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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>CARTAS AO EDITOR</b> / LETTERS TO THE EDITOR</p>     <p><b>Cuidar do Doente em Fim de Vida: Tempo Para Agir! </b></p>     <p><b>End of Life Care: Time To Act!</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Rui Carneiro</b><sup>1</sup>    <br> <img src="/img/revistas/mint/id_orcid.gif"> <a href="https://orcid.org/0000-0002-0213-2504">https://orcid.org/0000-0002-0213-2504</a></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><sup>1</sup>Serviço de Medicina 2.3 do Hospital de Santo António dos Capuchos, Lisboa, Portugal    <br> <sup>2</sup>Serviço de Oncologia do Hospital de Santo António dos Capuchos, Lisboa, Portugal</p>      <p><a name="topc0"></a><a href="#c0">Correspondência</a> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b>Palavras-chave:</b>  Cuidados Paliativos; Cuidados Terminais; Medicina Interna</p>     <p>&nbsp;</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Keywords:</b> Internal Medicine; Palliative Care; Terminal Care </p>     <p>&nbsp;</p> <hr/>      <p>Em artigo recente,<sup>1</sup> Sara Machado e colegas fizeram uma caracterização muito clara e franca do que é o cuidado prestado em situação de últimas horas ou dias de vida numa enfermaria de Medicina Interna. É de louvar a honestidade o grupo de trabalho e a coragem do corpo editorial da Revista Medicina Interna na comunicação de um mau resultado e um desempenho muito aquém do standard para um momento particularmente sensível e vulnerável da vida de uma pessoa e de sua família. Os autores descrevem como a equipa não reconheceu o processo de morte em doentes com elevada probabilidade de morrer em internamento (todos com decisão de não reanimar) e como falhou nos objetivos e na forma de cuidar, culminando naquilo que os autores muito bem refletem como cenários de terapêutica desajustada e controlo sintomático inadequado. Este é um mau resultado para a atuação de equipa de Medicina Interna, quando a nossa especialidade é aquela que mais de perto acompanha o doente, mais valoriza a semiologia (a situação de últimas horas e dias de vida é um diagnóstico eminentemente clínico) e maior oportunidade tem em mudar a experiência de morrer em internamento. Nesta fase, parece que deixamos de ver o doente que temos à frente, falhamos no diagnóstico e funcionamos em &ldquo;reflexo rotuliano&rdquo;, irrefletida e automaticamente propondo medidas desajustadas para a condição. Se assim é a este nível, podemos pressupor que a comunicação com o doente e sua família e avaliação das necessidades psico-espirituais fiquem aquém do necessário. </p>     <p>Este não é tema novo na literatura científica nacional. O que é alarmante é o facto de, em dez anos, os vários artigos evidenciam sempre a mesma realidade, as mesmas fragilidades e não conseguimos melhorar a nossa prática!<sup>2</sup> Esta é uma evidência que merece reflexão e, sobretudo, ação. Má qualidade de cuidados não pode ser uma inevitabilidade e não se coaduna com a postura da Medicina Interna nacional. Não se trata de um problema de iliteracia médica porque demonstramos, pela evidência científica que produzimos e publicamos, que temos uma excelente capacidade de acompanhar o estado da arte nas várias vertentes da Medicina, absorvemos com rapidez e respondemos com excelência aos desafios da aplicação dos novos conhecimentos científicos – mas não, quando se trata do doente em fim de vida. Poderá ser uma consequência da insuficiência de currículo formal no ensino pré e pós-graduado, mas atualmente abundam oportunidades formativas na área da medicina paliativa, nem sempre aproveitadas pelos internistas. Talvez seja uma expressão do curriculum escondido: afinal de contas, o doente na reta final da vida, na maioria das situações, não tem capacidade de defender o seu melhor interesse e as famílias, fragilizadas, demasiado habituadas a receber um cuidado pouco personalizado mas acostumadas à estereotipia: &ldquo;se não come coloca-se sonda ou soro; se poderá ter infeção propõe-se o antibiótico&rdquo;. Quanto à postura do médico, quem é aquele que se quer aproximar de quem morre e chamar a si a responsabilidade dele cuidar, da sua família e disponibilizar o seu tempo com quem certamente não vai melhorar? É uma questão que direcciono a cada um dos que lêem esta comunicação… </p>     <p>Terá, porventura, chegado o momento de sistematizarmos os cuidados destes doentes para que possamos consistentemente oferecer um tratamento personalizado e ajustado, promovendo conforto, catalisando lutos saudáveis, aumentando a qualidade da comunicação na equipa de saúde e reduzindo a sobrecarga emocional do profissional. Partilho convosco uma síntese de normas de boas práticas que a Equipa de Acompanhamento Suporte e Paliação do Hospital da Luz – Arrábida propõe para a instituição que serve. Faria sentido que todas as instituições evoluíssem nesse esforço colectivo e uniformizado. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="/img/revistas/mint/v26n2/v26n2a15f1.jpg">Fig 1</a></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Referencias</b></p>     <!-- ref --><p>1. Machado S, Reis-Pina P, Mota A, Marques R. Morrer num serviço de Medicina Interna: as últimas horas de vida. Rev Soc Port Med Interna. 2018:25:286-92.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1964980&pid=S0872-671X201900020001500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>2. Carneiro R. Medicina Interna: cronicidade e terminalidade. Rev Soc Port Med Interna. 2014: 21:91-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1964982&pid=S0872-671X201900020001500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a><a href="#topc0">Correspondência</a>:Rui Carneiro – <a href="mailto:ruicarneiro77@gmail.com">ruicarneiro77@gmail.com</a>     <br>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Equipa de Acompanhamento, Suporte e Paliação, Departamento de Medicina, Urgência e UCI, Hospital da Luz – Arrábida, Porto, Portugal     <br> Praceta Henrique Moreira, 150 4400-346 Vila Nova de Gaia </p>      <p>&nbsp;</p>     <p>Conflitos de Interesse: Os autores declaram a inexistência de conflitos de interesse na realização do presente trabalho.</p>     <p>Fontes de Financiamento: Não existiram fontes externas de financiamento para a realização deste artigo.</p>     <p>Conflicts of interest: The authors have no conflicts of interest to declare. </p>     <p>Financing Support: This work has not received any contribution, grant or scholarship.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido: 01/02/2019</p>     <p>Aceite: 19/03/2019</p>      ]]></body>
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