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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Doença Venooclusiva Inflamatória Mesentérica - Causa Rara de Isquémia Intestinal]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Mesenteric inflammatory venooclusive disease is a rare cause of intestinal ischemia. Diagnosis is based on the demonstration of inflammation of mesenteric veins, without concomitant involvement of the arterial system. The authors describe the clinical case of a patient admitted with an intestinal obstruction, submitted to colonoscopy which showed edema of the mucosa and decrease of the distensibility of sigmoid and descendent. Radiological study revealed an irregular stenosis suggestive of a tumor. Biopsy was inconclusive. A segmental resection of involved bowel was performed and histological examination of the ressected specimen has shown alterations compatible with venooclusive disease. Good clinical evolution was verified. We discuss the main aspects of the therapeutic and diagnosis.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Doença venooclusiva]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Doença Venooclusiva Inflamatória Mesentérica – Causa Rara de Isquémia Intestinal</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Margarida Ferreira<sup>1</sup>, Joana Torres<sup>1</sup>, Rosa Ferreira<sup>1</sup>,    Joana Raposo<sup>2</sup>, José Luís Pires<sup>3</sup>, Edgard Panão<sup>1</sup>,    Mário Júlio Campos<sup>1</sup></b></p>      <p><sup>1</sup>Serviço de Gastrenterologia do Centro Hospitalar de Coimbra EPE;  </p>     <p><sup>2</sup>Serviço de Anatomia Patológica do Centro Hospitalar de Coimbra    EPE; </p>     <p><sup>3</sup>Serviço de Cirurgia do Centro Hospitalar de Coimbra EPE</p>     <p><a name="top0"></a><a href="#0">Correspondência</a></p>      <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>Resumo</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A doença venooclusiva inflamatória mesentérica é uma causa rara de isquémia    intestinal, caracterizando-se pelo atingimento das veias mesentéricas e suas    tributárias, sem envolvimento concomitante do sistema arterial. A propósito    desta entidade os autores apresentam o caso clínico de um doente, com quadro    suboclusivo intestinal e cujo estudo endoscópico do cólon mostrou mucosa edemaciada,    com acentuado compromisso da distensibilidade do cólon sigmóide e descendente,    traduzindo-se radiologicamente por estenose irregular do cólon, a sugerir neoplasia.    As biópsias do cólon foram negativas para neoplasia pelo que, perante a suspeita    clínica, foi submetido a ressecção de segmento atingido. O estudo anatomopatológico    da peça operatória revelou tratar-se de uma doença inflamatória venooclusiva.    Verificou-se boa evolução clínica. Discutem-se os principais aspectos do diagnóstico    e terapêutica.</p>      <p><b>Palavras-chave</b>: Doença venooclusiva, isquemia mesentérica.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b>Mesenteric Inflammatory Venooclusive Disease – a Rare Cause of Intestinal    Ischemia</b></p>      <p><b>Abstract</b></p>     <p>Mesenteric inflammatory venooclusive disease is a rare cause of intestinal    ischemia. Diagnosis is based on the demonstration of inflammation of mesenteric    veins, without concomitant involvement of the arterial system. The authors describe    the clinical case of a patient admitted with an intestinal obstruction, submitted    to colonoscopy which showed edema of the mucosa and decrease of the distensibility    of sigmoid and descendent. Radiological study revealed an irregular stenosis    suggestive of a tumor. Biopsy was inconclusive. A segmental resection of involved    bowel was performed and histological examination of the ressected specimen has    shown alterations compatible with venooclusive disease. Good clinical evolution    was verified. We discuss the main aspects of the therapeutic and diagnosis.  </p>     <p><b>Keywords</b>: Venooclusive disease, mesenteric ischemia.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>INTRODUÇÃO</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A doença inflamatória venooclusiva é uma causa rara de isquemia mesentérica    de origem exclusivamente venosa, ou seja, caracteriza-se por inflamação e oclusão    do fluxo sanguíneo das veias e vénulas mesentéricas, na ausência de arterite    mesentérica ou vasculite extra-intestinal<a name="top1"></a><sup><a href="#1">1-3</a></sup>.    O diagnóstico clínico é difícil, com sintomas que podem mimetizar doença inflamatória    ou mesmo neoplasias, nomeadamente quando ocasiona espessamento focal do cólon<sup><a name="top2"></a><a href="#2">2</a></sup>.    Os doentes mostram-se habitualmente refractários à terapêutica médica conservadora,    pelo que o tratamento cirúrgico é essencial<sup><a href="#2">2</a>,<a name="top3"></a><a href="#3">3</a></sup>.    O diagnóstico é geralmente estabelecido pelo estudo anatomo-patológico da peça    operatória. Os casos descritos na literatura cursaram com prognóstico favorável,    sendo rara a recorrência<sup><a href="#1">1</a></sup>.</p>      <p>A propósito desta entidade os autores descrevem o caso clínico de um doente com quadro suboclusivo, cujo estudo complementar endoscópico e radiológico apontava para possível neoplasia do cólon, pois apresentava estenose irregular e segmentar do cólon sigmóide, cujas biópsias foram negativas para neoplasia. Foi submetido a laparotomia exploradora, com ressecção do segmento cólico atingido, tendo o estudo anatomopatológico revelado tratar-se de doença inflamatória venooclusiva mesentérica. Discutem-se os principais aspectos da clínica, patogénese e terapêutica da doença, baseados na literatura actual.</p>      <p><b>&nbsp;</b></p>      <p><b>CASO CLÍNICO</b></p>      <p>Doente de 69 anos, sexo masculino, raça caucasiana, admitido no Serviço de Urgência por queixas de dejecções com muco e sangue vivo em quantidade moderada. Referia início das perdas hemáticas após realização de colonoscopia em ambulatório 15 dias antes, solicitada pelo seu médico assistente por queixas, com cerca de 4 semanas de evolução, de dor abdominal localizada ao flanco esquerdo, tipo moinha, persistente, e diminuição do trânsito intestinal para fezes e gases também de início recente e tenesmo. Negava febre, queixas perianais ou outras. A colonoscopia de que era portador, e que apenas foi possível até à junção recto-sigmóide por má preparação, mostrava mucosa congestiva tendo sido realizadas biópsias que apontavam para “inflamação inespecífica”.</p>      <p>Dos antecedentes pessoais destacavam-se herniorrafia inguinal aos 58 anos, hipertensão arterial, dislipidémia e hiperplasia benigna da próstata, para o que estava medicado com perindopril, sinvastatina e tansulosina. Negava alergias conhecidas e hábitos tabágicos, referindo ingestão diária de cerca de 60g de álcool. A história epidemiológica era negativa e os antecedentes familiares irrelevantes. Do exame objectivo realizado na admissão apenas se destacava obesidade (IMC: 35 kg/m2) e abdómen distendido, um pouco timpanizado, com ruídos hidroaéreos ligeiramente aumentados, de timbre normal e presença de dor à palpação profunda dos quadrantes inferiores, sobretudo do flanco esquerdo, sem massas perceptíveis ou defesa. Apresentava-se apirético, normotenso e com restantes parâmetros clínicos sem alterações. </p>      <p>O estudo laboratorial inicial mostrava anemia (Hb 10,3g/dl) normocrómica normocítica,    PCR de 4,5mg/dl e ureia 8,1 mmol/L. Não eram evidentes outras alterações analíticas,    nomeadamente valores elevados dos marcadores tumorais (CEA e Ca 19,9). Na radiografia    abdominal simples apresentava ansas intestinais esquerdas distendidas e com    esboço de níveis hidroaéreos a esse nível. Foi submetido a estudo endoscópico    baixo, que mostrou intenso padrão inflamatório da mucosa, em toda a extensão,    com edema marcado condicionando acentuado compromisso da distensibilidade da    parede que impedia progressão para além do descendente distal, realizando-se    biópsias da mucosa atingida. Internado para estudo complementar, iniciando    terapêutica de suporte com fluidoterapia, pausa alimentar com nutrição parenteral    e messalazina. No estudo histológico observou-se mucosa cólica com discreta    alteração da arquitectura, infiltrado inflamatório na lâmina própria, predominantemente    linfoplasmocitário, com alguns eosinófilos e neutrófilos e sem permeação para    o epitélio glandular nem formação de abcessos crípticos, ausência de granulomas    epitelioides, pigmento hemossidérico ou lesões de necrose, aspectos compatíveis    com colite crónica inespecífica. Foi posteriormente realizado clister opaco    de duplo contraste que favoreceu a hipótese de se tratar de neoplasia, ao revelar    estenose concêntrica, de contornos irregulares, com início a nível da transição    recto-sigmóideia não sendo possível a melhor caracterização a montante pela    dificuldade de passagem e extravasamento para o exterior do produto de contraste    baritado, apesar de bastante diluído (<b>Fig. 1</b>). Efectuou também TC abdominal    que mostrou espessamento no recto-sigmóide e cólon descendente, bem como densificação    da gordura mesentérica (<b>Fig. 2</b>). Por manter as mesmas queixas clínicas,    compatíveis com quadro suboclusivo, e perante incerteza diagnóstica, por estudo    complementar inconclusivo, foi decidida a realização de laparotomia exploradora    tendo sido notório o espessamento da parede do cólon descendente e sigmóide    até à reflexão peritoneal. Foi assim submetido a hemicolectomia esquerda e sigmoidectomia    com apendicectomia complementar. O estudo anatomo-patológico da peça operatória    mostrou, a nível macroscópico, serosa com áreas hemorrágicas e falsas membranas    a revestir também o mesocólon que apresentava áreas endurecidas, amareladas    e heterogéneas de tipo citoesteatonecrose; a parede cólica estava espessada,    reduzindo significativamente o calibre do lúmen intestinal e a mucosa apresentava    zonas aplanadas e erosionadas, a par de outras edemaciadas. Ao exame histológico,    a mucosa apresentava infiltrado inflamatório crónico difuso, com áreas de necrose    de tipo isquémico/hemorrágico e ulceração. Na parede intestinal, mais aparente    em vasos da submucosa e da subserosa, observou-se lesões vasculares, que consistiam    em espessamento da íntima e da camada muscular das veias de médio e de pequeno    calibre, alterações também presentes nas veias do mesocólon (<b>Fig. 3</b>).    O facto de as lesões descritas se localizarem exclusivamente nas veias, permitiu    o diagnóstico de doença venooclusiva inflamatória mesentérica. Não se observava    atingimento das margens de ressecção. O pós-operatório decorreu sem incidentes,    verificando-se boa evolução clínica. Após um ano de vigilância o doente mantém-se    assintomático, tendo efectuado colonoscopia total que mostrou presença de 2    pólipos no transverso, com menos de 1 cm, um deles pediculado e outro séssil,    cujo estudo anatomopatológico revelou tratar-se de um pólipo inflamatório e    adenoma tubuloviloso com displasia de alto grau completamate excisado, respectivamente.    Não eram evidentes outras alterações da mucosa. Durante o período de vigilância    foi efectuado o despiste de vasculites sistémicas e trombofilias (Anticorpos    antinucleares, tempos de coagulação, ANCA e ASCA, antitrombina, Factor V de    Leiden, Proteínas C e S, homocisteína, anticoagulante lúpico, anticardiolipina,    fibrinogénio, complemento sérico C3 e C4, estudo molecular mutação da protrombina    PRT20210G/A, factor reumatóide) que não mostrou alterações. O doente mantém-se    em vigilância.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><img src="/img/revistas/ge/v17n1/17n1a05f1.jpg" width="372" height="392"></p>     
<p>Fig. 1. Imagem de clister opaco mostrando presen&ccedil;a de estenose conc&ecirc;ntrica,    de contornos irregulares, com in&iacute;cio na transi&ccedil;&atilde;o recto-sigm&oacute;ide.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><img src="/img/revistas/ge/v17n1/17n1a05f2.jpg" width="759" height="298"></p>      
<p>Fig. 2. Imagem de corte coronal (A) e axial (B) de TC mostrando espessamento    do recto-sigm&oacute;ide e c&oacute;lon descendente (seta) bem como marcada    densifica&ccedil;&atilde;o da gordura mesent&eacute;rica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><img src="/img/revistas/ge/v17n1/17n1a05f3.jpg" width="759" height="303"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><img src="/img/revistas/ge/v17n1/17n1a05fc.jpg" width="371" height="301"></p>     
<p>Fig. 3. Estudo anatomopatol&oacute;gico da pe&ccedil;a operat&oacute;ria demonstrando:    A (HE x 20) &#8211; Veia da subserosa com espessamento fibroso da &iacute;ntima    e camada muscular reduzindo significativamente o l&uacute;men, a par de art&eacute;ria    sem altera&ccedil;&otilde;es da parede; B (Elastina x 20) &#8211; Elastina evidencia    art&eacute;ria (a) com preserva&ccedil;&atilde;o da el&aacute;stica sem les&otilde;es    e veia afectada (b), com marcada fragmenta&ccedil;&atilde;o da l&acirc;mina    el&aacute;stica; C (HE x 20) &#8211; Mucosa intestinal com ulcera&ccedil;&otilde;es    (a), infiltrado inflamat&oacute;rio polimorfo e microtrombos (b) em capilares    e v&eacute;nulas, secund&aacute;rias &agrave;s les&otilde;es vasculares.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>DISCUSSÃO</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As vasculites intestinais são situações pouco comuns que acompanham usualmente    vasculites sistémicas ou doença inflamatória intestinal<sup><a name="top4"></a><a href="#4">4</a></sup>.    Nestas duas entidades, existe envolvimento primário do sistema arterial. Uma    situação mais rara, e que é reportada no caso apresentado, é a isquemia intestinal    resultante de vasculite das veias mesentéricas e suas tributárias.</p>      <p>A doença inflamatória venooclusiva mesentérica, embora pouco frequente ou possivelmente    subdiagnosticada e por isso com taxas de incidência desconhecidas, é cada vez    mais reconhecida<sup><a href="#1">1</a>,<a href="#5">5</a><a name="top5"></a><a name="top6"></a>,<a href="#6">6</a></sup>.    Desde o primeiro caso publicado em 1976, várias terminologias têm sido utilizadas    na literatura para a descrever, tais como “flebite enterocólica linfocítica”,    “microflebite linfocítica intestinal”, “hiperplasia idiopática mioíntima” ou    “venulite mesentérica intramural”<sup><a href="#5">5</a></sup>. </p>      <p>Trata-se de uma doença sem uma causa predisponente identificada. Contudo, nalguns    casos relatados, foram implicados, embora sem consistência científica, alguns    fármacos (hidroxietilrutosido, reserpina, metildopa, amilorida) e infecção por    citomegalovírus.<sup><a href="#5">5</a></sup> Pode ocorrer em qualquer idade,    embora a maioria dos doentes esteja acima da quinta década de vida, e não há    predominância de sexo<sup><a href="#3">3-5</a></sup>.</p>      <p>Os casos descritos na literatura, tal como o apresentado, representam habitualmente    um desafio diagnóstico, tanto a nível clínico como endoscópico e histológico<sup><a href="#4">4</a></sup>.  </p>      <p>Clinicamente a doença caracteriza-se por isquemia intestinal aguda (em 15%    dos casos<sup><a href="#5">5</a></sup>) ou mais frequentemente subaguda, manifestando-se    com quadro variável de náuseas, vómitos, dor abdominal, diarreia com muco ou    sanguinolenta, podendo a hemorragia digestiva baixa ser grave<sup><a href="#1">1</a>,<a href="#6">6</a>,<a name="top7"></a><a href="#7">7</a></sup>.    Está também descrita evolução fulminante. Os quadros suboclusivos, tal como    o que sucedeu neste doente, são explicados pela possibilidade de ocorrência    de estenoses, que indicam uma doença com uma evolução prolongada<sup><a href="#3">3</a></sup>.  </p>      <p>As alterações endoscópicas descritas no nosso doente são similares às descritas na literatura, com aspectos inflamatórios da mucosa com edema e eritema por vezes mimetizando a doença inflamatória intestinal. </p>      <p>O estudo radiológico por TC mostra habitualmente as alterações também relatadas    no caso apresentado, nomeadamente espessamento da parede intestinal<sup><a href="#2">2</a></sup>.    Este segmento intestinal envolvido assimila o contraste de forma homogénea em    toda a espessura da parede, tal como sucede, por exemplo, na doença de Crohn.    Pode igualmente detectar-se na tomografia um ingurgitamento vascular pericólico,    que em associação com o edema e inflamação associados, condicionam a presença    de lesão tipo massa interpretada por vezes como infiltração tumoral<sup><a href="#1">1</a></sup>.    A discrepância por vezes encontrada entre a TC e o aspecto endoscópico, por    vezes com alterações muito ténues com ligeiro edema da mucosa, é explicada pelo    facto de se tratar de uma doença com envolvimento sobretudo pericólico em vez    de mucoso/submucoso.</p>      <p>O diagnóstico definitivo é apenas feito através da avaliação anatomo-patológica    da peça operatória, pois as biópsias da mucosa são persistentemente inconclusivas<sup><a href="#1">1</a>,<a href="#2">2</a></sup>.</p>      <p>O diagnóstico histológico fundamenta-se na detecção de lesões vasculares em    veias de médio calibre, pelo que são habitualmente identificadas em veias da    submucosa e da subserosa. As colorações histoquímicas para as fibras elásticas    são úteis na caracterização dos vasos afectados, mostrando que não há atingimento    da parede das artérias. As lesões observadas dependem do tempo de evolução da    doença<sup><a href="#1">1</a>,<a href="#5">5</a>,<a name="top8"></a><a href="#8">8</a></sup>.    Nas lesões mais precoces predominam os fenómenos inflamatórios, com infiltrado    inflamatório na parede das veias, constituído essencialmente por linfócitos    T citotóxicos, podendo também ser identificados linfócitos B, neutrófilos e    células gigantes. Estas lesões podem ser acompanhadas de vasculite necrotizante.    Nas lesões com maior tempo de evolução, predominam os fenómenos de trombose    e recanalização ou hiperplasia mioíntima da parede das veias. Não é necessário    estar presente todo o tipo de lesões para o diagnóstico. Estas lesões condicionam    um espessamento da parede e necrose isquémica na mucosa com ulcerações.</p>      <p>Todas estas alterações histológicas podem atingir ambas as veias mesentéricas,    pelo que pode haver envolvimento do delgado e do cólon, embora este último seja    o mais atingido, sem predomínio de nenhum segmento<sup><a href="#2">2</a>,<a href="#5">5</a></sup>.    Casos isolados reportam flebites da vesícula e do omento<sup><a href="#5">5</a></sup>.  </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O diagnóstico diferencial deverá ter em conta outras vasculites que atingem    o tracto gastrointestinal, como doença inflamatória intestinal, vasculites sistémicas    (lúpus eritematoso sistémico, doença de Behçet, síndrome de Churg-Strauss, doença    de Buerger, artrite reumatóide) assim como trombofilias herdadas ou adquiridas    e hemoglobinúria paroxistica nocturna, situações que foram afastadas no caso    relatado através da história clínica apurada e exames laboratoriais, que não    apontavam para nenhuma outra patologia secundária<sup><a href="#3">3</a></sup>.    Por exemplo, devemos interrogar-nos sobre a possibilidade deste diagnóstico    numa doença de Crohn que não responde ao tratamento médico convencional.</p>      <p>Tal como este doente, todos os casos já anteriormente descritos se mostraram    refractários à terapêutica conservadora, não existindo actualmente nenhum fármaco    que reverta as lesões, embora possam diminuir a sua progressão e evitar ressecções    mais extensas<sup><a href="#1">1</a>,<a href="#9">9</a><a name="top9"></a>,<a name="top10"></a><a href="#10">10</a></sup>.    Os sintomas persistentes obrigaram a exploração cirúrgica em todos os doentes,    com ressecção do segmento atingido. </p>      <p>Pouco se conhece acerca da história natural da doença, mas os casos relatados    na literatura, tal como este, evoluíram favoravelmente, sendo rara a recidiva    ou necessidade de reintervenção cirúrgica<sup><a href="#1">1</a>,<a name="top11"></a><a href="#11">11</a></sup>.    O único caso descrito na literatura com recidiva, que obrigou a reintervenção    cirúrgica após 15 meses, apresentava lesões de flebite microscópica nas margens    de ressecção da primeira peça operatória<sup><a href="#1">1</a>,<a href="#10">10</a></sup>.    Não se preconiza nenhum tipo de terapêutica profilática no pós-operatório, nomeadamente    corticosteróides, anticoagulantes, etc<sup><a name="top12"></a><a href="#12">12</a></sup>.</p>      <p><b>&nbsp;</b></p>      <p><b>CONCLUSÕES</b></p>      <p>A doença inflamatória venooclusiva mesentérica representa uma causa rara de isquemia intestinal, de etiologia desconhecida, afectando exclusivamente as veias mesentéricas e suas tributárias. Origina quadro clínico, endoscópico e imagiológico que pode simular outras patologias, nomeadamente neoplasias ou doença inflamatória intestinal. O tratamento cirúrgico é essencial, com ressecção segmentar do intestino atingido, sendo o diagnóstico definitivo apenas estabelecido com o estudo anatomopatológico da peça operatória. Uma vez estabelecido o diagnóstico é necessário vigilância dos doentes, apesar do prognóstico favorável e rara recorrência.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Bibliografia</b></p>      <p><a name="1"></a><a href="#top1">1</a>.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Bao P, Welch D, Washington    M, Herline A, et al. Resection of Mesenteric Inflammatory Veno-occlusive Disease    Causing Ischemic Colitis. J Gastrointest Surg 2005;9:812-817.</p>      <!-- ref --><p><a href="#top2">2</a>.&nbsp;<a name="2"></a>&nbsp;&nbsp; Rademaker J, Veno-occlusive    disease of the cólon – CT findings. Eur Radiol 1998;8:1420-1421.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000062&pid=S0872-8178201000010000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><a href="#top3">3</a>.&nbsp;<a name="3"></a>&nbsp;&nbsp; Canavan J, Coss A,    Leader M, Patchett S, et al. Acute Fulminant Colitis Caused by Idiopathic Mesenteric    Inflammatory Veno-Occlusive Disease. Case Rep Gastroenterol 2007;1:152-156.</p>      <p><a href="#top4">4</a>.&nbsp;<a name="4"></a>&nbsp;&nbsp; Lavu K, Minocha A.    Mesenteric Inflammatory Veno-occlusive Disorder: a rare entity mimicking inflammatory    bowel disorder. Gastroenterology 2003;125:236-239.</p>      <p><a href="#top5">5</a>.&nbsp;<a name="5"></a>&nbsp;&nbsp; Jennifer C, Forshaw    M, Thebe M, Stewart M, et al. Mesenteric inflammatory veno-occlusive Disease    as a Cause of Acute Abdomen: Report of five Cases. Surg Today 2005;35:961-964.</p>      <p><a href="#top6">6</a>.&nbsp;<a name="6"></a>&nbsp;&nbsp; Me&#351;in&#259; C,    Vasile I, Pa&#351;alega M, Calot&#259; F, Vâlcea ID, Me&#351;in&#259;-Botoran    MI., et al. Mesenteric inflammatory veno-occlusive diasease as a rare cause    of acute abdomen. Rom J Morphol Embryol 2007;48:83-86.</p>      <p><a href="#top7">7</a>.&nbsp;<a name="7"></a>&nbsp;&nbsp; Knauer M, Haid A,    Gruber-Mosenbacher U, Wenzl E. Me­7. senteric inflammatory veno-occlusive diasease    (MIVOD)-a rare cause of intestinal ischemia. Wien Klin Wochenscher 2005;117:610-614.</p>      <p><a href="#top8">8</a>.&nbsp;<a name="8"></a>&nbsp;&nbsp; Flaherty MJ, Lie JT,    Haggitt RC, et al. Mesenteric inflammatory veno-occlusive disease. A seldom    recognized cause of intestinal ischemia. Am J Surg Pathol 1994;18:779-784</p>      <p><a href="#top9">9</a>.&nbsp;<a name="9"></a>&nbsp;&nbsp; Frishman WH, Novak    S, Brandt Lj, Spiegel A, Gutwein A, Kohi M, et al. Pharmacologic management    of mesenteric occlusive disease. Cardiol Rev 2008;16:59-68.</p>      <p><a href="#top10">10</a><a name="10"></a>.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tempia-Caliera    AA, Renzulli P, Z’graggen K, Lehmann T, Ruchti C, Büchler MW, et al. Mesenteric    inflammatory veno-occlusive diasease: a rare cause of intestinal ischemia. The    first description of recurrent disease. Digestion 2002;66:262-264.</p>      <p><a href="#top11">11</a><a name="11"></a>.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Satge D, Jardel    P, Lavoine E, Goburdhun J, Fléjou J, et al. Fatal mesenteric ischemic accident    caused by mesenteric inflammatory veno-occlusive disease. Ann Pathol 1999;19:525-528.</p>      <p><a href="#top12">12</a><a name="12"></a>.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Lie JT. Mesenteric    inflammatory veno-occlusive disease (MIVOD): an emerging and unsuspected cause    of digestive tract ischemia. Vasa 1997;26:91-96.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><b><a name="0"></a><a href="#top0">Correspondência</a>:</b> Margarida Ferreira;    Serviço de Gastrenterologia Centro Hospitalar de Coimbra EPE; Quinta dos Vales,    São Martinho do Bispo, Coimbra; <b>Tel:</b> 936488695; <b>Mail:</b> <a href="mailto:magaidaferreira@gmail.com">magaidaferreira@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Recebido para publicação:</b> 22/07/2008 e <b>Aceite para publicação:</b>    11/02/2008</p>      ]]></body><back>
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