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</front><body><![CDATA[ <P><b>Conectando as conex&otilde;es Luso-Brasileiras </b>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o a um Quadro de Amn&eacute;sia </b></p>     <p>Os &uacute;ltimos quinhentos anos de hist&oacute;ria s&atilde;o a maior evid&ecirc;ncia    de exist&ecirc;ncia de conex&otilde;es lusobrasileiras no &acirc;mbito das organiza&ccedil;&otilde;es    e da gest&atilde;o, mais obviamente no Brasil e em Portugal. Assim como conex&otilde;es    costumam ser definidas em sociologia (e.g., Cook &amp; Emerson, 1978), as conex&otilde;es    luso-brasileiras s&atilde;o t&atilde;o fr&aacute;geis quanto poderosas. Elas    comp&otilde;em um tecido hist&oacute;rico-geogr&aacute;fico importante; por&eacute;m,    n&atilde;o s&atilde;o necessariamente vis&iacute;veis, positivas, ou facilmente    codific&aacute;veis e decifr&aacute;veis. Muitas dessas conex&otilde;es s&atilde;o    conhecidas, muitas outras est&atilde;o por serem descobertas. Algumas nos aproximam,    portugueses e brasileiros, outras afastam-nos. </p>     <p>No final das contas, sendo mais ou menos vis&iacute;veis, codific&aacute;veis ou decifr&aacute;veis, n&atilde;o h&aacute; d&uacute;vidas que tais conex&otilde;es existem. Principalmente no Brasil, grande parte daquilo que experimentamos ou entendemos como organiza&ccedil;&atilde;o ou gest&atilde;o est&aacute; relacionado a conex&otilde;es luso-brasileiras que v&ecirc;m sendo constru&iacute;das, reconstru&iacute;das e tamb&eacute;m destru&iacute;das ao longo de s&eacute;culos. Em Portugal, o cen&aacute;rio n&atilde;o &eacute; muito diferente. Estas conex&otilde;es v&atilde;o ainda mais longe, alcan&ccedil;ando Mo&ccedil;ambique, Angola e Cabo Verde. Tamb&eacute;m nas subsidi&aacute;rias de grandes corpora&ccedil;&otilde;es dos Estados Unidos da Am&eacute;rica (EUA), Jap&atilde;o, Alemanha, China, M&eacute;xico, Su&eacute;cia ou &Iacute;ndia, por exemplo, no Brasil e em Portugal, as conex&otilde;es lusobrasileiras fazem parte da realidade das organiza&ccedil;&otilde;es e da gest&atilde;o. </p>    <p>Apesar disso, vivemos um inquietante e intrigante quadro de amn&eacute;sia no Brasil e em Portugal no que diz respeito &agrave;s conex&otilde;es luso-brasileiras. Existe um claro descasamento entre a realidade das organiza&ccedil;&otilde;es e da gest&atilde;o e o conhecimento acad&eacute;mico produzido nos dois pa&iacute;ses. Esse descasamento parece afectar ainda mais os acad&eacute;micos e suas organiza&ccedil;&otilde;es do que os gestores. &Eacute; muito prov&aacute;vel, por exemplo, que se algumas institui&ccedil;&otilde;es n&atilde;o estivessem celebrando, especialmente no Brasil, os duzentos anos da chegada da fam&iacute;lia real de Portugal ao pa&iacute;s em 2008, a chamada de trabalhos que antecedeu a publica&ccedil;&atilde;o deste n&uacute;mero especial e esse n&uacute;mero especial da Revista <B>Comportamento Organizacional e Gest&atilde;o </B>n&atilde;o teriam ocorrido. Isto ilustra o poder deste quadro de amn&eacute;sia entre os acad&ecirc;micos de Portugal e Brasil. </p>    <p>Este tipo de amn&eacute;sia tem-se vindo a ampliar nos &uacute;ltimos anos em diversos pa&iacute;ses e regi&otilde;es devido ao elevado poder alcan&ccedil;ado pela tese do fim da hist&oacute;ria (Fukuyama, 1992) e pela tese da converg&ecirc;ncia do capitalismo (Hall &amp; Soskice, 2001). Essas teses, amplamente difundidas pelos defensores dos discursos do neoliberalismo ao longo das duas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, ofuscam a import&acirc;ncia de abordagens plurais e multiculturais que v&ecirc;m sendo defendidas por aqueles que o nos lembram que hist&oacute;ria e geografia fazem parte da realidade (Guill&eacute;n, 2001; Caldas, 1997; Cabral Cardoso, 2006; Ibarra-Colado, 2006, Kelley et al., 2006). </p>    <p>Devido ao extraordin&aacute;rio poder alcan&ccedil;ado por essas teses em quase todos os cantos do mundo, em especial no &acirc;mbito das organiza&ccedil;&otilde;es e da gest&atilde;o, estamos certos de que o inquietante quadro de amn&eacute;sia no contexto luso-brasileiro n&atilde;o ser&aacute; superado apenas por algumas iniciativas que venham a ser casualmente catalizadas por institui&ccedil;&otilde;es que venham a celebrar algum outro evento hist&oacute;rico lusobrasileiro importante. Muitas outras iniciativas s&atilde;o necess&aacute;rias para alterarmos esse quadro de amn&eacute;sia. Nossa iniciativa deve ent&atilde;o ser vista apenas como uma animada gota num oceano de possibilidades e responsabilidades. </p>    <p>Muitos outros esfor&ccedil;os individuais e colectivos devem ser empreendidos para reconhecermos e lembrarmos que, tendo em vista a extens&atilde;o e a intensidade da hist&oacute;ria luso-brasileira, &eacute; dif&iacute;cil agirmos nas organiza&ccedil;&otilde;es ou teorizarmos sobre organiza&ccedil;&otilde;es e gest&atilde;o nos dois pa&iacute;ses sem sermos influenciados por conex&otilde;es luso-brasileiras. Devemos ir um pouco al&eacute;m e reconhecer que as nossas pr&aacute;ticas contempor&acirc;neas n&atilde;o s&atilde;o apenas influenciadas por essas conex&otilde;es hist&oacute;ricas; essas pr&aacute;ticas tamb&eacute;m t&ecirc;m o poder de modific&aacute;-las, cri&aacute;-las ou mesmo destru&iacute;-las. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>N&atilde;o importa muito se somos capazes de lembrar, reconhecer ou compreender essas conex&otilde;es e as institui&ccedil;&otilde;es correspondentes que as sustentam no tempo e no espa&ccedil;o. De uma forma ou de outra, pela porta dos fundos ou pela porta da frente, tais conex&otilde;es e institui&ccedil;&otilde;es &ndash; assim como hist&oacute;ria e geografia o fazem na era da globaliza&ccedil;&atilde;o, apesar do poder alcan&ccedil;ado pelas teses do fim da hist&oacute;ria e da converg&ecirc;ncia de capitalismos &ndash;se manifestam na realidade e ajudam a moldar essa realidade (Chang &amp; Clegg, 2002). </p>    <p>O poder latente dessas conex&otilde;es &ndash; a maioria das quais menosprezadas, esquecidas, ou desconhecidas &ndash; ajuda a explicar por que tanto decidimos voluntariamente (pela for&ccedil;a da Hist&oacute;ria) quanto fomos levados a produzir a chamada de trabalhos que resultou na publica&ccedil;&atilde;o deste n&uacute;mero especial da Revista <B>Comportamento Organizacional e Gest&atilde;o</B>. &Eacute; correcto ent&atilde;o afirmar que institui&ccedil;&otilde;es luso-brasileiras </p>     <p>&ndash; tais como aquelas que destacam a import&acirc;ncia dos duzentos anos desde a chegada da fam&iacute;lia real portuguesa ao Brasil &ndash; s&atilde;o t&atilde;o ou mais importantes do que n&oacute;s, como agentes acad&eacute;micos individuais, para converter o poder latente das conex&otilde;es em realidade vis&iacute;vel. </p>     <p>A nossa preocupa&ccedil;&atilde;o com as institui&ccedil;&otilde;es, um tra&ccedil;o    tipicamente luso-brasileiro, &eacute; explicada pelo entendimento de que conhecimento    acad&eacute;mico requer o apoio e o reconhecimento de diferentes tipos de institui&ccedil;&atilde;o.    Uma das raz&otilde;es mais importantes &eacute; o amplo dom&iacute;nio institucional    anglo-americano no campo das organiza&ccedil;&otilde;es e gest&atilde;o. Esse    dom&iacute;nio anglo-americano &eacute; sustentado por organiza&ccedil;&otilde;es    acad&eacute;micas, organiza&ccedil;&otilde;es internacionais (como Banco Mundial    e Na&ccedil;&otilde;es Unidas, por exemplo), pela ind&uacute;stria editorial,    pela m&iacute;dia especializada, por grandes firmas de consultoria e poderosos    <I>think tanks</I>. Uma outra raz&atilde;o &eacute; a posi&ccedil;&atilde;o    institucional fr&aacute;gil deste importante campo em rela&ccedil;&atilde;o    a outros campos do conhecimento acad&eacute;mico tais como economia, matem&aacute;tica,    engenharia ou sociologia &ndash;, especialmente no Brasil e em Portugal (Faria,    2008). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Um Impulso Institucional para Superar a Amn&eacute;sia </b></p>     <p>Diferentes autores argumentam que somos influenciados pelas institui&ccedil;&otilde;es,    em nossas pr&aacute;ticas nas organiza&ccedil;&otilde;es. Somos influenciados    tamb&eacute;m por institui&ccedil;&otilde;es que inexistem. A inexist&ecirc;ncia    de institui&ccedil;&otilde;es acad&eacute;micas luso-brasileiras efectivas,    ou a fragilidade das poucas institui&ccedil;&otilde;es acad&eacute;micas luso-brasileiras    existentes, em rela&ccedil;&atilde;o ao grande poder e alcance de institui&ccedil;&otilde;es    acad&eacute;micas que envolvem Brasil e Portugal com outros pa&iacute;ses &ndash;    em especial a Inglaterra e os EUA &ndash; ajudam a explicar, por exemplo, por    que as conex&otilde;es luso-brasileiras ainda n&atilde;o receberam a devida    aten&ccedil;&atilde;o por acad&eacute;micos de gest&atilde;o desses dois pa&iacute;ses.    &Eacute; dif&iacute;cil concorrer com as poderosas conex&otilde;es anglo-americanas.  </p>     <p>Tamb&eacute;m devemos reconhecer que as institui&ccedil;&otilde;es acad&eacute;micas n&atilde;o existem (ou inexistem) no v&aacute;cuo. O quadro acad&eacute;mico de amn&eacute;sia a respeito das conex&otilde;es luso-brasileiras reflecte, em tra&ccedil;os gerais, o panorama das liga&ccedil;&otilde;es e conex&otilde;es econ&oacute;micas e pol&iacute;ticas entre Brasil e Portugal e o quadro institucional mais amplo correspondente. Com efeito, os interc&acirc;mbios econ&oacute;micos e pol&iacute;ticos ficaram, durante grande parte do &uacute;ltimo s&eacute;culo, muito aqu&eacute;m do que os la&ccedil;os hist&oacute;ricos poderiam sugerir. O mesmo pode ser dito a respeito das institui&ccedil;&otilde;es que sustentam, permitem e promovem tais interc&acirc;mbios. Na realidade, &ldquo;t&atilde;o pr&oacute;ximos e t&atilde;o distantes&rdquo;, seria uma boa descri&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es entre os dois pa&iacute;ses durante este per&iacute;odo, n&atilde;o apenas no que diz respeito &agrave;s vertentes econ&oacute;mica e pol&iacute;tica, mas tamb&eacute;m &agrave; vertente cultural (no sentido mais amplo). Uma ret&oacute;rica de proximidade entre &ldquo;pa&iacute;ses irm&atilde;os&rdquo; revela-se afinal em grande parte ilus&oacute;ria, quando &eacute; confrontada com a realidade de distanciamento entre organiza&ccedil;&otilde;es e entre culturas. Trata-se de uma cultura &ldquo;irm&atilde;&rdquo;, mas afinal uma irm&atilde; t&atilde;o distante em tantos aspectos, como reconhecido at&eacute; mesmo por Geert Hofstede (holand&ecirc;s de nascimento). </p>     <p>&Eacute; poss&iacute;vel afirmar ent&atilde;o que o quadro acad&eacute;mico de amn&eacute;sia no contexto luso-brasileiro est&aacute; relacionado com um quadro institucional complexo, multifacetado e poderoso. Apenas os esfor&ccedil;os feitos por institui&ccedil;&otilde;es acad&eacute;micas n&atilde;o ser&atilde;o suficientes para alterar esse quadro de forma substancial. Obviamente, entretanto, o Encontro Anual da ANPAD poderia introduzir uma &aacute;rea especial focada nas conex&otilde;es lusobrasileiras; o mesmo pode ser feito no &acirc;mbito do LAEMOS, ou mesmo da <I>Academy of International Business</I>, do EGOS, ou da <I>Academy of Management</I>. </p>    <p>Tamb&eacute;m &eacute; poss&iacute;vel que peri&oacute;dicos acad&eacute;micos no Brasil sigam o exemplo da Revista <B>Comportamento Organizacional e Gest&atilde;o </B>e produzam chamadas de trabalhos especiais, focadas em tipos espec&iacute;ficos de conex&atilde;o luso-brasileira. Por exemplo, o esfor&ccedil;o pioneiro da <I>Revista Portuguesa e Brasileira de Gest&atilde;o</I>, editada conjuntamente pelo ISCTE e pela Funda&ccedil;&atilde;o Getulio Vargas h&aacute; mais de cinco anos, pode passar a ser reconhecido como de central import&acirc;ncia pelas institui&ccedil;&otilde;es nacionais que classificam os peri&oacute;dicos em <I>rankings </I>espec&iacute;ficos. Tamb&eacute;m &eacute; poss&iacute;vel que o interc&acirc;mbio entre pesquisadores portugueses e brasileiros no campo da gest&atilde;o seja efectivamente valorizado pelas principais institui&ccedil;&otilde;es de pesquisa acad&eacute;mica nos dois pa&iacute;ses, tais como o CNPq, a Capes e a FTC. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Entretanto, n&atilde;o devemos esperar que um movimento acad&eacute;mico que    defenda o resgate e reconhecimento das conex&otilde;es luso-brasileiras nos    &acirc;mbitos das organiza&ccedil;&otilde;es e da gest&atilde;o &ndash; tendo    em vista o contexto institucional mais amplo que ajuda a explicar o quadro de    amn&eacute;sia corrente &ndash; seja efectivo em sua total potencialidade se    n&atilde;o considerarmos a necessidade de que outras institui&ccedil;&otilde;es    sejam mobilizadas. Na pr&aacute;tica, a (re)conex&atilde;o das conex&otilde;es    luso-brasileiras exige que, primeiramente, as mesmas sejam valorizadas. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Em Busca da Valoriza&ccedil;&atilde;o das Conex&otilde;es </b></p>     <p></B>No Brasil e em Portugal as conex&otilde;es luso-brasileiras est&atilde;o associadas a tr&ecirc;s conceitos fundamentais: paradoxo, ambival&ecirc;ncia e ambiguidade. Reconhecer estes conceitos e decifrar os seus significados espec&iacute;ficos s&atilde;o actos ou movimentos necess&aacute;rios n&atilde;o somente para compreendermos a import&acirc;ncia de produ&ccedil;&atilde;o, publica&ccedil;&atilde;o e difus&atilde;o de conhecimento acad&eacute;mico focado nessas conex&otilde;es, mas tamb&eacute;m para sermos capazes de mobilizar outras institui&ccedil;&otilde;es no sentido de reconhecerem a import&acirc;ncia e o valor das mesmas. </p>    <p>De facto, substituir o quadro de amn&eacute;sia por um quadro de valoriza&ccedil;&atilde;o das conex&otilde;es luso-brasileiras &eacute; importante n&atilde;o somente para acad&eacute;micos e institui&ccedil;&otilde;es acad&eacute;micas no &acirc;mbito dos estudos organizacionais e da gest&atilde;o em Portugal e no Brasil. &Eacute; fundamental ressaltarmos que tais conex&otilde;es s&atilde;o importantes tamb&eacute;m para um grande n&uacute;mero de analistas e profissionais &ndash; de organiza&ccedil;&otilde;es privadas, p&uacute;blicas e n&atilde;o-governamentais &ndash; e diversos outros actores e institui&ccedil;&otilde;es dos pa&iacute;ses que constituem (ou podem constituir) a complexa geografia luso-brasileira de organiza&ccedil;&otilde;es e gest&atilde;o. </p>    <p>Al&eacute;m disso, as conex&otilde;es luso-brasileiras n&atilde;o s&atilde;o importantes somente no Brasil e em Portugal para organiza&ccedil;&otilde;es brasileiras e portuguesas, respectivamente. As conex&otilde;es luso-brasileiras s&atilde;o de crescente import&acirc;ncia para organiza&ccedil;&otilde;es portuguesas no Brasil e de organiza&ccedil;&otilde;es brasileiras em Portugal, tendo em vista o crescente volume de investimentos directos estrangeiros feitos por empresas portuguesas no Brasil e por empresas brasileiras em Portugal nos &uacute;ltimos dez anos. Al&eacute;m do mais, essas conex&otilde;es s&atilde;o muito importantes para a compreens&atilde;o e desempenho de subsidi&aacute;rias num crescente n&uacute;mero de pa&iacute;ses e regi&otilde;es em que empresas de Portugal e do Brasil passaram a operar na era da globaliza&ccedil;&atilde;o. Correspondentemente, tais conex&otilde;es s&atilde;o muito importantes para a compreens&atilde;o e gest&atilde;o de subsidi&aacute;rias de empresas de todos os cantos do mundo que operam no Brasil e em Portugal. </p>     <p>Em termos menos directos, a constru&ccedil;&atilde;o de um quadro de valoriza&ccedil;&atilde;o    das conex&otilde;es luso-brasileiras &eacute; importante tamb&eacute;m para    explicar por que raz&atilde;o as teses de fim de hist&oacute;ria e de converg&ecirc;ncia    difundidas por poderosas conex&otilde;es anglo-americanas n&atilde;o s&atilde;o    capazes, em termos gerais, de moldar as organiza&ccedil;&otilde;es e as institui&ccedil;&otilde;es    na era da globaliza&ccedil;&atilde;o, e, em termos espec&iacute;ficos, de moldar    o campo do conhecimento acad&eacute;mico em gest&atilde;o. </p>     <p>Voltemos ent&atilde;o aos tr&ecirc;s conceitos fundamentais. Paradoxo &eacute;    o primeiro conceito que emerge quando pensamos nas conex&otilde;es luso-brasileiras.    Tanto no Brasil como em Portugal sabemos da import&acirc;ncia do hist&oacute;rico    interc&acirc;mbio entre os dois pa&iacute;ses para a constitui&ccedil;&atilde;o,    para o desempenho e para a gest&atilde;o das suas organiza&ccedil;&otilde;es.    Paradoxalmente, entretanto, refletindo o estranho quadro de amn&eacute;sia mencionado    anteriormente, n&atilde;o existe literatura correspondente no campo da gest&atilde;o.    Contribui de forma decisiva para esse quadro paradoxal a inexist&ecirc;ncia    de disciplinas de hist&oacute;ria e de geografia no curr&iacute;culo dos cursos    de gest&atilde;o nos dois pa&iacute;ses. Al&eacute;m disso, as disciplinas de    gest&atilde;o internacional ou neg&oacute;cios internacionais, as quais poderiam    reconhecer e explorar as conex&otilde;es luso-brasileiras, tornam esse quadro    ainda mais problem&aacute;tico pelo facto de a grande maioria dos livros-texto    ser produzida nos EUA (Guedes &amp; Faria, 2007). Ademais, temos que lidar com    a crescente influ&ecirc;ncia das conex&otilde;es anglo-americanas na defini&ccedil;&atilde;o    dos <I>curricula </I>das escolas de gest&atilde;o e nos sistemas de avalia&ccedil;&atilde;o    e acredita&ccedil;&atilde;o. Finalmente, n&atilde;o podemos esquecer a fragilidade    ou a inexist&ecirc;ncia de interc&acirc;mbios luso-brasileiros e institui&ccedil;&otilde;es    correspondentes que poderiam ser esperados em fun&ccedil;&atilde;o da extens&atilde;o    e da intensidade da hist&oacute;ria luso-brasileira. </p>     <p>Ambival&ecirc;ncia &eacute; o segundo conceito. Uma teoria do &acirc;mbito    das redes sociais argumenta que o relacionamento entre dois actores n&atilde;o    pode ser compreendido apenas por meio da an&aacute;lise desse relacionamento    espec&iacute;fico. &Eacute; fundamental o reconhecimento das redes de relacionamentos    para a compreens&atilde;o de determinado relacionamento, o relacionamento entre    dois actores &eacute; afectado pelos relacionamentos de cada um desses actores    com outros actores. No final de contas, relacionamentos s&atilde;o complicados    porque os mesmos est&atilde;o positiva ou negativamente conectados entre si.    Por meio dessa bagagem te&oacute;rica podemos afirmar que o relacionamento acad&eacute;mico    entre portugueses e brasileiros est&aacute; negativamente conectado aos fortes    relacionamentos entre brasileiros e americanos e entre portugueses e anglo-sax&oacute;nicos.    De facto, a extens&atilde;o e a intensidade desses outros relacionamentos ajudam    a explicar a extens&atilde;o e a intensidade do relacionamento entre portugueses    e brasileiros no &acirc;mbito dos estudos organizacionais e da gest&atilde;o.  </p>     <p>Ambiguidade &eacute; o terceiro conceito. As conex&otilde;es luso-brasileiras s&atilde;o tratadas de forma amb&iacute;gua, de acordo com a conveni&ecirc;ncia dos utilizadores. Por exemplo, no Brasil a m&aacute; gest&atilde;o &eacute; pejorativamente chamada de &lsquo;gest&atilde;o lusitana&rsquo;. Por outro lado, organiza&ccedil;&otilde;es e modelos de gest&atilde;o mais &lsquo;humanos&rsquo; s&atilde;o explicados como sendo resultado das virtuosas influ&ecirc;ncias culturais dos portugueses. Corrup&ccedil;&atilde;o na administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, por exemplo, sempre &eacute; associada no Brasil &agrave; influ&ecirc;ncia hist&oacute;rica dos portugueses. Ao mesmo tempo em que as virtudes do procjeto de coloniza&ccedil;&atilde;o portuguesa no Brasil s&atilde;o tidas como respons&aacute;veis pela capacidade das organiza&ccedil;&otilde;es e institui&ccedil;&otilde;es brasileiras de lidar com paradoxos e multiculturalidade, &eacute; usual argumentarmos que o Brasil teria sido um pa&iacute;s muito mais desenvolvido se tiv&eacute;ssemos sido colonizados por holandeses ou franceses. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em termos mais recentes, o extraordin&aacute;rio &ecirc;xito de alguns &lsquo;produtos culturais&rsquo; brasileiros em Portugal (incluindo, por exemplo, a telenovela, a m&uacute;sica e o futebol) &eacute; tido por muitos tanto como um claro exemplo do &ecirc;xito de determinado projecto de lusofonia bem como um inaceit&aacute;vel processo de coloniza&ccedil;&atilde;o da metr&oacute;pole por uma ex-col&oacute;nia. Isso &eacute; ainda mais grave porque a posi&ccedil;&atilde;o &lsquo;arcaica&rsquo; de Portugal no cen&aacute;rio contempor&acirc;neo de globaliza&ccedil;&atilde;o e p&oacute;s-modernidade (Carioca, Diniz &amp; Pietracci, 2004) costuma ser atribu&iacute;da ao passado de coloniza&ccedil;&atilde;o por alguns analistas portugueses (Gil, 2004). No final das contas, o maior problema &eacute; que, em termos l&iacute;quidos, a faceta ou atribui&ccedil;&atilde;o negativa predomina amplamente. As conex&otilde;es concorrentes, notadamente a anglo-americana, se beneficia desse quadro. </p>    <p>No entanto, a globaliza&ccedil;&atilde;o, a imaterializa&ccedil;&atilde;o da economia e a integra&ccedil;&atilde;o das economias portuguesa e brasileira em grandes blocos econ&oacute;micos &ndash; tais como a Uni&atilde;o Europeia e o Mercosul &ndash; sugerem novos desafios e oportunidades. Em termos de novos desafios h&aacute; a crescente  internacionaliza&ccedil;&atilde;o das organiza&ccedil;&otilde;es (ditada pela globaliza&ccedil;&atilde;o da economia &ndash; iniciada pelos portugueses a partir do s&eacute;culo XV), que obriga a cria&ccedil;&atilde;o e o uso de modelos contextualizados para diferentes circunst&acirc;ncias geogr&aacute;ficas e culturais. Correspondentemente, podemos destacar a crescente internacionaliza&ccedil;&atilde;o dos acad&eacute;micos e da academia de gest&atilde;o. </p>    <p>Em termos espec&iacute;ficos de novas oportunidades, podemos destacar os programas de interc&acirc;mbio universit&aacute;rio e acad&eacute;mico, onde a experi&ecirc;ncia e o contacto entre pa&iacute;ses como Portugal e Brasil, com experi&ecirc;ncias e contactos simultaneamente t&atilde;o semelhantes e t&atilde;o d&iacute;spares podem lan&ccedil;ar as sementes para identifica&ccedil;&atilde;o e resolu&ccedil;&atilde;o de problemas comuns, como seja a falta de identidade, a procura de um <I>role model </I>da gest&atilde;o, ou os desafios das for&ccedil;as de neocoloniza&ccedil;&atilde;o. Tais interc&acirc;mbios podem n&atilde;o apenas levar-nos ao reconhecimento das conex&otilde;es luso-brasileiras, como tamb&eacute;m promover novas conex&otilde;es. Enfim, podem permitir a abertura de &ldquo;novos mundos ao mundo&rdquo;. </p>    <p>&ldquo;A vis&atilde;o de Portugal como passado do Brasil e do Brasil como futuro de Portugal, condensada em express&otilde;es como &lsquo;Portugal, meu avozinho&rsquo; de Manuel Bandeira ou num destino anunciado em &lsquo;Fado Tropical&rsquo; de Chico Buarque e Ruy Guerra cede com o tempo ao simbolismo horizontal da irmandade&hellip; dever&iacute;amos nos perguntar quais os interesses, os valores ou objetivos comuns de que podem se valer Portugal e Brasil em um posicionamento conjunto?&rdquo; (Caetano da Silva, 2006) </p>     <p>Este pano de fundo ajuda a explicar porqu&ecirc; e como constru&iacute;mos    a chamada de trabalhos sobre &lsquo;conex&otilde;es luso-brasileiras em organiza&ccedil;&otilde;es    e gest&atilde;o&rsquo;. A chamada foi norteada pelas seguintes quest&otilde;es:    (a) O que s&atilde;o conex&otilde;es luso-brasileiras de organiza&ccedil;&otilde;es    e gest&atilde;o e como elas devem ser investigadas? (b) Quais s&atilde;o as    principais influ&ecirc;ncias das conex&otilde;es luso-brasileiras em organiza&ccedil;&otilde;es    p&uacute;blicas e privadas no Brasil, em Portugal e em outros pa&iacute;ses    em que operam organiza&ccedil;&otilde;es desses pa&iacute;ses? (c) Como a investiga&ccedil;&atilde;o    dessas conex&otilde;es pode ajudar os dois pa&iacute;ses a promover a constru&ccedil;&atilde;o    de organiza&ccedil;&otilde;es e modelos de gest&atilde;o mais adequados? (d)    At&eacute; que ponto e como tais descobertas podem ser &uacute;teis para desafiarmos    a hegemonia do conhecimento alcan&ccedil;ado pelas conex&otilde;es anglo-americanas?    (e) Como a valoriza&ccedil;&atilde;o das conex&otilde;es luso-brasileiras em    um mundo globalizado pode ser &uacute;til para a promo&ccedil;&atilde;o de conex&otilde;es    mais s&oacute;lidas com outros pa&iacute;ses e regi&otilde;es? </p>     <p>Ao longo dos &uacute;ltimos meses recebemos um n&uacute;mero surpreendente de consultas a respeito da chamada, o que reflete em grande parte a natureza central do nosso movimento: construir e legitimar um campo inovador de estudos no &acirc;mbito da Gest&atilde;o. Recebemos, por outro lado, um grande n&uacute;mero de trabalhos interessantes que n&atilde;o se enquadravam bem nos objectivos da chamada, apesar de serem trabalhos que podem ser publicados por peri&oacute;dicos importantes nos dois pa&iacute;ses (incluindo a pr&oacute;pria Revista <B>Comportamento Organizacional e Gest&atilde;o</B>!). Felizmente, um razo&aacute;vel n&uacute;mero de trabalhos igualmente interessantes alinhou com os objectivos centrais da chamada. </p>     <p>A import&acirc;ncia do movimento foi habilmente reconhecida pelo Director da    Revista, Prof. Jorge F. S. Gomes. Ao inv&eacute;s de publicar trabalhos que    n&atilde;o correspondessem bem aos objectivos centrais do n&uacute;mero especial,    fomos incentivados pelo Director a adicionar aos trabalhos selecionados artigos    da nossa autoria. Por outras palavras, enquanto Editores, fomos conduzidos &agrave;    responsabilidade de impulsionar o campo em constitui&ccedil;&atilde;o &lsquo;pela    porta da frente&rsquo; enquanto autores. Por essa raz&atilde;o, antes de apresentarmos    os trabalhos que comp&otilde;em este n&uacute;mero especial, e evitando algum    efeito injustificado de amn&eacute;sia, registramos aqui nosso especial agradecimento    &agrave; extrema paci&ecirc;ncia e compet&ecirc;ncia do Director da Revista,    Prof. Jorge F. S. Gomes, para lidar com desafios institucionais que este tipo    de movimento ou projecto tem de enfrentar. </p>     <p>Os dois primeiros artigos desafiam a hegemonia do conhecimento acad&eacute;mico    em estrat&eacute;gia de marketing e em neg&oacute;cios internacionais alcan&ccedil;ado    por conex&otilde;es anglo-americanas, para sustentar que a valoriza&ccedil;&atilde;o    das conex&otilde;es luso-brasileiras num mundo globalizado pode promover conex&otilde;es    mais s&oacute;lidas com outros pa&iacute;ses e regi&otilde;es. </p>     <p>Assim, no primeiro artigo, Alexandre Faria, desafia investigadores do contexto    luso-brasileiro, em especial em Portugal e no Brasil, a promover a constru&ccedil;&atilde;o    de uma perspectiva luso-brasileira no &acirc;mbito da estrat&eacute;gia de marketing    tanto em termos dom&eacute;sticos quanto em termos internacionais, contra o    argumento que o &acirc;mbito da estrat&eacute;gia de marketing est&aacute; obsoleto.  </p>     <p>No segundo artigo, Ana Lucia Guedes descreve e analisa novas oportunidades    no &acirc;mbito dos neg&oacute;cios internacionais no contexto luso-brasileiro,    sustentando que a intensifica&ccedil;&atilde;o das conex&otilde;es luso-brasileiras    em termos de fluxos de investimentos requer estudos interdisciplinares entre    os &acirc;mbitos de economia pol&iacute;tica internacional, neg&oacute;cios    internacionais e gest&atilde;o internacional. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os dois artigos seguintes t&ecirc;m como preocupa&ccedil;&atilde;o dominante    aprofundar compreens&atilde;o de semelhan&ccedil;as e diferen&ccedil;as entre    gestores/empreendedores em Portugal e no Brasil, compara&ccedil;&atilde;o justificada    pela intrincada hist&oacute;ria comum, na tentativa de compreender um pouco    melhor o poder latente dessas conex&otilde;es luso-brasileiras. Desta forma,    no terceiro artigo, Maria Luisa Teixeira e Silvia De Domenico, comparam a estrutura    de valores relativos a sentido de vida de gestores brasileiros e portugueses.    No quarto artigo, Marco Monteiro da Silva, Manuela Faia Correia, Marc Scholten    e Luiz Autran, comparam as orienta&ccedil;&otilde;es empreendedoras de empreendedores-propriet&aacute;rios    de empresas em incubadoras no Brasil e em Portugal. </p>     <p>Ambos os artigos mostram que somos influenciados pelas conex&otilde;es hist&oacute;ricas,    mas as nossas pr&aacute;ticas tamb&eacute;m t&ecirc;m o poder de modific&aacute;-las,    cri&aacute;-las ou destru&iacute;-las. </p>     <p>Como um aperitivo para o leitor, o quinto artigo, por Caio Miralles, Luis Neto    e Valentina Schmitt, tem como objectivo analisar caracter&iacute;sticas inerentes    &agrave; gest&atilde;o da marca &ldquo;Vinho do Porto&rdquo;, destacando a perspectiva    da &ldquo;marca-pa&iacute;s&rdquo; e relev&acirc;ncia da gest&atilde;o desta    como vantagem competitiva. Os autores estabelecem paralelismo entre a &ldquo;marca-pa&iacute;s&rdquo;    de Portugal e as que poderiam ser &ldquo;marca-pa&iacute;s&rdquo; do Brasil.    Salientando a import&acirc;ncia da gest&atilde;o de marcas carregar as caracter&iacute;sticas    reais do produto e de toda a realidade que o cerca, buscando uma identidade    &uacute;nica e o do papel dos arranjos produtivos enquanto provedores de desenvolvimento    numa economia local. Ser&aacute; este um primeiro passo para a constru&ccedil;&atilde;o    de uma perspectiva luso-brasileira no &acirc;mbito da Gest&atilde;o, tanto em    termos dom&eacute;sticos quanto em termos internacionais? </p>     <p>Porque &eacute; nossa cren&ccedil;a ser importante dar a conhecer neste tipo    de plataformas o que se vai produzindo na academia em Portugal e no Brasil,    o sexto e o s&eacute;timo artigos, apesar de fugirem ao escopo da chamada, foram    inclu&iacute;dos. Assim, Rafael Alcadipani apresenta um ensaio sobre a no&ccedil;&atilde;o    de governametalidade nas obras de Michel Foucault e discute as poss&iacute;veis    contribui&ccedil;&otilde;es dessa no&ccedil;&atilde;o para a compreens&atilde;o    das din&acirc;micas de poder em contexto organizacional. No s&eacute;timo artigo,    Jos&eacute; Lu&iacute;s Nascimento, Albino Lopes e Maria de F&aacute;tima Salgueiro,    prop&otilde;em-se a validar no contexto portugu&ecirc;s o &ldquo;Modelo das    Tr&ecirc;s-Componentes&rdquo; de comprometimento organizacional de Meyer e Allen    (1991, 1997). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><b>Alexandre Faria<sup>1</sup> </b></p>     <p align="right"><b>Manuela Faia Correia<sup>2</sup> </b></p>     <p align="right"><b>Ana Guedes<sup>1</sup> </b></p>     <p align="right"><b>Clovis L. Machado-da-Silva<sup>3</sup> </b></p>     <p align="right"><b>Carlos Cabral-Cardoso<sup>4</sup> </b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="right">&nbsp;</p>     <p align="right"><sup><i>1</i></sup><i>EBAPE-FGV</i></p>     <p align="right"><i><sup>2</sup> Universidade Lus&iacute;ada Lisboa</i></p>     <p align="right"><i><sup>3 </sup>UnicenP-CEPPAD/UFPR</i></p>     <p align="right"><i><sup>4 </sup>Universidade do Minho</i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b> </p>     <p></B>Cabral-Cardoso, C. (2006). Portuguese management between global rhetoric and local reality &ndash; the case of human resources management. <I>Management Research, 4 </I>(3), 193-204. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Caetano da Silva, E. (2008). <I>Brasil-Portugal: depois dos &ldquo;500&rdquo;    e al&eacute;m da irmandade</I>. ComCi&ecirc;ncia. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.comciencia.br/comciencia/handler.php?section=8&edicao=12&id=104" target="_blank">http://www.comciencia.br/comciencia/handler.php?section=8&amp;edicao=12&amp;id=104</a>  </p>     <p>Caldas, M. (1997). Santo de casa n&atilde;o faz milagre: condicionamentos nacionais e implica&ccedil;&otilde;es organizacionais pela figura do &lsquo;estrangeiro&rsquo;. In F. Motta, &amp; M. Caldas (Eds), <I>Cultura organizacional e cultura brasileira</I>. S&atilde;o Paulo: Atlas. </p>    <p>Carioca, M., Diniz, R., &amp; Pietracci, B. (2004). Making Portugal competitive. <I>The McKinsey Quarterly, 3</I>, 61-67. </p>    <p>Chan, A., &amp; Clegg, S. (2002). History, culture and organization studies. <I>Culture and Organization, 8</I>, 259-273. </p>     <p>Cook, K., &amp; Emerson, R. (1978). Power, equity and commitment in exchange    networks. <I>American Sociological </I><I>Review, 43 </I>(5), 721-739. Faria,    A. (2008). <I>Sobre o futuro do campo da gest&atilde;o no Brasil</I>. Informativo    Anpad, n. 19, Abr.-Mai-Jun. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.anpad.org.br/publicacoes_informativo_opiniao.php?cod_informativo=20" target="_blank">http://www.anpad.org.br/publicacoes_informativo_opiniao.php?cod_informativo=20</a>  </p>     <p>Fukuyama, F. (1992). <I>The end of history and the last man</I>. New York: Free Press. </p>    <p>Gil, J. (2004). <I>Portugal, hoje: O medo de existir</I>. Lisboa: Rel&oacute;gio d&rsquo;&Aacute;gua. </p>     <p>Guedes, A., &amp; Faria, A. (2007). Globalization and international management:    In search of an interdisciplinary approach. <I>Brazilian Administration Review,    4 </I>(2), 20-39. </p>     <p>Guill&eacute;n, M. (2001). <I>The limits of convergence</I>. Princeton, NJ: Princeton University Press. </p>     <p>Hall, P., &amp; Soskice, D. (2001). <I>Varieties of capitalism. The institutional    foundations of comparative advantage</I>. New York: Oxford University Press.  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ibarra-Colado, E. (2006). Organization studies and epistemic coloniality in Latin America: thinking otherness from the margins. <I>Organization, 13 </I>(4), 489-508. </p>     <p>Kelley, E., Mills, A., &amp; Cooke, B. (2006). Management as a cold war phenomenon?    <I>Human Relations, 59 </I>(5), 603-610. </p>      ]]></body>
</article>
