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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Pneumopatias e doença de refluxo gastroesofágico]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Lung diseases and gastro-oesophageal reflux disease]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Programa de Controle da Tuberculose da SMS  ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Gastro-oesophageal Reflux Disease is a consequence of pathological reflux from stomach to oesophagus. Whenever the refluxed contents extended beyond the oesophagus itself, is called Extraoesophageal Reflux Disease. The author proposes a review about pulmonary disorders and gastroesophageal reflux. Previously, it is evaluated in an abridged way, the concepts of each diseases and after that, in a systematic form, it is discussed the prevalence of gastro-oesophageal reflux in lung diseases, all the mechanisms studies and the impact of gastro-oesophageal treatment on lung disorders. The author concludes that is undeniable the link between Gastro-oesophageal reflux and lung diseases and further reaserch is mandatory in order to corroborate this association.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Doença de refluxo gastroesofágico]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Pneumopatias e doença de refluxo gastroesofágico</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>João Cláudio Barroso Pereira</b> <b><a href="#a1">1</a><a name="topa1"></a></b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Resumo</b></p>      <p>A doença do refluxo gastro esofágico decorre do refluxo patológico do estômago para o esófago. Quando esse refluxo ocorre fora do esófago denomina–se doença de refluxo extraesofágico.</p>      <p>O autor propõe uma revisão sobre as doenças pulmonares associadas ao refluxo. É avaliado, previamente, de forma resumida o conceito de cada doença e, em seguida, de modo sistemático, são discutidos a prevalência do refluxo sobre as pneumopatias, os mecanismo que explicam essas interações e o impacto do tratamento do refluxo gastroesofagiano sobre as doenças pulmonares.</p>      <p>O autor conclui que é inegável a existência de uma conexão entre doença de refluxo gastro esofágico e várias doenças pulmonares, sendo mister estudos complementares para corroborar essa associação.</p>      <p><b>Palavras-chaves: </b>Doença de refluxo gastroesofágico, doenças pulmonares, prevalência, mecanismos.</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Lung diseases and gastro-oesophageal reflux disease</b></p>      <p><b>Abstract</b></p>     <p>Gastro-oesophageal Reflux Disease is a consequence of pathological reflux from stomach to oesophagus. Whenever the refluxed contents extended beyond the oesophagus itself, is called Extraoesophageal Reflux Disease.</p>     <p>The author proposes a review about pulmonary disorders and gastroesophageal reflux. Previously, it is evaluated in an abridged way, the concepts of each diseases and after that, in a systematic form, it is discussed the prevalence of gastro-oesophageal reflux in lung diseases, all the mechanisms studies and the impact of gastro-oesophageal treatment on lung disorders.</p>     <p>The author concludes that is undeniable the link between Gastro-oesophageal reflux and lung diseases and further reaserch is mandatory in order to corroborate this association.</p>      <p><b>Key-words:</b> Gastro-oesophageal reflux disease, lung disorders, prevalence and mechanisms.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Siglas empregues neste artigo</b></p>      <p>DRGE = doença de refluxo gastroesofágico; DREE = doença de refluxo extraesofágico; RGE = refluxo gastro esofágico; VEF1 = volume expiratório forçado no primeiro segundo; CVF = capacidade vital forçada; DPOC= doença pulmonar obstrutiva crónica; ATS = <i>American Thoracic Society; </i>ERS= <i>European Respiratory Society; </i>FPI = fibrose pulmonar idiopática; ESP = esclerose sistémica progressiva; BO = bronquiolite obliterante; SOB = síndroma da bronquiolite obliterante; FC  = fibrose quística; MNTB = micobactéria não tuberculosa.</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Introdução</b></p>      <p>O refluxo do conteúdo do estômago para o esófago, refluxo gastroesofágico, é um processo fisiológico que ocorre praticamente em todas as pessoas, várias vezes ao dia e de modo assintomático.</p>      <p>Quando este se torna patológico, é capaz de produzir sinais, sintomas e lesões    recorrentes no esófago, nesse caso denominada doença de refluxo gastro esofágico    (DRGE), ou em localizações extraesofágicas, como orofaringe e tracto respiratório    inferior, doença de refluxo extraesofágico (DREE)<sup><a href="#1">1</a><a name="top1"></a>,<a href="#2">2</a><a name="top2"></a>,<a href="#3">3</a><a name="top3"></a></sup>.</p>      <p>A DRGE é uma condição comum e estima-se que cerca de 20% da população do mundo    ocidental apresente sintomatologia de refluxo<sup><a href="#1">1</a><a name="top1"></a></sup>.</p>      <p>O refluxo é caracterizado por sintomas de pirose e ou regurgitação ácida, interferindo    com a qualidade de vida dos doentes<sup><a href="#1">1</a><a name="top1"></a>,<a href="#3">3</a><a name="top3"></a></sup>.</p>      <p>A associação entre sintomas pulmonares e refluxo foi bem documentada, apesar    de permanecerem dúvidas sobre se a função pulmonar anormal provoca o refluxo    ou se o refluxo provoca os sintomas pulmonares<sup><a href="#4">4</a><a name="top4"></a></sup>.</p>      <p>Ravelli <i>et al </i>consideram o refluxo gastroesofágico como possível factor    desencadeante numa variedade de manifestações respiratórias recorrentes, como    pneumonias, tosse crónica, laringite, asma e sibilância<sup><a href="#5">5</a><a name="top5"></a></sup>.</p>      <p>Rothemberg <i>et al </i>observaram a relação entre doença grave reactiva das    vias aéreas e refluxo gastro esofágico em portadores de doença pulmonar, fazendo    uso de corticóide sistémico que melhoraram os sintomas respiratórios, após cirurgia    para RGE, fundoplicatura de Nissen por via laparoscópica<sup><a href="#6">6</a><a name="top6"></a></sup>.</p>      <p>Poelmans e Tack sugeriram que os diversos sintomas pulmonares e otorrinolaringológicos    seriam considerados manifestações extraesofágicas do refluxo<sup><a href="#3">3</a><a name="top3"></a></sup>.</p>      <p>Gonzáles <i>et al </i>observaram sintomatologia respiratória entre 10 a 60%    dos doentes com RGE e hérnia hiatal<sup><a href="#7">7</a><a name="top7"></a></sup>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Gaynor referiu que, apesar de a exacta incidência do refluxo ser ainda desconhecida,    seria estimado que 25% dos doentes com DRGE apresentarem sintomas otorrinolaringológicos<sup><a href="#8">8</a><a name="top8"></a></sup>.</p>      <p>As manifestações otorrinolaringológicas associadas ao refluxo são: tosse crónica,    laringites, sinusite e otite média crónica, rouquidão, gotejamento pós-nasal,    faringite, laringoespasmo paroxístico, disfonia, bolo histriónico, otalgia,    dor de garganta e, numa fase mais avançada, estenose subglótica e neoplasia    de laringe<sup><a href="#8">8</a><a name="top8"></a>,<a href="#9">9</a><a name="top9"></a>,<a href="#10">10</a><a name="top10"></a>,<a href="#11">11</a><a name="top11"></a>,<a href="#12">12</a><a name="top12"></a>,<a href="#13">13</a><a name="top13"></a></sup>.</p>      <p>Os sintomas pulmonares variam de uma tosse persistente, com quadro de sibilância,    a presença de roncos, dispneia grave e asfixia<sup><a href="#14">14</a><a name="top14"></a></sup>.</p>      <p>É mister recordar que na grande maioria das vezes os sintomas otorrinolaringológicos    e pulmonares se sobrepõem às queixas esofágicas, de tal modo que a pirose e    a disfagia podem ser incomuns e ausentes<sup><a href="#10">10</a><a name="top10"></a>,<a href="#11">11</a><a name="top11"></a>,<a href="#14">14</a><a name="top14"></a>,<a href="#15">15</a><a name="top15"></a></sup>.</p>      <p>A seguir, serão discutidas as doenças pulmonares envolvidas com a DRGE. Serão abordados a prevalência do refluxo em cada doença, os mecanismos específicos e o impacto do tratamento do refluxo sobre a pneumopatia.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Asma</b></p>      <p>A asma é uma doença inflamatória crónica das vias aéreas com manifestações    de hipersensibilidade brônquica e limitação variável ao fluxo aéreo, espontaneamente    reversível com tratamento medicamentoso, à base de corticosteróides e broncodilatadores.    Uma série de factores genéticos e ambientais favorecem o desenvolvimento e a    manutenção dos sintomas. O seu diagnóstico baseia–se nos achados clínicos e    funcionais (redução do VEF1 e da relação VEF1/CVF) e o tratamento é realizado    com anti–inflamatórios esteróides, durante a fase de manutenção, e broncodilatadores    nas crises<sup><a href="#16">16</a><a name="top16"></a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Prevalência do RGE na asma</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De todas as pneumopatias associadas ao RGE, a asma é a mais conhecida e, consequentemente, a mais divulgada e estudada.</p>      <p>Essa associação foi inclusive inicialmente descrita por Sir William Osler,    em 1892. A frequência do refluxo entre asmáticos oscilou de 34 a 89% em diferentes    estudos<sup><a href="#17">17</a><a name="top17"></a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Mecanismos</b></p>      <p>Wong <i>et al </i>referiram que mais da metade dos doentes com asma de difícil    controlo foram diagnosticados com RGE associado<sup><a href="#18">18</a><a name="top18"></a></sup>.</p>      <p>Entretanto, conceitos sobre que condição se desenvolveria inicialmente e sobre    uma relação causa efeito entre as duas doenças não foram totalmente elucidados<sup><a href="#19">19</a><a name="top19"></a>,<a href="#20">20</a><a name="top20"></a>,<a href="#21">21</a><a name="top21"></a>,<a href="#22">22</a><a name="top22"></a>,<a href="#23">23</a><a name="top23"></a></sup>.</p>      <p>Kiljander e Cibella referiram o RGE como possível <i>trigger </i>ou desencadeante    para a broncoconstrição e exacerbações na asma<sup><a href="#20">20</a><a name="top20"></a>,<a href="#24">24</a><a name="top24"></a>,<a href="#25">25</a><a name="top25"></a></sup>.</p>      <p>Harding relatou a interacção esofagopulmonar através de uma variedade de mecanismos,    nos quais uma doença desencadearia a outra, e vice versa<sup><a href="#26">26</a><a name="top26"></a></sup>.</p>      <p>Muitos dos mecanismos esclarecidos e usados para entender a interacção entre asma e refluxo poderiam ser empregues para explicar a associação refluxo e pneumopatias em geral.</p>      <p>Na asma, o refluxo actuaria como provável desencadeante, indiretamente pelos    reflexo vagal, reflexos do sistema nervoso central e via reflexa axonal. Quando    activados, os nociceptores das vias aéreas e do esófago responderiam com manobras    de tosse, broncoespasmo, produção de muco e hipersecreção ácida, respectivamente.    As vias nervosas sensoriais do tracto respiratório e do esófago terminariam    nas mesmas regiões do SNC e consequentemente haveria uma interação sinérgica    entre nociceptores esofágicos e inervação das vias respiratórias, precipitando    sintomatologia da asma associada ao refluxo<sup><a href="#25">25</a><a name="top25"></a></sup>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Directamente, o outro mecanismo seria através da microaspiração de pequenas    quantidades de ácido no esófago proximal que neutralizariam as defesas das vias    aéreas, expondo o epitélio e produzindo aumento das respostas inflamatórias<sup><a href="#26">26</a><a name="top26"></a>,<a href="#27">27</a><a name="top27"></a></sup>.    A microaspiração também libertaria neurotransmissores pró-inflamatórios, como    a substância P, que actuariam como mediadores na vasodilatação e no recrutamento    das células inflamatórias<sup><a href="#26">26</a><a name="top26"></a>,<a href="#27">27</a><a name="top27"></a></sup>.</p>      <p>A asma poderia propiciar o surgimento do refluxo através:</p>      <p>– da disfunção autonómica;</p>      <p>– da obstrução respiratória que resultaria em pressão pleural mais negativa que aumentaria o gradiente de pressão entre o tórax e o abdómen, favorecendo o refluxo;</p>      <p>– da maior prevalência de hérnia hiatal;</p>      <p>– das alterações a contractilidade diafragmática crural;</p>      <p>– do uso de broncodilatadores.</p>      <p>Os beta-agonistas agiriam reduzindo a pressão basal do esfíncter esofágico    inferior, relaxando-o. Doses sequenciais de albuterol e corticóides orais estimulariam    o refluxo de ácido no esófago em doentes susceptíveis<sup><a href="#27">27</a><a name="top27"></a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Impacto da terapia medicamentosa</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A terapia medicamentosa com bloqueador H2 e inibidores da bomba de protões    associados ou não a fundoplicatura de Nissen reflectiram de certo modo sobre    a sintomatologia da asma, reduzindo a necessidade do uso de medicamentos e até    na melhoria da função pulmonar<sup><a href="#20">20</a><a name="top20"></a>,<a href="#28">28</a><a name="top28"></a>,<a href="#29">29</a><a name="top29"></a>,<a href="#30">30</a><a name="top30"></a>,<a href="#31">31</a><a name="top31"></a>,<a href="#32">32</a><a name="top32"></a></sup>.</p>      <p>Harding observou a regressão dos sintomas em cerca de 30% dos doentes asmáticos    tratados com inibidor da bomba de protões, duas vezes por dia, durante 30 dias<sup><a href="#29">29</a><a name="top29"></a></sup>.</p>      <p>Sontag <i>et al </i>compararam os efeitos do tratamento médico e cirúrgico    para DRGE e seus efeitos sobre a asma e constataram melhoria da asma em 74,9%    no grupo de doentes tratados com fundoplicatura de Nissen e melhoria de apenas    9,1% no grupo tratado apenas com terapêutica oral<sup><a href="#31">31</a><a name="top31"></a></sup>.</p>      <p>Gibson <i>et al </i>refutaram a efectividade do tratamento antirrefluxo e o    seu benefício na asma. A metanálise de estudos controlados e randomizados concluiu    que as terapêuticas clínicas e cirúrgicas não melhoraram o controlo sintomático    na asma. Certos subgrupos de asmáticos beneficiaram, sendo difícil predizer    quais os que responderam<sup><a href="#33">33</a><a name="top33"></a></sup>.</p>      <p>Legget <i>et al </i>analisaram os efeitos do RGE em doentes diagnosticados    como asma de difícil controlo (sintomas refractários e persistentes, manutenção    com corticóide inalatório e uso de beta-agonistas de longa duração e de corticóide    sistémico nos 12 meses que antecederam o estudo). Os autores concluíram que    a identificação e o tratamento do refluxo não melhorou o controlo da asma nesses    doentes, apesar da redução dos sintomas de refluxo<sup><a href="#34">34</a><a name="top34"></a></sup>.</p>      <p>Littner <i>et al </i>também estudaram a associação entre asma de difícil controlo    e refluxo. Os critérios da asma de difícil controlo considerados por esses autores    foram diferentes dos expostos por Legget <i>et al</i>. Littner considerou entre    outros critérios os doentes asmáticos com mais de 18 anos, com queixas de pirose,    asma moderada a severa, valores do VEF1 superior a 50% e inferior a 85% do predito,    melhoria de 12% do VEF1 basal após inalação com 180 microgramas de albuterol,    tratamento com corticóides inalatórios, relato de 5 ou mais crises de dispneia    e sibilância durante 4 semanas que antecederam o estudo, uso de doses estáveis    de medicação para asma e pelo menos 4 semanas anterior ao estudo. Os autores    concluíram que a administração de 30mg de lansoprazole por dia não resultou    na melhoria dos sintomas da asma, não houve redução do albuterol inalatório    e também não representou efeitos sobre função pulmonar e dos sintomas de refluxo.    Entretanto, essa dose foi capaz de reduzir a exacerbação da asma e melhorou    em alguns aspectos a qualidade de vida desses doentes<sup><a href="#35">35</a><a name="top35"></a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Tosse crónica</b></p>      <p>A tosse crónica é um dos sintomas cardinais na pneumologia. Está associada    a diversas situações, inclusive ao refluxo gastroesofágico assintomático<sup><a href="#36">36</a><a name="top36"></a>,<a href="#37">37</a><a name="top37"></a>,<a href="#38">38</a><a name="top38"></a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Prevalência</b></p>      <p>Após a asma e sinusopatias, a DRGE é considerada actualmente como a terceira    causa de tosse crónica em cerca de 20% dos doentes<sup><a href="#39">39</a><a name="top39"></a>,<a href="#40">40</a><a name="top40"></a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Mecanismos</b></p>      <p>Os mecanismos propostos para o RGE desencadear a tosse crónica seriam o reflexo    broncoesofágico, a micro e macroaspiração de ácido e o aumento de pressão abdominal<sup><a href="#2">2</a><a name="top2"></a>,<a href="#41">41</a><a name="top41"></a></sup>.</p>      <p>A presença de ácido clorídrico no esófago distal ou esófago inferior seria    capaz de estimular a capsaicina a libertar taquicinina das terminações nervosas,    taquicininas como a substância P que, por sua vez, estimulariam as fibras C    e induziriam o mecanismo da tosse. Seriam também descritos aumentos da susceptibilidade    das fibras C mediadas pelo vago<sup><a href="#42">42</a><a name="top42"></a>,<a href="#43">43</a><a name="top43"></a>,    <a href="#44">44</a><a name="top44"></a>,<a href="#45">45</a><a name="top45"></a>,<a href="#46">46</a><a name="top46"></a></sup>.</p>      <p>Wu <i>et al </i>mostraram um aumento significativo da resposta da tosse após perfusão ácida no esófago distal em doentes com asma leve.</p>      <p>Foram realizados endoscopia digestiva alta, monitorização do pH esofágico,    espirometria e teste de indução de tosse com capsaicina inalatória em doentes    com sintomas de asma leve e de esofagite<sup><a href="#42">42</a><a name="top42"></a></sup>.</p>      <p>Foi demonstrado que a perfusão ácida no esófago distal exacerbaria a resposta da tosse, porém sem induzir o surgimento da tosse espontânea.</p>      <p>Seria importante recordar que isso também seria passível de ocorrer em doentes    com asma leve, sem sintomatologia de disfagia, regurgitação e pirose retroesternal<sup><a href="#42">42</a><a name="top42"></a></sup>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><b>Impacto do tratamento</b></p>      <p>Apesar do tratamento empírico com a supressão ácida e outras medidas, como    dieta anti refluxo e terapêutica procinética para diagnosticar tosse induzida    pelo refluxo fossem alternativas razoáveis, como estratégia diagnóstica, houve    poucos estudos que validaram este tipo de terapêutica para a tosse provocada    pelo refluxo<sup><a href="#44">44</a><a name="top44"></a>,<a href="#45">45</a><a name="top45"></a>,<a href="#46">46</a><a name="top46"></a></sup>.</p>      <p>O tempo necessário e a posologia empregue para o tratamento e resolução da tosse ocasionada pelo refluxo foram variados nos diferentes trabalhos. Ocorreu em alguns casos recidiva da tosse, quando a terapêutica terminou, sendo necessário posterior retratamento.</p>      <p>Ours <i>et al </i>concluíram que tratamento com omeprazole seria mais apropriado para terapêutica empírica e método diagnóstico para tratamento da tosse induzida pelo refluxo.</p>      <p>O tratamento indicado com supressão antiácida a longo prazo, aproximadamente    um ano, tornou-se necessário para evitar recidiva da tosse<sup><a href="#44">44</a><a name="top44"></a></sup>.</p>      <p>Poe RH <i>et al </i>sugeriram que dose única matinal de bloqueador de bomba    de protões e fármacos procinéticos seriam indicadas, quando houvesse sintomas    de disfunção esofágica e tosse. Em poucos doentes, um período de 8 semanas de    terapêutica foram necessárias para remissão completa dos sintomas<sup><a href="#47">47</a><a name="top47"></a></sup>.</p>      <p>A terapêutica cirúrgica anti rrefluxo pôde eliminar efectivamente a tosse ou    significativamente melhorá-la, sendo indicada nos casos de tosse relacionada    com o refluxo e sem resposta à terapêutica medicamentosa agressiva<sup><a href="#42">42</a><a name="top42"></a>,<a href="#46">46</a><a name="top46"></a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>DPOC</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) é uma doença tratável com comprometimento    pulmonar e sistémico, caracterizada pela obstrução das vias aéreas não totalmente    reversível, com curso geralmente progressivo associado a uma resposta inflamatória    pulmonar, após exposição ao tabagismo, gases tóxicos e outras partículas<sup><a href="#48">48</a><a name="top48"></a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Prevalência</b></p>      <p>A prevalência da DRGE na DPOC oscilou entre 0 a 62% e ainda não foi bem estabelecida,    ao contrário do que ocorre na asma<sup><a href="#49">49</a><a name="top49"></a>,<a href="#50">50</a><a name="top50"></a>,<a href="#51">51</a><a name="top51"></a></sup>.</p>      <p>Serag e Sonnemberg demonstraram, retrospectivamente, um risco aumentado de    doenças pulmonares, inclusive DPOC, em casos de esofagite de refluxo, comparado    com o grupo-controlo<sup><a href="#52">52</a><a name="top52"></a></sup>.</p>      <p>Andersen e Jensen observaram uma prevalência aumentada de doenças esofágicas    benignas, como refluxo, insuficiência do esfíncter esofágico inferior, hérnia    hiatal e esofagites em doentes com DPOC<sup><a href="#53">53</a><a name="top53"></a></sup>.</p>      <p>Mokhelesi <i>et al </i>relataram que 20% dos doen tes portadores de DPOC apresentaram    disfagia, referida ao refluxo<sup><a href="#54">54</a><a name="top54"></a></sup>.</p>      <p>Dent <i>et al </i>encontraram prevalência de RGE proximal em DPOC avançada,    aproximadamente cinco vezes mais do que na população em geral<sup><a href="#55">55</a><a name="top55"></a></sup>.</p>      <p>Stein <i>et al </i>referiram disfunção cricofaríngea em 17 de 25 doentes com    DPOC que apresentaram exacerbações frequentes<sup><a href="#55">55</a><a name="top55"></a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Mecanismos</b></p>      <p>Prováveis mecanismos relacionados nos doen tes com DPOC que favoreceriam o    refluxo seriam: aumento da pressão intratorácica, hiperinsuflação pulmonar com    consequente abaixamento da cúpula diafragmática, tosse frequente e uso de broncodilatadores<sup><a href="#56">56</a><a name="top56"></a></sup>.</p>      <p>O refluxo induziria também a microaspiração e a broncoconstrição reflexa na    DPOC. A hiperinsuflação pulmonar severa e consequente rebaixamento da cúpula    diafragmática, broncoespasmo e tosse vigorosa, contribuiriam para o aumento    da pressão intratorácica e intraabdominal, exacerbando o refluxo. Os medicamentos    beta 2 agonistas, os anticolinérgicos e a teofilina reduziriam a pressão do    esfíncter esofágico inferior, possibilitando o refluxo<sup><a href="#56">56</a><a name="top56"></a>,<a href="#57">57</a><a name="top57"></a></sup>.</p>      <p>Uma outra situação peculiar na DPOC e RGE seria uma alteração ou défice da    coordenação entre deglutição e respiração. Consequentemente, doentes portadores    de DPOC com alterações de coordenação deglutiriam mais comummente pela interrupção    da fase inspiratória e resumiriam o seu ciclo respiratório, significativamente    mais, durante a inspiração<sup><a href="#57">57</a><a name="top57"></a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Impacto do tratamento</b></p>      <p>Na comorbilidade DPOC e RGE foi possível considerar que a doença pulmonar obstrutiva    crónica predispôs ao refluxo, assim como foi plausível aceitar a hipótese de    que o RGE assintomático e sintomático fossem eventos deflagradores da DPOC grave    e de um aumento da frequência das exacerbações, provando que nos doentes portadores    de RGE e DPOC houve uma pior qualidade de vida, quando comparados com os portadores    apenas de DPOC<sup><a href="#58">58</a><a name="top58"></a>,<a href="#59">59</a><a name="top59"></a>,<a href="#60">60</a><a name="top60"></a>,<a href="#61">61</a><a name="top61"></a>,<a href="#62">62</a><a name="top62"></a></sup>.</p>      <p>Embora a terapêutica anti rrefluxo não tivesse conseguido êxito em modificar    o curso inexorável da DPOC avançada e nem minimizar o número das exacerbações,    foi possível, com a supressão ácida do refluxo, reduzir a sintomatologia geral    de ambas as doenças, contribuindo de certo modo para melhorar a qualidade de    vida nesses doentes<sup><a href="#58">58</a><a name="top58"></a>,<a href="#63">63</a><a name="top63"></a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Doenças pulmonares intersticiais</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As pneumonias intersticiais difusas pertencem a um grupo distinto de doenças    que comprometem o interstício, à custa de células inflamatórias, às vezes fibrose,    ou proliferação fibroblástica. Na classificação da ATS e da ERS foram incluídas    sete doenças distintas: fibrose pulmonar idiopática (FPI), pneumonia intersticial    não específica, bronquiolite obliterante com pneumonia em organização, bronquiolite    respiratória com doença pulmonar intersticial, pneumonia descamativa, pneumonia    intersticial aguda e pneumonia intersticial linfóide. Um outro tipo, a pneumonia    intersticial bronquiolocêntrica, poderá ser futuramente incorporada nessa classificação.    Para o diagnóstico das doenças pulmonares intersticiais é mister a associação    do quadro clínico, radiológico e histopatológico<sup><a href="#64">64</a></sup><a name="top64"></a>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Prevalência</b></p>      <p>Houve maior prevalência de refluxo na FPI, quando comparado com os casos-controlo    e outras causas de doença intersticial, porém nenhuma relação causal foi estabelecida    apropriadamente<sup><a href="#65">65</a><a name="top65"></a></sup>.</p>      <p>Patti <i>et al </i>sugeriram que o RGE esteve relacionado com a causa e a progressão    de FPI e pelo menos 2/3 dos doentes com fibrose tiveram refluxo, sendo este    relacionado com baixas pressões no esfíncter esofágico inferior, a peristalse    esofágica anormal e permanência de refluxo, tanto na posição de decúbito supino,    como de pé<sup><a href="#65">65</a><a name="top65"></a></sup>.</p>      <p>Raghu, num estudo prospectivo de 65 doentes com FPI, observou que em 87% houve    uma prevalência de refluxo ácido anormal e em 76% foi demonstrado exposição    ácida no esófago distal. Apenas 47% destes doentes tiveram sintomatologia clássica    de refluxo (pirose e regurgitação). A presença de refluxo anormal foi altamente    prevalente, porém clinicamente oculta, em portadores de FPI<sup><a href="#66">66</a><a name="top66"></a></sup>.</p>      <p>Tobin <i>et al </i>referiram que em mais de 90% dos doentes com FPI foi observado    refluxo, sendo este um importante factor de risco para o desenvolvimento e progressão    da fibrose<sup><a href="#67">67</a><a name="top67"></a></sup>; inclusive, o    consenso internacional para pneumopatias intersticiais listou o refluxo como    um dos cinco factores de risco para a fibrose pulmonar<sup><a href="#68">68</a><a name="top68"></a></sup>.</p>      <p>Sweet <i>et al, </i>num trabalho com 30 doentes portadores de FPI, mostrou    a confirmação de RGE sintomático em 67% dos casos. Foi também observado que    o refluxo estava associado à diminuição da pressão no esfíncter esofágico inferior    e que a presença da peristalse anormal no esófago se estendeu ao esófago proximal<sup><a href="#69">69</a><a name="top69"></a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Mecanismos</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Trabalhos datados da década de 50 do século xx mostraram que a presença contínua    e recorrente de ácido nas vias aéreas inferiores provocou espectros de lesões    que variaram de uma resposta inflamatória com edema associado a dano epitelial    e alterações de permeabilidade microvascular, até ao extremo de proliferação    fibroblástica, aderência de septo, espessamento alveolar e fibrose<sup><a href="#70">70</a><a name="top70"></a>,<a href="#71">71</a><a name="top71"></a>,<a href="#72">72</a><a name="top72"></a>,<a href="#73">73</a><a name="top73"></a>,<a href="#74">74</a><a name="top74"></a>,<a href="#75">75</a><a name="top75"></a>,<a href="#76">76</a><a name="top76"></a></sup>.</p>      <p>Raghu <i>et al </i>levantaram a hipótese de a presença de ácido oriundo do    refluxo ter actuado no desenvolvimento e na progressão da FPI e, consequentemente,    a sua supressão nesses doentes ter acarretado uma oportunidade para que os alvéolos    se recuperassem da fibrose. Além disso, o tratamento com a supressão ácida impediu    a microaspiração crónica de gotículas de ácido e a inflamação contínua<sup><a href="#77">77</a><a name="top77"></a></sup>.  </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Impacto do tratamento</b></p>      <p>O tratamento da supressão ácida para o refluxo na fibrose pulmonar idiopática resultou na estabilização ou melhoria da função pulmonar, às custas da CVF e da difusão de monóxido de carbono, além de diminuir o número das exacerbações na fibrose idiopática.</p>      <p>Ao inibir a produção do ácido, especulou-se que foi dada aos pulmões uma oportunidade    de recuperação, ao invés da progressão para fibrose, que talvez fosse perpetuada    pela injúria recorrente do ácido, devido a aspiração crónica, e pela inflamação    consequente a esses processos<sup><a href="#77">77</a><a name="top77"></a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Esclerose sistémica progressiva</b></p>      <p>A esclerose sistémica progressiva (ESP) é uma doença caracterizada pelo espessamento    cutâneo e variado grau de comprometimento orgânico, inclusive esofágico e pulmonar.    O compromisso esofágico na ESP refere-se à disfagia e à disfunção da motilidade    esofágica, resultando inclusive em fibrose, numa fase mais avançada. As manifestações    esofágicas mais comummente observadas foram: RGE, esófago de Barrett, adenocarcinoma,    esofagite infecciosa e induzida por fármacos<sup><a href="#78">78</a><a name="top78"></a>,<a href="#79">79</a><a name="top79"></a>,<a href="#80">80</a><a name="top80"></a></sup>.    A nível pulmonar, são observadas hipertensão pulmonar e fibrose difusa<sup><a href="#78">78</a><a name="top78"></a>,<a href="#79">79</a><a name="top79"></a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Prevalência</b></p>      <p>Cerca de 90% dos doentes com esclerodermia apresentam sintomas de doença esofágica<sup><a href="#81">81</a><a name="top81"></a></sup>    e em 70 a 80% destes são descritas alterações sugestivas de fibrose pulmonar    na autópsia<sup><a href="#81">81</a><a name="top81"></a>,<a href="#82">82</a><a name="top82"></a></sup>.</p>      <p>O padrão de fibrose pulmonar encontrado na ESP é semelhante ao das doenças    pulmonares intersticiais ou, mais especificamente, fibrose pulmonar idiopática.    Geralmente, é mister relembrar que os portadores de esclerodermia apresentam    doença pulmonar intersticial co existindo com refluxo gastroesofágico<sup><a href="#82">82</a><a name="top82"></a></sup>.  </p>      <p><b>Mecanismos</b></p>      <p>A doença pulmonar intersticial na ESP não seria apenas consequência do RGE,    mas também, possivelmente, de uma resposta autoimune inflamatória mediada e    autoimune vascular<sup><a href="#82">82</a><a name="top82"></a></sup>.</p>      <p>Outro mecanismo provavelmente associado foi a diminuição da motilidade esofágica.    Lock <i>et al, </i>ao investigarem a relação entre disfunção esofágica e lesão    pulmonar na ESP, corroboraram essa associação, ao verificarem que, quanto mais    intensa a disfunção da motilidade esofágica, maior a redução do volume pulmonar<sup><a href="#83">83</a><a name="top83"></a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Impacto do tratamento</b></p>      <p>Johnson <i>et al </i>estudaram o papel do refluxo na doença pulmonar associada    a esclerodermia e verificaram que a terapêutica anti refluxo agressiva, com    inibidores da bomba de protões e antiácidos, pode ser útil em reduzir o dano    pulmonar, consequente a aspiração nesses doentes, havendo evidência clínica    e radiológica de melhoria da pneumonia aspirativa após usar medicação anti rrefluxo<sup><a href="#84">84</a><a name="top84"></a></sup>.</p>      <p>Por outro lado, Troshinski <i>et al </i>refutaram a ideia da associação DPI    na ESP e RGE, pois não foi encontrada diferença significativa na capacidade    pulmonar total e na capacidade vital forçada entre os grupos de doentes sintomáticos    pulmonares<sup><a href="#85">85</a><a name="top85"></a></sup>, portadores de    esclerodermia com presença ou ausência de refluxo proximal ou distal e presença    ou ausência de peristalse esofágica distal, tratados com teraêutica anti rrefluxo<sup><a href="#85">85</a><a name="top85"></a></sup>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os tratamentos clínicos e cirúrgicos apropriados para o refluxo foram capazes    de minimizar os seus sintomas e as suas complicações, porém a longo prazo esse    não foi capaz de influenciar o curso progressivo da fibrose pulmonar na esclerodermia<sup><a href="#83">83</a><a name="top83"></a>,<a href="#84">84</a><a name="top84"></a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Pós-transplante pulmonar, bronquiolite obliterante (BO) e síndroma de bronquiolite obliterante (SBO)</b></p>      <p>As doenças pulmonares avançadas referem-se àquelas em estádio adiantado de evolução, sendo passíveis de transplante pulmonar, como opção terapêutica, sendo destacadas: deficiência de alfa 1 anti tripsina, fibrose quística, fibrose pulmonar idiopática, sarcoidose, hipertensão pulmonar primária ou secundária, linfangioleiomiomatose, histiocitose de células de Langerhans, DPOC e bronquiectasias difusas. O objectivo do transplante pulmonar é restaurar a função pulmonar avançada e as opções cirúrgicas nesses doentes são o transplante pulmonar simples, duplo, transplante coração pulmão e transplante lobar de um dador vivo compatível.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Prevalência</b></p>      <p>Foi descrita alta prevalência de RGE nos portadores de doença pulmonar em fase    avançada, com indicação para transplante de pulmão<sup><a href="#86">86</a><a name="top86"></a>,<a href="#87">87</a><a name="top87"></a>,<a href="#88">88</a><a name="top88"></a>,<a href="#89">89</a><a name="top89"></a>,<a href="#90">90</a><a name="top90"></a></sup>.</p>      <p>D'Ovídio observou que, em 78 doentes com doença pulmonar avançada e com indicação    de transplante pulmonar, 63% referiram sintomatologia de refluxo e quase 80%    destes apresentaram dismotilidade esofágica com hipotonia do esfíncter esofágico    inferior e, em 44% destes, houve esvaziamento gástrico retardado e prolongado<sup><a href="#87">87</a><a name="top87"></a></sup>.</p>      <p>Hartwig <i>et al </i>verificaram, num estudo retrospectivo de 458 doentes candidatos    a transplante pulmonar, que em 74 destes houve 56,8% de estudos anormais da    avaliação ambulatória do pH de 24 horas, antes do transplante, e que, em 158    doentes, 74,9% apresentaram estudos anormais de avaliação do pH de 24 horas    pós-transplante<sup><a href="#89">89</a><a name="top89"></a></sup>.</p>      <p>A presença de refluxo antes do transplante pulmonar nos doentes com doença avançada foi fortemente associado ao refluxo no pós-transplante, sendo uma situação bastante peculiar a ser considerada e questionada.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A maioria dos trabalhos de revisão não citou este antecedente de refluxo gastroesofágico.    O mesmo pode ser dito em relação às outras doenças pulmonares<sup><a href="#87">87</a><a name="top87"></a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Mecanismos</b></p>      <p>Os factores relacionados com as doenças pulmonares avançadas, numa fase pré-transplante,    foram os mecanismos de defesa pulmonar, como a tosse, <i>clearance </i>e transporte    mucociliar, que uma vez diminuídos facilitaram o refluxo<sup><a href="#87">87</a><a name="top87"></a>,<a href="#89">89</a><a name="top89"></a>,<a href="#91">91</a><a name="top91"></a></sup>.</p>      <p>No que tange à situação pós-transplante, a cirurgia poderia de forma iatrogénica    lesar o nervo vago e, consequentemente, acarretar esvaziamento gástrico prolongado    e retardado, hipomotilidade esofágica e refluxo. Foi também descrito um efeito    do transplante pulmonar sobre a mecânica do diafragma e sobre a competência    dos esfíncteres esofágicos distal e proximal<sup><a href="#87">87</a><a name="top87"></a>,<a href="#89">89</a><a name="top89"></a>,<a href="#91">91</a><a name="top91"></a></sup>    e modificações relativas nas pressões intratorácicas e intraabdominal<sup><a href="#89">89</a><a name="top89"></a>,<a href="#90">90</a><a name="top90"></a>,<a href="#91">91</a><a name="top91"></a>,<a href="#92">92</a><a name="top92"></a></sup>,    assim como o uso de imunossupressores e corticóides, que prolongariam o esvaziamento    gástrico<sup><a href="#87">87</a><a name="top87"></a>,<a href="#89">89</a><a name="top89"></a>,<a href="#92">92</a><a name="top92"></a></sup>.    Foi aceitável e concebível que quanto maior o tempo de contacto e o volume de    ácido do refluxo na árvore respiratória maior a probabilidade da lesão directa    do parênquima. A presença do conteúdo do refluxo estimulou, indirectamente,    uma resposta imunológica contra o enxerto e contra o pulmão transplantado<sup><a href="#87">87</a><a name="top87"></a>,<a href="#89">89</a><a name="top89"></a>,<a href="#91">91</a><a name="top91"></a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Bronquiolite obliterante e síndroma da bronquiolite obliterante</b></p>      <p>Os doentes transplantados alogénicos ou autólogos de pulmão podem desenvolver    bronquiolite obliterante e sua correlata clínica, síndroma da bronquiolite obliterante,    como factor limitante do sucesso cirúrgico, levando à deterioração progressiva    da função pulmonar, não explicada por estenose da anastomose brônquica, infecção    ou rejeição aguda<sup><a href="#86">86</a><a name="top86"></a>,<a href="#92">92</a><a name="top92"></a></sup>.</p>      <p>A bronquiolite obliterante (BO) ou bronquiolite constritiva relaciona-se com    o achado histopatológico de fibrose da submucosa ou peribronquiolar, resultando    no estreitamento extrínseco e obliteração de lúmen bronquiolar<sup><a href="#86">86</a><a name="top86"></a>,<a href="#93">93</a><a name="top93"></a></sup>.    Neste processo de obliteração e fibrose de lúmen das pequenas vias aéreas, há    obstrução progressiva e facilitação das infecções pulmonares<sup><a href="#86">86</a><a name="top86"></a>,<a href="#89">89</a><a name="top89"></a>,<a href="#93">93</a><a name="top93"></a></sup>.</p>      <p>A síndroma de bronquiolite obliterante (SOB) é caracterizada clinicamente pela    obstrução também progressiva das vias aéreas e, fisiologicamente, pelo decréscimo    do valor do VEF1 em 20% ou mais, quando comparado com os valores basais nos    doentes pós-transplante<sup><a href="#85">85</a><a name="top85"></a></sup>,    e afecta cerca de 50 a 60% dos doentes em cinco anos após transplantes<sup><a href="#87">87</a><a name="top87"></a>,<a href="#89">89</a><a name="top89"></a></sup>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O RGE seria um dos factores causais associados à BO e à SOB93.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Mecanismos</b></p>      <p>A aspiração retrógrada, secundária ao refluxo, provocaria uma reacção aloimune    contra o endotélio e o epitélio das vias aéreas, potenciando lesão de alo enxerto    pulmonar e desenvolvendo a bronquiolite obliterante e a síndroma de bronquiolite    obliterante<sup><a href="#89">89</a><a name="top89"></a></sup>.</p>      <p>As secreções ácidas e biliares do refluxo contribuíram para que as lesões de    enxerto pulmonar fossem mediadas pela IL8, IL15 e neutrófilos alveolares. Elevados    níveis de ácidos biliares, de IL8, e aumento de neutrófilos no lavado bronco    alveolar destes doentes no pós-transplante de pulmão, foram considerados como    marcadores clínicos putativos do desenvolvimento e da progressão da síndroma    de bronquiolite obliterante<sup><a href="#87">87</a><a name="top87"></a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Impacto do tratamento</b></p>      <p>A repercussão do tratamento do refluxo gastro esofágico sobre a função pulmonar    nos doentes com doença pulmonar avançada, que se submeteram ou não ao transplante,    mostrou que em relação ao tratamento clínico do refluxo com inibidores de bomba    de protões, anti ácidos e antagonistas de receptores de histamina, não foram    eficazes, quando comparado com a fundoplicatura de Nissen<sup><a href="#92">92</a><a name="top92"></a></sup>.    A fundoplicatura laparoscópica de Nissen apresentou êxito na melhoria da função    de alo enxerto nos doentes, durante a fase inicial da SOB. Apesar de não haver    mudanças imunológicas e patológicas da fibrose peribrônquica na SOB, foram descritas    melhoras consistentes do VEF1, considerado como indicador de sucesso nesses    casos e maior sobrevida<sup><a href="#92">92</a><a name="top92"></a>,<a href="#93">93</a><a name="top93"></a></sup>.</p>      <p>Essa cirurgia foi bem tolerada nos doentes com doença pulmonar avançada, apesar    de haver mais episódios de rejeição, sendo essa mais grave e com maior incidência    da SOB<sup><a href="#92">92</a><a name="top92"></a></sup>.</p>      <p>Portanto, doentes candidatos ao transplante ou já transplantados que evoluíram    com declínio dos valores de VEF1, somando-se a rejeição aguda e complicações    infecciosas, deveriam ser avaliados quanto ao refluxo e à possível indicação    para fundoplicatura de Nissen<sup><a href="#92">92</a><a name="top92"></a></sup>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><b>Síndroma da apneia/hipopneia obstrutiva do sono</b></p>      <p>A síndroma da apneia obstrutiva do sono é definida como obstrução das vias    aéreas superiores recorrentes, durante o período do sono, provocando consequente    dessaturação da oxiemoglobina e despertar nocturno, associado a hipersonolência    diurna. Esta obstrução leva à cessação da respiração e consequente hipóxia e    hipercapnia. Os eventos respiratórios anormais durante o sono são diagnosticados    pela polissonografia<sup><a href="#94">94</a><a name="top94"></a>,<a href="#95">95</a><a name="top95"></a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Prevalência</b></p>      <p>Doentes com SAHOS tiveram alta prevalência de refluxo sintomático e confirmado,    quando comparados com os doentes roncadores, sem apneia e com a população em    geral<sup><a href="#96">96</a><a name="top96"></a></sup>. </p>      <p>Penzel <i>et al, </i>ao estudarem 15 doentes com apneia do sono, verificaram    que todos tinham refluxo confirmado pela avaliação de estudos de monitorização    de pH, e destes apenas cinco apresentaram sintomatologia para refluxo<sup><a href="#97">97</a><a name="top97"></a></sup>.    Este mesmo autor, num outro estudo, mostrou que, em 52 doentes com refluxo,    37 apresentaram refluxo durante o sono, associado a apneia e a hipopneia<sup><a href="#98">98</a><a name="top98"></a></sup>.</p>      <p>Graft <i>et al </i>observaram que, em 17 doentes com apneia obstrutiva do sono,    apenas 11 tiveram refluxo anormal<sup><a href="#99">99</a><a name="top99"></a></sup>.</p>      <p>Kerr <i>et al, </i>em seis doentes com apneia obstrutiva do sono, encontraram    cinco que apresentaram RGE nocturno anormal corroborado por métodos de monitorização    de pH<sup><a href="#100">100</a><a name="top100"></a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Mecanismos</b></p>      <p>Durante o sono fisiológico normal, existiriam muitas modificações no esófago    e na junção gastroesofágica que contribuiriam para a patogénese do RGE<sup><a href="#101">101</a><a name="top101"></a>,<a href="#102">102</a><a name="top102"></a></sup>.</p>      <p>O sono pode alterar os mecanismos fisiológicos que actuam na <i>clearance </i>esofágica,    como: diminuição da deglutição, aumento da exposição ácida, diminuição da produção    da saliva, redução da libertação da saliva no esófago distal, declínio da pressão    basal do esfíncter esofágico superior, atraso do esvaziamento gástrico e aumento    da produção ácida. Todas estas alterações contribuem para a exposição ácida    prolongada, durante o período do sono nocturno, resultando em séria injúria    da mucosa e consequente refluxo<sup><a href="#101">101</a><a name="top101"></a></sup>.</p>      <p>Além destes mecanismos fisiológicos normais de defesa do esófago, os doentes    com SAHOS apresentaram modificações acentuadas da pressão intrapleural, tornando–a    mais negativa, e também da pressão transdiafragmática, durante a apneia, contribuindo    para a ocorrência do refluxo<sup><a href="#101">101</a><a name="top101"></a></sup>.</p>      <p>Seria questionável se a hipóxia contribuiria para refluxo. </p>      <p>Kiatchoosakun <i>et </i>cols sugeriram que a hipóxia induziu um mecanismo protector    contra o refluxo, aumentando o tónus do esfíncter esofágico inferior<sup><a href="#103">103</a><a name="top103"></a></sup>.  </p>      <p>Teramoto <i>et al </i>observaram que durante a hipoxia ocorreu défice de deglutição,    favorecendo o refluxo<sup><a href="#104">104</a></sup><a name="top104"></a>.    Algumas características associadas a SAHOS, incluindo obesidade, ingestão de    álcool, tabagismo, foram também factores de risco para o refluxo<sup><a href="#105">105</a><a name="top105"></a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Impacto do tratamento</b></p>      <p>O emprego de inibidores da bomba de protões demonstrou um bom controlo da pirose durante o período nocturno, sendo neste período mais responsivo do que no período diurno. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Orr <i>et al </i>observaram que em 42 doentes houve redução da sintomatologia de refluxo após uso de rabeprozole, porém não houve nenhuma diferença ao usar fármaco e placebo nas medidas objectivas da polissonografia.</p>      <p>Entretanto, os doentes referiram melhor qualidade de sono e reduzido número    de despertar nocturno. Neste trabalho, os autores concluíram que o tratamento    antirrefluxo melhorou as medidas subjectivas relacionadas com o sono, porém    não houve qualquer impacto sobre as medidas objectivas referentes ao sono<sup><a href="#106">106</a><a name="top106"></a></sup>.</p>      <p>Johnson <i>et al </i>observaram que 635 doentes, com RGE e qualidade de sono    e de vida prejudicadas, foram tratados com esomeprazole (20 a 40mg ao dia) e    houve importante melhoria da qualidade do sono, pela redução do número de dias    de distúrbio do sono associados ao RGE<sup><a href="#107">107</a><a name="top107"></a></sup>.</p>      <p>Dimarino <i>et al </i>demonstraram que nos doentes com refluxo, confirmado    por métodos endoscópicos e testes de pH, e portadores de distúrbios do sono,    doses padronizadas de omeprazole reduziram, além dos sintomas de refluxo, os    despertares nocturnos, e houve melhoria da eficiência do sono, aumentaram o    sono REM e o tempo total do sono. Ocorreu regressão dos sintomas respiratórios    associados aos distúrbios do sono<sup><a href="#108">108</a><a name="top108"></a></sup>.</p>      <p>O uso contínuo de CPAP para a apneia foi capaz de minimizar e mesmo reverter,    quase que completamente, a sintomatologia nocturna de refluxo relacionado com    a apneia do sono<sup><a href="#109">109</a><a name="top109"></a>,<a href="#110">110</a><a name="top110"></a></sup>.</p>      <p>Teramoto <i>et al </i>relataram que sintomas de RGE nos doentes com apneia    foram revertidos pelo uso de CPAP nasal<sup><a href="#111">111</a><a name="top111"></a></sup>.</p>      <p>Kerr <i>et al </i>também referiram que o tratamento com CPAP nasal à noite    corrigiu o refluxo gastroesofágico relacionado com a apneia do sono<sup><a href="#112">112</a><a name="top112"></a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Fibrose quística</b></p>      <p>A fibrose quística é uma doença crónica autossómica recessiva que acomete mais os recém-nascidos, crianças e adolescentes da raça branca, na sua forma clássica, pulmonar.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A média de sobrevida encontra-se acima dos 30 anos e as formas não clássicas, mais suaves comprometem os adultos. É causada por mutações qualitativas e quantitativas da proteína transmembrana reguladora de transporte iónico (CFTR) de cloro e sódio, levando à diminuição na secreção de fluidos, aumentando a viscosidade, espessando as secreções e favorecendo a obstrução das vias respiratórias, que se acompanha de inflamação e fibrose, posteriormente.</p>      <p>Acomete, além dos pulmões, o pâncreas, os intestinos, o fígado, os testículos    e também o esófago, entre outros órgãos<sup><a href="#113">113</a><a name="top113"></a>,<a href="#114">114</a><a name="top114"></a></sup>.</p>      <p>A DRGE pode ser tanto uma das manifestações clínicas da fibrose quística no    esófago, quanto um dos factores agravantes da evolução da doença e declínio    da função pulmonar<sup><a href="#113">113</a><a name="top113"></a>,<a href="#114">114</a><a name="top114"></a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Prevalência</b></p>      <p>Foi descrita alta prevalência de refluxo nos doentes portadores de fibrose    quística. Brodzicki <i>et al </i>verificaram que, numa amostra de 40 crianças    com FC e idades variando entre 1 a 20 anos, houve o diagnóstico de DRGE em 22    doentes (55%), confirmado por métodos de medição de pH<sup><a href="#115">115</a><a name="top115"></a></sup>.</p>      <p>Ledson <i>et al </i>realizaram questionário estruturado em 50 doentes adultos    com FQ e aferição do pH durante 24 horas e manometria esofágica em 10 doentes    e observaram que em 47 houve sintomas de refluxo e 6 destes 10 apresentaram    manometria anormal, sugerindo diminuição da pressão do esfíncter esofágico inferior.    Os resultados deste trabalho mostraram que os adultos com FQ tiveram altas taxas    de sintomas de RGE, com diminuição da pressão do esfíncter esofágico inferior    e permanência do refluxo ácido<sup><a href="#116">116</a><a name="top116"></a>,<a href="#117">117</a><a name="top117"></a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Mecanismos</b></p>      <p>Nos portadores de FQ, as alterações da função pancreática e duodenal aumentaram    níveis  de enteroglucagon, resultando no esvaziamento gástrico retardado e na    secreção excessiva de ácido<sup><a href="#118">118</a><a name="top118"></a></sup>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os sintomas pulmonares, como tosse e sibilância, contribuíram para aumentos    da pressão trans diafragmática e intraabdominal, facilitando o refluxo esofágico.    Outros factores, como alterações da forma da parede torácica e o rebaixamento    da cúpula diafragmática, contribuíram para interrupção parcial a total do esfíncter    esofágico inferior, colaborando para o refluxo<sup><a href="#116">116</a><a name="top116"></a>,<a href="#117">117</a>,<a href="#118">118</a>,<a href="#119">119</a><a name="top119"></a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Impacto do tratamento</b></p>      <p>O RGE silencioso ou assintomático contribuiu para o agravamento dos sintomas    respiratórios e do declínio da função pulmonar nos portadores de FQ, candidatos    ou não a cirurgia de transplante pulmonar<sup><a href="#116">116</a><a name="top116"></a></sup>.</p>      <p>O impacto do RGE sobre as crianças com FQ e gastrostomizadas foi avaliado pelo    <i>status </i>nutricional, função respiratória e sobrevida dessas crianças.    Foi corroborado que as crianças do sexo feminino apresentaram refluxo sintomático    e silencioso, diagnosticado pela clínica e por métodos endoscópicos, ganharam    pouco peso e houve decréscimo do VEF1, sendo que nesses casos o prognóstico    foi muito reservado e com menor sobrevida<sup><a href="#120">120</a><a name="top120"></a></sup>.</p>      <p>O refluxo gastroesofágico silencioso e ou sintomático contribuiu para o declínio    da função pulmonar e VEF1, antes e após a cirurgia de transplante de pulmão,    nos casos de fibrose quística<sup><a href="#118">118</a><a name="top118"></a>,<a href="#119">119</a><a name="top119"></a>,<a href="#121">121</a><a name="top121"></a></sup>.</p>      <p>Ainda é discutível a eficácia do tratamento antirrefluxo e a sua consequência    sobre a função pulmonar na FQ. Pouco foi divulgado sobre o assunto, sendo necessários    estudos mais aprofundados sobre o tema. Sugeriu-se que o tratamento do refluxo    fosse instituído o mais precoce e agressivo possível, inclusive devendo ser    considerada cirurgia de correção do refluxo, caso houvesse persistência do quadro,    indicações e condições para realizá-la<sup><a href="#116">116</a><a name="top116"></a>,<a href="#120">120</a><a name="top120"></a>,<a href="#121">121</a><a name="top121"></a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Pneumonia aspirativa</b></p>      <p>A pneumonia aspirativa é decorrente da aspiração do conteúdo da orofaringe    ou do estômago para o interior do tracto respiratório, causando um processo    infeccioso. O conteúdo da substância aspirada varia de bactérias gram negativas    e anaeróbias, a substâncias não usuais, como corpos estranhos e óleo <i>diesel</i>,    por exemplo. Uma doença à parte que merece ser citada é a síndroma de Mendelson,    causada pela aspiração de material gástrico não colonizado que provoca uma pneumonite    gástrica<sup><a href="#122">122</a><a name="top122"></a>,<a href="#123">123</a><a name="top123"></a></sup>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><b>Prevalência</b></p>      <p>Os dados existentes sobre a prevalência do RGE na pneumonia aspirativa variaram nos diversos estudos. Tanto em crianças, quanto em adultos, o RGE representou um dos factores de risco para pneumonia aspirativa. O RGE assintomático ou sintomático foi registrado em cerca de 25 a 80% das crianças com doenças respiratórias crónicas recorrentes. Num estudo na Índia, Eluvathingal 2003, com 312 crianças com infecção respiratória crónica recorrente, de provável causa aspirativa, 34,6%, ou cerca de 108 doentes, tiveram RGE confirmado através da cintigrafia gastroesofágica.</p>      <p>Esse mesmo trabalho observou que a prevalência de RGE no grupo de crianças    menores de 18 meses foi de 41,7% e a prevalência do RGE nas crianças com idade    superior a 18 meses correspondeu a 24,6%. A diferença obtida pôde ser explicada    pelas modificações fisiológicas no esófago, fazendo com que o RGE diminuísse    ou mesmo desaparecesse a partir do décimo oitavo mês de vida<sup><a href="#124">124</a><a name="top124"></a></sup>.</p>      <p>Cerca de 50% dos indivíduos adultos normais fazem microaspirações durante o sono. Algumas condições, como idade avançada, doença neurológica, alterações do <i>status </i>mental, como ingestão alcoólica, crises convulsivas, higiene oral precária e, inclusive, DRGE actuariam como factores de risco para pneumonia.</p>      <p>Episódios de refluxo e de aspiração que ocorreram durante ou pouco tempo após    as refeições foram confirmados inclusive pela cintigrafia, sendo encontrados    em 52% dos doentes adultos com laringite posterior e em 15% daqueles com aspiração    pulmonar<sup><a href="#125">125</a><a name="top125"></a></sup>.</p>      <p>Ravelli <i>et al </i>detectaram microaspiração em aproximadamente 50% dos doentes    com manifestações respiratórias refractárias<sup><a href="#5">5</a><a name="top5"></a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Pneumonia associada à ventilação mecânica </b></p>      <p><b>Prevalência do RGE nas pneumonias associadas à ventilação mecânica</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>O RGE foi referido em aproximadamente 50% dos doentes a receber ventilação    mecânica, sendo o conteúdo gástrico e biliar contaminado um dos factores de    risco para pneumonia associada à ventilação mecânica<sup><a href="#126">126</a><a name="top126"></a>,<a href="#127">127</a><a name="top127"></a>,<a href="#128">128</a><a name="top128"></a>,<a href="#129">129</a><a name="top129"></a></sup>.</p>      <p>Metheny <i>et al, </i>num estudo com 360 doentes com pneumonia internados no    CTI, encontraram níveis elevados de pepsina positiva na secreção traqueal, relacionados    com DRGE em 42% desses casos. Isto corroborou que a incidência de pneumonia    estava associada ao refluxo<sup><a href="#130">130</a><a name="top130"></a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Mecanismos do RGE nas penumonias aspirativas sem necessidade de ventilação mecânica</b></p>      <p>Foram descritos basicamente dois mecanismos: pela microaspiração contínua do    conteúdo gástrico ou biliar para as vias aéreas e pelo reflexo vagal a nível    da laringe e do pulmão deflagrado pela passagem do conteúdo gástrico do esófago    para as vias respiratórias<sup><a href="#5">5</a><a name="top5"></a>, <a href="#131">131</a><a name="top131"></a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Mecanismos do refluxo nos casos associados a ventilação mecânica</b></p>      <p>Foram descritos vários factores que em potencial estivessem implicados na presença de RGE, durante a ventilação mecânica:</p>      <p>– A presença da sonda nasogástrica e nasoentérica provocou irritação mecânica    e dificultou a deglutição, possibilitando o acúmulo de secreções na orofaringe    e interferiu com a motilidade esofágica e com a função do tónus do esfíncter    esofágico inferior<sup><a href="#129">129</a><a name="top129"></a>,<a href="#130">130</a><a name="top130"></a>,<a href="#131">131</a><a name="top131"></a>,<a href="#132">132</a><a name="top132"></a></sup>;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>– A permanência do <i>cuff </i>inflado do tubo orotraqueal foi responsável    pelo prejuízo do funcionamento do esfíncter inferior<sup><a href="#133">133</a><a name="top133"></a></sup>;</p>      <p>– O volume gástrico aumentado, estase e atraso do esvaziamento do estômago    favoreceram o refluxo, diminuindo o tónus do esfíncter esofágico inferior<sup><a href="#129">129</a><a name="top129"></a>,<a href="#131">131</a><a name="top131"></a>,<a href="#134">134</a><a name="top134"></a></sup>;</p>      <p>– A posição em decúbito supino, associada à deterioração do <i>clearance </i>mucociliar    e salivar, contribuíram também para o aumento da incidência de refluxo nos doentes    com ventilação mecânica<sup><a href="#129">129</a><a name="top129"></a>,<a href="#131">131</a><a name="top131"></a></sup>;</p>      <p>– O uso de tiopental, de fármacos anticolinérgicos e agonistas adrenérgicos    reduziram a pressão do esfíncter esofágico inferior<sup><a href="#129">129</a><a name="top129"></a>,<a href="#135">135</a><a name="top135"></a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Impacto do tratamento</b></p>      <p>Em doentes hígidos com hipóteses de apresentarem broncoaspiração e pneumonia aspirativa, as medidas terapêuticas e profilácticas para refluxo associadas a higiene adequada da cavidade oral e o afastamento do alcoolismo constituíram condições para minimizar a probabilidade de pneumonia aspirativa. Nos doentes mais graves dependentes de ventilação mecânica, algumas situações mereceram destaque, como:</p>      <p>– A terapêutica medicamentosa com agentes procinéticos (cisaprida, metoclopramina    e domperidona) que favoreceu a motilidade e o esvaziamento gástrico<sup><a href="#130">130</a><a name="top130"></a>,<a href="#136">136</a><a name="top136"></a></sup>;</p>      <p>– A posição semi-inclinada da cebeceira do leito, cerca de 45 graus, para profilaxia    do refluxo<sup><a href="#130">130</a><a name="top130"></a>,<a href="#136">136</a><a name="top136"></a></sup>;</p>      <p>– O uso parcimonioso de sondas nasogástricas ou entéricas, assim como cuidados    durante a sedação do doente<sup><a href="#130">130</a><a name="top130"></a>,<a href="#136">136</a><a name="top136"></a></sup>;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>– Cautela referente à insuflação e à desinsuflação parcial do <i>cuff </i>do    tubo orotraqueal, no momento adequado<sup><a href="#130">130</a><a name="top130"></a>,<a href="#136">136</a><a name="top136"></a></sup>.</p>      <p>É mister relembrar que todos estes factores fossem considerados em conjunto, como medidas auxiliares na prevenção do refluxo e consequente pneumonia.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Bronquiectasia e RGE</b></p>      <p>As bronquiectasias são dilatações permanentes de um ou mais brônquios e resultam    na tríade de tosse crónica, expectoração abundante e infecção recorrente. Embora    fosse rotulada como uma doença “órfã” nos países desenvolvidos, ela apresenta-se    com frequência nos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento. É considerada    via final de muitas doenças respiratórias, tendo inclusive múltiplas causas    e, entre elas, o RGE<sup><a href="#136">136</a><a name="top136"></a>,<a href="#137">137</a><a name="top137"></a>,<a href="#138">138</a><a name="top138"></a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Prevalência do refluxo nas bronquiectasias</b></p>      <p>Pasteur <i>et al, </i>num trabalho para determinar os factores causais de bronquiectasia    em 150 doentes, observou que o refluxo, anterior ao estabelecimento da infecção,    foi relevante em três doentes e o RGE associado a aspiração correspondeu a 4%    de toda amostra<sup><a href="#139">139</a><a name="top139"></a></sup>.</p>      <p>Estudos sobre a prevalência de refluxo nas bronquiectasias e na associação entre DRGE e esta doença foram e são raros, sendo necessárias mais pesquisas sobre o assunto.</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Mecanismos</b></p>      <p>Foram citados alguns mecanismos referentes à associação DRGE e bronquiectasias:</p>      <p>– A presença de aspiração contínua e silenciosa do material ácido, para o interior    da árvore brônquica, causou inflamação crónica e permanente das vias aéreas<sup><a href="#137">137</a><a name="top137"></a>,<a href="#140">140</a><a name="top140"></a></sup>;</p>      <p>– Os níveis aumentados de anticorpos IgG para <i>Helicobacter pylori </i>foram    encontrados no aspirado traqueal e brônquios de portadores de bronquiectasia,    corroborando uma possível associação entre essa bactéria e a bronquiectasia<sup><a href="#137">137</a><a name="top137"></a>,<a href="#141">141</a><a name="top141"></a></sup>.</p>      <p>A presença de <i>Helicobacter pylori </i>no material gástrico broncoaspirado    fez com que a urease libertada pela bactéria catalisasse a ureia em amónia,    causando erosão na barreira mucosa, levando ao dano epitelial das vias respiratórias<sup><a href="#137">137</a><a name="top137"></a>,<a href="#141">141</a><a name="top141"></a></sup>.    Além disso, as citocinas da bactéria causaram danos no epitélio alveolar do    hospedeiro, produzindo também resposta inflamatória no epitélio respiratório<sup><a href="#141">141</a><a name="top141"></a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Considerações do tratamento</b></p>      <p>As medidas e o tratamento anti rrefluxo foram simples e eficazes em reduzir    a sintomatologia de refluxo, na maioria dos casos, e, consequentemente, nos    doentes com coassociação bronquiectasias e refluxo houve importante regressão    dos sintomas, após uso contínuo e regular de inibidores de bomba de protões.    Foi também observado que terapêutica para <i>Helicobacter pylori </i>melhorou    a sintomatologia respiratória nos casos de bronquiectasias<sup><a href="#137">137</a><a name="top137"></a>,<a href="#140">140</a><a name="top140"></a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Micobacteriose atípica e refluxo</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As micobactérias atípicas pertencem à espécie de micobactéria que não a <i>Mycobacterium    tuberculosis</i>. Nem todas são patogénicas para a espécie humana, sendo destacadas    como causadoras de doenças: <i>Mycobacterium avium complex, M fortuitum, M kansasii,    M intracellulare, M abscessus, </i>entre outras. Acometem com considerável frequência    os doentes imunocomprometidos. Podem provocar lesões cutâneas, infecções de    partes moles e mesmo doença disseminada<sup><a href="#142">142</a><a name="top142"></a></sup>.</p>      <p>A doença pulmonar causada pelas micobacterioses atípicas, apresenta-se comummente como uma de três formas: padrão clássico de tuberculose, bronquiectasia nodular e pneumonite de hipersensibildade. O diagnóstico é baseado na suspeita clínica, nos achados radiológicos e na confirmação microbiológica. </p>      <p>O tratamento é feito com antibioticoterapia específica. A doença pulmonar causada    pela micobacteriose atípica pode coexistir, facilitar ou ser facilitada por    algumas comorbidades, entre as quais o refluxo, principalmente em doentes jovens<sup><a href="#142">142</a><a name="top142"></a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Prevalência</b></p>      <p>A relação entre RGE e a doença pulmonar causada pelas micobasterioses não tuberculosas (MNTB) ainda não foi completamente estudada, carecendo de dados sobre o assunto.</p>      <p>Os trabalhos existentes relacionaram a bronquiectasia nodular, uma das formas    de apresentação pulmonar da MNTB, com o refluxo gastroesofágico, e este como    um dos factores predisponentes para a MNTB<sup><a href="#143">143</a><a name="top143"></a>,<a href="#144">144</a><a name="top144"></a>,<a href="#145">145</a><a name="top145"></a>,<a href="#146">146</a><a name="top146"></a>,<a href="#147">147</a><a name="top147"></a></sup>.</p>      <p>Houve alta prevalência de RGE nos portadores de MNTB, independente de esse    refluxo ser sintomático ou não. As principais micobactérias não tuberculosas    descritas associadas ao refluxo foram: <i>M fortuitum, M chelonae </i>e menos    comummente <i>M abscessus</i><sup><a href="#144">144</a><a name="top144"></a>,<a href="#146">146</a><a name="top146"></a>,<a href="#147">147</a><a name="top147"></a></sup>.</p>      <p>Griffith <i>et al </i>relataram que num universo de 154 doentes com doença    pulmonar causada pelas micobactérias atípicas como <i>M fortuitum </i>e <i>M    abscessus </i>houve prevalência de 6%, cerca de 10 casos, de doenças gastroesofágicas,    incluindo refluxo<sup><a href="#148">148</a><a name="top148"></a></sup>.</p>      <p>Hadjiliadis <i>et al </i>observaram que em 20 doentes com quadro pulmonar de    micobacteriose atípica, foram detectados 15 casos de acalasia e infecção pulmonar    provocadas pelas micobactérias de crescimento rápido, como a <i>M fortuitum    </i>e <i>M abscessus</i><sup><a href="#144">144</a><a name="top144"></a></sup>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><b>Mecanismos</b></p>      <p>O RGE seria um factor desencadeante ou contribuinte para o desenvolvimento    ou progressão das formas pulmonares das MNTB, graças à exposição recorrente    do parênquima e à acidez do suco gástrico. Por outro lado, as infecções pulmonares    causadas pelas micobacterioses atípicas poderiam desencadear o refluxo, em virtude    do aumento do gradiente de pressão do diafragma durante manobras da tosse e    modificações da mecânica pulmonar<sup><a href="#149">149</a><a name="top149"></a></sup>.</p>      <p>A supressão ácida exacerbada devido ao uso de inibidores de bomba de protões e bloqueadores H2 provocaria uma relativa e consequente aspiração de material alcalino gastroesofágico para os pulmões, propiciando uma potencial porta de entrada para infecções das vias aéreas. Esta relativa alcalinização do pH gástrico serviria como provável meio de cultura para as micobacterioses atípicas, promovendo melhor sobrevida e proliferação dessas bactérias no próprio estômago, sendo o pH ideal para crescimento destas entre 5,0 e 6,5.</p>      <p>A aspiração de material gástrico lipídico ou de óleo fornecido com os medicamentos    provocaria uma pneumonia lipóide propícia a infecção pelas MNTB<sup><a href="#149">149</a><a name="top149"></a>,<a href="#150">150</a><a name="top150"></a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Considerações sobre tratamento</b></p>      <p>O tratamento de ambas as situações deveria ser feito concomitantemente. A terapêutica    antirrefluxo poderia, de certo modo, prevenir a ocorrência e facilitar a recuperação    desses doentes. Entretanto, os cuidados deveriam ser reservados para o risco    de utilizar doses exacerbadas de medicamento para refluxo que alterariam o pH    gástrico e favoreceriam as infecções pela MNTB<sup><a href="#150">150</a><a name="top150"></a></sup>.</p>      <p>Mais estudos serão necessários, para fins de avaliação futura, não apenas da associação causal entre DRGE e micobacterioses atípicas, mas dos seus tratamentos.</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Conclusão</b></p>      <p>Não se pode negar a existência de uma conexão entre RGE e pneumopatias. Algumas doenças respiratórias, como asma, pneumonia aspirativa e mesmo fibrose pulmonar idiopática, são reconhecidamente condições associadas ao refluxo. Outras doenças, como DPOC, fibrose quística, bronquiectasias, entre outras, são menos comummente citadas.</p>      <p>Esta relação DRGE e doenças pulmonares deve ser sempre cogitada, diante de um quadro respiratório crónico persistente, recidivante e resistente ao tratamento, no qual a história sugira, fortemente, essa ligação e exista alguma confirmação através dos resultados dos exames complementares.</p>      <p>Uma observação importante é que nem sempre o refluxo é sintomático, e o seu reconhecimento precoce e tratamento podem melhorar, na maioria dessas doenças, os sintomas pulmonares e a consequente qualidade de vida dos doentes. Uma investigação mais aprofundada é desejável e necessária, para corroborar os mecanismos e o efeito do tratamento antirefluxo sobre as doenças pulmonares. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Bibliografia</b></p>      <!-- ref --><p><a href="#top1">1</a><a name="1"></a>. Moayyedi P, Talley NJ. Gastro-oesophageal    reflux disease. A comprehensive review. Lancet 206; 367:2086-2100.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000299&pid=S0873-2159200900050001000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><a href="#top2">2</a><a name="2"></a>. Orenstein SR, Orenstein DM. Gastroeosophageal    reflux and respiratory disease in children. J Pediatr 1988; 112:847-858.</p>      <p><a href="#top3">3</a><a name="3"></a>. Poelmans J, Tack J.Extraoesophageal    manifestations of gastro-oesophageal reflux. Recent advances in clinical practice.    Gut 2005; 54:1492-1499.</p>      <p><a href="#top4">4</a><a name="4"></a>. Pope CE. Respiratory complications of    gastro-oesophageal reflux. Scan J Gastroenterology 1989; suppl 168: 67-72.</p>      ]]></body>
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<body><![CDATA[<p>Agradecimento especial ao Dr. José de Narciso Carvalho Neto</p>      <p>Presidente da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva– Unidade Regional– Rio de Janeiro, Membro da Câmara Técnica de Endoscopia do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro,Título de Especialista em Endoscopia Digestiva</p>      <p>Médico civil do Hospital Central do Exército– Rio de Janeiro</p>      <p>Administradora do Serviço de Atendimento Especializado da SMS-Belford Roxo: Sr.ª Althair de Araújo Silva</p>      <p>Director do Hospital Municipal Nelson de Sá Earp, Petrópolis, Rio de Janeiro: Dr. Roberto Silveira</p>      <p>&nbsp;</p>      <p>Recebido para publicação/<i>received for publication:</i> 09.01.20</p>     <p>Aceite para publicação/<i>accepted for publication:</i> 09.03.20</p>       ]]></body><back>
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<name>
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