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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b> ARTIGOS</b></p>     <p><font face="Verdana" size="4"><b> Nota de apresenta&ccedil;&atilde;o</b></font> </p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b> Da ambival&ecirc;ncia do turismo na transforma&ccedil;&atilde;o das cidades</b></font> </p>     <p><sup>1</sup><b> Jo&atilde;o Teixeira Lopes</b>,<sup>1</sup> <b>Helena Vila&ccedil;a</b>, <sup>1</sup><b>Nat&aacute;lia Azevedo</b> </p>     <p><sup>1</sup> Faculdade de Letras da Universidade do Porto - Instituto de Sociologia da Universidade do Porto </p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o de correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> As cidades s&atilde;o um extraordin&aacute;rio laborat&oacute;rio de acelerada e permanente recomposi&ccedil;&atilde;o social. Este n&uacute;mero tem&aacute;tico da <i>Sociologia: Revista da Faculdade de Letras da Universidade do </i>Porto - Cidade, cultura e turismo: novos cruzamentos - aborda essa perspetiva partindo da rela&ccedil;&atilde;o entre urbes e fen&oacute;menos tur&iacute;sticos. <br/>   Na verdade, habitamos cidades perpassadas por din&acirc;micas translocais e transnacionais. O que n&atilde;o significa, bem entendido, que os enraizamentos (sociais, culturais, territoriais) tenham perdido a sua pertin&ecirc;ncia heur&iacute;stica. Globaliza&ccedil;&atilde;o e localiza&ccedil;&atilde;o atuam em copresen&ccedil;a, de forma contradit&oacute;ria, tensa, sobre determinada e dial&eacute;tica. Nem as cidades perdem as suas singularidades, nem se transformam em cidadelas inexpugn&aacute;veis e aut&aacute;rcicas. S&oacute; dessa forma, ali&aacute;s, poder&atilde;o ser pontos relevantes em redes mais vastas. <br/>   As mobilidades multipolares, de uma forma ampla, t&ecirc;m-se intensificado. O turista transporta o desejo da <i>fl&acirc;nerie </i>mas o tempo &eacute; curto e a deambula&ccedil;&atilde;o ocorre, muitas vezes, antes e depois da viagem, na visita virtual antecipada e no retorno &agrave; cidade atrav&eacute;s do olhar que divaga pelas mem&oacute;rias fotogr&aacute;ficas. O aut&oacute;ctone adquire contornos do <i>fremden</i>. N&atilde;o &eacute; o &ldquo;estranho&rdquo; que chegou hoje e fica para amanh&atilde;, porque j&aacute; l&aacute; estava, mas tamb&eacute;m j&aacute; n&atilde;o &eacute; o &ldquo;nativo&rdquo; porque a rua, a varanda ou o caf&eacute; – materialidades do seu grupo de perten&ccedil;a – est&atilde;o mais distantes. <br/>   Nas negocia&ccedil;&otilde;es entre centro e periferia e no redesenhar da divis&atilde;o internacional do trabalho ap&oacute;s a grande recess&atilde;o de 2008, as cidades do sul da Europa refor&ccedil;am o protagonismo nos circuitos tur&iacute;sticos, repetidas vezes anunciado como panaceia infal&iacute;vel. </p>     <p> As consequ&ecirc;ncias, contudo, s&atilde;o ambivalentes, estando longe de poder ser apreendidas por uma l&oacute;gica de sentido &uacute;nico. Alteram-se prioridades de pol&iacute;tica p&uacute;blica, densificando os usos tur&iacute;sticos do espa&ccedil;o e gerando novas oportunidades de integra&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica. Intensificam-se oportunidades de intera&ccedil;&atilde;o multi e intercultural, com surgimento de report&oacute;rios e identidades glocais. Mobilizam-se recursos para a reabilita&ccedil;&atilde;o, a regenera&ccedil;&atilde;o, a renova&ccedil;&atilde;o ou a requalifica&ccedil;&atilde;o urbanas. Por outro lado, novos usos da propriedade (como o alojamento local e formas &ldquo;criativas&rdquo; de especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria) criam perversos efeitos de gentrifica&ccedil;&atilde;o (com carater&iacute;sticas distintas de anteriores vagas – da&iacute; falar-se ami&uacute;de em gentrifica&ccedil;&atilde;o tur&iacute;stica – mas com id&ecirc;nticos efeitos de <i>rent gap</i>, infla&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria, concentra&ccedil;&atilde;o da propriedade e filtragem social). Critica-se o artificialismo de interven&ccedil;&otilde;es fragment&aacute;rias altamente devedoras de uma l&oacute;gica de &ldquo;fachadismo&rdquo;, j&aacute; que que os processos de regenera&ccedil;&atilde;o dos n&uacute;cleos urbanos, ainda que visem a minimiza&ccedil;&atilde;o da degrada&ccedil;&atilde;o, do abandono local e atra&ccedil;&atilde;o de novos habitantes, redundam ami&uacute;de numa l&oacute;gica pobre de embelezamento, artificializa&ccedil;&atilde;o e desvirtua&ccedil;&atilde;o identit&aacute;ria. A pegada ambiental torna-se mais pesada e exige novas e integradas respostas. De igual modo, a paisagem urbana vai-se modificando, ocupando espa&ccedil;os anteriormente degradados ou at&eacute; mesmo vazios, ressignificando usos e ocupa&ccedil;&otilde;es, prestando uma (desmesurada?) aten&ccedil;&atilde;o aos centros hist&oacute;ricos, aos patrim&oacute;nios consagrados e &agrave;s narrativas de inven&ccedil;&atilde;o da tradi&ccedil;&atilde;o e da autenticidade, com poderosos e por vezes n&atilde;o pretendidos efeitos de tematiza&ccedil;&atilde;o, trendifica&ccedil;&atilde;o e disneyfica&ccedil;&atilde;o. Novas e sobrepostas desigualdades (sociais e territoriais) v&atilde;o-se impondo. Classes, grupos e espa&ccedil;os ganham visibilidade, enquanto outros entram na sombra e alguns nunca saem da escurid&atilde;o onde sempre estiveram mergulhados. Espa&ccedil;os p&uacute;blicos, edif&iacute;cios e vias s&atilde;o transformados pelo diapas&atilde;o de um urbanismo gen&eacute;rico, de fantasia e fic&ccedil;&atilde;o, igual em toda a parte e por isso mon&oacute;tono e entediante. No ciclo de valoriza&ccedil;&atilde;o/destrui&ccedil;&atilde;o das mercadorias, as cidades hoje efervescentes correm o risco do esquecimento futuro, caso n&atilde;o se fa&ccedil;am as escolhas acertadas de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de desenvolvimento urbano que sejam mais do que navega&ccedil;&atilde;o &agrave; vista. <br/>   Todas estas quest&otilde;es s&atilde;o abordadas, de forma plural e sob perspetivas complementares, nos diferentes textos. </p>     <p> O trabalho de Lu&iacute;s Vicente Baptista, Jordi Nofre e Maria do Ros&aacute;rio Jorge, &ldquo;Mobilidade, Cidade e Turismo: pistas para analisar as transforma&ccedil;&otilde;es em curso no centro hist&oacute;rico de Lisboa&rdquo; aborda a magna quest&atilde;o da centralidade das mobilidades nas transforma&ccedil;&otilde;es urbanas, particularmente atrav&eacute;s dos processos de gentrifica&ccedil;&atilde;o, turistifica&ccedil;&atilde;o e ludifica&ccedil;&atilde;o dos territ&oacute;rios. A partir de um estudo etnogr&aacute;fico em Alfama e no Bairro Alto, prop&otilde;em-nos, na senda de Amar (2010), que consideremos as implica&ccedil;&otilde;es sociais e territoriais do <i>homo mobilis</i>, estimulado pela viragem tur&iacute;stica das sociedades globais, em &iacute;ntima articula&ccedil;&atilde;o com as tend&ecirc;ncias do capitalismo flex&iacute;vel. De igual modo, os autores questionam o papel determinante das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas na promo&ccedil;&atilde;o da turistifica&ccedil;&atilde;o de Lisboa e nos processos de estudantiza&ccedil;&atilde;o e de ludifica&ccedil;&atilde;o dos bairros hist&oacute;ricos da cidade, gerando novos conflitos sociais. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Diogo Vidal, por sua vez, inspira-se na ritmoan&aacute;lise de Henri Lef&egrave;bvre (1974; 1981) e na visualidade e sensorialidade da cidade para dar conta, atrav&eacute;s da metodologia dos mapas mentais constru&iacute;dos por estudantes universit&aacute;rios, das diferentes formas de ler e imaginar a cidade do Porto, atrav&eacute;s de uma interpreta&ccedil;&atilde;o da urbe como um espa&ccedil;o plural, multivocal e multissensorial (&ldquo;A cidade imagin&aacute;vel: elementos para uma viagem visual e sensorial na cidade do Porto&ldquo;). Na senda de Kevin Lynch (1960) e Carlos Fortuna (1999), questiona-se sobre as experi&ecirc;ncias urbanas e a sua legibilidade, concluindo que o Porto &eacute; uma <i>p&oacute;lis </i>com potencial de imaginabilidade, pois possui espa&ccedil;os identit&aacute;rios e organiza&ccedil;&otilde;es das perce&ccedil;&otilde;es e roteiros, reais e/ou imagin&aacute;rios. </p>     <p> No cruzamento entre a sociologia da arte, da cidade e da cultura, Ricardo Klein d&aacute;-nos conta do seu trabalho de pesquisa comparada em cidades como Barcelona, Berlim, Porto, Montevideo e Lima (&ldquo;La ciudad y el turismo. Experiencias desde la gesti&oacute;n del <i>street art</i>&rdquo;). Partindo de uma an&aacute;lise documental e visual de obras de <i>street art</i>, nomeadamente <i>graffitis</i>, o autor mostra-nos como o <i>mainstream </i>do neg&oacute;cio e das institui&ccedil;&otilde;es urbanas apropria e valoriza o <i>graffiti </i>enquanto forma de salvaguarda e revitaliza&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio, a par da inser&ccedil;&atilde;o em circuitos art&iacute;sticos internacionais que atraem significativos fluxos tur&iacute;sticos. Ricardo Klein acentua ainda o cariz ambivalente deste movimento, pois os seus efeitos tanto podem ser de fortalecimento dos la&ccedil;os comunit&aacute;rios como de alavancagem de processos emergentes de gentrifica&ccedil;&atilde;o. <br/>   Tiago Miranda mergulha no &ldquo;olhar tur&iacute;stico&rdquo; (&ldquo;The touristic Porto – gazing over the city&rdquo;) e mostra como a cidade se tornou um modelo de <i>City Break</i>. Ainda que regida sob a l&oacute;gica de um turismo de massas, a din&acirc;mica tur&iacute;stica do Porto, segundo o autor, consegue uma aura de singularidade e &ldquo;autenticidade&rdquo;, fortemente enraizada nas origens, percursos e projetos dos turistas, mas tamb&eacute;m naquilo que h&aacute; de intr&iacute;nseco na experi&ecirc;ncia tur&iacute;stica: uma rotina n&atilde;o rotinizada, em que o extraordin&aacute;rio irrompe com fulgor. </p>     <p> Finalmente, L&iacute;gia Ferro e Julio Cesar Nicodemos (&ldquo;Entre o fazer etnogr&aacute;fico e o fazer psicanal&iacute;tico: reflex&otilde;es sobre a &laquo;escuta&raquo; da popula&ccedil;&atilde;o sem-abrigo na Rua de Cimo da Vila, cidade do Porto&rdquo;) cruzam sociologia, antropologia e psican&aacute;lise, &agrave; escala de uma rua do Porto. Analisando os discursos da popula&ccedil;&atilde;o sem-abrigo, estabelecem liga&ccedil;&otilde;es com os fen&oacute;menos mais vastos das desloca&ccedil;&otilde;es, segrega&ccedil;&otilde;es e relega&ccedil;&otilde;es urbanas, n&atilde;o se coibindo de lan&ccedil;ar desafios epistemol&oacute;gicos, metodol&oacute;gicos e deontol&oacute;gicos atrav&eacute;s da constru&ccedil;&atilde;o de um trabalho cl&iacute;nico- etnogr&aacute;fico ou etnogr&aacute;fico-cl&iacute;nico. <br/>   Em suma, estamos na presen&ccedil;a de um n&uacute;mero com fortes afinidades tem&aacute;ticas, conceptuais e metodol&oacute;gicas, ainda que jogando numa observa&ccedil;&atilde;o pluriescalar (a rua, o centro hist&oacute;rico, o bairro, as cidades, o capitalismo global…). N&atilde;o por acaso, h&aacute; uma mesma rede de conceitos mobilizada, em diferentes apropria&ccedil;&otilde;es, por v&aacute;rios autores. Denota-se, igualmente, ainda que enquadrada numa prefer&ecirc;ncia pelos m&eacute;todos mistos, uma forte ades&atilde;o &agrave; abordagem etnogr&aacute;fica, como olhar ou perspetiva, articula&ccedil;&atilde;o de difer entes t&eacute;cnicas, relaciona&ccedil;&atilde;o local/global e catalisadora de rela&ccedil;&otilde;es sociais de pesquisa em que o investigador &eacute; chamado a desempenhar um papel central de cr&iacute;tica, reflexividade e imagina&ccedil;&atilde;o. E, como tal, de interven&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel sobre os territ&oacute;rios urbanos. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b> Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b> </p>     <!-- ref --><p> AMAR, Georges (2010), <i>Homo Mobilis</i>. Une civilisation du mouvement. Paris: FYP, La Fabrique des Possibles &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1343016&pid=S0872-3419201800020000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p> LEFBVRE, (1974), La <i>production de l&amp;apos;espace</i>, Paris: Anthropos - (1981) <i>Critique de la vie quotidienne, III. </i> <i> De la modernit&eacute; au modernisme (Pour une m&eacute;taphilosophie du quotidien) </i> Paris: L&amp;apos;Arche. </p>     <!-- ref --><p> LYNCH, Kevin (1960), <i>The Image of the City</i>. Cambridge MA: MIT Press &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1343018&pid=S0872-3419201800020000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> FORTUNA, Carlos (1999), <i>Identidades, Percursos e Paisagens Culturais</i> . Oeiras: Celta &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1343019&pid=S0872-3419201800020000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <a href="#topc0">Endere&ccedil;o de correspond&ecirc;ncia</a><a name="c0"></a>Universidade do Porto . Faculdade de Letras, (FLUP) .Instituto de Sociologia (IS-UP) (Porto, Portugal). Via Panor&acirc;mica s/n, 4150-564 Porto. Portugal. E-mail:<a href="mailto:jlopes@letras.up.pt">jlopes@letras.up.pt</a> </p>      ]]></body><back>
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