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<journal-title><![CDATA[Jornal Português de Gastrenterologia ]]></journal-title>
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<institution><![CDATA[,Hospital Fernando Fonseca Serviço de Gastrenterologia ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The authors review the entity known as Whipple’s disease, describing its epidemiology and clinical presentation, discussing and updating recent advances relevant to its diagnostic and therapeutic management. Whipple’s disease is a rare, chronic bacterial illness, with multisystemic involvement, caused by a gram-positive bacillus, Tropheryma Whipplei, of the Actinobacterias family and Actinomycetes group. Due to its multiform presentation and rarity it is often misdiagnosed and warrants close follow-up to assess therapeutic response.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Doença de Whipple</b></p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>Luís Oliveira<sup>1</sup>, Ricardo Gorjão<sup>2</sup>, João Ramos de Deus<sup>3</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>Interno de Gastrenterologia – Hospital Fernando Fonseca; </p>     <p><sup>2</sup>Assistente Hospitalar Graduado de Gastrenterologia – Hospital Fernando    Fonseca; </p>     <p><sup>3</sup>Chefe de Serviço de Gastrenterologia – Hospital Fernando Fonseca;    Serviço de Gastrenterologia, Hospital Fernando Fonseca, Amadora</p>      <p><a name="top0"></a><a href="#0">Correspondência</a></p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>Resumo</b></p>      <p>Os autores procedem à revisão da entidade nosológica conhecida como Doença    de Whipple. Descrevem as características epidemiológicas, etiopatogénicas e    clínicas desta doença, referem e discutem os avanços no seu diagnóstico e terapêutica.    Trata-se de uma doença bacteriana rara, crónica, de carácter multissistémico,    provocada pelo bacilo gram-positivo, <i>Tropheryma</i><i> Whipplei</i>, da    família das Actinobacterias e do grupo Actinomycetes. Por ter uma apresentação    clínica variada e por se tratar de uma doença rara é muitas vezes diagnosticada    tardiamente. É necessário monitorizar a sua evolução clínica durante e após    a terapêutica.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palav</b>r<b>as-chave: </b>Doença de Whipple; Tropheryma Whippleii; Infecção.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Whipple’s disease</b></p>        <p><b>Abstract</b></p>     <p>The authors review the entity known as Whipple’s disease, describing its epidemiology    and clinical presentation, discussing and updating recent advances relevant    to its diagnostic and therapeutic management. Whipple’s disease is a rare, chronic    bacterial illness, with multisystemic involvement, caused by a gram-positive    bacillus, Tropheryma <i>Whipplei</i>, of the Actinobacterias family and Actinomycetes    group. Due to its multiform presentation and rarity it is often misdiagnosed    and warrants close follow-up to assess therapeutic response.</p>      <p><b>Keywords: </b>Whipple Disease; Tropheryma Whippleii; Infection.</p>       <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>INTRODUÇÃO</b></p>      <p><i>« George Hoyt Whipple, in 1907, recognized the first case of the disease that now bears his name. His patient was a 36 year-old doctor, who had gradual weigh loss, indefinite abdominal signs and polyarthritis. His stools consisted of neutral fat and fatty acids. The patient died in approximately five years from the appearance of the symptoms. On May 9, 1907 George Hoyt Whipple, then an instructor in Pathology at John Hopkins University performed an autopsy on this patient who had been domiciled at Constantinople (Turkey). The findings at autopsy consisted of polyserositis, aortic valve lesion and deposition of fat within intestinal mucosa and mesenteric lymph nodes with marked infiltration by foamy macrophages. Furthermore Whipple reported the presence of rod-like bacilli approximately 2&#956;m long in the lamina propria of the intestine but he didn’t consider that to be the etiology of the disease. Using special stains he noticed the presence of fatty acids but he didn’t manage to detect any neutral fat and so he made the mistake of considering this disease to be caused by an abnormality of fat metabolism. Hence he named this disease intestinal lipodystrophy. »</i></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>Em 1907, George Hoyt Whipple (1878-1976), jovem patologista em início de carreira,    publicou o seu segundo artigo científico relatando os resultados da autópsia    que realizara a um doente de 36 anos, vítima de uma doença nunca antes reconhecida    que evoluíra ao longo de 5 anos, provocando febre, emagrecimento, diarreia,    tosse e artrite<sup><a name="top1"></a><a href="#1">1</a></sup>. Whipple visualizou    deposição de lípidos e julgou que se tratava de uma patologia do metabolismo    lipídico, pelo que escolheu o termo descritivo lipodistrofia intestinal para    a nomear<sup><a href="#1">1</a></sup>.</p>      <p>Foram descritos poucos casos ao longo de várias décadas pois o diagnóstico    só podia ser confirmado por autópsia. O primeiro diagnóstico antemortem foi    realizado em 1947, por observação de nódulos linfáticos do mesentério retirados    por laparotomia<sup><a name="top2"></a><a href="#2">2</a></sup> e o primeiro    diagnóstico por biópsia peroral do intestino ocorreu apenas em 1958<a name="top3"></a><sup><a href="#3">3</a></sup>.  </p>      <p>Em 1949 uma nova técnica de coloração histoquímica, introduzida por Black-Schafer,    foi aplicada a vários tecidos (intestino delgado, nódulos linfáticos, pulmões…)    extraídos de um doente com lipodistrofia intestinal<sup><a name="top4"></a><a href="#4">4</a></sup>.    A reacção positiva ao reagente Periodic Acid-Schiff (PAS) revelou que os depósitos    no citoplasma dos macrófagos, descritos por Whipple, não continham lípidos mas    material glicoproteíco. Em 1960, por meio da microscopia electrónica, foi possível    identificar bactérias no citoplasma dos macrófagos<sup><a name="top5"></a><a href="#5">5</a>,<a name="top6"></a><a href="#6">6</a></sup>.    Foi, assim, estabelecida a natureza infecciosa da doença, permitindo um avanço    significativo no seu tratamento com o recurso a antibióticos<sup><a name="top7"></a><a href="#7">7</a></sup>.</p>      <p>Entre 1963 e 1970 ficou claro, através dos resultados das autópsias e da observação    clínica, que a infecção não se confinava ao intestino mas que, frequentemente,    envolvia outros órgãos, podendo afectar o aparelho osteo-articular, o sistema    nervoso central e o sistema cardiovascular, causando uma doença multissistémica<a name="top8"></a><sup><a href="#8">8</a>,<a name="top9"></a><a href="#9">9</a></sup>.  </p>      <p>Só em 1991-2, foi possível caracterizar o microorganismo através de análise    por PCR da sequência genética 16S-23S ribossoma DNA (rDNA). O bacilo foi classificado    no grupo dos Actinomycetes e denominado Tropheryma Whipplei<sup><a name="top10"></a><a href="#10">10</a>,<a name="top11"></a><a href="#11">11</a></sup>.</p>      <p>Em 1999 Raoult <i>et al</i>, utilizando técnicas laboratoriais especiais, conseguiram    cultivar a bactéria pela primeira vez recorrendo a linhas celulares originárias    de fibroblastos humanos<sup><a href="#10">10</a>,<a name="top12"></a><a href="#12">12</a><a name="top13"></a>,<a href="#13">13</a><a name="top92"></a>,<a href="#92">92</a></sup>.</p>      <p>Em 2003 é completada a sequência e a análise do genoma bacteriano<sup><a name="top14"></a><a href="#14">14</a>,<a href="#10">10</a></sup>,    condensado em 925.938 pares de bases, sem possibilidade de organizar vias biossintéticas    fundamentais e com reduzida capacidade de metabolismo energético, demonstrando    tratar-se de um organismo com restrita autonomia, embora capaz de sobreviver    e de se multiplicar fora das células hospedeiras. De facto, o conhecimento do    genoma veio possibilitar o cultivo da bactéria in vitro sem recurso a células    hospedeiras<sup><a name="top91"></a><a href="#91">91</a></sup>.</p>      <p>Actualmente esta infecção crónica, de carácter multi-sistémico e recidivante<sup><a href="#2">2</a>,<a href="#3">3</a>,<a href="#8">8</a>,<a href="#9">9</a></sup>    causada pelo bacilo gram positivo diástase-resistente Tropheryma Whipplei, relacionado    filogeneticamente com o Mycobacetrium avium<sup><a href="#10">10</a>,<a href="#11">11</a>,<a name="top15"></a><a href="#15">15</a>,<a name="top16"></a><a href="#16">16</a></sup>    é designada por Doença de Whipple (DW) em honra do patologista que a descreveu    originalmente com notável clareza, objectividade e detalhe. </p>      <p><b>&nbsp;</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Epidemiologia</b></p>      <p>Desconhecemos o habitat natural do <i>Trophryma Whipplei</i>. A sua relação    filogenética com bactérias presentes no ambiente e o facto de ter sido detectada    no solo (o que poderia explicar uma maior prevalência entre os agricultores<sup><a name="top17"></a><a href="#17">17</a></sup>)    e em águas de esgoto parecem sugerir uma fonte ambiental<sup><a href="#7">7</a>,<a name="top18"></a><a href="#18">18</a>,<a name="top19"></a><a href="#19">19</a>,<a name="top20"></a><a href="#20">20</a><a name="top21"></a>,<a href="#21">21</a></sup>.    Por outro lado existem evidências de que esta bactéria possa pertencer à flora    comensal humana: estudos de PCR permitiram detectar a presença do <i>Tropheryma    Whiplei </i>em amostras de saliva, suco gástrico e em biópsias duodenais de    indivíduos sem a doença<sup><a href="#20">20</a>,<a href="#21">21</a>,<a name="top23"></a><a href="#23">23</a>,<a name="top24"></a><a href="#24">24</a></sup>.    No entanto, à luz dos conhecimentos actuais, esta controvérsia permanece por    resolver aguardando-se que novos estudos possam vir a esclarecer esta dúvida<sup><a name="top22"></a><a href="#22">22</a></sup>.  </p>      <p>A DW é uma doença rara<sup><a href="#17">17-25</a> </sup>mas a verdadeira incidência    da doença ainda não é conhecida. Alguns estudos<sup><a href="#7">7</a></sup>    sugerem a ocorrência, em todo o mundo, de aproximadamente 12 novos casos/ano,    porém este número representa seguramente uma subestimativa do total de casos.    De facto, após a introdução de novos métodos de diagnóstico, nomeadamente a    análise de PCR28, verificou-se um aumento do número de casos descritos e publicados.    Cerca de 80% dos indivíduos afectados são do sexo masculino<sup><a name="top26"></a><a href="#26">26</a></sup>,    na sua maioria de raça caucasiana, residentes na Europa e América do Norte<sup><a href="#7">7</a></sup>.    A idade média na altura do diagnóstico é de 49 anos, mas a doença pode surgir    em qualquer faixa etária (na literatura estão descritos doentes com idades compreendidas    entre os 3 meses e os 83 anos)<sup><a name="top25"></a><a href="#25">25-27</a></sup>.    Estudos realizados em populações da Europa e da América do Norte identificaram    uma maior prevalência da doença nas zonas rurais (de modo particular entre os    agricultores) e revelaram que cerca de 26% dos doentes apresentava, numa proporção    3 a 4 vezes superior ao esperado, o antigénio de histocompatibilidade da classe    I HLA B27<sup><a href="#7">7</a>,<a href="#20">20</a>,<a name="top29"></a><a href="#29">29-31</a></sup>.    Contudo esta última associação não foi encontrada noutras populações estudadas    (italiana<sup><a name="top32"></a><a href="#32">32</a></sup>, argentina<sup><a name="top30"></a><a href="#30">30</a></sup>).    Apesar de não existir um padrão de transmissão familiar na DW, foram descritos    alguns casos em familiares de doentes portadores de DW<sup><a href="#5">5</a>,<a href="#20">20</a>,<a href="#21">21</a>,<a href="#29">29</a>,<a href="#30">30-33</a></sup>,    sendo no entanto necessários mais estudos para esclarecer se existem ou não    alterações genéticas susceptíveis de predispor para este tipo de infecção.</p>      <p><b>&nbsp;</b></p>      <p><b>Etiopatogenia</b></p>      <p>A etiologia da DW permaneceu desconhecida até há bem pouco tempo, embora houvesse    fortes suspeitas de ter origem bacteriana<sup><a href="#1">1</a>,<a href="#17">17</a>,<a href="#25">25</a></sup>.    Em 1960 a microscopia electrónica (Fig.1) permitiu detectar estruturas baciliformes    trilaminares, presentes na mucosa e nos macrófagos do intestino, que correspondiam    às estruturas PAS positivo observadas na microscopia óptica<sup><a href="#5">5</a>,<a href="#6">6</a>,<a name="top34"></a><a href="#34">34-36</a></sup>    (Fig.2). Em 1991 foi possível sequenciar uma fracção do genoma, 16S-23D rDNA,    e identificar o organismo como sendo um actinomiceto gram positivo diastase-resistente,    inicialmente designado <i>T. Whipeli</i>, e, posteriormente, <i>T. Whipplei</i>,    medindo aproximadamente 0,2-2,5 &#956;m de diâmetro e 2,5 &#956;m de comprimento<sup><a href="#15">15</a>,<a name="top35"></a><a href="#35">35</a>,<a name="top37"></a><a href="#37">37</a></sup>,    cuja presença nos tecidos foi possível visualizar com o desenvolvimento das    técnicas de biologia molecular de hibridação e fluorescência <i>in situ</i>.</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><img src="/img/revistas/ge/v17n2/17n2a05f1.jpg"></p>     
<p>Fig. 1. Microscopia Electr&oacute;nica. Fonte: Von Herbay A. Whipple`s Disease    Online (<a href="http://www.whipplesdisease.net" target="_blank">www.whipplesdisease.net</a>)  </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <img src="/img/revistas/ge/v17n2/17n2a05f2.jpg"> </p>     
<p>Fig. 2. Microscopia &oacute;ptica. Fonte: Von Herbay A. Whipple's Disease Online    (<a href="http://www.whipplesdisease.net" target="_blank">www.whipplesdisease.net</a>)  </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Continuamos, porém, a desconhecer os pormenores da fisiopatologia da doença.    Vários investigadores<a name="top38"></a><sup><a href="#38">38</a></sup> indicam    como provável uma susceptibilidade individual ao organismo, ou seja, parece    haver um defeito na imunidade celular, envolvendo a activação e interacção dos    macrófagos com os linfócitos T, que resultaria na deficiente fagocitose e degradação    intracelular do bacilo, permitindo a sua disseminação a partir do aparelho gastrointestinal.    De facto, estes doentes apresentam macrófagos com incapacidade de degradar o    microorganismo a nível intracelular<a name="top39"></a><sup><a href="#39">39</a></sup>    bem como uma resposta deficiente de hipersensibilidade cutânea retardada<a name="top40"></a><sup><a href="#40">40-42</a></sup>.    Esta alteração dos macrófagos resulta da existência de um défice da expressão    de proteínas membranares do receptor 3 alfa da cadeia do complemento (CD11b),    um dos responsáveis pela fagocitose intracelular<sup><a name="top42"></a><a href="#42">42</a></sup>.    Nestes doentes existe também um defeito intrínseco na produção de IL-12, o que    induz uma menor produção de INF-G e, consequentemente, uma diminuição de produção    de imunoglobulinas G2 e da capacidade de fagocitose intracelular dos macrófagos    intestinais<sup><a href="#12">12</a>,<a href="#40">40</a>,<a href="#42">42</a></sup>.    Assim, parece que a alta concentração de bactérias viáveis na mucosa intestinal    está relacionada com o defeito de imunidade celular, caracterizada pela deficiência    de resposta Tr 1 e da presença reduzida de linfócitos CD4+ na lâmina própria.    Este facto sugere que a mucosa intestinal seja a porta de entrada do bacilo<sup><a name="top43"></a><a href="#43">43</a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Manifestações clínicas</b></p>      <p>A DW é uma doença sistémica com manifestações clínicas variadas<sup><a href="#7">7-9</a></sup>    mas que atinge de modo particular o intestino delgado<sup><a href="#7">7</a></sup>.    A forma mais comum de apresentação é uma síndrome de má absorção com diarreia    e perda ponderal, podendo originar, se não for tratada, estados de caquexia<sup><a href="#26">26</a></sup>.    A diarreia é, frequentemente, do tipo esteatorreia com fezes volumosas. As manifestações    clínicas mais frequentemente associadas à diarreia são a dor abdominal, a febre    e linfadenopatias periféricas e abdominais (mesentéricas e retroperitoniais)<sup><a href="#8">8</a>,<a href="#9">9</a>,<a href="#26">26</a>,<a name="top27"></a><a href="#27">27</a>,<a name="top44"></a><a href="#44">44</a>,<a name="top44a"></a><a href="#44a">44a</a></sup>.    Em casos raros podem surgir linfomas malignos nos doentes com DW<a name="top45"></a><sup><a href="#45">45-47</a></sup>.    As queixas osteo-articulares surgem em cerca de 90% dos doentes, sendo predominantemente    oligo ou poliartralgias simétricas, migratórias e de curta duração; geralmente    precedem o diagnóstico em cerca de 10 anos (nalguns casos em mais de 30 anos)<sup><a href="#20">20-22</a>,<a href="#26">26</a>,<a href="#27">27</a>,<a href="#29">29-31</a>,<a name="top48"></a><a href="#48">48</a>,<a name="top49"></a><a href="#49">49</a></sup>.    Em 45% dos doentes com DW, o Sistema Nervoso Central (SNC) é também atingido    pela infecção<sup><a href="#25">25</a>,<a href="#26">26</a>,<a name="top50"></a><a href="#50">50</a></sup>.    O SNC é afectado de forma isolada em apenas 5% dos doentes<sup><a href="#25">25</a></sup>.    Em aproximadamente 15 a 20% dos doentes as queixas gastrintestinais são frustres    e a DW pode manifestar-se simplesmente através das alterações neurológicas<sup><a href="#26">26</a>,<a name="top51"></a><a href="#51">51</a></sup>.    As alterações neurológicas mais frequentes da DW são distúrbios cognitivos,    e dos movimentos oculares, alterações do movimento (mioclonias) e alterações    hipotalâmicas<sup><a href="#44">44</a>,<a href="#45">45</a></sup>. Esta doença    ainda se pode manifestar sob a forma de convulsões, alterações neurológicas    focais e alterações da linguagem (disfasia)<sup><a href="#44">44</a>,<a href="#44a">44a</a>,<a href="#45">45</a>,<a href="#50">50</a>,<a name="top52"></a><a href="#52">52</a></sup>.    As manifestações cardíacas são sobretudo endocardites, miocardites e pericardites<sup><a href="#11">11</a></sup>,    sendo a válvula mitral a mais frequentemente atingida pela infecção<a name="top53"></a><sup><a href="#53">53</a></sup>.    Outras manifestações raras da DW são: hiperpigmentação da pele<sup><a href="#26">26</a>,<a href="#27">27</a>,<a href="#44">44</a>,<a href="#44a">44a</a>    </sup>uveíte, vitreíte, neurite, rectobulbar e papiledema<sup><a href="#7">7</a>,<a href="#23">23</a></sup>.  </p>      <p><b>&nbsp;</b></p>      <p><b>Diagnóstico</b></p>      <p>Em caso de suspeita de DW o procedimento imediato para diagnóstico é a endoscopia    digestiva alta<sup><a href="#26">26</a>,<a href="#27">27</a>,<a href="#44">44</a>,<a href="#44a">44a</a></sup>.    Os achados endoscópicos mais frequentes são o espessamento das pregas da mucosa,    com exsudados esbranquiçados confluentes alternando com erosões e áreas de friabilidade    da mucosa<sup><a href="#21">21</a>,<a name="top54"></a><a href="#54">54</a></sup>    (Fig.3). Deve-se proceder à colheita para análise histológica de pelo menos    cinco biópsias ao longo da mucosa duodenal proximal e distal e do jejuno proximal<sup><a name="top55"></a><a href="#55">55</a></sup>.    O padrão histológico clássico da doença caracteriza-se pela presença, na lâmina    própria, de infiltrados de macrófagos de citoplasma granular com inclusões PAS    positivas e diastase resistentes (que correspondem a restos mais ou menos intactos    de bactérias fagocitadas), podendo também observar-se dilatação linfática. Contudo,    a presença de macrófagos com material PAS positivo não é patognomónico desta    doença, podendo ocorrer em casos de infecção por <i>Mycobacterium avium-intracellulare,    Rhodococcus equi, Bacillus cereus, Corinebacterium</i>, Histoplasma ou por outros    fungos. Consoante as manifestações clínicas da doença poderão ser recolhidas    outras amostras para estudo, nomeadamente, do tecido valvular cardíaco, de nódulos    linfáticos, do tecido sinovial ou do líquor<sup><a href="#38">38</a></sup>.  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>  <img src="/img/revistas/ge/v17n2/17n2a05f3.jpg">     
<p>Fig. 3 – Mucosa duodenal. Espessamento das pregas da mucosa com presença de    exsudados esbranquiçados confluentes, erosões e áreas de friabilidade da mucosa.    Fonte: Luís Oliveira (Serviço de Gastrenterologia do Hospital Fernando Fonseca)</p>     <p>&nbsp;</p>      <p>A coloração Ziehl-Neelsen é útil para proceder ao diagnóstico diferencial com    as infecções provocadas por bacilos álcool-ácido resistentes<sup><a name="top56"></a><a href="#56">56-58</a></sup>.  </p>      <p>O facto das biópsias intestinais serem negativas não invalida o diagnóstico,    pois a doença pode estar confinada à submucosa. Além disso as biópsias podem    ser normais em algumas fases da evolução da doença, de modo particular, nas    situações de doença inicial ou após antibioterapia<sup><a name="top59"></a><a href="#59">59-61</a></sup>.</p>      <p>A microscopia electrónica contribuiu de modo decisivo, a partir de 1961, para    a detecção do bacilo. Apesar da microscopia electrónica ser considerada o exame    “gold-standard” para obter a confirmação do diagnóstico, a PCR é geralmente    utilizada com esse objectivo<a name="top62"></a><sup><a href="#62">62</a><a name="top63"></a>,<a href="#63">63</a></sup>,    pois a microscopia electrónica é um método mais dispendioso e exigente uma vez    que implica procedimentos laboratoriais complexos, nem sempre acessíveis. Por    essa razão só se recorre à microscopia electrónica para esclarecer os casos    em que a PCR e/ou a histologia são duvidosas<sup><a name="top28"></a><a href="#28">28</a></sup>    (Quadro 1).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Quadro 1 - M&eacute;todos de Diagn&oacute;stico da doen&ccedil;a de Whipple</p>     <p><img src="/img/revistas/ge/v17n2/17n2a05q1.jpg"> </p>      
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A imunohistoquímica é outra ferramenta que pode contribuir para o diagnóstico.    Apresenta boa sensibilidade diagnóstica e permite, com o recurso a anticorpos,    detectar o bacilo em macrófagos circulantes no sangue periférico<sup><a href="#13">13</a>,<a name="top60"></a><a href="#60">60</a>,<a name="top61"></a><a href="#61">61</a>,<a href="#64">64</a><a name="top64"></a><a name="top65"></a>,<a href="#65">65</a></sup>.  </p>      <p>As bactérias activas podem ser detectadas em biópsias do intestino delgado através da técnica FISH (<i>Fluorescence in situ hybridization and laser scanning microscopy</i>) capaz de determinar a localização do rRNA que indica a presença de bactérias metabolicamente activas.</p>      <p>O estudo serológico é, por enquanto, considerado como um método com baixa sensibilidade    e especificidade para ser útil ao diagnóstico<sup><a href="#38">38</a></sup>.    A presença de anticorpos IgM num título de pelo menos 1:50 está significativamente    associada à DW. Os anticorpos IgG embora sejam detectados mais frequentemente    em doentes com DW, também podem estar presentes em títulos superiores a 1:100    em indivíduos sem a doença. No entanto este método produz reacções cruzadas    com outros microorganismos, pelo que novos estudos terão de ser realizados antes    que seja utilizado no diagnóstico<sup><a href="#12">12</a>,<a name="top66"></a><a href="#66">66</a></sup>.  </p>      <p>A cultura da bactéria é um método de diagnóstico utilizado, na prática, apenas    em protocolos de investigação, podendo ser realizada nos fibroblastos humanos    (MRC5) e nos monócitos de sangue periférico<sup><a href="#15">15</a><a name="top67"></a>,<a href="#67">67</a></sup>.</p>      <p>A PCR dirigida a sequências do genoma da bactéria presentes em tecidos e em    fluidos orgânicos é um método de diagnóstico com elevada sensibilidade e especificidade<sup><a name="top68"></a><a href="#68">68</a></sup>,    utilizado nas situações atípicas e/ou quando o diagnóstico não é confirmado    pela histologia<sup><a href="#10">10</a>,<a href="#17">17</a>,<a href="#24">24</a>,<a href="#68">68</a></sup>.    Este método permite a identificação do bacilo a partir de amostras do coração<a name="top69"></a><a href="#69"><sup>69</sup></a>,    vítreo<sup><a href="#64">64</a></sup>, células do sangue periférico<sup><a name="top70"></a><a href="#70">70</a>,<a name="top71"></a><a href="#71">71</a></sup>,    pulmão<sup><a name="top72"></a><a href="#72">72</a>,<a name="top90"></a><a href="#90">90</a></sup>    e líquor<sup><a name="top73"></a><a href="#73">73</a></sup>. Existem vários    segmentos do genoma – baseados no 16S rRNA, 23S rRNA ou RpoB do bacilo – que    podem ser usados para confirmar a presença da bactéria através da PCR74. Actualmente    existem análises quantitativas com PCR em tempo real, para segmentos de ADN    RpoB, com cut-off baseado no número de cópias de ADN do bacilo (102 a 105 cópias    de ADN nos indivíduos infectados e nenhuma nos indivíduos saudáveis), de modo    a evitar falsos positivos<sup><a href="#38">38</a></sup>. No entanto, para evitar    falsos positivos por contaminação, alguns autores<sup><a name="top58"></a><a href="#58">58</a></sup>,    recomendam a análise em mais do que um tecido orgânico e a utilização de dois    conjuntos de “primers”, bem caracterizados, obtidos a partir de dois genes diferentes    do bacilo<sup><a href="#38">38</a></sup>.</p>      <p>Na DW, os achados laboratoriais são inespecíficos, sendo frequente encontrar    anemia hipocrómica microcítica, linfocitopenia, trombocitose, eosinofilia, VS    elevada, aumento das proteínas da fase aguda (nomeadamente PCR), hipoalbuminémia,    carência de ferro, alterações das provas hepáticas e hidro-electrolíticas<sup><a href="#7">7</a>,<a href="#27">27</a>,<a href="#28">28</a>,<a href="#38">38</a></sup>.    Nos doentes com esteatorreia, verifica-se diminuição da absorção da xilose,    dos carotenos e do colesterol<sup><a href="#27">27</a>,<a href="#38">38</a></sup>,    sendo estas alterações resultantes da síndroma de má absorção intestinal ou    da enteropatia perdedora de proteínas<sup><a href="#38">38</a></sup>. As alterações    do líquor são geralmente inespecíficas, podendo ser normal ou apresentar pleocitose    e aumento das proteínas. No sobrenadante da centrifugação do líquor podem ser    encontradas células com material PAS positivo<a name="top75"></a><sup><a href="#75">75</a></sup>.  </p>      <p>Os exames imagiológicos, nomeadamente o RX contrastado do intestino delgado,    podem mostrar alterações inespecíficas da morfologia do intestino (espessamento    das pregas do duodeno e do jejuno), comuns nas síndromes de má absorção<sup><a href="#7">7</a>,<a href="#27">27</a></sup>.    Na Ecografia Abdominal e na Tomografia Computorizada Abdominal, observa-se,    geralmente, aumento dos nódulos linfáticos do mesentério<sup><a name="top76"></a><a href="#76">76</a></sup>.    A Tomografia Computorizada e a Ressonância Magnética cerebrais poderão ser normais    ou revelar alterações inespecíficas, como um padrão de atrofia cerebral, lesões    ocupando espaço com captação de contraste, lesões da substância branca ou hidrocefalia<sup><a href="#26">26</a>,<a href="#51">51</a>,<a name="top77"></a><a href="#77">77</a></sup>.    Contudo a Ressonância Magnética é superior em relação à Tomografia Computorizada,    uma vez que consegue detectar lesões de menores dimensões<sup><a href="#77">77</a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Diagnóstico diferencial</b></p>      <p>A maioria dos sintomas não é específica da doença de Whipple. Com base na clínica e nas características endoscópicas e imagiológicas da DW poderemos afirmar que o espectro de diagnóstico diferencial desta doença é vasto.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A presença de células com material PAS positivo pode, raramente, ser causada    por outra infecção intestinal, macroglobulinémia, xantelasmas intestinais ou    pseudomelanose duodenal. A doença inflamatória intestinal e a maior parte das    vasculites com atingimento gastrointestinal, podem mimetizar a DW, cursando    com perturbações da função intestinal e da integridade da mucosa, e deverão    ser consideradas no diagnóstico diferencial. A presença de granulomas tipo sarcoidose    é rara na DW, podendo no entanto surgir, nas biópsias do estômago<sup><a name="top89"></a><a href="#89">89</a></sup>,    intestino delgado<a name="top87"></a><sup><a href="#87">87</a>,<a name="top88"></a><a href="#88">88</a></sup>,    fígado e nódulos linfáticos impondo nestes casos um diagnóstico diferencial    com sarcoidose. Em situações raras, a DW pode estar igualmente associada a linfomas    malignos metacrónicos ou síncronos<sup><a href="#45">45-47</a></sup>.</p>      <p>Considerando o amplo leque de diagnósticos diferenciais, convém despistar a    DW nos doentes com patologia gastrointestinal, dado que é uma doença potencialmente    tratável e que do atraso no seu diagnóstico podem resultar alterações neurológicas    irreversíveis<sup><a href="#38">38</a></sup>. </p>     <p>&nbsp;</p>        <p><b>Tratamento</b></p>      <p>A DW não tratada pode ser fatal<sup><a href="#38">38</a></sup>. Com antibioterapia    os doentes geralmente evoluem com melhoria clínica e laboratorial<sup><a href="#25">25</a></sup>.    Devido à relativa falta de experiência no tratamento da doença e dada a inexistência    de trabalhos prospectivos sobre o tipo e a duração do esquema terapêutico, não    existe actualmente um consenso quanto aos antibióticos a utilizar<sup><a href="#38">38</a></sup>.    Sabemos que as recidivas da DW podem ocorrer vários anos após a suspensão da    antibioterapia (mesmo que o tratamento inicial tenha sido eficaz<a name="top78"></a><sup><a href="#78">78</a></sup>),    surgindo com maior frequência nos doentes com envolvimento do SNC<sup><a name="top79"></a><a href="#79">79</a></sup>    e nos doentes tratados com um único tipo de antibiótico ou com um antibiótico    que não ultrapasse a barreira hematocefálica (BH), como é o caso das penicilinas    orais e das tetraciclinas<sup><a href="#38">38</a></sup>. Vários autores recomendam    a utilização, pelo menos durante um ano, de antibióticos que ultrapassem a BH    uma vez que o SNC é frequentemente atingido e está envolvido com maior frequência    nas recidivas de DW<sup><a href="#73">73</a>,<a href="#79">79</a></sup>. Têm    sido utilizados empiricamente vários esquemas terapêuticos que incluíram penicilinas    orais associadas a estreptomicinas, tetraciclinas, cloranfenicol, macrólidos    e cefalosporinas da terceira geração<sup><a href="#38">38</a></sup>. Actualmente    o esquema mais utilizado como primeira escolha terapêutica<sup><a href="#38">38</a>,<a name="top80"></a><a href="#80">80</a>,<a name="top81"></a><a href="#81">81</a></sup>    é o cotrimoxazol 160/800 mg per os, duas vezes por dia, durante um ano, em detrimento    de outros esquemas terapêuticos que utilizavam a tetraciclina, pois este antibiótico    não ultrapassa a BH<sup><a name="top57"></a><a href="#57">57</a>,<a href="#58">58</a></sup>    (Quadro 2).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Quadro 2 - Esquemas terap&ecirc;uticos da doen&ccedil;a de Whipple</p>       <p><img src="/img/revistas/ge/v17n2/17n2a05q2.jpg"> </p>     
<p>&nbsp; </p>     <p>O tratamento oral<sup><a href="#80">80</a>,<a href="#81">81</a></sup>, particularmente    nos doentes mais graves ou com envolvimento do SNC, deve ser precedido de tratamento    endovenoso com ceftriaxone 2 gr por dia, durante 15 dias ou com outro antibiótico    que ultrapasse a BH. As fluorquinolonas não são consideradas boas escolhas terapêuticas    porque, segundo estudos recentes<a name="top82"></a><sup><a href="#82">82</a></sup>,    o T. Whipplei possui resistências naturais a esta classe de antibióticos. Na    literatura actual são referidos, no entanto, outros esquemas (Quadro 2) usando,    por exemplo, penicilina benzatínica 6-24 MU/ev/id juntamente com estreptomicina    1gr/im/id durante 15 dias, seguido de cotrimoxazol 160/800 mg/po/2 bid ou cefalosporina    de terceira geração per os<sup><a href="#79">79</a></sup>. Nos casos de recidiva    em doentes tratados com cotrimoxazol<sup><a href="#80">80</a></sup> ou intolerantes    a este fármaco<sup><a href="#38">38</a></sup> pode utilizar-se a cefixime (400    mg/po/2 bid) durante um ano. O cloranfenicol (500 mg/po/qid) também poderá ser    utilizado no tratamento da DW, mas como alternativa, já que apresenta efeitos    secundários graves<sup><a href="#25">25</a></sup>. O interferão-y foi apenas    utilizado experimentalmente<sup><a name="top83"></a><a href="#83">83</a></sup>,    e em conjunto com a antibioterapia, em doentes refractários aos antibióticos,    resultando em alguns casos na erradicação da bactéria do aparelho gastrintestinal    e do SNC.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><b>Prognóstico</b></p>      <p>O prognóstico da doença é bom se esta for atempadamente tratada. Apesar de,    na maioria dos doentes, se verificar uma boa resposta à antibioterapia é difícil    reverter as alterações neurológicas e, em muitos casos, a deterioração neurológica,    quando presente, mantém-se apesar do tratamento instituído<sup><a href="#38">38</a></sup>.    Observa-se, contudo, melhor resposta à antibioterapia nos doentes com alterações    mentais e oftalmológicas do que nos doentes que apresentam alterações estruturais,    como enfartes e alterações atróficas<sup><a href="#25">25</a></sup>.</p>      <p>Vários autores aconselham a monitorização dos doentes com biópsias duodenais,    aos 6 e 12 meses de tratamento<sup><a href="#84">84</a></sup><a name="top84"></a>,    nos casos em que se regista evolução clínica favorável, podendo suspender-se    a terapêutica se não se identificar material PAS positivo nas biópsias<sup><a href="#38">38</a></sup>.    No entanto, existem estudos que sugerem períodos de controlo mais longos<sup><a href="#20">20</a>,<a href="#21">21</a>,<a href="#49">49</a></sup>.    Outros autores recomendam a utilização da PCR, em vez da histologia, para monitorizar    a doença durante e após o tratamento<sup><a href="#20">20</a>,<a href="#22">22</a>,<a href="#63">63</a></sup>    ou para decidir a suspensão do mesmo uma vez que, se a monitorização for apenas    histológica, um terço dos doentes pode recidivar e não ser detectado, pois as    alterações histológicas nem sempre reflectem as alterações clínicas e laboratoriais<sup><a href="#49">49</a></sup>.    É sabido que a presença na lâmina própria de macrófagos PAS positivos pode manter-se    vários anos após a remissão clínica (correspondente a material bacteriano degradado),    pelo que a positividade da PAS após o tratamento pode corresponder a um falso    positivo e não a recidiva ou a manutenção da doença<sup><a href="#22">22</a>,<a href="#49">49</a></sup>.    Uma PCR negativa exclui a recidiva da doença (valor preditivo negativo de 100%),    sendo útil no caso de permanecerem alterações histológicas após o tratamento<sup><a href="#20">20</a>,<a href="#22">22</a>,<a href="#49">49</a></sup>.    Porém, a visualização de bacilos intactos por microscopia electrónica confirma    doença activa<sup><a href="#49">49</a>,<a href="#63">63</a></sup>. Nos casos    com manifestações neurológicas só se deve suspender a antibioterapia quando    a PCR no líquor (LCR) e no duodeno for negativa<sup><a href="#12">12</a></sup>.    As recidivas da DW são frequentes e podem ocorrer vários anos após o diagnóstico    (média 4,2 anos), sendo o SNC um dos locais preferenciais. O seguimento clínico    deve, por isso, ser mantido, pelo menos, durante 10 anos pois é elevado o risco    de recidivas tardias<sup><a href="#20">20</a>,<a href="#21">21</a>,<a href="#29">29-31</a>,<a name="top33"></a><a href="#33">33</a>,<a name="top85"></a><a href="#85">85</a></sup>.</p>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>CONCLUSÃO</b></p>      <p>Foi difícil identificar a bactéria que causa a DW e ainda desconhecemos a maior parte dos seus mecanismos adaptativos, das vias metabólicas que usa e dos produtos biossintéticos relevantes para a sua virulência. Contudo a identificação dos factores de risco da doença, o desenvolvimento de novos métodos de diagnóstico – com recurso a técnicas serológicas, histoquímicas, de imunofluorescência e genéticas – vieram facilitar o diagnóstico atempado desta infecção, mesmo nos casos em que a apresentação clínica é atípica. </p>      <p>O desenvolvimento molecular para testar a susceptibilidade aos antibióticos irá, no futuro, ajudar a definir qual a melhor estratégia de tratamento da doença de Whipple.</p>      <p>Por ter uma apresentação clínica variada e por se tratar de uma doença rara,    nem sempre é diagnosticada, com manifesto prejuízo para a sobrevivência dos    doentes, sendo na maioria dos casos descritos identificada tardiamente. Mesmo    quando detectada e adequadamente tratada, a sua evolução clínica tem de ser    monitorizada durante a terapêutica, para confirmar a resposta ao tratamento,    e por vários anos após o termo desta, de modo a evitar recidivas tardias.</p>     <p>&nbsp;</p>        ]]></body>
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