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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Os genes ERCC1 e RRM1 no carcinoma broncopulmonar]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In lung cancer, expressive survival has not yet been achieved in non surgical stages. Non -small cell lung cancer (NSCLC) patients are treated with platinum and other drugs. To choose these agents we can actual ly define predictive biomarkers to preview therapeutic response. A literature revision was done in order to define the role of ERCC1 e RRM1 genes in the response to chemotherapy based in platinum and gemcitabine respectively. The expression of these genes is faced as a predictive marker to the chemotherapy response in patients with adenocarcinomas and squamous cell carcinomas, providing a personalized therapy. Published data supports this behaviour and is useful to individualize therapy accordingly to individual levels of ERCC1 which are modified by genetic mutations. Polymorphisms in codons 118 C/T and C8092A, seem to influence the carcinogenesis, cytostatic resistance, survival and even the prognosis. Clinical and laboratorial trials showed that high expression of RRM1 gene in NSCLC has impact in the tumoral phenotype. Patients having done surgical ressection and presenting high expression of RRM1 have better survival than those with lower expression. However, patients with advanced NSCLC and treated with chemotherapy with gemcitabine and cisplatin appear to have a poor outcome if the tumor express elevated levels of RRM1 gene.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Carcinoma do pulmão de células não pequenas]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Os genes ERCC1 e RRM1 no carcinoma broncopulmonar</b></p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>Lina Carvalho <a href="#a1">1</a><a name="topa1"></a></b></p>      <p><b>António Silva <a href="#a2">2</a><a name="topa2"></a></b></p>      <p><b>Cláudia Andrade <a href="#a2">2</a></b></p>      <p><b>Cláudia Barroso <a href="#a2">2</a></b></p>      <p><b>Cláudia Farinha <a href="#a2">2</a></b></p>      <p><b>José Carlos Fernandes <a href="#a2">2</a></b></p>      <p><b>Raquel Landeiro <a href="#a2">2</a></b></p>      <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Resumo</b></p>      <p>No cancro do pulmão, ainda não se obteve sobrevivência expressiva dos doentes    que se apresentam em estádios não cirúrgicos. Os doentes com carcinoma de não    pequenas células são tratados com platina e outros fármacos, para os quais se    podem caracterizar actualmente marcadores preditivos de resposta terapêutica.    Procedeu-se a uma revisão da literatura, tendo como alvo o papel dos genes <i>ERCC1    </i>e <i>RRM1 </i>na resposta à quimioterapia baseada na platina e na gemcitabina.</p>      <p>Actualmente, a expressão destes genes é encarada como preditiva de resposta à quimioterapia em doentes com adenocarcinomas e carcinomas epidermóides, orientando a terapêutica personalizada. Dados publicados demonstram a utilidade da quimioterapia individualizada, de acordo com os níveis individuais de ERCC1. Estes também são influenciados por variabilidade genética. Assim, a presença de certos polimorfismos, como são os códãos 118 C/T e C8092A, parecem estar relacionados com a carcinogénese, resistência aos citostáticos, tempo de sobrevida e até com o prognóstico.</p>      <p>Estudos clínicos e laboratoriais demonstraram também que a elevada expressão do gene <i>RRM1 </i>no NSCLC tem impacto no fenótipo do tumor e na resposta variável à quimioterapia. Doentes submetidos a ressecção cirúrgica, cujos tumores apresentavam expressão aumentado do gene <i>RRM1, </i>têm maior sobrevivência do que os doentes com baixa expressão.</p>      <p>No entanto, os doentes com NSCLC avançado sujeitos a quimioterapia com gemcitabina e cisplatina apresentam um pior prognóstico se o tumor apresentar expressão aumentada do gene <i>RRM1</i>.</p>      <p><b>Palavras-chave: </b>Carcinoma do pulmão de células não pequenas, RRM1, ERCC1.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b>ERCC1 and RRM1 genes in lung cancer</b></p>     <p><b>Abstract</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>   In lung cancer, expressive survival has not yet been   achieved in non surgical stages. Non -small cell lung   cancer (NSCLC) patients are treated with platinum   and other drugs. To choose these agents we can actual   ly define predictive biomarkers to preview therapeutic   response.   A literature revision was done in order to define the   role of ERCC1 e RRM1 genes in the response to   chemotherapy based in platinum and gemcitabine   respectively. The expression of these genes is faced as   a predictive marker to the chemotherapy response in   patients with adenocarcinomas and squamous cell   carcinomas, providing a personalized therapy.   Published data supports this behaviour and is useful   to individualize therapy accordingly to individual   levels of ERCC1 which are modified by genetic mutations.   Polymorphisms in codons 118 C/T and   C8092A, seem to influence the carcinogenesis, cytostatic   resistance, survival and even the prognosis.</p>     <p>Clinical and laboratorial trials showed that high expression   of RRM1 gene in NSCLC has impact in the   tumoral phenotype. Patients having done surgical   ressection and presenting high expression of RRM1   have better survival than those with lower expression.   However, patients with advanced NSCLC and treated   with chemotherapy with gemcitabine and cisplatin   appear to have a poor outcome if the tumor express   elevated levels of RRM1 gene.</p>     <p>   <b>Key-words:</b> Non-small cell lung cancer, RRM1,   ERCC1. </p>     <p>&nbsp;</p>      <p>&nbsp;</p>    <p><b>Introdução</b></p>      <p>O carcinoma do pulmão continua hoje em dia a ser o mais frequente, sendo responsável por aproximadamente um milhão de mortes/ano a nível mundial<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>. Ainda se agrupa o cancro do pulmão em dois grupos: o carcinoma do pulmão de pequenas células (SCLC), quimiossensível e com taxas de resposta na ordem dos 80% à quimioterapia com cisplatina e etoposido; e o carcinoma de células não pequenas (NSCLC), moderadamente quimiossensível, dependendo do estádio TMN, e com taxas de resposta para tumores inoperáveis que variam de 30 a 60% para esquemas que combinam platina com gemcitabina, vinorelbina, ou taxanos.</p>      <p>Neste grupo estão os tipos histológicos mais frequentes, o adenocarcinoma e    o carcinoma epidermóide<sup><a href="#2">2</a>,<a href="#3">3</a><a name="top2"></a><a name="top3"></a></sup>.    O NSCLC é responsável por aproximadamente 80% de todos os casos de cancro do    pulmão. Aproximadamente 70% dos doentes apresenta um estádio avançado da doença    e a sobrevivência para os detectados em estádios mais tardios permanece bastante    pobre<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>. Apesar de a terapêutica    cirúrgica ser a melhor opção nos estádios mais precoces para estes doentes,    metade poderá eventualmente sofrer recidiva local ou à distância. Estudos clínicos    desenvolvidos recentemente e focados na quimioterapia adjuvante para NSCLC,    baseada em regimes que têm por principal agente os derivados da platina demonstraram    que estes aumentam de facto a sobrevivência<sup><a href="#5">5</a>,<a href="#6">6</a>,<a href="#7">7</a></sup><a name="top5"></a><a name="top6"></a><a name="top7"></a>;    contudo, a proporção de doentes que beneficiam da quimioterapia adjuvante permanece    ainda baixa. Em casos avançados, tratamento duplo baseado em platina tem sido    o inicial protocolado<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>, apesar de a sobrevivência média de 10-12 meses ser obviamente    ainda insatisfatória<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>,   <sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>. É portanto lógico pensar que novas abordagens para    selecção dos melhores candidatos à quimioterapia e para identificar os regimes    terapêuticos mais adequados são necessárias. A perspectiva da utilização de    biomarcadores, com o fim de atingir este objectivo, tem-se mostrado aliciante,    sendo já considerável a investigação actualmente orientada neste sentido<sup><a href="#4">4</a></sup>. Contudo,    estudos clínicos retrospectivos já realizados mostraram que apenas alguns destes    biomarcadores são clinicamente interessantes no que toca ao carcinoma do pulmão.</p>      <p>Actualmente, os mais referidos como candidatos a marcadores são o <i>excision–repair cross-complementation group 1 </i>(ERCC1), implicado como veremos adiante na reparação do ADN; a subunidade do <i>ribonucleotide reductase M1 </i>(RRM1), implicada no metabolismo dos nucleótidos para a síntese de ADN; e o p53, implicado no processo apoptótico<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>.</p>      <p>Tentaremos avaliar o impacto do nível expresso de ERCC1 e RRM1 pelas células neoplásicas na sobrevivência dos doentes com cancro do pulmão; e comparar a sobrevida pós-quimio terapia e os níveis de ERCC1 e polimorfismos de RRM1 expressos, de modo a que num futuro próximo seja possível optimizar e personalizar o tratamento destes doentes.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><b>ERCC1</b></p>      <p>O ERCC1 é a principal enzima da cascata NER: <i>nucleotide excision repair</i>, mecanismo responsável pela reparação do ADN<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>. Esta enzima (de 33 kDa) é codificada pelo gene ERCC1, de 15 kb, localizado no cromossoma 19q. Este gene foi altamente preservado durante a evolução e é expresso em todos os tecidos em níveis relativamente elevados.</p>      <p>Apesar de todas as suas funções não serem ainda conhecidas, é um facto comprovado     que ele é essencial à vida<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>.    A importância da enzima por ele codificada prende-se portanto com o seu papel    no NER<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>, <sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>.    De facto, estando a informação genética “armazenada” na estrutura química do    ADN, manter a sua integridade estrutural é crucial e indispensável à vida. Subsequentemente,    complicados sistemas de reparação do ADN evoluíram neste sentido, entre os quais    se destaca o NER<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>. Na última    década, todos os factores-chave do NER foram identificados e o conhecimento    sobre este mecanismo foi largamente ampliado. Existem dois tipos distintos de    reacções NER: um com funções de reparação de danos e lesões, abrangendo todo    o genoma, o <i>global genome NER </i>(GG-NER); outro responsável pela reparação    de lesões bloqueadoras da transcrição presentes em sequências de ADN transcritas,    o <i>transcription-coupled NER </i>(TC-NER). A reacção TC-NER é iniciada pelo    XPC, um sensor de danos no ADN e recrutador da maquinaria de reparação, que    inicia todo o processo de reparação ao formarem complexo com o hHR23B. Uma vez    que o segmento do dano no ADN, e consequentemente a ser excisado, seja identificado,    o complexo geral de transcrição TFIIH, composto pelas helicases XPB e XPD, promove    a separação das duas fitas de ADN no local da lesão. No GG-NER, o complexo TFIIH    consegue iniciar a reacção sem a ajuda do complexo XPC-hHR23B. O XPA é então    recrutado identificando a lesão no ADN na forma de conformação aberta. A proteína    de replicação A estabiliza o ADN nessa conformação e posiciona a endonuclease    XPG (ERCC5), que procede à excisão na terminação 3’ do segmento de ADN. Por    fim, o ERCC1 liga-se ao XPF para formar uma endonuclease responsável pela excisão    na terminação 5’ da lesão<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>. O oligonucleótido contendo a lesão (tipicamente    constituído por 24-32 nucleótidos) é então removido. Factores de replicação    são activados, sendo o processo de reparação concluído<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>.</p>      <p>O NER contraria assim os efeitos deletérios de múltiplos insultos que causam    dano ao ADN, entre os quais estão os causados por químicos, por radiações (nomeadamente    as ondas UV da luz solar) e por várias toxinas ambientais<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>.    Perante tal facto, pode colocar-se a possibilidade de os mecanismos de reparação    do ADN, como o NER, poderem desempenhar um papel fundamental na carcinogénese.    Simultaneamente, são instrumentos úteis na definição do prognóstico e resposta    ao tratamento, uma vez que um aumento da sua capacidade de reparação do ADN    leva provavelmente a um aumento da resistência a certos tipos de quimiofármacos<sup><a href="#18">18</a></sup>.</p>      <p>Estudos recentes clarificaram o papel do NER na história natural e na resposta    ao tratamento em doentes com NSCLC. O estado funcional do NER é avaliado em    espécimes clínicos através da medição do ERCC1. De facto, quer o ERCC1 mRNA,    quer a proteína ERCC1 podem ser quantificados. O primeiro por técnicas de <i>reverse-transcriptase    polymerase chain reaction </i>(RT-PCR) e a segunda através de técnicas de imunoistoquímica<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>,  <sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>.</p>      <p>Os níveis de ERCC1 em amostras do tumor são assim presumíveis representantes de todo o NER<sup><a href="#18">18</a></sup>. Entretanto, há ainda a ter em consideração o facto de a expressão do gene ERCC1 e, consequentemente, os níveis da enzima correspondente, serem influenciados por alterações genéticas, nomeadamente pela presença de determinados polimorfismos (<i>single nucleotide polymorphisms </i>– SNP). De facto, a perda de heterozigotismo nos genes do NER foi já observada em carcinomas do pulmão<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a> , e a expressão de níveis reduzidos de mRNA dos genes NER foi observado nos linfócitos do sangue periférico (PBL) de doentes com carcinoma do pulmão<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a>. Alguns dos SNP actualmente mais abordados numa perspectiva de investigação da sua influência na expressão do ERCC1, e consequente possível relação com a carcinogénese e resistência a fármacos citostáticos, são o códão 118 <i>C/T</i>, o <i>C8092A</i><sup><a href="#24">24-28</a></sup><a name="top24"></a> e o C15310G<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a>. O polimorfismo códão 118 <i>C/T </i>está associado a diminuições nos níveis de ERCC1 mRNA e, consequentemente, à proteína correspondente<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a>; já o polimorfismo <i>C8092A, </i>localizado na região <i>3’-untranslated </i>do gene, poderá afectar a estabilidade do ERCC1 mRNA<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>RRM1</b></p>      <p>O gene RRM1 (<i>ribonucleotide reductase M1 polypeptide</i>) está localizado no segmento 11p15.5 do cromossoma 11, região com importância na supressão tumoral. Codifica a subunidade grande (M1) da ribonucleótido-redutase, enzima heterodimérica, essencial para a produção de ADN, antes da sua síntese, na fase S, da divisão celular<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a>. A ribonucleótido-redutase é constituída por duas subunidades não idênticas, R1 e R2, sendo a única enzima conhecida que converte ribonucleótidos em desoxirribonu- cleótidos, sendo uma etapa fundamental na polimerização e na reparação de ADN<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tem como função ligar ATP e nucleótidos, apresenta actividade de oxiredutase    na ligação às proteínas e actividade de ribonucleótido-difosfato-redutase.</p>     <p>Alterações na região onde se encontra este gene estão associadas a síndroma    de Beckwith-Wiedemann, tumor de Wilms, rabdomiossarcoma e carcinomas da suprarenal,    do pulmão, do ovário e da mama<sup><a href="#31">31</a></sup>,<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a>.</p>      <p>A actividade reguladora da subunidade ribonucleótido-redutase está envolvida na carcinogénese, na progressão tumoral e na resposta ao tratamento das células no cancro do pulmão de não pequenas células. LOH11A é uma região do cromossoma 11p15.5, onde 75% dos carcinomas do pulmão de não pequenas células mostram perda de heterozigotia (LOH). Estudos clínicos e culturas de células sugerem que a LOH11A contém um gene supressor tumoral.</p>      <p>Em células geneticamente modificadas para cancro do pulmão, um aumento na expressão    da proteína RRM1 aumenta a expressão da fosfatase e da tensina homóloga – PTEN    (inibidor da proliferação celular), diminui a fosforilação da adesão cinase    focal, inibe a migração, a invasão celular e a formação de metástases<sup><a href="#3">3</a></sup>    <sup></sup>,<sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a>, <sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a>.</p>      <p>Altos níveis de expressão do gene RRM1 estão associados a uma longa sobrevida    em doentes submetidos a ressecção cirúrgica completa do carcinoma do pulmão    de não pequenas células em estádios iniciais; baixos níveis de expressão do    gene estão associados a sobrevivência baixa destes doentes<sup><a href="#34">34</a></sup>,<sup><a href="#36">36</a></sup><a name="top36"></a>.</p>      <p>A gemcitabina (2’ 2 -<i>difluoro deo xycytidine </i>[dFdC]) é uma pirimidina análoga à desoxicitidina, penetra nas células pelo mecanismo de transporte facilitado de nucleotídeos, sendo fosforilada sucessivamente nas formas de monofosfato, difosfato e trifosfato<sup><a href="#37">37</a></sup><a name="top37"></a>,  <sup><a href="#38">38</a></sup><a name="top38"></a>. O difosfato de dFdC é um inibidor da enzima ribonucleótido-redutase e o trifosfato de dFdC compete com o trifosfato de desoxicitidina na incorporação ao ADN, ao mesmo tempo que inibe a fosforilação da desoxicitidina, produzindo a interrupção do processo de polimerização do ADN.</p>      <p>O desenvolvimento da resistência à gemcitabina é um grande problema no tratamento das neoplasias e essa resistência pode ser inerente ou adquirida.</p>      <p>Em múltiplos estudos <i>in vitro, </i>o principal mecanismo de resistência à gemcitabina é um decréscimo da actividade da dCK (deoxicitidina cinase). No entanto, a resistência a este fármaco pode incluir outros mecanismos, como o aumento da actividade da desoxicitidina desaminase e da ribonucleó tido-redutase, a diminuição da acumulação de trifosfatos e a alteração da ADN-polimerase<sup><a href="#39">39</a></sup><a name="top39"></a>.</p>      <p>Como a gemcitabina é um dos principais agentes de quimioterapia para o cancro do pulmão de não pequenas células, e sendo o gene RRM1 um determinante celular da eficácia dos análogos nucleótidos da gemcitabina, a expressão aumentada do RRM1 aumenta a resistência do tumor à quimioterapia, enquanto o inverso confere sensibilidade<sup><a href="#10">10</a></sup>.</p>      <p>A determinação dos níveis de expressão de RRM1 foi tecnicamente difícil; no    entanto, com o desenvolvimento de uma técnica de imunoistoquímica e a integração    de um sistema totalmente automatizado e quantitativo, a análise de expressão    génica do RRM1 está agora mais objectiva, fiável e reprodutível<sup><a href="#34">34</a></sup>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A expressão do gene RRM1 é influenciada por alterações genéticas, designadamente polimorfismos. O conhecimento destes pode ter um papel importante na escolha do tratamento mais adaptado a cada doente<sup><a href="#10">10</a></sup>.</p>      <p>Altos níveis de expressão de RRM1 são determinantes nos níveis de sobrevivência no cancro do pulmão de não pequenas células, porque estão associados a uma fraca resposta à quimioterapia com gemcitabina<sup><a href="#34">34</a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Discussão</b></p>      <p>Actualmente, o tratamento-padrão em doentes com NSCLC metastático e incurável,    é um regime quimioterapêutico assente na combinação de dois fármacos e já protocolado.    Os principais agentes utilizados no NSCLC são a cisplatina ou carboplatina,    o docetaxel ou paclitaxel, gemcitabina, e a vinorelbina<sup><a href="#18">18</a></sup>.    Há uma década, foi realizada a nível mundial uma meta-análise<sup><a href="#40">40</a></sup><a name="top40"></a>    que demonstrou de facto que a quimioterapia baseada em cisplatina melhorava    a sobrevivência no carcinoma avançado do pulmão. Desde então, vários ensaios    clínicos sobre esquemas de quimioterapia adjuvante baseados em platina foram    realizados, e resultados recentes demonstraram que este tipo de quimioterapia    aumenta a sobrevida em cerca de 4 -15% entre os doentes com NSCLC submetidos    a cirurgia de ressecção<sup><a href="#5">5</a>,<a href="#6">6</a>,<a href="#7">7</a>,<a href="#41">41</a>,<a href="#42">42</a>,<a href="#43">43</a></sup><a name="top41"></a><a name="top42"></a><a name="top43"></a>.    De entre estes destaca-se o IALT – <i>Internacional Adjuvant Lung Cancer Trial</i>,    que incluiu mais de 1800 doentes com NSCLC e que demonstrou uma diminuição de    14% na taxa de mortalidade e um benefício absoluto de 4,1% na sobrevivência    em 5 anos nos doentes tratados com quimioterapia adjuvante baseada em cisplatina<sup><a href="#42">42</a></sup>.    É óbvio que a quimioterapia adjuvante não tem efeito em muitos doentes, que,    contudo, sofrem com os efeitos adversos relacionados com o tratamento, sem qualquer    benefício terapêutico<sup><a href="#11">11</a></sup>. Os compostos de platina, e especialmente a cisplatina    e a carboplatina, são complexos de metal pesado que formam <i>adducts </i>e    <i>covalent cross-links </i>entre as fitas duplas de ADN, bloqueando desta forma    a sua replicação e transcrição. São exactamente estes segmentos de ADN reparados    pelo NER descrito, e cujo funcionamento depende por sua vez da expressão do    gene ERCC1<sup><a href="#18">18</a></sup>. A resposta (ou a sua ausência) ao tratamento com quimioterapia    baseada em cisplatina pode assim estar relacionado com o nível de expressão    tumoral do ERCC1 (níveis obviamente influenciados então pela presença de polimorfismos)<sup><a href="#11">11</a></sup>.</p>      <p>Uma abordagem personalizada da selecção do tratamento quimioterapêutico é necessária    no NSCLC, uma vez que actualmente o benefício é mínimo e apenas há incrementos    modestos nas taxas de respostas e na sobrevivência. Foi colocada a hipótese    de que os doentes com tumores NSCLC ressecados em estádios iniciais, com elevada    expressão de ERCC1, não só teriam uma baixa incidência de recidivas como também    iriam beneficiar menos de quimioterapia adjuvante baseada em cisplatina, uma    vez que o ERCC1 iria conferir resistência à platina. O contrário também seria    verdade para doentes com baixo ERCC1 intratumoral, <i>i.e., </i>estarão mais    predispostos a recorrências mas beneficiarão de quimioterapia adjuvante com    cisplatina, ocorrendo menor catabolismo do fármaco<sup><a href="#18">18</a></sup>.    O estudo IALT, através de uma análise imunoistoquímica, determinou a expressão    da proteína do ERCC1 em tumores em estádios cirúrgicos de doentes com NSCLC<sup><a href="#21">21</a></sup>,<sup><a href="#44">44</a></sup><a name="top44"></a>.    O IALT é um ensaio de fase III que analisou tumores ressecados de doentes com    NSCLC do estádio I ao III e incluiu-os em dois grupos: o de observação e o da    quimioterapia (4 ciclos de quimioterapia baseada em cisplatina)<sup><a href="#45">45</a></sup><a name="top45"></a>. Dos 1897    doentes envolvidos no IALT, 761 tinham tumores possíveis para análise do ERCC1.</p>      <p>A expressão imunoistoquímica do ERCC1 de amostras tumorais foi classificada    alta ou baixa, usando um valor mediano de ERCC1 como valor de <i>cut-off</i>.    A análise comparativa do grupo que recebeu quimioterapia do que não recebeu    permitiu um estudo estatisticamente poderoso sobre o impacto do ERCC1<sup><a href="#20">20</a></sup>,<sup><a href="#34">34</a></sup>.    Assim sendo, uma expressão positiva de ERCC1 estava correlacionada com um melhor    prognóstico no grupo de observação. Havia uma interacção estatística significativa    (P&lt;0,01) entre expressão de ERCC1 e o impacto da quimioterapia na sobrevivência.    A correlação entre ERCC1, sobrevida, e a interacção biológica com a quimioterapia,    dá uma explicação para o facto de o ERCC1 não demonstrar um valor prognóstico    para o grupo da quimioterapia. Efectivamente, quando os doentes são tratados    com cisplatina, uma correlação inversa é observada, significando que o benefício    da quimioterapia adjuvante é maior quando o ERCC1 é baixo<sup><a href="#11">11</a></sup>. </p>     <p>Quantificando os níveis de ERCC1, pode ser representativo da capacidade da    reparação do ADN intrínseco danificado das células e pode servir como um biomarcador    da extensão de ADN lesado acumulado intratumoral<sup><a href="#18">18</a></sup>.    Simon <i>et al.</i><sup><a href="#20">20</a></sup> publicou um estudo em que    avaliou tumores ressecados de 51 doentes com NSCLC (sem quimioterapia) e quantificou    o ERCC1 (método Taqman) para correlacionar a sobrevivência com a expressão do    ERCC1. Concluiu que doentes com elevada expressão de ERCC1 (&gt;50) têm uma    melhor sobrevida quando comparados com doentes com baixa expressão (&lt;50).    No mesmo estudo foi também concluído que a expressão do ERCC1 no tumor ressecado    não tem correlação com o pulmão adjacente, o que sugere que a capacidade do    NER é uma propriedade intrínseca do tumor e é necessário medir o ERCC1 intratumoral<sup><a href="#18">18</a></sup>.  </p>     <p>Outros dos aspectos a considerar é se o ERCC1 pode ser um factor preditivo    da resposta à quimioterapia em doentes com NSCLC em estádios avançados. Lord    <i>et al.</i><sup><a href="#46">46</a></sup><a name="top46"></a> correlacionou as respostas à quimioterapia (com gemcitabina    e cisplatina) e a sobrevivência com o nível de ERCC1, encontrado em 56 doentes    com NSCLC em estádios avançados (estádio IIIb ou IV). Concluiu que o ERCC1 era    detectável em todos os tumores e que não havia variabilidade na expressão genética    de acordo com o género, <i>performance status</i>, perda de peso ou estádio    tumoral diferente. A taxa global de resposta foi de 44,7%. A sobrevida média    global era significativamente maior nos que tinham baixa expressão de ERCC1    comparada com os doentes com elevada expressão de ERCC1.</p>      <p>Ensaios de terapias individualizadas nestes doentes através da análise molecular    têm vindo a ser feitos. Simon <i>et al.</i><sup><a href="#47">47</a></sup><a name="top47"></a>,    num ensaio clínico prospectivo de fase II, testou a eficácia e a possibilidade    dessa terapia individualizada. A hipótese proposta era a de que a selecção de    uma quimioterapia dupla baseada na expressão de ERCC1 e RRM1 seria possível    e benéfica para todos os doentes com NSCLC em estádios avançados. O estudo foi    feito através da determinação da expressão do ERCC1 e RRM1 por RT-PCR em biópsias    tumorais. Só 53 doentes com expressão génica disponível foram eleitos para tratamento.    A quimioterapia dupla consistia em carboplatina e gemcitabina, docetaxel ou    vinorelbina, e era seleccionada consoante a expressão génica. Valores predeterminados    de ERCC1 e RRM1 eram usados para decidir o fármaco a utilizar, se a gemcitabina    se a carboplatina. Se RRM1 fosse igual ou inferior a 16,5, decidia-se pela gemcitabina.    Se ERCC1 fosse igual ou inferior a 8,7, optava-se pela carboplatina. Estes valores    são baseados em estudos publicados anteriormente<sup><a href="#20">20</a></sup>,<sup><a href="#36">36</a></sup>,<sup><a href="#48">48</a></sup><a name="top48"></a>. Esta estratégia resultou    em quatro esquemas de quimioterapia diferentes com quatro expressões diferentes    de genes. Em seguida, foi avaliada a resposta ao tratamento, à sobrevida global    e ao tempo de sobrevida livre de doença. O resultado foi uma taxa de resposta    de 42%. A sobrevida global não diferiu entre as diferentes quimioterapias e    não houve diferenças estatisticamente significativas entre elas, o que sugeriu    que a quimioterapia personalizada não alterava a sobrevida. No entanto, comparando    um estudo de fase II, Chiappori <i>et al.</i><sup><a href="#49">49</a></sup><a name="top49"></a>, onde foram usados os mesmos    critérios de selecção de doentes e a quimioterapia tradicional (ou seja, carboplatina    + gemcitabina), foi apenas atingida uma taxa de resposta de 24% (<i>versus </i>a    42% anterior), significando que o uso de quimioterapia não seleccionada aparenta    ser inferior em relação aos resultados obtidos com a quimioterapia personalizada.    Os mesmos resultados foram encontrados para a sobrevivência, na comparação entre    os dois estudos. Isto implica que a decisão terapêutica baseada no ERCC1 e RRM1    em doentes com NSCLC avançado é possível e pode melhorar taxas de resposta e    sobrevivência<sup><a href="#18">18</a></sup>. Estudos semelhantes, Rosell <i>el al.</i><sup><a href="#50">50</a></sup><a name="top50"></a>, recentemente publicados,    comparando o uso de quimioterapia baseada em cisplatina com a expressão quantitativa    de mRNA ERCC1 (ensaio randomizado fase III), concluíram que a taxa de resposta    era maior no grupo tratado com quimioterapia optimizada e que a taxa expressa    de mRNA ERCC1 em tecido tumoral é possível na clínica para prever respostas    à cisplatina. Por outro lado, neste estudo não foram encontradas diferenças    estatísticas significativas na sobrevivência global<sup><a href="#11">11</a></sup>. Outro estudo retrospectivo    muito importante realizado recentemente, Ceppi <i>et al.</i><sup><a href="#51">51</a></sup><a name="top51"></a>, efectuou biópsias    em 70 doentes com NSCLC avançado e estudou dois grupos de doentes, uns tratados    com cisplatina/gemcitabina e outros apenas com gemcitabina<sup><a href="#11">11</a></sup>. Igualmente a sobrevida    média em doentes com baixo ERCC1 e após quimioterapia com cisplatina/gemcitabina    foi maior, assim como os doentes com RRM1 baixo. Então, o ERCC1 e RRM1 têm impacto    na sobrevida nos doentes com NSCLC tratados com cisplatina/gemcitabina<sup><a href="#18">18</a></sup>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nos doentes submetidos a ressecção cirúrgica, altos níveis de expressão do gene RRM1 estão associados a um aumento da sobrevivência. Num estudo efectuado por Bepler <i>et al.</i><sup><a href="#35">35</a></sup> foi analisada a frequência de 2 SNPs (RR37 e RR524) em diferentes populações (americanos caucasianos, afro--americanos, hispânicos, asiáticos), tendo como objectivo analisar a associação destes polimorfismos com a expressão do promotor do gene RRM1 e investigar o seu impacto no prognóstico dos doentes com NSCLC.</p>      <p>Para a tipagem dos alelos dos dois SNP, aplicou-se a PCR seguido de RFLP– <i>restriction enzime digestion</i>. Nas populações em estudo, a combinação mais frequente encontrada foi a associação entre os alelos RR37CC e RR524TT. A segunda mais frequente foi entre os alelos RR37AC e RR524CT.</p>      <p>A análise do alelótipo do promotor do RRM1 foi efectuada em 286 doentes com NSCLC e com dados clínicos acessíveis. </p>      <p>Analisou-se a evolução dos doentes em função do alelótipo do promotor RRM1, com base na hipótese de que uma elevada expressão de RRM1 em tumores estaria associada a um melhor prognóstico<sup><a href="#35">35</a></sup>.</p>      <p>Para esta análise foram criados três grupos de doentes: um com alelótipo RR37CC-RR524TT    (N=112), outro com alelótipo RR37AC-RR524CT (N=93) e outro englobando os restantes    alelótipos. Como previsto, os doentes com alelótipo RR37CC-RR524TT tiveram uma    sobrevivência maior do que os doentes com alelótipo RR37AC-RR524CT<sup><a href="#35">35</a></sup>.  </p>     <p>Num trabalho efectuado por Woo SK <i>et al.</i><sup><a href="#52">52</a></sup><a name="top52"></a> foram investigados polimorfismos    de RRM1 em 62 linhas celulares cancerígenas e realizado um estudo de associação    destes polimorfismos com a sensibilidade à gemcitabina. A frequência dos polimorfismos    foi de 79 % para RRM1 2464G&gt;A, 59,7 % para RRM1 2455A&gt;G e de 45,2 % para    RRM1 1082C&gt;A. O polimorfismo RRM1 2464G &gt;A encontrou-se em todas as linhas    celulares dos carcinomas pulmonares. A sensibilidade de cada linha celular à    gemcitabina foi classificada de acordo com os valores de log IC50. Cada célula    foi classificada como resistente (n=20), ou sensível (n=42) com base nos valores    de log Cmax (concentrações máximas) de todas as linhas celulares.</p>      <p>Quando a associação dos polimorfismos com os valores de log IC50 foi efectuada,    apenas o polimorfismo RRM1 2464G&gt;A apresentou maior sensibilidade à gemcitabina.    Foi também estudado a relação entre haplótipos de RRM1 e a sensibilidade à gemcitabina.    Foram criados oito haplótipos a partir de três polimorfismos de RRM1 ( 2464G&gt;A,    2455A&gt;G, 1082C&gt;A). Os haplótipos mais comuns foram: AGA (40,4%), CAA (21%),    CGA (16,1%). Os haplótipos demonstraram alguma sensibilidade quando comparados    com o <i>wild-type </i>(CAG), excepto os que se apresentavam numa linha celular    (CGG, AAG, AGG, AAA). Haplótipos do polimorfismo 2464G&gt;A (AGA, CAA, CGA)    apresentavam maior sensibilidade à gemcitabina.</p>      <p>Relativamente aos polimorfismos do ERCC1, vários estudos também já foram rea    lizados, na tentativa de saber qual o impacto deles na sobrevida dos doentes    com NSCLC. Um estudo realizado em 2000 concluiu que existem polimorfismos específicos    do ERCC1 que podem aumentar o risco de cancro<sup><a href="#23">23</a></sup>.    Dos SNP falados, incluindo o códão 118 <i>C/T</i>, o <i>C8092A</i><sup><a href="#53">53</a></sup><a name="top53"></a>    e o C15310G<sup><a href="#29">29</a></sup> do ERCC1, sabe-se que o polimorfismo    C8092A pode ser um factor preditivo importante na sobrevida global em doentes    com NSCLC avançado e tratados com quimioterapia baseada em cisplatina. Já o    polimorfismo C15310G não foi descrito como estando associado a qualquer doença<sup><a href="#29">29</a></sup>.  </p>     <p>Isla <i>et al.</i><sup><a href="#54">54</a></sup><a name="top54"></a> estudou    um SNP (<i>single-nucleotide </i><i>polymorphism</i>) do ERCC1 nos linfócitos    do sangue periférico em doentes com NSCLC avançado e tratados com quimioterapia    baseada em cisplatina. Os autores concluíram que os doentes com o polimorfismo    118C tinham uma melhor sobrevida. Por outro lado, outro estudo refere não haver    associação estatisticamente significativa entre esse polimorfismo e a sobrevida    global<sup><a href="#53">53</a></sup>. </p>     <p>Zhou <i>et al.</i><sup><a href="#53">53</a></sup> demonstraram que um aumento do número de variantes alélicas    no ERCC1 está associado a uma diminuição da sobrevida global nesses doentes    e que o número desses alelos pode ser preditivo da sobrevida global.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Após a análise de diversos resultados obtidos nos estudos observados, conclui-se    que o NER tem um papel fulcral na carcinogénese, no prognóstico e na resposta    ao tratamento em doentes com NSCLC. Em doentes com NSCLC em estádios iniciais,    observamos que níveis reduzidos de ERCC1 intratumoral traduziam níveis de sobrevida    inferiores, bem como uma maior susceptibilidade para recidivas; no entanto,    estes doentes apresentavam também uma maior sensibilidade ao tratamento com    platina, sendo portanto de grande interesse a identificação dos grupos que poderiam    beneficiar de quimioterapia adjuvante ou neoadjuvante, com base na expressão    do ERCC1.</p>      <p>Pelo contrário, doentes com níveis elevados de ERCC1 apresentam um melhor prognóstico e uma menor probabilidade de recidiva, apesar de não apresentarem qualquer tipo de benefício com o uso de quimioterapia.</p>      <p>No entanto, fica ainda por investigar até que ponto doentes com elevados níveis de ERCC1 beneficiariam ou não de quimioterapia dupla não baseada em derivados da platina. Assim, em futuros estudos, a quimioterapia individualizada tendo por base os níveis de ERCC1 deverá ser um método a considerar<sup><a href="#18">18</a></sup>.</p>      <p>Em estádios mais avançados, os níveis de ERCC1 são preditivos da sensibilidade à terapêutica, permitindo-nos uma escolha, baseada no perfil molecular individual de cada doente. Apenas um estudo prospectivo de fase II<sup><a href="#50">50</a></sup> demonstrou uma elevação na resposta terapêutica, mas não na sobrevida global de doentes tratados com cisplatina. Os restantes estudos, quer o prospectivo fase II<sup><a href="#47">47</a></sup>, quer o outro estudo retrospectivo<sup><a href="#51">51</a></sup>, sugeriram que a quimioterapia baseada nos níveis individuais de ERCC1 aumenta as respostas à quimioterapia e a sobrevivência.</p>      <p>No entanto, apesar de promissor, este é um tipo de estudo ainda difícil, uma vez que a quantificação de ERCC1 ou de RRM1 requer, para além de biópsias do tumor, microdissecção a <i>laser </i>e subsequentes métodos de análise de expressão do gene, como imunoistoquímica<sup><a href="#21">21</a></sup>, expressão de mRNA<sup><a href="#51">51</a></sup> e AQUA (<i>quantitative in situ protein analyses</i>)<sup><a href="#55">55</a></sup><a name="top55"></a>.</p>      <p>O ERCC1 pode ser visto como um potencial marcador, preditivo da resistência aos compostos de platina, como a cisplatina, a carboplatina e a oxaliplatina. No entanto, nenhum estudo obteve provas sólidas que pudessem considerar o ERCC1 um marcador de resistência a todos os tipos de quimioterapia. Além disso, o ERCC1 não é, necessariamente, o único marcador que pode prever a quimiossensibilidade aos derivados da platina<sup><a href="#56">56</a></sup><a name="top56"></a>.</p>      <p>Antes de podermos avaliar o potencial global do ERCC1 como um marcador preditivo de quimiossensibilidade, há que repensar certos pormenores técnicos, como são: o facto de o diagnóstico ser feito tendo por base um pequeno fragmento do tumor, que pode até nem representar o tumor na sua globalidade, devido à heterogeneidade do marcador, bem como a biópsia poder ser rea lizada, quer no tumor primário, quer numa metástase. Uma vez que ainda não está determinada a expressão do ERCC1 no tumor primário e nas metástases, esta sequência poderá ser considerada uma limitação.</p>      <p>Uma outra limitação passa pelo facto de ser difícil, em estudo de IHC (uma técnica praticável em qualquer laboratório), criar um valor óptimo de <i>cut-off </i>para ERCC1, uma vez que o olho humano tem uma visão ao microscópio demasiado subjectiva. Outras dificuldades passam pelas diferenças genéticas existentes na população, bem como as interacções com carcinogéneos, como é o caso do fumo do tabaco<sup><a href="#11">11</a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Conclusões</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Um biomarcador como o ERCC1 deverá ser validado e confirmado em estudos independentes, sendo de futuro necessários estudos prospectivos mais alargados, que deverão ser discutidos com uma equipa multidisciplinar, envolvendo não apenas patologistas, mas também bioestatistas. Do que podemos ter a certeza, com os dados publicados até então, é da utilidade da quimioterapia individualizada, de acordo com os níveis individuais de ERCC1<sup><a href="#11">11</a></sup>.</p>      <p>Os níveis de ERCC1 são também influenciados pelas alterações genéticas; assim, a presença de certos polimorfismos, como são o códão 118 C/T e o C8092A, parecem apresentar relações, quer a nível da carcinogénese, da resistência aos citostáticos, da sobrevida e mesmo a nível do prognóstico.</p>      <p>Todos os dados apresentados nesta revisão são apenas referentes a tumores de não pequenas células (NSCLC), uma vez que não se encontram publicados estudos feitos em tumores de pequenas células, o que traduz uma lacuna na área da investigação do tratamento de carcinoma do pulmão, já que a terapêutica advogada para este tipo de tumor é na maioria das vezes quimioterapia e radioterapia.</p>      <p>Estudos clínicos e laboratoriais demonstraram que a elevada expressão do gene    RRM1 no NSCLC tem impacto no fenótipo do tumor. Doentes submetidos a ressecção    cirúrgica, cujos tumores apresentavam expressão aumentada do gene RRM1, têm    maior sobrevida do que os doentes com baixa expressão. No entanto, os doentes    com NSCLC avançado sujeitos a quimioterapia com gemcitabina e cisplatina apresentam    um pior prognóstico se o tumor apresentar expressão aumentada do gene RRM1<sup><a href="#35">35</a></sup>.</p>      <p>Os polimorfismos podem estar associados à eficiência de certos tratamentos    quimioterapêuticos, aos seus efeitos tóxicos e podem ser usados como marcadores    de prognóstico. Estudos efectuados demonstraram que o polimorfismo RRM1 2464G&gt;A    está associado a uma aumento de sensibilidade ao tratamento com gemcitabina;    no entanto, são necessários mais estudos funcionais e clínicos para que a expressão    deste polimorfismo seja considerada um indicador de prognóstico<sup><a href="#52">52</a></sup>.</p>      <p>Em relação aos doentes submetidos a ressecção cirúrgica curativa do NSCLC,    foi concluído que os SNP do promotor RRM1 têm impacto na sua actividade e têm    valor prognóstico. Entretanto, são necessários estudos mais aprofundados para    uma melhor elucidação sobre os factores controladores da expressão do RRM1<sup><a href="#35">35</a></sup>.</p>      <p>É cada vez mais provável que doentes com ERCC1 positivo, apesar do seu prognóstico melhor, poderão num futuro ser tratados com agentes não derivados da platina, assim como os doentes ERCC1 negativos, com um prognóstico inicial mais desfavorável do que os anteriores, irão ser considerados possíveis candidatos a quimioterapia com derivados da platina<sup><a href="#11">11</a></sup>.</p>      <p>O ERCC1 poderá ser considerado, de acordo com os mecanismos de reparação de ADN, uma faca de dois gumes<sup><a href="#57">57</a></sup><a name="top57"></a>, ou <i>the two faces of janus</i><sup><a href="#58">58</a></sup><a name="top58"></a>. Uma menor capacidade de reparação do ADN (como ocorre em tumores com baixos níveis de ERCC1) conduz a uma maior instabilidade genómica nas células cancerígenas e, consequentemente, conduz a uma mais rápida aquisição de características malignas, tal como a metastização. No entanto, por outro lado, também é preditiva de uma resposta mais favorável à terapêutica, sugerindo que o ERCC1 possa ter uma função alternativa nas células cancerígenas.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Bibliografia</b></p>      <p><a name="1"></a><a href="#top1">1</a>. Shibuya K, Mathers CD, Boschi-Pinto    C, Lopez AD, Murray CJ. Global and regional estimates of cancer mortality and    incidence by site. II. Results for the global burden of disease 2000. BMC Cancer    2002; 2:37.</p>      <p><a href="#top2">2</a>. <a name="2"></a>Spira A, Ettinger DS. Multidisciplinary    management of lung cancer. N Engl J Med 2004; 350:379-392.</p>      <p><a href="#top3">3</a>. <a name="3"></a>Gautam A, Li ZR, Bepler G., RRM1-induced    metastasis suppression through PTEN-regulated pathways. Oncogene 2003; 22:2135-2142.</p>      <p><a href="#top4">4</a>. <a name="4"></a>Takenaka T, Yoshino I, Kouso H, Ohba    T, Yohena T, Osoegawa A, Shoji F, Maehara Y. Combined evaluation of Rad51 and    ERCC1 expressions for sensitivy to platinum agents in non-small cell lung cancer.    Int J Cancer 2007; 121:895-900.</p>      <p><a href="#top5">5</a>. <a name="5"></a>Douillard JY, Rossel R, De Lena M, Carpagnamo    F, Ramlau R, Gonzales-Larriba JL, Grodzki T. Pereira JR, Le Groumellec A, Lorusso    V, Clary C, Torres AJ, <i>et al. </i>Adjuvant vinorelbine plus cisplatin versus    observation in patients with completely resected stage IB-IIIA non-small-cell    lung cancer (Adjuvant Navelbine International Trialist Association [ANITA]:    a randomised controlled trial. Lancet Oncol 2006;9:719-727.</p>      <p><a href="#top6">6</a>. <a name="6"></a>Winton T, Linvingston R, Johnson D,    Rigas J, Johnston M, Butts C, Cormier Y, Goss G, Inculet R, Vallieres E, Fry    W, Bethune D, <i>et al.</i>, For the National Cancer Institute of Canada Clinical    Trials Group and National Cancer Institute of the United States Intergroup JBR.    10 trial investigators. Vinorelbine plus cisplatin vs. observation in ressected    non-small-cell lung cancer. N Engl J Med 2005; 352:2589-2597.</p>      <p><a href="#top7">7</a>. <a name="7"></a>Strauss GM, Herndon J, Maddaus MA, Johnstone    DW, Johnson EA, Watson DM, Sugarbaker DJ, Schilsky RL, Green MR. Randomized    clinical trial of adjuvant chemotherapy with paclitaxel and carboplatin following    resection in stage IB non-small-cell ling cancer: report of Cancer and Leukemia    Group B protocol 9633. J Clin Oncol 2004;22 (Suppl 14):A7019-A7019.</p>      <p><a href="#top8">8</a>. <a name="8"></a>Pujol JL, Barlesi F, Daures JP. Should    chemotherapy combinations for advanced non-small-cell lung cancer be platinum-based?    A metanalysis of phase III randomized trials. Lung Cancer 2006;3:335-345.</p>      <p><a href="#top9">9</a>. <a name="9"></a>Smit EF, van Meerbeck JP, Lianes P,    Debruyne C, Legrand C, Schramel F, Smit H, Gaafar R, Biesma B, Manegold C, Neymark    N, Giaconne G. Three –arm randomized study of two cisplatin-based regimens amd    paclitaxel plus gemcitabine in advenced non-small–cell lung cancer: a phase    III trial of the European Organization for Research and Treatment of Cancer    Lung Cancer Group-EORTC 08975. J Clin Oncol 2003; 21:3909-3917.</p>      ]]></body>
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<body><![CDATA[<p><a href="#top50">50</a><a name="50"></a>. Rosell R, Gandara D, Cobo M, <i>et    al. </i>Customizing cisplatin based chemotherapy on quantitative excision repair    cross-complementing 1 mRNA expression: a phase III randomized trial in non-small    cell lung cancer. The 31st Congress of the European Society of Medical Oncology,    30 September – 3 October 2006; Istanbul, Turkey. Ann Oncol 2006; 17 (suppl 9):    abstract LBA 1.</p>      <p><a href="#top51">51</a><a name="51"></a>. Ceppi P, Vollante M, Novello S, <i>et    al. </i>ERCC 1 and RRM1 gene expressions but EGFR are predictive of shorter    survival in advanced non-small-cell lung cancer treated with cisplatin and gemcitabine.    Ann Oncol 2006; 17:1818-1825.</p>      <p><a href="#top52">52</a><a name="52"></a>. Kwon WS, Rha SY, Choi YH, Lee JO,    Park KH, Jung JJ, Kim TS, Jeung H-C, Chung HC. Ribonucleotide reductase M1 (RRM1)    2464G&gt;A polymorphism shows an association with gemcitabine chemosensitivity    in cancer cell lines. Pharmacogenetics and Genomics 2006; 16(6):429-438.</p>      <p><a href="#top53">53</a><a name="53"></a>. Zhou W, Gurubhagavatula S, Liu G, <i>et    al. </i>Excision repair cross-complementation group 1 polymorphism predicts    overall survival in advanced non-small cell lung cancer patients treated with    platinum-based chemotherapy. Clin Cancer Res 2004; 10:4939-4943.</p>      <p><a href="#top54">54</a><a name="54"></a>. Isla D, Sarries C, Rosell R, <i>et    al. </i>Single nucleotide polymorphisms and outcome in docetaxel – cisplatin    – treated advanced non-small cell lung cancer. Ann Oncol 2004; 15:1194-1203.</p>      <p><a href="#top55">55</a><a name="55"></a>. McCabe A, Dolled-Filhart M, Camp    RL, Rimm DL. Automated quantitative analysis (AQUA) of in situ protein expression,    antibody concentration, and prognosis. J Natl Cancer Inst 2005; 97(24):1808-1815.</p>      <p><a href="#top56">56</a><a name="56"></a>. Reed E. ERCC1 measurements in clinical    oncology. N Engl J Med 2006; 355:1054-1055.</p>      <p><a href="#top57">57</a><a name="57"></a>. Wei Q, Frazier ML, Levin B. DNA repair:    a double-edged sword. J Natl Cancer Inst 2000; 92:440-441. </p>     <p><a href="#top58">58</a><a name="58"></a>. Gazdar AF. DNA repair and survival    in lung cancer –the two faces of Janus. N Engl J Med 2007; 356:771-773.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><a name="a1"></a><a href="#topa1">1</a> Professora de Anatomia Patológica</p>     <p><a href="#topa2">2</a> <a name="a2"></a>Disciplina de Oncologia</p>     <p>Anatomia Patológica/Oncologia</p>     <p>Faculdade de Medicina, Universidade de Coimbra</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido para publica&ccedil;&atilde;o/<i>received for publication</i>: 09.02.05  </p>     <p>Aceite para publica&ccedil;&atilde;o/<i>accepted for publication</i>: 09.02.26</p>      ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Hespanhol]]></surname>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Polimorfismos e metilação de genes na selecção da terapêutica do cancro do pulmão.]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista GECP]]></source>
<year>2006</year>
<volume>1-2</volume>
<page-range>17-21</page-range></nlm-citation>
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