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<institution><![CDATA[,Centro Hospitalar do Porto Hospital de Santo António Unidade de Imunologia Clínica]]></institution>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>COMUNICAÇÕES BREVES </b> / SHORT COMMUNICATIONS</p>       <p><b>Tributo de homenagem a Professor Odette Ferreira</b></p>       <p><b>Tribute to the Professor Odette Ferreira</b></p>       <p><b>Carlos Vasconcelos</b></p>     <p>Unidade de Imunologia Clínica, Centro Hospitalar do Porto, Hospital de Santo António, Porto, Portugal </p>     <p>&nbsp;</p>       <p>A Professora Odette Ferreira deixou-nos aos 93 anos, e os Internistas e a sua Sociedade querem associar-se aos sentimentos que o país expressou neste triste evento.</p>     <p>Em circunstâncias como esta, é costume dizer-se que a morte do indivíduo nos deixou mais pobres, mas, neste caso,  não podia discordar mais profundamente. A Professora Odette, depois de uma vida intensa, com múltiplos exemplos de uma imensidão enorme, deixou-nos numa idade em que dificilmente se pode pedir mais a um ser humano e, acima de tudo, todos ficamos mais ricos como pessoas e  profissionais de saúde.</p>     <p>Ainda há poucos meses, muitos de nós a víamos nos congressos associados à temática do VIH sentada na primeira fila, por vezes  dormitando levemente, quando o tema era menos interessante ou orador mais monocórdico. Quem sou eu, quase 30 anos mais novo, a quem porventura mais vezes o mesmo acontece, para o negar ou esquecer... Mas lembro-me dela também com o seu eterno ar de menina, e do seu olhar tão doce como irrequieto.</p>     <p>Vamos ter ainda mais saudades dela, do que aquelas que já nos doem. E, nunca esqueceremos o que nos deixou! Com o igualmente irrequieto Dr. José Luís Champalimaud, e outros seus discípulos mais jovens, puseram Portugal no roteiro da ciência associada ao VIH, com a extraordinária descoberta do VIH-2 em 1985. Ao fazê-lo estavam de forma inequívoca a pôr em prática o primado da ciência: pensar, meditar sobre o que vemos no dia-a-dia de trabalho e recusar  encaixar no já conhecido, aquilo que é estranho ou sai fora da &ldquo;normalidade&rdquo;. É fácil dizê-lo agora, mas foi muito difícil prová-lo na altura! Perante doentes com infeções oportunistas, tradutoras de imunodeficiência celular, provenientes da África oeste, muitos da nossa ex-colónia Guiné-Bissau, e com testes VIH (HTLV-III / LAV) negativos, poderiam ter ficado por aí. Mas a persistência e rigor científico levaram-nos ao sucesso, clínico e laboratorial. Estes exemplos, devem obrigar-nos a  relembrar todos os dias, que o conhecimento não está definitivamente estabelecido e que a dúvida científica deve perseguir-nos constantemente!</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tive o privilégio de conviver de alguma forma com a Professora Odette Ferreira e de lhe ficar a dedicar uma profunda admiração. Fiz parte do primeiro grupo de trabalho da SIDA e das primeiras Comissões de Luta Contra a SIDA, presididas pelos Professores Laura Ayres, Machado Caetano e depois pela Professora Odette entre 1992 e 2000. É bem sabido o trabalho que desenvolveu nas diversas áreas do VIH e, bastará lembrar o sucesso do programa de troca de seringas, para definir a grandeza desta Senhora.</p>     <p>Quando em 2014 comemoramos os 30 anos dedicados ao VIH/SIDA da área da imunologia clínica do Hospital Santo António, a Professora deu-nos a honra, e o muito grato prazer, de estar presente nessa comemoração, tendo-nos dirigido algumas palavras, que muito nos sensibilizaram e nunca esqueceremos.</p>     <p>Presto aqui o meu tributo à Professora Odette Ferreira, pelo muito que nos deixou e pelo seu exemplo inspirador, que irá perdurar na memória de quem a conheceu! </p>       <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
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