<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0872-8178</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Jornal Português de Gastrenterologia ]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[J Port Gastrenterol.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0872-8178</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0872-81782011000500009</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Terapêutica de Manutenção da Remissão na Colite Ulcerosa Moderada a Grave: Infliximab e Inverdade]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Maintenance Therapy in Moderate to Severe Ulcerative Colitis]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Veloso]]></surname>
<given-names><![CDATA[Fernando Tavarela]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade do Porto Faculdade de Medicina ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2011</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2011</year>
</pub-date>
<volume>18</volume>
<numero>5</numero>
<fpage>253</fpage>
<lpage>254</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0872-81782011000500009&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0872-81782011000500009&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0872-81782011000500009&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p><b>Terapêutica de Manutenção da Remissão na Colite Ulcerosa Moderada a Grave – Infliximab e Inverdade</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Maintenance Therapy in Moderate to Severe Ulcerative Colitis</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Fernando Tavarela Veloso<sup>1</sup></b></p>      <p><sup>1</sup>Professor catedrático da Faculdade de Medicina do Porto</p>      <p>&nbsp;</p>      <p>O curso clínico da colite ulcerosa (CU) é um processo dinâmico caracterizado por períodos de actividade que alternam com períodos de remissão. Na história natural da doença a recidiva surge em 50-80%dos doentes após um acesso agudo. Para tentar modificar esta tendência foi criado o tratamento de manutenção que se inicia após ser alcançada a remissão com o intuito de a manter. O objectivo primordial do tratamento de manutenção consiste, portanto, em diminuir a tendência à recidiva, modificando-se deste modo a insidiosa história natural da doença. Tal desiderato é conseguido na grande maioria dos doentes com o recurso à terapêutica com salicilatos.</p>      <p>No trabalho Terapêutica de Manutenção da Remissão na Colite Ulcerosa Moderada a Grave<sup>1</sup>, publicado no número anterior do GE, não foi considerada a terapêutica com salicilatos, contrariamente ao que o título panorâmico do artigo deixaria antever. Deste modo, o universo de doentes sobre o qual este trabalho de consenso incidiu ficou reduzido a uma pequena fracção da totalidade dos doentes com CU moderada a grave.</p>      <p>Os autores referem que o objectivo do estudo consistiu na actualização do conhecimento quanto a novas terapêuticas de manutenção da remissão em doentes com CU moderada a grave e na sua adaptação à prática clínica nacional, através de recomendações baseadas na evidência. Na realidade, o grupo nominal centrou a sua atenção, fundamentalmente, na apreciação parcial ao uso de uma droga velha, a azatioprina e de uma nova, o infliximab.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na realização da terapêutica imunossupressora utilizam-se 3 grupos de fármacos: análogos da tiopurina (azatioprina e 6-MP), metotrexato e inibidores da calcineurina (ciclosporina e tacrolimus). O papel da azatioprina na prevenção da recidiva é bem conhecido desde há mais de 3 décadas. Em trabalhos de meta-análise, previamente publicados, foram analisados o efeito poupador de corticoides, a continuidade vs descontinuidade do tratamento e a comparação com placebo na manutenção da remissão. Está estabelecido que a azatioprina é o único imunossupressor com inquestionável evidencia cientifica de eficácia na terapêutica de manutenção da CU. Nesta publicação foram salientadas limitações/desvantagens da azatioprina, nomeadamente, a inexistência de evidência de cicatrização da mucosa, o que é surpreendente pois os doentes em remissão não evidenciam lesões endoscópicas de actividade. Teria sido interessante, ao invés, considerar as vantagens da utilização da azatioprina face à realidade clínica nacional, descapitalizada.</p>      <p>O infliximab foi introduzido recentemente no tratamento da CU. Faz parte do grupo das drogas biológicas, cuja actuação incide sobre mediadores da inflamação (imunomoduladores). Todavia, neste trabalho o infliximab integra os medicamentos com efeito imunossupressor, conforme é evidente nas figuras e no texto, o que pode originar leituras tendencialmente diferentes.</p>      <p>Segundo os autores devido à crescente incidência da CU e ao impacto negativo na qualidade de vida, é fundamental fazer-se uma reflexão assertiva nesta doença, particularmente uma actualização do conhecimento e posicionamento terapêutico do infliximab. Naturalmente os doentes em remissão clínica estão praticamente assintomáticos e é da maior importância que continuem bem, pelo que a utilização de drogas com elevada toxicidade e até mortalidade impõe cuidada reflexão, posicionamento que não foi tido em conta.</p>      <p>Deste trabalho sobre a terapêutica de manutenção da remissão da CU resultaram duas conclusões: “Existe evidência de que, tanto o infliximab como a azatioprina são fármacos úteis na manutenção da remissão da CU” e “O infliximab deve ser considerado o fármaco de 1ª linha em doentes com CU moderada refractários à azatioprina”.</p>      <p>No que concerne à utilização de infliximab considero que não foi demonstrada evidencia que suporte as conclusões destiladas no presente estudo<sup>1</sup>. Com efeito, só é susceptível de poder ser afirmado o seguinte: apenas nos doentes em que a remissão é alcançada com o recurso ao infliximab, o prolongamento deste tratamento poderá, eventualmente, manter a remissão. Não existem estudos controlados randomizados para avaliação da eficácia das terapêuticas biológicas vs placebo na prevenção da recidiva na CU quiescente. Os estudos ACT1 e ACT2 avaliam a recidiva durante a extensão do período de follow-up, mas em nenhum deles é feita a re-randomização à semana 8, pelo que é impossível afirmar-se que o efeito de manutenção da remissão é devido ao infliximab<sup>2</sup>. Portanto, através de recomendações baseadas na evidência, objecto central desta publicação, não é possível transferir para o tratamento de manutenção da CU a eficácia comprovada no tratamento de indução da CU severa refractária.</p>      <p>Asseveram os autores que ”na sua pratica clínica, o médico deve sempre ter em conta as recomendações desta reunião”, bem como, “embora existam recomendações para o tratamento da CU a nível europeu, foi necessário adaptar estas recomendações à realidade clínica nacional”. Sem comentar a presunção gostaria de salientar que compete às Sociedades Cientificas e, particularmente, à SPG promover a actualização do conhecimento e o desenvolvimento da Gastrenterologia ao serviço da saúde da população portuguesa. É consabido que no âmbito da Doença Inflamatória Intestinal, desde há dois biénios que a SPG delegou em exclusividade as suas competências educacionais.</p>      <p>Pessoalmente não subscrevo as conclusões e recomendações do “painel de peritos”, matéria em que seguramente sou acompanhado pelo American College of Gastroenterology IBD Task Force, que muito recentemente sentenciou: “Data available were not sufficient to make a recommendation for biological therapy as maintenance therapy for UC and more studies are required”<sup>3</sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>REFERÊNCIAS</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>1. Magro F, Benito-Garcia E, Cremers I, <i>et al. </i>Terapêutica de manu­tenção da remissão na colite ulcerosa moderada a grave. GE-J Port Gastrenterol 2011;18:170-178.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000023&pid=S0872-8178201100050000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>2. Ford A C, Sandborn W J, Khan K J , <i>et al. </i>Efficacy of biological thera­pies in inflammatory bowel disease: systematic review and meta-analysis. Am J Gastroenterol 2011;106:644-659.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000025&pid=S0872-8178201100050000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>3. Talley N J, Abreu M T, Achkar J-P, <i>et al. </i>An evidence-based systema­tic review on medical therapies for inflammatory bowel disease. Am J Gastroenterol 2011;106 (Suppl 1): S2-S25.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000027&pid=S0872-8178201100050000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<label>1</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Magro]]></surname>
<given-names><![CDATA[F]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Benito-Garcia]]></surname>
<given-names><![CDATA[E]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Cremers]]></surname>
<given-names><![CDATA[I]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Terapêutica de manu­tenção da remissão na colite ulcerosa moderada a grave]]></article-title>
<source><![CDATA[GE-J Port Gastrenterol]]></source>
<year>2011</year>
<volume>18</volume>
<page-range>170-178</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<label>2</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ford]]></surname>
<given-names><![CDATA[A C]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Sandborn]]></surname>
<given-names><![CDATA[W J]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Khan]]></surname>
<given-names><![CDATA[K J]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Efficacy of biological thera­pies in inflammatory bowel disease: systematic review and meta-analysis]]></article-title>
<source><![CDATA[Am J Gastroenterol]]></source>
<year>2011</year>
<volume>106</volume>
<page-range>644-659</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<label>3</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Talley]]></surname>
<given-names><![CDATA[N J]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Abreu]]></surname>
<given-names><![CDATA[M T]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Achkar]]></surname>
<given-names><![CDATA[J-P]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[An evidence-based systema­tic review on medical therapies for inflammatory bowel disease]]></article-title>
<source><![CDATA[Am J Gastroenterol]]></source>
<year>2011</year>
<volume>106</volume>
<numero>^s1</numero>
<issue>^s1</issue>
<supplement>1</supplement>
<page-range>S2-S25</page-range></nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
