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</front><body><![CDATA[ <p><b>Epigastralgias por osso espetado na parede gástrica </b></p>      <p><b>Epigastric pain due to bone in the gastric wall</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Paulo Freire, Dário Gomes, Helena Sousa, Francisco Portela, Paulo Andrade,    Sandra Lopes, Susana Alves, Hermano Gouveia, Maximino Correia Leitão</b></p>      <p>Serviço de Gastrenterologia – Hospitais da Universidade de Coimbra</p>     <p><a name="top0"></a><a href="#0">Correspondência</a></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>CASO CLÍNICO</b></p>      <p>Doente de 84 anos, sexo feminino, admitida no Serviço de Urgência por epigastralgias intensas com início 2 horas após o almoço. Apresentava-se febril (temperatura axilar = 38,0ºC), com dor e defesa à palpação do epigastro. Negava ingestão de anti-inflamatórios não esteróides e não referia história de úlcera péptica. As análises (incluindo enzimologia cardíaca, amilasemia e amilasúria), o electrocardiograma, a radiografia do tórax e do abdómen e a ecografia abdominal não revelaram alterações.</p>      <p>Na endoscopia digestiva alta detectou-se corpo estranho espetado na pequena    curvatura do antro pré-pilórico (Fig. 1), cuja extracção revelou tratar-se de    esquírola óssea com aproximadamente 3 cm (Fig. 2) inserida numa profundidade    de 2 cm. De seguida colocaram-se 2 <i>clips </i>no local da inserção (Fig. 3),    tendo o procedimento decorrido sem incidentes. Verificou-se resolução imediata    das queixas álgicas. A composição do almoço que antecedeu o início das queixas    incluía frango, mas a doente, que usava prótese dentária, não se apercebeu da    deglutição do osso. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><img src="/img/revistas/ge/v17n2/17n2a07f1.jpg"></p>     
<p>Fig. 1. Corpo estranho (osso) espetado na pequena curvatura do antro pr&eacute;-pil&oacute;rico.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <img src="/img/revistas/ge/v17n2/17n2a07f2.jpg"></p>     
<p>Fig. 2. Esqu&iacute;rola &oacute;ssea com 3 cm.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <img src="/img/revistas/ge/v17n2/17n2a07f3.jpg"> </p>     
<p>Fig. 3. Encerramento do local de inser&ccedil;&atilde;o com 2 <i>clips</i>.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A paciente ficou internada a cumprir vigilancia e tratamento conservador, nomeadamente    dieta 0, omeprazol e antibioterapia com imipenem. Após 2 dias estava apirética    e assintomática, tendo iniciado dieta oral que tolerou pelo que teve alta.</p>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>DISCUSSÃO</b></p>      <p>A ingestão de corpos estranhos é uma ocorrência relativamente frequente, sendo    mais comum nos presidiários, doentes psiquiátricos, alcoólicos, crianças, idosos,    doentes com problemas dentários (dentição incompleta e/ou utilização de próteses    dentárias) e em determinadas profissões (carpinteiros, costureiras)<sup><a name="top1"></a><a href="#1">1-3</a></sup>.    O risco conferido pelas próteses dentárias resulta do facto destas estruturas    abolirem ou diminuírem a sensibilidade táctil do palato<sup><a name="top3"></a><a href="#3">3</a></sup>.    A função sensorial do palato constitui um importante mecanismo de protecção    porque facilita a detecção de elementos afiados ou rugosos do bolo alimentar.    Cerca de 80% dos doentes que ingerem corpos estranhos têm problemas dentários,    nomeadamente dentição incompleta e/ou utilização de próteses dentárias. Na nossa    doente, a deglutição inadvertida e ignorada do fragmento ósseo terá sido facilitada    pela prótese dentária que ela utiliza.</p>      <p>A suspeição clínica é dificultada pelo facto de muitos doentes não relatarem    a deglutição dos corpos estranhos. Na verdade, a deglutição de corpos estranhos    passa frequentemente despercebida ou, sendo notada, não lhe é atribuída importância    nem nexo de causalidade com sintomas inespecíficos que por vezes só aparecem    meses ou anos mais tarde<sup><a href="#3">3</a></sup>.</p>      <p>Embora a maioria dos corpos estranhos ingeridos percorra a totalidade do tubo    digestivo e seja eliminada espontaneamente, 10-20% necessitam de remoção endoscópica    e 1% exigem extracção cirúrgica<sup><a href="#1">1</a>,<a href="#2">2</a>,<a name="top2"></a><a name="top4"></a><a href="#4">4</a></sup>.    Nos casos em que se verifica impacto, o esófago é a localização mais frequente    <sup><a name="top5"></a><a href="#5">5</a></sup>. Quando um corpo estranho atinge    o estômago, muito provavelmente percorrerá o restante tubo digestivo sem dificuldade    e sem causar complicações<sup><a href="#1">1</a>,<a href="#4">4</a>,<a name="top5"></a><a href="#5">5</a></sup>.    Na literatura esta descrito apenas um caso de penetração da parede gástrica    por osso de frango com resolução endoscópica através da extracção do corpo estranho    e posterior encerramento com <i>clips</i><sup><a href="#2">2</a></sup>. Os <i>clips</i>,    originalmente utilizados como método hemostático, têm sido utilizados com sucesso    na reparação de perfurações, inclusive no contexto da perfuração por corpos    estranhos<sup><a href="#2">2</a>,<a href="#5">5</a></sup>.</p>      <p>Apesar de se tratar de um corpo estranho radiopaco, a radiografia simples do    abdómen é frequentemente normal, porque os tecidos moles à volta do osso exercem    um efeito de massa, que é dissimulador<sup><a href="#1">1</a>,<a href="#3">3</a></sup>.    Por outro lado, as perfurações não condicionam habitualmente pneumoperitoneu,    dado que resultam do impacto do corpo estranho e posterior erosão progressiva    da parede intestinal, processo com carácter diferido que permite a contenção    por fibrina e pelas estruturas abdominais adjacentes<sup><a href="#3">3</a></sup>.    Na realidade, o pneumoperitoneu só se verifica em 15,9% das perfurações relacionadas    com corpos estranhos<sup><a href="#3">3</a></sup>. </p>      <p>A dificuldade de obter uma história definitiva de ingestão dum corpo estranho, o amplo espectro de apresentações clínicas inespecíficas que se associam a estes casos e as limitações da radiografia simples do abdómen, tornam o diagnóstico destas situações um sério desafio, algo de que o caso reportado é bem ilucidativo.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>&nbsp;</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Referências</b></p>      <!-- ref --><p><a name="1"></a><a href="#top1">1</a>. Eisen GM, Baron TH, Dominitz JA, <i>et    al</i>. Guideline for the management of ingested foreign bodies. Gastrointest    Endosc 2002;55:802-806.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000034&pid=S0872-8178201000020000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><a href="#top2">2</a>. <a name="2"></a>Kim JS, Kim HK, Cho YS, <i>et al</i>.    Extraction and clipping repair of a chicken bone penetrating the gastric wall.    World J Gastroenterol 2008;14:1955-1957. </p>      <p><a href="#top3">3</a>. <a name="3"></a>Goh BK, Chow PK, Quah HM, <i>et al</i>.    Perforation of the gastrointestinal tract secondary to ingestion of foreign    bodies. World J Surg 2006;30:372-377.</p>      <p><a href="#top4">4</a>. <a name="4"></a>Li ZS, Sun ZX, Zou DW, <i>et al</i>.    Endoscopic management of foreign bodies in the upper-GI tract: experience with    1088 cases in China. Gastrointest Endosc 2006;64:485-492.</p>      <p><a href="#top5">5</a>. <a name="5"></a>Matsubara M, Hirasaki S, Suzuki S. Gastric    penetration by an ingested toothpick successfully managed with computed tomography    and endoscopy. Intern Med 2007;46:971-974.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b><a name="0"></a><a href="#top0">Correspondência</a>: </b>Paulo André Vinagreiro    Freire<b>; E-mail: </b><a href="mailto:pauloavfreire@gmail.com">pauloavfreire@gmail.com</a>;<b>    Tel: </b>+351 239 701 517</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Recebido para publicação: </b>01/08/2009 e<b> Aceite para publicação: 23/11/2009.</b></p>     ]]></body>
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