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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Ansiedade e depressão na DPOC: O conhecimento actual, questões não respondidas e investigação necessária]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Coordenador: Renato Sotto-Mayor</b></p>     <p><b>Autor: Paula Monteiro</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Ansiedade e depressão na DPOC: O conhecimento actual, questões não respondidas    e investigação necessária<a href="#0">*</a><a name="top0"></a></b></p>     <p><b>Anxiety and depression in COPD: Current understanding, unanswered questions,    and research needs<a href="#0">*</a> </b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Maurer J. <i>et al.</i></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resumo</b></p>     <p>Aproximadamente 60 milhões de pessoas nos Estados Unidos vivem com uma de quatro    doenças crónicas: doença cardíaca, diabetes <i>mellitus</i>, doença respiratória    crónica e depressão <i>major</i>. A DPOC está associada a múltiplas comorbilidades,    sendo a ansiedade e a depressão muito comuns nesta doença, possuindo um impacto    significativo nos doentes, suas famílias, sociedade e evolução da patologia.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Existem poucos estudos prospectivos na avaliação do método diagnóstico, abordagem    terapêutica e impacto na qualidade de vida dos doentes com DPOC e com sintomas    de depressão e ansiedade.</p>     <p>Os autores decidiram avaliar de forma multidisciplinar a ansiedade e a depressão    presentes nestes doentes, procurando salientar questões não respondidas, nomeadamente    a verdadeira prevalência da depressão e a ansiedade na DPOC, se estas comorbilidades    são idênticas na DPOC em relação a outras doenças crónicas, qual o papel preditivo    da depressão e da ansiedade na DPOC e os mecanismos que levam ao seu aparecimento    e se o sexo e as diferenças étnicas influenciam estas alterações. Quanto a áreas    de futura investigação, é necessário <i>standardizar </i>os critérios de diagnóstico    de ansiedade e depressão, o impacto destas patologias nos custos de saúde, qualidade    de vida, actividades sociais e adesão à terapêutica, identificação de factores    de risco e de estratégias preventivas.</p>     <p>Este objectivo surgiu da falta de uniformização e a da utilização de diferentes    critérios de diagnóstico destas comorbilidades.</p>     <p>A nível de resultados, foi determinada a prevalência de ansiedade e depressão,    que é geralmente superior em relação a outras doenças crónicas. A prevalência    de depressão na DPOC estável varia entre 10 e 42% e a ansiedade entre 10 e 19%.    O risco de depressão é obviamente superior em estádios mais avançados da DPOC,    chegando a atingir taxas de 62% em doentes a fazer oxigenoterapia de longa duração.    Também em doentes a recuperar de uma exacerbação, a percentagem de depressão    e ansiedade aumentam para níveis próximos dos 50%.</p>     <p>Os inquéritos utilizados na detecção de sintomas de ansiedade e depressão foram    o PRIME-MD, Beck Depression Inventory – II e Beck Anxiety Inventory.</p>     <p>O primeiro questionário apresenta um valor preditivo positivo bom na detecção    destas afecções. A depressão pode ser um factor preditivo de fadiga, dispneia    e descondicionamento físico e mortalidade, em doentes com insuficiência cardíaca    ou DPOC. Inclusive, possui um papel preponderante nas decisões do doente em    estádio terminal da DPOC, que quando deprimido opta na maioria dos casos pela    não ressuscitação.</p>     <p>A ansiedade e a depressão não tratadas aumentam a incapacidade física, a morbilidade    e o consumo de recursos médicos. Os doentes, médicos e o sistema de saúde são    muitas vezes responsáveis pela baixa taxa de diagnóstico destas alterações na    DPOC.</p>     <p>Existem vários trabalhos que comprovam a eficácia da intervenção farmacológica    e não farmacológica no controlo destas comorbilidades em doentes com DPOC, contudo    apenas uma pequena percentagem recebe tratamento eficaz.</p>     <p>Os autores concluem que é necessária maior investigação nesta área, detecção    precoce e tratamento da ansiedade e depressão nos doentes com DPOC.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Discussão</b></p>     <p>A DPOC é uma patologia que se acompanha de múltiplas comorbilidades, nomeadamente    cardiovasculares, endocrinológicas, hematológicas, psiquiátricas, gástricas,    entre outras, como referido. A ansiedade e a depressão são patologias que se    associam muito frequentemente a doenças crónicas, não constituindo a DPOC uma    excepção. Contudo, nem sempre se investiga junto do doente a presença de sintomas    sugestivos destas comorbilidades. Alguns autores referem que metade dos doentes    com DPOC têm depressão e 20% possui mesmo depressão <i>major</i>, diagnosticada    seguindo os critérios da Major Depressive Disorder or Dysthimic Disorder.</p>     <p>Poucos estudos têm sido realizados com o objectivo de detectar estas patologias,    sabendo-se inclusive que a presença simultânea de ansiedade e depressão no    mesmo doente são comuns. A sua presença leva a uma má <i>performance </i>física,    maior número de hospitalizações por exacerbação da doença, redução da qualidade    de vida, independentemente da função pulmonar do doente, grau de dispneia e    outras doenças crónicas coexistentes.</p>     <p>Em algumas revisões efectuadas em doentes com DPOC em estádios III/IV, a prevalência    de depressão varia entre os 37 a 71% e a ansiedade entre 50 a 75%. Acontece    ainda frequentemente o não reconhecimento da presença de ansiedade e de depressão    nos doentes com DPOC, existindo um trabalho que adianta uma taxa de 25% de doentes    com DPOC e sintomas de depressão e ansiedade não diagnosticados.</p>     <p>Mesmo nas situações diagnosticadas, os doentes não estão devidamente orientados    do ponto de vista terapêutico. O não tratamento destas patologias leva obviamente    a uma redução da qualidade de vida e à má aderência à terapêutica da DPOC. Vários    obstáculos existem para a não detecção e tratamento destas comorbilidades na    DPOC: o estigma gerado pelo diagnóstico de doença psiquiátrica, o sentimento    de culpa por parte do doente, o não reconhecimento dos sintomas por parte do    doente e do médico e a falta de tempo nas consultas para a educação e aconselhamento    nesta área.</p>     <p>Em conclusão, os doentes com DPOC devem ser rastreados para a presença de sintomas    de depressão e ansiedade. Existem vários questionários simples de efectuar em    consulta. Nos doentes em que se detectem estes sintomas, devem ser tomadas de    imediato medidas terapêuticas. O tratamento destas comorbilidades permite melhorar    a qualidade de vida do doente, a <i>performance </i>física e a aderência à terapêutica.</p>     <p>&nbsp;</p> <table width="75%" border="1" bordercolor="#006633">   <tr>     <td>    <p><b>Mensagem</b></p>           <p>• A DPOC é uma patologia que se acompanha de múltiplas comorbilidades,          sendo a ansiedade e a depressão muito comuns nesta doença, possuindo um          impacto significativo nos doentes, suas famílias, sociedade e evolução          da patologia;</p>           ]]></body>
<body><![CDATA[<p>• Alguns autores referem que metade dos doentes com DPOC têm depressão,          e 20% possui mesmo depressão <i>major</i>, e em doentes com DPOC em estádios          III/IV a prevalência de depressão varia entre 37 a 71% e a ansiedade entre          50 a 75%;</p>           <p>• Existem dados que referem uma taxa de 25% de doentes com DPOC e sintomas          de depressão e ansiedade não diagnosticados;</p>           <p>• O tratamento destas comorbilidades permite melhorar a qualidade de          vida do doente, a <i>performance </i>física e a aderência à terapêutica.</p>       </td>   </tr> </table>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Bibliografia</b></p>     <!-- ref --><p>1. Kunik ME, <i>et al. </i>Surprisingly high prevalence of anxiety and depression    in chronic breathing disorders. Chest 2005;127:1205-1211.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000038&pid=S0873-2159200900040001600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>2. Cully JA, <i>et al. </i>Quality of life in patients with COPD and comorbid    anxiety or depression. Psychosomatics 2006;47:312-319.</p>     <p>3. Gudmundsson G, <i>et al. </i>Risk factors for rehospitalization in COPD:    role of health status, anxiety and depression. Eur Respir J 2005; 26: 414-419.</p>     <p>4. Kunik ME, <i>et al. </i>A practical screening tool for an xiety and depression    in patients with chronic breathing disorders. Psychosomatics 2007;48:16-21.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="right"><b>2009-02-26</b></p>     <p><a name="0"></a><a href="#top0">*</a> Chest 2008; 134:43s-56s</p>      ]]></body><back>
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