<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0872-671X</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Medicina Interna]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Medicina Interna]]></abbrev-journal-title>
<issn>0872-671X</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Portuguesa de Medicina Interna]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0872-671X2019000200003</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.24950/rspmi/Opiniao/ULSBA/2/2019</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Medicina Interna nas Planícies do Baixo Alentejo: 50 Anos de um Projeto em Constante Evolução]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Internal Medicine in the Plains of Baixo Alentejo: a 50-Year-Old Continuously Evolving Project]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Vaz]]></surname>
<given-names><![CDATA[José]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A1"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="AA1">
<institution><![CDATA[,Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo Hospital José Joaquim Fernandes Serviço de Medicina Interna]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Beja ]]></addr-line>
<country>Portugal</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>06</month>
<year>2019</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>06</month>
<year>2019</year>
</pub-date>
<volume>26</volume>
<numero>2</numero>
<fpage>89</fpage>
<lpage>91</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0872-671X2019000200003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0872-671X2019000200003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0872-671X2019000200003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS DE OPINI&Atilde;O</b> / OPINION ARTICLES</p>     <p><b>Medicina Interna nas Plan&iacute;cies do Baixo Alentejo: 50 Anos de um Projeto em Constante Evolu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p><b>Internal Medicine in the Plains of Baixo Alentejo: a 50-Year-Old Continuously Evolving Project</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Jos&eacute; Vaz </b>    <br>     <img src="/img/revistas/mint/id_orcid.gif"> <a href="https://orcid.org/0000-0002-3281-0206 ">https://orcid.org/0000-0002-3281-0206</a></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Diretor do Servi&ccedil;o de Medicina Interna, Unidade Local de Sa&uacute;de do Baixo Alentejo, Hospital Jos&eacute; Joaquim Fernandes, Beja, Portugal </p>     <p><a name="topc0"></a><a href="#c0">Correspond&ecirc;ncia</a> </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave:</b>Departamentos Hospitalares; Medicina Interna; Presta&ccedil;&atilde;o de Cuidados de Sa&uacute;de</p>     <p>&nbsp;</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Keywords:</b>Delivery of Health Care; Hospital Departments; Internal Medicine</p>     <p>&nbsp;</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. As Origens/No Princ&iacute;pio… </b></p>     <p><b>1. Fora do Hospital </b></p>     <p>Este esbo&ccedil;o de plano para o Servi&ccedil;o Nacional de Sa&uacute;de (SNS) inicia-se pelo ponto que, podendo parecer de pormenor, &eacute; talvez o mais importante. Grande parte da solu&ccedil;&atilde;o poder&aacute; estar fora dos muros dos hospitais. </p>     <p>O Hospital Jos&eacute; Joaquim Fernandes, atualmente inserido na Unidade Local de Sa&uacute;de do Baixo Alentejo (ULSBA), foi inaugurado na cidade de Beja a 25 de outubro de 1970.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Se n&atilde;o o primeiro, foi talvez dos primeiros &ldquo;novos hospitais&rdquo; que surgiram em Portugal na d&eacute;cada de 70 do passado s&eacute;culo, tendo sido a sua constru&ccedil;&atilde;o fruto de uma doa&ccedil;&atilde;o efetuada pela benem&eacute;rita D. Carolina Almod&ocirc;var Fernandes, com a condi&ccedil;&atilde;o de ao hospital ficar ligado o nome do seu falecido marido, Jos&eacute; Joaquim Fernandes. </p>     <p>Desde a funda&ccedil;&atilde;o do hospital, &agrave; exce&ccedil;&atilde;o de dois curtos per&iacute;odos de dois a tr&ecirc;s anos em que houve um &uacute;nico servi&ccedil;o de Medicina Interna, sempre existiram dois Servi&ccedil;os de Medicina Interna: Medicina 1 e Medicina 2. Cada servi&ccedil;o tinha carater&iacute;sticas pr&oacute;prias, tendo atingido alguma diferencia&ccedil;&atilde;o em &aacute;reas cl&iacute;nicas n&atilde;o existentes no hospital, como foi o caso da Hematologia pelo Servi&ccedil;o de Medicina 1 e da Nefrologia, Hepatologia, Diabetes e Doen&ccedil;as Infeciosas pelo Servi&ccedil;o de Medicina 2. De destacar ainda a cria&ccedil;&atilde;o, no in&iacute;cio dos anos 80, da atual Unidade de Endoscopia Digestiva, da Comiss&atilde;o de Controlo de Infe&ccedil;&atilde;o e do Grupo de Nutri&ccedil;&atilde;o Ent&eacute;rica e Parent&eacute;rica, todos coordenados pelo Servi&ccedil;o de Medicina 1. </p>     <p>A idoneidade formativa foi concedida &agrave; Medicina Interna em Beja no in&iacute;cio dos anos 80. Desde essa altura, t&ecirc;m sido formados internistas com crescente regularidade – alguns ficaram, mas muitos deles encontram-se a exercer fun&ccedil;&otilde;es noutros hospitais.</p>     <p>Na d&eacute;cada de 90, o Servi&ccedil;o de Medicina 1 iniciou com alguns Centros de Sa&uacute;de da regi&atilde;o um projeto de descentraliza&ccedil;&atilde;o da Medicina Interna, criando consultas mensais desta especialidade para doentes previamente selecionados pela Medicina Geral e Familiar (MGF). Infelizmente, esta iniciativa inovadora para a regi&atilde;o acabou descontinuada poucos anos depois, pela manifesta falta de recursos humanos existentes. Tamb&eacute;m em finais de 90, o Servi&ccedil;o de Medicina 1 apostou na diferencia&ccedil;&atilde;o de um elemento do seu corpo cl&iacute;nico na &aacute;rea do doente cr&iacute;tico, atrav&eacute;s da realiza&ccedil;&atilde;o do Ciclo de Estudos Especiais em Medicina Intensiva. Este passo tornou poss&iacute;vel a cria&ccedil;&atilde;o da Unidade de Cuidados Intensivos no ano 2000, inicialmente com o apoio do Servi&ccedil;o de Cirurgia e Medicina 1, precursora da atual Unidade de Cuidados Intensivos Polivalente da ULSBA. </p>     <p><b>2. A Realidade Presente</b> </p>     <p>O atual Servi&ccedil;o de Medicina Interna resultou da fus&atilde;o dos Servi&ccedil;os de Medicina 1 e 2 em mar&ccedil;o de 2017 e est&aacute; integrado no Departamento de Especialidades Medicas. &Eacute; o maior servi&ccedil;o do Hospital, contando com 60 camas divididas por dois pisos, &agrave;s quais acrescem seis camas da Unidade de AVC. As enfermarias s&atilde;o de seis ou tr&ecirc;s camas, havendo dois quartos de duas camas e ainda dois quartos individuais, utilizados para isolamentos. </p>     <p>As instala&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas t&ecirc;m sido melhoradas ao longo dos &uacute;ltimos 50 anos, havendo em todas as camas rampas de ar medicinal, v&aacute;cuo e oxig&eacute;nio, dispondo todas a enfermarias de climatiza&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>O corpo cl&iacute;nico &eacute; composto por dois Assistentes Graduados S&eacute;nior, quatro Assistentes Hospitalares Graduados, dez Assistentes Hospitalares e treze Internos da Forma&ccedil;&atilde;o Especifica. O servi&ccedil;o tem, essencialmente, duas grandes miss&otilde;es no presente: a atividade cl&iacute;nica assistencial e a forma&ccedil;&atilde;o de novos internistas.</p>     <p>ATIVIDADE ASSISTENCIAL</p>     <p>No internamento, o servi&ccedil;o est&aacute; dividido em dois sectores (um por piso), com equipas de enfermagem independentes (um enfermeiro chefe por sector), assim como de assistentes operacionais. Cada sector est&aacute;, por sua vez, dividido em equipas, cada uma com tr&ecirc;s m&eacute;dicos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Durante o ano de 2018, o n&uacute;mero de internamentos foi de 2181, com uma taxa de ocupa&ccedil;&atilde;o de 88% e uma demora m&eacute;dia de 8,81 dias. A taxa de reinternamentos aos 30 dias foi de 4,8%. A taxa de mortalidade foi de 17,7%, o que se justifica pela idade m&eacute;dia elevada dos doentes, com m&uacute;ltiplas comorbilidades. Muitos doentes acabam por vir falecer ao hospital, privilegiando o servi&ccedil;o uma morte na enfermaria, em vez de numa maca no Servi&ccedil;o de Urg&ecirc;ncia, facto que pode explicar, em parte, o n&uacute;mero significativo de &oacute;bitos antes de 24 horas de internamento.</p>     <p>No &acirc;mbito da Consulta Externa, para al&eacute;m da consulta de Medicina Interna, o servi&ccedil;o assegura ainda consultas de Doen&ccedil;as Infeciosas, Hepatologia, Doen&ccedil;as Renais, Diabetologia (incluindo Diabetes Juvenil e Diabetes Gestacional) e Doen&ccedil;as Auto-Imunes. Foram efetuadas 8110 consultas em 2018, das quais 2520 (31,1%) corresponderam a primeiras consultas. N&atilde;o existe lista de espera para marca&ccedil;&atilde;o de consulta, sendo o tempo m&eacute;dio de espera para a sua realiza&ccedil;&atilde;o de 44 dias. A percentagem de consultas resultantes de referencia&ccedil;&atilde;o por MGF via ALERT&reg;P1 &eacute; muito baixa (4%), tendo o servi&ccedil;o vindo a desenvolver algumas a&ccedil;&otilde;es no sentido de incentivar a referencia&ccedil;&atilde;o &agrave; consulta externa, em detrimento de ao Servi&ccedil;o de Urg&ecirc;ncia. </p>     <p>O servi&ccedil;o assegura presen&ccedil;a f&iacute;sica no Servi&ccedil;o de Urg&ecirc;ncia com dois elementos (sempre que poss&iacute;vel, dois assistentes hospitalares) e refor&ccedil;a a equipa nos dias de semana com mais um elemento, das 12 h &agrave;s 24 h. Oito dos assistentes do servi&ccedil;o desempenham, com regularidade, fun&ccedil;&otilde;es de Chefe de Equipa de Urg&ecirc;ncia. </p>     <p>Existe um m&eacute;dico de Urg&ecirc;ncia Interna das 12 h &agrave;s 24 h aos dias &uacute;teis e das 08 h &agrave;s 24 h aos fins-de-semana e feriados, tendo por fun&ccedil;&atilde;o acorrer a todas as situa&ccedil;&otilde;es de urg&ecirc;ncia m&eacute;dica, n&atilde;o s&oacute; do Servi&ccedil;o de Medicina Interna, mas de todo o hospital. Exerce tamb&eacute;m fun&ccedil;&otilde;es de consultadoria a todos os servi&ccedil;os do hospital sempre que solicitado.</p>     <p>A atividade assistencial do corpo cl&iacute;nico do Servi&ccedil;o de Medicina Interna n&atilde;o se esgota nos limites f&iacute;sicos do mesmo. Os elementos do servi&ccedil;o dedicados &agrave; Hepatologia e Doen&ccedil;as Infeciosas iniciaram, no passado m&ecirc;s de Mar&ccedil;o, consultas regulares nos dois estabelecimentos prisionais localizados na &aacute;rea de influ&ecirc;ncia da ULSBA (Beja e Odemira), em conformidade com o Despacho n.&ordm; 283/2018, que determina a organiza&ccedil;&atilde;o da rede para a presta&ccedil;&atilde;o de cuidados de sa&uacute;de hospitalares &agrave; popula&ccedil;&atilde;o reclusa por interm&eacute;dio do Servi&ccedil;o Nacional de Sa&uacute;de (SNS), no &acirc;mbito da infe&ccedil;&atilde;o por v&iacute;rus da imunodefici&ecirc;ncia humana e das hepatites virais.</p>     <p>Tamb&eacute;m a Unidade Coordenadora Funcional da Diabetes desenvolve, desde h&aacute; bastante tempo, projetos nos v&aacute;rios concelhos do distrito, promovendo forma&ccedil;&atilde;o aos profissionais de sa&uacute;de e desenvolvendo atividades de literacia da sa&uacute;de para a popula&ccedil;&atilde;o com diabetes, e que na diabetes juvenil v&atilde;o desde a&ccedil;&otilde;es de educa&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica at&eacute; &agrave; interven&ccedil;&atilde;o escolar. Esta unidade tem ainda promovido a integra&ccedil;&atilde;o de cuidados nas diferentes vertentes da diabetes e iniciou teleconsulta com os concelhos de mais dif&iacute;cil acessibilidade.</p>     <p>O Servi&ccedil;o de Medicina Interna encontra-se ainda representado atrav&eacute;s de elementos da sua equipa m&eacute;dica no Grupo Coordenador Regional do Programa de Preven&ccedil;&atilde;o e Controlo de Infe&ccedil;&otilde;es e de Resist&ecirc;ncia aos Antimicrobianos (PPCIRA), Grupo de Coordena&ccedil;&atilde;o Regional das Hepatites Virais e VIH, bem como no Grupo de Monitoriza&ccedil;&atilde;o da Prescri&ccedil;&atilde;o da ULSBA. At&eacute; h&aacute; cerca de um ano, um elemento do servi&ccedil;o foi Coordenador Regional do Programa Nacional para a Diabetes durante cinco anos. </p>     <p>A n&iacute;vel de sociedades cient&iacute;ficas, tem colaborado ativamente com a Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), tendo inclusivamente um dos seus membros sido recentemente coordenador do N&uacute;cleo de Estudos da Doen&ccedil;a VIH (NEDVIH). Tamb&eacute;m colabora com a Sociedade Portuguesa de Diabetologia (SPD) e com o N&uacute;cleo de Estudos da Diabetes Mellitus (NEDM) da SPMI, tendo estado envolvido nas recomenda&ccedil;&otilde;es da abordagem da hiperglicemia no internamento, que implementou em todos os servi&ccedil;os do hospital, e participou nos estudos DIAMEDINT 1 e 2, que avaliaram o perfil e preval&ecirc;ncia da diabetes nos doentes internados em Servi&ccedil;os de Medicina Interna do pa&iacute;s. </p>     <p>Mais recentemente, o Servi&ccedil;o de Medicina Interna colaborou, juntamente com outros servi&ccedil;os do Hospital no projeto &ldquo;STOP Infe&ccedil;&atilde;o Hospitalar!&rdquo;, promovido pela Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian.</p>     <p>FORMA&Ccedil;&Atilde;O</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A forma&ccedil;&atilde;o de novos internistas constitui o segundo pilar de a&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o e n&atilde;o podia ser de outra maneira. Num hospital localizado no interior do pa&iacute;s, quando os incentivos &agrave; fixa&ccedil;&atilde;o de especialistas vindos de fora s&atilde;o parcos ou inexistentes, a forma&ccedil;&atilde;o de internistas &ldquo;da casa&rdquo;, mais do que uma quest&atilde;o de dever, tornou-se uma quest&atilde;o de sobreviv&ecirc;ncia do pr&oacute;prio servi&ccedil;o. Esta realidade &eacute; bem ilustrada pelo facto de todos os Assistentes Hospitalares de Medicina Interna a exercerem fun&ccedil;&otilde;es no hospital terem sido formados c&aacute;. As vagas abertas em concurso ao longo de v&aacute;rios anos, na tentativa de captar internistas de fora, ficaram sempre desertas. </p>     <p>Recorde-se que o Servi&ccedil;o de Medicina Interna tem idoneidade formativa total para Internos da Forma&ccedil;&atilde;o Espec&iacute;fica e forma uma m&eacute;dia anual de dois a tr&ecirc;s assistentes hospitalares. </p>     <p>O facto de os especialistas das restantes especialidades m&eacute;dicas existentes no hospital serem em n&uacute;mero reduzido e n&atilde;o disporem de servi&ccedil;os pr&oacute;prios faz com que o case mix no internamento e consulta englobe patologias das mais diversas &aacute;reas, permitindo aos internos uma forma&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica rica e conferidora de &agrave;-vontade perante situa&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas dos mais diferentes foros. A necessidade cria o engenho! </p>     <p>Existe uma visita cl&iacute;nica semanal em cada um dos Sectores, que constitui um momento de aprendizagem por excel&ecirc;ncia, atrav&eacute;s da discuss&atilde;o e orienta&ccedil;&atilde;o em equipa dos v&aacute;rios doentes internados. Semanalmente ocorre ainda uma reuni&atilde;o cl&iacute;nica com apresenta&ccedil;&atilde;o de trabalhos, artigos ou revis&otilde;es da literatura para fomentar a atualiza&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua nos mais diversos campos da Medicina. </p>     <p>Nos &uacute;ltimos anos, temos assistido a um aumento progressivo dos n&uacute;meros relativos &agrave; produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, sendo que anualmente, em m&eacute;dia, o Servi&ccedil;o de Medicina Interna elabora 25 a 30 trabalhos, apresentados em congressos nacionais e internacionais. As publica&ccedil;&otilde;es em revistas cient&iacute;ficas rondam as duas por ano. Para este facto, t&ecirc;m grandemente contribu&iacute;do os internos, motivados por orientadores cientes de que cada vez mais uma forma&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica completa inclui a atividade cient&iacute;fica como complementar da pr&aacute;tica cl&iacute;nica di&aacute;ria. </p>     <p>Apesar de tudo, a grande maioria dos rec&eacute;m-especialistas opta por n&atilde;o permanecer no hospital, maioritariamente por raz&otilde;es extr&iacute;nsecas ao servi&ccedil;o, nomeadamente a falta de incentivos para a fixa&ccedil;&atilde;o de m&eacute;dicos numa cidade do interior, a aus&ecirc;ncia de oferta de empregos para os c&ocirc;njuges e os maus acessos &agrave; cidade, problemas que apenas se poder&atilde;o resolver se houver vontade politica para tal. </p>     <p>Para al&eacute;m dos Internos de Forma&ccedil;&atilde;o Espec&iacute;fica, o servi&ccedil;o recebe anualmente um n&uacute;mero vari&aacute;vel de Internos de Forma&ccedil;&atilde;o Geral, que s&atilde;o integrados nas equipas dos diferentes sectores. </p>     <p>No &acirc;mbito da forma&ccedil;&atilde;o pr&eacute;-graduada, apesar da dist&acirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o aos centros universit&aacute;rios m&eacute;dicos, todos os anos o servi&ccedil;o tem recebido alunos de v&aacute;rias Faculdades de Medicina nacionais, para realiza&ccedil;&atilde;o de Curtos Est&aacute;gios M&eacute;dicos em F&eacute;rias, com feedback muito positivo, tanto que alguns dos colegas que realizaram estes est&aacute;gios acabaram por regressar mais tarde como Internos de Forma&ccedil;&atilde;o Espec&iacute;fica.</p>     <p>No &acirc;mbito da doc&ecirc;ncia, desde h&aacute; muitos anos que o servi&ccedil;o colabora com a Escola Superior de Sa&uacute;de do Instituto Polit&eacute;cnico de Beja, tendo v&aacute;rios elementos do seu corpo cl&iacute;nico a ministrar aulas ao Curso de Enfermagem. </p>     <p><b>3. Projetos para o Futuro</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Existem v&aacute;rios projetos a concretizar a curto/m&eacute;dio prazo, de que destacamos a cria&ccedil;&atilde;o da Unidade de Cuidados Interm&eacute;dios durante o corrente ano, dotada de quatro a cinco camas com capacidade de monitoriza&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua e suporte de um &oacute;rg&atilde;o. </p>     <p>Tamb&eacute;m durante o corrente ano, come&ccedil;ar&aacute; o apoio estruturado pela Medicina Interna aos servi&ccedil;os cir&uacute;rgicos do hospital, estando j&aacute; em vias de se iniciar o apoio ao Servi&ccedil;o de Ortopedia. </p>     <p>A dota&ccedil;&atilde;o recente do servi&ccedil;o com um ec&oacute;grafo e um ecocardi&oacute;grafo vai permitir que, logo ap&oacute;s a atualiza&ccedil;&atilde;o dos elementos do mesmo com conhecimento dessas t&eacute;cnicas, seja dada uma resposta mais atempada e &agrave; cabeceira do doente, contribuindo para o diagn&oacute;stico e tratamento de algumas patologias. </p>     <p>Ambicionamos ainda, a m&eacute;dio prazo, retomar o projeto de realiza&ccedil;&atilde;o de Consultas de Medicina Interna nos v&aacute;rios Centros de Sa&uacute;de da &aacute;rea de influ&ecirc;ncia da ULSBA, assim como a implementa&ccedil;&atilde;o de uma consulta de Medicina Interna do dia ou em menos de 24-48 horas, em resposta a contacto telef&oacute;nico pr&eacute;vio.</p>     <p><b>4. Reflex&otilde;es Finais</b></p>     <p>A Medicina Interna constitui a espinha dorsal da pr&aacute;tica m&eacute;dica hospitalar. A tend&ecirc;ncia para a hiperespecializa&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica, embora com algumas mais-valias, acaba por fragmentar o doente e o seu quadro cl&iacute;nico, sendo que &eacute; necess&aacute;ria uma especialidade que seja capaz de &ldquo;juntar as pe&ccedil;as do puzzle&rdquo; num todo que fa&ccedil;a sentido, uma especialidade que seja capaz de ver o doente como um todo e n&atilde;o apenas como a soma de v&aacute;rias partes sem rela&ccedil;&atilde;o entre elas. As conting&ecirc;ncias de um hospital perif&eacute;rico como o nosso tornam obrigat&oacute;rio que o internista seja versado numa variedade de &aacute;reas m&eacute;dicas, ao mesmo tempo que tem de ser capaz deste pensamento hol&iacute;stico e agregador. </p>     <p>Como todos os servi&ccedil;os de Medicina Interna dos hospitais do interior, o nosso servi&ccedil;o luta com dificuldades em fixar colaboradores, muitos deles c&aacute; formados, mas tem uma vontade enorme de prestar mais e melhores cuidados a uma popula&ccedil;&atilde;o cada vez mais envelhecida e dependente, muito dispersa, sem grandes estruturas de apoio de retaguarda e cada vez mais esquecida pelos decisores pol&iacute;ticos. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a><a href="#topc0">Correspond&ecirc;ncia</a>:Jos&eacute; Vaz – <a href="mailto:jose.vaz@ulsba.min-saude.pt">jose.vaz@ulsba.min-saude.pt</a>     <br>   Diretor do Servi&ccedil;o de Medicina Interna, Unidade Local de Sa&uacute;de do Baixo Alentejo, Hospital Jos&eacute; Joaquim Fernandes, Beja, Portugal    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Rua Dr. Ant&oacute;nio Fernando Covas Lima, 7801-849 Beja</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Conflitos de Interesse: Os autores declaram a inexist&ecirc;ncia de conflitos de interesse na realiza&ccedil;&atilde;o do presente trabalho.</p>     <p>Fontes de Financiamento: N&atilde;o existiram fontes externas de financiamento para a realiza&ccedil;&atilde;o deste artigo.</p>     <p>Conflicts of interest: The authors have no conflicts of interest to declare. </p>     <p>Financing Support: This work has not received any contribution, grant or scholarship.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido: 01/04/2019</p>     <p>Aceite: 18/04/2019</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[ ]]></body>
</article>
