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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>EDITORIAL</b> / EDITORIAL</p>     <p><b>A Propósito dos Inibidores da Bomba de Protões</b></p>     <p><b>About Proton Pump Inhibitors</b></p>     <p><b>Filipa Malheiro<sup>1</sup></b></p>     <p>Editora associada</p>     <p><sup>1</sup>Hospital da Luz, Lisboa, Portugal</p>     <p>&nbsp;</p>         <p>Publicamos no presente número da Revista um artigo original intitulado “Predictores de prescrição inadequada de inibidores  da  bomba  de  protões  num  serviço  de  Medicina  Interna”.  O tema  é  particularmente  relevante  dada  a  prescrição  elevada   destes  fármacos  nos  doentes  internados  nas  enfermarias  de Medicina como profilaxia da úlcera de <i>stress</i>.</p>      <p>Os inibidores da bomba de protões foram introduzidos no final da década de 1980 verificando-se um aumento significativo da sua  prescrição  durante  a  década  seguinte.<sup>1</sup> São  os  inibidores mais potentes da secreção ácida gástrica disponíveis e estão indicados no tratamento da úlcera péptica, doença do refluxo gastro-esofágico, síndrome de <i>Zollinger-Ellison</i>, lesão gastroduodenal causada pela ingestão de anti-inflamatórios não esteróides e na irradicação da infeção por  <i>Helicobacter pylori</i>em associação com vários antibióticos. A sua eficácia no tratamento destas patologias é reconhecidamente maior do que outros grupos terapêuticos nomeadamente os antagonistas do recetor-histamina<sup>2</sup> não havendo evidência de diferença significativa e com relevância clínica entre os vários inibidores da bomba de protões. <sup>2</sup> A duração do tratamento de cada uma destas patologias está  estabelecida, devendo ser feita tentativa de interrupção destes fármacos estando o doente assintomático.</p>      <p>Presentemente as únicas recomendações baseadas na  evidência para a administração de fármacos na profilaxia da úlcera de <i>stress</i> são da American Society of Health-System  Pharmacists e aplica-se unicamente aos doentes internados  em unidades de cuidados intensivos, não havendo recomen- dações na profilaxia em doentes internados nas enfermarias de Medicina Interna. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O estudo apresentado revela valores de prescrição inadequados de inibidores da bomba de protões semelhantes aos  já descritos <sup>1</sup> o que reforça a ideia que estes fármacos são  prescritos de forma exagerada e inclusivamente inapropriada,  quer durante o internamento e provavelmente de forma mais  significativa após a alta, sendo mantidos como terapêutica de ambulatório.</p>      <p>Para além do impacto económico há que ter em conta os potenciais efeitos adversos que estes fármacos podem acarretar, sobretudo o uso de longa duração.</p>      <p>São vários os efeitos secundários possíveis nomeadamente  o aumento de infeções entéricas devido à redução da secreção ácida. A associação melhor documentada entre o uso dos inibidores da bomba de protões é a infeção por  <i>Clostridium  dificille</i>  mesmo sem a administração de antibióticos. <sup>3</sup> Foi neste  contexto que a Food and Drug Administration (FDA) recomendou o uso destes fármacos em baixa dose e só durante o tempo absolutamente necessário. Outras infeções entéricas têm  sido descritas mas sem ser claro qual o risco real para estas  infeções. Também foi descrito o risco acrescido de pneumonia com a administração destes fármacos admitindo-se que a  diminuição da secreção ácida aumentaria a colonização com  bactérias patogénicas causadoras de pneumonia. Os estudos  até à data realizados não foram, no entanto, conclusivos.</p>      <p>Para além do risco acrescido de infeção a FDA recomendou  também especial atenção à possibilidade de fratura óssea nos  doentes a quem estes fármacos são administrados de forma pro- longada dada a diminuição de absorção de cálcio e magnésio.</p>      <p>À semelhança do aumento de risco de infeção outras associações com o uso dos inibidores de bomba de protões têm  sido descritas como possíveis tais como o aumento do risco  de demência ou o agravamento de doença renal crónica. Não há, no entanto, estudos suficientes para ser possível tirar conclusões válidas.</p>      <p>No artigo publicado são apontados vários “fatores de risco” para a prescrição inadequada dos inibidores da bomba de protões nomeadamente a idade avançada, a presença de co- morbilidades e a terapêutica prévia com estes fármacos, independentemente da avaliação adequada das indicações para a  sua prescrição inclusive no momento privilegiado de reflexão que é a alta hospitalar.</p>      <p>Por tudo isto será altura de refletirmos sobre as prescrições dos inibidores de  bomba de protões quer à data do internamento,  bem como da alta e seguimento em ambulatório, tendo em conta  a segurança, eficácia e adequação destas prescrições.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b>Referências</b></p>      <!-- ref --><p>1. Barnes M. Overuse of proton pump inhibitors in the hospitalized patient. US Pharmacist. 2015;40:HS22-HS26&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1956496&pid=S0872-671X201700020000100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>2. Vakil N, Fennerty MB. Direct comparative trials of the efficacy of proton pump inhibitors in the management of gastro-oesophageal reflux disease and peptic ulcer disease. Aliment Pharmacol Ther. 2003;18:559&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1956497&pid=S0872-671X201700020000100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>3. Howell MD, Novack V, Grgurich P, Soulliard D, Novack L, Pencina M, et al. Iatrogenic gastric acid suppression and the risk of nosocomial Clostridium difficile infection. Arch Intern Med. 2010; 170:784-90&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1956498&pid=S0872-671X201700020000100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>       ]]></body><back>
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