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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Diarreia Associada a Clostridium Difficile num Hospital Central]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[INTRODUCTION: An increase in the incidence of Clostridium difficile-associated diarrhea (CDAD) and the appearance of a Clostridium difficile strain with increased virulence have been reported. AIMS: To characterize the epidemiologic and clinical aspects of the CDAD inpatients. MATERIAL AND METHODS: Retrospective analysis of patients with histological and/or laboratorial CDAD diagnosis admitted to our institution, between January 2000 and December 2007. RESULTS: A total of 93 inpatients with CDAD were evaluated with a mean age of 66 ± 16 years; 62% were male. An annual mean incidence of 3.71/10 000 inpatients was found, with an exponential increase in 2007. The infection was nosocomial in 55% of cases. History of antimicrobial intake was present in 82%. Toxin detection in stool, endoscopy and histology sensitivity were 86%, 84% and 69%, respectively. Sixty nine patients were treated, 61 of those with metronidazole. Recurrent and/or refractory disease was found in 10% and 17% patients, respectively. No mortality was recorded. CONCLUSIONS: We observed a recent increase in the incidence of CDAD. Prior antimicrobial treatment was the main risk factor. Clostridium difficile toxin in the stool detection was the most sensible method of diagnosis. Recurrent disease was more common with metronidazole. Metronidazole should not be recommended in severe disease.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Diarreia Associada a <i>Clostridium Difficile</i> num Hospital Central</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Ana Margarida Vieira<sup>1</sup>, Mariana Verdelho Machado<sup>1</sup>,    Luís Lito<sup>2</sup>, José Melo Cristino<sup>2</sup>, Afonso Fernandes<sup>3</sup>,    Rosário Maldonado<sup>1</sup>, Ana Valente<sup>1</sup>, Rui Palma<sup>1</sup>,    Paula Alexandrino<sup>1</sup>, José Velosa<sup>1</sup></b></p>      <p><sup>1</sup>Unidade de Cuidados Intensivos de Gastrenterologia e Hepatologia    (U.C.I.G.E.H.); </p>     <p><sup>2</sup>Serviço de Patologia Clínica – Microbiologia; </p>     <p><sup>3</sup>Serviço de Anatomia Patológica; Hospital Santa Maria, Centro Hospitalar    Lisboa Norte, E.P.E.</p>      <p><a name="top0"></a><a href="#0">Correspondência</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>Resumo</b></p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>INTRODUÇÃO: Tem-se assistido a um aumento da incidência da diarreia associada    ao <i>Clostridium difficile</i> (DACD) e ao aparecimento de estirpes de maior    virulência. OBJECTIVOS: O objectivo do estudo foi a caracterização epidemiológica    e clínica dos doentes adultos, internados consecutivamente, por DACD, num hospital    central. MATERIAL E MÉTODOS: Análise retrospectiva dos doentes internados, em    que se efectuou o diagnóstico histológico e/ou laboratorial de DACD, entre Janeiro    de 2000 e Dezembro de 2007. RESULTADOS: 93 doentes, 62% homens, idade 66 ± 16    anos. Incidência anual média 3,71/10 000 internamentos, com aumento exponencial    em 2007. A infecção foi nosocomial em 55%. História de antibioterapia prévia    em 82%. A sensibilidade da toxina foi de 86%, da endoscopia 84% e da histologia    69%. Terapêutica dirigida em 69 doentes; metronidazole em 61 doentes. Re-infecção    em 10% e doença refractária em 17%. Sem mortalidade associada. CONCLUSÕES: Verificou-se    um aumento recente da incidência de DACD. A antibioterapia prévia foi o principal    factor de risco. A pesquisa de toxina foi o método de diagnóstico mais sensível.    A re-infecção foi mais frequente em doentes tratados com metronidazole, que    pode não estar indicado, como terapêutica de primeira linha, nas infecções mais    graves. <i></i></p>      <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>         <p><b><i>Clostridium Difficile</i> – Associated Diarrhea in a Central Hospital</b></p>       <p><b>Abstract</b></p>         <p><i>INTRODUCTION:</i> An increase in the incidence of <i>Clostridium difficile</i>-associated    diarrhea (CDAD) and the appearance of a Clostridium difficile strain with increased    virulence have been reported. <i>AIMS:</i> To characterize the epidemiologic    and clinical aspects of the CDAD inpatients. <i>MATERIAL AND METHODS:</i> Retrospective    analysis of patients with histological and/or laboratorial CDAD diagnosis admitted    to our institution, between January 2000 and December 2007. <i>RESULTS:</i>    A total of 93 inpatients with CDAD were evaluated with a mean age of 66 ± 16    years; 62% were male. An annual mean incidence of 3.71/10 000 inpatients was    found, with an exponential increase in 2007. The infection was nosocomial in    55% of cases. History of antimicrobial intake was present in 82%. Toxin detection    in stool, endoscopy and histology sensitivity were 86%, 84% and 69%, respectively.    Sixty nine patients were treated, 61 of those with metronidazole. Recurrent    and/or refractory disease was found in 10% and 17% patients, respectively. No    mortality was recorded. <i>CONCLUSIONS:</i> We observed a recent increase in    the incidence of CDAD. Prior antimicrobial treatment was the main risk factor.    Clostridium difficile toxin in the stool detection was the most sensible method    of diagnosis. Recurrent disease was more common with metronidazole. Metronidazole    should not be recommended in severe disease.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>INTRODUÇÃO</b></p>      <p>Por razões ainda não totalmente esclarecidas, a incidência e gravidade da DACD    tem vindo a aumentar, em diversas áreas do globo<sup><a name="top1"></a><a href="#1">1</a></sup>.    Nos Estados Unidos da América, durante a década de 90, a incidência da infecção    por C. difficile, em Unidades de Cuidados Intensivos, permaneceu estável reportando-se    30 a 40 casos por 100 000 habitantes<sup><a name="top2"></a><a href="#2">2</a></sup>.    Em 2001, este número aumentou para praticamente 50 e, em 2005, para 3 vezes    mais<sup><a href="#2">2</a></sup>. Para além da maior prevalência endémica,    têm sido reportados surtos associados a elevada morbilidade e mortalidade<sup><a href="#2">2</a></sup>.    Em Portugal, não dispomos de estudos epidemiológicos, mas sabe-se que a DACD    é uma infecção frequente nas instituições hospitalares e que a sua incidência    tem vindo a aumentar, inclusive em instituições sociais e lares para a terceira    idade<sup><a name="top3"></a><a href="#3">3</a></sup>. No trabalho português    de N. Almeida et al., verificou-se, entre 1995 e 2003, uma incidência de 1,2    casos/10 camas de internamento/ano<sup><a name="top4"></a><a href="#4">4</a></sup>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Existem várias explicações para este aumento de incidência. Em primeiro lugar,    a existência de melhores métodos de detecção; em segundo lugar, a crescente    utilização de antibióticos e de imunossupressores no contexto da quimioterapia;    e, em terceiro lugar, o aumento da frequência da doença tem promovido a contaminação    hospitalar com esporos de <i>C. difficile </i>aumentando a probabilidade de    infecção dos doentes susceptíveis<sup><a name="top5"></a><a href="#5">5</a></sup>.  </p>      <p>Os surtos descritos em vários pontos do mundo associaram-se à emergência epidémica    de uma estirpe hipervirulenta designada de NAP1/BI/O27, capaz de produzir a    toxina binária e produtora de 16 e 23 vezes mais toxina A e B, respectivamente,    devido à delecção do par de bases 18 do gene regulador tcdC e resistente às    fluoroquinolonas<sup><a href="#2">2</a>,<a name="top6"></a><a href="#6">6-8</a>.    </sup>Inicialmente, quando introduzidas, as quinolonas eram uma causa invulgar    de DACD. No entanto, a sua utilização crescente conduziu à selecção de estirpes    de <i>C. difficile </i>resistentes a estes fármacos<sup><a name="top9"></a><a href="#9">9</a></sup>.  </p>      <p>O <i>C. difficile </i>é um bacilo gram-positivo, anaeróbio, formador de esporos,    o que possibilita a sua persistência nos doentes e no ambiente, por longos períodos,    facilitando a sua transmissão, por via fecal-oral<sup><a name="top10"></a><a href="#10">10</a></sup>.    Algumas estirpes da bactéria produzem 2 tipos de toxinas: a toxina A (enterotoxina)    e a toxina B (citotoxina), causadoras de colite<a name="top11"></a><sup><a href="#11">11</a></sup>.    As toxinas estimulam a expressão epitelial de interleucina (IL)-8 e de ICAM-1,    mediadores de inflamação, necrose celular e de perda de proteínas<sup><a href="#11">11</a></sup>.    As toxinas, também interferem na síntese de proteínas da mucosa, na permeabilidade    capilar e no peristaltismo intestinal<a href="#11"><sup>11</sup></a>. </p>      <p>A flora bacteriana cólica de um adulto saudável é geralmente resistente à colonização    por <i>C. difficile</i>. Contudo, quando ocorre alteração da flora intestinal    normal, esta resistência é ultrapassada. Portanto, qualquer factor associado    à alteração da flora entérica aumenta o risco de colonização<sup><a href="#10">10</a></sup>.    O principal factor de risco é a exposição aos antibióticos. A idade avançada,    a gravidade da doença subjacente, a cirurgia gastrointestinal, a presença de    sonda nasogástrica, a medicação anti-ácida<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>,<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>,    o internamento em Unidades de Cuidados Intensivos, a maior duração do internamento    e de antibioterapia e a realização de antibioterapia múltipla são outros factores    de risco<sup><a name="top8"></a><a href="#8">8</a>,<a href="#10">10</a>,<a name="top14"></a><a href="#14">14</a>,<a name="top15"></a><a href="#15">15</a></sup>.</p>      <p>O <i>C. difficile </i>é hoje reconhecido como o principal patogéneo responsável    pela colite associada aos antibióticos e por 15 a 25% dos casos de diarreia    associada aos antibióticos<sup><a name="top16"></a><a href="#16">16</a></sup>.    A clindamicina, a ampicilina e as cefalosporinas de 3ª geração são os agentes    indutores mais frequentes, mas virtualmente todos os agentes antibacterianos    (nomeadamente alguns fármacos utilizados na quimioterapia)<sup><a href="#8">8</a></sup> podem ser responsáveis<sup><a href="#9">9</a>,<a name="top17"></a><a href="#17">17</a></sup>.    Uma dose única de antibiótico pode ser suficiente para despoletar a infecção<sup><a href="#9">9</a></sup>.    Curiosamente, estão reportados casos de doença relacionada com a toma de metronidazole    e vancomicina<sup><a href="#9">9</a></sup>.</p>      <p>A infecção por <i>C. difficile </i>afecta predominantemente idosos e doentes    hospitalizados ou institucionalizados<sup><a href="#2">2</a></sup>. No entanto,    recentemente, várias comissões de controlo e prevenção da doença têm advertido    para o risco de infecção em indivíduos anteriormente considerados de baixo risco,    como os jovens, as puérperas, os indivíduos anteriormente saudáveis e em ambulatório,    muitos deles sem história de hospitalização ou exposição prévia a antibióticos<sup><a href="#1">1</a>,<a href="#2">2</a>,<a name="top18"></a><a href="#18">18</a></sup>.</p>      <p>O <i>C. difficile </i>tem sido associado a um amplo espectro de doença, que pode ir desde estados assintomáticos, diarreia auto-limitada até à doença fulminante incluindo a sépsis, megacólon tóxico e perfuração cólica<sup><a href="#1">1</a></sup>.</p>      <p>Os doentes com doença ligeira podem tornar-se assintomáticos, mesmo sem terapêutica    específica<sup><a name="top19"></a><a href="#19">19</a></sup>. Actualmente,    recomenda-se o metronidazole como terapêutica de 1ª linha, na generalidade dos    casos. No entanto, a vancomicina deve ser a 1ª escolha nos casos de maior gravidade    (doentes com necessidade de internamento em Unidades de Cuidados Intensivos    ou com hipoalbuminemia)<sup><a href="#15">15</a></sup>. Contudo, as alterações    epidemiológicas da doença (emergência da estirpe NAP1/BI/027) acompanham-se    de maior número de casos de doença grave, refractária e recorrente e de diferentes    respostas à terapêutica, verificando-se perda da superioridade da vancomicina,    relativamente ao metronidazol<sup><a name="top20"></a><a name="top21"></a><a href="#20">20</a>,<a href="#21">21</a></sup>.    Por outro lado, numa meta-análise recente, verificou-se supremacia da teicoplanina,    relativamente aos outros fármacos<sup><a href="#19">19</a></sup>. Encontram-se    em investigação novos fármacos, opções terapêuticas diferentes, como a bioterapia    e estratégias preventivas, através da vacinação mas, independentemente dos avanços    da ciência, é fundamental a prática de medidas de controlo da infecção hospitalar    e a restrição da utilização de antibióticos de largo espectro<sup><a href="#8">8</a></sup>.</p>      <p>Os objectivos do nosso estudo foram determinar a incidência da DACD e a sua evolução; caracterizar a população de doentes adultos internados com o diagnóstico de DACD, relativamente aos seus aspectos demográficos, epidemiológicos e clínicos; avaliar os regimes terapêuticos utilizados e a sua eficácia; identificar factores de risco e de prognóstico da DACD.</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>MATERIAL E MÉTODOS:</b></p>      <p>Análise retrospectiva dos doentes, com idade superior a 18 anos, internados    no Hospital de Santa Maria, com o diagnóstico DACD, no período decorrido entre    Janeiro de 2000 e Dezembro de 2007. Foram critérios de inclusão todos os doentes    com quadro clínico de diarreia e estudo laboratorial e/ou histológico concordante.    O diagnóstico laboratorial de DACD foi estabelecido através da identificação    da toxina A e/ou B (a partir de Janeiro de 2007), nas fezes, recorrendo aos    testes de imunoensaios enzimáticos (ELISA). A presença das características “lesões    vulcão” (ulceração focal da mucosa cólica associada a erupção de células inflamatórias    e restos necróticos a cobrir a área de ulceração) sustentou o diagnóstico histológico<sup><a name="top22"></a><a href="#22">22</a></sup>.</p>      <p>Através da consulta dos processos clínicos, foram avaliadas as seguintes variáveis: dados demográficos (idade, sexo), epidemiológicos (número total de casos anual e número total de internamentos anual) e clínicos (doenças associadas e respectiva terapêutica, antibioterapia prévia, manifestações clínicas, métodos complementares de diagnóstico, terapêutica prescrita, resposta à terapêutica, evolução clínica, recidiva).</p>      <p>A análise estatística foi efectuada no <i>software Statistical Package for the Social Sciences </i>(SPSS) for <i>Windows </i>(versão 13,0). Os valores das variáveis contínuas foram expressos em média ± desvio padrão e foi utilizado o teste t de <i>Student</i>, para comparar médias. As variáveis categóricas foram comparadas através do teste exacto de <i>Fisher</i>. Considerou-se existir significância estatística para um valor de p inferior a 0,05.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>RESULTADOS:</b></p>      <p>Durante o período de Janeiro de 2000 a Dezembro de 2007, identificaram-se 93    doentes internados com o diagnóstico de DACD, para um total de 229 275 internamentos    em doentes com mais de 18 anos, conferindo uma incidência anual média de 3,71    em 10 000 internamentos. A incidência não foi igual em todos os anos, verificando-se    uma tendência para um aumento ao longo dos 8 anos, com um acréscimo exponencial,    para 15,41 em 10 000, no ano de 2007, como se pode verificar na <b>Fig. 1</b>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><img src="/img/revistas/ge/v17n1/17n1a03f1.jpg" width="754" height="233"></p>     
<p>Fig.1. Incid&ecirc;ncia anual de diarreia associada a <i>C. difficile</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>Verificou-se uma prevalência ligeiramente maior de doentes do sexo masculino    (55 doentes, 62%) e a idade média foi de 66 ± 16 anos (semelhante em homens    e mulheres), com um mínimo de 22 e um máximo de 92 anos. Encontrámos uma população    envelhecida, sendo que 64% dos doentes tinha mais de 65 anos. A <b>Fig. 2 </b>representa    a distribuição por grupos etários.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><img src="/img/revistas/ge/v17n1/17n1a03f2.jpg" width="392" height="291"></p>     
<p>Fig. 2. Distribui&ccedil;&atilde;o por grupos et&aacute;rios.</p>     <p>&nbsp;</p>      <p>A DACD foi adquirida durante o internamento em 55% dos doentes, sendo considerada nosocomial, enquanto que nos restantes foi adquirida em ambulatório. O intervalo médio entre o internamento e o diagnóstico de DACD foi de 20 ± 18 dias (1-24). Os 3 principais motivos de internamento nos doentes com infecção nosocomial foram: quadro infeccioso não relacionado em 45% (das quais a infecção respiratória foi a mais frequente em 53%, seguida da urinária em 26% e da cutânea em 11%), patologia cardiovascular em 31%, insuficiência renal em 5%.</p>      <p>Nesta população de doentes, as co-morbilidades mais importantes foram a patologia cardiovascular em 49%, insuficiência renal crónica em 17%, diabetes <i>mellitus </i>em 15% e patologia respiratória crónica em 12%.</p>      <p>O principal factor de risco foi a antibioterapia prévia, que ocorreu em 82% dos doentes. De referir, que a maioria dos doentes estava polimedicada, sendo o número médio de antibioticos prescritos, previamente à infecção por <i>C. difficile</i>, de 2,2 ± 1,5. De facto, 33% dos doentes tinham sido, previamente, medicados com 1 antibiótico, 52% com mais que um antibiótico e 26% com 3 ou mais antibióticos. Os antibióticos mais utilizados foram: penicilinas em 53%, cefalosporinas em 27% (dos quais dois terços foram cefalosporinas de 3ª geração), carbapenems em 23%, quinolonas em 15% e aminoglicosídeos em 12%. O intervalo de tempo entre a antibioterapia (isto é, a última substituição antibiótica) e o início do quadro de diarreia foi muito variável, com uma média de 12 ± 16 dias, um mínimo de 1 dia e o máximo de 120 dias (este último intervalo de tempo ocorreu num doente sob terapêutica anti-bacilar).</p>      <p>Outros factores de risco nesta população de doentes foram a imunossupressão em 27% e a patologia oncológica em 24%. A patologia oncológica mais frequentemente encontrada foi a hematológica em 32%. A imunossupressão deveu-se a infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH) em 9 doentes, terapêutica imunossupressora em 6 doentes e quimioterapia em 8 doentes. O intervalo entre o último ciclo de quimioterapia e o início do quadro de diarreia foi de 50 ± 30 dias (12-90). Em 9% dos doentes não se encontraram outros factores predisponentes para a infecção por C. difficile, com excepção de internamento hospitalar. Apenas 3% dos doentes, tinha história pregressa de DACD.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Quanto ao quadro clínico, os sinais e sintomas mais frequentes foram a diarreia (em virtualmente todos os doentes), a febre (em 54% dos doentes) e a dor abdominal (em 46%). A diarreia caracterizava-se por múltiplas dejecções, em média 6 ± 4 por dia (1-20), de consistência líquida em 85% dos doentes, e com hematoquézia em apenas 13% dos doentes. Em cerca de um quarto dos doentes (27%), verificaram-se critérios de gravidade relacionados com hipovolemia, isto é, insuficiência renal aguda, choque e/ou isquemia hepática. Da avaliação analítica destaca-se leucocitose em 51% dos doentes, verificando-se reacção leucemóide, isto é, leucocitose superior a 50 000/&#956;L em 2 doentes, sendo a contagem média de leucócitos de 14 572 ± 11 725/&#956;L, mínimo de 1100/&#956;L e máximo de 81 550/&#956;L. Verificou-se elevação da PCR na grande maioria dos doentes (93%), sendo, em mais de metade dos doentes (54%), superior a 10 mg/dL, com uma média de 12,5 ± 9,3 mg/dL (0,3-35,4 mg/dL). A hipocaliemia foi frequente, em 46% dos doentes, bem como a hipoalbuminemia em 82% (média de 27 ± 8 g/L, mínimo de 13 g/L e máximo de 46 g/L).</p>      <p>Do ponto de vista de métodos de imagem abdominal, 23 doentes foram submetidos a ecografia e/ou TC abdominal, dos quais em 13% o exame foi considerado normal, em 70% verificou-se espessamento parietal do cólon e, em 17%, distensão cólica.</p>      <p>A pesquisa da toxina do C. difficile foi efectuada em 76 doentes, apresentando uma sensibilidade de 86% e a endoscopia em 31 doentes, com sensibilidade de 84% (considerando o exame positivo quando apresentava imagens sugestivas de pseudomembranas). Em 10% dos doentes, os achados da endoscopia foram inespecíficos, com hiperemia e edema da mucosa e em 6% foi considerada normal. A colonoscopia foi total em 6 doentes, nos restantes apenas foi efectuada sigmoidoscopia. O motivo porque apenas se efectuou sigmoidoscopia foi, na maioria dos doentes, por apresentar alterações endoscópicas já no cólon esquerdo; em 2 doentes apenas se efectuou sigmoidoscopia apesar de esta ser considerada normal.</p>      <p>Apenas 29 doentes foram submetidos a biópsias do cólon, sendo que, em 31%,    estas não apresentavam aspectos de colite pseudomembranosa, sendo compatíveis    com o diagnóstico em apenas 69% dos doentes. Mesmo nos doentes com achados macroscópicos    de pseudomembranas, a histologia e a toxina foram positivas em apenas 72% e    59% dos casos, respectivamente. Por outro lado, 2 doentes que apresentaram achados    inespecíficos na endoscopia, tinham alterações muito típicas de colite pseudomembranosa    na histologia. Um aspecto que reforça a importância da histologia é o facto    desses dois doentes, também apresentarem pesquisa de toxina negativa, sendo    que a histologia foi o único elemento diagnóstico. Por último, 2 doentes com    toxina positiva apresentaram achados endoscópicos e histológicos não diagnósticos    (<b>Fig. 3</b>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><img src="/img/revistas/ge/v17n1/17n1a03f3.jpg" width="761" height="456"></p>     
<p>Fig. 3. M&eacute;todos de diagn&oacute;stico (dados de 81 doentes)</p>      <p>&nbsp;</p>     <p>Em relação à terapêutica dirigida de primeira linha, efectuada em 69 doentes,    em 89% (61 de 69 doentes) dos casos o antibiótico utilizado foi o metronidazole,    a vancomicina em 4% e nos restantes 7% uma associação metronidazole com vancomicina.    Em 87% dos casos, o metronidazole foi administrado por via oral ou através    de sonda naso-gástrica, nos restantes casos foi administrada por via endovenosa.    Verificou-se resposta à antibioterapia de primeira linha em 83% dos doentes,    conseguindo-se apirexia ao fim de 2 ± 2 dias (24 horas – 8 dias) e resolução    de diarreia ao fim de 5 ± 3 dias (24 horas – 14 dias).</p>      <p>A doença refractária ocorreu em 17% e a re-infecção/recidiva ocorreu em 10% (exclusivamente nos doentes tratados com metronidazol). O intervalo de tempo, após o qual surgiu reinfecção/recidiva, foi de 22 ± 11 dias, referente a 3 doentes. Todos os doentes com infecção refractária ou recidiva da diarreia foram tratados com vancomicina oral em altas doses (500 mg cada 6 horas); 2 doentes foram concomitantemente medicados com colestiramina e suplemento de <i>Saccharomyces boulardii</i>, e um doente com colestiramina apenas. Não se verificou mortalidade associada. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Subdividindo os doentes num grupo fácil de tratar e noutro de difícil tratamento (nos doentes com recidiva ou doença refractária), não se encontraram diferenças significativas em termos epidemiológicos, embora se tenha verificado uma tendência para maior imunossupressão no grupo difícil de tratar (44% <i>vs </i>23%; p=0,079), bem como para idade mais avançada (73 ± 12 <i>vs </i>65 ± 18 anos; p=0,052). Do ponto de vista clínico, o grupo difícil de tratar apresentava um número de dejecções ligeiramente menor (5 ± 2/ dia <i>vs </i>7 ± 4/dia, p=0,038), leucocitose mais acentuada (20 783 ± 21 513/&#956;L <i>vs </i>12 818 ± 7 480/&#956;L, p=0,028) e hipoalbuminemia mais grave (23 ± 5 g/L <i>vs </i>29 ± 8 g/L; p=0,031). Não se verificaram diferenças em termos de duração da antibioterapia prévia, <i>timing </i>de diagnóstico, critérios de gravidade, achados endoscópicos, atraso de início de antibioterapia específica ou esquema antibiótico utilizado. </p>      <p>Comparando os subgrupos de doentes com infecção adquirida na comunidade e nosocomial, não se verificaram diferenças nos dados epidemiológicos. Do ponto de vista clínico, a dor abdominal foi mais frequente nos doentes ambulatórios (63% <i>vs </i>33%; p=0,010), assim como a desidratação (74% <i>vs </i>33%; p&lt;0,001), a insuficiência renal aguda (41% <i>vs </i>17%; p=0,021) e maior leucocitose (16 230 ± 10 260/&#956;L <i>vs </i>13 108 ± 13 277/&#956;L; p=0,014), facto que pode ser devido a um maior intervalo de tempo, desde o início dos sintomas até ao diagnóstico (12 ± 11 <i>vs </i>5 ± 4 dias; p&lt;0,001). Apesar das taxas de resposta terem sido semelhantes nos 2 subgrupos, a resposta à terapêutica foi mais lenta na infecção nosocomial, tanto em tempo de apirexia (2,1 ± 2,2 <i>vs </i>1,3 ± 0,7 dias; p=0,043) como de resolução da diarreia (5,6 ± 3,1 <i>vs </i>4,2 ± 2,3; p=0,004). </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>DISCUSSÃO </b></p>      <p>Verificou-se uma incidência anual média de DACD de 3,71 em 10 000 internamentos,    superior à descrita nos principais estudos epidemiológicos europeus que descrevem    incidências anuais de 0,3 a 1,9 em 10 000 internamentos<sup><a href="#23">23</a>,<a name="top23"></a><a name="top24"></a><a href="#24">24</a></sup>.    A incidência de DACD aumentou exponencialmente em 2007, para 15,41 em 10 000,    o que se pode dever a múltiplos factores, como o aumento do consumo de antibióticos,    a alteração do método de diagnóstico da toxina no nosso hospital que passou    a detectar simultaneamente a toxina A e B, bem como uma maior sensibilização    por parte dos médicos, podendo tratar-se dum aumento no diagnóstico e não da    incidência real. Recentemente, vários centros têm descrito surtos de DACD associada    a estirpes hipervirulentas no contexto de toma de quinolonas<sup><a href="#6">6</a><a name="top25"></a>,<a href="#25">25-27</a></sup>.    De facto, a percentagem de doentes com DACD a tomar quinolonas, em 2007, foi    substancialmente superior à dos outros anos (23% <i>vs </i>6%; p=0,041), o que    pode ter contribuido para um surto de DACD no nosso hospital.</p>      <p>A população de doentes era envelhecida, com 64% dos doentes com mais de 65    anos. De facto, está descrita um aumento da incidência nos grupos etários mais    idosos<sup><a href="#25">25</a>,<a name="top28"></a><a href="#28">28</a></sup>.</p>      <p>A infecção por C. difficile é a principal causa de diarreia infecciosa nosocomial<sup><a name="top29"></a><a href="#29">29</a></sup>,    mostrando muitos trabalhos que a DACD é nosocomial em cerca de 80%23. No entanto,    verificámos que, em cerca de metade dos doentes (45%) a infecção foi adquirida    em ambulatório. A DACD foi semelhante nos 2 grupos. No entanto, quando adquirida    no ambulatório, o diagnóstico foi mais moroso, o que se traduziu por maior repercussão    clínica da diarreia e da desidratação e, quando nosocomial, associou-se a uma    resposta mais lenta ao tratamento. O atraso na resposta ao tratamento nos doentes    com infecção nosocomial pode ser explicado por inúmeros factores, entre os quais    o facto de doentes internados estarem potencialmente mais debilitados e com    maiores co-morbilidades, muitas vezes não sendo possível parar o antibiótico    que propiciou o desenvolvimento de DACD, muitas vezes sem via oral eficaz. Por    outro lado, as estirpes de C. difficile transmitidas em meio hospitalar podem    ser particularmente virulentas, mais agressivas e com diferente potencial de    resposta à antibioticoterapia específica. Pode ainda dar-se o caso de haver    constantemente reinfecção nestes doentes.</p>      <p>A antibioterapia prévia foi o principal factor de risco, tendo sido observada    em 82%. A maioria dos doentes tinha sido medicada com vários antibióticos, o    que está de acordo com o reportado por múltiplos autores que descrevem o número    de antibióticos como factor de risco de DACD<sup><a href="#15">15</a>,<a name="top30"></a><a href="#30">30</a></sup>.    Como esperado, os antibióticos mais frequentemente encontrados foram as cefalosporinas    de 3ª geração e as penicilinas, no entanto, os carbapenems tiveram uma importância    maior do que a descrita na literatura<sup><a name="top31"></a><a href="#31">31</a></sup>.    De referir que 4 doentes tinham sido medicados com anti-bacilares, agentes que    têm sido mais frequentemente reconhecidos como causa de DACD, nomeadamente a    rifampicina<a name="top32"></a><sup><a href="#32">32</a></sup>. Um achado interessante    foi a grande variação no tempo entre a toma do antibiótico e o início da DACD.    De facto, se por um lado uma só toma pode ser suficiente para provocar DACD    [9], no presente estudo também observámos que esse intervalo de tempo pode ser    superior a 6-12 semanas<sup><a href="#16">16</a>,<a href="#31">31</a></sup>.</p>      <p>Outro factor de risco importante foi a imunossupressão, nomeadamente a infecção    pelo VIH em 9 doentes. A DACD é a principal causa bacteriana de diarreia nestes    doentes (em mais de metade dos casos), sendo duas vezes mais frequente nos indivíduos    com critérios de SIDA<a name="top33"></a><sup><a href="#33">33</a></sup>.</p>      <p>A apresentação clínica teve um amplo espectro de gravidade. Os nossos dados    relembram que a DACD pode ser causa de reacção leucemóide, bem como de enteropatia    exsudativa, com hipoalbuminemia frequente, traduzindo provavelmente perdas proteicas    através de úlceras do cólon<sup><a name="top34"></a><a href="#34">34</a></sup>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Relativamente aos métodos de diagnóstico, o mais utilizado e o mais sensível    foi a pesquisa de toxina, que apresentou uma sensibilidade de 84%. No entanto,    a pesquisa de toxina negativa não exclui o diagnóstico de DACD, devendo ser    efectuada colonoscopia, se a suspeita clínica for forte. A realização de endoscopia    levanta algumas controvérsias, como os eventuais riscos, nomeadamente de perfuração,    em caso de colite grave, ou a necessidade de efectuar colonoscopia total em    oposição a sigmoidoscopia. Quanto a este último aspecto, Bergstein e colaboradores<sup><a name="top35"></a><a href="#35">35</a></sup>    num trabalho de 1990, mostraram igual acuidade diagnóstica entre a sigmoidoscopia    e a colonoscopia total. Um outro aspecto, que os nossos dados ressaltam, é a    necessidade de efectuar biópsias, sobretudo se os achados forem inespecíficos,    uma vez que, em 2 doentes, o diagnóstico apenas foi possível pela histologia.    Por outro lado, e porque a histologia pode ser morosa, deve ser iniciada terapêutica    empírica em caso de doença grave e de alto índice de suspeição, mesmo que a    investigação inicial seja negativa.</p>      <p>A maioria dos doentes respondeu à terapêutica de primeira linha, embora um    quarto dos doentes tivesse infecção refractária ou reinfecção/recidiva. Os doentes    de mais difícil tratamento foram tendencialmente mais idosos, imunodeprimidos    e com alterações analíticas mais acentuadas sugestivas de doença mais grave.    Recentemente foi proposto um <i>score </i>clínico preditivo de DACD recorrente,    tendo como base 3 critérios (idade superior a 65 anos, doença grave ou fulminante    e necessidade de antibioterapia posterior ao episódio), sendo considerados de    alto risco os doentes com pelo menos 2 critérios (risco de recorrência de 37%),    com uma AUCROC de 0,83. Doentes com os 3 critérios apresentam, segundo os autores,    um risco de recorrência/recidiva de 88%<sup><a name="top36"></a><a href="#36">36</a></sup>.</p>      <p>Não se verificou mortalidade associada a DACD, embora na literatura estejam    descritas taxas de mortalidade de 0,5 a 3%<sup><a href="#23">23</a>,<a name="top37"></a><a href="#37">37</a>,<a name="top38"></a><a href="#38">38</a></sup>.</p>      <p>Nem todos os doentes receberam terapêutica específica. De facto, uma meta-análise    recente levanta dúvidas quanto à necessidade de tratar formas ligeiras.<sup><a href="#19">19</a></sup></p>      <p>Por último, a reinfecção/recidiva ocorreu, apenas, em doentes medicados com    metronidazol. Trabalhos mais recentes mostraram alguma vantagem da vancomicina    relativamente ao metronidazol<sup><a href="#12">12</a>,<a href="#19">19</a><a name="top39"></a>,<a href="#39">39</a>,<a name="top40"></a><a href="#40">40</a></sup>.    Fernandez et al. identificaram a hipoalbuminemia, inferior a 25 g/L e estadia    em Unidade de Cuidados Intensivos como critérios de gravidade. Assim, alguns    autores consideram que a terapêutica com vancomicina deve ser a terapêutica    de primeira linha, em caso de doença grave ou de não resposta ao metronidazol,    em 3 a 5 dias<sup><a href="#1">1</a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>CONCLUSÕES</b></p>      <p>Verificou-se um aumento recente na incidência da DACD, adquirida na comunidade em cerca de metade dos doentes (45%).</p>      <p>A antibioterapia prévia foi o principal factor de risco. Chamamos a atenção para as quinolonas, anteriormente pouco reconhecidos como causadores de DACD, que foram os agentes responsáveis em 15% dos doentes.</p>      <p>A pesquisa de toxina de C. difficile foi o método de diagnóstico de DACD mais sensível.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A recidiva foi mais frequente com o metronidazol, não estando indicado, como terapêutica de 1ª linha, nas infecções mais graves.</p>      <p><b>&nbsp;</b></p>      <p><b>&nbsp;</b></p>      <p><b>Bibliografia</b></p>      <p><a name="1"></a><a href="#top1">1</a>.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Owens RC. C. difficile-associated    disease: changing epidemiology and implications for management. Drugs 2007;67:487-502.</p>      <p><a href="#top2">2</a>.&nbsp;<a name="2"></a>&nbsp;&nbsp; Kelly CP, LaMont JT.    C. difficile-more difficult than ever. N Engl J Med 2008;359:1932-1940.</p>      <p><a href="#top3">3</a>.&nbsp;<a name="3"></a>&nbsp;&nbsp; Filipe S. Infecção    no Hospital. Medicina e Saúde 2007;120:20-3. 22.</p>      <!-- ref --><p><a href="#top4">4</a>.&nbsp;<a name="4"></a>&nbsp;&nbsp; Almeida N, Silva N,    Parente F, Portela F, Gouveia H, Alexandrino B, et al. Colite pseudomembranosa    – uma casuística de internamento. GE - J Port Gastrenterol 2006;13:6-13.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000090&pid=S0872-8178201000010000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><a href="#top5">5</a>.&nbsp;<a name="5"></a>&nbsp;&nbsp; Voth DE, Ballard JD.    C. difficile toxins: mechanism of action and role in disease. Clin Microbiol    Rev 2005;18:247-263.</p>      <p><a href="#top6">6</a>.&nbsp;<a name="6"></a>&nbsp;&nbsp; McDonald LC, Killgore    GE, Thompson A, Owens RC, Jr., Kazakova SV, Sambol SP, et al. An epidemic, toxin    gene-variant strain of C. difficile. N Engl J Med 2005;353:2433-2441.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top6">7</a>.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Shen EP, Surawicz CM. The changing    face of C. difficile: what treatment options remain? Am J Gastroenterol 2007;102:2789-2792.</p>      <p><a href="#top8">8</a>.&nbsp;<a name="8"></a>&nbsp;&nbsp; Aslam S, Musher DM.    An update on diagnosis, treatment, and prevention of C. difficile-associated    disease. Gastroenterol Clin North Am 2006;35:315-335.</p>      <p><a href="#top9">9</a>.&nbsp;<a name="9"></a>&nbsp;&nbsp; Surawicz CM. Antibiotics    and C. difficile: cause and cure. J Clin Gastroenterol 2007;41:1-2.</p>      <p><a href="#top10">10</a><a name="10"></a>. Poutanen SM, Simor AE. Clostridium    difficile-associated diarrhea in adults. CMAJ 2004;171:51-58.</p>      <p><a href="#top11">11</a><a name="11"></a>. Durai R. Epidemiology, pathogenesis,    and management of C. difficile infection. Dig Dis Sci 2007;52:2958-2962.</p>      <p><a href="#top12">12</a><a name="12"></a>. McFarland LV, Beneda HW, Clarridge    JE, Raugi GJ. Implications of the changing face of C. difficile disease for    health care practitioners. Am J Infect Control 2007;35:237-253.</p>      <p><a name="13"></a><a href="#top13">13</a>. Dial S, Alrasadi K, Manoukian C,    Huang A, Menzies D. Risk of C. difficile diarrhea among hospital inpatients    prescribed proton pump inhibitors: cohort and case-control studies. CMAJ 2004;171:33-38.</p>      <p><a href="#top14">14</a><a name="14"></a>. Kelly CP. A 76-year-old man with    recurrent C. difficile-associated diarrhea: review of C. difficile infection.    JAMA 2009;301:954-962.</p>      <p><a href="#top15">15</a><a name="15"></a>. Starr J. C. difficile associated    diarrhoea: diagnosis and treatment. BMJ 2005;331:498-501.</p>      <p><a href="#top16">16</a><a name="16"></a>. Gerding DN, Johnson S, Peterson LR,    Mulligan ME, Silva J, Jr. C. difficile-associated diarrhea and colitis. Infect    Control Hosp Epidemiol 1995;16:459-477.</p>      ]]></body>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Colite pseudomembranosa - uma casuística de internamento]]></article-title>
<source><![CDATA[GE - J Port Gastrenterol]]></source>
<year>2006</year>
<volume>13</volume>
<page-range>6-13</page-range></nlm-citation>
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