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</front><body><![CDATA[ <p><b>Lesões subepiteliais do cólon    e recto – valor da ecoendoscopia</b></p>     <p ><b>Colorectal Subepithelial Lesions – role of endosonography</b></p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><b>Eduardo Pereira</b></p>     <p >Assistente Graduado de Gastrenterologia do Hospital Amato Lusitano de Castelo    Branco. <b>E-mail</b>: <a href="mailto:edu.pereira@sapo.pt">edu.pereira@sapo.pt</a></p>     <P>&nbsp;</p>     <P>O abaulamento ou protuberância interna da parede do cólon e recto, habitualmente    coberta com mucosa de aspecto regular, constitui um achado frequentemente incidental    da colonoscopia ou qualquer outro método imagiológico. Para predizer a sua natureza    é, obviamente, necessário ter acesso a um método de investigação local de grande    proximidade e transparietal. Deverá permitir descrever os detalhes de uma parede    com apenas 4 mm de espessura média, naturalmente superada pelo exame histológico    mas com relativa equivalência e, ao mesmo tempo, com potencial de penetrar nas    estruturas adjacentes. Dado que a ecoendoscopia (EE) concentra essas capacidades    é, por isso, considerado o melhor procedimento de imagem para caracterizar a    presença de uma suposta compressão extrínseca ou de uma massa subepitelial.    A menor frequência destes achados no cólon e recto relativamente ao tubo digestivo    alto e os aspectos similares de algumas entidades patológicas, não deve justificar    o reduzido número de estudos e referências bibliográficas, valorizando a oportunidade    do trabalho agora publicado e motivo deste editorial. As características e particularidades    das compressões extrínsecas e das próprias lesões subepiteliais (LSE) do tubo    digestivo inferior, a par da especificidade da tecnologia aplicada, estão bem    evidentes nas diversas vertentes expressas com esta publicação. </p>     <P>As características anatómicas dos diferentes segmentos do cólon e recto e as    propriedades técnicas dos equipamentos e acessórios que permitem a realização    da ultrassonografia por via intraluminal exigem uma selecção específica dos    métodos e tecnologia a aplicar. Esta é a razão pela qual foi utilizado mais    do que um equipamento, quer o ecoendoscópio radial como a minisonda de ultrassonografia    endoscópica introduzida através dos canais de trabalho do colonoscópio<a name="top1"></a><sup><a href="#1">1</a></sup>.    No recto e cólon sigmóide pode ser usado o ecoendoscópio linear com a finalidade    de realizar uma punção aspirativa com agulha fina (PAAF), sendo de considerar    as dificuldades de progressão com um aparelho de visão endoscópica oblíqua e,    consequentemente, um risco acrescido de complicações. A necessidade de progressão    a montante pode ser possível com o recurso à aplicação de um fio-guia e <i>overtube</i>,    como descrito por <i>Sasaki</i><sup><a name="top2"></a><a href="#2">2</a></sup>.    Dirigido especificamente ao recto pode ser usada uma sonda ultrassonográfica    rígida radial ou linear, sem óptica de visão endoscópica, com potencial para    realização de punção aspirativa através de um modelo de sonda e acessórios adequados.    As minisondas com transdutores de elevada frequência são aplicáveis em qualquer    localização e, em particular, nos segmentos proximais do cólon. Embora não permitindo    a realização de PAAF têm acuidade para distinguir as lesões intramurais das    compressões extrínsecas, tal como a camada de origem e a sua sono-textura. </p>     <P>Relativamente à etiologia que está subjacente aos abaulamentos, são frequentes    as compressões extrínsecas, aparentando LSE, que representam 26% do total dos    doentes estudados nesta série. As protuberâncias da parede do recto são mais    frequentemente provocadas pela proximidade anatómica de um órgão adjacente como    o útero, próstata, vasos ou ansas intestinais. No entanto, diversas patologias    na periferia da parede intestinal podem provocar o mesmo efeito, como é o caso    da endometriose. Excluídas causas extrínsecas, importa valorizar o estudo das    lesões subepiteliais, destacando-se com maior importância o potencial de malignidade    de algumas massas de origem mesenquimatosa. Nesse contexto, a ecoendoscopia,    oferece a capacidade de detalhar minuciosamente as características predizentes    de malignidade através de particularidades da sono-morfologia e sono-textura,    não se prevendo, ainda, qual o potencial papel futuro da tecnologia tridimensional,    dos contrastes ultrassonográficos e da sono-elastografia neste tipo de lesões.    Como no caso deste trabalho, até lesões de poucos milímetros podem ser avaliadas    e classificadas, contribuindo, com acuidade aceitável, para o diagnóstico diferencial.    Mas, quando o que está em causa é a estratificação do risco de comportamento    agressivo, a EE sem intervenção pode ser insuficiente, devendo a habilidade    da ultrasonografia ser complementada pela colheita de material para citomorfologia    através da realização da PAAF, sendo cada vez mais necessário estudos imunohistoquímicos    e, por esse motivo, a colheita de material histológico pela técnica de <i>trucut</i>.    A distribuição global das LSE no cólon e recto é segmentar, quer em relação    à frequência, quer quanto à sua natureza. Esta tendência foi confirmada neste    trabalho, estando mais de 68% das LSE localizadas distalmente ao ângulo esplénico,    72% das quais no recto, sendo o lipoma a lesão com maior incidência e localização    preferencial no cólon direito. Entre os tumores mesenquimatosos, a entidade    mais frequente é o lipoma, tem origem na camada submucosa e é considerado como    tendo comportamento benigno, embora a sua excisão possa ser determinada pela    sintomatologia, como aconteceu na população estudada. Os tumores miogénicos    como os leiomiomas e os leiomiossarcomas ou os tumores do estroma gastrointestinal    (GIST), são hipoecogénicos e com origem na camada muscular própria (4ª camada),    menos frequentemente na camada muscular mucosa (2ª camada). Estes sempre mereceram    maior atenção devido ao risco de comportamento agressivo, nesta série agora    apresentada como noutros estudos, procurando identificar sinais ultrassonográficos    que pudessem significar aspectos predizentes de malignidade<sup><a name="top3"></a><a href="#3">3</a></sup>.    Os tumores do estroma, de cuja confirmação diagnóstica faz parte a imunorreactividade    para o antigénio CD117, podem ser malignos no momento da sua identificação,    dependendo o prognóstico do tamanho da lesão, índex mitótico, idade do doente    e localização do tumor.</p>     <P>Determinadas lesões mesenquimatosas podem necessitar, como no universo de doentes    estudados, de uma adequada intervenção diagnóstica por PAAF, o que demonstrou    ser determinante para as decisões clínicas apropriadas. Outras duas LSE que    também têm localização na camada muscular própria e que merecem ser referenciadas    são o <i>schwannoma</i>, um subtipo de GIST com origem em células neurais e    a endometriose rectosigmoideia, a localização mais frequente da sua componente    gastrointestinal. Esta tem vários estádios de penetração parietal, podendo envolver    as camadas serosa e muscular própria, sendo de ressaltar as suas características    sono-morfológicas e a possibilidade da realização de PAAF para o seu diagnóstico.    Outra LSE com origem na camada submucosa, largamente referida na literatura,    é uma lesão quística, por vezes septada, de natureza benigna, com origem em    vasos linfáticos anómalos e que é conhecida como linfangioma<a name="top4"></a><sup><a href="#4">4</a></sup>.    Os tumores carcinóides ocorrem, predominantemente, no intestino delgado, sendo    o recto a segunda localização mais frequente a par do apêndice ileocecal. Por    endosonografia correspondem a formações arredondadas, hipoecogénicas, bem demarcadas    e na dependência da camada mucosa profunda e submucosa, sendo a EE muito útil    ao seu planeamento terapêutico. Um conjunto de outras entidades subepiteliais    focais podem ser identificadas no cólon e recto, menos frequentemente, como    aconteceu neste trabalho, com percentagens inferiores a 3%, sendo o mucocelo    de apêndice, a colite cística profunda, o hemangioma cavernoso e o linfoma os    exemplos mais publicados<sup><a name="top5"></a><a href="#5">5</a></sup>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>A ecoendoscopia veio revolucionar a propedêutica    das lesões subepiteliais e passou a ser determinante    na estratificação dos grupos de risco, sendo potencialmente orientadora da conduta    terapêutica mais apropriada para cada doente. Aguarda-se por orientações mais    precisas e outros estudos que acrescentem conhecimento sobre a história natural    destas lesões.</p>     <P>&nbsp;</p>     <P>&nbsp;</p>     <P><b>Referências</b></p>     <P><a name="1"></a><a href="#top1">1</a>. Ping-Hong Zhou, Li-Qing Yao, Yun-Shi    Zhong, <i>at al</i>. Role of endoscopic miniprobe ultrasonography in diagnosis    of submucosal tumor of large intestine. World J Gastroenterol 2004;10:2444-2446.</p>     <P><a href="#top2">2</a>. <a name="2"></a>Sasaki Y, Niwa Y, Hirooka Y, <i>et al</i>.    The use of endoscopic ultrasound-guided fine-needle aspiration for investigation    of submucosal and extrinsic masses of the colon and rectum. Endoscopy 2005;37:154-160.</p>     <P><a href="#top3">3</a>. <a name="3"></a>Bruno M, Carucci P, Repici A, <i>et    al</i>. The natural history of gastrintestinal subepithelial tumors arising    from muscularis propria: an endoscopic ultrasound survey. J Clin Gastroenterol    2009;43:821-825.</p>     <P><a href="#top4">4</a>. <a name="4"></a>Bhutani M, Deutsch J. EUS pathology    with digital anatomy correlation. People`s Medical Publishing House-USA. Subepithelial    colorectal lesions 2010:380-385.</p>     <!-- ref --><P><a href="#top5">5</a>. <a name="5"></a>Lance U, Peter D. Evaluation of subepithelial    abnormalities of the appendix by endoscopic ultrasound. Diagnostic and Therapeutic    Endoscopy. Vol. 2009.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000021&pid=S0872-8178201000020000100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ]]></body><back>
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