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</front><body><![CDATA[ <p><b>Esofagite</b><b> eosinofílica com aspecto endoscópico peculiar </b></p>      <p><b>Eosinophilic esophagitis with a peculiar endoscopic appearance</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Paulo Freire<sup>1</sup>, Francisco Portela<sup>1</sup>, Adriano Rodrigues<sup>2</sup>,    Mário Rui Silva<sup>3</sup>, Paulo Andrade<sup>1</sup>, Hermano Gouveia<sup>1</sup>,    Maximino Correia Leitão</b></p>      <p><sup>1</sup>Serviço de Gastrenterologia, </p>     <p><sup>2</sup>Serviço de Medicina III, </p>     <p><sup>3</sup>Serviço de Anatomia Patológica – Hospitais da Universidade de Coimbra</p>     <p><a name="top0"></a><a href="#0">Correspondência</a></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>CASO CLÍNICO</b></p>      <p>Doente de 17 anos, sexo feminino, referenciada ao nosso hospital por disfagia    para sólidos com carácter intermitente e evolução arrastada. A endoscopia digestiva    alta (EDA) já realizada tinha revelado friabilidade da mucosa esofágica com    sangramento fácil ao toque do aparelho e várias áreas com pontilhado branco    (Fig. 1 e 2), aspecto considerado sugestivo de candidíase esofágica. Foi medicada    com nistatina, não se registando qualquer melhoria. À data da admissão na consulta    estava a tomar, sem benefício, omeprazol 40 mg id. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><img src="/img/revistas/ge/v17n2/17n2a08f1.jpg"></p>     
<p>Fig. 1. A- Friabilidade mucosa com sangramento f&aacute;cil resultante da passagem    do aparelho; B: &agrave;rea com pontilhado branco.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <img src="/img/revistas/ge/v17n2/17n2a08f2.jpg"> </p>     
<p>Fig. 2. Es&oacute;fago proximal: &agrave;rea com pontilhado branco.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Realizou-se EDA que mostrou mucosa esofágica friável com pontilhado branco    difuso. As biópsias esofágicas revelaram numerosos eosinófilos intra-epiteliais    (&gt; 15 por campo de grande ampliação), enquanto as biópsias gástricas e duodenais    não exibiram alterações. Analiticamente constatou-se inexistência de eosinofilia.    Iniciada administração tópica de fluticasona (2 <i>puffs</i>orais duas vezes    por dia) que condicionou resolução completa das queixas dentro duma semana.    Após 8 semanas de terapêutica a mucosa esofágica era endoscopicamente normal    e a avaliação histológica revelou ausência de fenómenos inflamatórios.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Dos antecedentes familiares salienta-se o facto da mãe ter rinite alérgica. Apesar da doente não ter história pessoal de atopia, foi referenciada a consulta de alergologia.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>DISCUSSÃO</b></p>      <p>A esofagite eosinofílica é uma doença inflamatória do esófago, com reconhecimento    e incidência crescentes, caracterizada pela infiltração significativa e isolada    da mucosa esofágica por eosinófilos, cuja etiologia permanece indeterminada<sup><a name="top1"></a><a href="#1">1</a></sup>.    Não obstante, a frequente associação com história pessoal ou familiar de fenómenos    atópicos e a melhoria clínica condicionada pela toma de corticóides e pelas    dietas elementares, faz supor a existência dum componente alérgico, em eventual    relação com alergenos alimentares e/ou respiratórios<sup><a href="#1">1</a></sup>.</p>      <p>Esta entidade é mais frequente no sexo masculino (relação homem:mulher de 4:1)    e embora possa ser diagnosticada em qualquer idade é mais frequente na população    pediátrica sendo raro o diagnóstico após a quarta década de vida<sup><a name="top2"></a><a href="#2">2</a></sup>.</p>      <p>Clinicamente, na população pediátrica as manifestações são sobreponíveis às    do refluxo gastro-esofágico (dor abdominal, vómitos, regurgitação) enquanto    nos adolescentes e adultos a doença se manifesta por disfagia intermitente ou    sob a forma de impacto alimentar<sup><a href="#1">1</a>,<a name="top3"></a><a href="#3">3</a></sup>.    Curiosamente, como é reflectido pelo caso da nossa doente, a disfagia ocorre    mesmo na ausência de diminuição do lúmen esofágico, o que poderá resultar da    alteração da motilidade ou da perda da “elasticidade” condicionadas pela infiltração    eosinofílica<sup><a href="#3">3</a></sup>.</p>      <p>Na EDA, embora a mucosa esofágica possa ter um aspecto normal, é frequente    encontrar uma ou várias das seguintes alterações: apagamento do padrão vascular;    erosões lineares longitudinais; mucosa esofágica friável com ocorrência fácil    de lacerações à passagem do aparelho (“crepe paper mucosa”); múltiplos anéis,    dando ao esófago um aspecto “traqueiforme”, “enrugado” ou “felino”; estenoses    esofágicas, amiúde proximais; ocasionalmente, como na nossa doente, detectam-se    múltiplas pápulas esbranquiçadas com aspecto semelhante ao da candidíase e que    correspondem, em termos histológicos, a micro-abcessos eosinofílicos<a name="top4"></a><sup><a href="#1">1-4</a></sup>.    A importância da EDA resulta não só da imprescindibilidade diagnóstica das biópsias,    mas também da sua utilidade na exclusão de alguns diagnósticos diferenciais,    nomeadamente da doença de refluxo gastro-esofágico (DRGE)<sup><a href="#1">1-3</a></sup>.    A realização de biopsias gástricas e duodenais é fundamental para fazer a distinção    com a gastroenterite esoinofílica<sup><a href="#1">1-3</a></sup>.</p>      <p>A avaliação histológica, nomeadamente a detecção de &gt; 15 eosinófilos por    campo de grande ampliação (400x), constitui o esteio do diagnóstico desta entidade,    permitindo também o diagnóstico diferencial com outras causas de eosinofilia    esofágica, como por exemplo a DRGE, a doença de Crohn ou a esclerodermia<sup><a href="#1">1-3</a></sup>.</p>      <p>A eosinofilia periférica é um achado invariável em idade pediátrica mas é infrequente    nos adolescentes e adultos<sup><a href="#3">3</a></sup>.</p>      <p>A terapêutica assenta fundamentalmente em três elementos: inibidores da bomba    de protões, corticóides e alterações dietéticas. Os inibidores da bomba de protões    têm uma dupla função: por um lado constituem a prova terapêutica de que as queixas    não resultam duma simples DRGE e, por outro, são um complemento importante do    tratamento já que a esofagite eosinofílica propicia a ocorrência de refluxo<sup><a href="#3">3</a></sup>.    Quanto à corticoterapia, a aplicação tópica (deglutida) parece ter eficácia    semelhante à da administração sistémica e tem a vantagem de minorar os efeitos    colaterais<sup><a href="#2">2</a></sup>. A maioria dos autores recomenda 2 <i>puffs</i>orais    bi-diários de fluticasona durante 4 a 12 semanas, administração que deve ser    acompanhada dos seguintes cuidados: enxaguar a boca após a deglutição e abstenção    alimentar durante 30 minutos após a administração<sup><a href="#1">1</a></sup>.    A resposta à corticoterapia é, geralmente, rápida e completa, mas transcorridos    4 meses a recidiva é frequente, sobretudo se esta terapêutica não for complementada    por medidas de evicção alergénica<sup><a href="#2">2</a></sup>. As medidas alergológicas    podem basear-se na eliminação da dieta dos alimentos “suspeitos” identificados    nos testes cutâneos, ou, em alternativa, na realização de dietas oligoantigénicas    ou elementares, seguidas da reintrodução progressiva dos alimentos até à identificação    daquele(s) que condiciona(m) reaparecimento das queixas<sup><a href="#1">1-3</a></sup>.    A dilatação endoscópica, dado o risco aumentado de perfuração associado a esta    condição, deve ser reservada para as estenoses que não respondem à terapêutica    médica, incluindo corticoterapia sistémica<sup><a href="#2">2</a>,<a name="top5"></a><a href="#5">5</a></sup>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><img src="/img/revistas/ge/v17n2/17n2a08f3.jpg"> </p>     
<p>Fig. 3. Mucosa fri&aacute;vel e com pontilhado branco difuso.</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>&nbsp;</b></p>      <p><b>Referências</b></p>      <p><a name="1"></a><a href="#top1">1</a>. Gupte AR, Draganov PV. Eosinophilic    esophagitis. World J Gastroenterol 2009;15:17-24.</p>      <p><a name="2"></a><a href="#top2">2</a>. Atkins D, Kramer R, Capocelli K, <i>et    al</i>. Eosinophilic esophagitis: the newest esophageal inflammatory disease.    Nat Rev Gastroenterol Hepatol 2009;6:267-78.</p>      <!-- ref --><p><a name="3"></a><a href="#top3">3</a>. Piedade S, Gaspar A. Esofagite eosinofílica.    Rev Port Imunoalergologia 2009;17:215-224.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000041&pid=S0872-8178201000020000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><a href="#top4">4</a>. Sundaram S, Sunku B, Nelson SP, <i>et al</i>. Adherent    white plaques: an endoscopic finding in eosinophilic esophagitis. J Pediatr    Gastroenterol Nutr 2004;38:208-212.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="5"></a><a href="#top5">5</a>. Kaplan M, Mutlu EA, Jakate S, <i>et    al</i>. Endoscopy in eosinophilic esophagitis: “feline” esophagus and perforation    risk. Clin Gastroenterol Hepatol 2003;1:433-437.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b><a name="0"></a><a href="#top0">Correspondência</a>: </b>Paulo André Vinagreiro    Freire<b>; E-mail: </b>pa<a href="mailto:pauloavfreire@gmail.com">uloavfreire@gmail.com;</a><b>    Tel: </b>+351 239 701 517.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Recebido para publicação: </b>11/08/2009e <b>Aceite para publicação: </b>23/11/2009.</p>      ]]></body><back>
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