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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: Cutaneous Larva Migrans is a dermatosis caused by nemantode parasites, mainely Ancylostoma brasiliensis and Ancylostoma caninus. It is an endemic disease in tropical countries but a rare diagnosis in the rest of the world. Case Report: We report the case of a ten-year-old child emigrated from Angola. The physical examination showed scarring injuries from previous incisions made as a form of treatment as well as a serpiginous lesion on the dorsum of the left foot, compatible with cutaneous Larva Migrans. The patient was started on albendazole and complete resolution of symptoms was obtained after one week. About that time, the patient’s brother, who had the same symptoms on both feet, was submitted to the same treatment, also with resolution of symptoms. Discussion: The authors wish to enphasize the relevance of this case due to the migration from countries with high prevalence of cutaneous Larva Migrans.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[   <font face="Verdana" size="2">     <p align="right"> <b> CASE REPORTS | CASOS CL&Iacute;NICOS </b> </p>     <p>&nbsp;</p> </font>     <p><font size="4" face="Verdana"><b>Larva Migrans Cutânea - apresentação típica de dois casos clínicos</b></font></p> <font face="Verdana" size="2">     <p>&nbsp;</p> </font>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Cutaneous Larva Migrans &ndash; presentation of two typical   cases</b></font></p> <font face="Verdana" size="2">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Sara Soares<sup>I</sup>; Catarina Ferraz de Liz<sup>I</sup>; Ana Lúcia Cardoso<sup>I</sup>; Ângela Machado<sup>I</sup>; Joaquim Cunha<sup>I</sup>; Leonilde Machado<sup>I</sup></b></p>     <p><sup>I</sup> Department of Pediatrics and Neonatology, Centro   Hospitalar Tâmega e Sousa. 4564-007 Penafiel, Portugal. <a href="mailto:sara.m.m.soares@gmail.com">sara.m.m.soares@gmail.com</a>,   <a href="mailto:73085@chts.min-saude.pt">73085@chts.min-saude.pt</a>, <a href="mailto:72928@chts.min-saude.pt">72928@chts.min-saude.pt</a>,   <a href="mailto:anj.machado@gmail.com">anj.machado@gmail.com</a>, <a href="mailto:71050@chts.min-saude.pt">71050@chts.min-saude.pt</a>, <a href="mailto:71612@chts.min-saude.pt">71612@chts.min-saude.pt</a></p> <a href="#end">Correspondence to</a><a name="topo" id="topo"></a>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> </font><font face="Verdana" size="2">  </font> <hr noshade size="1"> <font face="Verdana" size="2">     <p><b>RESUMO</b></p>     <p><b>Introdução:</b> A Larva Migrans Cutânea é uma dermatose provocada   por parasitas nematodes, dos quais os mais frequentes são <i>Ancylostoma     brasiliensis</i> e <i>Ancylostoma caninus</i>. É uma doença endémica em países tropicais, sendo o seu diagnóstico pouco comum nos outros países. </p>     <p><b>Caso Clínico</b>: Criança de dez anos emigrada de Angola. Ao exame   objetivo, apresentava lesões cicatriciais de incisões efetuadas previamente   como tratamento e uma lesão serpiginosa no dorso do pé esquerdo, compatível com   <i>Larva Migrans </i>cutânea. Foi instituída terapêutica com albendazol com   regressão completa dos sintomas em uma semana, altura em que foi reavaliado.   Nessa data, o irmão, que apresentava a mesma sintomatologia em ambos os pés, efetuou o mesmo esquema terapêutico, com resolução da sintomatologia.</p>     <p><b>Discussão</b>: Os autores pretendem salientar a importância   deste diagnóstico em Portugal, dado o fluxo migratório de países com elevada prevalência desta patologia. </p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Criança; emigrante; <i>Larva Migrans</i> cutânea</p> </font> <hr noshade size="1"> <font face="Verdana" size="2">     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p><b>Introduction:</b>  Cutaneous <i>Larva Migrans</i> is a   dermatosis caused by nemantode parasites, mainely <i>Ancylostoma brasiliensis</i>   and <i>Ancylostoma caninus</i>. It is an endemic disease in tropical countries but a rare diagnosis in the rest of the world.</p>     <p><b>Case Report: </b>We report the case of a ten-year-old child   emigrated from Angola. The physical examination showed scarring injuries from   previous incisions made as a form of treatment as well as a serpiginous lesion   on the dorsum of the left foot, compatible with cutaneous <i>Larva Migrans</i>.   The patient was started on albendazole and complete resolution of symptoms was   obtained after one week. About that time, the patient’s brother, who had the   same symptoms on both feet, was submitted to the same treatment, also with resolution of symptoms.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Discussion: </b>The authors wish   to enphasize the relevance of this case due to the migration from countries with high prevalence of cutaneous <i>Larva Migrans</i>.</p>     <p><b>Keywords:</b> Child; cutaneous <i>Larva Migrans</i>; emigrant</p> </font> <hr noshade size="1"> <font face="Verdana" size="2">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> </font>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>INTRODUÇÃO</b></font></p> <font face="Verdana" size="2">     <p>A Larva Migrans Cutânea   (LMC) é uma   doença endémica   em países tropicais e subtropicais, nomeadamente   países da Ásia, África e América Latina.<sup>1</sup> Foi descrita pela primeira   vez em 1874 e 50 anos depois foi realizada a primeira biópsia cutânea, que   comprovou a presença de um parasita nemátode que penetrava a pele e migrava através dela.<sup>2,3</sup></p>     <p>A parasitose é pouco   comum nos países industrializados, apesar de ser a segunda causa mais comum de   morbilidade nos turistas, a seguir à diarreia.<sup>9</sup>. O seu diagnóstico é   clínico, baseando-se não só na história clínica, mas também nas lesões cutâneas típicas ao exame objetivo.<sup>2,3</sup></p>     <p>Os autores apresentam   dois casos clínicos de dois irmãos, recentemente emigrados de Angola, e fazem   uma revisão teórica sobre aspectos pertinentes sobre a <i>Larva Migrans</i> cutânea.</p>     <p>&nbsp;</p> </font>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>CASO CLÍNICO</b></font></p> <font face="Verdana" size="2">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Criança   de dez anos, do sexo masculino, emigrada de Angola desde há duas semanas, é   trazida ao Serviço de Urgência por prurido no pé esquerdo com três semanas de   evolução e lesão “em túnel” no dorso do mesmo pé. No início da sintomatologia,   segundo o pai, a criança foi observada num hospital em Angola, onde, apesar de   numerosas incisões, não conseguiram “eliminar o bicho”. Manteve-se apirético,   sem outra sintomatologia associada.</p>     <p>No Serviço de Urgência,   ao exame objectivo apresentava lesões cicatriciais de incisões efetuadas   previamente como tratamento, tal como descritas pelo pai, e lesão serpiginosa   no dorso do pé esquerdo (figuras <a href="#f1">1</a> e <a href="#f2">2</a>). Na região plantar do hálux apresentava a mesma lesão serpiginosa, mas de consistência endurecida (<a href="#f3">figura 3</a>).</p>     <p><a name="f1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/nas/v27n1/27n1a08f1.jpg" width="370" height="549"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><a name="f2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/nas/v27n1/27n1a08f2.jpg" width="336" height="566"></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="f3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/nas/v27n1/27n1a08f3.jpg" width="389" height="476"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>O aspecto das lesões e a   história de residência em área endémica permitiu o diagnóstico clínico de <i>Larva     Migrans </i>Cutânea. Foi instituída terapêutica com albendazol, 10mg/kg/dia de   12/12horas, durante cinco dias. A criança foi reavaliada após uma semana e   mostrava regressão completa dos sintomas e sinais. Nessa data, o irmão de 13   anos apresentava a mesma sintomatologia e lesões serpiginosas semelhantes na   face lateral de ambos os pés. Efetuou o mesmo esquema terapêutico, com resolução da sintomatologia.</p>     <p>&nbsp;</p> </font>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>DISCUSSÃO</b></font></p> <font face="Verdana" size="2">     <p>A LMC é uma infecção cutânea autolimitada, habitualmente   provocada por parasitas de animais domésticos, dos quais os mais frequentes são   <i>Ancylostoma brasiliensis,</i> presente nas fezes de gato, e <i>Ancylostoma     caninus</i>, nas fezes de cão.<sup>2,5,6</sup> Existem outros parasitas   descritos como <i>Uncinaria stenephala</i> e <i>Bunosronum phebotunum</i> de   animais e <i>Necator americanus</i>, <i>Ancylostoma duodenale</i> e o <i>Strongyloides     stercoralis</i> de humanos, que também podem causar LMC.<sup>1,7</sup> Estes   parasitas habitam no intestino de animais e os seus ovos são eliminados nas   fezes dos mesmos. Uma vez no solo, os ovos dão origem a larvas que, nas   condições ideais de calor e humidade, permanecem viáveis no solo durante várias   semanas.<sup>3,6</sup> O Homem, ao contactar com solos ou areias contaminadas   com fezes de animais infetados, pode tornar-se hospedeiro acidental.<sup>1,2</sup>   As larvas têm a capacidade de penetrar a pele humana pela produção de   hialuronidase ou através dos folículos pilosos, glândulas sudoríparas ou de   fissuras cutâneas, ficando habitualmente confinadas à epiderme e derme   superficial<sup>1,6</sup>. Apesar de conseguirem migrar vários centímetros na   epiderme e induzirem uma resposta inflamatória, as larvas não têm a capacidade   de completar o seu ciclo de vida no Homem e morrem num período de semanas a   meses, sendo por isso uma doença auto-limitada.<sup>1</sup></p>     <p>A sintomatologia   pruriginosa inicia-se horas após a penetração da larva, sendo esse prurido tão   intenso que interrompe o sono. Por vezes, estas lesões também são descritas como dolorosas.<sup>5</sup> Um a cinco dias após a penetração da   larva, é visível uma lesão eritematosa linear ou serpiginosa, com   aproximadamente três milímetros de largura, que progride um a dois centímetros   por dia.<sup>1,2,6</sup> Os pés são os locais mais frequentemente afetados,   seguindo-se as pernas e o períneo, as mãos, os braços e o couro cabeludo e, raramente, as mucosas.<sup>2,3,6</sup></p>     <p>As complicações mais   frequentes são provocadas por sobreinfeção bacteriana (geralmente por <i>Staphylococcus     aureus</i> e <i>Streptococcus</i>) das lesões pruriginosas, originando   impétigo, foliculite ou vesículas.<sup>3,6</sup> Apesar de raro, <i>A. caninum</i>   pode entrar em circulação e desencadear Síndrome de Loffler, caraterizado por   febre, broncospasmo, infiltrados pulmonares, eosinofilia, eritema polimorfo e, ocasionalmente, urticária.<sup>1-3,6</sup></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O diagnóstico é clínico,   baseando-se na observação das lesões típicas e na história de residência ou   viagem a região endémica. Raramente se justifica o uso de exames complementares   de diagnóstico, nomeadamente a microscopia de epiluminiscência para deteção do percurso da larva, ou a biópsia cutânea<sup>3,8</sup>. Estes   podem ser utilizados em casos atípicos ou nas lesões alteradas pelos fármacos,   apesar das alterações anatomopatológicas – dermatite espongiforme com vesículas   contendo neutrófilos e eosinófilos -  não   serem específicas desta patologia.<sup>2</sup> <i>A. caninum</i> pode ser detetado através de um teste de ELISA.<sup>3</sup></p>     <p>Existem outras dermatoses   que podem evoluir como lesões lineares ou serpiginosas, como o Granulona   Anular, Poroqueratose de Mibelli e o Eritema Anular Centrifugum, sendo clínico o diagnóstico diferencial.<sup>2,3,5</sup></p>     <p>O tratamento pode ser   local, através da crioterapia com azoto líquido ou através de um antihelmíntico tópico – tiabendazol. Este   fármaco, que não está disponível em Portugal, está indicado em situações em que   não é possível a toma sistémica, ou como coadjuvante desta. Apesar de eficaz   quando aplicado três vezes por dia, durante cinco dias, o tiabendazol 15%   implica uma adesão à terapêutica, por vezes difícil pelo doente. A crioterapia não está atualmente indicada para uso pediátrico.<sup>2,3,5</sup></p>     <p>Para o tratamento   sistémico, apesar de existirem vários antihelmínticos (o tiabendazol, o   albendazol e a ivermectina), apenas o albendazol é   comercializado em Portugal, estando a ivermectina disponível nas farmácias   hospitalares. Trata-se de um antihelmíntico de terceira geração, indicado na   dose de 10mg/kg durante cinco dias, com duas tomas diárias em idade pediátrica.   Contrariamente ao tiabendazol, os efeitos laterais do albendazol são mínimos e   autolimitados, nomeadamente queixas digestivas, febre, aumento das transaminases e alopécia.<sup>2,3</sup></p>     <p>A ivermectina é a mais   recente proposta para o tratamento desta patologia, estando descritos bons   resultados com uma toma única e sem efeitos laterais. No entanto, não está indicado a crianças com menos de 15 Kg.<sup>3</sup></p>     <p>A infeção secundária deve   ser tratada com antibioterapia direcionada. O prurido desaparece 48 horas após o início do tratamento, pelo que não é necessária terapêutica adicional.<sup>2,3,5</sup></p>     <p>A instituição de medidas   preventivas, como a desparasitação de animais domésticos e uso de calçado e   vestuário que impeça o contacto com solos infectados, são medidas difíceis de   implementar nos países endémicos devido às suas condições socioeconómicas. O   uso de calçado protetor e a evicção de praias onde a presença de animais não seja interdita são exemplos de prevenção aconselhada aos turistas.<sup>1</sup></p>     <p>Além disso, dado o fluxo   migratório para Portugal de imigrantes&nbsp;provenientes&nbsp;de países endémicos, é essencial alertar os clínicos para esta hipótese diagnóstica.<sup>9</sup></p>     <p>Em conclusão,&nbsp;após   uma história clínica cuidadosa e um exame objetivo atento, a infecção por&nbsp;<i>Larva     Migrans&nbsp;</i>Cutânea&nbsp;é de fácil diagnóstico e tratamento.</p>     <p>&nbsp;</p> </font>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana"><b>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</b></font></p> <font face="Verdana" size="2"> <ol>       <li>         <p>Macias VC, Carvalho R, Chaveiro A,       Cardoso J. Larva Migrans cutânea – a propósito de um caso clínico´. Revista SPDV 2013; 71.</p>   </li>       <li>         <p>Ferreira C, Machado S, Selores M. Larva       Migrans cutânea em idade pediátrica. Nascer e Crescer 2003; 12: 261-4.</p>   </li>       <li>         <p>Heukelbach       J, Feldmeier. Epidemiological and clinical characteristics of hookworm-related       cutaneous larva migrans. Lancet Infect Dis. 2008;       8:302-9. </p>   </li>       <li>         <p>Hagmann S, Neugebauer R, Schwartz E,       Perret C, Castelli F, Barnett ED, Stauffer WM, GeoSentinel Surveillance       Network. Illness in Children After International Travel: Analysis From the       GeoSentinel Surveillance Network. Pediatrics 2010; 125: e1072-80.</p>   </li>       <li>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Weller       PF, Leder K. Hookworm-related cutaneous Larva Migrans. Up-to-date: 2015.</p>   </li>       <li>         <p>Alves C, Proença V. Larva Migrans cutânea       – um caso de apresentação típica no viajante. Revista Portuguesa Medicina Geral       e Familiar. 2012; 28:136-8.</p>   </li>       <li>         <p>Kliegman       RM, Behrman RE, Jenson HB, Stanton BF. Nelson. Tratado de Pediatría. 18<sup>th</sup>. Barcelona:&nbsp;Elsevier, 2008.</p>   </li>       <li>         <p>Kerri       SP, Richard GL, Amanda NW, Noreen W, David H. Cutaneous Larva Migrans. The Lancet Infectious diseases 2011; 377:1948.</p>   </li>       <li>         <p>Moreira, H. Emigração Portuguesa -       Estatísticas retrospectivas e reflexões temáticas. Revista de Estudos       Demográficos 38: 47-65.</p>   </li>       </ol>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <b><a name="end" id="topo2"></a><a href="#topo">CORRESPONDENCE TO</a></b>     <p>Sara Soares    <br>   Department of Pediatrics and Neonatology    <br> Centro Hospitalar Tâmega e Sousa    <br> Avenida do Hospital Padre Américo 210    <br> 4564-007 Guilhufe    <br> Email: <a href="mailto:sara.m.m.soares@gmail.com">sara.m.m.soares@gmail.com</a></p>     <p>Received for publication: 08.06.2016 Accepted in revised form: 13.02.2017</p> </font>      ]]></body><back>
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