<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0873-2159</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Pneumologia]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Rev Port Pneumol]]></abbrev-journal-title>
<issn>0873-2159</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Portuguesa de Pneumologia]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0873-21592009000600005</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Pulmão e transplante renal]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Lung and renal transplantation]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Mota]]></surname>
<given-names><![CDATA[Patrícia Caetano]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Vaz]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ana Paula]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ferreira]]></surname>
<given-names><![CDATA[Inês Castro]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Bustorff]]></surname>
<given-names><![CDATA[Manuela]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Damas]]></surname>
<given-names><![CDATA[Carla]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Hospital de S. João Serviço de Pneumologia Interna Complementar de Pneumologia]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,Hospital de S. João Serviço de Nefrologia ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>11</month>
<year>2009</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>11</month>
<year>2009</year>
</pub-date>
<volume>15</volume>
<numero>6</numero>
<fpage>1073</fpage>
<lpage>1099</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0873-21592009000600005&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0873-21592009000600005&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0873-21592009000600005&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[O transplante renal é o transplante de órgãos sólidos mais frequente, sendo os transplantados renais alvo de complicações pulmonares inerentes à própria terapêutica imunossupressora, as quais constituem, por vezes, um desafio diagnóstico e terapêutico. Objectivo: Avaliar os doentes admitidos na Unidade de Transplante Renal (UTR) do Hospital de S. João com o diagnóstico de patologia respiratória. Material e métodos: Estudo retrospectivo de todos os doentes admitidos na UTR por doença respiratória, durante um período de 12 meses. Resultados: Foram incluídos 36 doentes, com uma média de idades de 55,2 (±13,4) anos; 61,1% do sexo masculino. Os esquemas imunossupressores mais utilizados foram: prednisolona e micofenolato mofetil com ciclosporina (38,9%) ou tacrolimus (22,2%) ou rapamicina (13,9%). Trinta e um doentes (86,1%) apresentaram doença infecciosa respiratória. Neste grupo destacaram-se: 23 casos (74,2%) de pneumonia, 5 casos (16,1%) de infecção oportunista, 2 (6,5%) de traqueobronquite, e 1 (3,2%) de abcessos pulmonares. O agente etiológico foi identificado em 7 casos (22,6%). Cinco doentes (13,9%) apresentaram doença pulmonar iatrogénica pela rapamicina. Em 15 doentes (41,7%) foi necessário recorrer à realização de broncofibroscopia, diagnóstica em 10 casos (66,7%). O tempo médio de internamento foi de 17,1 (±18,5) dias, e não se verificou nenhum óbito. Conclusão: A infecção constituiu a principal complicação pulmonar no grupo de doentes estudado. O diagnóstico de doença pulmonar induzida por fármacos implica reconhecimento das suas características e monitorização rigorosa dos níveis séricos dos mesmos. O recurso a técnicas de diagnóstico invasivas contribuiu para maior precocidade e especificidade terapêuticas.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Renal transplantation is the most common type of solid organ transplantation and kidney transplant recipients are susceptible to pulmonary complications of immunosuppressive therapy, which are a diagnostic and therapeutic challenge. Aim: To evaluate patients admitted to the Renal Transplant Unit (RTU) of Hospital de S. João with respiratory disease. Subject and methods: We performed a retrospective study of all patients admitted to RTU with respiratory disease during a period of 12 months. Results: Thirty-six patients were included. Mean age 55.2 (±13.4) years; 61.1% male. Immunosuppressive agents most frequently used were prednisolone and mycophenolate mofetil associated with ciclosporin (38.9%) or tacrolimus (22.2%) or rapamycin (13.9%). Thirty-one patients (86.1%) presented infectious respiratory disease. In this group the main diagnoses were 23 (74.2%) pneumonias, 5 (16.1%) opportunistic infections, 2 (6.5%) tracheobronchitis, and 1 case (3.2%) of lung abscesses. Microbiological agent was identified in 7 cases (22.6%). Five patients (13.9%) presented rapamycin-induced lung disease. Fibreoptic bronchoscopy was performed in 15 patients (41.7%), diagnostic in 10 cases (66.7%). Mean hospital stay was 17.1 (±18.5) days and no related death was observed. Conclusion: Respiratory infections were the main complications in these patients. Drug-induced lung disease implies recognition of its features and a rigorous monitoring of drug serum levels. A more invasive diagnostic approach was determinant in the choice of an early and more specific therapy.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Pulmão]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[transplante renal]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[imunossupressão]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Lung]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[renal transplantation]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[immunosuppression]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p><b>Pulmão e transplante renal</b></p>      <p  >&nbsp;</p>     <p  ><b>Patrícia Caetano Mota <a name="top1n"></a><a href="#1n">1</a></b></p>      <p  ><b>Ana Paula Vaz <a href="#1n">1</a></b></p>      <p  ><b>Inês Castro Ferreira <a name="top2n"></a><a href="#2n">2</a></b></p>      <p  ><b>Manuela Bustorff <a name="top3n"></a><a href="#3n">3</a></b></p>      <p ><b>Carla Damas <a name="top4n"></a><a href="#4n">4</a></b></p>      <p  >&nbsp;</p>      <p  ><b>Resumo</b></p>      <p  >O transplante renal é o transplante de órgãos sólidos mais frequente, sendo os transplantados renais alvo de complicações pulmonares inerentes à própria terapêutica imunossupressora, as quais constituem, por vezes, um desafio diagnóstico e terapêutico.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p  ><b>Objectivo: </b>Avaliar os doentes admitidos na Unidade de Transplante Renal (UTR) do Hospital de S. João com o diagnóstico de patologia respiratória.</p>      <p  ><b>Material e métodos: </b>Estudo retrospectivo de todos os doentes admitidos na UTR por doença respiratória, durante um período de 12 meses.</p>      <p  ><b>Resultados: </b>Foram incluídos 36 doentes, com uma média de idades de 55,2 (±13,4) anos; 61,1% do sexo masculino. Os esquemas imunossupressores mais utilizados foram: prednisolona e micofenolato mofetil com ciclosporina (38,9%) ou tacrolimus (22,2%) ou rapamicina (13,9%). Trinta e um doentes (86,1%) apresentaram doença infecciosa respiratória. Neste grupo destacaram-se: 23 casos (74,2%) de pneumonia, 5 casos (16,1%) de infecção oportunista, 2 (6,5%) de traqueobronquite, e 1 (3,2%) de abcessos pulmonares. O agente etiológico foi identificado em 7 casos (22,6%).</p>      <p  >Cinco doentes (13,9%) apresentaram doença pulmonar iatrogénica pela rapamicina.    Em 15 doentes (41,7%) foi necessário recorrer à realização de broncofibroscopia,    diagnóstica em 10 casos (66,7%). O tempo médio de internamento foi de 17,1 (±18,5)    dias, e não se verificou nenhum óbito. </p>     <p  ><b>Conclusão: </b>A infecção constituiu a principal complicação pulmonar    no grupo de doentes estudado. O diagnóstico de doença pulmonar induzida por    fármacos implica reconhecimento das suas características e monitorização rigorosa    dos níveis séricos dos mesmos. O recurso a técnicas de diagnóstico invasivas    contribuiu para maior precocidade e especificidade terapêuticas.</p>      <p ><b>Palavras -chave: </b>Pulmão, transplante renal, imunossupressão.</p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><b>Lung and renal transplantation</b></p>     <p ><b>Abstract</b></p>     <p >Renal transplantation is the most common type of solid organ transplantation    and kidney transplant recipients are susceptible to pulmonary complications    of immunosuppressive therapy, which are a diagnostic and therapeutic challenge.  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><b>Aim</b>: To evaluate patients admitted to the Renal Transplant Unit (RTU)    of Hospital de S. Jo&atilde;o with respiratory disease. </p>     <p ><b>Subject and methods</b>: We performed a retrospective study of all patients    admitted to RTU with respiratory disease during a period of 12 months.</p>     <p ><b>Results</b>: Thirty-six patients were included. Mean age 55.2 (&plusmn;13.4)    years; 61.1% male. Immunosuppressive agents most frequently used were prednisolone    and mycophenolate mofetil associated with ciclosporin (38.9%) or tacrolimus    (22.2%) or rapamycin (13.9%). Thirty-one patients (86.1%) presented infectious    respiratory disease. In this group the main diagnoses were 23 (74.2%) pneumonias,    5 (16.1%) opportunistic infections, 2 (6.5%) tracheobronchitis, and 1 case (3.2%)    of lung abscesses. Microbiological agent was identified in 7 cases (22.6%).    Five patients (13.9%) presented rapamycin-induced lung disease. Fibreoptic bronchoscopy    was performed in 15 patients (41.7%), diagnostic in 10 cases (66.7%). Mean hospital    stay was 17.1 (&plusmn;18.5) days and no related death was observed. </p>     <p ><b>Conclusion</b>: Respiratory infections were the main complications in these    patients. Drug-induced lung disease implies recognition of its features and    a rigorous monitoring of drug serum levels. A more invasive diagnostic approach    was determinant in the choice of an early and more specific therapy.</p>     <p ><b>Key-words</b>: Lung, renal transplantation, immunosuppression.</p>        <p >&nbsp;</p>      <p  ><b>Introdução</b></p>      <p  >A transplantação de órgãos (nomeadamente de órgãos sólidos) constituiu um    dos mais significativos avanços da medicina nos últimos 50 anos. A transplantação    renal em particular, pioneira e precursora das outras transplantações, conheceu    um desenvolvimento sem paralelo, atingindo números que já ultrapassam as 500    000, efectuando-se actualmente cerca de 27 500 por ano<a name="top1"></a><sup><a href="#1">1</a></sup>,<sup><a name="top2"></a><a href="#2">2</a></sup>.    O transplante renal impõe-se como uma alternativa à hemodiálise, com uma relação    custo&#8211;eficácia superior, sendo actualmente a melhor opção terapêutica    e de reabilitação para doentes com insuficiência renal crónica em estádio terminal,    por doenças congénitas, infecciosas e/ou inflamatórias crónico-degenerativas.</p>      <p  >A história mundial do transplante renal teve início em 1902, ano em que foi    realizado o primeiro transplante experimental em animais, na Faculdade de Medicina    de Viena de Áustria. Contudo, só no ano de 1954 foi realizado por Joseph E.    Murray e seus colegas, no Hospital Peter Bent Brigham, em Boston, o primeiro    transplante renal humano com sucesso entre gémeos, sem recurso a qualquer terapêutica    imunossupressora<sup><a name="top3"></a><a href="#3">3</a></sup>.</p>      <p  >Em Portugal, a história da transplantação renal remonta a Junho de 1969, nos Hospitais da Universidade de Coimbra, quando o médico Linhares Furtado realizou o primeiro procedimento, apesar de todas as dificuldades técnicas, humanas e sociais inerentes à época. Contudo, este acto médico não teve seguimento, sendo retomado com carácter definitivo apenas passados 11 anos, em 1980.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p  >Em 2007 foram realizados mais de 400 transplantes renais em Portugal, a maioria    de rins de cadáver e cerca de 10% de dador vivo<sup><a name="top4"></a><a href="#4">4</a></sup>.</p>      <p  >As rejeições aguda e crónica constituem as principais barreiras ao sucesso    completo da transplantação renal. A prevenção, o diagnóstico e o tratamento    da rejeição aguda assumem uma importância primordial no acompanhamento do doente    transplantado renal, pois a sua cura incompleta pode ser o mecanismo inicial    perpetuador dos processos de rejeição crónica<sup><a name="top5"></a><a href="#5">5</a></sup>.</p>      <p  >Desde 1960, têm sido notáveis os avanços no âmbito da imunobiologia e da imunossupressão, com o objectivo máximo de diminuir fenómenos de rejeição. Em 1963, a introdução da associação azatioprina com corticoesteróide em alta dose produziu resultados encorajadores, tornando-se o pilar da imunossupressão até ao aparecimento da ciclosporina em 1983.</p>      <p  >A azatio prina consiste num derivado da 6-mercaptopurina que funciona como    um análogo estrutural das purinas e inibe a síntese dos ácidos nucleicos. Interfere    nas imunidades celular e humoral, dado inibir a proliferação linfocitária e    ter efeito citotóxico sobre os linfócitos activados, para além de bloquear a    produção de anticorpos. Tem como principal efeito lateral a mielodepressão,    manifestada mais frequentemente por leucopenia<a name="top6"></a><sup><a href="#6">6</a></sup>    &#8211; Quadro I.</p>     <p  >&nbsp;</p>                                 <p align="center"><b>Quadro I</b> &#8211; Principais imunossupressores e seus    efeitos laterais</p>                     <p align="center"  ><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a05q1.gif" width="690" height="211"></p>     
<p align="center"  >&nbsp;</p>      <p  >Os corticoesteróides administrados juntamente com outros fármacos imunossupressores    inibem a acumulação de neutrófilos e monócitos em locais de inflamação, bloqueando    a sua actividade fagocitária, bactericida e processadora de antigénios<sup><a href="#6">6</a></sup>.    A ciclosporina é um inibidor da calcineurina, bloqueando a indução dos genes    das citocinas e a activação do linfócito T. A nefrotoxicidade surge como o seu    principal efeito lateral, sendo dependente da dose e duração do tratamento<a name="top7"></a><sup><a href="#6">6-7</a></sup>    &#8211; Quadro I. A introdução deste fármaco imunossupressor permitiu uma melhoria    da sobrevida dos transplantados a partir de rins de cadáveres.</p>      <p  >Entretanto, foram surgindo outros fármacos, de utilização crescente, como    anticorpos anticélulas T monoclonais (daclizumabe, basiliximabe) e policlonais    (globulina antitimocítica) indutores de tolerância imunológica, para além de    pequenas moléculas, como tacrolimus, micofenolato mofetil e rapamicina. À semelhança    da ciclosporina, o tacrolimus também consiste num inibidor da calcineurina,    sendo a nefrotoxicidade o seu principal efeito lateral<sup><a href="#6">6-7</a></sup>    &#8211; Quadro I. O micofenolato mofetil tem um efeito citostático sobre os    linfócitos B e T, actuando como um potente inibidor da desidrogenase da inosina    monofosfato, enzima crítica para a síntese &#8220;de novo&#8221; de purinas.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p  >A toxicidade deste fármaco manifesta-se por efeitos gastrintestinais (diarreia)    e hematológicos (anemia, leucopenia), entre outros<sup><a href="#6">6</a></sup>    &#8211; Quadro I. Recentemente, surgiram casos descritos na literatura de leucoencefalopatia    multifocal progressiva, alguns fatais, em doentes tratados com este fármaco    e que apresentavam factores de risco para essa entidade, como o uso de terapêutica    imunossupressora e compromisso da função imunitária<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>. A rapamicina, também conhecida    por sirolimus, pertence ao grupo de antibióticos macrólidos e é produzida através    da fermentação do <i>Streptomyces hygroscopicus</i>.</p>          <p  >Este fármaco interfere no ciclo celular, ao impedir a passagem da fase G1    a S, por intermédio de duas proteínas intra celulares, traduzindo-se no bloqueio    da activação das células B e T pelas citocinas. Este mecanismo de acção difere    dos inibidores da calcineurina, portanto inibidores da produção de citocinas,    tornando-o uma opção nos casos em que é necessária a interrupção ou redução    da dose de um dos fármacos do grupo anterior<sup><a href="#6">6</a></sup>,<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>.    O perfilde toxicidade da rapamicina, presente com concentrações séricas do fármaco    superiores a 15 ng/mL, inclui efeitos hematológicos, metabólicos, gastrintestinais,    renais e pulmonares<sup><a href="#9">9</a></sup> &#8211; Quadro I.</p>      <p  >Na verdade, apesar de todos os progressos da transplantação nas áreas da    imunossupressão e da imunobiologia, a sobrevivência do enxerto renal, que no    primeiro ano atinge os 85%-90%, diminui progressivamente. Como consequência,    a sobrevida média do enxerto ronda os dez anos<sup><a href="#2">2</a></sup>.    Um dos riscos da imunossupressão a longo prazo consiste no desenvolvimento de    malignidade. Entre as neoplasias com elevada incidência nos transplantados de    órgãos sólidos salientam -se: cancro da pele (escamoso, basocelular, melanoma),    linfomas Hodgkin e não Hodgkin, sarcoma de Kaposi, carcinomas genitourinário,    renal, da cavidade oral e hepático<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>.</p>      <p  >Por outro lado, o risco de neoplasias sólidas mais comuns na população geral    (pulmão, próstata, cólon,&#8230;) só se encontra ligeiramente elevado na população    transplantada<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>. O risco de    malignidade é cerca de 2 a 4 vezes superior nos transplantados cardíacos, comparativamente    com os transplantados renais. Estima&#8211;se um risco cumulativo de malignidade    de cerca de 26% aos oito anos, sendo a maioria atribuído a neoplasias cutâneas<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>.    Acredita-se que a elevação do risco nos transplantados cardíacos está relacionada    com o maior grau de imunossupressão a que estes doentes estão sujeitos<sup><a href="#12">12</a></sup>.    De uma forma geral, variando de acordo com o tipo de neoplasia, o tempo de latência    até à apresentação clínica de malignidade pode variar entre três a cinco anos    pós-transplante<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>. O doente    transplantado renal, pela imunossupressão a que está sujeito, também apresenta    risco elevado de complicações infecciosas. O risco individual de infecção é    determinado pela relação entre as exposições epidemiológicas do doente e o seu    estado de imunossupressão. Neste contexto, a profilaxia de infecções em doentes    imunodeprimidos assume primordial importância. Com o advento de novas terapêuticas    antimicrobianas, a sobrevida destes doentes tem vindo a aumentar. A pielonefrite    constitui a principal causa de internamento por infecção nos transplantados    renais, seguida da infecção pulmonar, responsável por cerca de 40% dos internamentos<a name="top14"></a><sup><a href="#14">14-16</a></sup>.</p>      <p  >Os doentes imunodeprimidos, como os transplantados renais, apresentam um conjunto de complicações iatrogénicas/tóxicas, neoplásicas e infecciosas inerentes à terapêutica imunossupressora, as quais constituem, em muitos casos, um desafio diagnóstico e terapêutico.</p>      <p  >O estudo descrito teve por objectivo avaliar o tipo de complicações pulmonares apresentadas por doentes transplantados renais, no que respeita à sua apresentação clínica, investigação diagnóstica, abordagem terapêutica e prognóstico.</p>      <p  >&nbsp;</p>      <p  ><b>Material e métodos</b></p>      <p  >Os autores efectuaram uma análise retrospectiva que incluiu todos os doentes em idade adulta, transplantados renais, admitidos por doença respiratória na Unidade de Transplante Renal (UTR) do Hospital de S. João, durante um período de 12 meses. Foram consultados os processos clínicos desses doentes e seleccionaram-se dados relativos às características demográficas, clínicas, imagiológicas e microbiológicas, esquemas de imunossupressão e sua duração, tempo de internamento e diagnóstico final. Considerou-se que o tempo de imunossupressão seria similar ao tempo decorrido após o transplante.</p>      <p  >Os dados foram analisados no programa informático SPSS (Statistical Package for the Social Sciences) 15.0.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p  >&nbsp;</p>      <p  ><b>Resultados</b></p>      <p  >Foram incluídos 36 doentes adultos com uma média de idades de 55,2 (±13,4)    anos. Desses, 61,1% (n=22) correspondiam a indivíduos do sexo masculino. Trinta    e um doentes (86,1%) apresentavam sintomatologia respiratóriaà admissão hospitalar    isoladamente ou, na maioria dos casos, acompanhada de sintomas sistémicos e/ou    digestivos. Cinco doentes (13,9%) apresentavam sintomatologia sistémica isolada    &#8211; Fig. 1. Em 32 doentes, o quadro clínico tinha mais de 24 horas de evolução.    Gasometricamente, 47,2% (n=17) apresentava insuficiência respiratória tipo 1.</p>     <p  >&nbsp;</p>     <p align="center"  ><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a05f1.gif" width="610" height="338"></p>                                             
<p align="center"><b>Fig. 1</b> &#8211; Tipo de sintomatologia</p>               <p>&nbsp;</p>                              <p  >A maioria (91,7%) apresentava alterações radiológicas, destacando-se por    ordem decrescente de frequência: opacidade pulmonar (n=16; 44,4%) unilateral    ou bilateral; infiltrado pulmonar (n=13; 36,1%) localizado ou difuso; derrame    pleural (n=2; 5,6%); abcessos pulmonares (n=1; 2,8%); e vidro despolido (n=1;    2,8%) &#8211; Fig. 2. O tempo mediano de terapêutica imunossupressora (e consequentemente    de transplante) até à data da doença foi de 23,5 meses. Os esquemas imunossupressores    mais utilizados foram prednisolona e micofenolato mofetil, em associação com    ciclosporina (38,9%) ou tacrolimus (22,2%) ou rapamicina (13,9%) &#8211; Fig.    3.</p>     <p  >&nbsp;</p>     <p align="center"  ><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a05f2.gif" width="623" height="359"></p>                                              
]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><b>Fig. 2</b> &#8211; Manifesta&ccedil;&otilde;es radiol&oacute;gicas</p>               <p>&nbsp;</p>                                <p align="center" ><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a05f3.gif" width="567" height="302"></p>                       
<p align="center"><b>Fig. 3</b> &#8211; Esquemas de imunossupress&atilde;o (PD:    prednisolona; MMF: micofenolato mofetil; CL: ciclosporina; TC: tacrolimus; RP:    rapamicina; AZ: azatioprina)</p>           <p>&nbsp;</p>              <p >No grupo de doentes estudado os principais diagnósticos foram: infecção (n=31;    86,1%) e iatrogenia medicamentosa (n=5; 13,9%) &#8211; Fig. 4. Em 52,8% dos    doentes foi necessário recorrer a técnicas de diagnóstico invasivas, destacando-se    15 broncofibroscopias (BFC) (41,7%), conclusivas relativamente ao diagnóstico    final em 10 casos (66,7%). Um doente foi submetido à realização de biópsia pulmonar    cirúrgica.</p>     <p >&nbsp;</p>     <p align="center" ><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a05f4.gif" width="450" height="309"></p>                                                                                             
<p align="center"><b>Fig. 4</b> &#8211; Tipo de patologia</p>                     <p>&nbsp;</p>                                                                     ]]></body>
<body><![CDATA[<p  >A patologia infecciosa englobou: 23 casos (74,2%) de pneumonia (18 adquiridas    na comunidade e cinco nosocomiais), duas delas  complicadas por empiema e derrame    parapneumónico, respectivamente; cinco (16,1%) infecções respiratórias oportunistas    (micobacteriose atípica, criptococose, aspergilose, pneumocistose, varicela);    duas (6,5%) traqueobronquites; e um caso (3,2%) de abcessos pulmonares &#8211;    Quadro II. A identificação do agente etiológico só foi possível em sete casos    (22,6%), através de diferentes produtos biológicos &#8211; Fig. 5. Os agentes    isolados foram: <i>Streptococcus pneumoniae</i>, <i>Haemophilus influenzae</i>,    <i>Staphylococcus aureus </i>meticilinossensível (abcessos pulmonares), <i>Mycobacterium    gordonae</i>, <i>Cryptococcus neoformans</i>, <i>Aspergillus fumigatus </i>e    <i>Pneumocystis jiroveci </i>&#8211; Quadro II.</p>     <p  >&nbsp;</p>                                             <p align="center"><b>Quadro II</b> &#8211; Tipo de infec&ccedil;&atilde;o, agentes    isolados e respectivo modo de confirma&ccedil;&atilde;o</p>                              <p align="center"  ><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a05q2.gif" width="626" height="231"></p>     
<p align="center"  >&nbsp;</p>     <p align="center"  ><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a05f5.gif" width="506" height="249"></p>                                             
<p align="center"><b>Fig. 5</b> &#8211; Modo de confirma&ccedil;&atilde;o do agente    infeccioso (HC: hemocultura; LB: lavado br&ocirc;nquico; LBA: lavado broncoalveolar;    STB: secre&ccedil;&otilde;es traqueobr&ocirc;nquicas)</p>                              <p  >&nbsp;</p>      <p  >O esquema de antibióticos mais utilizado para o tratamento da pneumonia adquirida na comunidade (PAC) consistiu na associação ceftriaxona e azitromicina (n=11). Foi necessário proceder à alteração do esquema inicial em dois casos, dado o seu agravamento clínico. A duração média do tratamento desta entidade foi de 11,1 dias, com necessidade de prolongamento na presença de complicações, atingindo num caso o máximo de 23 dias.</p>      <p  >A patologia iatrogénica englobou cinco casos de toxicidade pulmonar por rapamicina. Todos os doentes apresentavam concentrações séricas do fármaco acima do limite superior do normal. O estudo do lavado broncoalveolar (LBA) revelou alveolite linfocítica em 4 doentes, com diferentes relações CD4/CD8, para além de neutrofilia em 3 deles &#8211; Quadro III. No outro doente, o LBA revelou hemorragia alveolar grave &#8211; Fig. 6, e a investigação diagnóstica culminou numa biópsia pulmonar cirúrgica. O exame histológico foi compatível com <i>acute </i><i>fibrinous and organising pneumonia </i>(AFOP) &#8211; Fig 7. Em nenhum destes casos houve qualquer isolamento de microrganismos patogénicos no LBA. Após a suspensão da rapamicina, todos os doentes apresentaram uma boa evolução clínica e radiológica, com um período médio de internamento de 15 dias.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p  >&nbsp;</p>     <p align="center"  ><b>Quadro III</b> &#8211; N&iacute;veis s&eacute;ricos de    rapamicina e caracter&iacute;sticas celulares do LBA nos doentes com patologia    pulmonar iatrog&eacute;nica</p>     <p align="center"  ><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a05q3.gif" width="624" height="375"></p>     
<p align="center"  >&nbsp;</p>     <p align="center"  ><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a05f6.gif" width="625" height="229"></p>                                   
<p align="center"><b>Fig. 6</b> &#8211; LBA de doente com hemorragia alveolar    induzida pela rapamicina &#8211; presen&ccedil;a de hemossiderina na quase totalidade    dos macr&oacute;fagos observados (score Golden-350)</p>             <p>&nbsp;</p>             <p align="center"><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a05f7.gif" width="305" height="244"></p>                                                       
<p align="center"><b>Fig. 7</b> &#8211; Bi&oacute;psia pulmonar cir&uacute;rgica    de doente com hemorragia alveolar induzida pela rapamicina &#8211; Acute Fibrinous    and Organising Pneumonia (AFOP)</p>                                                      <p >&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p  >O tempo médio de internamento global foi de 17,1 (±18,5) dias, variando entre 5 e 111 dias. O internamento mais prolongado correspondeu ao do doente com criptococose disseminada (pulmonar e cutânea).</p>      <p  >Não foi verificado nenhum óbito em ambos os subgrupos de patologias.</p>        <p >&nbsp;</p>      <p  ><b>Discussão</b></p>      <p  >O transplante renal é o transplante de órgãos sólidos mais frequente. Nas    últimas duas décadas assistiu -se a um grande desenvolvimento farmacológico    na área da imunossupressão, com vista ao aumento da sobrevida do enxerto. Contudo,    à semelhança de outros doentes imunocomprometidos, a patologia pulmonar (infecciosa,    tóxica ou neoplásica) nos transplantados renais é frequente, assumindo o seu    diagnóstico e o tratamento precoces primordial importância. À semelhança do    que está descrito na literatura, a patologia infecciosa constituiu a principal    complicação pulmonar no grupo de doentes estudado<sup><a href="#14">14-16</a></sup>.    Os doentes imunodeprimidos estão mais susceptíveis a infecções por microrganismos    de baixa virulência para o hospedeiro normal, sendo o risco de doença disseminada    também superior. A natureza das exposições e o defeito imunológico do hospedeiro    influenciam o padrão de infecção pulmonar, classificando -se nas seguintes categorias:    adquirida na comunidade; nosocomial; reactivação; e exposição ambiental<sup><a href="#14">14</a></sup>.</p>      <p  >O espectro de agentes associado à PAC nos doentes imunodeprimidos é semelhante    ao dos imunocompetentes<a name="top15"></a><sup><a href="#15">15</a></sup>.    Contudo, estes episódios surgem na sequência de infecções respiratórias víricas    e estão associados a maior gravidade e morbilidade. A resistência antimicrobiana,    em parte justificada pelo uso crescente de vários antibióticos com finalidade    terapêutica ou profiláctica, excede a da população geral, associando-se a uma    mortalidade mais elevada<sup><a href="#15">15</a></sup>. Na série apresentada,    86,1% (n=31) dos doentes apresentaram doença infecciosa, sendo a maioria PAC    (n=18). O <i>Streptococcus pneumoniae </i>isolado em hemocultura foi o agente    responsável por um dos casos de PAC, não sendo possível a identificação do agente    etiológico nos restantes. Na maioria das situações, a selecção do esquema antibiótico    seguiu as normas preconizadas para o tratamento da PAC em indivíduos imunocompetentes,observando    -se uma resposta favorável, à excepção de dois casos, em que foi necessário    proceder à alteração do esquema inicial, dado o seu agravamento clínico (um    deles complicado por derrame pleural). O tempo médio de internamento por PAC    no grupo de doentes estudado foi semelhante ao descrito em indivíduos imunocompetentes,    sendo mais prolongado na presença de complicações<a name="top17"></a><sup><a href="#17">17</a></sup>.</p>      <p  >A pneumonia nosocomial ou adquirida no hospital (PAH) constitui uma causa    importante de morbilidade e mortalidade. Consiste no segundo tipo mais comum    de infecção nosocomial e a primeira causa de morte por infecção adquirida em    meio hospitalar<sup><a name="top18"></a><a href="#18">18</a></sup>. A realização    de LBA ou escovado brônquico protegido em combinação com culturas quantitativas    e detecção de microrganismos intracelulares são as melhores técnicas de diagnóstico    que permitem distinguir entre colonização e infecção do tracto respiratório    inferior<a name="top16"></a><sup><a href="#16">16</a></sup>,<sup><a href="#18">18</a></sup>,    sendo o aspirado traqueal uma boa alternativa, nomeadamente nos casos de pneumonia    associada ao ventilador<sup><a href="#18">18</a></sup>. Segundo estudos epidemiológicos,    os agentes mais frequentemente envolvidos na PAH são: <i>Enterobacteriaceae</i>,    <i>Haemophilus influenzae</i>, <i>Streptococcus pneumoniae </i>e <i>Staphylococcus    </i><i>aureus</i><sup><a name="top19"></a><a href="#18">18-19</a></sup>. Dentro    das bactérias multirresistentes destacam-se: <i>Staphylococcus aureus </i>meticilinorresistente,    <i>Pseudomonas aeruginosa</i>, <i>Acinetobacter calcoaceticus -baumannii</i>,    <i>Stenotrophomonas maltophilia</i>, entre outras<sup><a href="#18">18-19</a></sup>.    Os doentes com início tardio da PAH (&#8805; 5 dias após a admissão), uso recente    de antibioterapia e com necessidade de ventilação mecânica têm risco acrescido    de infecção por estes agentes<sup><a href="#18">18-19</a></sup>. Na série apresentada    destacaram-se cinco casos de pneumonias nosocomiais ou PAH. Um deles referia    -se a um doente transplantado há cerca de 6 meses internado com disfunção do    aloenxerto por rejeição aguda humoral, cujo internamento se complicou com um    quadro de choque séptico com necessidade de ventilação mecânica e suporte de    aminas. Esse doente foi submetido a BFC, com posterior isolamento de <i>Haemophilus    influenzae </i>no lavado brônquico (LB) e LBA. Nos restantes casos não foi possível    a identificação do agente etiológico.  Os transplantados renais, sendo doentes    imunodeprimidos, estão sujeitos à reactivação de infecções latentes por micobactérias,    fungos, vírus e parasitas.</p>      <p  >A tuberculose (TB) é uma patologia infecciosa relativamente frequente nos    doentes submetidos a transplante de orgãos sólidos, apresentando uma incidência    de 0,35% a 15%<sup><a name="top20"></a><a href="#20">20</a></sup>. Nos transplantados    renais, o risco de infecção por <i>Mycobacterium tuberculosis </i>é 100 vezes    maior do que o da população geral<sup><a name="top21"></a><a href="#21">21-22</a></sup>.    Neste grupo de doentes, a apresentação clínica da TB é muitas vezes atípica    e o envolvimento extrapulmonar e a forma miliar ocorrem mais frequentemente    do que na população geral<sup><a href="#21">21-22</a></sup>. Na série apresentada    não foi identificado nenhum caso de TB.</p>      <p  >Por outro lado, a infecção por micobactérias atípicas ou não tuberculosas    (MNT) é rara nos transplantados renais (&lt; 1%), apesar da sua elevada morbilidade,    sendo mais comum em doentes com infecção pelo vírus da imunodeficiência humana    (VIH)<sup><a name="top23"></a><a href="#23">23-25</a></sup>. </p>      <p  >Surge muitas vezes com quadros clínicos atípicos e insidiosos, sendo mais    frequente o atingimento da pele e tecidos moles, embora estejam também descritas    as infecções pulmonar, genitourinária e gastrintestinal<sup><a href="#23">23</a></sup>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p  >O diagnóstico é cultural e o isolamento da espécie num fluido normalmente    estéril significa, geralmente, doença<sup><a href="#23">23</a></sup>,<sup><a name="top25"></a></sup><sup><a href="#25">25</a></sup>.    Na série apresentada, foi confirmado, por cultura de secreções traqueobrônquicas,    um caso de micobacteriose atípica por <i>Mycobacterium gordonae </i>numa doente    VIH negativa. O <i>Mycobacterium gordonae </i>é uma MNT de crescimento lento    e habitualmente não patogénica<sup><a href="#23">23</a></sup>,<sup><a href="#25">25</a></sup>.</p>      <p  >Contudo, tem sido reconhecido ocasionalmente como agente causal de infecção,    sobretudo em situações clínicas predisponentes ou de imunossupressão já estabelecida    (transplante, diálise peritoneal, neoplasia), bem como em crianças<sup><a href="#23">23</a></sup>.    No caso descrito, dado o contexto de imunossupressão e a positividade das baciloscopias,    foi iniciado tratamento, a princípio dirigido ao <i>Mycobacterium tuberculosis    </i>e posteriormente ajustado após confirmação do agente atípico em causa por    exame cultural de secreções traqueobrônquicas.</p>      <p  >As infecções fúngicas, sobretudo por <i>Aspergillus</i>, constituem complicações    graves nos doentes imunodeprimidos devido ao seu elevado risco de disseminação.    A aspergilose consiste na causa mais frequente de infecção fúngica sistémica    nos transplantados renais, com uma incidência de 0,4 a 2,4% e com uma mortalidade    elevada, variando entre 56 a 100%<a name="top26"></a><sup><a href="#26">26</a></sup>.    O risco de aspergilose pulmonar invasiva aproxima-se de 50%, na presença de    colonização dos tractos respiratórios superior e inferior e manutenção do tratamento    imunossupressor<sup><a href="#16">16</a></sup>.</p>      <p  >O curso clínico desta infecção é determinado pelo aparecimento de broncopneumonia    necrotizante com invasão vascular e consequente enfarte tecidular, hemorragia    e metastização. Até prova em contrário, o tratamento específico para aspergilose    invasiva está preconizado perante a presença de espécies de <i>Aspergillus </i>nas    secreções traqueobrônquicas ou LBA<sup><a href="#16">16</a></sup>,<sup><a href="#26">26</a></sup>.    Na presente série foi documentado um caso de aspergilose invasiva com atingimento    pulmonar e ocular. O atingimento pulmonar foi confirmado por cultura de LB e    LBA e biópsia pulmonar transbrônquica, que revelou &#8220;esporos, hifas e fungos    com características compatíveis com <i>Aspergillus</i>&#8221;. O doente foi    submetido a terapêutica com voriconazol, com melhoria clínica, analítica e radiológica.</p>      <p  >O <i>Cryptococcus neoformans </i>foi responsável por outro caso de infecção fúngica oportunista, também de carácter disseminado, com atingimento pulmonar e cutâneo. Mais uma vez, a confirmação etiológica foi possível pelo exame citológico do LB e LBA que revelou &#8220;estruturas fúngicas ramificadas sugestivas de criptococos&#8221;, para além de um título sérico elevado de antigénio do <i>Cryptococcus neoformans </i>(1/8192) e resultado de biópsia cutânea. O doente fez tratamento com anfotericina B (15 dias), seguido de terapêutica de manutenção com fluconazol, até completar 12 meses de terapêutica antifúngica.</p>      <p  >Os doentes com atingimento extrapulmonar concomitante têm maior probabilidade    de apresentar positividade para o antigénio do criptococos, com títulos séricos    mais elevados, tal como se verificou no caso descrito<a name="top27"></a><a href="#27"><sup>27</sup></a>.</p>      <p  >O risco de infecção por <i>Pneumocystis jiroveci </i>é superior nos primeiros    seis meses pós-transplante e durante os períodos de maior imunossupressão. <i>Clusters    </i>de infecções têm sido documentados em doentes VIH positivos, transplantados    renais e com neoplasias hematológicas. Nos doentes transplantados, a pneumocistose    consiste numa infecção aguda ou subaguda, caracterizada por hipoxemia grave,    dispneia e tosse, com achados físicos e imagiológicos por vezes frustres<sup><a href="#16">16</a></sup>.    Neste contexto, a sua profilaxia impõe-se, excepto na presença de contraindicações,    de modo a evitar a reactivação de uma infecção latente. No grupo de doentes    estudado, destaca-se um caso de pneumocistose numa doente transplantada há cerca    de 69 meses e imunodeprimida com a associação prednisolona, micofenolato mofetil    e tacrolimus, este último desde há 12 meses em substituição da ciclosporina.    A doente foi medicada com cotrimoxazol e o tacrolimus foi suspenso. A confirmação    da infecção por <i>Pneumocystis jiroveci </i>foi feita por exame citológico    do LB e LBA. Relativamente às infecções víricas nos transplantados, o <i>Cytomegalovirus    </i>(CMV) consiste no agente patogénico mais comum.</p>      <p  >A incidência de infecção pulmonar por CMV depende do tipo de enxerto e regime    de imunossupressão, atingindo cerca de 50% nos transplantados pulmonares<sup><a href="#16">16</a></sup>.    Até 70% dos doentes transplantados renais com seropositividade para CMV apresentam    reactivação do vírus no pós-transplante, contudo só 20% apresentam doença por    CMV<sup><a href="#16">16</a></sup>. Do quadro clínico de infecção pulmonar por    CMV fazem parte achados como hipoxemia, infiltrados difusos e detecção do CMV    no LBA. Na série apresentada não foi identificado nenhum caso de doença por    CMV, o que pode estar directamente relacionado com o tamanho reduzido da amostra.</p>      <p  >Os doentes imunodeprimidos também apresentam risco acrescido de infecção    por vírus respiratórios adquiridos na comunidade (<i>Influenza</i>, adenovírus,    vírus sincicial respiratório) e de maior gravidade, porém com variabilidade    sazonal semelhante à da população geral<sup><a href="#14">14</a></sup>.</p>      <p  >Os doentes imunodeprimidos com doença cutânea por vírus <i>Herpes simplex    </i>(VHS) e <i>Varicella zoster </i>(VVZ) apresentam um risco de disseminação    da doença para outros órgãos de cerca de 10%. O envolvimento pulmonar primário    pela varicela ocorre na primeira semana da doença, com uma taxa de mortalidade    de 18%<sup><a name="top28"></a><a href="#28">28</a></sup>. Cerca de 10 a 25%    dos doentes são sintomáticos<sup><a href="#28">28</a></sup>. Radiologicamente,    manifesta-se pela presença de infiltrados intersticiais ou nodulares (16%)<sup><a href="#28">28</a></sup>.    O atingimento pulmonar por VHS e VVZ em doentes imunodeprimidos constitui uma    emergência médica. Na série apresentada destaca -se um caso de varicela com    atingimento pulmonar. O doente apresentava-se sintomático com febre, lombalgias    e exantema maculopapular com dois dias de evolução.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p  >A imagiologia pulmonar revelava uma acentuação difusa da trama broncovascular. O doente fez tratamento com aciclovir, inicialmente por via endovenosa (8 dias) e, posteriormente, por via oral, com boa resposta clínica e radiológica.</p>      <p  >Aproximadamente 90% dos casos de abcesso pulmonar são causados por bactérias    anaeróbias, contudo outros agentes, nomeadamente aeróbios, podem estar envolvidos,    como <i>Staphylococcus aureus</i>, <i>Escherichia coli</i>, <i>Pseudomonas aeruginosa</i>,    <i>Haemophilus influenzae </i>tipo b, espécies de <i>Legionella </i>e <i>Nocardia    </i>e, raramente, de estreptococos<sup><a name="top29"></a><a href="#29">29</a></sup>.    A maioria dos abcessos pulmonares constituem infecções polimicrobianas, estritamente    anaeróbias ou mistas, e só cerca de 10% são causados unicamente por agentes    aeróbios<sup><a href="#29">29-30</a></sup>.</p>      <p  >Os abcessos pulmonares podem ser caracterizados em agudos e crónicos, consoante    a duração dos sintomas. Contrariamente à doença crónica, os agentes aeróbios    estão mais frequentemente envolvidos na infecção aguda<sup><a href="#29">29</a></sup>.    Esta é geralmente detectada numa fase de pneumonite, com posterior desenvolvimento    de cavitação à medida que a necrose do parênquima pulmonar progride até estabelecer    comunicação com o brônquio, com consequente formação de nível hidroaéreo, sendo    a imagiologia fundamental para o diagnóstico desta entidade. A duração do tratamento    é controversa. Bartlett defende uma estratégia conservadora que preconiza manter    a antibioterapia até resolução total da imagem ou até a lesão residual permanecer    estável e pequena<a name="top30"></a><sup><a href="#30">30</a></sup>. Neste    contexto, muitos doentes requerem 6 a 8 semanas de tratamento, constituindo,    actualmente, a estratégia adoptada na maioria das situações clínicas. Na série    apresentada destaca-se um caso de abcessos pulmonares por <i>Staphylococcus    aureus </i>meticilinossensível (SAMS). A doente tinha um internamento prévio    por PAC à esquerda devido a SAMS, cuja confirmação etiológica só fora possível    através do exame microbiológico do produto obtido por biópsia aspirativa transtorácica    guiada por tomografia computorizada de um nódulo pulmonar. O exame histológico    foi compatível com AFOP. A doente completou 14 dias de antibioterapia com vancomicina    e piperacilina-tazobactam, com franca melhoria clínica e analítica. Cerca de    duas semanas depois desenvolveu um quadro clínico constitucional e respiratório,    apresentando na telerradiografia do tórax duas imagens cavitadas com nível hidroaéreo    no campo pulmonar esquerdo, compatíveis com abcessos pulmonares &#8211; Fig.    8. A identificação do agente etiológico foi possível por exame microbiológico    de secreções traqueobrônquicas, LB e LBA. A doente foi medicada com flucloxacilina    e clindamicina, com evolução clínica e radiológica favoráveis, esta última mais    evidente a partir da 4.ª semana de tratamento.</p>      <p  >&nbsp;</p>         <p align="center" ><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a05f8.gif" width="563" height="247">  </p>                                              
<p align="center"><b>Fig. 8 </b> &#8211; Abcessos pulmonares por SAMS a nível    do hemitórax esquerdo (telerradiografia do tórax e tomografia computorizada)</p>                              <p  >&nbsp;</p>     <p  >Os cinco casos de patologia pulmonar iatrogénica, ou induzida por fármacos,    tiveram como agente responsável a rapamicina. Actualmente encontram-se descritos    cerca de 80 casos de toxicidade pulmonar induzida pela rapamicina em doentes    submetidos a transplante de órgãos sólidos. Na maioria dos casos, os doentes    apresentam sintomas respiratórios e sistémicos associados a imagens radiológicas    de infiltrados pulmonares, mimetizando um quadro de infecção respiratória num    doente imunocomprometido. O LBA é frequentemente utilizado quando o quadro clínico    não responde à terapêutica prescrita, nomeadamente à antibioterapia, não só    para a tentativa de isolamento de microrganismos, como na pesquisa de outra    etiologia diferencial, nomeadamente inflamatória/imunológica ou neoplásica<sup><a href="#9">9</a></sup>,<sup><a name="top31"></a><a href="#31">31</a></sup>.    O estudo celular nos casos descritos de toxicidade pulmonar secundária à rapamicina    apresenta geralmente linfocitose, que por vezes é intensa e habitualmente de    predomínio CD4+ <sup><a name="top32"></a><a href="#32">32-33</a></sup>. O LBA    também pode revelar sinais de hemorragia alveolar, como a presença de hemossiderina    nos macrófagos, a qual constitui uma forma mais rara de toxicidade pela rapamicina<sup><a name="top34"></a><a href="#34">34</a></sup>.</p>      <p  >Caracteristicamente, estas alterações regridem com a suspensão do fármaco,    habitualmente num período de três meses. Nos cinco casos estudados, a ausência    de isolamento de qualquer microrganismo e a observação de linfocitose no LBA    (em quatro deles) sugeriram apresença de um quadro de pneumonite. O facto de    se observarem diferenças na contagem celular total, contagem celular diferencial    com diferentes graus de linfocitose e presença de neutrofilia em alguns casos,    como também na relação CD4/CD8, poderá ter como causa a presença de diferentes    quadros fisiopatológicos associados. Neste contexto, alguns autores defendem    a confirmação anatomopatológica do diagnóstico de pneumonite<sup><a href="#9">9</a></sup>,<sup><a href="#31">31</a></sup>.</p>      <p  >Contudo, a apresentação clínica, o resultado do LBA e a evolução clínica    e radiológica favoráveis após a suspensão do fármaco questionam a necessidade    de uma abordagem diagnóstica mais invasiva. No entanto, pela sua raridade, foi    decidido efectuar uma biópsia pulmonar cirúrgica no doente que apresentava hemorragia    alveolar. Esta foi compatível com AFOP, entidade anatomopatológica associada    a patologia pulmonar de início agudo ou subagudo, podendo surgir de forma idiopática,    associada a infecção ou após exposição a fármacos (como a rapamicina). Na série    apresentada não se verificou nenhum caso de patologia pulmonar maligna, justificado    em parte pelo tamanho reduzido da amostra e também pelo risco modesto, neste    tipo de doentes, de neoplasia sólida do pulmão, comparativamente com outro tipo    de neoplasias<sup><a href="#10">10-11</a></sup>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p  >No que respeita aos casos de infecção, não foi possível correlacionar o tipo de alterações pulmonares com o esquema de imunossupressão, situação que não se confirmou com a toxicidade associada à rapamicina. É de referir, ainda, a impossibilidade de correlacionar o grau e o tempo de imunossupressão com o tipo de manifestações pulmonares e respectiva gravidade (como por exemplo no caso descrito de pneumocistose que ocorreu numa fase tardia pós-tranplante), uma vez que na população estudada os casos mais graves não se associaram ao período de pós -transplante imediato, momento em que o grau de imunossupressão é maior.</p>      <p  >&nbsp;</p>      <p  ><b>Conclusão</b></p>      <p  >À semelhança dos dados da literatura, a infecção constituiu a principal complicação pulmonar no grupo de doentes estudado, sendo os agentes bacterianos e oportunistas os mais frequentes.</p>      <p  >A toxicidade pulmonar induzida pela rapamicina tem sido descrita de forma    crescente, destacando-se a importância de monitorizar rigorosamente os níveis    séricos deste fármaco ou de outro potencialmente tóxico.</p>      <p  >De salientar a necessidade de uma abordagem diagnóstica invasiva em alguns    casos, a qual foi determinante para a instituição precoce de uma terapêutica    específica. Apesar do tamanho reduzido da amostra, a inexistência de óbitos    está de acordo com o gradual decréscimo da mortalidade por infecção em doentes    imunodeprimidos, dados os avanços no âmbito do diagnóstico, terapêutica, prevenção    e imunossupressão.</p>     <p  >&nbsp;</p>     <p  ><b>Agradecimentos</b></p>     <p  >Agradecemos a colaboração do Serviço de Nefrologia &#8211; Unidade de Transplante    Renal do Hospital de S. João.</p>     <p  >&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p  ><b>Bibliografia/Bibliography</b></p>      <p  ><a name="1"></a><a href="#top1">1</a>. Cecka JM, Terasaki PI. Worldwide Transplant    Center Directory Kidney Transplants. Clinical Transplants 2000, Cecka e Terasaki    (Eds.). UCLA Immunogenetics Center, Los Angeles 2001: 555-595.</p>      <!-- ref --><p  ><a name="2"></a><a href="#top2">2</a>. Mota A. Problemas do transplante renal    a longo-prazo. Rev Port Nefrol Hipert 2003; 17:11-22.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S0873-2159200900060000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p  ><a name="3"></a><a href="#top3">3</a>. Starzl TE. The development of clinical    renal transplantation. Am J Kidney Dis 1990; 16:548-556.</p>      <p  ><a name="4"></a><a href="#top4">4</a>. Relatório da actividade de colheita    e transplantação de 2007 &#8211; ASST.</p>      <!-- ref --><p  ><a name="5"></a><a href="#top5">5</a>. Salomão A. Imunossupressão em transplante    renal de adultos: Conceitos básicos e aplicação clínica. Prática Hospitalar    2007; 52: 177-182.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S0873-2159200900060000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p  ><a name="6"></a><a href="#top6">6</a>. Osswald W, Guimarães S. Terapêutica    medicamentosa e suas bases farmacológicas. 4ª Edição, Porto Editora, 2001: 1238-1240.</p>      <p  ><a href="#top7">7</a>. Burdmann EA, Andoh TF, Yu L, <i>et al. </i>Cyclosporine    nephrotoxicity. Semin Nephrol 2003; 23: 465-476.</p>      <p  ><a name="8"></a><a href="#top8">8</a>. Matijaca M, Vlasi&#263; -Matas J, Jankovi&#263;    S, <i>et al. </i>Neurotoxicity that may mimic progressive multifocal leukoencephalopathy    in patient with transplanted kidney. Coll Antropol 2007; 31: 349-353.</p>      <!-- ref --><p  ><a name="9"></a><a href="#top9">9</a>. Damas C, Oliveira A, Morais A. Toxicidade    pulmonar induzida pela rapamicina. Rev Port Pneumol 2006; 12: 715-724.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S0873-2159200900060000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p  ><a name="10"></a><a href="#top10">10</a>. Morath C, Mueller M, Goldschmidt    H, <i>et al. </i>Malignancy in renal transplantation. J Am Soc Nephrol 2004;    15: 1582-1588.</p>      <p  ><a name="11"></a><a href="#top11">11</a>. Kasiske BL, Snyder JJ, Gilbertson    DT, <i>et al. </i>Cancer after kidney transplantation in the United States.    Am J Transplant 2004; 4: 905-913.</p>      <p  ><a name="12"></a><a href="#top12">12</a>. Taylor DO, Edwards LB, Boucek MM,    <i>et al. </i>Registry of the International Society for Heart and Lung Transplantation:    twenty -second official adult heart transplant report &#8211; 2005. J Heart    Lung Transplant 2005; 24: 945-955.</p>      <p  ><a name="13"></a><a href="#top13">13</a>. Pedotti P, Cardillo M, Rossini    G, <i>et al. </i>Incidence of cancer after kidney transplant: results from the    North Italy transplant program. Transplantation 2003; 76: 1448-1451.</p>      <p  ><a name="14"></a><a href="#top14">14</a>. Fishman JA, Rubin RH. Infection    in organ transplant recipients. N Engl J Med 1998; 338: 1741-1751.</p>      <p  ><a name="15"></a><a href="#top15">15</a>. Fernandez    Guerrero ML, Ramos JM, Marrero J, <i>et al. </i>Bacteremic pneumococcal infections    in immunocompromised patients without AIDS: the impact of beta -lactam resistance    on mortality. Int J Infect Dis 2003; 7: 46-52.</p>      <p  ><a name="16"></a><a href="#top16">16</a>. Chang GC, Wu CL, Pan SH, <i>et    al. </i>The diagnosis of pneumonia in renal transplant reci pients using invasive    and noninvasive procedures. Chest 2004; 125: 541-547.</p>      <p  ><a name="17"></a><a href="#top17">17</a>. Mandell LA, Wunderink RG, Anzueto    A, <i>et al. </i>IDSA/ATS Consensus Guidelines on the Management of Community    -Acquired Pneumonia in Adults. Clin Infect Dis 2007; 44: S27-72.</p>      <p  ><a name="18"></a><a href="#top18">18</a>. Andriesse    GI, Verhoef J. Nosocomial pneumonia: rationalizing the approach to empirical    therapy. Treat Respir Med 2006; 5: 11-30.</p>      <p><a href="#top19">19</a>. Guidelines for the Management of    Adults with Hospital-acquired, Ventilator-associated, and Healthcareassociated    Pneumonia. Am J Respir Crit Care Med 2005; 171: 388-416.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p  ><a name="20"></a><a href="#top20">20</a>. Niewczas M, Ziolkowski J, Rancewicz    Z, <i>et al. </i>Tuberculosis in patients after renal transplantation remains    still a clinical problem. Transplant Proc 2002; 34: 677-679.</p>      <p  ><a name="21"></a><a href="#top21">21</a>. Apaydin S, Altiparmak MR, Serdengecti    K, <i>et al. </i>Mycobacterium tuberculosis infections after renal transplantation.    Scand J Infect Dis 2000; 32: 501-505.</p>      <!-- ref --><p  ><a href="#top21">22</a>. Lopes JA, Guerra J, Santana A, <i>et al. </i>Tuberculose    em doentes transplantados renais. Rev Port Nefrol Hipert 2005; 19: 163-168.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000155&pid=S0873-2159200900060000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p  ><a name="23"></a><a href="#top23">23</a>. Griffith DE, Aksamit T, Brown-Elliott    BA, <i>et al. </i>An official ATS/IDSA statement: Diagnosis, treatment, and    prevention of nontuberculous mycobacterial diseases. Am J Respir Crit Care Med    2007; 175(4):367-416.</p>      <p  ><a name="23"></a><a href="#top23">24</a>. Alexander S, John GT, Jesudason    M, <i>et al. </i>Infections with atypical mycobacteria in renal transplant reci    pients. Indian J Pathol Microbiol 2007; 50:482-484.</p>      <p  ><a name="25"></a><a href="#top25">25</a>. Nontuberculous mycobacteria. Am    J Transplant 2004; 4 (Suppl. 10):42-46.</p>      <p  ><a name="26"></a><a href="#top26">26</a>. Veroux M, Corona D, Gagliano M,    <i>et al. </i>Voriconazole in the treatment of invasive aspergillosis in kidney    transplant recipients. Transplant Proc 2007; 39:1838-1840.</p>      <p  ><a name="27"></a><a href="#top27">27</a>. Singh N, Alexander BD, Lortholary    O, <i>et al. </i>Pulmonary cryptococcosis in solid organ transplant recipients:    clinical relevance of serum cryptococcal antigen. Clin Infect Dis 2008; 46:12-18.</p>      <p  ><a name="28"></a><a href="#top28">28</a>. Mohsen AH, McKendrick M. Varicella    pneumonia in adults. Eur Respir J 2003; 21:886-891.</p>      <p  ><a name="29"></a><a href="#top29">29</a>. Hammond JM, Potgieter PD, Hanslo    D, <i>et al. </i>The etiology and antimicrobial susceptibility patterns of microorganisms    in acute community -acquired lung abscess. Chest 1995; 108: 937-941.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p  ><a name="30"></a><a href="#top30">30</a>. Bartlett JG. Antibiotics in lung    abscess. Semin Respir Infect 1991; 6:103-111.</p>      <p  ><a name="31"></a><a href="#top31">31</a>. Champion L, Stem M, Israel -Biet    D, <i>et al. </i>Brief communication: Sirolimus associated pneumonitis &#8211;    24 cases in renal transplant recipients. Ann Intern Med 2006; 144:505-509.</p>      <p  ><a name="32"></a><a href="#top32">32</a>. Morelon E, Stern M, Kreis H. Interstitial    pneumonitis associated with sirolimus therapy in renal-transplant recipients.    N Eng J Med 2000; 343:225-226.</p>      <p  ><a name="32"></a><a href="#top32">33</a>. Morelon E, Stern M, Israel -Biet    D, <i>et al. </i>Characteristics of sirolimus -associated interstitial pneumonitis    in renal transplant patients. Transplantation 2001; 72:787-790.</p>      <p  ><a name="34"></a><a href="#top34">34</a>. Vlahakis N, Rickman B, Morgenthaler    T. Sirolimusassociated diffuse alveolar hemorrhage. Mayo Clin Proc 2004; 79:541-545.</p>      <!-- ref --><p  >35. Damas C, Morais A, Marques JA, <i>et al. </i>Pneumonia aguda fibrinosa    e organizante. Rev Port Pneumol 2006; 12:615-620.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000168&pid=S0873-2159200900060000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p >&nbsp;</p>        <p >&nbsp;</p>        <p  ><a href="#top1n">1</a><a name="1n"></a> Interna Complementar de Pneumologia,    Serviço de Pneumologia, Hospital de S. João/<i>Resident, Pulmonology, Pulmonology    Unit, Hospital de S. João</i></p>        <p  ><a href="#top2n">2</a><a name="2n"></a> Interna Complementar de Nefrologia,    Serviço de Nefrologia, Hospital de S. João /<i>Resident, Nephrology, Nephrology    Unit, Hospital de S. João</i></p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p  ><a href="#top3n">3</a><a name="3n"></a> Assistente Hospitalar Graduada de    Nefrologia, Serviço de Nefrologia, Hospital de S. João /<i>Consultant, Specialist,    Nephrology, Nephrology Unit, Hospital de S. João</i></p>     <p  ><a href="#top4n">4</a><a name="4n"></a> Assistente Hospitalar de Pneumologia,    Serviço de Pneumologia, Hospital de S. João /<i>Consultant, Pulmonology, Pulmonology    Unit, Hospital de S. João</i></p>     <p  >&nbsp;</p>       <p  >Serviço de Pneumologia, Hospital de S. João, EPE,      Porto/<i>Pulmonology Unit, Hospital de S. João, EPE, Porto</i></p>       <p  >Director de Serviço/<i>Unit Head: </i>Professor Doutor      Venceslau Hespanhol</p>       <p  >Faculdade de Medicina da Universidade do Porto</p>       <p  >Serviço de Pneumologia, Hospital de S. João, EPE</p>       <p  >Alameda Professor Hernâni Monteiro</p>       <p  >4202-451 Porto</p>        <p >e-mail:<i> </i><a href="mailto:patmota@net.sapo.pt">patmota@net.sapo.pt</a></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >&nbsp;</p>     <p >Recebido para publica&ccedil;&atilde;o/received for publication: 08.12.31  </p>     <p  >Aceite para publica&ccedil;&atilde;o/accepted for publication: 09.04.20</p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Mota]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Problemas do transplante renal a longo-prazo]]></article-title>
<source><![CDATA[Rev Port Nefrol Hipert]]></source>
<year>2003</year>
<numero>17</numero>
<issue>17</issue>
<page-range>11-22</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Salomão]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Imunossupressão em transplante renal de adultos: Conceitos básicos e aplicação clínica]]></article-title>
<source><![CDATA[Prática Hospitalar]]></source>
<year>2007</year>
<numero>52</numero>
<issue>52</issue>
<page-range>177-182</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Damas]]></surname>
<given-names><![CDATA[C]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Oliveira]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Morais]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Toxicidade pulmonar induzida pela rapamicina]]></article-title>
<source><![CDATA[Rev Port Pneumol]]></source>
<year>2006</year>
<numero>12</numero>
<issue>12</issue>
<page-range>715-724</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lopes]]></surname>
<given-names><![CDATA[JA]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Guerra]]></surname>
<given-names><![CDATA[J]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Santana]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Tuberculose em doentes transplantados renais]]></article-title>
<source><![CDATA[Rev Port Nefrol Hipert]]></source>
<year>2005</year>
<numero>19</numero>
<issue>19</issue>
<page-range>163-168</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Damas]]></surname>
<given-names><![CDATA[C]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Morais]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Marques]]></surname>
<given-names><![CDATA[JA]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Pneumonia aguda fibrinosa e organizante]]></article-title>
<source><![CDATA[Rev Port Pneumol]]></source>
<year>2006</year>
<numero>12</numero>
<issue>12</issue>
<page-range>615-620</page-range></nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
