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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Hemobilia is a rare affection, which in less than 10% of the cases is associated with hepatic or intrabiliary neoplasm. We present a patient, with alcoholic hepatic cirrhosis that presented with jaundice and coluria. Endoscopic retrograde cholangiopancreatography [ERCP] was negative for dilation or endoluminal lesions of the common bile duct; Forgaty balloon and Dormia basket exploration revealed biliary microlithiasis. Due to clinical deterioration, with increasing jaundice 24 hours, another ERCP was performed, that disclosed the presence of a blood clot in the common biliary duct. The following clinical investigation showed a 6 cm hepatic nodule that extended to the peri&#8209;hilar biliary tree. The patient died 33 days after the admission, due to septic shock secondary to respiratory tract infection]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Hemoptises]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Causa rara de icterícia obstrutiva</b></p>      <p><b>Rare cause of obstructive jaundice</b></p>     <p>&nbsp;</p>        <p><b>Liliana Santos, João Coimbra, Isabel Sousa*, Gonçalo Ramos, Ana Carvalho e João Martins</b></p>      <p>Serviço de Gastrenterologia, Hospital de Santo António dos Capuchos, Lisboa, Portugal</p>      <p><sup><a href="#0">*</a></sup><a name="top0"></a><b>Autor para correspondência</b></p>      <p>&nbsp;</p>        <p><b>Resumo</b></p>      <p>A hemobilia é uma afecção rara, que &lt; 10% dos casos está associada a neoplasias hepáticas ou intra&#8209;biliares.</p>      <p>Apresentamos um doente com cirrose hepática alcoólica, internado por icterícia e colúria. A colangiopancreatografi a retrógrada endoscópica (CPRE) não revelou dilatação ou alterações endoluminais da via biliar principal, tendo&#8209;se extraído microcálculos após exploração com balão de <i>Forgaty </i>e cesto de <i>Dormia</i>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Vinte e quatro horas após o procedimento, verifi cou-se agravamento da icterícia, tendo repetido CPRE que mostrou a presença de coágulos na via biliar principal. A investigação clínica subsequente revelou uma lesão nodular hepática com 6 cm de diâmetro e extensão para a árvore biliar peri&#8209;hilar.</p>      <p>O doente faleceu ao 33º dia de internamento por choque séptico secundário a infecção respiratória.</p>      <p><b>PALAVRAS-CHAVE </b>Hemoptises; Etiologia; Diagnóstico; Tratamento</p>          <p>&nbsp;</p>      <p><b>Abstract</b></p>      <p>Hemobilia is a rare affection, which in less than 10% of the cases is associated with hepatic or intrabiliary neoplasm.</p>      <p>We present a patient, with alcoholic hepatic cirrhosis that presented with jaundice and coluria. Endoscopic retrograde cholangiopancreatography [ERCP] was negative for dilation or endoluminal lesions of the common bile duct; Forgaty balloon and Dormia basket exploration revealed biliary microlithiasis.</p>      <p>Due to clinical deterioration, with increasing jaundice 24 hours, another ERCP was performed, that disclosed the presence of a blood clot in the common biliary duct. The following clinical investigation showed a 6 cm hepatic nodule that extended to the peri&#8209;hilar biliary tree.</p>      <p>The patient died 33 days after the admission, due to septic shock secondary to respiratory tract infection.</p>      <p><b>PALAVRAS-CHAVE </b>Hemoptysis; Etiology; Diagnosis; Treatment </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>        <p><b>Introdução</b></p>      <p>A hemobilia é uma situação rara. Corresponde à presença de sangue na árvore biliar como resultado de hemorragia com origem na vesícula, no tracto bilio&#8209;pancreatico ou no fígado<sup>1</sup>. Foi descrita pela primeira vez por Francis Glisson em 1654, no entanto, o termo hemobilia só foi introduzido em 1948, por Sandblom<sup>2</sup>.</p>      <p>As manifestações clínicas são a hemorragia digestiva, a dor abdominal e/ou a icterícia obstrutiva<sup>3</sup>.</p>      <p>Actualmente, a causa mais frequente de hemobilia nos países ocidentais é o trauma secundário a procedimentos hepatico&#8209;biliares percutâneos, endoscópicos ou cirúrgicos. A presença de neoplasias hepato&#8209;biliares como causa independente de hemobilia é uma situação rara<sup>1,3,4</sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Caso clínico</b></p>      <p>Doente do sexo masculino, de 68 anos, com cirrose hepática alcoólica diagnosticada há 10 anos, seguido em consulta de Gastrenterologia, tendo realizado em Ecografia abdominal 3 anos antes que não mostrou lesões nodulares hepáticas e doseamento de AFP que foi normal.</p>      <p>Foi internado por quadro de icterícia e colúria com 1 semana de evolução, sem dor abdominal.</p>      <p>Dos antecedentes pessoais havia a salientar hipertensão arterial, status&#8209;pos acidente vascular cerebral isquémico, doença pulmonar obstrutiva crónica tabágica e litíase vesicular assintomática. Estava medicado com ticlopidina, enalapril, omeprazol e espironolactona.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>À admissão apresentava icterícia da pele e escleróticas e hepatomegalia estendendo&#8209;se até 4cm abaixo do rebordo costal direito, de consistência firme, superfície lisa, bordo rombo, dolorosa à palpação. O estudo laboratorial revelou bilirrubina total 11 mg/dL (fracção directa 9,6 mg/dL), GGT 987 UI/L, FA 477 UI/L; AST 134 UI/L; ALT 85 UI/L, sem leucocitose ou neutrofilia e PCR elevada (10 g/dL). A ecografia abdominal revelou fígado heterogéneo e dismórfico, litíase vesicular e discreta dilatação das vias biliares intrahepáticas [VBIH].</p>      <p>Tendo em conta a hipótese diagnóstica de litíase vesicular complicada de coledocolitíase, realizou colangiopancreatografia endoscópica retrógrada [CPRE], que mostrou litíase da vesícula, não se tendo observado dilatação ou alterações endoluminais da via biliar principal [VBP] (fig. 1). Foi efectuada esfincterotomia transpapilar endoscópica [ETE] e extracção de microcálculos após exploração da VBP com balão de <i>Forgaty</i> e cesto de <i>Dormia</i>.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><img src="/img/revistas/ge/v19n2/19n2a08f1.jpg"></p>     
<p><b>Figura 1 </b>Imagem da colangiografia inicial mostrando colelitíase (sem dilatação ou alterações endoluminais da via biliar principal).</p>      <p>&nbsp;</p>      <p>Cerca de 24 h após este procedimento, observou&#8209;se agravamento clínico e laboratorial, com aumento acentuado dos valores séricos de bilirrubina, GGT e fosfatase alcalina. Foi submetido a nova CPRE, que mostrou a presença de um defeito de repleção intraluminal justa&#8209;hilar, que após exploração com balão, se constatou tratar de um coágulo intraluminal (fig. 2A). Foram extraídos vários coágulos volumosos com balão e foi colocada prótese biliar plástica na via biliar principal (figs. 2B e 2C).</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><img src="/img/revistas/ge/v19n2/19n2a08f2.jpg"></p>     
<p><b>Figura 2 </b>Imagens endoscópicas de CPRE que mostram a presença de coágulos extraídos da via biliar principal (2A e 2B) com balão de <i>Forgaty</i>. Posteriormente, foi colocada prótese biliar plástica na via biliar principal (2C).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>Não se verificou descida significativa dos valores de hemoglobina ou repercussão hemodinâmica, registando&#8209;se descida lenta e gradual da hiperbilirrubinemia para valores próximos ao da admissão.</p>      <p>Na investigação clínica do doente, este veio a realizar ressonância nuclear magnética [RNM] abdominal e colangio&#8209;RNM, que mostrou dilatação das VBIH e uma lesão nodular hepática, com 6 cm de diâmetro, subcapsular direita, com extensão peri&#8209;hilar. O nódulo tinha pseudocápsula que captava contraste e era heterogéneo, com áreas micronodulares hipercaptantes e extensas áreas hipodensas que captavam o contraste tardiamente, sugestivas de necrose parcial (fig. 3A). Observou&#8209;se ainda transformação cavernomatosa da veia porta. A tomografia computorizada (TC) abdominal confirmou este diagnóstico (fig. 3B)<sup>3</sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><img src="/img/revistas/ge/v19n2/19n2a08f3.jpg"></p>     
<p><b>Figura 3 </b>Imagens de RNM (3A e 3B ) e TC abdominal (3C e 3D) onde se observa uma lesão nodular intrahepática, subcapsular direita, com extensão perihilar, com 6 cm. A lesão é heterogénea, com áreas hipercapatantes e hipocaptantes e apresenta pesudocápsula.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p>Os valores séricos do CEA e da alfa&#8209;feto proteína [AFP] estavam dentro dos valores normais e o valor de CA 19,9 revelou&#8209;se muito elevado (5.994 U/mL; N &lt; 37U/mL).</p>      <p>O doente acabou por falecer, ao 33º dia de internamento, por infecção respiratória nosocomial com choque séptico.</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Discussão</b></p>      <p>A presença de neoplasias intrahepáticas ou do tracto biliar como causa independente de hemobilia é uma situação rara,correspondendo a &lt; 10% dos casos<sup>1,3,4</sup>. Outras causas incluem: traumatismos acidentais ou iatrogénicos, aneurismas da artéria hepática, coledocolitíase, hipertensão portal, infestações parasitárias das vias biliares, <i>hemosuccus pancreaticus </i>e neoplasia da vesícula<sup>5</sup>.</p>      <p>Nas situações de neoplasia, a presença de sangue nas vias biliares pode ser consequência do envolvimento directo das vias biliares pelo tumor, da migração de fragmentos tumorais para a via biliar principal ou de hemorragia intratumoral<sup>3</sup>.</p>      <p>No doente apresentado, o quadro clínico inicial caracterizado por icterícia, colúria e hepatomegália dolorosa, poderia corresponder a hepatite alcoólica. No entanto, o doente referia abstinência alcoólica nos últimos 10 anos, os exames laboratoriais não mostraram leucocitose ou neutrofilia e a ecografia abdominal revelou dilatação das VBIH, factos que não apoiam este diagnóstico.</p>      <p>Assim, as hipóteses diagnósticas colocadas foram as de coledocolitíase e de carcinoma hepatocelular, tendo em conta os antecedentes de litíase vesicular e de cirrose hepática.</p>      <p>A Ecografia abdominal realizada na admissão revelou dilatação das VBIH e confirmou a presença de litíase biliar, não tendo mostrado lesões nódulares intrahepáticas, pelo que se considerou como mais provável a hipótese de coledocolítiase.</p>      <p>O exame seguinte realizado foi a CPRE dada a elevada probabilidade de necessidade de terapêutica endoscópica. No entanto, a colangiografia endoscópica não confirmou esta hipótese diagnóstica, tendo&#8209;se extraído apenas microcálculos.</p>      <p>Pelo agravamento da icterícia precocemente após o procedimento, e considerando a probabilidade de complicações e/ou retenção de cálculos biliares, realizou nova CPRE que identificou hemobilia.</p>      <p>Posteriormente, para esclarecimento do quadro, realiza TC e a RM abdominal com administração de contraste endovenoso, que mostraram o nódulo hepático. Estes exames têm elevada sensibilidade para a detecção de nódulos hepáticos em doentes com cirrose hepática e foram importantes para o estabelecimento do diagnóstico.</p>      <p>A Ecografia abdominal não mostrou nódulos intrahepáticos. Este facto corrobora os dados actuais que demonstram que a ecografia convencional, apesar de ter elevada sensibilidade para o diagnóstico de nódulos hepáticos, nos doentes com cirrose hepática, a sua sensibilidade é menor (entre os 68% e os 87%), uma vez que as lesões tumorais podem ser confundidas com nódulos regenerativos. Outros factores que também se relacionam com a sensibilidade da ecografia são o perfil ecográfico do doente e a prática do executante<sup>6</sup>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os factores que contribuíram para o aparecimento de hemobilia, foram a presença de um nódulo intrahepático com envolvimento da via biliar, associado à realização de um procedimento invasivo na via biliar, que terá traumatizado a lesão tumoral com consequente hemorragia e formação de coágulos que obstruíram a via biliar.</p>      <p>A única manifestação de hemobilia foi o agravamento do quadro de icterícia obstrutiva. De facto, apenas 22% dos doentes, apresenta a tríade sintomática descrita por Quinke: hemorragia digestiva, dor abdominal e icterícia obstrutiva<sup>7</sup>.</p>      <p>O tratamento da hemobilia depende da causa subjacente. No doente apresentado, foi efectuada precocemente CPRE, o que permitiu a extracção dos coágulos e a colocação de prótese biliar, com consequente descompressão biliar, redução da icterícia e controle da hemorragia. </p>      <p>Neste doente, não foi efectuada caracterização histológica da lesão. A primeira hipótese diagnóstica a colocar é de carcinoma hepatocelular, tendo em conta os antecedentes de cirrose hepática. No entanto, os valores de AFP eram normais e havia uma elevação marcada do CA 19,9, pelo que as hipóteses de colangiocarcinoma intrahepático e de hepatocolangiocarcinoma, deverão também ser consideradas, uma vez que a sua incidência está aumentada nos doentes com cirrose hepática<sup>8,9</sup>.</p>      <p>Não foi possível o tratamento dirigido da lesão tumoral hepática, dada a instabilidade clínica, a idade do doente, a sua <i>performance status</i>, o tamanho da lesão e a presença de trombose da veia porta<sup>4</sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Comentários</b></p>      <p>A hemobilia clinicamente significativa é uma complicação rara da CPRE, correspondendo a uma pequena minoria dos casos de hemorragia pos&#8209;CPRE.</p>      <p>O agravamento ou aparecimento «de novo» de icterícia, particularmente se associado a descida dos valores de hemoglobina, hipotensão e/ou hemorragia digestiva, é sugestivo da ocorrência de hemobilia. A CPRE é o método de eleição para o seu diagnóstico e tratamento, permitindo a extracção de coágulos, a descompressão biliar e a hemostase.</p>      <p>&nbsp;</p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Bibliografia</b></p>      <!-- ref --><p>1. Karsenti D, Tchuenbou J, Djarech H, et al. Pancréatite aiguë liée à une hémobilie compliquant un carcinome hépatocellulaire. Gastroenterol Clin Biol. 2002;26:1051&#8209;4.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000074&pid=S0872-8178201200020000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>2. Manolakis C, Kapsoritakis A, Tsikouras A, et al. Hemobilia as the initial manifestation of cholangiocarcinoma in a hemophilia B patient. World J Gastroenterol. 2008;14:4241&#8209;4.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000076&pid=S0872-8178201200020000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>3. Cajot O, Descamps C, Navez B, et al. Hémobilie révélatrice d’un très petit carcinome hépatocellulaire rompu dans les voies biliaires. Gastroenterol Clin Biol. 1997;21:426&#8209;9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000078&pid=S0872-8178201200020000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>4. Hirsch M, Avinoach I, Keynan A, et al. Angiographic diagnosis and treatment of hemobilia. Radiology. 1982;144:771&#8209;2.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000080&pid=S0872-8178201200020000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>5. Eds. Feldman M, Friedman LS, Brandt LJ. Sleisenger and Fordtran’s Gastrointestinal and liver disease: pathophysiology, diagnosis, management. 8ª ed.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000082&pid=S0872-8178201200020000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>6. Shapiro R, Katz R, Mendelson D, et al. Detection of hepatocellular carcinoma in cirrhotic patients: sensitivity of CT and ultrasonography. J Ultrasound Med. 1996;15: 497&#8209;502.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000084&pid=S0872-8178201200020000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>7. Kumar M, Gupta S, Soin A, et al. Management of massive haemobilia in an Indian hospital. Indian J Surg. 2008;70:288&#8209;95.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000086&pid=S0872-8178201200020000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>8. Shaib YH, El&#8209;Serag HB, Davila JA, et al. Risk factors of intrahepatic cholangiocarcinoma in the United States: a case&#8209;control study. Gastroenterology. 2005;128:620&#8209;6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000088&pid=S0872-8178201200020000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>9. Bhaga V, Javle M, Yu J, et al. Combined Hepatocholangiocarcinoma. Int J Gastrointest Cancer. 2006;37:27&#8209;34.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000090&pid=S0872-8178201200020000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="0"></a><a href="#top0">*</a></Sup><b>Autor para correspondência</b></p>     <p>Correio electrónico:<a href="mailto:misousa@netcabo.pt">misousa@netcabo.pt</a> (I. Sousa).</p>      <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido a 27 de dezembro de 2009; aceite a 29 de outubro de 2010</p>      ]]></body><back>
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