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</front><body><![CDATA[ <p><b>Metalobezoar gástrico</b></p>        <p><b>Gastric bezoar</b></p>      <p>&nbsp;</p>        <p><b>Ana Catarina Rego<sup>*</sup>, Nuno Nunes, José Renato Pereira, Nuno Paz e Maria Antónia Duarte</b></p>      <p>Serviço de Gastrenterologia, Hospital do Divino Espírito Santo EPE de Ponta Delgada, Ponta Delgada, Portugal</p>      <p><sup><a href="#0">*</a></sup><a name="top0"></a><b>Autor para correspondência</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Caso clínico</b></p>      <p>Homem de 48 anos, com patologia psiquiátrica, que recorreu ao Serviço de Urgência por ingestão de corpos estranhos, sem qualquer sintomatologia. Uma radiografi a simples de abdómen evidenciou volumoso bezoar gástrico metálico, com alguns objectos de menores dimensões em progressão no tubo digestivo (fig. 1).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><img src="/img/revistas/ge/v19n2/19n2a11f1.jpg"></p>     
<p><b>Figura 1 </b>Volumoso bezoar gástrico metálico, com alguns objectos em progressão no tubo digestivo.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p>Não apresentava sinais físicos de irritação peritoneal, nem parâmetros laboratoriais de infecção.</p>      <p>Uma endoscopia digestiva alta (EDA) permitiu observar numerosos corpos estranhos no estômago: clipes, agrafos, pioneses, sacos plásticos, elásticos e tampas de caneta (fig. 2).</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><img src="/img/revistas/ge/v19n2/19n2a11f2.jpg"></p>     
<p><b>Figura 2 </b>A endoscopia digestiva alta permitiu observar a presença de numerosos corpos estranhos no estômago: clipes, agrafos, pioneses, sacos plásticos, elásticos e tampas de caneta.</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A tentativa de remoção endoscópica foi mal sucedida pelo que foi submetido a gastrotomia longitudinal com extracção de volumoso metalobezoar (450 g), constituído essencialmente por clipes, agrafos, pioneses, corta&#8209;unhas e alfinete de gravata, encontrando&#8209;se também elásticos, sacos plásticos e tampas de caneta (fig. 3).</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><img src="/img/revistas/ge/v19n2/19n2a11f3.jpg"></p>     
<p><b>Figura 3 </b>Objectos retirados do estômago por gastrotomia longitudinal: clipes, agrafos, alfinete de gravata, corta&#8209;unhas, tampas de caneta, molas, chupa&#8209;chupa, sacos plásticos, elásticos.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Discussão</b></p>      <p>Os bezoares resultam da acumulação e agregação de material estranho, não digerível, que se acumula no tubo digestivo, geralmente no estômago. Classificam&#8209;se de acordo com a sua composição em fitobezoares, tricobezoares, farmacobezoares e lactobezoares<sup>1</sup>. São raras as descrições na literatura de casos de bezoares constituídos essencialmente por objectos metálicos<sup>2&#8209;5</sup>.</p>      <p>Os factores de risco mais frequentes são: cirurgia gástrica prévia, doença psiquiátrica, estenose péptica, neoplasia gastroduodenal ou pancreática, doença de Crohn, hipotiroidismo, diabetes mellitus, insuficiência renal terminal, ventilação prolongada e fármacos inibidores da motilidade gastrointestinal.</p>      <p>Muitas vezes são assintomáticos. Desconforto epigástrico, náuseas e vómitos são os sintomas mais frequentes. Hemorragia digestiva, perfuração de víscera oca ou oclusão intestinal são formas de apresentação raras.</p>      <p>Estão descritos vários métodos de tratamento dos bezoares gástricos, conforme a constituição dos mesmos. A extracção endoscópica é considerada a terapêutica <i>goldstandard </i>em bezoares de pequenas dimensões ou fragmentáveis com o auxílio de métodos adjuvantes (litotrísia electrohidráulica, laser). A remoção dos fragmentos pode ser feita com uma variedade de acessórios endoscópicos, nomeadamente pinças, cesto <i>Dormia, Rothnet</i>, ansa de polipectomia, campânula protectora. Algumas manobras que podem facilitar a remoção são o alinhamento do corpo estranho na vertical e a hiper&#8209;extensao cervical. O <i>overtube</i> reveste&#8209;se de maior importância na remoção de objectos múltiplos, pontiagudos ou cortantes, pois assegura protecção da via aérea, permite múltiplas passagens do endoscópio e protecção da mucosa esofágica impedindo a sua laceração. A remoção endoscópica é eficaz em 85 a 90% dos casos<sup>1</sup>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A digestão química ou enzimática tem sido utilizada com sucesso na dissolução de fito, lacto e tricobezoares. Alguns estudos revelam taxas de dissolução de 85% com a utilização de celulase<sup>1</sup>.</p>      <p>A terapêutica cirúrgica está reservada para a falência da terapêutica endoscópica ou em casos complicados de perfuração, hemorragia ou oclusão intestinal<sup>1</sup>.</p>      <p>A atitude a adoptar perante um bezoar gástrico metálico é idêntica à dos corpos estranhos.</p>      <p>A remoção endoscópica de corpos estranhos é considerada emergente quando há evidência clínica de obstrução esofágica (sialorreia) condicionando risco de aspiração e asfixia e urgente (até 24 h após ingestão) quando o corpo estranho se encontra no esófago, por impacto alimentar ou ingestão de corpos cortantes ou pontiagudos.</p>      <p>Objectos longos, com comprimento superior a 5 cm ou diâmetro superior a 2 cm devem ser removidos do estômago porque dificilmente passam o piloro. Os objectos cortantes devem ser removidos do estômago por elevado risco de perfuração (15 a 35%). Quando não é possível a sua remoção endoscópica, devem ser avaliados diariamente por radiografia simples abdominal e têm indicação cirúrgica se sintomáticos ou se permanecem fixos por 3 dias.</p>      <p>Objectos curtos e rombos só têm indicação cirúrgica quando não passam ao delgado em 3 a 4 semanas, quando permanecem fixos no delgado durante 1 semana ou quando sintomáticos.</p>      <p>O caso apresentado é curioso pela quantidade e variedade de objectos contidos no bezoar, apenas possível pela recorrência da ingestão compulsiva adoptada pelo doente. A exuberância e volume do bezoar encontrado, com múltiplos objectos metálicos perfurantes, alguns dos quais encravados na mucosa gástrica, impossibilitaram a remoção endoscópica de forma segura.</p>      <p>&nbsp;</p>        <p><b>Bibliografia</b></p>      <!-- ref --><p>1. Ginsberg G, Pfau P. Foreign bodies, bezoars and caustic ingestions. Em: Feldman M, Friedman LS, Brandt LJ. Sleisenger and Fordtran´s gastrointestinal and liver disease. 9ª ed. Filadélfia: Saunders Elsevier; 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000042&pid=S0872-8178201200020001100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>2. Devanesan J, Pisani A, Sharma P, et al. Metallic foreign bodies in the stomach. Arch Surg. 1977;112:664&#8209;5.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000044&pid=S0872-8178201200020001100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>3. Kaplan R, Celebi F, Güzey D, et al. Medical image. Metal bezoar. N Z Med J. 2005;118:U1588.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000046&pid=S0872-8178201200020001100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>4. Yasin MA, Malik GN, Malik SA, et al. Metal in stomach: a rare cause of gastric bezoar. BMJ Case Reports. 2009;2009:bcr06. 2008.0278.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000048&pid=S0872-8178201200020001100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>5. Kadian RS, Rose JF, Mann NS. Gastric bezoars: Spontaneous resolution. Am J Gastroenterology. 1978;70:79.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000050&pid=S0872-8178201200020001100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="0"></a><a href="#top0">*</a></Sup><b>Autor para correspondência</b></p>     <p>Correio electrónico: <a href="mailto:ana.rego81@gmail.com">ana.rego81@gmail.com</a> (A.C. Rego).</p>      <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido a 11 de dezembro de 2010; aceite a 19 de fevereiro de 2011</p>       ]]></body><back>
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