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</front><body><![CDATA[ <p><b>Perfuração esofágica de causa rara</b></p>        <p><b>Rare cause of esophageal perforation</b></p>      <p>&nbsp;</p>        <p><b>Ana Catarina Rego, Nuno Nunes, José Renato Pereira, Nuno Paz e Maria Antónia Duarte</b></p>      <p>Serviço de Gastrenterologia, Hospital do Divino Espírito Santo EPE de Ponta Delgada, Ponta Delgada, Portugal</p>      <p><sup><a href="#0">*</a></sup><a name="top0"></a><b>Autor para correspondência</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>&nbsp;</p>      <p>Doente do sexo feminino, de 46 anos de idade, submetida em 1999 a artrodese cervical por fractura com luxação de C4&#8209;C5 com compromisso neurológico. Tratava&#8209;se de uma doente acamada e totalmente dependente, com atraso de desenvolvimento psicomotor grave.</p>      <p>Em Fevereiro de 2009 recorreu ao Serviço de Urgência por dispneia, odinofagia e sialorreia com alguns dias de evolução. Ao exame objectivo encontrava&#8209;se hemodinamicamente estável, polipneica, com sialorreia e com cicatriz cervical lateral esquerda. A observação por Otorrinolaringologia detectou corpo estranho no crico&#8209;faringeo. A endoscopia digestiva alta (EDA) realizada confirmou a existência, ao nível do crico&#8209;faringeo, de um corpo estranho de características metálicas, sugestivo de parafuso, não sendo possível a sua remoção por via endoscópica (fig. 1).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><img src="/img/revistas/ge/v19n2/19n2a12f1.jpg"></p>     
<p><b>Figura 1 </b>EDA: corpo estranho, metálico, ancorado no crico&#8209;faringeo.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p>Uma radiografia cervical revelou migração anterior de placa e parafusos de artrodese cervical (fig. 2).</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><img src="/img/revistas/ge/v19n2/19n2a12f2.jpg"></p>     
<p><b>Figura 2 </b>Radiografia cervical (perfil) que mostrou migração anterior de placa e parafusos.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p>Três horas após ser admitida no Serviço de Urgência, a doente foi submetida a intervenção cirúrgica com extracção da placa e parafusos, rafia do esófago cervical, reforço com retalho pediculado dos músculos pre&#8209;tiroideus e exclusão esofágica. A figura 3 refere&#8209;se a EDA intraoperatória, que evidencia a perfuração esofágica após remoção da placa e parafusos. Faleceu ao 4º dia de pos&#8209;operatorio por sépsis secundária a mediastinite e infecção respiratória a Estafiloccocos Aureus Meticilino Resistente.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><img src="/img/revistas/ge/v19n2/19n2a12f3.jpg"></p>     
<p><b>Figura 3 </b>EDA intraoperatória, após remoção da placa e parafusos de artrodese, que evidencia a perfuração esofágica.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p>A perfuração esofágica tardia provocada pela migração de material de osteossíntese é uma complicação rara (incidência de 0 a 3,4%), com uma elevada mortalidade. Na revisão da literatura que efectuamos, encontramos 21 casos descritos. Em cinco destes, verificou&#8209;se migração espontânea de parafuso (dois casos com eliminação oral e três com eliminação natural pelo tracto digestivo)<sup>1,2</sup>. A apresentação clínica, embora diversa, manifesta&#8209;se geralmente por um ou mais dos seguintes sinais ou sintomas: disfagia, odinofagia, disfonia, sialorreia, dispneia, febre, dor retroesternal e enfisema subcutâneo. As complicações da perfuração esofágica por material de osteossíntese podem cursar desde resolução espontânea, a infecções graves com mediastinite e morte<sup>3</sup>.</p>      <p>O manejo destas situações depende do tamanho da perfuração, do intervalo de tempo decorrente entre a perfuração e o diagnóstico, do estado clínico do doente (existência ou não de infecção disseminada) e das co&#8209;morbilidades associadas. O tratamento conservador está indicado se a perfuração tiver menos que 1 cm, o doente estiver assintomático e sem evidência de infecção. Na revisão efectuada, encontramos um caso tratado conservadoramente. Em todos os outros casos o tratamento foi cirúrgico, com remoção do material de osteossíntese e encerramento com ou sem retalho muscular<sup>2</sup>.</p>      <p>O sucesso do tratamento reside essencialmente num alto índice de suspeição e diagnóstico precoce. Se o tratamento for instituído nas primeiras 24 h, a taxa de mortalidade é de 20%, se tardio é superior a 50%<sup>4,5</sup>.</p>      <p>As co&#8209;morbilidades que a nossa doente apresentava tornam provável uma admissão tardia no Serviço de Urgência o que poderá ter contribuído decisivamente para o desfecho desfavorável.</p>      <p>&nbsp;</p>       <p><b>Bibliografia</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>1. Gaudinez RF, English GM, Gebhard JS, et al. Esophageal perforation after anterior cervical surgery. J Spinal Disord. 2000;13:77&#8209;84.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000033&pid=S0872-8178201200020001200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>2. Cagli S, Isik HS, Zileli M. Cervical screw missing secondary to delayed esophageal fistula: case report. Turk Neurosurg. 2009; 19:437&#8209;40.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000035&pid=S0872-8178201200020001200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>3. Brandt LJ. Esophageal perforation from a metal screw and plate. Gastrointest Endosc. 2009;69:948&#8209;9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000037&pid=S0872-8178201200020001200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>4. Solerio D, Riffini E, Gargiulo G, et al. Successful surgical management of a delayed pharyngo&#8209;esophageal perforation after anterior cervical spine plating. Eur Spine J. 2008;17: S280&#8209;S284.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000039&pid=S0872-8178201200020001200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>5. Orlando ER, Caroli E, Ferranti L. Management of the cervical esophagus and hypofarinx perforations complicating anterior cervical spne surgery. Spine. 2003;28:E290&#8209;E295.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000041&pid=S0872-8178201200020001200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><Sup><a name="0"></a><a href="#top0">*</a></Sup><b>Autor para correspondência</b></p>     <p>Correio electrónico: <a href="mailto:ana.rego81@gmail.com">ana.rego81@gmail.com</a> (A.C. Rego).</p>      <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido a 11 de dezembro de 2010; aceite a 19 de fevereiro de 2011</p>       ]]></body><back>
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