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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Carga da doença atribuível ao tabagismo em Portugal]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The World Health Organization’s (WHO) 2002 Annual Report estimated that about 14% of the burden of disease in wealthier countries is attributable to smoking. Smoking related diseases include cardiovascular diseases, cancer and respiratory diseases. This paper presents an estimate of the burden of disease attributable to smoking in Portugal. The estimates are based on the Portuguese demographic and health statistics available for 2005. The most important conclusion of the analysis is that 11.7% of deaths in Portugal are attributable to smoking. If we use disability adjusted life years (DALYs) to measure the burden of disease, we find that 11.2% of death DALYs in Portugal is attributable to smoking. The gender distribution of this amount is very unequal; 15.4% of the male burden of disease and 17.7% of all male deaths can be attributed to smoking, but only 4.9% of the female burden of disease and 5.2% of all female deaths. These estimates are higher than death estimates previously available (Peto et al. 2006); 14% in men and only 0.9% in women. This paper also presents estimates of the burden of reducible disease, that is, the reduction in mortality and DALYs that would occur if all current smokers quit and thus experienced the mean risk of ex-smo kers, which is lower than for current smokers but typically not as low as for never-smokers. Our estimates are that the burden of disease would decrease by 5.8% (7.8% in men and 2.8% in women), and that deaths would decrease by 5.8% as well (with an 8.5% and 2.9% decrease in men and women, respectively). The paper also includes estimates of the burden of disease generated by smoking related disability. Smoking related illnesses generated 121,643 DALYs, 72,126 (59%) of which are attributable to smoking and 12,417 would be reducible if all smokers were to quit.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Tabagismo]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Carga da doença atribuível ao tabagismo em Portugal</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Margarida Borges</b></p>      <p><b>Miguel Gouveia</b></p>      <p><b>João Costa</b></p>      <p><b>Luís dos Santos Pinheiro</b></p>      <p><b>Sérgio Paulo</b></p>         <p><b>António Vaz Carneiro</b></p>        <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Resumo</b></p>      <p>A Organização Mundial de Saúde (OMS) estimou no seu relatório de 2002 que cerca de 14% da larga da doença nos países mais ricos seja atribuível ao consumo de produtos de tabaco. As doenças mais relacionadas com o consumo de tabaco incluem um conjunto de doenças cardiovasculares, neoplasias e doenças respiratórias.</p>      <p>Este artigo estima a carga da doença atribuível ao tabaco em Portugal, tomando como base os dados das estatísticas demográficas e de saúde disponíveis para Portugal em 2005. A conclusão final da analise e que 11,7% das mortes em Portugal se podem atribuir ao consumo de tabaco. Se medirmos a carga da doença através dos anos de vida ajustados por incapacidade &#8211; <i>disability adjusted life years </i>(DALY) gerados pela mortalidade, as proporção da carga da doença atribuível ao tabaco e 11,2%. A divisão entre sexos e muito desigual, já que 15,4% da carga da doença masculina e 17,7% das mortes são atribuíveis ao tabaco, mas apenas 4,9% da carga da doença feminina e 5,2% das mortes. Estes números para a mortalidade atribuível são mais elevados do que as estimativas anteriormente disponíveis para Portugal (Peto <i>et al. </i>2006), as quais apontavam para 14% das mortes masculinas e apenas 0,9% das femininas.</p>      <p>O artigo apresenta estimativas sobre a carga da doença redutível, ou seja,    as reduções de mortalidade e DALY que ocorreriam se os fumadores abandonassem    o tabagismo e passassem a experimentar o risco médio das populações de ex-fumadores,    o qual e superior ao dos nunca fumadores mas inferior ao dos fumadores. As estimativas    são que a carga da doença medida pelos DALY se reduziria em 5,8% (7,8% dos homens    e 2,8% das mulheres) e que as mortes se reduziriam em 5,8% (8,5% homens e 2,9%    mulheres).</p>      <p>O artigo inclui igualmente estimativas dos DALY perdidos por incapacidade.    As doenças relacionadas com o tabagismo geraram 121 643 DALY, dos quais 72 126    (59%) são atribuíveis ao tabagismo e 12 417 (10%) são redutíveis.</p>         <p><b>Palavras-chave: </b>Tabagismo, doença cardiovascular, doença coronária,    doença cerebrovascular, doenças respiratórias, anos de vida ajustados por incapacidade,    DALY, carga da doença.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>The burden of disease attributable to smoking in Portugal</b></p>     <p><b>Abstract </b></p>     <p>The World Health Organization&#8217;s (WHO) 2002 Annual Report estimated    that about 14% of the burden of disease in wealthier countries is attributable    to smoking. Smoking related diseases include cardiovascular diseases, cancer    and respiratory diseases. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>This paper presents an estimate of the burden of disease attributable to    smoking in Portugal. The estimates are based on the Portuguese demographic and    health statistics available for 2005. The most important conclusion of the analysis    is that 11.7% of deaths in Portugal are attributable to smoking. If we use disability    adjusted life years (DALYs) to measure the burden of disease, we find that 11.2%    of death DALYs in Portugal is attributable to smoking. The gender distribution    of this amount is very unequal; 15.4% of the male burden of disease and 17.7%    of all male deaths can be attributed to smoking, but only 4.9% of the female    burden of disease and 5.2% of all female deaths. These estimates are higher    than death estimates previously available (Peto <i>et al.</i> 2006); 14% in    men and only 0.9% in women.</p>     <p>This paper also presents estimates of the burden of   reducible disease, that is, the reduction in mortality   and DALYs that would occur if all current   smokers quit and thus experienced the mean risk   of ex-smo kers, which is lower than for current   smokers but typically not as low as for never-smokers.   Our estimates are that the burden of disease   would decrease by 5.8% (7.8% in men and 2.8%   in women), and that deaths would decrease by   5.8% as well (with an 8.5% and 2.9% decrease in   men and women, respectively).</p>     <p>The paper also includes estimates of the burden of disease ge nerated by    smoking related disability. Smoking related illnesses generated 121,643 DALYs,    72,126 (59%) of which are attributable to smoking and 12,417 would be reducible    if all smokers were to quit.</p>     <p><b>Key-words</b>: Tobacco consumption, cardiovascular disease, coronary heart    disease, cerebrovascular disease, disability adjusted life years, DALYs, burden    of disease.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdução</b></p>      <p>Os estudos da carga da doença têm como objectivo quantificar num índice global    os níveis de saúde de uma população e, em particular, os efeitos de uma doença    ou factor de risco. Neste estudo, a carga da doença e estimada através da componente    atribuível ao tabagismo dos anos de vida perdidos prematuramente ajustados pela    incapacidade (no original DALY &#8211; <i>disability adjusted life years</i>),    uma medida proposta e usada por instituições internacionais, como a Organização    Mundial de Saúde (OMS)<sup><a name="top1"></a><a href="#1">1</a></sup> ou o    Banco Mundial<sup><a name="top2"></a><a href="#2">2</a></sup>.</p>      <p>O consumo de tabaco e hoje uma das maiores fontes de problemas de saúde nos    países desenvolvidos. A OMS estimou recentemente<a name="top1e"></a><a href="#1e"><sup>(1)</sup></a>    que a nível mundial cerca de 8,8% das mortes e 4,1% dos DALY nos países desenvolvidos    e atribuível ao tabagismo, sendo este um factor de risco <i>major </i>para o    cancro do pulmão, outras doenças oncológicas, doenças cardiovasculares e doenças    respiratórias<a name="top2e"></a><a href="#2e"><sup>(2)</sup></a>. Na medida    em que a prevalência do tabagismo e mais elevada nos países ricos, as estimativas    nesses países são ainda mais elevadas: no caso da Europa Ocidental, a OMS estima    que cerca de 14% da carga da doença seja atribuível ao tabagismo.</p>      <p>Este artigo reporta os resultados de um estudo da carga da doença associada    ao consumo de tabaco em Portugal, calibrado para os dados disponíveis para o    ano 2005. Apresentamos estimativas da carga da doença total das doenças relacionadas    com o tabagismo e da carga da doença estatisticamente atribuível ao tabagismo.</p>      <p>Por último apresentamos estimativas da carga da doença que seria evitável    se todos os fumadores deixassem o consumo de tabaco e passassem a ter os níveis    de risco estimados para as actuais populações de ex-fumadores.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><b>Metodologia</b><b>&nbsp;</b></p>      <p><b>A medida da carga da doença</b></p>      <p>A fim de sumariar os problemas de saúde de uma população, foram desenvolvidos vários índices, sendo que os mais utilizados baseiam a unidade de medida da carga da doença nos anos de vida saudável que se perdem devido a doença ou a morte prematura. A carga da doença e estimada a partir dos indicadores de incidência, prevalência, duração e mortalidade.</p>      <p>De todos os índices disponíveis, destaca-se o índice baseado numa metodologia    preconizada pela Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Saúde e pelo Banco Mundial    denominada DALY &#8211; <i>disability adjusted life years </i>&#8211; traduzida    por <b>anos de vida ajustados por incapacidade </b>e desenvolvida por Murray    e co-autores<a name="top3"></a><a href="#3"><sup>3-5</sup></a>. Os    DALY foram já utilizados em Portugal para medir a carga da doença atribuível    a hipercolesterolemia<a name="top6"></a><sup><a href="#6">6</a></sup>, numa    contribuição que contem igualmente informação sobre a metodologia e alguns detalhes    da construção da medida. Os DALY podem ser interpretados como uma medida do    tempo de vida saudável perdido por uma população devido a morte prematura e    a redução da qualidade de vida decorrente da morbilidade por esta aumentar o    tempo vivido com incapacidades.</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>Prevalência corrente e passada do tabagismo</b></p>      <p>A principal fonte de informação sobre a prevalência do tabagismo em Portugal    e dada pelos inquéritos nacionais de saúde, sendo os inquéritos mais recentes    o de 1998 e o de 2005, que designaremos por INS98<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>    e INS05<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>, respectivamente.</p>      <p>O Quadro I, construído com base em dados dos INS98 e INS05, sumaria a informação    sobre prevalência de tabagismo na população portuguesa do continente, com quinze    ou mais anos de idade.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"  ><b><a name="1q"></a><a href="#top1q">Quadro I</a></b> &#8211;    Preval&ecirc;ncia do tabagismo na popula&ccedil;&atilde;o portuguesa (Idade    &#8805;15)</p>     <p align="center"  ><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a01q1.gif" width="352" height="182"></p>     
<p align="center"  >&nbsp;</p>      <p>Globalmente, a proporção de fumadores na população com 15 ou mais anos em 2005 era de 20,2%, uma descida de 0,3% face a taxa correspondente para 1998. Essa descida foi conseguida a custa de uma descida de 1,8% no tabagismo nos homens, já que nas mulheres ocorreu um aumento da taxa de 9,5% para 10,3%. Por outro lado, o Quadro I mostra que a proporção da população que nunca fumou se reduziu em dois pontos percentuais, para 64,1%. Isto significa necessariamente que houve um aumento de 2,3% na categoria dos ex-fumadores. Ou seja, apesar de uma tendência masculina para fumar menos, a proporção da população que fuma ou já fumou cresceu entre 1998 e 2005.</p>      <p>A distribuição das prevalências por sexo e grupo etário em 2005 podem ser    vistas nas Figs. 1 e 2 para homens e mulheres, respectivamente. As taxas de    prevalência femininas são substancialmente inferiores e os padrões de ciclo    de vida subjacentes a ambas as figuras não são qualitativamente semelhantes.    Em ambos os sexos o tabagismo cresce até ao grupo etário dos 25    a 34 anos, declinando uniformemente a partir dessas idades, mas a prevalência    do tabagismo passado (ex-fumador) e uniformemente crescente com a idade nos    homens, ao passo que nas mulheres decresce a partir de idades superiores a 34    anos, tal como o tabagismo. </p>     <p align="center"  >&nbsp;</p>     <p align="center"  ><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a01f1.gif" width="655" height="367"></p>                                   
<p align="center"><b>Fig. 1</b> &#8211; Preval&ecirc;ncia de tabagismo por grupos    et&aacute;rios: Homens</p>             <p>&nbsp;</p>             <p><b><a name="2f"></a></b></p>              ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a01f2.gif" width="588" height="342"></p>              
<p align="center"><b><a href="#top2f">Fig. 2</a></b> &#8211; Preval&ecirc;ncia    de tabagismo, actual e passado: Mulheres</p>                      <p>&nbsp;</p>      <p>Isso permite a interpretação de que ao longo da vida uma elevada proporção    de homens, que nalguns grupos etários chega aos 65%, e fumador ou ex-fumador.    No caso das mulheres, a situação e bem diferente, dado que a prevalência corrente    ou passada de tabagismo mal ultrapassa os 30% no grupo com maior prevalência    de tabagismo ao longo da vida, entre os 35 e os 44 anos de idade. </p>     <p>Como veremos adiante, as características epidemiológicas dos ex-fumadores    são distintas, quer dos fumadores correntes quer dos nunca fumadores. O facto    de tal grupo estar a crescer como proporção da população vem reforçar a necessidade    analítica de o estudar separadamente. Uma análise da carga da doença devida    ao tabagismo só poderá ser exaustiva se contar, não apenas com o tabagismo corrente,    mas também com o tabagismo passado. Este último só se poderia considerar irrelevante    se a condição de ex-fumador fosse equivalente a de nunca fumador em termos dos    riscos corridos. Não e esse o caso, como se mostra na secção seguinte, que aborda    os riscos relativos de fumadores e ex-fumadores para um conjunto de patologias    importantes associados ao consumo de tabaco.</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>Carga da doença e tabagismo</b> </p>      <p>Uma vez explicitada a escolha feita quanto a metodologia de estimação da carga da doença, e revistos os dados sobre a prevalência, resta descrever como se estimam os DALY no caso do tabagismo.</p>      <p>O primeiro passo consiste em seleccionar as patologias mais relevantes associadas    ao consumo de tabaco e para as quais possamos dispor de dados fiáveis. Estas    patologias estão listadas no Quadro II, juntamente com a sua codificação pelas    duas classificações internacionais das doenças, a ICD 9 &#8211; modificação    clínica <i>revista</i>, e a ICD 10.</p>     <p>&nbsp;</p>                                               ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><b><a name="2q"></a><a href="#top2q">Quadro II</a></b> &#8211;    C&oacute;digos da ICD 9-CM e ICD 10 para doen&ccedil;as associadas ao tabagismo  </p>                              <p align="center"  ><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a01q2.gif" width="625" height="457"></p>                                              
<p align="center">Fonte: <a href="http://apps.nccd.cdc.gov/sammec/" target="_blank">http://apps.nccd.cdc.gov/sammec/</a>    e <a href="http://apps.nccd.cdc.gov/sammec/show_risk_data.asp" target="_blank">    http://apps.nccd.cdc.gov/sammec/show_risk_data.asp</a></p>                              <p>&nbsp;</p>     <p>O primeiro passo da análise relacionando a carga da doença com o tabagismo    termina com a estimativa da carga da doença para estas causas, o que a partida    permite igualmente avaliar a importância relativa destas doenças específicas    no conjunto de todas as doenças e outras causas de morte que afectam a população    portuguesa.</p>      <p>O segundo passo consiste em estabelecer a relação quantitativa entre o tabagismo    e as patologias indicadas. Para tal, iremos socorrer-nos dos conceitos epidemiológicos    de risco relativo e de risco atribuível a população. Neste caso, o risco relativo    (RR) e o rácio entre o risco de uma doença ou morte para uma população exposta    ao hábito tabágico e esse risco para uma população não exposta. Estimativas    do <i>Center for Disease Control and Prevention </i>(CDC) dos EUA<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a> para fumadores    e ex-fumadores podem ser encontradas no Quadro III.</p>     <p>&nbsp;</p>                                              <p align="center"><b><a name="3q"></a><a href="#top3q">Quadro III</a></b> &#8211;    Riscos relativos para fumadores e ex-fumadores</p>                              <p align="center"  ><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a01q3.gif" width="620" height="476"></p>                                             
<p align="center">Fonte: Centers for Disease Control and Prevention, Projecto    &#8220;Smoking -Attributable Mortality, Morbidity, and Economic Costs (SAMMEC)&#8221;,    <a href="http://apps.nccd.cdc.gov/sammec/show_risk_data.asp" target="_blank">http://apps.nccd.cdc.gov/sammec/show_risk_data.asp</a></p>               ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>                                <p>O Quadro III mostra que apesar de o facto de deixar de fumar conduzir a reduções    substanciais nos riscos de contrair as doenças indicadas, os níveis de risco    para os &#8220;ex-fumadores&#8221; continuam mais elevados do que para os &#8220;nunca    fumadores.&#8221;</p>      <p>O rácio dos riscos relativos de &#8220;fumadores&#8221; <i>versus </i>&#8220;ex-fumadores&#8221;    varia desde a unidade at&eacute; 3,2 para as patologias consideradas.</p>      <p>Mesmo que o risco relativo se vá reduzindo com o decorrer do tempo após deixar    de fumar, e at&eacute; possa convergir com o dos nunca fumadores, em média esta    população tem um risco agregado maior do que os nunca fumadores.</p>      <p>Há varia características do Quadro III que vale a pena assinalar:</p>      <p>&#8211; A transição de fumador para ex-fumador diminui substancialmente os riscos relativos, mas em geral as populações de ex-fumadores continuam a ter riscos claramente superiores as populações de nunca fumadores;</p>      <p>&#8211; Há doenças em que os riscos relativos são extremamente elevados, acima de 10, como e o caso do cancro do pulmão, o cancro dos &#8220;lábios, cavidade oral e faringe&#8221;, o cancro da laringe e o caso das doenças respiratórias;</p>      <p>&#8211; Além dos homens terem maior prevalência do tabagismo, tem maiores riscos relativos. Em 60% das situações ou patologias estudadas, o RR dos homens e superior ao das mulheres, sendo este o caso em particular nos cancros do pulmão e dos lábios, cavidade oral e faringe. Essa diferença verifica-se quer para os riscos relativos de fumadores quer de ex-fumadores. Ou seja, mesmo que a prevalência do tabagismo fosse igual em ambos os sexos, o tabagismo seria mais gerador de doenças nos homens;</p>      <p>&#8211; A transição de fumador para ex-fumador tem impacto diferenciado nos riscos relativos de acordo com as patologias e o sexo, mas em média a redução dos riscos relativos é igual entre sexos.</p>      <p>Vejamos agora o risco atribuível a população. No caso mais simples, quando    há uma subpopulação com um factor de risco, a formula que define a fracção dos    casos de uma doença atribuível a esse factor de risco e bem conhecida<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>. A percentagem    dos casos de cada doença elimináveis, se fossem anulado o factor de risco e    dada pela <b>fracção atribuível da população (FAP). </b>Ao nível mais simples,    a FAP pode ser vista como uma redução percentual da incidência:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a01e1.gif" width="122" height="61"></p>     
<p>onde I<i>p </i>e a incidência de uma doença na população total e I<i>u </i>e    a incidência entre os não expostos ao factor de risco. É possível deduzir uma    forma mais útil desta equação. Seja <i>P </i>a proporção de uma população-alvo    fumadora.</p>      <p>Seja RR o risco relativo de uma patologia ou seja RR<b><i>= </i></b>I<i>x</i>/I<i>u</i>,    onde Ix e a incidência entre os expostos. Podemos reescrever a FAP de acordo    com a equação.</p>     <p><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a01e2.gif" width="164" height="51"></p>      
<p>A FAP permite imputar ao tabagismo a fracção da carga da doença associada a cada uma das patologias referidas. Por exemplo, no caso da doença cardíaca isquémica, o risco relativo (RR) da população feminina fumadora com menos de 65 anos e de 3,08. Admitindo uma prevalência do tabagismo de 10,3%, então a FAP e 17,6%, ou seja, esta e a proporção da carga da doença isquémica nas mulheres abaixo dos 65 anos imputável ao tabagismo.</p>      <p>O exemplo anterior não e directamente valido no presente caso, porque assume    que existe apenas um factor de risco. Como já foi referido, no caso do tabagismo    ha dois factores de risco diferenciados: ser fumador e ser ex-fumador.</p>      <p>Como os factores de risco não se sobrepõem, por definição, dão lugar a duas    subpopulações, sendo possível deduzir a FAP neste caso:</p>     <p><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a01e3.gif" width="268" height="57"></p>      
<p>sendo P<i>f </i>e RR<i>f </i>respectivamente a prevalência e o risco relativo    dos fumadores e P<i>ex </i>e RR<i>ex </i>a prevalência e risco relativo dos    ex-fumadores.</p>      <p>Neste caso, a FAP e interpretável como a proporção da carga da doença que desapareceria se nunca se tivesse fumado em Portugal, o que representa uma medida global da doença atribuível ao tabaco.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No entanto, adicionalmente, porventura ate sera mais interessante encontrar um índice que permita responder a seguinte questão: </p>      <p><i>Se todos os fumadores actuais em Portugal desistissem de fumar, qual a    fracção da carga da doença que se estima iria desaparecer com essa transição?    </i>Naturalmente, a diferença face ao caso anterior e que, em vez de todos os    riscos relativos se converterem na unidade, temos que o risco relativo dos fumadores    se converte no risco relativo dos ex-fumadores.</p>      <p>Estes últimos naturalmente não sofrem qualquer alteração no seu risco. Designamos    este índice por <b>fracção redutível da população (FRP) </b>e a fórmula correspondente    é </p>     <p><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a01e4.gif" width="275" height="62"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Tabagismo, evidencia e risco redutível </b></p>     <p>O conceito de risco redutível, entendido como a diminuição do risco para    a saúde após a cessação tabágica, traduzido pela redução da gravidade das patologias    associadas ao tabagismo, pelo menor numero de complicações ou manifestações    clínicas daquelas ou mesmo pela redução da mortalidade a elas associada, encontra    suporte cientifico na literatura medica.</p>      <p>Neste sentido, fizemos uma breve revisão e analise dirigida aos principais    grupos de patologias associadas ao consumo de tabaco, em particular a neoplasia    do pulmão, a patologia cardiovascular e a DPOC, identificando, embora de forma    não exaustiva, publicações que fornecessem evidencia cientifica para o conceito    supramencionado.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b><i>Neoplasia do pulmão</i></b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De entre os trabalhos publicados que relacionam a neoplasia do pulmão com    o tabagismo, verificando-se beneficio clínico da cessação tabágica, traduzido    por diminuição da incidência e redução do risco de desenvolvimento de neoplasia    do pulmão, destacamos:</p>      <p>&#8211; Ebbert JO <i>et al </i><sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>, que, analisando uma coorte de 37 078 mulheres    ao longo de 14 anos (47011 pessoas/ano), quantificou o risco relativo global    para desenvolvimento de neoplasia do pulmão em fumadores e ex-fumadores em 5,6    quando comparado com nunca fumadores. Este risco reduz-se para 1,0 após mais    de 30 anos de cessação tabágica, sendo de 3,7 para 21-30 anos e 11,6 para 0-5    anos, apontando para um risco mantido mas decrescente por período longo após    a cessação que tendencialmente se aproxima da população nunca fumadora.</p>      <p>&#8211; Yun YH <i>et al </i><sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>, num estudo prospectivo de 6 anos envolvendo    437 976 coreanos avaliou o risco absoluto de desenvolvimento de neoplasia do    pulmão relacionado com o tabagismo, verificando que a incidência daquela patologia    foi significativamente maior nos doentes fumadores (23,1/100 000 pessoas/ano)    quando comparada com os nunca fumadores e ex-fumadores (11,1 e 13,3, respectivamente).</p>      <p>Este resultado esta em linha com a documentação de significativa redução    do risco relativo de desenvolvimento da doença com a cessação tabágica (21,7    para os fumadores e 6,8 para os ex-fumadores).</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b><i>Patologia cardiovascular</i></b></p>      <p>De entre os trabalhos publicados que relacionam a patologia cardiovascular,    em particular a doença coronária, com os hábitos tabágicos, verificando -se    beneficio clínico da cessação tabágica traduzido por redução do risco de eventos    coronários e da mortalidade, destacamos:</p>      <p>&#8211; Mohiuddin SM <i>et al.</i><sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a> mostram que a implementação de um programa activo de cessação tabágica em doentes internados por doença cardiovascular aguda conduziu a uma redução aos 2 anos de 44% e 77% no risco relativo de hospitalização e morte, respectivamente, por causa cardiovascular. Este efeito traduziu -se na diminuição de 9,2% na mortalidade por qualquer causa neste grupo de doentes;</p>      <p>&#8211; Twardella T <i>et al.</i><sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a> estudaram o risco de evento cardiocerebrovascular secundário em 1029 doentes após a primeira manifestação de doença coronária, quantificando o <i>hazard ratio </i>(tomando como referencia os doentes que mantiveram os hábitos tabágicos) em 0,26 para os não-fumadores; 0,51 para os ex -fumadores e 0,42 para os doentes que denominaram <i>recent quitters</i>, concluindo que o impacto da cessação tabágica no prognostico a longo prazo dos doentes com doença coronária poderá ser maior do que o habitualmente considerado;</p>      <p>&#8211; Critchley JA e Capewell S<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>, numa revisão sistemática de 20 estudos, envolvendo 12 603 fumadores com doença coronária (45% cessaram consumo de tabaco, 55% mantiveram hábitos tabágicos) quantifica o risco relativo para mortalidade por qualquer causa e enfarte agudo do miocárdio (EAM) nao fatal nos doentes que cessaram o consumo em 0,64 e 0,68, respectivamente, tomando como referencia os doentes que mantiveram os hábitos tabágicos. Verificaram que a significativa redução dos riscos referidos e independente da idade e do sexo.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&#8211; Godtfredsen NS <i>et al.</i><sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>,    num estudo de coorte prospectivo, analisou os efeitos da redução e da cessação    tabágica na incidência de EAM, abrangendo um total de 19 423 doentes por um    período de 22 anos (1976-1998), verificando que a redução de 50% ou 33% do consumo    de tabaco não estava associado a redução no risco de EAM (<i>hazard ratios </i>1,14    e 1,06, respectivamente) quando comparados com os doentes que mantiveram os    seus hábitos tabágicos. Documentou contudo que a cessação tabágica estava associada    a uma redução do risco de EAM de 29% (<i>hazard ratio: </i>0,71). Perfil semelhante    foi encontrado relativamente ao risco de outros eventos coronários.</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b><i>Doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC)</i></b></p>      <p>De entre os trabalhos publicados que relacionam a DPOC com o tabagismo, verificando-se beneficio clínico da cessação tabágica traduzido por redução da degradação da função pulmonar, da mortalidade e dos internamentos hospitalares por DPOC, destacamos:</p>      <p>&#8211; Scanlon PD <i>et al.</i><sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>, no seguimento por um período de 5 anos de um grupo de 5887 doentes, analisou a redução anual do FEV1 em três grupos de doentes: doentes com cessação tabágica mantida; doentes com cessação intermitente e doentes que mantém o consumo regular de tabaco. Verificou que no 1.o e 2.o grupos a redução do FEV1 foi de 31 e 43 mL/ano, respectivamente, enquanto no 3.o aquele parâmetro foi de 62 mL/ano, concluindo que a redução do FEV1 corresponderia ao factor preditivo mais significativo da evolução da função pulmonar após a alteração do <i>status </i>tabágico após 1 ano. Adicionalmente, verificou que o factor preditivo mais significativo da evolução da função pulmonar seria o <i>status </i>tabágico final, concluindo que há sempre beneficio na cessação tabágica para os fumadores com evidencia de obstrução brônquica, independentemente da maior intensidade dos hábitos tabágicos prévios;</p>      <p>&#8211; Pelkonen M <i>et al.</i><sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a> que, no seguimento de 30 anos de um grupo de 1711 homens analisou a redução do FEV1 em doentes nunca fumadores; doentes ex-fumadores na <i>baseline</i>; doentes que cessaram o consumo durante o seguimento; doentes com interrupções intermitentes do consumo e doentes com consumo mantido; verificou que o declínio médio anual do FEV1 aos 30 anos foi de 34,8 mL no 1.o grupo, semelhante ao verificado nos grupos de ex-fumadores e fumadores que cessaram o consumo durante o seguimento (36,1 mL e 35,8 mL, respectivamente), contrapondo o valor médio de 51,8 mL/ano nos doentes em que não se verificou cessação tabágica. Adicionalmente, foi quantificado o <i>hazard ratio </i>para mortalidade de todas as causas, com uma redução de cerca 30% para os doentes nunca fumadores ou ex-fumadores, 20% para os casos em que a cessação tabágica ocorreu durante o seguimento ou que foi intermitente, tendo como referencia os doentes que mantiveram os hábitos tabágicos ao longo do seguimento;</p>      <p>&#8211; Pelkonen M <i>et al.</i><sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>,    analisando a incidência cumulativa de DPOC num seguimento de 40 anos, verificou    que a incidência de DPOC foi de 19% nos fumadores contínuos, contra 4,5% nos    ex-fumadores, próxima dos 4% identificados nos nunca fumadores. Documentaram    igualmente um aumento de 2,4 anos na sobrevivência mediana nos doentes que cessaram    o consumo de tabaco, quando comparada com os que mantiveram os hábitos tabágicos;</p>      <p>&#8211; Godtfredsen NS, <i>et al.</i><sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>, analisando o <i>hazard ratio </i>para hospitalização por DPOC numa população de 19 709 doentes dinamarqueses, com um seguimento médio de 14,4 anos, verificaram que, tomando como referencia os doentes que mantiveram os hábitos tabágicos, a quantificação daquele risco para os ex -fumadores foi de 0,30 (0,14 para os não fumadores), sendo que, nos doentes em que se verificou uma redução do consumo, foi de 0,93, vincando a vantagem clínica efectiva da cessação tabágica e questionando o beneficio da redução do consumo.</p>      <p>Partindo das estimativas das prevalências do tabagismo corrente e passado    em Portugal apresentadas no <a name="top1q"></a><a href="#1q">Quadro I</a>,    bem como dos riscos relativos estimado pelo CDC e apresentados no <a name="top3q"></a><a href="#3q">Quadro    III</a>, o Quadro IV apresenta as estimativas para Portugal da fracção atribuível    e da fracção redutível no pais para o conjunto das doenças relevantes.</p>      <p>&nbsp;</p>                                               ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><b><a name="4q"></a><a href="#top4q">Quadro IV</a></b> &#8211;    Frac&ccedil;&atilde;o atribu&iacute;vel e frac&ccedil;&atilde;o redut&iacute;vel</p>                              <p align="center"  ><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a01q4.gif" width="623" height="529"></p>      
<p>&nbsp;</p>     <p>Os resultados no Quadro IV merecem três notas. A primeira e uma chamada de    atenção para a diferença substancial entre a fracção atribuível e a fracção    redutível para a generalidade das doenças relacionadas com o tabagismo, situação    cujo caso extremo e dado pela DPOC (bronquite, enfisema). Mesmo assim, em media,    cerca de 56% da carga da doença atribuível ao tabagismo e eliminável, ou seja,    desapareceria se todos os fumadores abandonassem o habito. A segunda nota diz    respeito a diferença entre sexos. Na maioria das doenças consideradas, a fracção    atribuível e a redutível dos homens e mais do dobro das fracções correspondentes    nas mulheres. Já vimos que tal situação radica, por um lado, na maior prevalência    do tabagismo entre os homens e, por outro, em riscos relativos masculinos mais    elevados.</p>      <p>Adicionalmente, temos que a fracção redutível como proporção da fracção atribuível    tem valores médios mais elevados nas mulheres. A terceira nota diz respeito    a evolução das FAP e FRP no tempo. Comparando as estimativas no Quadro IV com    as estimativas correspondentes baseadas no INS98 (não incluídas por raz&otilde;es    de espaço), vemos que para os homens ocorreu em m&eacute;dia uma redução proporcional    das FAP na ordem de 1% e uma redução das FRP na ordem dos 5%. Isso significa    que a redução da prevalência do tabagismo mais do que compensou o aumento do    ex-tabagismo. Para as mulheres, e dado o aumento da prevalência do tabagismo    e do ex-tabagismo, ocorreu uma evolução de sinal contr&aacute;rio, com um aumento    percentual médio das FAP de quase 9% e das FRP de cerca de 6%.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resultados para os DALY por morte </b></p>     <p><b>Carga da doença por mortalidade geral</b></p>      <p>Para obtermos resultados respeitantes a carga da doença na população portuguesa escolhemos basear a analise num ano recente para o qual estivessem disponíveis os dados necessários para a analise, tendo sido escolhido 2005.</p>      <p>Os dados de base sobre mortalidade foram retirados das Estatísticas da Saúde    do INE<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a> para 2005, as quais    abrangem a população do continente, cujos efectivos totais foram retirados das    estimativas da população residente<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a>.    Em particular usaram-se as estatísticas dos óbitos por causa de morte (CID -10:    lista 2 &#8211; Mortalidade geral &#8211; lista seleccionada &#8211; 80 causas)    e sexo, segundo a idade (em anos)<a name="top4e"></a><a href="#4e"><sup>(4)</sup></a>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O Quadro V contem a estimativa da carga da doença total devido a mortalidade    para Portugal continental no ano de 2005.</p>     <p>&nbsp;</p>                                                                                                                                       <p align="center"><b>Quadro V</b> &#8211; DALY por morte, 2005</p>                          <p align="center"><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a01q5.gif" width="331" height="153"></p>                          
<p align="center">Fonte: Portugal &#8211; Estimativas dos autores baseados nas    Estat&iacute;sticas da Sa&uacute;de e nas Estat&iacute;sticas Demogr&aacute;ficas    para 2005 do INE e nas estimativas revistas da OMS para a zona Europa A em 2002<b><a name="top3e"></a><a href="#3e"><sup>(3)</sup></a></b></p>                                                                                                         <p align="center"  >&nbsp;</p>      <p>De acordo com o Quadro V, em 2005 e devido a mortalidade prematura perderam-se    em Portugal continental 6493 anos de vida ajustados por incapacidade por cada    100 000 habitantes. Este valor mostra que houve algum progresso na redução da    carga global da doença por morte prematura, já que e 5,4% inferior a estimativa    correspondente para 2000 (6862)<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a>. No entanto, quando comparados com a estimativa    da OMS para a media dos países mais ricos da Europa em 2002, os valores são    12,5% mais elevados, pelo que ainda nao se convergiu com os indicadores europeus    nesta área. </p>     <p>A distribuição da mortalidade e dos anos perdidos por sexo e por grupo etário    encontram-se no Quadro VI e esta ilustrada na <a name="top2f" id="top2f"></a><a href="#2f">Fig.2</a>.</p>     <p>&nbsp;</p>                                                                                              <p align="center"><b>Quadro VI</b> &#8211; &Oacute;bitos e DALY por morte por    sexo e idade em 2005</p>                                                                     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"  ><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a01q6.gif" width="318" height="462"></p>      
<p>&nbsp;</p>     <p>Os óbitos por idade e sexo representados na <a name="top2f"></a><a href="#2f">Fig.    2</a> seguem um padrão conhecido, reflectindo a composição da população por    sexo e por grupos etários, bem como as taxas de mortalidade especificas de cada    subgrupo demográfico.</p>      <p>A carga da doença, medida pelos DALY, segue um padrão ligeiramente diferente,    já que uma morte tende a produzir tanto mais anos perdidos quanto mais precocemente    ocorre<a name="top5e"></a><sup><a href="#5e">(5)</a></sup>. Apesar    disso, há uma carga pequena da doença com origem no primeiro ano de vida devido    as reduzidas taxas de mortalidade infantil. A partir dos 15 anos, a carga da    doença vais crescendo, atingindo um máximo no grupo dos 70 a 74 anos para os    homens e no dos 75 a 79 anos para as mulheres, picos que antecedem os correspondentes    picos de mortalidade. At&eacute; aos 75 anos a carga da doença suportada pelos    homens e substancialmente mais elevadas que a das mulheres, invertendo-se a    situação a partir dessa idade, muito fruto da composição maioritariamente feminina    da população.</p>      <p>Uma forma de ver a diferença entre sexos e comparar o n&uacute;mero médio    de DALY por morte masculina (7,1 anos) com o mesmo rácio para a mortalidade    feminina (5 anos).</p>      <p>Esta diferença decorre em parte de as mulheres morrerem em media com 79 anos, ao passo que a idade media do óbito nos homens e de 72 anos.</p>      <p>Um ultimo aspecto relevante para capturarmos a diferença entre medir a carga    da doença simplesmente pela mortalidade e medir pelos DALY e que, em termos    relativos, a carga da doença medida por DALY e superior a medida pela mortalidade    para os grupos demográficos antes dos 75 anos, invertendo-se a posição relativa    em idades superiores a esse limiar.</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>Tabagismo, mortalidade e carga da doença relacionadas, atribuíveis e redutíveis</b></p>      <p>Um primeiro passo na quantificação da carga da doença devida ao tabagismo e identificar a proporção da carga da doença total gerada pelas doenças relacionadas com o tabagismo.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O Quadro VII apresenta esses dados para a população e por sexo. Nele vemos    que o conjunto de doenças identificado no <a href="#2q">Quadro II</a><a name="top2q"></a>    e responsável por cerca de 49% da mortes ocorridas em 2005 no continente e por    36% dos DALY, sendo as respectivas proporções cerca de um a dois por cento mais    baixas nos homens do que nas mulheres.</p>     <p>&nbsp;</p>                                              <p align="center"><b><a name="7q"></a><a href="#top7q">Quadro VII</a></b> &#8211;    &Oacute;bitos e DALY por morte &#8211; Totais e relacionados com o tabagismo</p>                              <p align="center"  ><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a01q7.gif" width="619" height="324"></p>     
<p>&nbsp;</p>      <p>A distribuição por sexo e grupos etários dos DALY gerados pelas doenças relacionadas    com o tabaco pode ser visto na Fig. 3.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"  ><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a01f3.gif" width="678" height="405"></p>                                 
<p align="center"><b>Fig. 3</b> &#8211; DALY por morte por sexo e idade em 2005</p>             <p>&nbsp;</p>                     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A Fig. 4 elucida a natureza da relação entre a carga da doença por idade    e a carga da doença gerada por doenças relacionadas com o tabagismo. Ate aos    30 anos a proporção da carga da doença gerada por tais doenças e secund&aacute;ria,    crescendo a sua importância com a idade ate aos 85 anos, altura em que quase    60% da carga da doença e gerada pelas doenças relacionados com o tabaco (listadas    no <a href="#2q">Quadro II</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"  ><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a01f4.gif" width="677" height="429"></p>                                 
<p align="center"><b>Fig. 4</b> &#8211; DALY por morte das doen&ccedil;as relacionadas    com o tabagismo, por sexo e grupo et&aacute;rio</p>             <p>&nbsp;</p>              <p align="center"><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a01f5.gif" width="720" height="354"></p>              
<p align="center"><b>Fig. 5</b> &#8211; DALY por morte em 2005 para doen&ccedil;as    relacionadas com o tabagismo, propor&ccedil;&otilde;es dos DALY totais por sexo    e grupo et&aacute;rio (Fonte: <a href="#2q">Quadro II</a>)</p>             <p>&nbsp;</p>                     <p>Naturalmente, mesmo para as <b>doenças relacionadas com o tabagismo (DRT),    </b>só parte da respectiva carga da doença pode ser imputada ao tabaco. Aplicando    as FAP apresentadas no <a name="top4q"></a><a href="#4q">Quadro IV</a> para    os dados da mortalidade por causa de morte, estimamos a carga da doença atribuível    ao tabagismo, com os resultados patentes no <a name="top7q" id="top7q"></a><a href="#7q">Quadro VII</a>.</p>     <p>Para a totalidade da população 11,7% das mortes (12 615) e 11,2% dos DALY (73    675 anos) são atribuíveis ao tabaco. A Fig. 7 ilustra a distribuição dos DALY    atribuíveis e redutíveis por sexo e por grupos etários.Os números totais da    carga atribuível repartem-se de forma muito desigual entre os sexos, ja que    17,7% dos óbitos e 15,4% dos DALY masculinos são atribuíveis ao tabaco, ao passo    que tais proporções para o sexo feminino são 5,2% e 4,9%, respectivamente. Estes    números para a mortalidade atribuível são mais elevados do que as estimativas    anteriormente disponíveis para Portugal<sup><a name="top6e" id="top6e"></a><a href="#6e">(6)</a></sup>,    as quais apontavam para 14% das mortes masculinas e apenas 0,9% das femininas.    Nos homens recai 78,4% da mortalidade e 82,8% dos DALY atribuíveis ao tabagismo.    Em termos de grupos etários, os DALY redutíveis concentram-se entre os 40 e    os 80 anos, com os DALY redutíveis masculinos apresentando um máximo nos 50    anos (e um pico secundário aos 70 anos), ao passo que os DALY redutíveis femininos    tem um máximo nos 75 anos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><a name="6f"></a></b></p>     <p align="center"  ><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a01f6.gif" width="738" height="441"></p>                        
<p align="center"><b><a href="#top6f">Fig. 6</a></b> &#8211; Tabagismo: DALY por    morte atribu&iacute;veis e redut&iacute;veis</p>           <p>&nbsp;</p>            <p align="center"><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a01f7.gif" width="744" height="421"></p>                     
<p align="center"><b>Fig. 7</b> &#8211; DALY por morte atribu&iacute;veis ao tabagismo    para doen&ccedil;as relacionadas, popula&ccedil;&atilde;o total</p>                     <p>&nbsp;</p>     <p>Note-se que o conceito de carga da doença atribuível e correcto como métrica    da carga da doença devida ao tabagismo, mas e inadequado para medir o ganho    máximo de intervenções, já que estas tem de tomar como um dado adquirido a historia    de consumo de tabaco da população.</p>      <p>O <a href="#7q">Quadro VII</a> contem ainda estimativas da carga da doença    redutível, ou seja, da mortalidade e DALY que se poderiam eliminar se todos    os fumadores se convertessem em ex-fumadores. Estes dados são relevantes porque    a carga da doença redutível nos da o montante máximo de ganhos de saúde que    poderia ocorrer com intervenções de saúde, condicionalmente aos comportamentos    passados da população intervencionada.</p>      <p>As estimativas para Portugal em 2005 indicam que as mortes e os DALY seriam    redutíveis em cerca de 5,8% se deixasse de haver fumadores activos, o que significa    mais de 6200 mortes e de 38 000 anos de vida ajustados.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Uma questão relevante e saber qual e a repartição da carga da doença atribuível    e redutível por grupos de doenças. O Quadro VIII providencia essa informação.</p>     <p>&nbsp;</p>                                             <p align="center"><b>Quadro VIII</b> &#8211; DALY por morte, atribu&iacute;veis    e redut&iacute;veis, por grupos de doen&ccedil;as</p>                              <p align="center"  ><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a01q8.gif" width="619" height="174"></p>      
<p>&nbsp;</p>     <p>Quer para a carga da doença atribuível quer para a carga redutível, o cancro    do pulmão e claramente a doença quantitativamente mais importante. Já no que    diz respeito as outras doenças, as hierarquias da carga da doença atribuível    e da carga da doença redutível são diferentes. A <a name="top6f"></a><a href="#6f">Fig.    6</a> ilustra a distribuição por grupos etários e por grupos de doenças da carga    da doença atribuível. Se a população portuguesa nunca tivesse fumado, haveria    uma redução de anos ajustados perdidos sobretudo por redução da doença isquémica    e de outras neoplasias.</p>      <p>No caso de toda a população de fumadores desistir do habito, alem do cancro do pulmão, os ganhos de saúde viriam sobretudo da redução da doença vascular cerebral.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Resultados para os DALY por incapacidade</b></p>      <p><b>Dados, modelos e metodologia</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Uma das grandes vantagens do indicadores DALY como métrica da carga da doença face a simples mortalidade e que e possível estimar a carga da doença gerada pela morbilidade.</p>      <p>As referencias já indicadas contem os detalhes técnicos, mas a ideia fundamental    e que o tempo vivido com uma doença contribui para os anos de vida perdidos,    na medida em que tal doença e incapacitante<sup><a name="top7e"></a><a href="#7e">(7)</a></sup>.    No caso da mortalidade, os anos de vida perdidos medem-se relativamente a uma    tábua de mortalidade de referencia, usada universalmente.</p>      <p>No caso da morbilidade, e necessário estimar a duração, ou seja, quantos anos em media vivera um doente com o nível de incapacidade atribuído. Note-se que o fim da duração se pode dar por morte ou por remissão, entendida como o fim do estado de doença.</p>      <p>A estimativa da carga da doença por incapacidade requer um conjunto de dados muito mais detalhado do que no caso da mortalidade. São necessários, para cada doença, as estatísticas da incidência, duração e níveis de incapacidade por sexo e por grupos etários.</p>      <p>Este elevado nível de complexidade torna extremamente difícil calcular os DALY por incapacidade para todas as doenças, e uma tal tentativa estaria sempre fora do âmbito do presente trabalho. Apesar de tais dificuldades, apresentaremos estimativas da carga da doença por incapacidade para algumas das doenças mais importantes relacionadas com o consumo de tabaco.</p>      <p>Nestes casos foi possível obter dados que, conjuntamente com alguma informação da literatura e uma metodologia de estimação/modelização, possibilitaram as estimativas dos DALY por incapacidade.</p>      <p>De notar que algumas doenças se caracterizam por níveis de incapacidade pequenos devido a sua duração. Por exemplo. a pneumonia e a gripe são problemas graves de saúde devido a mortalidade gerada pelos casos agudos, mas na medida em que a duração media destes casos e limitada (tipicamente duas semanas) e na medida em que a dimensão tempo e crucial no calculo da carga da doença por incapacidade, acabaríamos por apurar valores negligenciáveis para DALY perdidos por incapacidade.</p>      <p>Por esta razão, as estimativas da carga da doença por incapacidade concentram-se    em doenças crónicas ou de longa duração.</p>      <p>A carga da doença pela via da morbilidade foi estimada a partir de um conjunto de dados parcelares. Foi possível encontrar dados para a incidência de a doença coronária e do acidente vascular cerebral nas redes referenciação CV-DGS referentes a 2004. Aplicamos estas taxa a população em 2005 para estimar a incidência destas doenças nesse ano. Para os coeficientes de incapacidade e para as durações nao ha estimativas em Portugal. Por esta razão, as estimativas de tais valores assentam em referencias internacionais, em particular nos dados do projecto de Carga da Doença da OMS, e devem ser vistas apenas como as aproximações possíveis aos valores reais para o caso português.</p>      <p>A base de todo o trabalho feito nesta secção e o modelo DisMod II<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>, construído    por Barendregt para a OMS. O DisMod II e um modelo sofisticado de estimação    de indicadores epidemiológicos. Parte de dois <i>inputs </i>básicos, a composição    da população por sexos e idades de um pais e as taxas de mortalidade geral para    cada grupo demográfico. Para Portugal utilizamos as já referidas estimativas    da população residente<sup><a href="#12">12</a></sup> no continente para 2005,    as quais se estendem detalhadamente, ou seja, por ano de idade, ate aos 85 anos.    Para as taxas de mortalidade geral da população utilizamos os dados da tábua    de mortalidade mais recentemente publicada em Portugal<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O modelo DisMod II sistematiza as relações entre um conjunto de indicadores    importantes para cada doença por grupos de idade e sexo: taxas de incidência,    taxas de prevalência, durações, taxas de remissão, taxas de fatalidade<a name="top8e"></a><sup><a href="#8e">(8)</a></sup>,    idade inicial da doença, risco relativo de mortalidade.</p>      <p>O modelo requer ser alimentado com um mínimo de três destas variáveis (por grupos de sexo e idade) e a partir dessas três permite prever as outras. O modelo e igualmente flexível para poder partir de um <i>input </i>de mais de três variáveis, ou seja, havendo algum grau de sobredeterminação da informação. Em geral e impossível ter estimativas exactas, ou seja, há sempre erros, na medida em que os diferentes dados raramente são perfeitamente compatíveis, o que e natural porque, alem das estimativas dos parâmetros epidemiológicos serem muitas vezes pouco precisas, quase sempre provem de fontes de informação distintas. O fundamental e que estimativas do modelo são internamente consistentes e externamente produzem indicadores muito aproximados a informação parcelar usada como <i>input</i>. Uma das vantagens do modelo e poder dar um peso distinto a cada tipo de informação, conforme o grau de fiabilidade que lhe e associado. No presente caso, os dados de mortalidade tiveram geralmente um peso maior do que outros, porque foram considerados mais fiáveis.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Epidemiologia das doenças relacionadas com o tabaco</b></p>      <p>No caso da <b>DPOC</b>, podemos retirar informação sobre <i>prevalência </i>do    INS05<sup><a href="#8">8</a></sup>, bem como taxas de <i>mortalidade </i>das    Estatísticas da Saúde do INE<sup><a href="#21">21</a></sup>. Sabemos que a taxa    de <i>remissão </i>desta patologia e zero, pelo que já temos o mínimo de três    dados independentes que permitem estimar todos os parâmetros epidemiológicos    relevantes. Adicionalmente, ha estimativas de investigadores da OMS<sup><a href="#24">24</a></sup>    para as durações por idade e sexo, diferenciadas por zonas do mundo. Recorremos    neste caso as estimativas para a Europa Ocidental (Europa Zona A, na terminologia    da OMS) como informação adicional inicial. </p>      <p>Contudo, verificamos que os dados do INS05 tem dois problemas no que aos dados de prevalência diz respeito. O primeiro e que a DPOC reportada e autodiagnosticada. </p>      <p>Os dados levam a crer, na nossa interpretação, que haverá um numero não negligenciável de casos reportados como DPOC mas que corresponderão a episódios agudos de outras doenças respiratórias. Por outro lado, como o diagnostico da DPOC implica a realização de espirometria, os dados do INS05 provavelmente reflectem o não reporte de alguma DPOC ainda não diagnosticada e, dai, o reporte de uma taxa de prevalência de apenas 3,2%. Esta ideia esta em linha com os resultados de Cardoso J <i>et al.</i><sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a> que identificaram uma taxa de prevalência de DPOC de 5,34% numa amostra de 1384 indivíduos representativa da população portuguesa.</p>      <p>Para ultrapassar estes problemas, utilizou-se a base de microdados do estudo    Pneumobil<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a><sup><a name="top9e"></a><a href="#9e">(9)</a></sup>, estimando-se    taxas de prevalência por grupos demográficos de sexo e idade. Estas taxas de    prevalência foram conjugadas com as estimativas da população residente por sexo    e idades para Portugal continental em 2005.</p>      <p>O modelo DisMod II processou toda a informação referida, obtendo-se um resultado    final com estimativas que se apresentam no Quadro IX. Elas resultam de maximizar    a coerência entre os dados, o que leva a que mesmo os dados que alimentaram    o modelo a partida sejam revistos. Reportaremos sempre estes dados revistos    e não os dados em bruto. Isto significa que há diferenças entre as taxas de    prevalência ou incidência apresentadas e as que se podem retirar directamente    das fontes usadas em cada caso. De notar que a prevalência estimada da DPOC    no grupo dos mais idosos e muito elevada, ja que atinge um em quatro homens    e uma em sete mulheres.</p>     <p>&nbsp;</p>                                             ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><b>Quadro IX</b> &#8211; Estimativas dos par&acirc;metros epidemiol&oacute;gicos    da DPOC</p>                              <p align="center"  ><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a01q9.gif" width="618" height="261"></p>     
<p>&nbsp;</p>                                             <p align="center"><b>Quadro X</b> &#8211; Estimativas dos par&acirc;metros epidemiol&oacute;gicos    do EAM</p>                              <p align="center"  ><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a01q10.gif" width="618" height="245"></p>      
<p>&nbsp;</p>                                             <p align="center"><b>Quadro XI</b> &#8211; Estimativas dos par&acirc;metros epidemiol&oacute;gicos    do AVC</p>                              <p align="center"  ><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a01q11.gif" width="620" height="248"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>No caso da <b>doença coronária, </b>voltamos a usar o modelo DisMod II, agora    juntamente com a incidência do enfarte do miocárdio nas redes referenciação    CV-DGS referentes a 2004, bem como a prevalência do enfarte agudo do miocárdio    &#8211; (EAM) nos dados do INS05<sup><a name="top10e"></a><a href="#10e">(10)</a></sup>    e as taxas de mortalidade por doença coronária obtidas nas estatísticas da saúde.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tal como no caso anterior, há diferenças entre as estimativas dos parâmetros do modelo e as estimativas retiradas directamente dos dados, incluindo uma taxa de incidência muito pequena, mas não zero, para idades muito baixas.</p>      <p>Para o caso do <b>acidente vascular cerebral </b>usamos uma metodologia semelhante e as mesmas fontes para os dados do caso da EAM.</p>      <p>Os dados para o <b>cancro do pulmão </b>foram provenientes de varias fontes. Como nos demais casos, a <i>mortalidade </i>foi retirada das Estatísticas da Saúde para 2005, a <i>incidência </i>provem de um documento técnico da OMS (citação do Livro da OMS) e as taxas de <i>fatalidade </i>(ao primeiro ano) do Registo Oncológico da Região Sul<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a>.</p>      <p>As taxas de <i>remissão </i>foram estimadas como sendo o equivalente anualizado das taxas de sobrevivência após os cinco anos do diagnostico. Utilizaram-se adicionalmente como informação para validar o modelo os resultados de Yang P <i>et al.</i><sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a>.</p>      <p>Não encontramos dados referindo-se directamente a prevalência ou a duração    em Portugal, pelo que estes foram estimados pelo DisMod II a partir dos outros    disponíveis.</p>      <p>Os resultados podem ser encontrados no Quadro XII.</p>     <p>&nbsp;</p>                                             <p align="center"><b>Quadro XII</b> &#8211; Estimativas dos par&acirc;metros epidemiol&oacute;gicos    do cancro do pulm&atilde;o</p>                              <p align="center"  ><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a01q12.gif" width="621" height="248"></p>      
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os dados epidemiológicos dos outros cancros seleccionados como mais relevantes    para medir o impacto do tabaco (lábio, cavidade oral e faringe, laringe, esófago,    estômago e bexiga) foram sujeitos a um tratamento semelhante, com base nas mesmas    fontes de dados.<sup><a name="top11e"></a><a href="#11e">(11)</a></sup> Os dados    não se apresentam por uma questão de economia de espaço.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Estimativas para DALY por incapacidade</b></p>      <p>O resultado final da analise epidemiológica apresentada e um conjunto de dados que permite calcular os anos de vida perdidos ajustados por incapacidade, em particular as incidências e durações, sendo que outros dados, como as prevalências, terão utilidade mais tarde, numa estimativa dos custos do sistema de saúde atribuíveis ao consumo de tabaco.</p>      <p>No entanto, para calcular os DALY devidos a incapacidade gerada pela morbilidade, falta ainda um conjunto de parâmetros, os pesos de incapacidade correspondentes a cada doença. Os parâmetros usados foram os que a própria OMS empregou na analise da carga da doença e foram retirados de</p>      <p>Mathers <i>et al. </i>(2002). O Quadro XIII exibe os pesos quantificando    o grau de incapacidade.</p>     <p>&nbsp;</p>                                             <p align="center"><b>Quadro XIII</b> &#8211; Pesos para c&aacute;lculo dos DALY    por incapacidade</p>                              <p align="center"  ><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a01q13.gif" width="622" height="230"></p>      
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No caso das neoplasias, considerou-se que a fase terminal corresponde aos    últimos três meses de vida. Considerou-se que para a doença cardíaca isquémica    a fase aguda inicial tem uma duração media de um mes, ficando depois o doente    com um nível de incapacidade correspondente a angina de peito. No caso do AVC,    consideramos uma duração de seis meses para a fase aguda inicial.</p>      <p>Para cada patologia o peso usado e uma media ponderada entre a duração na    fase aguda ou na fase terminal e a extensão da duração em fases menos agudas.    A media tem também em conta as probabilidades de remissão.<sup><a name="top12e"></a><a href="#12e">(12)</a></sup></p>      <p>O resultado final dos cálculos esta exibido no Quadro XV, onde se encontra    a distribuição dos DALY gerados pela morbilidade por grupo demográfico e pelas    principais patologias. No total, a morbilidade gera um montante de 121 643 DALY,    cerca de 19% do total dos DALY por morte e 49,5% dos DALY por morte para as    doenças relacionadas com o consumo de tabaco.</p>      <p>Uma an&aacute;lise simples do Quadro XIV mostra que a DOPC e responsável    por 61% do total dos DALY gerados por incapacidade no conjunto da doenças relacionadas    com o tabaco, sendo o AVC responsável por 27% e o EAM por 9%. A Fig. 8 apresenta    de forma mais intuitiva a importância relativa da DOPC no contexto da carga    da doença por incapacidade.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"  ><b>Quadro XIV</b> &#8211; DALY por Incapacidade das doen&ccedil;as    relacionadas com o tabagismo</p>                                            <p align="center"  ><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a01q14.gif" width="619" height="229"></p>     
<p align="center"  >&nbsp;</p>                                             <p align="center"><b><a name="15q"></a><a href="#top15q">Quadro XV</a></b> &#8211;    DALY por incapacidade atribu&iacute;veis ao consumo de tabaco</p>                              <p align="center"  ><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a01q15.gif" width="620" height="233"></p>      
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p align="center"  ><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a01f8.gif" width="554" height="565"></p>                                             
<p align="center"><b>Fig. 8</b> &#8211; DALY por incapacidades das doen&ccedil;as    relacionadas com o tabagismo</p>                               <p>&nbsp;</p>      <p>O conjunto das neoplasias estudadas tem uma pequena carga da doença por incapacidade,    em termos relativos apenas 2% do total.</p>     <p>Esta composição reflecte acima de tudo as durações, já que as neoplasias são doenças de duração comparativamente curta, o que significa que a sua carga e sobretudo por morte e não por incapacidade, ao passo que a DPCO e uma doença em que o peso relativo dos DALY por incapacidade e muito maior, já que estes são 2,6 vezes maiores do que os DALY por morte para o conjunto das doenças respiratórias consideradas e 6,5 vezes maiores do que os DALY por morte para a DPOC propriamente dita.</p>      <p>A Fig. 9 ilustra a distribuição etária dos DALY por incapacidade. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"  ><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a01f9.gif" width="516" height="359"></p>                                                           
<p align="center"><b>Fig. 9</b> &#8211; DALY por incapacidade das doen&ccedil;as    relacionadas com o tabaco, por sexo e grupo et&aacute;rio</p>                                         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>O passo seguinte e apresentar as estimativas dos DALY por incapacidade atribuíveis    ao consumo de tabaco e que são redutíveis, no sentido já usado no caso dos DALY    por morte. O <a name="top15q"></a><a href="#15q">Quadro XV</a> apresenta os    resultados. O total de DALY atribuíveis e de 72 126, cerca de 59% dos DALY por    incapacidade, sendo 82% gerados pela DPOC, 10% pelo AVC e 5% pelo EAM, ou seja,    repete-se o padrão identificado anteriormente de a DPOC ser, de forma muito    dominante, a patologia quantitativamente mais significativa. Por &uacute;ltimo,    resta apresentar as estimativas dos DALY por incapacidade redutíveis, o que    e feito no Quadro XVI.</p>     <p>&nbsp;</p>                                             <p align="center"><b>Quadro XVI</b> &#8211; Tabagismo e DALY por incapacidade    redut&iacute;veis</p>                              <p align="center"  ><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a01q16.gif" width="591" height="216"></p>      
<p>&nbsp;</p>     <p>Os DALY redutíveis somam um total de 12 417 anos de vida perdidos, cerca    de 10% dos DALY por incapacidade gerados pelas doenças relacionadas com o tabaco.    Neste caso, nota-se uma grande redução da carga da doença face a atribuível,    sendo essa diferença proveniente sobretudo da DPOC. A razão para tal esta no    baixo nível da fracção redutível da DPOC.<sup><a name="top13e"></a><a href="#13e">(13)</a></sup></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b>Tabagismo e carga total da doença</b></p>      <p>Uma comparação mais detalhada entre a distribuição dos DALY por morte prematura e por incapacidade e impossível devido a falta de dados sobre a incidência, duração, etc., de todas as doenças consideradas nas causas de morte.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No entanto, podemos apresentar alguns resultados agregados para os casos ou doenças estudados. Um primeiro resultado agregado e que a totalidade dos DALY por incapacidade estimado para as doenças consideradas foi de 118 934, o que, adicionado aos 245 682 estimados para os DALY por causa de morte, nos da um total de carga da doença relacionadas com o consumo de tabaco de 364 616.</p>      <p>Quanto a parte das doenças relacionadas atribuível ao tabagismo, o Quadro    XVII apresenta as estimativas, com o total por sexo e por patologia, e a repartição    percentual entre DALY por morte e por incapacidade.</p>     <p>&nbsp;</p>                                             <p align="center"><b>Quadro XVII</b> &#8211; DALY totais atribu&iacute;veis ao    tabagismo</p>                              <p align="center"  ><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a01q17.gif" width="586" height="159"></p>     
<p>&nbsp;</p>      <p>A carga da doença atribuível ao tabagismo e 40% da carga total das doenças relacionadas com o tabaco.</p>      <p>De acordo com o Quadro XVII, o tabagismo e responsável pela perda anual de    146 mil anos de vida ajustados pela incapacidade, sendo que a carga da doença    atribuível ao tabagismo e que não se deve a mortalidade e de 49% (72 126 DALY),    algo que se deve em grande parte a pesada carga da doença por incapacidade devido    a DPOC. No entanto, e de notar igualmente que a carga do AVC tem um componente    da incapacidade de 43%, uma quota muito substancial.</p>      <p>Finalmente, e relevante saber os ganhos potenciais máximos que se poderiam obter se todos os portugueses desistissem de fumar.</p>      <p>O Quadro XVIII mostra a informação sobre a carga redutível.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>                                             <p align="center"><b>Quadro XVIII</b> &#8211; Tabagismo e DALY totais redut&iacute;veis</p>                              <p align="center"  ><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a01q18.gif" width="586" height="149"></p>      
<p>&nbsp;</p>     <p>A carga redutível do tabagismo e de quase 52 mil DALY, ou seja, uma eliminação    completa do tabagismo em Portugal levaria a um ganho anual de 52 mil anos de    vida, sendo 76% deste total redutível proveniente de reduções de mortalidade    prematura e 24% de reduções dos níveis de incapacidade da população. Este montante    representa cerca de 14% da carga total das doenças relacionadas com o tabaco.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Conclusões</b></p>      <p>A carga da doença e medida através do tempo de vida perdido por mortalidade prematura ou pelo tempo vivido com incapacidade, bem como pelo grau de severidade desta ultima.</p>      <p>Aplicando o conceito dos <i>disability adjusted life years </i>usado pela Organização Mundial de Saúde e pelo Banco Mundial, apresentamos estimativas da carga das doença para Portugal, globais no caso da mortalidade, e para as principais doenças associadas ao consumo de tabaco no que diz respeito a carga da doença por incapacidade usando dados baseados na população, mortalidade e prevalência do tabagismo de 2005. Estas estimativas não incluíram mortos em incêndios gerados pelo uso de tabaco, mortes de não fumadores devido ao fumo passivo e o impacto do fumo na saúde materno-infantil.</p>      <p>Para as doenças relacionadas com o tabaco mais importantes estimamos que 40% da carga de tais doenças seja atribuível ao tabaco, num total anual de 146 mil anos de vida ajustados pela incapacidade. Este numero mede os ganhos de saúde que se retirariam por comparação com uma situação onde os portugueses nunca tivessem fumado. Um outro ponto de comparação, que designamos por carga redutível, e o valor máximo dos ganhos de saúde que se poderiam obter se todos os portugueses fumadores desistissem do habito.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A nossa estimativa e que a carga redutível anual do tabagismo seja de quase 52 mil anos de vida ajustados pela incapacidade.</p>      <p>Esta estimativa demonstra a relevância e prioridade que deverão ter politicas    de redução da prevalência do tabagismo na população portuguesa, antes de mais    não deixando criarem-se hábitos tabágicos, mas também incentivando e apoiando    o abandono do consumo de tabaco dos fumadores correntes.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Bibliografia/Bibliography</b></p>     <p><a name="1"></a><a href="#top1">1</a>. World Bank. World Development Report    1993: Investing in Health.</p>      <p><a name="2"></a><a href="#top2">2</a>. The World Health Report 2002. Reducing    risk and promoting healthy life. (<a href="http://www.who.in/whr/2002/en/" target="_blank">www.who.in/whr/2002/en/</a>)</p>      <p><a name="3"></a><a href="#top3">3</a>. Murray C. Quantifying the burden of    disease: the technical basis for disability -adjusted life years. Bulletin of    the World Health Organization 1994;72(3);429-445.</p>      <p><a name="3"></a><a href="#top3">4</a>. Murray C, Lopez A. Quantifying disability:    data, methods and results. Bulletin of the World Health Organization 1994;72(3):481-494.</p>      <p><a name="3" id="3"></a><a href="#top3">5</a>. Murray C, Lopez A. (Eds.).    Global comparative assessments in the health sector &#8211; Disease burden,    expenditures and intervention packages. World Health Organization, Genebra 1994.</p>      <!-- ref --><p><a name="6"></a><a href="#top6">6</a>. Gouveia M, Borges M, Costa J, Carneiro    AV. Carga da doenca atribuivel a hipercolesterolemia em Portugal. Rev Port Cardiol    2004;23(2):255 -270.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000302&pid=S0873-2159200900060000100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><a name="7"></a><a href="#top7">7</a>. Ministerio da Saude, Instituto Nacional    de Saude Dr. Ricardo Jorge, Observatorio Nacional de Saude, Inquerito Nacional    de Saude 1998/99.</p>      <p><a name="8"></a><a href="#top8">8</a>. Ministerio da Saude, Instituto Nacional    de Saude Dr. Ricardo Jorge, Observatorio Nacional de Saude, 4.o Inquerito Nacional    de Saude 2005/06.</p>      <p><a name="9"></a><a href="#top9">9</a>. CDC, SAMMEC, <a href="http://apps.nccd.cdc.gov/sammec/show_risk_data.asp?" target="_blank">http://apps.nccd.cdc.gov/sammec/show_risk_data.asp?</a>,    consultado em 1/2007.</p>      <p><a name="10"></a><a href="#top10">10</a>. Last JM. Um dicionario de epidemiologia.    Oxford University Press. Edicao portuguesa do Departamento de Estudos e Planeamento    da Saude (1995).</p>      <p><a name="11"></a><a href="#top11">11</a>. Ebbert JO, <i>et al. </i>Lung cancer    risk reduction after smoking cessation: observations from a prospective cohort    of women. J Clin Oncol 2003; 21(5):921-926.</p>      <p><a name="12"></a><a href="#top12">12</a>. Yun YH, <i>et al. </i>Relative    and absolute risks of cigarette smoking on major histologic types of lung cancer    in Korean men. Cancer Epidemiol Biomarkers Prev 2005; 14(9):2125-2130.</p>      <p><a name="13"></a><a href="#top13">13</a>. Mohiuddin SM, <i>et al. </i>Intensive    smoking cessation intervention reduces mortality in high-risk smokers with cardiovascular    disease. Chest 2007; 131(2):446-452.</p>      <p><a name="14"></a><a href="#top14">14</a>. Twardella D, <i>et al. </i>The    underestimated impact of smoking and smoking cessation on the risk of secondary    cardiovascular disease events in patients with stable coronary heart disease:    prospective cohort study. J Am Coll Cardiol 2006; 47(4):887-889.</p>      <p><a name="15"></a><a href="#top15">15</a>. Critchley JA, Capewell S. Mortality    risk reduction associated with smoking cessation in patients with coronary heart    disease: a systematic review. JAMA 2003; 290(1):86-97.</p>      <p><a name="16"></a><a href="#top16">16</a>. Godtfredsen NS, <i>et al. </i>Smoking    reduction, smoking cessation, and incidence of fatal and non-fatal myocardial    infarction in Denmark 1976 -1998: a pooled cohort study. J Epidemiol Community    Health 2003; 57(6):412-416.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="17"></a><a href="#top17">17</a>. Scanlon PD, <i>et al. </i>Smoking    cessation and lung function in mild-to-moderate chronic obstructive pulmonary    disease. The Lung Health Study. Am J Respir Crit Care Med 2000; 161(2 Pt 1):381-390.</p>      <p><a name="18"></a><a href="#top18">18</a>. Pelkonen M, <i>et al. </i>Smoking    cessation, decline in pulmonary function and total mortality: a 30 year follow    up study among the finnish cohorts of the seven countries study. Thorax 2001;    56(9):703-707.</p>      <p><a name="19"></a><a href="#top19">19</a>. Pelkonen M, <i>et al. </i>Thirty-year    cumulative incidence of chronic bronchitis and COPD in relation to 30-year pulmonary    function and 40 -year mortality: a follow-up in middle -aged rural men. Chest    2006; 130(4):1129-1137.</p>      <p><a name="20"></a><a href="#top20">20</a>. Godtfredsen NS, <i>et al. </i>Risk    of hospital admission for COPD following smoking cessation and reduction: a    Danish population study. Thorax 2002; 57(11):967-972.</p>      <p><a name="21"></a><a href="#top21">21</a>. INE, Estatisticas da Saude, 2005,    consultadas em Maio de 2007 a partir de <a href="http://www.ine.pt/prodserv/quadros/quadro.asp" target="_blank">http://www.ine.pt/prodserv/quadros/quadro.asp</a>.</p>      <p><a name="22"></a><a href="#top22">22</a>. INE, Estimativas Provisorias de    Populacao Residente Intercensitarias, 2005, consultadas em Maio de 2007 a partir    de <a href="http://www.ine.pt/prodserv/quadros/quadro.asp" target="_blank">http://www.ine.pt/prodserv/quadros/quadro.asp</a>.</p>      <p><a name="23"></a><a href="#top23">23</a>. Mathers C, Bernard C, Iburg K,    Inoue M, Fat D, Shibuya K, Stein C, Tomijima N, Xu H. Global programme on evidence    for health policy, discussion paper No. 54. World Health Organization, 2003.</p>      <p><a name="24"></a><a href="#top24">24</a>. Barendregt JJ. DisMod II version    1.01. Global programme on evidence for health policy, World Health Organization,    2001.</p>      <!-- ref --><p><a name="25"></a><a href="#top25">25</a>. Carrilho MJ. Tabuas de Mortalidade    para Portugal, Revista de Estudos Demograficos, Instituto Nacional de Estatistica,    N.o 36, 2005.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000321&pid=S0873-2159200900060000100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><a name="26"></a><a href="#top26">26</a>. Cardoso J, <i>et al. </i>Prevalence    of chronic obstructive pulmonary disease in Portugal. Am J Respir Crit Care    Med 2003; 167(7): Abstract 236.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="27"></a><a href="#top27">27</a>. Reis -Ferreira JM, <i>et al. </i>Pulmonary    symptoms in Portuguese population: the Pneumobil study. Eur Respir J (Abstr)    1998; 12:3.</p>      <p><a name="28"></a><a href="#top28">28</a>. Incid&ecirc;ncia, sobreviv&ecirc;ncia    e mortalidade do cancro na regi&atilde;o sul de Portugal &#8211; 2000/2001.    Registo Oncologico Regional &#8211; Sul (2007).</p>      <p><a name="29"></a><a href="#top29">29</a>. Yang P, <i>et al. </i>Clinical    features of 5.628 primary lung cancer patients: experience at Mayo Clinic from    1997 to 2003. Chest 2005; 128:452-462.</p>         <p><a name="30"></a><a href="#top30">30</a>. Surveillance, Epidemiology, and end    results (SEER) Program SEER*Stat Database: Incidence &#8211; SEER 17 Regs Limited-Use,    Nov 2006 Sub (1973-2004 varying), National Cancer Institute, DCCPS, Surveillance    Research Program, Cancer Statistics Branch, released April 2007, based on the    November 2006 submission, consultado em Junho 2007 em <a href="http://seer.cancer.gov/faststats" target="_blank">http://seer.cancer.gov/faststats</a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas</b></p>          <p><a name="1e"></a><a href="#top1e"><sup>(1)</sup></a><i>World Health Report    </i>2002: 64-65.</p>     <p><a name="2e"></a><a href="#top2e"><sup>(2)</sup></a> Estas causas de morte    e mortalidade não incluem outros factores potencialmente relevantes, como sejam    os mortos em incêndios gerados pelo uso de tabaco, mortes de não fumadores devido    ao fumo passivo e o impacto do fumo na saúde materno-infantil.</p>     <p><a name="3e"></a><a href="#top3e"><sup>(3)</sup></a> Ver <a href="http://www.who.int/healthinfo/statistics/gbdwhosubregionyll2002.xls" target="_blank">http://www.who.int/healthinfo/statistics/gbdwhosubregionyll2002.xls</a></p>     <p><a name="4e"></a><a href="#top4e"><sup>(4)</sup></a> Os dados de base da    mortalidade foram retirados do Quadro 9.11 das Estatisticas da Saude de 2005    e complementados com informa&ccedil;&atilde;o sobre tumor maligno do rim retirada    do Quadro 9.5 das mesmas estatisticas. Os resultados s&atilde;o duas matrizes    de dados, uma para cada sexo, em que as entradas s&atilde;o as causas de morte    e os grupos et&aacute;rios. Foram feitas correc&ccedil;&otilde;es aos resultados    porque cerca de 2,82% dos obitos totais de mulheres indicados nos Quadros n&atilde;o    est&atilde;o classificados conjuntamente por idade/causa de morte, verificando-se    o mesmo para 2,72% dos homens. As estimativas finais dos DALY por causa de morte    est&atilde;o corrigidas pelos factores referidos.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="5e"></a><a href="#top5e"><sup>(5)</sup></a> Esta afirmação e uma    simplificação, na medida em que no calculo dos DALY há uma ponderação social    diferenciada por idades, bem como a aplicação de um desconto intertemporal aplicado    aos anos perdidos.</p>     <p><a href="#top6e"></a><a name="6e"></a><a href="#top6e"><sup>(6)</sup></a>    Peto R, Lopez AD, Boreham J, Thun M, Mortality from smoking in developed countries    1950&#8722;2000 (2nd Ed, 2006). Retirado de <a href="http://www.deathsfromsmoking.net/" target="_blank">www.deathsfromsmoking.net</a></p>     <p><sup><a name="7e"></a><a href="#top7e">(7)</a></sup> Por exemplo, um ano de    vida de um sobrevivente a um AVC tem um peso de incapacidade de 0,259, ao passo    que um ano perdido por morte prematura tem, por definição, peso unitário.</p>     <p><sup><a name="8e"></a><a href="#top8e">(8)</a></sup>A taxa de remissão e    a percentagem anual de indivíduos que saem do estado de densa e a taxa de fatalidade    e a percentagem anual de doentes que falecem devido a patologia em causa.</p>     <p><sup><a name="9e"></a><a href="#top9e">(9)</a></sup>O estudo Pneumobil foi    realizado em Portugal continental para rastreio de sintomas respiratórios, quantificando    um conjunto alargado de parâmetros espirometricos. Envolveu um total de 14 002    indivíduos</p>     <p><sup><a name="10e"></a><a href="#top10e">(10)</a></sup>Onde se pergunta a    cada inquirido se ja teve um EAM e se ja teve um AVC.</p>     <p><a name="11e"></a><a href="#top11e"><sup>(11)</sup></a> Uma excepção foi o cancro da    bexiga, para o qual os dados do ROR Sul nao permitem calcular a taxa de sobrevivência    aos 5 anos nem a taxa de fatalidade no primeiro ano. Nestes casos utilizamos    os dados norte&#8211;americanos do <i>National Cancer Institute</i><sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a>, já que    nos casos de outros cancros, em que os dados portugueses estavam disponíveis,    as diferenças eram de pequena dimensão.</p>     <p><sup><a name="12e"></a><a href="#top12e">(12)</a></sup> Seja A a duração    da fase aguda no caso das doenças cardiovasculares e D a duração media. Então    o peso da incapacidade usado foi (A/D)* Pa+ (1 &#8211;A/D)*Pna, onde Pa e Pna    são os pesos de incapacidade na fase aguda e não aguda da doença, respectivamente.    No caso das neoplasias, temos de considerar que o nível de incapacidade e elevado    na fase terminal e não na inicial. Podemos igualmente designar a duração da    fase terminal por A e os pesos de incapacidade Pa e Pna. Se a taxa de mortalidade    a cinco anos (o complemento da taxa de remissão) for Tm, então o peso médio    de incapacidade e dado por Pa*Tm*A/D+ Pna*(1 -Tm*A/D).</p>     <p><sup><a name="13e"></a><a href="#top13e">(13)</a></sup>A cessação tabágica    tem efeitos na DPOC sobretudo na redução da sua gravidade. Uma vez que alterações    de gravidade da doença não são contempladas no modelo utilizado, resulta daqui    uma subestimativa da carga redutível da doença.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Glossário de acrónimos</b></p>       <p><b>DALY </b>&#8211; Anos de vida ajustados por incapacidade (<i>disability adjusted      life years</i>)</p>       <p><b>DPOC </b>&#8211; Doença pulmonar obstrutiva crónica</p>       <p><b>DRT </b>&#8211; Doenças relacionadas com o tabagismo</p>       <p><b>FAP </b>&#8211; Fracção atribuível da população</p>       <p><b>FRP </b>&#8211; Fracção redutível da população</p>       <p><b>OMS </b>&#8211; Organização Mundial de Saúde</p>        <p>&nbsp;</p>     <p>Agradecemos o apoio dos Laboratórios Pfizer, Lda., e do INSA Ricardo Jorge    pelo acesso aos dados do 4.º Inquérito Nacional de Saúde. Quaisquer erros ou    omissões são da responsabilidade dos autores/<i>We gratefully acknowledge the    support of Pfizer Laboratories Lda and the INSA Ricardo Jorge for access to    4</i><i>th </i><i>National Health Enquiry data. </i><i>Any errors or omissions    are the sole responsibility of the authors</i></p>     <p>e-mail:<i> </i><a href="mailto:margarida.borges@fm.ul.pt">margarida.borges@fm.ul.pt</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência, Faculdade de Medicina    de Lisboa / <i>Evidence-Based Medicine Centre for Studies, Lisbon University    School of Medicine</i></p>     <p>Centro de Estudos Aplicados, Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais,    Universidade Católica Portuguesa / <i>Universiade Católica Portuguesa Faculty    of Economicand Business Science Centre for Applied Studies</i></p>     <p><b> </b></p>     <p><b>Anexo</b></p>     <p>Os quadros seguintes apresentam as fracções atribuíveis e redutíveis por    grupos de doenças, ponderadas pela população e mortalidade em Portugal, 2005.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Quadro A.I</b> &#8211; &Oacute;bitos: Frac&ccedil;&otilde;es da popula&ccedil;&atilde;o    atribu&iacute;veis e redut&iacute;veis</p>     <p><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a01q1a.gif" width="590" height="149"></p>      
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Quadro A.II</b> &#8211; DALY: Frac&ccedil;&otilde;es da popula&ccedil;&atilde;o    atribu&iacute;veis e redut&iacute;veis</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a01q2a.gif" width="591" height="149"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Recebido para publica&ccedil;&atilde;o/received for publication: 09.03.26  </p>     <p>Aceite para publica&ccedil;&atilde;o/accepted for publication: 09.03.30</p>      ]]></body><back>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Tabuas de Mortalidade para Portugal]]></article-title>
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