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<institution><![CDATA[,Hospital Senhora da Oliveira Serviço de Gastrenterologia ]]></institution>
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</front><body><![CDATA[ <p>JOS&Eacute; COTTER</p>      <p>Servi&ccedil;o de Gastrenterologia, Hospital Senhora da Oliveira, Guimar&atilde;es, Portugal.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Cancro Intestinal</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>Canavan C, Abrams K R, Mayberry J.</p>     <p><i>Meta-analysis: colorectal and small bowel cancer risk in patients with Crohn's disease</i></p>     <p><i>Aliment Pharmacol Ther 2006; 23: 1097-1104</i></p>      <p>&nbsp;</p>      <p align="justify">A incid&ecirc;ncia da Doen&ccedil;a de Crohn tem vindo progressivamente    a aumentar a n&iacute;vel mundial nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, estimando-se    que possa ser actualmente de 16,6/100000 nos Estados Unidos da Am&eacute;rica    e de 9,8/100000 na Europa. Existe uma &oacute;bvia necessidade de melhorar os    conhecimentos sobre o progn&oacute;stico da doen&ccedil;a, com vista a optimizar    o tratamento m&eacute;dico e cir&uacute;rgico de forma a elevar a qualidade    de vida dos indiv&iacute;duos afectados e por outro lado evitar restri&ccedil;&otilde;es    n&atilde;o substanciadas cientificamente e que se repercutem nessa mesma qualidade    de vida.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify">O cancro do intestino delgado &eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o    rara que representa 1-5% de todas as doen&ccedil;as malignas do tubo digestivo.    Na Doen&ccedil;a de Crohn, contudo, o risco relativo est&aacute; aumentado,    apresentando os estudos publicados n&uacute;meros muito diversos com risco relativo    relativamente &agrave; popula&ccedil;&atilde;o geral de 3,4 - 85,5. No respeitante    ao cancro colorectal (CCR) &eacute; menos claro se esse mesmo risco relativo    est&aacute; aumentado, variando os resultados de 0,8 - 20,0. O objectivo deste    trabalho de meta-an&aacute;lise foi o de determinar desta forma o risco global    de CCR e de cancro do intestino delgado em doentes com Doen&ccedil;a de Crohn,    permitindo desta forma reflectir sobre as estrat&eacute;gias de tratamento,    preven&ccedil;&atilde;o e rastreio. Ap&oacute;s uma an&aacute;lise de 544 trabalhos    publicados entre 1972 e 2004, em fun&ccedil;&atilde;o de crit&eacute;rios objectivos    pr&eacute;viamente determinados, 14 foram seleccionados para an&aacute;lise,    12 dos quais referentes a CCR e 8 reportando ao risco de cancro do intestino    delgado.</p>     <p align="justify">A an&aacute;lise do risco de CCR para os doentes com Doen&ccedil;a    de Crohn, independentemente da localiza&ccedil;&atilde;o desta, mostrou uma    incid&ecirc;ncia de 2,9% aos 10 anos de dura&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a,    5,6% aos 20 anos e 8,3% aos 30 anos, revelando-se aumentado de forma estatisticamente    significativa, id&ecirc;ntico ao dos doentes com colite ulcerosa e significativamente    maior do que na popula&ccedil;&atilde;o geral.</p>     <p align="justify">Contudo, o risco de CCR em doentes com doen&ccedil;a ileal    isolada n&atilde;o foi significativamente diferente da popula&ccedil;&atilde;o    geral, embora os elementos analisados tenham tido limita&ccedil;&otilde;es.    Pelo contr&aacute;rio, nos doentes com Doen&ccedil;a de Crohn envolvendo o c&oacute;lon,    o risco de CCR revelou-se 4,5 vezes maior do que na popula&ccedil;&atilde;o    geral.</p>     <p align="justify">No respeitante ao cancro do intestino delgado o risco relativo    global foi de 31,2, muito mais elevado do que na popula&ccedil;&atilde;o geral.    Mesmo assim, o risco real n&atilde;o &eacute; muito elevado devido ao baixo    numero de casos de cancro deste org&atilde;o no contexto das neoplasias do tubo    digestivo (&lt;5%).</p>     <p align="justify">No contexto da Doen&ccedil;a de Crohn, por ac&ccedil;&atilde;o    dos cuidados m&eacute;dico-cir&uacute;rgicos e da terap&ecirc;utica farmacol&oacute;gica    mais recente a mortalidade tem diminu&iacute;do nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas,    o mesmo n&atilde;o se verificando no que diz respeito ao desenvolvimento do    CCR. Tal facto poder&aacute; ter rela&ccedil;&atilde;o com a persist&ecirc;ncia    da inflama&ccedil;&atilde;o cr&oacute;nica que poder&aacute; promover a canceriza&ccedil;&atilde;o    atrav&eacute;s de diferentes mecanismos, dos quais se podem referir a eleva&ccedil;&atilde;o    da COX-2, a rela&ccedil;&atilde;o do factor de necrose tumoral com os receptores    NFKappaB e o facto da interleucina-6 contrariar a apoptose celular. Ser&aacute;    pois question&aacute;vel, por exemplo, at&eacute; onde os modernos imunomoduladores    do tipo do infliximab, ao interferir com o factor de necrose tumoral, poder&atilde;o    modificar a doen&ccedil;a e reduzir o risco de CCR.</p>     <p align="justify">Com o advento dos novos m&eacute;todos de diagn&oacute;stico    mais sens&iacute;veis como a enteroscopia por c&aacute;psula, &eacute; question&aacute;vel    pelo impacto que representa, que exista uma rela&ccedil;&atilde;o custo-beneficio    que justifique a vigil&acirc;ncia e rastreio do cancro do intestino delgado    na Doen&ccedil;a de Crohn. Futuros estudos poder&atilde;o vir a responder com    exactid&atilde;o a esta d&uacute;vida. Por outro lado, o facto do risco de CCR    na Doen&ccedil;a de Crohn, aos 10 anos, se ter revelado id&ecirc;ntico ao dos    doentes com colite ulcerosa, poder&aacute; implicar que aos primeiros sejam    recomendadas as mesmas estrat&eacute;gias de rastreio e vigil&acirc;ncia que    aos segundos, sendo apenas question&aacute;vel em face da rela&ccedil;&atilde;o    custo-efic&aacute;cia ultimamente colocada em causa sobre esta quest&atilde;o,    se n&atilde;o ser&atilde;o necess&aacute;rias rever as recomenda&ccedil;&otilde;es    estabelecidas sobre o rastreio de CCR na Doen&ccedil;a Inflamat&oacute;ria do    Intestino.</p>       ]]></body>
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