomes da Silva     <br> Serviço de Pediatria    <br> Centro   Hospitalar do Barreiro Montijo     <br> Av. Movimento das Forças Armadas, 2830-003 Barreiro    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> Email: <a href="mailto:anabelle85@gmail.com">anabelle85@gmail.com</a>     <p>Recebido a 24.07.2015 | Aceite a 13.07.2016</p> </font>      ]]></body><back>
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