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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Biópsia pulmonar cirúrgica em doentes sob ventilação invasiva e com suspeita de doença difusa do parênquima pulmonar]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Background: While open lung biopsy (OLB) performed in patients on mechanical ventilation (MV) with diffuse lung diseases (DLD) can be extremely important in establishing the diagnosis, the associated risk of this procedure should be taken into account. Aim: To determine the diagnostic yield, therapeutic changes, complications and mortality in patients with DLD on MV submitted to OLB. Methods: Retrospective study of 19 patients admitted to S. João Hospital between January 1999 and July 2007 (8.5 years). Data analysed included demographic data, ventilation variables before and after biopsy, diagnostic yield, effect on subsequent treatment changes and complications of OLB. Statistical analysis was performed using SPSS 14.0. Results: The mean age of patients was 58±16.3 years old and 53% were male. The mean duration of hospital stay in Intensive Care Unit before performing OLB was 13±7 days. All biopsies were performed by thoracotomy. The diagnostic yield was 95%. There were no significant differences in partial pressure of arterial oxygen/fraction of inspired oxygen (PaO2/FiO2) ratio and the positive end expiratory pressure (PEEP) before and after OLB. Postoperative complications occurred in 4 patients (21%; persistent air leak). Alteration in the diagnosis occurred in 14 patients (74%) and in 8 patients (42%) there was a modification in the treatment regimen. Global mortality was 47% (9 patients) but there were no biopsyrelated deaths. Conclusion: The high diagnostic yield and the low incidence of complications make OLB a useful procedure in patients on MV with DLD of unknown aetiology. However, early OLB may lead to even better results in some patients.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Biópsia pulmonar cirúrgica]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[ventilação invasiva]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[infiltrados pulmonares difusos]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Biópsia pulmonar cirúrgica em doentes sob ventilação invasiva e com suspeita    de doença difusa do parênquima pulmonar</b></p>      <p><b>&nbsp;</b></p>      <p><b>Natália Melo <a href="#a1">1</a><a name="topa1"></a></b></p>      <p><b>Sandra Figueiredo <a href="#a1">1</a></b></p>      <p><b>António Morais <a href="#a2">2</a><a name="topa2"></a></b></p>      <p><b>Conceição Souto Moura <a href="#a3">3</a><a name="topa3"></a></b></p>      <p><b>Paulo Pinho <a href="#a4">4</a><a name="topa4"></a></b></p>      <p><b>Pedro Bastos <a href="#a5">5</a><a name="topa5"></a></b></p>      <p><b>Teresa Oliveira <a href="#a6">6</a><a name="topa6"></a></b></p>      <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><b>Resumo</b></p>      <p><b>Introdução: </b>A realização de biópsia pulmonar cirúrgica (BPC) em doentes    sob ventilação invasiva (VI) no contexto de doenças difusas do pulmão (DPD)    poderá revelar-se necessária em circunstâncias em que se torne fundamental a    precisão diagnóstica, devendo obviamente ser ponderado o risco associado. </p>      <p><b>Objectivo: </b>Avaliação da rentabilidade diagnóstica, alterações da orientação terapêutica, complicações e mortalidade em doentes com DPD sob VI, submetidos a BPC.</p>      <p><b>Material e métodos: </b>Estudo retrospectivo de 19 doen tes admitidos no Hospital de S. João, num período de 8,5 anos (Janeiro 1999 – Julho 2007). Foram analisados os dados demográficos, as variáveis ventilatórias antes e após a BPC, a rentabilidade diagnóstica e o seu efeito na mudança terapêutica e as complicações da BPC. Análise estatística efectuada com SPSS 14.0.</p>      <p><b>Resultados: </b>A idade média dos doentes foi de 58±16,3 anos, e 53% eram do sexo masculino. A média de dias de internamento em unidade de cuidados intensivos (UCI) antes da realização da BPC foi de 13±7 dias. Todas as biópsias foram efectuadas por toracotomia. A rentabilidade diagnóstica foi de 95%. Apenas 4 doentes (21%) apresentaram complicações deste procedimento (fuga aérea prolongada). A razão pressão parcial do oxigénio arterial/fracção de oxigénio inspirada (PaO<sub>2</sub>/FiO<sub>2</sub>) e a pressão expiratória final positiva (PEEP) antes e após a BPC não mostraram diferenças significativas. Em 14 doentes (74%) o resultado histológico obtido levou à alteração da suspeita de diagnóstico inicial, condicionando em 8 deles (42%) uma mudança da orientação terapêutica. A mortalidade global foi de 47% (9 doentes), não se tendo observado em nenhum deles relação com o procedimento.</p>      <p><b>Conclusão: </b>A análise desta amostra sugere que a BPC poderá ser um procedimento    de extrema utilidade em situações de diagnóstico indeterminado no contexto de    doentes com DPD sob VI, para o que contribui a alta rentabilidade diagnóstica    e a baixa incidência de complicações reveladas. Contudo, a realização mais precoce    de BPC poderia, em alguns casos, originar resultados ainda mais significativos.</p>      <p><b>Palavras-chave: </b>Biópsia pulmonar cirúrgica, ventilação invasiva, infiltrados    pulmonares difusos.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Open lung biopsy in patients on mechanical ventilation with suspected diffuse    lung disease </b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Abstract</b> </p>     <p><b>Background</b>: While open lung biopsy (OLB) performed in patients on mechanical    ventilation (MV) with diffuse lung diseases (DLD) can be extremely important    in establishing the diagnosis, the associated risk of this procedure should    be taken into account.</p>     <p><b>Aim</b>: To determine the diagnostic yield, therapeutic changes, complications    and mortality in patients with DLD on MV submitted to OLB. </p>     <p><b>Methods</b>: Retrospective study of 19 patients admitted to S. Jo&atilde;o    Hospital between January 1999 and July 2007 (8.5 years). Data analysed included    demographic data, ventilation variables before and after biopsy, diagnostic    yield, effect on subsequent treatment changes and complications of OLB. Statistical    analysis was performed using SPSS 14.0. </p>     <p><b>Results</b>: The mean age of patients was 58&plusmn;16.3 years old and 53%    were male. The mean duration of hospital stay in Intensive Care Unit before    performing OLB was 13&plusmn;7 days. All biopsies were performed by thoracotomy.    The diagnostic yield was 95%. There were no significant differences in partial    pressure of arterial oxygen/fraction of inspired oxygen (PaO<sub>2</sub>/FiO<sub>2</sub>) ratio and    the positive end expiratory pressure (PEEP) before and after OLB. Postoperative    complications occurred in 4 patients (21%; persistent air leak). Alteration    in the diagnosis occurred in 14 patients (74%) and in 8 patients (42%) there    was a modification in the treatment regimen. Global mortality was 47% (9 patients)    but there were no biopsyrelated deaths. </p>     <p><b>Conclusion</b>: The high diagnostic yield and the low incidence of complications    make OLB a useful procedure in patients on MV with DLD of unknown aetiology.    However, early OLB may lead to even better results in some patients.</p>     <p><b>Key-words</b>: Open lung biopsy, mechanical ventilation, diffuse lung infiltrates.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>Introdução</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A biópsia pulmonar cirúrgica (BPC) permanece o exame <i>gold standard </i>para    muitas doen ças pulmonares que se apresentam com insuficiência respiratória    aguda e infiltrados pulmonares difusos<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>.    Contudo, sendo um procedimento invasivo, é geralmente utilizado quando outros    procedimentos menos invasivos já foram realizados sem que se tivesse estabelecido    um diagnóstico, ou quando há necessidade de um diagnóstico rápido e preciso<sup><a href="#1">1</a></sup>.</p>      <p>A evidência disponível relativamente à segurança e utilidade clínica da BPC    em doentes críticos, sob VI, é ainda escassa. Assim, a decisão de realizar BPC    nestes doentes é difícil, pois os estudos publicados não são consensuais relativamente    ao seu benefício. Enquanto alguns autores<sup><a href="#2">2</a>,<a href="#3">3</a></sup>    <a name="top2"></a><a name="top3"></a>verificaram que a BPC é tanto um procedimento    seguro como útil relativamente à informação diagnóstica, permitindo a instituição    de um tratamento adequado, outros<sup><a href="#4">4</a>,<a href="#5">5</a></sup>    <a name="top4"></a><a name="top5"></a>argumentam contra a sua realização devido    à ausência de benefício na sobrevida, assim como à morbilidade e à mortalidade    associadas. Devido a estes potenciais efeitos deletérios da BPC, muitos clínicos    têm relutância na realização deste procedimento nos doentes que já estão sob    VI. No entanto, são estes doentes com doença pulmonar não esclarecida e que    não respondem ao tratamento instituído de forma empírica que mais necessitam    de um diagnóstico histológico preciso, de forma a instituir-se um tratamento    específico.</p>      <p>O objectivo deste estudo é avaliar rentabilidade diagnóstica, alterações no diagnóstico inicial e na orientação terapêutica e segurança da BPC em doentes sob VI e com suspeita de doença difusa do parênquima pulmonar.</p>      <p><b>&nbsp;</b></p>      <p><b>Material e métodos</b></p>      <p>Foi efectuada uma revisão retrospectiva de processos clínicos de doentes admitidos em unidades de cuidados intensivos polivalentes (UCI) de adultos de um hospital central (Hospital de S. João) durante um período de 8,5 anos (Janeiro de 1999 a Julho de 2007).</p>      <p>Os critérios de inclusão englobaram doentes com insuficiência respiratória, sob VI e com infiltrados pulmonares difusos, que foram submetidos a BPC. Foram excluídos os doentes que apenas ficaram ventilados mecanicamente após a realização da BPC, assim como os doentes que efectuaram toracotomia terapêutica e simultaneamente BPC.</p>      <p>A informação obtida incluiu a seguinte: dados demográficos, comorbilidades, suspeita diagnóstica à admissão na UCI, estudo diagnóstico efectuado previamente à BPC, incluindo tomografia computorizada (TC) torácica e broncofibroscopia, tratamento instituído previamente à BPC, PaO<sub>2</sub>/FiO<sub>2</sub> e PEEP antes e após a BPC, diagnósticos histológicos obtidos e o seu impacto na mudança de estratégia terapêutica, complicações e mortalidade associadas ao procedimento cirúrgico.</p>      <p>Todas as biópsias foram efectuadas por toracotomia (maioritariamente por minitoracotomia). Os locais de biópsia foram escolhidos com base nas alterações imagiológicas. Foram obtidas, no máximo, três amostras de tecido pulmonar para análise histológica. Após a realização das biópsias pulmonares, a drenagem do espaço pleural foi efectuada com dois drenos pleurais, em todos os doentes. Os drenos pleurais foram retirados o mais precocemente possível, na ausência de fuga aérea.</p>      <p>A análise estatística foi efectuada por SPSS 14.0. Para todos os testes estatísticos efectuados, p&lt;0,05 foi considerado significativo.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>&nbsp;</b></p>      <p><b>Resultados</b></p>      <p><b>Dados demográficos e clínicos </b><b>previamente à BPC</b></p>      <p>A BPC foi um procedimento raro, com uma incidência anual de 0,2% a 0,6% dos doentes admitidos em UCI do Hospital de S. João. Dezanove doentes preencheram os critérios de inclusão. A idade média foi de 58 ± 16,3 anos e 10 doentes (53%) eram do sexo masculino. Cinco doentes (26,3%) estavam imunodeprimidos e doze (63,2%) apresentavam comorbilidades diagnosticadas previamente. Todos efectuaram TC torácico antes da biópsia e 15 (79%) realizaram broncofibroscopia previamente à BPC. Doze doentes (63,2%) estavam com antibioterapia e catorze (73,7%) sob corticoterapia. Quatro doentes (21,1%) estavam sob suporte inotrópico na altura da biópsia. O PEEP (n=16) e o PaO<sub>2</sub>/FiO<sub>2</sub> (n=18) médio previamente à BPC foram de 9 cmH2O e de 171 mmHg, respectivamente. A média de dias de internamento em UCI antes da realização da BPC foi de 13±7 dias. O tempo de ventilação invasiva antes da realização da BPC entre o grupo de sobreviventes e não sobreviventes foi de 11,8 e 14,9 dias, respectivamente, não tendo sido esta diferença significativa (p=0,6).</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b>Complicações intra e perioperatórias e alterações fisiológicas</b></p>      <p>Não se observou nenhuma complicação intra operatória. Quatro doentes (21%)    apresentaram complicações deste procedimento, tratando-se em todos os casos    de fuga aérea prolongada (4 a 27 dias). Apenas um doente necessitou de iniciar    suporte inotrópico após a realização da BPC. O PaO<sub>2</sub>/FiO<sub>2 </sub>e    o PEEP médio após a BPC foram de 202 mmHg e de 8 mmHg, respectivamente, não    se verificando diferenças significativas relativamente aos valores apresentados    previamente à biópsia.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b>Diagnósticos histológicos </b></p>     <p>A rentabilidade diagnóstica foi de 95%. Apenas num doente a análise histológica    foi inconclusiva devido à exiguidade da amostra. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os diagnósticos histológicos obtidos estão representados na Quadro I, tendo    sido a lesão alveolar difusa (DAD) o diagnóstico mais comum (Fig. 1), encontrada    em sete doentes. Destes, seis encontravam-se na fase fibroproliferativa e um    na fase exsudativa. Em dois doentes, sem patologia pulmonar prévia conhecida,    o exame histológico revelou alterações compatíveis com lesão alveolar difusa    e pneumonia intersticial usual, permitindo estabelecer o diagnóstico de exacerbação    aguda de fibrose pulmonar idiopática (FPI), após a exclusão de causas de descompensação    da FPI (Fig. 2). Uma doente, internada por insuficiência respiratória e tomboembolismo    pulmonar (TEP), foi admitida na UCI após paragem cardiorrespiratória (PC-R)    e, após valorização de alteração imagiológica sugestiva de doença pulmonar difusa,    foi submetida a BPC por suspeita de doença subjacente predisponente ao quadro    clínico apresentado, não tendo no entanto a biópsia revelado outras alterações    para além da presença de trombos recentes e organizados. Os três casos de pneumonia    em organização (OP) estiveram associados a infecção por <i>Pseudomonas aeruginosa    </i>num caso e a infecção por <i>Legionella </i>noutro (Fig. 3). Foi diagnosticada    pneumonia eosinofílica em dois doentes, tendo sido efectuada previamente broncofibroscopia    num deles, não tendo havido contudo a possibilidade de efectuar a contagem celular    total e diferencial do lavado broncoalveolar (LBA), devido a recuperação insuficiente    do mesmo. No outro doente não foi efectuado o estudo celular do LBA, por ausência    de suspeita clínica relativamente a este diagnóstico.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Quadro I</b> - Doentes inclu&iacute;dos no estudo</p>     <p><img src="/img/revistas/pne/v15n4/15n4a03t1.jpg" width="947" height="592"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><img src="/img/revistas/pne/v15n4/15n4a03f1.jpg" width="754" height="294"></p>     
<p><b>Fig. 1 </b>– Lesão alveolar difusa. A – Marcado espessamento intersticial    à custa de proliferação de fi broblastos e discreto infiltrado infl amatório    mononucleado, condicionando irregularidade dos espaços alveolares (HE 40X).    B – Presença de membranashialinas (HE 400X)</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/pne/v15n4/15n4a03f2.jpg" width="754" height="295"></p>     
<p><b>Fig. 2 </b>– Lesão alveolar difusa sobreposta a pneumonia intersticial usual.    A – Espaços irregulares, cisticamente dilatados e contendo muco, num fundo com    fi brose (HE 40X). B – Marcado espessamento dos septos interalveolares, à custa    de proliferação de fi broblastos, a traduzir agudização (HE 400X)</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><img src="/img/revistas/pne/v15n4/15n4a03f3.jpg" width="754" height="295"></p>     
<p><b>Fig. 3 </b>– Pneumonia organizativa. A e B – Fibrose intraluminal, envolvendo    o bronquíolo respiratório e espaços alveolares adjacentes. O processo é bem    limitado em relação ao parênquima pulmonar adjacente (A– HE 40X; B– HE 400X)</p>     <p>&nbsp;</p>      <p>Uma doente foi admitida na UCI após PC-R durante a realização de broncofibroscopia    para estudo de DPD. Como não apresentava diagnóstico definido, foi submetida    a BPC, cujo exame histológico foi compatível com sarcoidose. O diagnóstico de    pneumonia vírica foi obtido por análise histológica num doente e por técnicas    de bio logia molecular (positividade do ADN do <i>Cytomegalovirus </i>(CMV)    no fragmento de biópsia pulmonar) no outro doente. O diagnóstico de pneumonia    fúngica foi efectuado pela presença de estruturas fúngicas (confirmado por estudo    histoquímico pelos métodos de PAS, PAS-D e Grocott) com características de <i>Cândida    spp</i>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Impacto do diagnóstico histológico no tratamento e nos resultados</b></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O resultado da BPC condicionou alteração no diagnóstico inicial em catorze doentes (74%) e mudança da estratégia terapêutica em oito (42%). De salientar que três doentes faleceram antes de o resultado da biópsia ser conhecido. A mortalidade global foi de 47% (9 doentes). Dos dez que tiveram alta, 4 (40%) tiveram alteração do tratamento após o resultado da biópsia e, dos nove doentes que faleceram, quatro (44,4%) tiveram igualmente mudança da estratégia terapêutica após o diagnóstico histológico. Dos quatro doentes que tiveram complicações, três faleceram e um teve alta. As causas de morte foram exacerbação aguda de FPI, trombos cardíacos e pulmonares (resultado obtido por autópsia) e sépsis com disfunção multiorgânica.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Discussão</b></p>      <p>A BPC é um procedimento pouco frequente em UCI, com uma incidência anual, nos    EUA, de 0 a 0,9%<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>. A decisão    de a realizar em doentes sob VI é baseada não só na necessidade de se obter    um diagnóstico preciso, e deste modo oferecer um tratamento específico, evitando    efeitos deletérios de um tratamento empírico ineficaz, mas também para se obter    uma informação prognóstica<sup><a href="#6">6</a></sup>.</p>      <p>A rentabilidade diagnóstica da BPC neste estudo foi de 95% (diagnóstico histológico    não conclusivo num doente devido à exiguidade da amostra). Apesar de este valor    ser semelhante ao descrito na literatura<sup><a href="#7">7-8</a></sup> <a name="top7"></a>(&gt;    92%), é importante referir que as amostras ideais devem ter pelo menos 3 cm    de maior eixo e obtidas em mais do que um lobo<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>.    Apesar de a rentabilidade diagnóstica ser semelhante<sup><a href="#10">10</a><a name="top10"></a></sup>,    a biópsia por toracotomia foi preferida à biopsia por videotoracoscopia, devido    ao menor tempo do procedimento, associado ao facto de não haver necessidade    de troca de tubo orotraqueal por um de duplo lúmen, nem a necessidade de se    ventilar selectivamente um pulmão.</p>      <p>De salientar, também, que a rentabilidade diagnóstica da BPC em doentes sob    VI não difere da encontrada em doentes com patologia pulmonar difusa em estudo    no ambulatório e que são orientados para BPC, sem necessidade de suporte ventilatório    prévio<sup><a href="#3">3</a>,<a href="#11">10-13</a><a name="top11"></a></sup>.    Apesar de haver mudança do diagnóstico inicial em catorze doentes (74%), o resultado    da BPC apenas condicionou a mudança de tratamento em oito (42%). Este valor    é inferior ao encontrado noutros estudos<sup><a href="#6">6</a>;<a href="#12">11-13</a></sup><a name="top12"></a>    (64 a 75%) e pode ser explicado, em parte, pelo facto de três doentes terem    falecido antes do resultado da biópsia (dois com diagnóstico posterior de exacerbação    aguda de FPI e um com pneumonia eosinofílica) e que, nos casos descritos, poderiam    ter implicações terapêuticas e até prognósticas importantes, nomeadamente no    último caso.</p>      <p>Em sete doentes o diagnóstico histológico foi de DAD. Nestes casos, a histologia    não revelou a causa subjacente, contudo o conhecimento da fase de evolução da    DAD tem implicações terapêuticas importantes, pois Meduri <i>et al </i><sup><a href="#14">14</a><a name="top14"></a></sup>    mostrou que o uso de corticóides na fase fibroproliferativa poderá melhorar    a sobrevida destes doentes. Na presença de um contexto clínico adequado e na    ausência de uma causa subjacente ou um factor predisponente ao aparecimento    de DAD, efectua-se o diagnóstico de pneumonia intersticial aguda (AIP)<sup><a href="#15">15</a><a name="top15"></a></sup>.    Alguns dos casos descritos poderão corresponder a AIP, contudo a ausência de    um estudo microbiológico exaustivo do fragmento de biópsia, nomeadamente no    estudo virulógico, não permitiu excluir, com certeza, causas infecciosas.</p>      <p>O tempo que mediou entre o início do internamento em UCI, sob VI, e a realização    de BPC (média – 13 dias) foi superior aos descritos em outros trabalhos semelhantes<sup><a href="#13">13</a>,<a href="#17">16-17</a><a name="top13"></a><a name="top16" id="top16"></a></sup>    (3 a 8 dias). A influência do tempo de VI previamente à realização de biópsia    pulmonar nos resultados clínicos ainda não está bem esclarecida. </p>      <p>Contudo, alguns estudos sugerem um benefício na realização precoce da BPC.    Warner <i>et al </i><sup><a href="#5">5</a></sup> verificaram que o tempo entre    a instalação da insuficiência respiratória e a realização da BPC era significativamente    menor nos sobreviventes (4,4±2,9 dias) do que nos não sobreviventes (6,1±3,6    dias). No estudo realizado por Lim <i>et al </i><sup><a href="#16">16</a></sup>,    apesar de não haver diferenças no tempo de VI entre o grupo dos sobreviventes    e o dos não sobreviventes, verificou-se que os doentes que efectuaram a BPC    até uma semana após o início da VI tiveram maior probabilidade de sobreviver    (63% <i>vs </i>11%; p=0,018). Pelo contrário, Araby <i>et al </i><sup><a href="#18">18</a><a name="top18"></a></sup>    não encontraram nenhuma diferença entre sobreviventes e não sobreviventes relativamente    ao tempo de ventilação prévio à biópsia. No presente estudo também não houve    diferença significativa no tempo de VI até à BPC entre os dois grupos (sobreviventes    – 11,8 dias <i>vs </i>não sobreviventes – 14,9 dias; p=0,6).</p>      <p>A comparação entre os valores médios de PEEP e PaO<sub>2</sub>/FiO<sub>2</sub> antes e após a biopsia não mostrou diferenças significativas e apenas um doente necessitou de iniciar suporte inotrópico após a BPC, pelo que se pode concluir que este procedimento cirúrgico não originou grandes transtornos ventilatórios ou hemodinâmicos.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As complicações associadas a este procedimento em doentes ventilados variaram consideravelmente entre estudos, provavelmente devido à heterogeneidade das populações estudadas.</p>      <p>A complicação mais frequentemente descrita foi a fuga aérea prolongada<sup><a href="#6">6</a>,<a href="#12">11-12</a>,<a href="#19">17</a></sup><a name="top19" id="top19"></a>,    com frequências tão elevadas como 42%<sup><a href="#18">18</a></sup>. Outras    complicações menos comuns foram hemotórax<sup><a href="#12">11</a>,<a href="#19">17</a></sup>,    empiema<sup><a href="#2">2</a>,<a href="#12">11</a></sup>, infecção de ferida    operatória<sup><a href="#2">2</a></sup>, hipotensão intraoperatória<sup><a href="#6">6</a>,<a href="#16">16</a></sup>,    entre outras. Neste estudo surgiram complicações em quatro doentes (21%), tendo-se    tratado em todos de fuga aérea prolongada. Cho <i>et al </i><sup><a href="#20">19</a></sup><a name="top20"></a>    efectuaram um estudo para determinar factores de risco de fuga aérea prolongada    em doentes ventilados com ARDS que foram submetidos a BPC. A pressão de pico    da via aérea (Ppico) foi o único factor preditor identificado (o risco de fuga    aérea prolongada foi reduzido em 42% por cada redução de 5 cm H<sub>2</sub>O na Ppico),    portanto, a adopção de estratégias ventilatórias protectoras que limitem a Ppico    está fortemente associada a uma redução do risco pós-operatório de fuga aérea    prolongada.</p>      <p>Devido ao número reduzido de doentes incluídos e de complicações observadas, não foi possível determinar, neste estudo, a influência da Ppico no risco de fuga aérea.</p>      <p>A mortalidade global foi de 47%, semelhante ao descrito noutros estudos<sup><a href="#3">3</a>,<a href="#6">6</a>,<a href="#12">11-13</a>,<a href="#17">16-18</a></sup>    (46% a 67%). A mortalidade associada ao procedimento é rara, mesmos nos doentes    ventilados<sup><a href="#3">3</a>,<a href="#6">6</a>,<a href="#12">11-13</a>,<a href="#17">16-18</a></sup>.    Estão descritos casos de morte por paragem cardíaca1<sup><a href="#7">7</a></sup>,    hemorragia<sup><a href="#6">6</a></sup> e pneumotórax de tensão<sup><a href="#6">6</a></sup>.    No presente estudo, nenhum doente faleceu devido à reali zação da biópsia. </p>      <p>Este estudo tem várias limitações inerentes à metodologia retrospectiva utilizada, ao tamanho reduzido e à heterogeneidade da amostra, para além do viés de selecção. Apesar de um estudo prospectivo e randomizado poder fornecer conclusões mais fiáveis, a sua execução em doentes críticos é de difícil implementação.</p>      <p>Contudo, a análise desta amostra sugere que a BPC poderá ser um procedimento de extrema utilidade em situações de diagnóstico indeterminado no contexto de doentes com DPD sob VI, para o que contribui a alta rentabilidade diagnóstica, os diminutos transtornos ventilatórios e hemodinâmicos e a baixa incidência de complicações reveladas. A realização mais precoce da BPC poderia, em alguns casos, originar resultados ainda mais significativos.</p>      <p><b>&nbsp;</b></p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>Bibliografia/Bibliography</b></p>      <!-- ref --><p><a name="1"></a><a href="#top1">1</a>. Krell WS. Pulmonary diagnostic procedures    in critically ill. Crit Care Clin 1988; 4 (2): 393-407.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000092&pid=S0873-2159200900040000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><a href="#top2">2</a>. <a name="2"></a>Soh LH, Chian CF, Su WL, <i>et al. </i>Role    of open lung biopsy in patients with diffuse lung infiltrates and acute respiratory    failure. J Formos Med Assoc 2005; 104 (1): 17-21.</p>      <p><a href="#top3">3</a>. <a name="3"></a>Barbas CS, Capelozzi VL; Hoelz C, <i>et    al. </i>Impact of open lung biopsy on refractory acute respiratory failure.    J Bras Pneumol 2006; 32 (5): 418-423.</p>      <p><a href="#top4">4</a>. <a name="4"></a>Baumann MH, Sahn SA. Medical management    and therapy of bronchopleural fistulas in the mechanically ventilated patient.    Chest 1990; 97: 721-728.</p>      <p><a href="#top5">5</a>. <a name="5"></a>Warner DO, Warner MA, Divertie MB. Open    lung biopsy in patients with diffuse pulmonary infiltrates and acute respiratory    failure. Am Rev Respir Dis 1988; 137 (1): 90-94.</p>      <p><a href="#top6">6</a>. <a name="6"></a>Flabouris A, MyburghJ. The utility of    open lung bio psy in patients requiring mechanical ventilation. Chest 1999;    115 (3): 811-817.</p>      <p><a href="#top7">7</a>. <a name="7"></a>Lee YC, Wu CT, Hsu HH, <i>et al. </i>Surgical    lung biopsy for diffuse pulmonary disease: experience of 196 patients. J Thorac    Cardiovasc Surg 2005; 129 (5): 984-990.</p>      <p><a href="#top7">8</a>. Lettieri CJ, Veerappan GR, Helman DL, <i>et al. </i>Outcomes    and safety of surgical lung biopsy for interstitial lung disease. Chest 2005;    127: 1600-1605.</p>      <p><a name="9"></a><a href="#top9">9</a>. Flint A, Martinez FJ, Young ML, <i>et    al. </i>Influence of sample number and biopsy site on the histologic diagnosis    of diffuse lung disease. Ann Thorac Surg 1995; 60: 1605-1607</p>      <p><a name="11"></a><a name="10"></a><a href="#top10">10</a>. Ravini M, Ferraro    G, Barbieri B, <i>et al. </i>Changing strategies of luna biópsias in diffuse    lung diseases: the impact of video-assisted thoracoscopy. Eur Respir J 1998;    11: 99-103.</p>      <p><a name="12"></a><a href="#top12">11</a>. Monteiro AS, Addor G, Nigri DH, <i>et    al. </i>Open lung biopsy in patients on mechanical ventilation and presenting    diffuse pulmonary infiltrate. J Bras Pneumol 2005; 31 (3): 112-218.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top12">12</a>. Canver CC, Mentzer RM Jr. The role of open lung biopsy    in early and late survival of ventilator–dependent patients with diffuse idiopathic    lung disease. J Cardiovasc Surg 1994; 35 (2): 151-155.</p>      <p><a name="13"></a><a href="#top13">13</a>. Kao K-C, Tsai Y-H, Wu Y-K, <i>et    al. </i>Open lung biopsy in early-stage acute respiratory distress syndrome.    Critical Care 2006, 10 R106 (online at: <a href="http://ccforum.com/content/10/4/R106" target="_blank">http://ccforum.com/content/10/4/R106</a>).</p>      <p><a name="14"></a><a href="#top14">14</a>. Meduri GU, Headley AS, Golden E,    <i>et al. </i>Effect of prolonged methylprednisolone therapy in unresolving    acute respiratory distress syndrome: a randomized controlled trial. JAMA 1998;    280 (2):159-165.</p>      <p><a name="15"></a><a href="#top15">15</a>. Olson J, Colby TV, Elliott CG. Hamman-Rich    syndrome revisited. Mayo Clin Proc 1990; 65:1538-1548 </p>      <p><a name="16"></a><a name="17"></a><a href="#top16">16</a>. Lim SY, Suh GY,    Choi JC, <i>et al. </i>Usefulness of open lung biopsy in mechanically ventilated    patients with undiagnosed diffuse pulmonary infiltrates: influence of comorbidities    and organ dysfunction. Critical care 2007, 11 R93 (online at: <a href="http://ccforum.com/cot/11/4/Rnten93" target="_blank">http://ccforum.com/cot/11/4/Rnten93</a>).</p>      <p><a name="19"></a><a href="#top19">17</a>. Patel SR, Karmpaliotis D, Ayas NT,    <i>et al. </i>The role of open-lung biopsy in ARDS. Chest 2004; 125:197-202.</p>      <p><a name="18"></a><a href="#top18">18</a>. Arabi Y, Ahmed R, Ahamed Q, <i>et    al. </i>Risks and benefits of open-lung biopsy in the mechanically ventilated    critically ill population: a cohort study and leterature review. Med Sci Monit    2007; 13 (8): CR365-371.</p>      <p><a name="20"></a><a href="#top20">19</a>. Cho MH, Malhotra A, Donahue DM, <i>et    al. </i>Mechanical ventilation and air leaks after lung biopsy for acute respiratory    distress syndrome. Ann Thorac Surg 2006; 82 (1): 261-266.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="a1"></a><a href="#topa1">1</a> Interna Complementar de Pneumologia/<i>Resident,    Pulmonology</i></p>     <p><a name="a2"></a><a href="#topa2">2</a> Assistente Hospitalar de Pneumologia/<i>Consultant    Pulmonology</i></p>     <p>Serviço de Pneumologia do H.S.João – Director de Serviço: Prof. Dr. Venceslau    Hespanhol/<i>Pulmonology Unit, H. S. João, Porto – Unit Director: Prof. Dr.    Venceslau Hespanhol</i></p>     <p><a name="a3"></a><a href="#topa3">3</a> Assistente Hospitalar Graduada de Anatomia    Patológica – Serviço de Anatomia Patológica do H. S. João – Directora de Serviço:    Prof. Dra. Fátima Carneiro/<i>Consultant Specialist, Anatomical Pathology –    Anatomical Pathology Unit, H. S. João – Unit Director: Prof. Dr. Fátima Carneiro</i></p>     <p><a name="a4"></a><a href="#topa4">4</a> Director de Serviço – Serviço de Cirurgia    Cardiotorácica do Hospital de S. João/<i>Unit Director, Cardiothoracic Surgery    Unit, Hospital de S. João</i></p>     <p><a name="a5"></a><a href="#topa5">5</a> Chefe de Serviço de Cirurgia Cardiotorácica    – Serviço de Cirurgia Cardiotorácica do Hospital de S. João – Director de Serviço:    Dr. Paulo Pinho/<i>Unit Head, Cardiothoracic </i><i>Surgery Unit, Hospital de    S. João – Unit Director: Dr. Paulo Pinho</i></p>     <p><a name="a6"></a><a href="#topa6">6</a> Assistente Hospitalar Graduada em Anestesiologia    – Serviço de Cuidados Intensivos – Director de Serviço: Dra. Ana Maria Mota/<i>Consultant,    Specialist, Anesthesiology – </i><i>Intensive Care Unit – Unit Director: Dr.    Ana Maria Mota</i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Correspondência/Correspondence to:</b></p>     <p>Natália Melo</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Serviço de Pneumologia</p>     <p>Hospital de S. João</p>     <p>Alameda Professor Hernâni Monteiro</p>     <p>4202-451 Porto</p>     <p>Telefone: 919371855</p>     <p><i>E-mail: </i><a href="mailto:nataliafmelo@hotmail.com">nataliafmelo@hotmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido para publica&ccedil;&atilde;o/<i>received for publication</i>: 08.11.21</p>     <p> Aceite para publica&ccedil;&atilde;o/<i>accepted for publication</i>: 09.02.17</p>       ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Krell]]></surname>
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<year>1988</year>
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<page-range>393-407</page-range></nlm-citation>
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