<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0872-8178</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Jornal Português de Gastrenterologia ]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[J Port Gastrenterol.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0872-8178</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0872-81782010000400001</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Papel da ecoendoscopia na abordagem dos tumores mesenquimatosos do tubo digestivo alto]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Role of endoscopic ultrasound in the management of mesenchymal tumors of the upper digestive tract]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Pontes]]></surname>
<given-names><![CDATA[José Manuel]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>08</month>
<year>2010</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>08</month>
<year>2010</year>
</pub-date>
<volume>17</volume>
<numero>4</numero>
<fpage>152</fpage>
<lpage>154</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0872-81782010000400001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0872-81782010000400001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0872-81782010000400001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p ><b>Papel da ecoendoscopia na abordagem dos tumores mesenquimatosos do tubo digestivo alto</b></p>      <p ><b>Role of endoscopic ultrasound in the management of mesenchymal tumors of    the upper digestive tract</b></p>      <p >&nbsp;</p>      <p >José Manuel Pontes</p>      <p >&nbsp;</p>      <p >Os tumores subepiteliais do tubo digestivo alto (TSE) constituem um achado endoscópico relativamente comum, sendo na maioria dos casos diagnosticados incidentalmente. O seu diagnóstico diferencial levanta frequentemente dificuldades, sendo a endoscopia por regra incapaz de caracterizar a sua natureza. Os tumores mesenquimatosos do tubo digestivo superior (TMS) representam a maioria dos TSE, constituindo um espectro de lesões com potencial de malignidade muito variado. Este grupo de neoplasias inclui leiomiomas, leiomiossarcomas, tumores neurais e tumores do estroma gastrointestinal (GIST). A maioria dos TSE com origem na muscularis propria do estômago ou do duodeno são GIST, um grupo de neoplasias mesenquimatosas com características histológicas e imunohistoquímicas peculiares, designadamente imunorreactividade para o antigénio CD 117 (c-kit). O diagnóstico de GIST tem importantes implicações prognósticas e terapêuticas, já que estes tumores estão associados a um potencial de malignidade imprevisível. </p>      <p >A ecoendoscopia (EUS) tem sido utilizada como método de eleição para a caracterização    destas lesões, permitindo avaliar com precisão o seu tamanho, camada de origem    parietal e diversas características morfológicas. Contudo, a considerável sobreposição    dos aspectos imagiológicos torna a EUS insuficiente para estabelecer por si    só o diagnóstico definitivo de TMS e para prever o seu potencial de malignidade<sup><a name="top1"></a><a href="#1">1-3</a></sup><a name="top1"></sup>  </p>      <p >A punção guiada por EUS permite a caracterização dos TMS com uma acuidade    diagnóstica muito variável nas séries reportadas, de 19 a 100%<sup><a name="top4"></a><a href="#4">4-10</a></sup>.    A colheita de material pode ser realizada com agulha fina (PAF) ou com agulha    de biópsia <i>trucut</i><i> </i>(BAT), que possibilita o estudo histológico    e imunohistoquímico. As actuais agulhas de biópsia <i>trucut</i><i> </i>não    parecem contudo proporcionar vantagens significativas comparativamente à PAF<sup><a href="#4">4</a></sup>,<sup><a name="top6"></a><a href="#6">6</a></sup>,<sup><a name="top8"></a><a href="#8">8</a></sup>.    Num estudo prospectivo recente<sup><a href="#6">6</a></sup>, a eficácia no diagnóstico    de GIST gástrico foi idêntica para as duas agulhas (70% para PAF, 60% para BAT),    permitindo a caracterização imunohistoquímica (52% para PAF, 55% para BAT).  </p>      <p >Embora a punção possa ser útil no diagnóstico de GIST, o seu papel na prática    clínica é actualmente limitado pela frequente insuficiência do material colhido    (40 &#8211; 80% casos). A consistência fibrótica dos TMS torna frequentemente    difícil a penetração da agulha no tumor e a colheita de material adequado. A    distinção entre GIST benigno e maligno na amostra colhida é quase sempre difícil,    e nas lesões com menos de 2 cm torna-se geralmente impossível conseguir um fragmento    adequado para estudo histológico e imunohistoquímico. Além disso, o índice mitótico    (IM) determinado na amostra de biópsia trucut não se correlaciona com o IM avaliado    na peça de ressecção cirúrgica<sup><a href="#4">4</a></sup>. O fragmento obtido    é demasiado pequeno para determinação fiável do IM, impossibilitando a previsão    do potencial de malignidade dos GIST.</p>      <p >A punção-biópsia de TMS deverá ser reservada a casos seleccionados, como doentes de elevado risco cirúrgico ou tumores de difícil abordagem (como no cárdia), e doentes com tumores irressecáveis ou com metástases em que é necessário o diagnóstico histológico para início de quimioterapia com inibidores dos receptores da tirosina-cinase. A punção está também indicada quando o aspecto endoscópico ou ecoendoscópico é atípico, ou quando o contexto clínico levanta outras suspeitas diagnósticas como metástases, linfoma, carcinoma ou invasão por tumores extrínsecos.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >O principal benefício da punção não reside pois na previsão do risco de malignidade, mas no diagnóstico de GIST e na possibilidade de identificar outras lesões não-GIST, mais raras mas que requerem diferentes abordagens. No futuro o papel da punção na abordagem dos TMS dependerá do aperfeiçoamento das agulhas e do desenvolvimento de novas técnicas de colheita tecidular. A identificação de novos marcadores moleculares pesquisados nas amostras colhidas na punção poderá ajudar a prever o potencial de malignidade dos GIST, permitindo adaptar terapêuticas adjuvantes ou neo-adjuvantes.</p>      <p >A história natural dos TMS é mal conhecida, o que tem dificultado o estabelecimento    de normas orientadoras da estratégia de abordagem e vigilância destas lesões.    Na maioria dos casos estas lesões são assintomáticas e têm um comportamento    benigno, mas a evolução é imprevisível. Estima-se que 10-30% dos casos de GIST    sejam malignos no momento do diagnóstico, desconhecendo-se os factores de risco    que determinam a degeneração maligna destas lesões<sup><a name="top11"></a><a href="#11">11-12</a></sup>.    Algumas características endossonográficas têm sido associadas a um risco aumentado    de malignidade nos GIST, embora não seja consensual o seu valor prognóstico:    tamanho &gt; 4 cm, contorno externo irregular, ecotextura heterogénea, focos    ecogénicos, cavitações quísticas, adenopatias regionais<a name="top2"></a><sup><a href="#2">2</a></sup>,<a name="top3"></a><sup><a href="#3">3</a></sup>,<sup><a name="top9"></a><a href="#9">9</a></sup>.  </p>      <p >Neste número do GE é publicado um trabalho retrospectivo por H. Santos <i>et</i><i>    al</i>. onde a EUS foi utilizada para monitorizar a evolução dos TMS, procurando-se    identificar características ecoendoscópicas associadas à progressão das lesões<sup><a name="top13"></a><a href="#13">13</a></sup>.    O estudo incluiu 82 doentes com TMS submetidos a vigilância regular por EUS    por um período médio de 34 meses. A maioria das lesões (85,4%) não apresentou    alteração das características iniciais durante o seguimento, resultado provavelmente    condicionado pelo predomínio de lesões de localização esofágica nesta série    (56% dos casos), quase sempre leiomiomas. Estratificados os resultados por localização    anatómica, 30% dos tumores gástricos apresentaram alteração das características    iniciais, o que traduzirá o maior potencial de malignidade dos TMS gástricos    (GIST na maioria dos casos).</p>      <p >No mesmo trabalho, as características EUS associadas à alteração dos achados    iniciais no <i>follow-up</i><i> </i>foram a localização no antro, a dimensão    &gt; 20 mm e sobretudo a heterogeneidade ecotextural. As alterações ocorreram    mais frequentemente nos primeiros 12 meses de seguimento, sugerindo os autores    uma vigilância inicial mais estreita para estas lesões. A alteração das características    EUS iniciais ocorreu em 14,6% dos casos, um resultado sobreponível aos dados    publicados noutras séries<a name="top12"></a><sup><a href="#12">12</a></sup>,<sup><a name="top14"></a><a href="#14">14</a></sup>,<sup><a name="top15"></a><a href="#15">15</a></sup>.    Nos casos operados, nenhuma lesão apresentava critérios histopatológicos de    alto risco de malignidade. Deste modo, o aumento de dimensão não deverá ser    considerado um indicador de malignidade. </p>      <p >Embora não seja especificado o aumento de dimensões observado, é reportado    nesse trabalho um incremento dimensional em lesões infra-centimétricas. Importa    referir que a EUS é uma técnica consideravelmente operador-dependente, pelo    que a interpretação dos resultados está condicionada à subjectividade do ecoendoscopista.    A medição de lesões de diminutas dimensões está sujeita a um grau de erro ainda    maior, sendo questionável o benefício do seu seguimento ecoendoscópico. A fraca    concordância inter-observador na avaliação das características endossonográficas    dos TMS constitui uma limitação reconhecida da EUS<sup><a href="#1">1</a></sup>.  </p>      <p >Na falta de estudos prospectivos, continua a ser controversa a abordagem mais    indicada nos pequenos TMS e com características EUS consideradas &#8220;benignas&#8221;.    Nas lesões pequenas (menos de 2 cm) e sem características EUS suspeitas, a opção    de vigilância EUS é uma estratégia válida e segura, sendo o risco de malignização    bastante reduzido. Contudo deve ter-se em conta que a adesão dos doentes à vigilância    seriada por EUS é baixa, com abandono do <i>follow-up</i><i> </i>aos 12 meses    por 50% dos doentes<sup><a href="#3">3</a></sup>. A periodicidade óptima da    vigilância EUS permanece por definir, devendo ser considerada caso a caso. Tem    sido proposta uma vigilância anual, mas alguns contextos clínicos poderão justificar    controlos mais frequentes. </p>      <p >Na verdade a decisão entre vigilância periódica por EUS ou ressecção cirúrgica    torna-se frequentemente um difícil dilema, não existindo actualmente nenhum    método capaz de prever pré-operatoriamente quais os GIST que irão progredir    para a malignização. Nos TMS gástricos com mais de 2 cm, a probabilidade de    se tratar de GIST é 70 &#8211; 75%<sup><a href="#6">6</a></sup>,<a name="top7" id="top7"></a><sup><a href="#7">7</a></sup>,<sup><a href="#11">11</a></sup>.    A exérese sistemática destes tumores, independentemente do seu tamanho, tem    sido defendida por alguns autores, considerando a incerteza do potencial de    malignidade associado e a possibilidade de metastização descrita mesmo para    pequenos tumores<sup><a href="#9">9</a></sup>,<sup><a href="#11">11</a></sup>.    Enquanto não for clarificado o papel da imunohistoquímica e da análise molecular/genética    nas amostras obtidas por punção na determinação do potencial maligno dos GIST,    a decisão continuará a depender das características morfológicas avaliadas pela    EUS.</p>      <p >No futuro serão necessários estudos que avaliem o impacto dos programas de vigilância destes doentes, para se definir o papel da EUS na abordagem dos TMS.</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Referências</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><a name="1"></a><a href="#top1">1</a>. Gress F, Schmitt C, Savides T, <i>et al</i>. Interobserver agreement for EUS in the evaluation and diagnosis of submucosal masses. Gastrointest Endosc 2001;53:71-76.</p>      <p ><a name="2"></a><a href="#top2">2</a>. Chak A, Canto M, Rosch T, <i>et al</i>. Endosonographic differentiation of benign and malignant stromal cell tumors. Gastrointest Endosc 1997;45:468-472.</p>      <p ><a name="3"></a><a href="#top3">3</a>. Nickl N. Endoscopic approach to gastrointestinal stromal tumors. Gastrointest Endosc Clin N Am 2005;15:455-466.</p>      <p ><a name="4"></a><a href="#top4">4</a>. Polkowski M, Gerke W, Jarosz D, <i>et al</i>. Diagnostic yield and safety of endoscopic-ultrasound guided trucut biopsy in patients with gastric submucosal tumors: a prospective study. Endoscopy 2009;41:329-334.</p>      <p ><a href="#top4">5</a>. Akahoshi K, Sumida Y, Matsui N, <i>et</i><i> al</i>.    Preoperative diagnosis of gastrointestinal stromal tumor by endoscopic ultrasound-guided    fine needle aspiration. World J Gastroenterol 2007;13:2077-2082.</p>      <p ><a name="6"></a><a href="#top6">6</a>. Fernández-Esparrach G, Sendino O, Solé M, <i>et</i><i> al</i>. Endoscopic ultrasound-guided fine-needle aspiration and trucut biopsy in the diagnosis of gastric stromal tumors: a randomized crossover study. Endoscopy 2010;42:292-299.</p>      <p ><a name="7"></a><a href="#top7">7</a>. Philipper M, Hollerbach S, Gabbert    HE, <i>et al</i>. Prospective comparison of endoscopic ultrasound-guided fine-needle    aspiration and surgical histology in upper gastrointestinal submucosal tumors.    Endoscopy 2010;42:300-305.</p>      <p ><a name="8"></a><a href="#top8">8</a>. Hoda KM, Rodriguez SA, Faigel DO, <i>et al</i>. EUS-guided sampling of suspected GI stromal tumors. Gastrointest Endosc 2009;69:1218-1223.</p>      <p ><a name="9"></a><a href="#top9">9</a>. Shah P, Gao F, Edmundowicz SA, <i>et al</i>. Predicting malignant potential of gastrointestinal stromal tumors using endoscopic ultrasound. Dig Dis Sci 2009;54:1265-1269.</p>      <p ><a href="#top4">10</a>. Sepe PS, Moparty B, Pitman MB, <i>et al</i>. EUS-guided    FNA for the diagnosis of GI stromal cell tumors: sensitivity and cytologic yield.    Gastrointest Endosc 2009;70:254-261.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><a name="11"></a><a href="#top11">11</a>. Sepe PS, Brugge W. A guide for the diagnosis and management of gastrointestinal stromal tumors. Nat Rev Gastroenterol Hepatol 2009;6:363-371.</p>      <p ><a name="12"></a><a href="#top12">12</a>. Bruno M, Carucci P, Repici A, <i>et al</i>. The natural history of gastrointestinal subepithelial tumors arising from muscularis propria. An endoscopic ultrasound survey. J Clin Gastroenterol 2009;43:821-825.</p>      <!-- ref --><p ><a name="13"></a><a href="#top13">13</a>. Santos H, Castro-Poças F, Lago P, <i>et</i><i> al</i>. História natural dos tumores mesenquimatosos do tubo digestivo superior e ecoendoscopia. J Port Gastrenterol 2010;4:156-163.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000035&pid=S0872-8178201000040000100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p ><a name="14"></a><a href="#top14">14</a>. Gill KRS, Camellini L, Conigliaro R, <i>et al</i>. The natural history of upper gastrointestinal subepitelial tumors. A multicenter endoscopic ultrasound survey. J Clin Gastroenterol 2009;43:723-726.</p>      <p ><a name="15"></a><a href="#top15">15</a>. Lok K-H, Yiu H-L, Szeto M-L, <i>et</i><i> al</i>. Endosonographic surveillance    of small gastrointestinal tumors originating from muscularis propria. J Gastrointest    Liver Dis 2008;18:177-180.</p>     <p >&nbsp;</p>         ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Santos]]></surname>
<given-names><![CDATA[H]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Castro-Poças]]></surname>
<given-names><![CDATA[F]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Lago]]></surname>
<given-names><![CDATA[P]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[História natural dos tumores mesenquimatosos do tubo digestivo superior e ecoendoscopia]]></article-title>
<source><![CDATA[J Port Gastrenterol]]></source>
<year>2010</year>
<numero>4</numero>
<issue>4</issue>
<page-range>156-163</page-range></nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
